Autor: Elmar Bones

  • Plano Diretor: Comunidade obtém vitória parcial

    Proposta aprovada pela construção civil prevê diminuição de alturas (Foto: Divulgação/JÁ)

    Guilherme Kolling

    Pode ter sido apenas um recuo estratégico, mas o fato é que, mesmo com ampla maioria nas audiências públicas, o segmento da construção civil aceitou baixar as alturas e aumentar os afastamentos entre os prédios. Também foi aprovada a obrigatoriedade de uma área livre vegetada mínima no terreno de novas construções.

    É o que defendem as associações de moradores que lutam pela revisão do Plano há cinco anos. É verdade que as medidas não são no grau esperado: as alturas por exemplo, baixaram, mas não tanto quanto desejavam as lideranças comunitárias e os técnicos da Prefeitura. Mas o fato é que se trata de uma vitória da cidadania em Porto Alegre.

    Agora, antes de enviar o texto para a Câmara Municipal, a matéria vai ser analisada pelo Conselho do Plano Diretor, que vai sistematizar as resoluções aprovadas nas audiências públicas. As reuniões são abertas ao público e acontecem até o final de julho nas terças e quintas, às 18h, no auditório da Secretaria Municipal do Planejamento (Borges de Medeiros, 2244 – 7º andar).

    No início de agosto, quatro textos serão entregues ao prefeito José Fogaça, para que ele encaminhe à Câmara Municipal as mudanças no Plano Diretor: o projeto original da Prefeitura; as 454 propostas de entidades antes das audiências públicas; as resoluções aprovadas nas votações; e o projeto do Conselho do Plano Diretor.

  • Luiz Roberto Lopez: Uma Presença Insubstituível

    Mário Maestri, historiador e professor da UPF
    No dia 22 de julho, cumpre-se mais um aniversário do falecimento do historiador Luiz Roberto Lopez, em Porto Alegre. Nesses três últimos anos, foi enorme o peso da falta de Lopez, para seus amigos, companheiros, familiares e, sobretudo, para o imenso público, especialmente de Porto Alegre e do RS, ao qual se dirigia, em forma sempre brilhante, como professor, historiador, articulista, conferencista, polemista.
    Como professor da UFRGS, historiador da Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, diretor da discoteca Pública Estado, organizador e primeiro diretor do Memorial do RS e professor de cursos de Porto Alegre, Luiz Roberto Lopez construiu vasta e significativa obra, com destaque para as sínteses históricas sobre o passado do Brasil e da Europa moderna e contemporânea, registrada em livros, ensaios, artigos, etc., em parte dispersos ou inéditos.
    Homem de vasta e sólida formação humanística, interessado na música, literatura, cinema, Luiz Roberto Lopez destacou-se na docência da história da Cultura, disciplina que lecionou, por longos anos, na UFRGS. Seus dois ensaios sobre a cultura brasileira, desde a descoberta do Brasil ao pré-modernismo, lançados em 1988 pela Editora da UFRGS, constituem um pequeno clássicos da historiografia da divulgação científica, pela qualidade e elegância do texto e interpretação fina e singular das questões abordadas.
    Também na área da Cultura, Luiz Roberto Lopez venceu, em 1996, o prêmio literário Açorianos, principal distinção literária sulina, com o livro Sinfonias e Catedrais: representação da história na arte, publicado também pela editora da UFRGS. Nesse trabalho dedicado à análise da cultura ocidental, a partir das grandes expressões arquitetônicas e musicais do pós-Renascimento, reafirmou sua sensibilidade e opções analíticas.
    Na abertura desse trabalho, lembrava que, hoje, “o problema” “não é mais reconhecer que o elemento social permeia a produção artística”, mas sim “descobrir como isso ocorre”. Também na introdução, explicou que, no período específico abordado, um dos objetivos centrais de seu trabalho “era mostrar que, ao longo do tempo, a História dos conflitos e interesses de classe também foi uma história de criatividade e beleza”.
    Nesses tempos crescentemente áridos, de vira-voltas ideológicas contínuas, Luiz Roberto Lopez revelou-se intelectual intransigente no cumprimento de sua função social. Em forma irredutível, perseverou na permanente luta, no campo da ideologia, cultura e ciência, contra as visões irracionalistas e conservadoras. Quando jovem, em plena ditadura militar, abraçou o marxismo como método de interpretação do mundo, para servir-se dele, com crescente virtuosismo, até seu falecimento prematuro, aos 57 anos.
    Luiz Roberto Lopez materializou como poucos a função do intelectual marxista, em seu domínio de intervenção, através do estudo sério e permanente da sociedade, do presente e do passado, nos seus aspectos históricos, sociais e culturais, a partir de suas contradições de classes insanáveis, sempre com o objetivo de disputar, não raro em duras polêmicas, a hegemonia das consciências, na luta pela construção de mundo onde o homem seja, finalmente, algum dia, amigo do homem.
    Luiz Roberto Lopez deixou aos seus companheiros, alunos e amigos muito mais que a saudade do homem culto, espirituoso, fraterno, respeitoso, amante da vida em todas as suas dimensões. Deixou um exemplo de vida a ser recolhido, seguido, difundido.
    Por iniciativa de sua companheira, Vera Lúcia Remedi Pereira, e dos membros do Centro de Estudos Marxistas do RS, do qual participou, com singular assiduidade e produtividade, desde a fundação, em 1995, até o encerramento de suas atividades, em 2003, os companheiros e amigos de Luiz Roberto Lopez se reunirão, no sábado 21 de julho, às 17h, no Plenarinho da Reitoria da UFRGS, para ato de registro do terceiro ano da morte da sua morte. Após a cerimônia, será discutida a proposta de formação de Associação dos Amigos e Companheiros do Historiador Luiz Roberto Lopez.

  • O Bom Fim: Onde Nasce a Noite

    Haroldo de Souza, vereador pelo PMDB
    “Andar pelos bares, nas noites de abril, roubar de repente, um beijo vadio.”
    Só a lira inspirada do prefeito José Fogaça, poeta de Porto Alegre e da boemia, poderia descrever, em duas linhas, o perfil do Bom Fim nas suas longas noites. O mesmo Bom Fim que inspirou André Damasceno ao criar o inesquecível personagem “o Magro do Bonfa”, o Bom Fim que trinta anos atrás ouvia o violão plangente de Lupicinio Rodrigues a entoar suas canções inesquecíveis no famoso Clube dos Cozinheiros.
    Mas há o Bom Fim do dia-a-dia, a correria ao redor de suas lojas e bazares, os cumprimentos da rotina diária nos bancos e inúmeros estabelecimentos. É esse Bom Fim que nos encanta e estimula, que guarda em seus limites a pequena e linda Igreja situada ali, na aprazível Av. José Bonifácio. É o mesmo Bom Fim que abriga o lendário Pronto Socorro, local tão relevante para a vida do porto-alegrense.
    É ele, o velho Hospital, palco das tragédias diárias e de recuperações fabulosas, cenário da vida e da morte, que mais me preocupa como homem público. Ninguém haverá de contestar o extraordinário trabalho que ali desempenham médicos, enfermeiros e funcionários, todos empenhados numa luta insana, tentando salvar vidas, suturar ferimentos, remontar o que a vida urbana destroçou.
    É preciso mantê-lo, mas é mais necessário ainda, dar-lhe condições materiais para impedir seu sucateamento, e a salvação do HPS passa pela construção do Pronto Socorro 2, anunciado para a Vila Restinga. Desafogando o velho guerreiro, ele continuará servindo com eficiência e dignidade a todos que o procuram.
    Ao prefeito que tanto ama Porto Alegre, meu apelo nestas linhas e de minha tribuna popular na Câmara de Vereadores: Fogaça faz este gol na saúde e desencrava o HPS 2.

  • Aracruz confirma nova fábrica e ampliação da base florestal no RS

    Ampliação foi anunciada durante encontro com a governadora Yeda Crusius no Palácio Piratini (Foto: Itamar Aguiar/Piratini)
    Carlos Matsubara, especial para o JÁ
    As obras da nova fábrica de celulose branqueada da Aracruz em Guaíba devem começar entre março e maio de 2008. A informação foi divulgada pelo diretor-presidente da empresa, Carlos Aguiar, na manhã desta quarta-feira, 11 de julho, durante encontro com a governadora Yeda Crusius no Palácio Piratini.
    Segundo explicou o executivo, com a nova planta a unidade gaúcha terá ampliada sua capacidade de produção das atuais 450 mil toneladas para 1,8 milhão de toneladas por ano. O aporte de investimentos, levando em conta hidrovias e a base florestal, motivo de polêmica no Estado, poderá chegar a dois bilhões de dólares.
    Desde 2003 já foram investidos no Estado cerca de US$ 700 milhões, sendo que duzentos milhões já foram aplicados na nova planta que deverá ter sua aprovação final pelo Conselho de Administração neste dezembro próximo.
    Somente no projeto do Terminal Portuário em Rio Pardo, a gigante da celulose planeja despejar 40 milhões de reais. O anúncio foi feito no ano passado e sua construção deve começar em janeiro do ano que vem. A idéia é que o terminal sirva para transportar duas mil toneladas de madeira até a fábrica de Guaíba.
    Segundo o diretor-florestal da Aracruz, Walter Lídio Nunes, o terminal se juntará aos de Rio Pardo, São José do Norte e Cachoeira do Sul e darão condições da nova planta começar a operar já em março de 2010. “Rio Pardo e Cachoeira do Sul farão o transporte de madeira, enquanto os de Guaíba e São José do Norte carregarão celulose”, explicou.
    A governadora Yeda Crusius comemorou a confirmação dos investimentos no Estado. A tucana disse acreditar que eles poderão transformar todo o “Rio Grande a partir da sua metade ao sul”.
    Alheio à toda polêmica em torno dos plantios de eucalipto e sobre o Zoneamento Ambiental da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Nunes informou à governadora que a compra de terras e o plantio de eucalipto serão ampliados. A expectativa da empresa é a de chegar aos 250 mil hectares. Hoje a empresa tem pouco mais de 100 mil hectares de florestas eucaliptianas.
    Nunes garantiu que 90% dos hectares plantados terão área de preservação ambiental com reservas florestais nativas e que a Aracruz manterá programas de treinamento e capacitação a ser desenvolvido em conjunto com o governo do Estado.
    Para Luciana Picoli, uma das coordenadoras da Campanha Monocultura do Núcleo Amigos da Terra Brasil (NAT), a preservação de florestas nativas da Aracruz é uma falácia. Primeiro, explica ela, porque os plantios são concentrados no bioma Pampa, portanto, em vegetação de gramíneas e não em florestas. Segundo, porque os ambientalistas não acreditam que a empresa vá respeitar o Zoneamento Ambiental da Fepam. Luciana lembra ainda que o Ministério Público determinou a exigência de Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) para plantios acima de 100 mil hectares. “Será que eles vão fazer esses estudos antes de comprar terras”, questiona. De acordo com Luciana, depois de adquirir as terras não adianta mais.
    Antes, a floresta
    Com relação a um possível entrave no licenciamento ambiental, Nunes demonstrou confiança. “A solução ambiental da Aracruz para o processo industrial não deverá ter problemas de licenciamento”. O executivo completou: “Mas antes da fábrica vem a floresta, e nós já começamos a expansão florestal”.
    A governadora assina embaixo. Segundo ela, o maior entrave era o conjunto de licenças para o planejamento de máquinas, preparação de hidrovias e construção de portos. “ O governo vai se preparar para fornecer mão-de-obra qualificada”.
    Sobre o impacto da nova planta, a ambientalista do NAT reserva duras críticas. Segundo Luciana, por mais que a empresa anuncie tecnologias mais limpas para branquear a celulose, o processo é altamente poluente. Ela ressalta que para fazer a pasta de celulose é preciso milhões de metros cúbicos de água. “De onde essa água toda será retirada e de que maneira ela será devolvida ao Lago Guaíba”, pondera. Luciana completa afirmando que o processo de branqueamento de celulose sempre será agressivo ao meio ambiente porque não há como deixar de usar soda cáustica e principalmente, o cloro, “mesmo que a empresa negue”.

  • Porto Alegre tenta endurecer lei contra publicidade urbana

    Tatiana Feldens, especial para o JÁ

    Para onde quer que olhem, lá estão eles, os outdoors, espalhados por toda a capital. Basta uma volta rápida, sobretudo pelas avenidas e ruas mais movimentadas, para perceber o caos visual. Em algumas vias já não há mais espaço para novos equipamentos do tipo. Para tanto, algumas cidades brasileiras, como São Paulo, já aprovaram legislações que combatem a desorganização desse tipo de propaganda. E agora, Porto Alegre também quer entrar para essa lista. De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente (SMAM), Beto Moesch, Porto Alegre tem hoje cerca de 3 mil outdoors. “O problema, ao contrário do que muitos imaginam, não é a quantidade, mas sim a distribuição dessa publicidade ao ar livre, concentrada apenas em determinadas regiões”.

    Buscando solucionar esta questão, a SMAM irá assinar nos próximos dias um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para regularizar os equipamentos de divulgação na capital gaúcha. “Até o Natal a cidade será outra. Muito mais limpa e bonita”, garante Moesch. Segundo ele, a assinatura mostra que é possível disciplinar a propaganda ao ar livre. Os termos prevêem a retirada dos painéis não passíveis de licenciamento e a regularização dos demais, além da conversão das multas em compensações ambientais, como restauro de monumentos, melhorias em praças e canteiros centrais e revitalização da orla.

    A Câmara Municipal de Porto Alegre voltou a pautar o assunto no final do mês de junho, quando foi apresentado um novo projeto de lei, de autoria do vereador Alceu Brasinha (PTB). A proposta, que ainda sofrerá reformulações, altera o artigo 12 da legislação que regula as condições para a exploração ou a utilização dos veículos de divulgação presentes na paisagem urbana e visíveis nos logradouros públicos na Cidade, também conhecidos como outdoors.

    O projeto prevê uma série de restrições e determina que os outdoors só sejam permitidos em imóveis onde a atividade divulgada acontece e com a licença de funcionamento expedida pelo poder público. A medida visa estabelecer um dispositivo legal que assegure harmonia entre o interesse público e o privado na utilização do espaço urbano. “É preciso preservar a qualidade da paisagem urbana”, analisa Brasinha, visto que o atual modelo visual, meramente comercial, atende apenas aos interesses do poder econômico. Para o secretário do Meio Ambiente, Beto Moesch, a proposta do vereador Brasinha vem a somar com os esforços que a SMAM tem concentrado para banir esse problema público, mas ressalta: “a poluição visual se dá de várias maneiras, não apenas por meio dos outdoors. Além destes, é necessário regularizar a publicidade em cavaletes, banners, pinturas em fachadas, backlights, frontlights, placas, letreiros e, até mesmo, nas pichações”, comenta.

    Conforme dados levantados pelo vereador Professor Garcia (PPS), Porto Alegre tem hoje um mercado publicitário em crescente expansão, no qual atuam mais de duas mil pessoas. “É preciso disciplinar e, a partir daí, liberar os espaços públicos, pois a poluição já está intrínseca às pessoas. O fator poluição, seja ele visual atmosférico ou sonoro, está cada vez maior e os jovens já nascem inseridos neste contexto e, muitas vezes, ficam inerentes a isso”.

    De acordo com os vereadores, algumas razões para se controlar a publicidade de rua seriam: fato de os anúncios serem inconvenientes e, portanto contrários ao bem-estar das populações; invadirem os espaços públicos, fazendo com que os habitantes não tenham outra opção a não ser reparar neles; banalizarem o ambiente, degradando o gosto popular, além de distraírem os condutores nas vias.

    Ou seja, o suceder de placas, painéis, cartazes, cavaletes, faixas, banners, infláveis, balões, outdoors, backlights, frontlights, painéis eletrônicos e painéis televisivos, além de causar agressões visuais e físicas aos espectadores, retiram a possibilidade dos referenciais arquitetônicos da paisagem urbana, transgridem regras de segurança, deixando a população sem referencial de espaço, estética, paisagem e harmonia, dificultando a absorção das informações úteis e necessárias para o deslocamento. Tudo isso sem contar as pichações e grafitismo nos monumentos, nos prédios públicos e particulares e, nos equipamentos urbanos. Devido a isso, a vereadora Margarete Moraes, do PT, acredita que somente a unidade, a padronização desta publicidade, diminuirá o impacto ambiental e acrescenta: “as empresas precisam entender que menos é mais e levar em consideração que o que se esconde pode ser muito mais atrativo”.

  • Livraria do Globo fecha loja na Rua da Praia

    Patrícia Marini

    Eletrodomésticos e móveis vão substituir os livros na vitrina da Livraria do Globo, um dos símbolos da Rua da Praia, no coração de Porto Alegre. A livraria, há 75 anos no local, vai dar lugar a uma loja de varejo, ainda em julho. Livros e artigos de papelaria, a partir daí, só na vitrine dos fundos, na rua José Montaury, tradicional reduto de camelôs.

    A mudança é mais um capítulo de uma história que já teve dias de grande glória mas que nas últimas duas décadas parece ter perdido o rumo. Agora, para não perder o prédio histórico (em processo de tombamento pelo município), avaliado em R$ 9 milhões, a empresa precisou vender a metade da frente, por valor não revelado, para pagar dívidas acumuladas nos últimos anos.

    “Cortamos a própria carne” resume o bisneto do fundador, economista Henrique Ferreira Bertaso, de 48 anos, que trabalha na Globo desde os 15 e é o novo presidente. A família ainda controla a empresa, mas está dividida.

    A primeira providência do atual presidente foi afastar da direção seu tio, Fernando Bertaso, 74 anos, e o pai, Cláudio Bertaso, 75 anos. O terceiro irmão, José Otávio, há anos sem função na empresa, foi retirado da folha de pagamento. Nova reacomodação acionária é aguardada.

    A crise é resultado da explosiva combinação entre má gestão e a concorrência agressiva das grandes redes nacionais de livrarias como Siciliano, Saraiva, Cultura e Porto, que chegaram ao Rio Grande do Sul na década de 90.

    A gota d’água foi a recusa de Cláudio de participar da tradicional Feira do Livro de Porto Alegre, no ano passado. “O senhor Cláudio disse que seria melhor a Globo ir vender suco de uva na feira, porque livro não dá dinheiro. Ele desprezou os livros”, conta o filho mais novo, o administrador de empresas Gustavo, que assumiu a vice-presidência.

    A situação chegara ao limite: faltou crédito. A Globo devia mais de R$ 1 milhão a sete bancos, enfrentava ações de despejo por falta de pagamento de aluguéis de filiais que chegaram a ter a luz cortada, tinha quase 600 títulos protestados e o valor do estoque caíra a R$ 800 mil. Chegou a faltar material corriqueiro, como papéis para desenho. Os fornecedores já não entregavam os pedidos.

    No auge da crise, aconteceu o impensável: por seis meses a vetusta Livraria do Globo parou de vender livros. O faturamento anual caíra à metade do que fora cinco anos antes: de R$ 30 milhões para R$ 15 milhões. As lojas, que eram 18 em 1988, hoje são 11. Agora, os livros – cerca de oito mil títulos – já voltaram a render quase um quarto do faturamento.

    Mas, uma tensa expectativa ronda o calendário: uma assembléia geral dos acionistas é esperada para referendar – ou não – a nova diretoria, empossada às pressas por decisão do conselho administrativo.

    Tempos de glória

    O começo da história da Livraria do Globo remonta a 1883 quando, numa Porto Alegre agitada pela propaganda republicana, o italiano José Bertaso abriu uma livraria e, cinco anos depois, uma gráfica. No século seguinte, quando Henrique Bertaso, o filho do fundador, assumiu a empresa, ela conheceu a sua fase gloriosa.

    Expostos no corredor da livraria, os equipamentos antigos contam a história da gráfica

    Henrique criou, em 1928, a Editora Globo, com apoio do então presidente do Estado, Getúlio Vargas e da intelectualidade gaúcha. Nas décadas seguintes, sob a influência de Erico Verissimo, a Globo tornou-se a maior editora nacional de seu tempo.

    Depois da morte de Henrique, a Globo entrou em decadência. Em 1988, todo o acervo, que incluía os grandes nomes da literatura nacional e internacional foi vendido para as Organizações Globo por 15 milhões de cruzados.

    O endereço da sede já foi o principal ponto de encontro da nata intelectual da cidade. A famosa sala dos tradutores reunia nomes como Herbert Caro, Mário Quintana, Erico Verissimo. Na década de 1970, chegou a ter sede própria no Rio de Janeiro.

  • Falta apenas a sanção do governador para São Paulo banir o amianto

    Cláudia Viegas, especial para JÁ
    A semana que começa tem pela frente mais uma batalha da Rede Virtual-Cidadã pelo Banimento do Amianto na América Latina (Asbesto-Ban). A engenheira Fernanda Giannasi, coordenadora da rede e fiscal da Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo (DRT-SP), e o médico René Mendes, autor de obras de referência nacional e internacional na área de Saúde Ocupacional, foram convidados para se reunir na quarta-feira, 11 de julho, com o secretário da Saúde do Estado de São Paulo, Dr. Luiz Roberto Barradas Barata, a fim de novamente discutir a proibição do uso do amianto – agora iminente – naquele Estado.
    Na prática, falta apenas a sanção do governador José Serra para que em São Paulo sejam proibidos, por lei, o comércio e o uso de produtos contendo amianto. Isto porque foi aprovado por unanimidade, na Assembléia Legislativa local, no último dia 28, o projeto de lei 441/7 do deputado Marcos Martins (PT), que prevê tal proibição considerando o produto um minério cancerígeno.
    Uso controlado
    Até agora, no Brasil, segundo a Lei 9.055, de 1º de junho de 1995, é vedada apenas a “extração, produção, industrialização, utilização e comercialização da actinolita, amosita (asbesto marrom), antofilita, crocidolita (amianto azul) e da tremolita, variedades minerais pertencentes ao grupo dos anfibólios, bem como dos produtos que contenham estas substâncias minerais”. Contudo, o amianto crisotila (asbesto branco), pode ser extraído, industrializado, utilizado e comercializado. A Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), bem como diversas entidades sindicais de trabalhadores têm lutado para o banimento total do amianto no Brasil. Esta estratégia, denominada “uso controlado”, é considerada um atraso, uma vez que há constatação comprovada pela medicina dos malefícios à saúde causados pelo uso de qualquer tipo de amianto – geralmente comprovadas em médio e longo prazos.
    Inconstitucionalidade
    Em diversos estados brasileiros foram aprovadas leis banindo o amianto, mas interpostas ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs), por entidades empresariais e consideradas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em São Paulo, por exemplo, já havia sido aprovada a Lei 10.831/2001, de autoria do deputado Roberto Gouveia (PT), a qual vedava a importação, a extração, o beneficiamento, a comercialização, a fabricação e a instalação de produtos contendo amianto. Porém, foi revogada em 2003 pela ADI 2656 do STF. No Rio Grande do Sul, uma lei de 2001 do deputado Giovanni Cherini foi também revogada por ADI em 2004. Em Pernambuco, situação semelhante ocorreu também em 2004. No Mato Grosso e no Pará, os governadores Blairo Maggi e Ana Júlia Carepa, respectivamente, não sancionaram leis aprovadas pelos legislativos estaduais prevendo a proibição do material.
    Em vários municípios foram aprovadas leis proibindo o amianto ou vedando seu uso em construções municipais – Amparo, Campinas, Taboão da Serra, Osasco, Santa Bárbara d’Oeste, Guarulhos, Recife, Rio de Janeiro e Natal.
    Passivo humano
    De acordo com dados da ABREA, o Brasil está entre os cinco maiores utilizadores e fornecedores de amianto do mundo, com uma produção média de 250.000 toneladas por ano. Seu uso no Brasil intensificou-se desde a década de 70. Contudo, esse uso vem caindo ano a ano em razão de campanhas anti-amianto, mas há uma percentagem significativa da produção nacional (cerca de 65%) sendo exportada, principalmente para países asiáticos.
    Matéria-prima utilizada por mais de 3 mil produtos industriais no Brasil, o amianto é também causa de um passivo humano que vem crescendo porque origina doenças cujo aparecimento é latente, ou seja, levam décadas para se manifestar. Somente em Osasco (SP), por mais de 50 anos, duas grandes empresas – a Lonaflex e a Eternit – utilizaram o amianto na fabricação de seus produtos. Embora tenham encerrado suas atividades, deixaram um passivo estimado em mais de 500 vítimas. Desde 1999, a prefeitura de Osasco tem convênio com o Hospital Mount Sinai, de Nova York, e com o Queens College para a realização de diagnósticos e tratamento de vítimas do amianto.
    Cruzada anti-amianto
    A revogação de várias leis estaduais por ADIs não atemoriza a coordenadora da Rede Asbesto-Ban. “Vamos enfrentar os poderes Executivo e Judiciário deste país, os reacionários e descomprometidos com a questão social”, desafia Fernanda Giannasi. “Estamos declarando uma cruzada anti-amianto, levando nosso grito de guerra a todos os rincões. É à população mais pobre deste país que não é dado o direito de escolher sobre viver ou morrer. São os pobres que vivem sob telhados de amianto e bebem água de caixas d´água com esse material. Esses cidadãos têm o direito de se informar e de escolher”, finaliza.

  • Empregos da silvicultura já chegaram ao RS, e alguns já se foram por falta de condições legais

    Itamar Pelizzaro, jornalista
    Porque muitos gaúchos não querem viver como seu pais e vêem na silvicultura uma alternativa de futuro melhor para os herdeiros
    Afirmar que os empregos decorrentes de novos projetos de silvicultura ainda não chegaram é um atestado de desinformação. Eles chegaram, sim, mas lamentavelmente centenas já se foram, pela indefinição das regras necessárias para a criação de condições legais para os plantios florestais no Estado. Não é de hoje, o Rio Grande do Sul tem vários municípios com economia fortemente baseada no manejo florestal. Somente na cultura da acácia, são pelo menos 50 mil famílias que tiram seu sustento dessa árvore.
    Todo o setor produtivo de base florestal gera cerca de 250 mil postos de trabalho no Estado, segundo dados oficiais. Somente nos últimos três anos, foram em torno de 31 mil novas vagas criadas. Esses números talvez sejam suficientes para explicar porque, nas recentes audiências públicas promovidas pela Fepam para debater a proposta de Zoneamento Ambiental da Silvicultura, centenas de trabalhadores defenderam com vigor seus empregos e pediram um estudo mais aprofundado, que contemplasse os aspectos socieconômicos, e não apenas o ambiental. Afinal, o estudo apresentado desconsiderou as pessoas e as suas necessidades vitais.
    Alguns líderes sindicais têm se manifestado contra a geração de emprego e comentado sobre condições de trabalho que certamente desconhecem. Os trabalhadores florestais são recrutados nas cidades em que se desenvolvem os empreendimentos, e não “importados”. Esses empregos oferecem carteira assinada, condições dignas de transporte (em ônibus decentes, em não em caminhões) e alimentação (comida quente, e não bóia-fria), equipamentos de segurança, capacitação, benefícios sociais garantidos pela lei (13° salário, INSS, FGTS, férias) e outros, como plano de saúde privado. Os exemplos estão em todas as partes deste Rio Grande, em Santa Catarina e no Paraná, para não irmos mais longe.
    Em face da satanização do eucalipto por alguns grupos nos últimos dois anos, o Rio Grande pôs o pé no freio, jogando milhares de empregos na corda-bamba. Tudo por causa de uma árvore plantada por estas plagas há 100 anos, de extraordinária capacidade de adaptação e produtividade, vítima do desconhecimento e de crendices. Por causa da desinformação ou de informações desatualizadas e estudos científicos arcaicos e distantes da realidade, está se condenando milhares de pessoas à migração forçada para as cidades grandes, em busca da subsistência. Por questões mais ideológicas do que verdadeiramente técnicas, comete-se uma brutal perversidade social.
    É inegável a necessidade de preservação do Pampa, como também é inegável que muitos erros foram cometidos no passado, não somente pelo setor florestal, mas por diferentes setores produtivos que hoje já têm o ambiente como uma forte valor corporativo. Precisamos ter em mente que o Pampa começou a ser alterado no dia em que os jesuítas ali introduziram as primeiras cabeças de gado. No século passado, veio o soja, o arroz e outras culturas anuais intensivas. Como conseqüência do manejo incorreto ou da falta de cuidados com o ambiente, banhados sumiram, rios foram completamente assoreados e contaminados pelo uso inadequado de defensivos químicos. Milhares de toneladas de solo sucumbiram à erosão, imensas crateras nasceram e ponteiam os nossos campos. Tudo sem nenhuma interferência do famigerado eucalipto, uma árvore de grandes qualidades e que tanto ajuda o homem do campo fornecendo matéria-prima para casas, galpões, cercas, moeirões e lenha para a fogueira, sem falar da sua utilização por outras setores econômicos.
    Para a preservação do Pampa, é sugerida uma série de alternativas – turismo, fruticultura, hortigranjeiros. Para isso, é imprescindível que se apontem as fontes de recursos para essas boas idéias ou elas não passam de retórica. Neste particular, são os investimentos da iniciativa privada que podem ser o emulador de novas atividades econômicas que também protejam a natureza. Em contrário, as alternativas se tornam impraticáveis do ponto de vista da sobrevivência do homem do campo. O setor florestal tem como prática hoje plantar um hectare e destinar outro à preservação/recuperação/conservação. Quem adota tal prática no país?
    O que não se admite mais é termos um Rio Grande dividido em dois, com o PIB de municípios do Norte duas vezes maior do que em outros do Sul. A Metade Sul precisa de incentivos. Não de benefícios fiscais paternalistas, mas de alternativas reais e concretas para seu desenvolvimento econômico e a possibilidade real de conseguir preservar, conservar e recuperar o ambiente pampeano. Se não for da iniciativa privada, de onde virão os recursos para isso? Das prefeituras? Do tesouro estadual? Da União? Todos sabemos que não.
    Atribui-se a Arquimedes um axioma interessante – “Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio e moverei o mundo” – que podemos transpor para o Rio Grande de hoje. Os plantios florestais, com todos os cuidados ambientais que a sociedade justamente exige e que o setor de base florestal implementa como poucos no Brasil, estão postos como potentes alavancas. Basta à sociedade gaúcha entender a silvicultura de precisão que é adotada pelas empresas e exigir sua aplicabilidade correta. Na Metade Sul, poucos querem continuar vivendo como cantou Elis Regina pelos versos de Belchior: “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Muitos têm o sonho de progredir, sem esquecer as raízes e a cultura em que foram criados, mas ir além do que foram seus pais. Caso contrário, o risco das gerações futuras é de continuarem entoando refrões pops mais atuais, como dos Engenheiros do Hawaí: “Se for preciso, eu volto a ser caudilho / Por essa Pampa que ficou pra trás / Porque eu não quero deixar pro meu filho / A Pampa pobre que herdei de meu pai”.

  • Desrespeito ao zoneamento ambiental do bioma Pampa favorece interesses transnacionais

    O atual modelo econômico incentiva a importação e exportação de produtos, enfraquecendo o mercado nacional e permitindo a migração de forma desenfreada, inclusive, para o sul do país, de transnacionais. Frente a essa situação, é necessário questionar se é esta a melhor atitude para promover o crescimento econômico do país.
    Como há 500 anos, o Brasil continua sendo uma colônia de exploração. Empresas de fora se instalam no país com a contra partida da geração de empregos. Porém, o que faz é extrair as suas riquezas naturais. O emprego não é gerado, apenas mão de obra barata, sendo a justificativa falsa. A cada 185 hectares, é criado apenas um emprego. Já a agricultura camponesa gera cinco empregos em um hectare Além disso, a grande parte do que é produzido não é revertido para o consumo nacional.
    A conseqüência é a terra empobrecida e os resultados do massacrante trabalho imposto pelas empresas, como mutilações e mortes. Somado a isso, a biodiversidade do Bioma Pampa é a maior do mundo. São cerca de 3 mil espécies, entre leguminosas e gramíneas. Trocar essa riqueza natural por desertos verdes torna-se um desperdício. Plantar árvores numa região de estepe gramíneo-lenhosa, que possui as melhores pastagens do planeta, como afirma a bióloga Ana Paula Fagundes, é um erro ainda mais grave.
    Zoneamento, alternativa para a preservação
    O estudo de Zoneamento Ambiental para Atividade de Silvicultura no Rio Grande do Sul (ZAS) realizado pelo Estado, através da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), é o que pode reverter esse quadro. Na origem do zoneamento está a Resolução nº 084/2004 do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), que incluiu a silvicultura no sistema de licenciamento por integradora. Tanto o zoneamento como o licenciamento estão previstos pelo Código Estadual do Meio Ambiente (Lei 11/520/2000). O ZAS ainda não foi aprovado pelo Consema, porém as empresas já receberam autorização para iniciar os plantios apenas com o apoio em normas contidas em um Termo de Ajustamento de Conduta que as libera da obrigatoriedade de respeitar as diretrizes do ZAS. Por isso, se fez necessário a sua aprovação, que pode garantir a preservação e melhor utilização do biomba pampa.
    O estudo de zoneamento dividiu o Estado em 45 unidades de paisagens naturais e, a partir disso, aplicou uma matriz de vulnerabilidade ambiental, indicando o grau de fragilidade de cada unidade em relação aos diferentes itens considerados. Esses correspondem aos principais impactos do desenvolvimento em larga escala da atividade de silvicultura. Foram identificadas 12 unidades de baixo impacto ambiental, 15 de médio e 18 de alto impacto. Entre os critérios analisados, estão a presença de comunidades quilombolas e/ou indígenas, sítios arqueológicos, rotas turísticas e Mata Atlântica. Levou-se em consideração, ainda, a questão hídrica (lugares com maior nível de água terão impacto menor, por exemplo).
    O Termo de Ajuste de Conduta (TAC) proposto em 2006, quando o acordo firmou entre as partes (empresas de celulose, Ministério Público Estadual (MPE) e Governo Estadual) que deveriam ser retiradas as plantações de eucalipto que estivessem em locais impróprios, foi refeito este ano. O novo TAC assinado prevê novos plantios, respeitando o ZAS e o documento elaborado pelo Grupo de Trabalho criado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), formado por empresários, grupo este não considerado legítimo por muitos, mas sim pelo MPE. Os relatórios das audiências públicas, previstas por lei, também serão levados em consideração.
    Audiências públicas, falsa democracia
    Conforme depoimento de Jânio Alberto Lima, do FUNRIO, WWBrasil, “ao participarmos da audiência em Alegrete presenciamos fatos lamentáveis promovido pela Força Sindical, empresas, políticos e por pessoas que por relato próprio, sequer ao menos sabiam o que faziam nas audiências. Isto nos causou um profundo desapontamento. Sindicalistas, orientados e dirigidos por forças nem tanto ocultas, com claro e expresso intuito de causar terror, pânico e impacto da ordem emocional, incitavam essas pessoas para que agissem com agressão contra aqueles que tinham posições contrárias. Ações que lembraram à época do Fascismo, onde queriam manter o povo em submissão cega aos seus verdadeiros interesses, mudavam as leis, ditavam ordens e regras e traziam desolação e desgraças irreversíveis para todos”. Iporã da Silva Haeser, que tentou participar da audiência pública em Pelotas, conta que “havia na frente do local um grande número de faixas com o logotipo da Força Sindical e também alguns da Força Verde, lembrando que plantar eucalipto é fonte de emprego e que preserva a mata nativa. Porém, o que mais me chamou a atenção é que eu esperava encontrar lá um grande número de ambientalistas, mas não, o grande público eram trabalhadores da Votorantim Celulose e Papel, que vieram em ônibus, de diversos municípios da região. A concentração de pessoas às portas era grande e os brigadianos controlavam a entrada. Quando me enfiei em meio à muvuca e me aproximei da entrada, ouvi “não entra mais ninguém”. Vi, inclusive quando um secretário municipal da região apresentou seus documentos e mesmo assim, teve sua passagem barrada.
    Ana Paula que participou da audiência em Caxias do Sul, relatou que “as audiências estão sendo um verdadeiro circo lotado de empregados das empresas, cerca de mil, que vão de uma audiência a outra. Não há a participação da comunidade local, tampouco discussão do ZAS, o que é objetivo. Até mesmo a entrada nas audiências de quem não é da Força Sindical ou Força Verde, está sendo dificultada”. O relatórios das audiências mais os documentos que podem ser enviados à Fepam até o dia 29 de junho serão avaliados para então ser dado o veredicto final.
    Para a bióloga, é importante frisar que o eucalipto não é o problema, mas a plantação em grande escala. O solo que recebe plantio contínuo de uma mesma espécie é sempre enfraquecido. Ainda mais o Biomba Pampa, uma área aberta sem o histórico do cultivo de árvores. “Qualquer outra que fosse plantada em larga escala e em monocultura seria inadequado para a natureza, que é biodiversa. O Brasil é o país mais megadiverso do mundo, temos que conviver com a biodiversidade e não criar sistemas que vão contra ela. A biodiversidade nos dá uma possibilidade de desenvolvimento econômico e social incrível”.

  • INTER, Orgulho do Brasil ganha nova edição

    Ao se tornar campeão mundial interclubes, o Internacional conquistou o mais importante título de sua história. Esse é apenas um capítulo dos grandes momentos do clube. Em INTER – Orgulho do Brasil, toda a trajetória do Colorado é contada. O livro remonta as origens do Sport Club Internacional, mostrando sua origem democrática, que foi o primeiro a ter um jogador negro atuando no time.

    Em poucos anos, o Inter tornou-se o clube mais popular do Estado, impulsionado pelas atuações do lendário Rolo Compressor. Essa famosa equipe é apresentada através de seus feitos na década 40. Também aparece o grupo treinado por Teté nos anos 50, que promoveu façanhas como a vitória por 6×2 no Gre-Nal de inauguração do Olímpico e serviu de base à Seleção Brasileira que conquistou o título Pan-Americano de 1956. Os jogadores do Inter, em sua maioria, também vestiram a camisa canarinho nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, conquistando a inédita Medalha de Prata.

    Mas antes o Inter conquistou o Brasil, no tricampeonato de 1979, título invicto e inigualado. Isso sem falar no octacampeonato gaúcho de 1976, na conquista da Copa do Brasil, em 1992, na supremacia em clássicos Gre-Nal e na Libertadores em 2006. Todos esses feitos e vitórias são contados seguindo uma ordem cronológica e com riqueza de detalhes, narrados de maneira apaixonada pelo jornalista Kenny Braga. Por tudo isso, é uma obra fundamental para todos os colorados e desportistas em geral que buscam conhecer a história do clube.

    INTER, Orgulho do Brasil chega à sua quarta edição, revisada e ampliada, com capítulos inéditos sobre a conquista da Tríplice Coroa – Copa Libertadores da América, Mundial Interclubes e Recopa.

    Ricamente ilustrados com fotografias, os novos capítulos incluem a narração dos jogos decisivos e perfis dos atletas, como o de Alexandre Pato. A obra de 232 páginas mostra ainda um panorama do clube com reportagens sobre a modernização do Beira-Rio, o trabalho das categorias de base, dos consulados, da Fundação de Educação e Cultura e a participação dos torcedores.

    Sessão de autógrafos

    INTER, Orgulho do Brasil será lançado na próxima quinta-feira, 5 de julho, no Centro Municipal de Cultura e Lazer Lupicínio Rodrigues (Avenida Erico Verissimo, 307). A partir das 18h30, Kenny Braga autografa e recebe o público para a confraternização.

    Sobre o autor

    Kenny Braga nasceu no mês de dezembro de 1944, em Santana do Livramento. Jornalista, escritor e radialista, ele se notabilizou pela defesa intransigente do Internacional no programa Sala de Redação, da Rádio Gaúcha, do qual participa desde 1980. Há seis anos, Kenny também assina a coluna “Paixão Colorada”, no jornal Diário Gaúcho. Com passagem em diversos veículos do Estado e do país, o jornalista já publicou 10 livros.

    Serviço

    INTER, Orgulho do Brasil
    Autor: Kenny Braga
    JÁ Editores, 2007
    232 páginas
    R$ 36,00