Mário Maestri, historiador e professor da UPF
Na madrugada de 14 de novembro de 1844, em conluio com o barão de Caxias, comandante máximo das forças imperiais, o general David Canabarro, chefe das tropas republicanas, entregou os soldados farroupilhas negros desarmados aos inimigos, em um dos mais vis fatos de armas da história militar brasileira. No serro de Porongos – município Pinheiro Machado –, foi dizimada a infantaria negra, acelerando a paz entre grandes proprietários republicanos e monarquistas.
A historiografia tradicional sulina explicou como lamentável e quase inexplicável “surpresa” a derrota farroupilha em Porongos. O historiador Spencer Leitman assinala que o fato deveu-se a uma vil traição. A edição de carta do barão de Caxias, pelo Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, elucidou as razões da falsa surpresa militar.
Na carta, Caxias ordenava ao coronel Francisco Pedro de Abreu – o “Moringue” – que surpreendesse as tropas rebeldes, em 14 de novembro, e que não temesse o confronto. A infantaria inimiga – constituída sobretudo por ex-cativos – encontrava-se desarmada: “[…] ela deverá receber ordem de um ministro e do General-em-Chefe para entregar o cartuchame sob o pretexto de desconfiança dela.”
O general farroupilha David Canabarro cobriu-se de infâmia. Combinou entregar seus soldados negros, desarmados, ao inimigo, para que fossem massacrados, para acelerar o fim do conflito, através de solução final para a questão dos soldados ex-cativos, que o Império negava-se a libertar. Após o fim da guerra, em pagamento pelos bons serviços, o Império manteve-lhe no posto de general.
Caxias assinalou os objetivos do ataque. Com uma grande derrota, esperava pôr um definitivo fim à resistência dos rebeldes e acelerar as discussões sobre a rendição. Exagerando, lembrava ao oficial subalterno que o “negócio secreto” estabelecido com Canabarro levaria “em poucos dias ao fim da revolta desta província”. O segundo grande objetivo era criar as condições para solução senhorial do problema posto pelos ex-escravos armados, combatendo na infantaria de 1ª Linha e no Corpo de Lanceiro.
David Canabaro e Antônio Vicente da Fontoura eram então expoentes do partido da rendição a qualquer custo, à qual se opunham Bento Gonçalves e Netto. Menos de dois meses após a traição de Porongos, o barão de Caxias escreveria: “Davi Canabarro é hoje o chefe em cuja boa fé mais confio”. “Bento Gonçalves e Neto mostram-se pouco satisfeitos pela deliberação que vai tomar David”.
Na carta, Caxias ordena fria e hipocritamente: “No conflito, poupe o sangue brasileiro quando puder, particularmente de gente branca da província ou índios, pois bem sabe que esta pobre gente ainda nos pode ser útil no futuro.” O chefe imperial pensava já na intervenção que o Império preparava contra Rosas, presidente supremo da Argentina. Os republicanos contavam também com a guerra próxima para obter maiores concessões do Império.
A ordem do Barão era clara. Massacrar sobretudo os ex-cativos crioulos e africanos libertados da escravidão para lutar nas tropas farroupilhas, aos quais, seguindo a visão escravista senhorial da época, Caxias não concedia terem “sangue brasileiro”. Como republicanos e imperiais organizavam acampamentos distintos para brancos, índios e negros, a missão do coronel Francisco Pedro de Abreu cumpriu-se sem maiores dificuldades.
Na madrugada de 14 de novembro de 1844, as tropas do Império caíram sobre os 1.200 soldados rebeldes, capturando-lhes a bagagem, abarracamento, armas, arquivos, estandartes, munições, a última peça de artilharia farroupilha. Cem combatentes, sobretudo negros, teriam sido mortos e 333 presos. Em Porongos praticamente desaparecia a infantaria negra farroupilha.
A rendição sancionada em Ponche Verde, facilitada pela traição de Porongos, foi acordo entre grandes proprietários. O Império pagaria as contas contraídas pelos republicanos, manteria nos postos os oficiais farroupilhas que permanecessem sob armas, indenizaria os chefes republicanos. Os farroupilhas aceitavam a anistia e entregar os soldados negros restantes, como o fizeram.
Jamais houve contradição social entre os republicanos e os imperiais. A Guerra Farroupilha tratou-se sempre de briga na sala de visitas.
Autor: Elmar Bones
Farrapos: uma briga na sala de visitas
Uma fonte no Bom Fim
Naira Hofmeister
A partir da solicitação de moradores da Felipe Camarão, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAM) está investigando a possível existência de uma fonte de água na altura do número 215 da rua. O local nunca abrigou uma construção e atualmente é ocupado por árvores nativas e pássaros. Mas no final de 2006 a área – antes anexa ao edifício 211 da rua – foi cercada e há um projeto de erguer ali um prédio de cinco andares.
“Cinqüenta metros no entorno de uma nascente é de preservação obrigatória”, garante o engenheiro agrônomo Paulo Antônio Jardim, da SMAM. Alguns moradores temem que os prédios que tenham distância inferior ao olho d’água estejam ameaçados. O risco é pequeno, já que todas as obras são antigas e possuem carta de habitação.
Jardim visitou o terreno mais de uma vez, mas depende da análise de outros departamentos da Prefeitura para confirmar a suspeita. O Departamento de Esgotos Pluviais verifica se a água que corre sem cessar não é decorrente de um vazamento (foto). Paralelamente, o DMAE analisa a qualidade de amostras coletadas. A estimativa do engenheiro da SMAM é que em um ou dois meses os laudos estejam disponíveis. “Se for mesmo uma fonte, é um fato raríssimo, ainda mais no centro da cidade”, comenta. Abrem-se as cortinas
Naira Hofmeister
A décima quarta edição do porto Alegre Em cena inicia na segunda-feira, 10 de setembro. Daí em diante serão 20 dias e 72 espetáculos distribuídos em 21 espaços da capital do Estado. Mais de 800 atores e diretores farão 150 apresentações durante o evento, que a própria organização propagandeia como o maior de todos os tempos.
“Este ano, para nossa imensa satisfação, tudo aumentou no festival. O número de peças, de países, de jornalistas que pediram para fazer a cobertura, as superproduções”, comemora Luciano Alabarse, coordenador do festival.
Em 2007, o Em Cena terá grandes expoentes do teatro contemporâneo internacional. Pela primeira vez a América do Sul recebe o Théâtre du Soleil, dirigido pela célebre Ariane Mnouchkine, que montou uma ‘filial’ da Cartoucherie francesa no bairro Humaitá, na Zona Norte de Porto Alegre, para a apresentação de Les Éphémères.
O espetáculo exigiu preparação especial dos técnicos do festival, pois o grupo trouxe onze containeres de carga. Les Éphémères tem quase oito horas de duração e será dividido em duas partes. A maior expectativa entre o público é sobre a refeição que os atores servem para a platéia. “É um golaço de final de Copa do Mundo!”, resume Luciano Alabarse.
O espetáculo francês Les Éphémères tem oito horas, dividas em dois dias de apresentação
Do Mercosul chegam 13 espetáculos, entre eles, BoccaTango, no qual o bailarino Julio Bocca faz sua última apresentação como profissional. Depois de deixar o palco do Teatro do Sesi, na noite de 20 de setembro, o argentino pendura as sapatilhas definitivamente.
“Gosto muito de Kagemi, do grupo Sankai Juku do Japão, que considero um espetáculo belíssimo. China Zorrilla, de Elza e Fred, se apresentando aos 85 anos e pela primeira vez no Brasil são momentos que eu destaco numa programação que prima pela excelência e pluralidade artística”, avalia Luciano Alabarse.
A companhia de dança Sankai Juku, considerada uma das mais importantes do mundo, traz o espetáculo Kagemi
A música e a dança serão protagonistas na 14ª edição do Em Cena. Dos 72 espetáculos da grade de programação, 17 são desses gêneros. “Os maiores festivais do mundo mostram a saudável iniciativa de programarem cada vez mais espetáculos que cruzam linguagens utilizadas pelas artes cênicas”, justifica.
O Rio Grande entra em cena
Se as peças internacionais são sempre atrações especiais, a lista dos espetáculos do Rio Grande do Sul deixa claro que o festival quer valorizar a produção local. O número de peças regionais se aproxima bastante que as demais categorias e pela primeira vez há espetáculos do interior do Estado. “Sugestão de Dona Eva Sopher, aceita prontamente”, revela Alabarse.
De Caxias do Sul, chega o grupo Tem Gente Teatrando, com o clássico de Plínio Marcos Navalha na Carne. O diretor Helquer Paez traz sua montagem do texto de Nelson Rodrigues O beijo no Asfalto e a pequena Rondinha estará representada por O Ferreiro e a Morte.
A Pedra do Reino, baseada na obra de Ariano Suassuna, é uma das atrações nacionais
“Todas as peças locais passaram pelo crivo da comissão de seleção e mostram o bom momento da produção cênica gaúcha. É bom poder mostrar o que estamos produzindo para os convidados de outras cidades”, acredita o coordenador.
Outro sinal da valorização das produções gaúchas é o Programa de Fidelidade ao Teatro Local (Profit). Durante os primeiros meses do ano, o espectador que comparecesse à cinco apresentações na capital, ganhava uma entrada para qualquer peça do Porto Alegre Em Cena.
“Esses dias uma senhora veio me agradecer porque desde o lançamento do Profit começou a assistir nossas produções e estava encantada com o teatro gaúcho. Ou seja, objetivo alcançado”, festeja Alabarse, que garante que em 2008 o projeto terá continuidade.
Já o Troféu Braskem Em Cena chega à sua segunda edição e vai distribuir prêmios em dinheiro para os melhores espetáculos locais. Mesmo com o apoio total da classe artística e com a repercussão que teve na edição anterior, o coordenador do festival ainda é cauteloso em afirmar que será incorporado definitivamente ao festival.
“No Brasil, é muito arriscado falar em patrocínio permanente para um evento cultural. A Braskem é uma empresa séria, está feliz com o Troféu, e sinaliza que seguirá. Eu cruzo os dedos para que todos os patrocinadores, não só eles, estejam conosco ano que vem”.
A estréia do pelotense
Vitor Ramil é a atração que abre o 13º Porto Alegre Em cena, na noite do dia 10, no Theatro São Pedro. Satolep Sambatown é o resultado da união do pelotense com o percursionista carioca Marcos Suzano. De Satolep, cidade imaginária de Ramil inspirada em Pelotas, vem a Estética do Frio, conceito desenvolvido há anos pelo músico. De Sambatown, a fantasia de Suzano, chega a batida do pandeiro como centro de uma arquitetura rítmica.
Satolep e Sambatown também são os nomes dos selos que cada um dos músicos mantém e o título do disco que, curiosamente, lançam pela Universal. “Como cada um tem uma gravadora, optamos por uma terceira para nos focarmos no trabalho artístico”, justifica Ramil.
A noite no São Pedro será a estréia nacional do espetáculo, que depois seguem em turnê pelo Brasil. “Não tenho confirmação das datas, mas sei que Pelotas, Santa Maria e Caxias do Sul estão no roteiro”, antecipa.
Espetáculos já estão esgotados
O show de abertura do Em Cena, Satolep Sambatown é um dos 15 espetáculos com ingressos esgotados. Com o início dos espetáculos, as entradas que restam serão comercializadas on-line (http://www.portoweb.com.br/centraldeingressos/), na porta dos teatros e na antiga Casa Rocco, no centro de Porto Alegre, entra as 12h e às 18h. A entrada custa R$ 20,00 e podem ser compradas somente em dinheiro.
Quem doar um quilo de alimento não perecível recebe 50% de desconto. Também pagam meia idosos, estudantes, professores e artistas.
Os esgotados
4:48 Psicosis
A Casa
A Missão
Convergence 1.0
Crave
H to H (dia 20.09)
La divina (14.09)
Lágrimas amargas de Petra von Kant
Les éphémères
Madame Curie
O beijo no asfalto
Por uma vida um pouco menos ordinária (19.09)
Prêt-à-Porter 9
Satolep Sambatown
Solitos (23.09)Publicitário do ano
Mauro Dorfmann, César Paim, Esperidião Curi, João Firme de Oliveira e José Pedro Goulart são os candidatos a Publicitário do Ano 2007. O vencedor será conhecido no dia 8 de novembro, durante o Jantar da Propaganda, no Leopoldina Juvenil.
Competence ruma para Santa Catarina
Respaldada num crescimento de 24% em 2007, a Competence se prepara para avançar e deverá inaugurar, ainda neste ano, pelo menos duas novas unidades em solo catarinense.
A primeira em Florianópolis, segundo João Satt, diretor-presidente, está prevista para novembro e uma outra, sem data definida, em Joinville. Satt, que está em Santa Catarina finalizando negociações, prefere não falar qual será a participação do novo mercado no faturamento da agência.
As regiões Centro-Oeste e Nordeste, especificamente, Recife, também estão na mira. A Competence está presente em Porto Alegre, Brasília, Curitiba e Foz do Iguaçu.Deputados vão pedir mais verba para Cultura
Guilherme Kolling
Deputados estaduais vão defender que o repasse de verba à Lei Estadual de Incentivo à Cultura (LIC) seja respeitado. O Governo deveria destinar 0,5% da receita líquida arrecadada com o ICMS. Seriam cerca de R$ 40 milhões para 2007.
Mas o projeto de lei 341/2007, que chegou à Assembléia Legislativa no dia 31 de agosto estabelece um limite de R$ 28 milhões em incentivos fiscais para projetos selecionados pela LIC.
Em audiência pública realizada nesta terça-feira, 11 de setembro, a Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembléia definiu que vai encaminhar uma emenda, cobrando o valor integral.
A secretária-adjunta da Cultura, Flora Leães, entende que com R$ 28 milhões o Governo Yeda Crusius já estará cumprindo a lei. “Seriam R$ 40 milhões. Mas se considerarmos que todos setores do Estado tiveram um corte de 30%, o valor de R$ 28 milhões para a LIC está correto”. Flora observa, ainda que apenas em 1998, no último ano do Governo Antônio Britto, o percentual para a LIC foi respeitado.
O coordenador da LIC, Fábio Rosenfeld, também presente à audiência, se mostrou satisfeito com os R$ 28 milhões. “Se considerarmos que a proposta anterior era de R$ 18 milhões, veremos que houve um avanço considerável”.
O presidente do Conselho Estadual da Cultura, Gilberto Herschdorfer, aponta que o aumento no valor do repasse à LIC é fundamental, já que a demanda é cada vez maior, obrigando a instituição a rejeitar um número grande de projetos. “O ideal seria que o Governo também destinasse recursos do orçamento, para que a cultura não dependa apenas da lei de incentivo”, propôs.
Audiência Pública da ampliação da Aracruz já tem data marcada
Carlos Matsubara e Débora Cruz, especial para o JÁ
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da ampliação da fábrica da Aracruz em Guaíba já estão à disposição do público na biblioteca da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), em Porto Alegre. O documento, que está em tramitação no órgão ambiental desde 21 de junho deste ano, faz parte do processo do licenciamento ambiental da obra, estimada em US$ 1,2 bilhão e que vai elevar a produção da empresa das atuais 450 mil toneladas/ano para 1,8 milhão de toneladas de celulose por ano. Uma cópia do EIA-Rima também foi disponibilizada na prefeitura de Guaíba.
Além da divulgação do EIA-Rima, a Fepam confirmou, em edital publicado em jornais do Estado, que a Audiência Pública da quadruplicação da unidade de Guaíba está marcada para às 18h30min do dia 25 de outubro, seis dias após o encerramento do prazo das consultas públicas iniciado no último dia 5 de setembro. Ou seja, quem quiser conhecer o documento bem como apresentar sugestões (por escrito), tem pouco mais de 40 dias para fazê-lo. O local da Audiência Pública será o Ginásio de Esportes Coelhão (Rua 20 de setembro, no centro de Guaíba).
Documento tem 900 páginas
Segundo o coordenador de Pesquisa Tecnológica, Qualidade e Processo e gerente de Qualidade e Meio Ambiente da Aracruz, Clóvis Zimmer, o documento tem cerca de 900 páginas e foi desenvolvido durante oito meses. A Fepam montou uma equipe de 12 técnicos para realizar a análise, sob a coordenação do engenheiro Renato Chagas. De acordo com a empresa consultora que elaborou o estudo, a EcoÁguas, a tecnologia que será empregada para minimizar os danos ao meio ambiente é superior à utilizada atualmente.
O engenheiro químico, especialista em Genética e ambientalista Flávio Lewgoy, ex-presidente da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) e conhecido crítico das práticas da indústria de celulose, admite que não possui boas expectativas quanto aos impactos que o aumento na capacidade de produção poderá causar, principalmente devido ao histórico de atuação da fábrica. De acordo com ele, só tem havido contaminação do estuário e poluição até agora. “É uma respeitável massa de celulose. Só a queima do carvão já é um problema gigantesco, imagine quadruplicando.”
O engenheiro ambiental que gerenciou o estudo, Nei Lima, da EcoÁguas, informa que o EIA/Rima prevê a redução do volume de carvão queimado para a produção de energia necessária para o funcionamento do empreendimento, através da criação de uma caldeira de biomassa. Além disso, segundo ele, o volume de água captada do Guaíba e a geração de efluentes por tonelada de celulose reduziriam drasticamente. Um dos fatores que tornaria isso possível seria a utilização de torres de refrigeração no sistema de resfriamento da fábrica.
Zimmer afirma que a tecnologia que será implantada, no que diz respeito às emissões aéreas, traz melhores condições de controle do que as que a empresa dispõe hoje. Em relação ao meio hídrico, embora esteja previsto o aumento de carga produzida, ele garante que não haverá alteração na qualidade da água do Guaíba. Acerca do ruído que a indústria emite, o coordenador informa que o EIA apresenta um capítulo específico sobre sistemas de abafamento e contenção.
Aracruz leva técnicos da Fepam à Bahia
Seis técnicos da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) que analisam o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Aracruz Celulose estiveram em Eunápolis, no Sul da Bahia, no começo de agosto, para conhecer a Veracel – uma associação entre a empresa brasileira e a sueco-finlandesa Stora Enso. A planta, que entrou em operação em 2005, é uma das maiores do mundo e afirma incorporar sistemas de controle de processos e de proteção ambiental de última geração.
A viagem foi proposta pela Aracruz. O objetivo era mostrar aos técnicos a tecnologia utilizada lá, muito semelhante a que a deve ser implantada na fábrica gaúcha. “A planta da Veracel foi muito bem planejada, o projeto tem uma performance ambiental excelente e é o retrato da tecnologia que está sendo ofertada aqui”, explica o gerente de qualidade e meio ambiente da Aracruz, Clóvis Zimmer, que acompanhou o grupo.
Eles foram na segunda-feira e voltaram ao Rio Grande do Sul na quinta “satisfeitos com o que viram”, segundo a diretora-presidente da fundação, Ana Pellini.
Conforme o coordenador do grupo que examina o EIA, engenheiro Renato Chagas, a equipe fez o reconhecimento do local e uma avaliação de como opera uma planta de produção de celulose com nível tecnológico avançado, observando com maior atenção aspectos como a captação de água, o lançamento de efluentes e as emissões atmosféricas.
Para ele, o resultado foi positivo: “O que a gente verificou é que é uma planta realmente de ponta, em todos os sentidos, na parte de processo, de produção, de meio ambiente, de segurança. Avaliamos todos os dados de emissões liberadas, comparando-os com as melhores tecnologias existentes em termos mundiais. Em todos os fatores, ela emite abaixo do exigido pela legislação”.
Após a viagem, a Fepam concluiu que, a partir da tecnologia empregada lá, a empresa tem condições de implantar e operar uma nova linha em Guaíba, sem grandes prejuízos ao meio ambiente. Segundo Chagas, a experiência também serviu para que os técnicos saibam o que precisa ser exigido em relação à planta antiga da Aracruz, que continuará funcionando, mas passará por um processo de modernização.
Plano de comunicação
A Aracruz está colocando em prática um plano de comunicação para que a comunidade local não seja pega de surpresa com a notícia da ampliação. De acordo com Clóvis Zimmer, o trabalho está sendo realizado por uma empresa consultora em comunicação e tem como meta dar maior transparência ao processo.
Fóruns internos, envolvendo funcionários e prestadores de serviços, já alteram a rotina da fábrica. Na quarta-feira 5 de setembro, um evento com a comunidade local tomou conta da fábrica. Em encontros com cerca de duas horas de duração são apresentados os detalhes da expansão e do EIA, com possibilidade de perguntas ao final. Com a comunidade do município são esperados outros encontros divididos por bairros.
Todas as reuniões organizadas pela consultoria de comunicação contratada devem ocorrer até a segunda semana de outubro. O registro das dúvidas surgidas nos encontros estão sendo repassados à Fepam. Conforme Zimmer, foi constituído ainda um conselho comunitário consultivo, com representantes da empresa e de associações de bairros de Guaíba, para acompanhar o desenrolar da ampliação. A idéia é que o grupo atue de forma permanente, a fim de mediar os interessas da Aracruz e da comunidade.
“O desafio da cultura é ser popular sem perder qualidade”

Naira Hofmeister
Pela primeira vez na história do Festival Internacional de Cinema de Gramado, o troféu Eduardo Abelin foi concedido a uma instituição, a Casa de Cinema de Porto Alegre. Há 20 anos, um grupo de cineastas acreditou num projeto que possibilitasse produzir cinema fora do eixo Rio-São Paulo.
Os quinze primeiros anos foram dominados pela produção de curtas-metragens e apenas em 2000, o primeiro longa (Tolerância, de Carlos Gerbase) foi exibido. O pulo do gato aconteceu em 2003, quando Jorge Furtado lançou O Homem que Copiava.
O filme inaugura uma parceria que virou constante nos outros dois longas do diretor: seu protagonista sempre é Lázaro Ramos. O último lançamento da Casa de Cinema de Porto Alegre – também exibido em Gramado – é Saneamento Básico, o filme, ainda em cartaz nos cinemas do Estado.
Entre diversos compromissos de divulgação, Jorge Furtado, Lázaro Ramos e Bruno Garcia – que também participa da produção – conversaram com a reportagem do JÁ sobre o papel da arte na construção de um mundo mais justo.

JÁ: O filme do Zico (Lázaro Ramos) é um sucesso na escola, principalmente pela cena sensual da Silene (Camila Pitanga) se banhando na cachoeira. Propõe um debate sobre educação?
Jorge Furtado: Se há alguma coisa que pode nos redimir da miséria total, dos senadores corruptos, da baixaria dos conflitos inventados pra vender jornal, é a arte, a beleza. O Brasil não é o país da roubalheira, sim a terra de Drummond, Chico Buarque, Noel Rosa. É impossível não se seduzir vendo a Silene (Camila Pitanga) numa cachoeira da serra gaúcha, ao som de Billie Holiday. Quem não se comove tem que procurar um médico. Qualquer um acha lindo!
JÁ: Mas existe uma crítica ao audiovisual educativo. E num momento em que se promove um debate sobre a TV pública brasileira…
Bruno Garcia: Precisamos cada vez mais da educação, mas o sistema necessita de uma reforma. A televisão é uma ferramenta multifacetada que pode servir pra muitas coisas inclusive para educar. Mas precisa discutir o tempo todo, coisa que se tem feito muito pouco.
Lázaro Ramos: Acho tão difícil tornar qualquer coisa educativa e atraente hoje em dia. Mudou tanto a cultura. Eu que não sou de outra época, mas sou, só consigo fazer uma coisa. Hoje o menino lê um livro, entra na Internet e joga videogame ao mesmo tempo.
Bruno: É isso que eu digo, é um desafio…
Furtado: Umberto Eco, no post scriptum de O Nome da Rosa, escreve sobre isso. Nos anos 60, se achava que a arte tinha que chocar, fazer alguma coisa que não coubesse na mídia. Era um quebra-quebra, o povo vomitava. O Chico (Buarque) no Roda Viva xingava todo mundo. O teatro era imundo, grosseiro. Era arte conceitual. Hoje a sociedade de consumo absorve tudo: punk, hippie, tudo virou grife. O conceito segundo Eco – e eu concordo completamente com ele – é criar algo que seja popular e de qualidade. Isso é o difícil. Coisas de qualidade já estão feitas! Basta ler Montaigne, Carlos Drummond de Andrade.
JÁ: Há quem diga que popular é sinônimo de ruim…
Furtado: Esse é outro conceito equivocado, também dos anos 60. Com poucas exceções como Van Gogh e Kafka – cuja arte expressa uma perturbação – todos os outros grandes artistas da história da humanidade (Shakespeare, Mozart, Cervantes, Charles Chaplin, Da Vinci, Beatles, Rolling Stones) foram muito populares. Porque a grande arte é reconhecida.
JÁ: Poderias citar um exemplo atual?
Furtado: O Auto da Compadecida, a maior comédia do teatro brasileiro, e que teve um sucesso extraordinário no cinema.
Bruno: O grau de popularidade foi tão alto que foi a primeira vez na história da humanidade que um produto passou primeiro na televisão e depois virou um filme.
Lázaro: Uma vez eu vi Jorge [Furtado] e Guel [Arraes] conversando sobre isso e me apaixonei por eles. E roubei uma frase, que eu uso como se fosse minha, mas é deles, o “Biscoito Fino para massas”.
Furtado: Isso é Mário de Andrade! A gente também roubou!
Lázaro: Isso me encorajou para fazer essa que é a arte mais popular hoje, as novelas. Pensei de que maneira eu iria atuar para conseguir passar todas as mensagens em que eu acredito, sendo popular.JÁ: Qual é o comprometimento do artista com a sociedade?
Bruno: Total. E não só de um artista, todos nós somos seres políticos. Só não somos fomentados a compreender. O brasileiro sempre se vê como um preguiçoso, essa coisa macunaímica de ficar na rede reclamando que o país tá uma merda e tomando cachaça. Dia desses, eu fiquei puto comigo e lancei um manifesto na Internet. Vamos fazer uma marcha até Brasília!
Furtado: A política acaba seduzindo muita gente, mas quem sabe a gente não tenha que pensar menos em política. Há tanto espaço para a política… esses caras não merecem essa atenção toda!
Bruno: Nós nos distanciamos da Ilha da Fantasia (Brasília), mas o dinheiro é nosso, a gente é que vota.
Furtado: Nós vivemos tanto tempo numa ditadura que achamos que democracia iria resolver todos os problemas.
Bruno: E pelo contrario, né?
Furtado: O Renan Calheiros foi eleito, sabe!
Lázaro: Eu acredito muito pouco nas autoridades, por isso acho tão importante os artistas dialogarem com quem não está no poder. Tocar essas pessoas rende muito mais artística e politicamente falando.
Furtado: É o que a gente tem que fazer: teatro, cinema, literatura.
Bruno: Acho que sim, temos que fazer arte, mas às vezes eu me sinto um pouco distanciado como cidadão da coisa pública.
JÁ: O que falta para promover essa aproximação?
Furtado: Sem querer criticar a mídia, nós vivemos numa cultura onde a ofensa sempre vence. Se nós ficarmos três horas aqui conversando e eu falar mal de alguém, essa é a manchete. É claro que a notícia é um conflito, debate, só que na revista dessa semana, o escândalo da semana passada não existe mais! Já acabou! Ou vocês lembram quem é a Rosinete Melanias?!
Lázaro: Secretária…
Furtado: É, do Collor.
Lázaro: Agora tem outra… Também com um nome esquisito.
Furtado: Zulei… Zuleidu Veras.
Lázaro: E o Jacinto Lamas!! Esse nome é o melhor!
Furtado: Estar no meio da roda viva sem saber o que fazer cria um sentimento de imobilidade. Ou seja, a imprensa tem um papel importante, porque se não for oposição, não é nada. Mas falta também uma indicação do tipo, um deputado que NÃO é ladrão! Apontar maneiras interessantes de pensar a política, coisas positivas. Fazer crítica é fácil.JÁ: Qual deve ser a medida de investimento público para cultura, por exemplo, e para questões de infra-estrutura, como saneamento básico?
Furtado: Não podemos cair nesse erro de dizer que só depois que todos tiverem saneamento básico é que vamos produzir cultura. A sociedade é uma coisa orgânica, tudo tem que ser feito ao mesmo tempo. Não dá para deixar Ouro Preto ruir, esquecer as Missões, fechar todos os jornais, editoras, o teatro municipal, porque não temos saneamento básico para todo mundo. Mesmo porque a arte faz com que as coisas se movam. Uma peça como Inimigo do Povo [de Ibsen]. Fala sobre um lugar turístico que não quer divulgar a contaminação da água para não perder visitantes. A cultura pensa o país, inclusive saneamento e educação.
JÁ: Mas tem aquela história de que esgoto não dá voto…
Furtado: Ah sim… porque tá embaixo da terra!
Bruno: O que é bastante discutível. Realmente é perigoso fazer coisas que não são visíveis, não estão na mídia. Mas há trabalhos que são reconhecidos pela população mesmo.
Furtado: Por outro lado tem aquela história de que 50% das casas têm saneamento básico e 95% têm televisão…JÁ: Voltamos aí ao ponto de partida…
Que governo queremos?
Christian Lavich Goldschmidt
Governo é definido como um sistema de controle social, no qual o direito de promulgar e de anular leis é outorgado a um grupo particular na sociedade. Sendo um corpo governante da nação, o grupo tem de tomar a iniciativa em assuntos relacionados ao exercício do poder e da autoridade, determinar políticas, negócios administrativos, e assim por diante.
As ideologias fizeram nascer vários “ismos”, como resultado, hoje existem diferentes tipos de governo. Existem os que promovem o liberalismo, a democracia, o socialismo, etc. Em outras épocas, existiam as formas de governo democrática e teocrática (regime político de um estado governado por sacerdotes, que governavam o país baseando-se em oráculos ou revelações recebidas diretamente de Deus ), bem como o regime dos reis. Hoje, ainda podemos encontrar países monárquicos como: Omã, Catar, Arábia Saudita e Butão.
A democracia é uma forma de governo que valoriza a liberdade, os direitos humanos e a igualdade. No entanto, a democracia da antiga Grécia nem sempre foi acolhida por seus cidadãos. Platão criticou a democracia e afirmou que um governo autocrático teria mais condições de construir uma nação. Aristóteles, um aluno de Platão, grandemente influenciado por suas idéias, propôs que a aristocracia seria o tipo ideal de governo.
Hoje, a democracia é aceita como o modelo perfeito de governo, mas esse tipo de governo é relativamente desgastante. Seus procedimentos democráticos exigem discussões prolongadas e os assuntos são decididos por maioria de votos. Precisamos estar cientes de que a decisão da maioria nem sempre traz os melhores resultados. Se o povo fizer escolhas pobres, o país poderá cair na “oclocracia” (exercício do poder ou do governo pela multidão), na “regra anárquica”. Na democracia, os cidadãos devem fazer julgamentos certeiros ao votarem em candidatos, caso contrário, o governo que as pessoas elegerem não será capaz de cumprir verdadeiramente seu papel. Como o Brasil funciona de acordo com os princípios democráticos, seus cidadãos precisam tomar um entusiástico interesse pela política, de modo a assegurar que o país não decaia na regra anárquica.
Numa democracia, ao invés de deixarmos tudo nas mãos dos políticos e autoridades administrativas, o ideal é que nos interessemos em escolher políticos que sejam pessoas responsáveis e honradas em construir um país cada vez melhor para todos.Entidades promovem plebiscito da Vale do Rio Doce

Carlos Matsubara, especial para o JÁ
Começa neste sábado, 1º de setembro, o plebiscito para anulação da venda da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Promovida pelo Comitê Nacional Pela Anulação do Leilão da Vale – que recebe o apoio de ONG’s, sindicados, movimento sem-terra e partidos políticos – a consulta não tem caráter oficial, mas promete recolocar a privatização da Companhia na pauta.
De acordo com o coordenador do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) e fundador do Centro de Pesquisa e Apoio ao Trabalhador de Curitiba (Cepat), Inácio Neutzling, o mérito do plebiscito é o de retomar um debate importante para o país e pressionar o Congresso Nacional e o governo Lula para que se posicionem sobre esse tema. A revisão da privatização da Vale depende hoje do Supremo Tribunal Federal e há uma série de ações ajuizadas questionando a privatização ou de uma iniciativa do Congresso brasileiro ou do presidente da República.
Porém Neutzling ressalva que a possibilidade real de anulação da privatização a partir do plebiscito é nula. Ele acredita que a sua real efetividade, dimensão e alcance será melhor avaliado após a sua realização, mas que trata-se de um plebiscito de caráter “popular sem amparo institucional”. “Sob a perspectiva popular, a privatização da Vale apenas seria revista caso houvesse um grande movimento de massas que exigisse a sua revisão. O movimento social aposta nessa perspectiva”, crê.
Em artigo publicado no Ambiente JÁ, Paulo Kliass, doutor em Economia e especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, reforça que o movimento está nas ruas. Ele concorda, no entanto, com a tese de que a vitória não será fácil e cita como exemplo a resistência do comando atual da CVRD. “Por exemplo, quem visitar a página da empresa na internet, encontrará a mensagem do Presidente do Conselho de Administração da empresa, dirigida aos seus acionistas”, diz. O texto é assinado pelo ex-sindicalista da CUT, Sérgio Rosa, atual Presidente da Previ. “Seria interessante saber o que ele e os demais dirigentes dos fundos de pensão que participam do capital da Vale pensam a respeito”, questiona.
Inclusão social
Na visão do Instituto Humanitas Unisinos, a Vale do Rio Doce, sob orientação do Estado, poderia estar exercendo um papel decisivo num modelo de inclusão social, porém a partir da sua privatização o seu compromisso se resume aos acionistas.
Conforme Neutzling, a privatização da empresa é cercada de dúvidas sobre a sua legitimidade. Tais questionamentos recaem não somente sobre o valor calculado do patrimônio da mineradora e o valor pago por sua privatização, mas ainda pior. “A retirada da Vale das mãos do Estado significou a perda de um instrumento fundamental para se pensar a inserção do país na nova ordem econômica internacional”, afirma.
Doutor em Teologia pela Pontifícia Universitá Gergoriana da Itália, Neutzling explica que o interesse do IHU na questão é o da divulgação e estímulo ao debate através de entrevistas e notícias sobre o plebiscito popular sobre a anulação do leilão de privatização da Vale publicadas na página do instituto na internet. “Isto se insere no nosso objetivo que é o de acompanhar os principais fatos da conjuntura nacional e internacional”, explica.
O site, diz ele, procura manter-se atento ao que acontece no país e toma como referência não apenas o debate institucional pautado pela grande imprensa, mas também e, sobretudo, o debate e as iniciativas propostas e desenvolvidos pelo movimento social brasileiro. “Acreditamos que a sociedade organizada desenvolve um protagonismo importante na conjuntura nacional e as suas iniciativas enriquecem o debate nacional em torno do projeto que se deseja para o país”.
Consenso de Washington
A CVRD foi vendida em maio 1997 por volta de US$ 3 bilhões a partir do programa de privatizações iniciado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso quando o Consórcio Brasil formado pela Companhia Siderúrgica Nacional, a Bradespar e o fundo de investimentos Previ, arrematou 41,73%, o suficiente para assumir o controle da empresa cujo patrimônio era avaliado à época em mais de R$ 80 bilhões. Ficou no ar a sensação de que foi um jogo de cartas marcadas.
Um ótimo negócio para seus compradores. Somente no primeiro trimestre deste ano, o lucro líquido da CVRD atingiu US$ 2,217 bilhões (cerca de R$ 4,491 bilhões). O resultado significou um crescimento de 86,9% em relação ao valor registrado entre janeiro e março do ano anterior, de US$ 1,186 bilhão. Hoje em dia, a CVRD é uma das maiores empresas do mundo, com grande potencial de crescimento e opera em diversas áreas e setores como mineração, siderurgia, transportes, energia elétrica, dentre tantos outros, e marca presença em mais de 30 países.
Neutzling lembra que os anos 1980 foram considerados a década perdida na economia mundial, particularmente na América Latina. No Brasil, a economia ficou estagnada, aumentou a recessão e o desemprego. Uma das propostas para se combater a crise econômica e retomar o crescimento foi apresentado num paper redigido pelo economista John Williamson, em 1989. Neste documento, o economista listava algumas recomendações dirigidas aos países dispostos a reformar suas economias para voltarem a crescer.
Os pontos abordados e recomendados, entre outros estimulavam políticas orientadas pela disciplina fiscal, reforma tributária, abertura comercial, investimento direto estrangeiro e privatizações. “O conjunto dessas políticas defendia na essência a retirada do Estado das atividades produtivas e a total liberdade ao mercado”, recorda. Cinco anos depois do lançamento do ‘Consenso de Washington’, em 1994 FHC assume a presidência do Brasil e adota com vigor a agenda proposta.
FHC, então, inicia o processo de mutação do Estado empresário para o Estado regulador. “A privatização da Vale insere-se nesse contexto. Houve uma brutal transferência de renda e riqueza do Estado para o capital privado. A promessa de que as privatizações contribuiriam para a redução da dívida interna e externa não se efetivou”, lamenta.
Neutzling revela que a interpretação do IHU sobre esse processo acompanha os movimentos sociais porque acredita que os mesmos desempenham um papel importante ao colocar em relevo temas que são omitidos pelos partidos políticos e pela mídia no debate nacional e mais do que isso, estimula o debate sobre o modelo de desenvolvimento econômico que se deseja para o país.
Sobre o IHU
O IHU teve sua origem em setembro de 2001 na Universidade do Vale do Rio dos Sinos e tem acompanhado várias campanhas no território nacional, entre elas, a que questiona a transposição do Rio São Francisco e a construção das usinas hidrelétricas no Rio Madeira. Conforme seu coordenador, “sempre a partir do seu propósito que é de dar amplitude e estimular o debate nacional”. O instituto acompanha ainda com especial atenção iniciativas, campanhas e debates relacionados aos temas, entre outros, do ambiente, das mudanças do mundo do trabalho e da discussão de um projeto de Nação.

Jardim visitou o terreno mais de uma vez, mas depende da análise de outros departamentos da Prefeitura para confirmar a suspeita. O Departamento de Esgotos Pluviais verifica se a água que corre sem cessar não é decorrente de um vazamento (foto). Paralelamente, o DMAE analisa a qualidade de amostras coletadas. A estimativa do engenheiro da SMAM é que em um ou dois meses os laudos estejam disponíveis. “Se for mesmo uma fonte, é um fato raríssimo, ainda mais no centro da cidade”, comenta.



