Autor: Elmar Bones

  • Deputados querem mudar classificação do Parque de Itapeva

    Ana Luiza Leal, especial para o JÁ

    Os deputados da Comissão de Sáude e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do RS debateram em audiência pública, quarta-feira (16/5), o não pagamento de indenizações às famílias desapropriadas pelo Parque Estadual de Itapeva, em Torres.

    A mata de restinga existente naquela área é o último remanescente da Mata Atlântica na costa gaúcha, e discussão acabou resgatando a polêmica sobre a regularização fundiária no processo de criação das Unidades de Conservação (UCs) no Estado.

    De acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), as UCs podem ser de Proteção Integral ou de Uso Sustentável. As Unidades de Proteção Integral – estações ecológicas, reservas biológicas, parques – têm regras mais restritivas. As áreas particulares incluídas em seus limites devem ser desapropriadas.

    É o caso do Parque Estadual de Itapeva, criado em 2002, que tem mil hectares e preserva dunas, mata de restinga e banhado, que vão da divisa do Parque da Guarita, em direção sul, até a antiga Estrada Interpraias, e na direção oeste até próximo à Estrada do Mar. O Litoral Norte tem outras duas Unidades de Proteção Integral: Reserva Biológica da Mata Paludosa e Reserva Biológica da Serra Geral.

    Já as Unidades de Uso Sustentável – áreas de proteção ambiental (APA), florestas, reservas particulares do patrimônio natural (RPPN) – permitem a permanência dos proprietários, desde que esse processo de ocupação proteja a diversidade biológica. Segundo Lisiane Becker, coordenadora-presidente da ONG Mira-Serra, quanto maior é a restrição em uma UC, mais importante ela é em termos de biodiversidade que deve ser preservada.

    O deputado Alceu Moreira (PMDB) sugeriu a redefinição do papel do Estado nas políticas ambientais de UCs. “Vamos ver se é possível impedir a criação de uma UC enquanto não houver o pagamentos das indenizações. Hoje o proprietário entra na justiça, demora dez anos até ir à jugalgamento, ganha a causa, mas o RS não paga porque falta dinheiro. Isso tem acontecido com todas as UCs já criadas no Estado”, diz. As indenizações aos moradores da área do parque de Itapeva custarão cerca de R$ 140 milhões aos cofres públicos. Destes, o Estado só têm R$ 18 milhoes.

    Moreira aponta a alteração de categoria – de Unidade de Proteção Integral para Unidade de Uso Sustentável – como solução para o problema da falta de verba. Ele vai propor que o Parque Estadual de Itapeva vire uma RPPN ou uma APA, a exemplo do Parque Estadual do Delta do Jacuí, que foi transformado em APA. “Com isso, você pode deixar um pedaço da área da praia para ser vendido, ou constrói prédios, e isso gera renda para a preservação do todo”, declara. Para ele, outra opção seria manter a categoria original e buscar verba junto ao orçamento federal.

    A diretora do Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (Depaf), Vera Pitoni, diz que flexibilizar a categoria das UCs está fora de cogitação. “É do nosso interesse que a questão fundiária seja resolvida porque temos a necessidade de mais Unidades de Proteção Integral na Mata Atlântica do RS. Temos poucas em relação aos outros estados, como São Paulo”, relata. Segundo Marcelo Duarte, Chefe da Seção de Conservação e Manejo do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica, a mudança de categoria não é um processo simples. A alteração só pode ser feita por meio da aprovação de uma nova lei, que passa pelo crivo da Assembléia Legislativa (AL-RS). “Mas a proposta de desfazer os parques, porque não há dinheiro para pagar, não tem pé nem cabeça. É voltar para trás mais de 150 anos, quando foi criada a primeira UC”, opina.

    Plano de manejo

    A última versão do plano de manejo do Parque Estadual de Itapeva foi concluído em outubro do ano passado. Contudo, o estudo ainda não foi aprovado, por meio de portaria, pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). Duarte acredita que a demora na aprovação se deve à troca de secretários nos últimos meses e à pressão por parte da prefeitura de Torres, que é contra a preservação de algumas áreas da cidade com alto valor de mercado pelo parque. Ele espera que o novo secretário, Brenner de Moraes, resolva a situação o quanto antes. “Reclamam que os parques não têm levantamento fundiário, nem plano de manejo, e por isso não podem ser efetivados. Itapeva já tem os dois prontos, mas não é efetivado porque o RS não aprova o plano de manejo. Queremos que o plano seja publicado e que a partir disso seja criada uma comissão para discutir possíveis alterações, como readequação de áreas. Mas não tem por que travar o processo”, observa.

    O plano de manejo (aprovado pelo órgão ambiental) é uma exigência legal para a criação de um parque. Quando esse documento é aprovado, as prefeituras não têm mais como reclamar dos limites do parque num prazo de cinco anos, que é quando há uma atualização do plano. O que os técnicos querem com a aprovação é que esses limites definidos por eles sejam resguardados.

    Como a lei do Sistema Nacional de UCs é recente (2000), a maioria dos parques brasileiros não tem plano de manejo. Ele deve ser elaborado no prazo de cinco anos a partir da data de sua criação. Itapeva foi criado em 2002, mas o plano só começou a ser feito em 2004, e ficou pronto no ano passado.

  • Pressões ambientais sobre o bioma Pampa

    Antônio Eduardo Lanna, consultor em Recursos Hídricos
    O bioma Pampa, que só existe no Rio Grande do Sul, ocupando cerca de 63% de sua área, está ameaçado. A ameaça mais evidente e que seguramente desperta maiores preocupações é com a monocultura de árvores exóticas, em especial o eucalipto.
    Entretanto elas não param aí. O governo federal e o estadual do Rio Grande do Sul vêm anunciando a construção de duas de cerca de uma dúzia de barragens na bacia do rio Santa Maria, que se insere nesse bioma. Essas barragens, que inundarão áreas importantes quanto à biodiversidade e a presença de espécies endêmicas, servirão para disponibilizarão de água para irrigação do arroz primordialmente. A cultura de arroz gera outro impacto, ao ocupar áreas de preservação permanente, localizadas nas várzeas fluviais. Portanto, as barragens geram um duplo impacto: pela suas presenças e por gerarem outro tipo de agressão, representada pela expansão da área de arroz irrigado.
    Fato surpreendente é que o impacto ambiental da ocupação de vastas áreas com eucalipto ainda tem como contrapartida a geração de riqueza e renda, embora os custos ambientais possam ser considerados demasiados. Ao contrário, as barragens, com finalidade primordial de irrigação de arroz, não são sequer viáveis economicamente. Qualquer estudo mais rigoroso que se faça a respeito da atividade orizícola conclui que este cultivo é excelente alternativa econômica quando existe disponibilidade natural de solos e água. Mas pode ser facilmente constatado que qualquer obra hidráulica de maior porte não pode ser paga pela renda gerada pelo arroz, seja ela resultante dos benefícios primários, seja proveniente dos benefícios secundários, incluindo as chamadas externalidades econômicas como os “efeitos multiplicadores” resultantes da dinamização da economia regional. Gerasse renda o arroz, os próprios arrozeiros se disporiam a empreender essas obras, e as regiões onde se localiza a orizicultura no Rio Grande do Sul apresentariam grande desenvolvimento e não o quadro de estagnação econômica que vem de vários anos.
    Por que essas barragens estão sendo propostas pelo Estado? Quem ganha e quem perde com elas? Certamente os arrozeiros beneficiados ganharão já que a água lhes será fornecida a custos subsidiados: é informado que apenas pagarão os custos de operação e manutenção das barragens que são da ordem de menos de 1% dos custos de investimentos. Esse subsídio, como todo subsídio, seria justificável apenas se esse segmento apresentasse alguma carência socioeconômica, algo que não condiz com a realidade – os arrozeiros situam-se no estrato superior de qualquer escala que avalie a situação socioeconômica da população. Olhando por outra ótica, existem segmentos sociais que apresentam carências bem maiores e que mereceriam maior prioridade de apoio governamental do que os arrozeiros da bacia do rio Santa Maria.. Não é aceitável, portanto, que o governo, seja federal ou estadual, subsidie esse segmento não prioritário.
    A região e os municípios onde se encontram as barragens e as áreas irrigadas poderiam ser beneficiados. Isto decorreria dos benefícios gerados durante a construção das barragens, devido aos gastos que seriam realizados na região, movimentando sua economia. Porém deve ser considerado que devido à não especialização regional, a maioria dos gastos seria com insumos adquiridos fora da região. Nela poderiam ser obtidos mão-de-obra não especializada e algum serviço igualmente não-especializado – ou seja, a maior parte dos investimentos seria dirigido a insumos encontrados fora da região, não trazendo maiores benefícios a ela. Com um agravante: esse tipo de construção costuma atrair mão-de-obra não especializada de outras regiões, geralmente trabalhadores braçais, que se fixa no entorno da obra. Concluída a obra resta ao município um problema social derivado de acúmulo de mão-de-obra desempregada, não especializada, que requererá apoio que drenará parte dos poucos benefícios gerados durante a construção.
    Os municípios captarão, porém, a produção gerada nas áreas irrigadas. Contudo, o projeto das barragens comete um grande equívoco: imagina que a água armazenada nos reservatórios resultará proporcionalmente maior área irrigada. Isto seria correto se a área correntemente irrigada tivesse seu suprimento garantido em qualquer situação hidrológica, mesmo durante as estiagens mais intensas. Isto não é correto. As mesmas pessoas que apregoam os benefícios das barragens argumentam que elas evitarão os problemas de carência hídrica que têm sistematicamente afetado os rendimentos das lavouras arrozeiras. Ora, se maiores quantidades de água serão disponibilizados o racional seria que primeiro fossem destinados ao suprimento das áreas já desenvolvidas e somente depois à ampliação das áreas irrigadas.
    No entanto, estudo da Universidade Federal de Santa Maria para o próprio governo do Estado do Rio Grande do Sul concluiu que em uma das barragens, a do arroio Jaguari, não permitiria qualquer expansão da área irrigada. Ela apenas permitiria que as áreas já desenvolvidas tivessem maior garantia de suprimento durante as estiagens mais intensas. Portanto, os benefícios obtidos pelos municípios contemplados com a irrigação do arroz foram exagerados e não podem ser usados para dimensionar as vantagens sob seus pontos de vista, sem melhores avaliações. O grave é que esta expansão de área irrigada, obtida por meio de equívocos ou manipulações das análises, está sendo usada para justificativa do investimento! Isto mostra que os próprios projetos das barragens, do arroio Jaguari e do arroio Taquarembó, já aprovados quanto às viabilidades econômicas no âmbito das instâncias técnicas do governo estadual e do governo federal, devem ser reavaliados e corrigidos dos erros que os invalidam como subsídios para decisões.
    O que deveria ser considerado pelos municípios pretensamente beneficiados pelos projetos é se não haveria outras alternativas de investimento que trouxessem maiores benefícios, já que os que são anunciados carecem de rigor nas suas estimativas e podem resultar, inclusive, em prejuízos a médio e longo prazos. Esses poderão ser provenientes do comprometimento de áreas de expressivo valor ambiental e turístico, e especialmente pela consideração de que tais municípios já foram beneficiados por investimentos estaduais e federais, reduzindo as suas prioridades concernentes a outras oportunidades de investimento.
    Um estudo lançado no final de 2006, contratado pelo Governo do Rio Grande do Sul, o Rumos 2015 , propôs estratégias de desenvolvimento para o Estado por região funcional. Naquela que abrange a bacia do rio Santa Maria não houve previsão de implantação de barragens. No que se refere à orizicultura foram propostos quatro programas; nenhum deles envolve a construção de barragens e um programa propõe a restauração das matas ciliares, enquanto as barragens acarretarão as suas eliminações. Eles são:
    1) Desenvolvimento de pesquisas e divulgação, voltado a um melhor manejo agrícola, com projetos voltados à pesquisa de novos cultivares, divulgação de informações tecnológicas, capacitação em novas técnicas e gestão da comercialização;
    2) Capitalização do potencial ambiental, voltado ao melhor controle e à eficiência no uso da água nas áreas irrigadas;
    3) Manutenção do potencial ambiental, que propõe a proteção e recuperação do ambiente, em especial a restauração das matas ciliares;
    4) Suprimento de infra-estruturas, que se reporta a um “upgrade” em armazenamento.
    Esse estudo, acatado pelo atual governo do estado, poderá melhor direcionar os esforços de desenvolvimento da região, usando os mesmos recursos disponibilizados pelos governos federal e estadual para essas barragens, com resultados certamente mais vantajosos sob os enfoques econômico, social e ambiental.
    Outro equívoco grave que é apresentado nos projetos relaciona-se à consideração de benefícios derivados de outros usos da água. Eles foram inseridos no projeto original, que previa unicamente a irrigação do arroz como beneficiária, por causa da Resolução Conama 369/2006. Esta resolução “dispõe sobre casos excepcionais, de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental, que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em Área de Preservação Permanente – APP”. Matas ciliares, que são inundadas por reservatórios, e área de várzeas, aptas à irrigação de arroz, são APPs. Casos excepcionais para suas supressões não envolvem a irrigação do arroz, mas a construção de “obras essenciais de infra-estrutura destinadas aos serviços públicos de transporte, saneamento e energia” entre outras possibilidades. Devido a isto foram incorporados outros beneficiários aos projetos entre eles o abastecimento de núcleos urbanos, recreação e irrigação de outras culturas que não o arroz, e até o controle de inundações. Isto serviu tanto para superar a restrição ambiental comentada, como para inflar os benefícios do projeto, já que como é sabido e foi acima afirmado, o arroz não gera benefícios para justificar obras deste porte.
    Muitos desses benefícios são fictícios ou exagerados, como foram os benefícios atribuídos à irrigação do arroz. Para comentar apenas o de maior relevância social e econômica, que é o abastecimento de núcleos urbanos, eventuais problemas de atendimento a essas demandas são causados pelo excesso de uso de água pelo arroz.. Bastaria, portanto, a redução da área irrigada nas estações de estiagem mais intensas para permitir o atendimento dessas demandas, sem necessidade de construção de barragens. Sairia certamente mais barato e seria ambientalmente mais vantajoso compensar aos arrozeiros nesses períodos pela redução de produção do que construir uma barragem. O mesmo se pode dizer para alguns usos para recreação.
    Não foi considerada nas análises dos projetos uma prática comum e necessária chamada de análise incremental. Por ela, cada uso de água deve ser retirado do projeto global e reavaliada a nova dimensão das estruturas que permitiria manter o suprimento aos demais usos – como esta dimensão é menor, os custos serão igualmente menores. O uso retirado somente é viável economicamente se os custos incrementais gerados por sua reinserção no projeto, ou seja, pelo aumento das dimensões das estruturas até à situação original, forem superados pelos benefícios que gera. Certamente essa viabilidade não ocorreria com o arroz irrigado que, por ser grande consumidor de água, corresponde à maior parte das dimensões das estruturas e, portanto, dos investimentos. Os demais usos poderiam eventualmente ser considerados viáveis economicamente, pois consomem menores quantidades de água e exigem menores dimensões do projeto. Contudo, essas menores dimensões corresponderiam certamente a projetos bem menores que aqueles atualmente considerados e que certamente teriam menores restrições ambientais.
    Essa série de equívocos e incorreções nos projetos das barragens da bacia do rio Santa Maria culmina com uma proposta que mostra claramente a existência de decisões que fogem ao interesse público e colidem com as normas legais.
    Na barragem do arroio Jaguari há necessidade de construção de um canal revestido de cerca de 40 quilômetros para aduzir água às áreas destinadas à irrigação do arroz. A necessidade de estrutura deste porte, por si só, mostra que certamente não houve uma análise econômica criteriosa para seleção desta barragem. Canais deste porte são caros e normalmente inviabilizam um investimento dessa natureza. Como o canal serve para suprir alguns poucos orizicultores o correto seria que eles pagassem pelo menos o investimento nesse canal, mesmo sendo isentados de pagar os investimentos na barragem. Não é isto que o projeto propõe, pois os custos desse canal serão também assumidos pelos governos federal e estadual. Ou seja, ambos os governos pretendem doar recursos públicos de valor considerável, que poderiam ser aplicados em investimentos que gerariam benefícios mais expressivos, a um grupo de pessoas que já se encontra em uma posição privilegiada na escala socioeconômica da região, do estado e do país.
    Resumindo, o bioma Pampa acha-se ameaçado por vários empreendimentos promovidos pelos governos federal e estadual, com destaque à monocultura de árvores exóticas e à construção de barragens para irrigação de arroz. Ambos os empreendimentos geram expressivos impactos ambientais que alterarão fortemente um bioma que deveria ser protegido e preservado. Ao contrário da monocultura de árvores exóticas, porém, a implantação das barragens para irrigação de arroz sequer apresenta significância nos benefícios econômicos que serão gerados.
    Portanto, a monocultura de árvores exóticas estabelece um conflito entre os objetivos de desenvolvimento econômico, que são positivos, e de impacto ambiental, que são negativos e expressivos, e de eqüidade social, que são discutíveis. Já a construção de barragens para irrigação de arroz não se justifica seja economicamente, seja socialmente e muito menos ambientalmente.
    Só fica uma dúvida: a proposta de implantação dessas barragens decorre de um excesso de ignorância ou da falta de espírito republicano?

  • Dario Pederneiras: MP pede estudo de impacto de vizinhança

    Helen Lopes

    A promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público solicitou à Prefeitura de Porto Alegre a realização de estudo de impacto de vizinhança para a construção de dois edifícios no número 140, da rua Dario Pederneiras, no bairro Petrópolis.

    A decisão foi tomada em reunião na sede do MP, na terça-feira, 15 de maio, mas depende da aprovação do poder municipal, pois o estudo não é obrigatório, como ressalta a promotora Ana Maria Marchesan. “Em 15 dias teremos a resposta definitiva. A empresa Isdralit (proprietária do terreno) aceitou a idéia”.

    O estudo de impacto de vizinhança servirá para comprovar a viabilidade do empreendimento, que vem sendo criticado pelos moradores da rua, que desde outubro do ano passado, tentam impedir a derrubada de 52 árvores, entre nativas e exóticas, que abrigam ninhos de sabiá, alma-de-gato, joão-de-barro e pica-pau, entre outros pássaros. E também lutam para conter a descaracterização do bairro, tradicionalmente, marcado por casas e prédios de poucos andares.

    “JÁ nos sentimos vitoriosos porque, com a nossa mobilização, 58% das árvores serão preservadas”, comemora a moradora Janete Jachetti. A partir da solicitação da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM), o projeto inicial que previa a construção de dois prédios de 19 andares, passou para 12 andares, com 400 m² de preservação – o terreno possuí 2.500 m². Depois de reunião com o Ministério Público, realizado em março, a empresa reformulou novamente o projeto, aumentando o afastamento dos limites do terreno e desistindo de erguer um edifício-garagem de três andares. Segundo a empresa, as vagas serão incorporadas ao prédio e ficarão no subsolo.

    Mobilização não pára

    Na sexta-feira, 11 de maio, cerca de 30 vizinhos realizaram um abraço simbólico ao número 140 da rua Dario Pederneiras. Ainda em maio, uma comitiva formada por moradores foi à Câmara pedir atenção ao assunto, que está sendo averiguado pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente.

  • Porto Alegre Vive apóia proposta da Prefeitura para Plano Diretor

    Helen Lopes

    O Movimento Porto Alegre Vive apresentou nesta quinta-feira, 10 de maio, ao secretário municipal do Planejamento, José Fortunati, sua proposta para a revisão do Plano Diretor.

    Em reunião no auditório da SPM, mais de 50 pessoas representando as 16 associações de bairro que compõem o Movimento, além de ONGs ligadas ao meio ambiente, entregaram um documento condenando a descaracterização de Porto Alegre, que segundo texto, “vem sendo agredida com edifícios de 12/15/18 andares, que quase encostam nas laterais, com recuos insuficientes”.

    De acordo com o documento, a entidade apóia grande parte das propostas apresentadas pela Prefeitura, algumas integralmente como o aumento dos afastamentos entre os prédios (de 18% para 25% da altura) e a supressão do incentivo às sacadas, que passarão a fazer parte do cálculo para a construção dos imóveis. “Concordamos com essa proposta, porque as construtoras não contabilizam a sacada e usam essa área para fazer dois ou três andares a mais”, explica Janete Barbosa, do Petrópolis Vive.

    Mesmo com ressalvas, o Porto Alegre Vive também apóia a redução das alturas e a criação de área livre vegetada e permeável.

    A prefeitura propõe redução nas alturas máximas dos prédios na área radiocêntrica, que abrange 19 bairros na área central, mantendo os atuais 52 metros (18 pavimentos) apenas nas grandes avenidas. “Não concordamos com esse ponto, porque as vias não são uniformes e tal medida transformará essas avenidas em canyons, com repercussão ambiental no interior dos quarteirões”, esclarece Janete.

    Já sobre a área livre vegetada, para evitar alagamentos, o Movimento solicita o uso das resoluções da IV Conferência Municipal do Meio Ambiente, que prevê abrangência de 300 a 3000m², ao contrário da proposta do Executivo, de 1500 m².

    Pontos divergentes

    Entretanto, o Porto Alegre Vive não endossa a alteração que permite a realização de projetos especiais em Áreas de Interesse Cultural.

    Os projetos especiais são aqueles, que por causarem maior impacto na cidade, passam por análise diferenciada, como shoppings, hospitais, supermercados, entre outros grandes empreendimentos.  “Esse é o ‘pulo do gato’, pois a permissão representa total flexibilização dos índices urbanísticos e conseqüente descaracterização dessas áreas”, alerta Janete, ressaltando que este é o ponto mais importante na avaliação da entidade.

    O Movimento também discorda da proposta de área de Interesse Cultural. A Prefeitura apresentou 136 áreas delimitadas a partir de um novo estudo, anunciado em março desde ano, alterando o regime urbanístico de algumas áreas, adotando inclusive atividades anteriormente descartadas. “Somos totalmente contra essa proposta, pois, salvo melhor juízo, parece acomodar prioritariamente interesses econômicos ”, salienta o arquiteto Nestor Nadruz, coordenador do Porto Alegre Vive.

    A entidade defende a utilização do estudo realizado anteriormente pela Secretaria Municipal de Cultura e Faculdade Ritter dos Reis, que identifica e delimita o regime urbanístico de 80 áreas de interesse cultural.

    “É preciso participar das decisões”

    Este é o recado das associações de bairro aos moradores de Porto Alegre. “Se queremos uma cidade melhor, temos que participar agora. É uma questão de conscientização, tanto social, quanto ambiental”, defende Alda Velloso, do Moinhos Vive. Ela conta que a associação tenta instigar a participação dos vizinhos através de reuniões, telefonemas e mensagens eletrônicas.

    No entanto, as associações de bairro terão dificuldade em competir com o poder de mobilização da construção civil, que a exemplo de 1999, deve lotar a audiência pública de revisão do Plano Diretor.

    Participação da comunidade

    Auditório lotado: presença da comunidade surpreendeu secretário Fortunati, que destacou a importância da participação dos moradores

    Ressaltando que não entraria no mérito das propostas, o secretário José Fortunati parabenizou a entidade pela representatividade e destacou a importância da participação da comunidade. “Antes, o Plano Diretor era algo de domínio exclusivo de especialistas. Hoje, todos debatem o tema, o que é fundamental para qualificá-lo ainda mais”, disse.

    Próxima etapa

    Termina nesta sexta-feira (11/5), o período para entrega de propostas. Segundo o secretário Fortunati, no sábado (12/5), os técnicos da Prefeitura começam a analisar a viabilidade das sugestões. Após avaliação, as propostas serão colocadas na Internet, na página da Prefeitura (www.portoalegre.rs.gov.br/planodiretor).

    Cada proposta receberá um parecer de viabilidade e será separada de acordo com um dos cinco temas em discussão (Projeto Especiais; Malha Viária; Plano Regulador; Estatuto da Cidade; e Paisagem Urbana: Alturas/Áreas de Interesse Cultural).

    Agende-se

    Audiência pública para votação das propostas ao Plano Diretor será no sábado, 26 de maio, das 9h às 17h, no Salão de Atos da UFRGS

    Como votar:
    Fazer inscrição das 8h ás 14h30, no local, mediante apresentação de carteira de identidade e comprovante de residência em Porto Alegre.

  • O Brasil sem Lutzenberger

    Anita Legname,Tradutora e intérprete
    Pós-graduanda em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná

    Neste dia 14 de maio de 2007, o Brasil não pôde deixar de lembrar com muita reverência o falecimento de José Lutzenberger, ícone da luta pela preservação do meio-ambiente no Brasil. Por ironia, eu só vim a conhecer o trabalho de Lutzenberger no Brasil em 2005, e a informação veio da Califórnia através do Centro de Alfabetização Ecológica, fundado por Fritjof Capra.
    Com o endereço eletrônico em mãos não hesitei em fazer contato, e na primeira oportunidade, visitei a Fundação Gaia. A viagem ao Rincão Gaia, paraíso ecológico criado por Lutz, ocorreu de maneira inesperada, pois o colaborador da Fundação, Christian Goldschmidt lá se encontrava. Foi uma experiência enriquecedora e tocante constatar que de um rincão de paisagem destruída, possa ter rotado novamente a vida, resultado do trabalho amoroso que curou as feridas deste pedaço de Gaia, nossa mãe terra. Ali, pude também perceber in loco a condição aberrante da morte que continua a espreitar nosso planeta, pois separado do Rincão somente por uma cerca de arame, é visível o desamor, a negligencia com a vida: uma plantação mecanizada de soja estava sendo preparada sem guardar sequer uma pequena faixa protetora do terreno para proteger um pequeno lago, onde se podia desfrutar da beleza de alguns pássaros que ali se alimentavam e descansavam. A ausência de sensibilidade com a beleza era chocante, pois bastava apenas uma torrente de água de chuva para que todo o agrotóxico utilizado na plantação afetasse com seu veneno toda a vida que se encontrava naquele lago. Os dois opostos: o amor à vida e á beleza em contraste com o desprezo pela criação divina da natureza eram um espetáculo visível!
    Mas, voltando à beleza, O Rincão Gaia, além de me brindar com tantas lições de vida e beleza, com seu lagos repletos de plantas aquáticas, seus jardins inspirados em quadros de Monet, me brindou ainda com a oportunidade de conhecer pessoalmente uma figura que nem o Rio Grande do Sul nem o Brasil devem esquecer, o ambientalista Augusto César Cunha Carneiro com quem muito aprendi sobre a historia da luta ecológica no Brasil e seus precursores, entre eles Henrique Roessler.
    E, para finalizar a visita, e nunca mais esquecer aquele dia, um susto pela visão de uma enorme cobra amarela diante de mim durante o passeio pelo Rincão, provocou minha queda sobre um jardim de cactos, que decidiram me vacinar com seus espinhos. Foi a melhor vacina que tomei até hoje.

  • Temporada de caça pode voltar ao Rio Grande do Sul

    Carlos Matsubara, especial para o JÁ

    Proibida desde junho de 2005, a temporada de caça controlada no Rio Grande do Sul pode retornar ainda neste mês de maio.  Na quarta-feira, 9 de maio, a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul apresentou uma proposta de zoneamento e cotas para espécies que poderão ser abatidas.

    Foram apontadas seis espécies que poderão ser caçadas em diversos municípios da Metade Sul do Estado e na região da Campanha. A marreca-piadeira é a espécie com maior permissão de abate. Cada caçador terá direito a 25 indivíduos por semana. O predileto dos caçadores, o marreco-macho teve sua cota limitada em cinco indivíduos por caçador durante nove semanas. Não há mamíferos na lista e ainda foram liberados o pombão, a pomba de bando, a perdiz e a marreca-caneleira.

    O coordenador da pesquisa, o biólogo Marcelo Duarte, explica que o zoneamento não é definitivo. Ele foi encaminhado ao Centro Nacional de Pesquisa para Conservação de Aves Silvestres (Cemav), do Ibama em João Pessoa, na Paraíba, que deve devolvê-lo ainda neste mês depois de ser analisado. “Ou seja, algumas cotas ou espécies podem ser mudadas”, explica Duarte.

    Ele conta que o estudo não muda muito de um ano para outro, tendo em vista que as espécies liberadas para a caça, geralmente são as mesmas. “As cotas são baseadas nos estudos anteriores e no número de caçadores”.

    O número de caçadores no Estado, por sinal, vem despencando ladeira abaixo. De acordo com o presidente da Federação Gaúcha de Caça e Tiro, Lucio Paz, a principal causa é o alto custo do esporte, que inclui, entre outros gastos, armas, munições, viagens, e principalmente as taxas exigidas.

    São as taxas cobradas dos caçadores que financiam boa parte dos custos da FZB para realizar o zoneamento. “Além das despesas, existe ainda a discriminação do esporte”, afirma Paz. Perguntado por que caçar, Paz responde com outra pergunta. “E por que não caçar?”

    O presidente da federação calcula que existam no Rio Grande do Sul pelo menos 40 mil caçadores, embora apenas 4,5 mil sejam filiados atualmente.  Destes, ele estima que menos de mil saíam à caça neste ano.

    “O caçador registrado é o maior fiscalizador e inibidor do caçador clandestino”. Paz argumenta que o caçador é antes de qualquer coisa um preservacionista. “A caça depende da preservação das espécies”.

    A caça controlada foi legalizada no Brasil em 1967, através da lei de Proteção à Fauna (Lei n° 5.197), e regulamentada no Rio Grande do Sul em janeiro de 1994. Todos os anos, o Cemave estabelece quais espécies poderão ser abatidas naquela temporada, com base em estudos da FZB.

    Para Maria Elisa, presidente da ONG União Pela Vida , não existe caça que possa ser controlada. “Muitos animais que correm risco de extinção convivem no mesmo habitat que os liberados pelo Ibama”, diz. Para o presidente da ONG Guardiões do Lago Guaíba , Gilson Tesch, é uma vergonha que em um estado como o Rio Grande do Sul ainda permita esse tipo de mentalidade. “A Lei de Crimes Ambientais é para todo cidadão e aqui o Estado abre uma brecha para que uma minoria privilegiada possa praticar maus-tratos e matanças de animais”.

    O levantamento das espécies é baseado apenas em observações aéreas e na ficha individual dos caçadores, onde eles próprios indicam quantas e quais espécies abateram. “A metodologia dos censos das espécies a serem abatidas é contestada por vários técnicos da área e os próprios recenseadores admitem que o trabalho é realizado sem as condições adequadas”, diz Maria Elisa.

    Ela afirma que a perdiz, tida como praga, não traria perdas significativas para as lavouras. Poderia ser até útil, uma vez que se alimenta de insetos nocivos. E lembra ainda que ele tem predadores naturais.

    Os argumentos contra a legalização da caça não param por aí. O material dos cartuchos contaminaria, direta e indiretamente, o meio ambiente com chumbo. Lucio Paz alega que nunca ficou provado nenhum problema desse tipo e que somente uma vez, nos Estados Unidos, houve uma situação de uma espécie de ave que se alimentava desse resíduo.

    Nem todos ambientalistas, porém, são contrários à caça esportiva. José Truda Palazzo Jr., se disse chocado com a discussão “se devemos ou não matar bichinhos e lamentou que alguns ecologistas não entendam que a caça é a melhor alternativa sustentável para preservação das espécies”.

    Truda lembrou ainda que um dos pioneiros do movimento ambientalista do Estado, Augusto Carneiro, também é favorável à caça controlada por entender que é sempre melhor ter uma temporada definida com espécies definidas do que a caça descontrolada e criminosa como existe em todo o restante do país.

    Batalha judicial

    A advogada da UPV, Patrícia Azevedo da Silveira, revelou que a ONG irá entrar com recurso no Tribunal de Justiça Federal para tentar, novamente, barrar a temporada de caça. “Vamos pedir a suspensão da sentença que liberou a prática no Estado”, afirmou.

    A sentença foi concedida em maio do ano passado, quando a 1ª Turma Suplementar do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região liberou, por maioria, a caça amadora. A medida atendeu a recurso da Federação Gaúcha de Caça e Tiro e do Ibama.

    Ao analisar o recurso, o relator do caso no TRF, desembargador federal Edgard Lippmann Júnior, decidiu pela liberação. Ele considerou que ficou demonstrado no processo o “rigoroso controle ambiental praticado pelo instituto”.

    Em junho de 2005, durante a primeira semana da temporada daquele ano, ONGs lideradas pela UPV entraram com uma ação pública movida noTribunal de Justiça Federal, juntamente com um abaixo-assinado com seis mil assinaturas que solicitava a suspensão da caça controlada no Estado.

    Na ocasião, o Juiz Federal Cândido Alfredo Silva Leal Júnior, da Vara Ambiental, Agrária e Residual, reconheceu que a atividade não poderia ser liberada nem licenciada “porque não têm finalidade socialmente relevante, não condizem com a dignidade humana, não contribuem para a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e porque submetem os animais silvestres a crueldade”.

  • Ambientalistas sondam possibilidade de impeachment de Yeda Crusius

    Carlos Matsubara, especial para o JÁ

    A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) enviou na sexta-feira (4/5) ofício ao Ministério Público do Rio Grande do Sul questionando a possibilidade de afastamento da governadora Yeda Crusius. Na carta, encaminhada à promotora de Justiça Ana Maria Moreira Marchesan, a ONG contesta o acordo firmado entre o próprio MP e o Executivo no dia anterior que flexibiliza a legislação ambiental vigente para a atividade da Silvicultura no Estado.

    Segundo a presidente da Agapan, Edi Xavier Fonseca, trata-se mais de uma provocação ao MP. “Não acreditamos que vá ter algum tipo de repercussão, mas vale pelo protesto, já que se trata de um desrespeito à Constituição”, explica. Conforme a assessoria de imprensa do MP Estadual, o documento foi enviado ao sub-procurador-geral para assuntos institucionais, Eduardo de Lima Veiga nessa segunda-feira para análise.

    A carta foi encaminhada, também na sexta-feira, a todos deputados estaduais e até segunda-feira (7/5), a ONG não obteve nenhum retorno. “Como quase todos parlamentares recebem verba das empresas de celulose durante a campanha eleitoral, duvidamos que possam fazer algo a respeito”, lamenta Edi.

    A Agapan contesta ainda o afastamento da titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), Vera Calegaro e do presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Irineu Schneider, demitido na quinta-feira (3/5)

    Vera Callegaro pediu demissão do cargo na sexta-feira à noite alegando motivos de saúde após forte pressão de deputados da Frente Pro-Florestamento e de setores ligados à Silvicultura, que defendem uma maior agilidade nos processos de licenciamento ambiental.

    Veja carta na íntegra

    Ilma.Sra. Promotora de Justiça
    Drª Ana Maria Moreira Marchesan

    Prezada Promotora:

    Tomamos conhecimento que foi assinado, em 03 de maio p.p., um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para a atividade de Silvicultura, visando à flexibilização da Legislação Ambiental vigente. O retardo do Zoneamento Ambiental da Silvicultura no Rio Grande do Sul, deveu-se à criação do Grupo de Trabalho composto pela FARSUL, FAMURS, FIERGS, AGEFLOR e SINDMADEIRA que não aceitou as determinações do estudo técnico-científico elaborado pela FEPAM, órgão responsável pela normatização setorial conforme determina o Código Estadual de Meio Ambiente.

    A oposição ao Zoneamento Ambiental da Silvicultura foi oficializada através de uma Portaria do Executivo Estadual que criou o referido GT , sendo vedada, na sua composição, a participação de ecologistas. O governo não estaria descumprindo a legislação para satisfazer setores produtivos com interesses econômicos imediatistas?

    No nosso entendimento leis não se negociam nem se flexibilizam. São obedecidas!

    Não seria o caso de impeachment da Governadora que prometeu cumprir a Lei?

    Sem mais, para o momento, subscrevemo-nos,

    Atenciosamente,

    Edi Xavier Fonseca
    Presidente da Agapan

  • A cidade não é mercadoria

    Manifestação do Instituto de Arquitetos do Brasil
    quanto à proposta de alteração do PDDUA
    A Prefeitura Municipal de Porto Alegre, através da Secretaria de Planejamento Municipal (SPM), levou à público no mês de março de 2007 proposta de alteração do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental (PDDUA), Lei Complementar 434/1999.
    O Instituto de Arquitetos do Brasil, departamento do Rio Grande do Sul (IAB-RS), convidou aos técnicos do Município, com a participação do secretário da SPM, Sr. José Fortunati, a informarem a comunidade de arquitetos ligada ao IAB-RS e apresentarem suas propostas e modificações, o que permitiu à Comissão de Urbanismo e ao Conselho Diretor do IAB-RS realizar sua análise e fundamentar a opinião da entidade, como segue:
    1. O PDDUA
    O IAB-RS considera que o PDDUA, na forma como foi aprovado em 1999, apresenta incoerências e inconsistências que não permitem reconhecer, em sua aplicação prática, os princípios e objetivos de qualificação ambiental e urbana discutidos e votados pela população nos Congressos da Cidade, realizados no início da década de 1990 e claramente expressos nos capítulos iniciais da Lei.
    O texto do atual PDDUA reflete alterações de emendas legislativas gravemente influenciadas por interesses econômicos setoriais, quando da aprovação pela Câmara Municipal. Tais emendas resultam que, na prática, o PDDUA privilegia a mercantilização do solo urbano em detrimento de todos os outros aspectos do desenvolvimento econômico, das reais vocações de desenvolvimento da cidade, do meio ambiente e da qualidade de vida de toda a população, e, em termos práticos é uma peça de agressão à forma urbana e à identidade cultural de Porto Alegre.
    O IAB-RS considera, portanto, que a alteração proposta pelo Executivo agora é necessária, quase imperativa, para evitar a continuidade de um processo que leva à degradação cultural e ambiental da cidade de Porto Alegre, e deve ser aprovada, sem prejuízo da necessidade de se iniciar um amplo e democrático processo de revisão, para estabelecer um modelo de cidade que leve em consideração toda a sua complexidade.
    2. PROPOSTA DE REVISÃO
    Por outro lado, o IAB-RS considera a proposta apresentada, apesar de modesta e restrita a alguns aspectos do PDDUA, perfeitamente legítima e ancorada em demandas da sociedade, origina-se de um processo amplo de participação popular que permitiu a discussão, reflexão e consulta entre a população que via pela primeira vez os efeitos da aplicação do PDDUA e os técnicos, durante a “Conferência de Avaliação do PDDUA”, realizada em 2003. Tal avaliação foi levada a cabo em respeito ao próprio texto da Lei 434/99, o qual prevê a análise periódica dos resultados concretos da aplicação dos seus dispositivos e a correção de eventuais problemas.
    3. QUALIDADE DO TRABALHO TÉCNICO REALIZADO
    O IAB-RS considera que a proposta de alteração apresentada pelo Município, avaliada em seu conjunto, traz inegável aperfeiçoamento técnico ao PDDUA. Ela apresenta estudos e análises precisas, quantificando informações relativas à evolução das densidades e à transformação da paisagem urbana ocorridas desde a promulgação do Plano com base no monitoramento efetuado com dados coletados da realidade da cidade.
    Dessa maneira, resgata o papel central do trabalho técnico no âmbito da discussão do poder público com a sociedade, pois somente ele pode estabelecer as bases racionais do debate e instruir corretamente a opinião pública.
    O trabalho realizado não pode ser posto em cheque por opiniões comprometidas com interesses minoritários, de cunho meramente econômico sem a necessária comprovação por meio de estudos técnicos conclusivos, visto que a proposta foi realizada de forma imparcial por profissionais legalmente habilitados e tecnicamente capacitados, devendo ser respeitada.
    4. GRUPOS TEMÁTICOS
    O IAB-RS ressalta a qualidade das proposições para os temas “Projetos Especiais”, “Plano Regulador” e “Paisagem Urbana/Alturas”, derivados dos grupos de trabalho da Conferência de Avaliação do PDDUA/2003.
    O tema “Malha Viária”, revela melhora do diagrama de mobilidade da cidade e o novo mapa da malha básica, finalmente hierarquizada em sua totalidade, mas é modesto no enfrentamento do problema deixando em aberto a oportunidade para a definição do modelo de mobilidade urbana de Porto Alegre.
    A proposta de revisão do PDDUA deve regulamentar e implementar imediatamente os instrumentos que asssegurem a função social da propriedade e a sanção à especulação imobiliária, tais como o IPTU progressivo e “estudo de Impacto de Vizinhança” (EIV), em cumprimento a Legislação Federal, Lei Federal 10.257, “Estatuto da Cidade”.
    5. PROJETOS ESPECIAIS
    A definição dos objetivos dos “Projetos Especiais” constitui notável avanço para a clara definição das condições de flexibilidade, regrando os projetos excepcionais com mais participação técnica e legitimidade social.
    O “Projeto Especial de Impacto Urbano de Nível 3”, convenientemente articulado com a ferramenta jurídica da Operação Urbana Consorciada, pode ser um excelente instrumento para a concretização de transformações urbanas positivas para a cidade, devendo ser viabilizados mediante Concursos Públicos de Arquitetura e Urbanismo, que são instrumentos para a garantia da participação e da qualidade dos projetos e para a plena transparência do processo.
    6. PLANO REGULADOR
    O IAB-RS considera as alterações concernentes ao Plano Regulador positivas, ainda que restritas à regulação do uso dos lotes. O novo texto fica mais conciso, donde se depreende que sua aplicação passe a ser de mais fácil compreensão por parte dos agentes privados.
    Do ponto de vista estrito do controle das edificações, em boa hora propõe-se a eliminação de subterfúgios projetuais e interpretações excessivamente liberais de regras construtivas causadoras de problemas ambientais, como é o caso das “sacadas” fechadas e incorporadas ao volume principal da edificação – cuja área não é computada no Índice de Aproveitamento adensável.
    Infelizmente a questão dos falsos sub-solos, favorecidos pela liberalíssima regra da RN (referência de nível do terreno) não foi atacada, em que pese sua responsabilidade pela aparição de gigantescas massas construídas ao nível do passeio público em terrenos em aclive.
    7. ÁREAS ESPECIAIS DE INTERESSE CULTURAL
    O IAB-RS observa que a delimitação e definição de regimes das Áreas Especiais de Interesse Cultural (AEIC), sem constituir um aperfeiçoamento ou correção do PDDUA, mas uma complementação já prevista desde a aprovação da Lei, não é tratada pela atual proposta do Município com a profundidade e o cuidado que o tema merece. É lastimável que um aspecto de tal relevância seja apresentado de forma incompleta, mal organizado e desacompanhado da necessária justificativa teórica e técnica, fundamental para um tema desta natureza.
    Mesmo baseando-se em um criterioso estudo anteriormente realizado pelo próprio Município – que ainda vigora na forma de um Decreto Municipal – a proposta não avança em sua construção, pelo contrário, coloca-se como um arremedo improvisado do mesmo.
    Neste mesmo sentido, é inexplicável que todas as chamadas Áreas Especiais – tanto as de interesse cultural, como as de interesse ambiental e social – não estejam ainda devidamente regulamentadas e mapeadas com sua localização publicamente conhecida.
    Em vista disto, e pela necessidade de preservação do Patrimônio Cultural do Município, o IAB-RS, em que pese ser favorável à aprovação da proposta do Executivo como um todo, entende que deva ser mantido o Decreto Municipal em vigor, para que a proposição possa ser tecnicamente aperfeiçoada.
    8. PAISAGEM URBANA
    Os estudos levados a cabo pelo corpo técnico do Município, por demanda da Conferência de 2003, relativos à densidade e à paisagem, demonstram claramente a inadequação das atuais regras de uso e ocupação do solo e do modelo espacial ao cumprimento dos princípios e objetivos do Plano.
    Densidades excessivas, tipologias inadequadas, polarização acelerada, saturação viária e outros fenômenos de alto impacto na estrutura da cidade ocorrem a olhos vistos, despertando as reações populares que são agora corroboradas pelos estudos apresentados.
    A deformação da paisagem urbana e perda da qualidade ambiental de Porto Alegre derivada das estratégias de densificação e miscigenação do território, origina-se de uma visão desenvolvimentista e expansionista anacrônica, fundamentada na realidade superada da segunda metade do século XX, do êxodo rural e do inchaço urbano. Na atual realidade, o crescimento populacional é ínfimo, e o déficit habitacional não é contemplado pela densificação das áreas altamente valorizadas pelo Mercado. As proposições do atual PDDUA prevêem a localização das áreas para Habitação de Interesse Social em regiões afastadas da infra-estrutura de escolas, transportes e empregos, intensificando o processo de marginalização para não interferir nos interesses do Mercado Imobiliário.
    CONCLUSÃO
    Pelo exposto, o IAB-RS, associação civil eminentemente técnica, cultural e profissional, sem fins lucrativos, nem objetivos outros que não qualificar a vida nas cidades, preocupada com os interesses coletivos e a justiça social, e na busca do cumprimento dos seus objetivos estatutários, manifesta-se favorável à proposta apresentada pelo Município, com as ressalvas apontadas.
    Entretanto, em que pese emprestar seu apoio ao projeto ora apresentado pelo Executivo Municipal, reconhecendo seu valor para o aperfeiçoamento do regramento urbano de Porto Alegre e o mérito das Secretarias envolvidas em sistematizar as resoluções da Conferência, realizar os estudos complementares e dar andamento ao processo, o IAB-RS lastima que a proposta venha com um atraso de mais de 4 anos em relação ao prazo determinado por Lei.
    O IAB-RS manifesta também sua profunda preocupação com a apresentação do mesmo em uma Audiência Pública com poderes deliberativos, inclusive de alteração e rechaço do projeto. Entendemos que este não é o forum adequado para avaliação de um projeto complexo como tal, correndo o risco de constituir em uma assembléia tumultuada por grupos avessos ao debate e à racionalidade, insensíveis à noção de civilidade que se pressupõe de um verdadeiro processo democrático. Tampouco é esta a forma legítima de uma Audiência Pública, instrumento regulamentar de apresentar projetos da administração ao conhecimento da sociedade, e desta recolher sugestões e encaminhamentos, mas sem funções deliberativas.
    O IAB-RS observa também que os interesses econômicos e especulativos contrariados lançam mão de argumentação parcial e sofismática, em suas manifestações públicas através da mídia, para apresentar um debate distorcido, em que a objetividade se encontra ausente, e estranha que um assunto que traz conseqüências tão graves ao desenvolvimento da cidade seja dessa forma tratado pela imprensa, o grande instrumento popular de acesso à informação e ao pensamento, desde que seja aberta, democrática e imparcial.
    O IAB-RS lamenta que direções sindicais de trabalhadores, levadas ao equívoco por desconhecimento do real interesse de seus representados, prestem-se a mobilizá-los em favor dos interesses patronais. Essa manipulação emprega argumentos falaciosos e utiliza meios truculentos para expressar suas opiniões.
    Não há indícios técnicos de que a alteração dos regimes de altura máxima das edificações em algumas zonas da cidade e o aumento dos recuos proposto gere desaceleração na indústria da construção civil ou desemprego neste setor. Pelo contrário, a responsabilidade pela dispensa de mão-de-obra na construção civil está exatamente na execução de tipologias em grandes estruturas semi-industrializadas, processos dominados principalmente por grandes empresas de fora do Estado.
    O IAB-RS insurge-se, portanto, contra a homogeneização da cidade, com a multiplicação indistinta de edifícios estandarizados que reduzem necessidade de mão-de-obra, tanto a braçal quanto a intelectual, excluindo a maior parte dos arquitetos do mercado e conduzindo à perda de qualidade e da criatividade na construção da cidade.
    O IAB-RS considera que os principais instrumentos de regulação urbanística do PDDUA revelaram-se verdadeiros instrumentos de aceleração da cartelização do mercado da construção civil em Porto Alegre, basicamente para garantir oportunidade para exploração econômica, com potencial construtivo abundante, liberdade para substituição tipológica e incentivo à mistura indiscriminada de usos. Trata-se de uma subversão dos princípios e estratégias do próprio PDDUA, inicialmente concebido para garantir o desenvolvimento dentro da preservação do meio ambiente e da promoção social.
    O IAB-RS, finalmente considera que o Plano Diretor deve ser alterado para permitir que a atividade da construção civil seja um instrumento de qualificação da cidade para todos os seus cidadãos, afinal… A CIDADE NÃO É MERCADORIA !!!
    Porto Alegre, maio de 2007.
    Conselho Diretor / Comissão de Urbanismo
    IAB-RS – Instituto de Arquitetos do Brasil
    Departamento do Rio Grande do Sul

  • Acirra-se a briga sobre o plantio de eucalipto no pampa

    Além da proposta da Fepam de zoneamento, corre por fora outra preparada por um grupo de trabalho emergencial formado no final de 2006 pelo governo estadual. (Foto: Tânia Meinerz/JÁ)
    Geraldo Hasse, especial para o JÁ
    Os três fabricantes de celulose que compraram terras no Rio Grande do Sul para o plantio de eucalipto intensificaram sua campanha contra as restrições à silvicultura estabelecidas pela Fundação Estadual de Proteção ao Meio Ambiente (Fepam).
    Com o apoio da imprensa e de políticos, especialmente na Assembléia Legislativa, a Aracruz, a Votorantim e a Stora Enso ameaçam desistir de seus três projetos industriais se não receberem licenças para plantar a espécie vegetal australiana em pelo menos 50% das áreas adquiridas – no total, as três já compraram cerca de 200 mil hectares e plantaram o equivalente a 30% disso.
    Nenhuma das três está satisfeita com as novas regras impostas pela Fepam. Entretanto, com o que já plantaram, mais o que poderiam comprar de terceiros, as três empresas, sócias entre si em dois negócios de celulose no Espírito Santo e na Bahia, já disporiam de matéria-prima suficiente para tocar uma fábrica de um milhão de toneladas de celulose por ano no Rio Grande do Sul. Até agora, elas vêm atuando isoladamente no Estado, mas não é fora de propósito imaginar que possam convergir no futuro.
    Na pressa para conseguir plantar o máximo com o mínimo de restrições, o trio de empresas vem conseguindo criar um clima de constrangimento para os técnicos da Fepam, órgão responsável pelo licenciamento de atividades que ofereçam risco ao equilíbrio ecológico.
    Em matérias e notas na imprensa, o funcionalismo da área ambiental está sendo pintado como “preguiçoso”, contrário ao desenvolvimento econômico do Estado e insensível à necessidade de criação de novos empregos.
    Segundo o argumento dos silvicultores, a demora na expedição de licenças pode comprometer a preparação das mudas de eucalipto e provocar atrasos nos plantios. Viveiristas de Guaíba, Barra do Ribeiro e Butiá já se declararam na contingência de demitir empregados. “Temos o direito de saber se o Rio Grande do Sul quer ou não quer nossos projetos”, disse, na quarta-feira (25/4), o engenheiro Walter Lídio Nunes, diretor de operações da Aracruz, dona da maior fábrica de celulose do Estado, com sede em Guaíba, onde a empresa se dispõe a quadruplicar a produção.
    Gaúcho da capital que fez carreira na indústria de celulose do Espírito Santo, Nunes reclamou objetivamente da contradição entre a boa vontade dos dirigentes políticos do Rio Grande do Sul e a má vontade dos técnicos da área ambiental. Já seu chefe Carlos Aguiar, presidente da Aracruz, foi mais longe: queixou-se de que a silvicultura seja a única atividade agrícola sujeita a rígidos controles ambientais no Estado.
    Na prática, a campanha dos produtores de celulose visa derrubar a proposta de zoneamento ambiental apresentada em dezembro de 2006 pela Fepam ao então governador Germano Rigotto, que prometera facilidades às empresas. Feito às pressas, o zoneamento dividiu o território gaúcho em 45 diferentes unidades de paisagem.
    Na maior parte (75%) do Estado, segundo esse novo regulamento ambiental, a silvicultura pode se desenvolver com restrições que variam de 25% a 80% das áreas. Em cerca de 25% do território gaúcho, a silvicultura não é recomendável.
    Confronto
    As agendas ambiental e empresarial em torno do plantio de eucalipto no Rio Grande do Sul convergem para um confronto definitivo nos últimos dois meses do primeiro semestre de 2007.
    Estão marcadas para meados de junho em diferentes cidades do interior – Pelotas (11), Alegrete (13), Santa Maria (14) e Caxias do Sul (19) – quatro audiências públicas sobre o zoneamento ambiental para a silvicultura proposto pela Fepam. Para junho, está marcada a reunião geral em que o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) tomará uma decisão final sobre a proposta da Fepam.
    Corre por fora, porém, uma contraproposta de zoneamento preparada por um grupo de trabalho emergencial formado no final de 2006 pelo governo estadual. Nesse GT, o setor mais influente é formado pela Associação Gaúcha de Reflorestadores (Ageflor), entidade formada por prestadores de serviços a empresas consumidoras de madeira.

  • Moradores do Petrópolis vão à Câmara pedir preservação de área verde

    Morador há 12 anos do bairro, Ivo Krauspenhar falou aos vereadores que área representa “o pulmão do Petrópolis” (Foto: Caroline da Fé/CMPA/JÁ)

    Helen Lopes

    Moradores do bairro Petrópolis foram à Câmara Municipal de Porto Alegre, nesta quinta-feira, 3 de abril,  pedir a atenção dos vereadores para a possível derrubada de 52 árvores no número 140, da rua Dario Pederneiras. O terreno de 2.500 m², de propriedade da empresa Isdralit, será usado para a construção de edifícios residenciais.

    A Comissão do Verde da Dario Pederneiras, montado por vizinhos da área, argumenta que o local abriga espécies nativas e ninhos de sabiá, alma-de-gato, joão-de-barro e pica-pau, entre outros pássaros. “É o pulmão do Petrópolis, porque não temos nas proximidades uma área verde como essa”, afirma Ivo Krauspenhar, que reside no bairro há 12 anos.

    Além de discursos defendendo o meio ambiente e a organização da comunidade, a Comissão do Verde recebeu dos vereadores a proposta de uma audiência na Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da Câmara, na próxima terça-feira, 8 de maio, para receber as reivindicações e tentar agir junto à Prefeitura. Alguns vereadores chegaram a sugerir a compra da área pelo município, mas a líder do governo, vereadora Clênia Maranhão (PPS), disse que a cidade não tem recursos para a aquisição.

    Os moradores da Dario Pederneiras não descartam a hipótese de transformar o local numa praça, com um centro de estudos ambientais. “Mas isso é pouco provável, pois dependemos do interesse da Prefeitura e da empresa”, entende a representante do Movimento Petrópolis Vive, Janete Barbosa. Janete lembra que em 1999, a comunidades realizou um abaixo-assinado pedindo a praça, mantendo a casa de 70 anos, que existia no local, como centro cultural. O documento foi encaminhado ao poder público, mas a solicitação não foi atendida.

    Retomada da mobilização

    Desde outubro do ano passado, os moradores da Dario Pederneiras tentam impedir a derruba das árvores: acionaram a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM), que pediu a alteração do projeto –  inicialmente previa a construção de dois prédios de 19 andares e passou para 12 andares, com 400 m² de preservação;  solicitaram o acompanhamento da Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público (MP), fizeram abaixo- assinado e promoveram show na frente do terreno.

    Para marcar a retomada da mobilização, a Comissão do Verde da Dario Pederneiras vai realizar na próxima sexta-feira, 11 de maio, às 16h, um abraço simbólico ao terreno. E no dia 15 de maio, haverá uma audiência pública no MP, com representantes da empresa – que já apresentou três projetos diferentes para a área, mas nenhum teve aprovação da comunidade. “A parte de preservação ainda é muito pequena”, considera Janete.