Autor: Elmar Bones

  • Osório festeja 150 anos “almoçando com a RBS” na praça central

    Praça de Osório, em frente à catedral a N. Sra. da Conceição do Arroio, foi franqueada para a RBS (Foto Geraldo Hasse/JÁ)

    Geraldo Hasse, exclusivo para o JÁ

    As autoridades de Osório franquearam a praça central da cidade para a transmissão direta do programa Jornal do Almoço da RBS desta sexta-feira, 15 de dezembro. O programa começa ao meio-dia, marcando o início das comemorações do aniversário do município, fundado em 16 de dezembro de 1857.

    A partir de amanhã, inicia um ano de festas. Um dos pontos altos do sesquicentenário será a inauguração do Parque Eólico de Osório, prevista para o final de janeiro de 2007.
    A construção da usina dos ventos mudou o astral do município. À medida que a obra tomava vulto nos arredores da Lagoa dos Barros, os líderes locais articularam-se para fazer da revolução eólica uma alavanca de transformações econômicas e culturais. Até em Gramado eles foram buscar inspiração para explorar o turismo a partir da sustentabilidade dos recursos naturais. A ênfase inicial é no treinamento de pessoal para praticar a hospitalidade como meio de sobrevivência.
    Além de investir cerca de R$ 200 mil nas festas de fim de ano – com decoração natalina das ruas centrais, foram contratados show artísticos em bairros e um espetáculo de fogos de artifício, considerada uma tradição local -, a Prefeitura está aplicando R$ 2 milhões na pavimentação de ruas e tem planos de aproveitar os recursos trazidos pela usina dos ventos para zerar velhos problemas de infra-estrutura, especialmente na área de saneamento.

    Um financiamento de R$ 18 milhões para tratamento de esgotos está garantido pela Caixa Econômica Federal. O contrato deverá ser assinado em fevereiro próximo, segundo o prefeito Romildo Bolzan Junior. Além deste, deverão aparecer na TV Gaúcha secretários, dirigentes empresariais e diversos outros artistas.

  • Livro mostra a revolução que acontece em Osório

    Obra conta passo a passo a construção do Parque Eólico de Osório (Reprodução)

    Será lançado em janeiro o livro “A Revolução Eólica”, do jornalista Geraldo Hasse. O livro conta passo a passo a construção do Parque Eólico de Osório, o maior do gênero na América Latina, e mostra como essa obra se insere num ciclo de desenvolvimento de energias alternativas no país.

    Com passagem pelas principais redações brasileiras, Hasse, de 59 anos, se mudou para Osório no final de 2005, quando se iniciava a construção do parque de Osório. Ele acompanhou a obra fazendo a cobertura do seu andamento no “Diário dos Ventos”, uma série de reportagens publicadas no site do Jornal JÁ (www.jornalja.com.br).

    Geraldo Hasse mora em Osório e acompanhou a instalação da usina (Foto: Gaia Hasse/JÁ)

    O jornalista retoma também experiências anteriores para descrever a luta no país pela independência energética e, principalmente, a busca de fontes alternativas, das quais a energia eólica se tornou um símbolo.

    O livro também relata a histórica luta dos moradores da Osório e região com o vento, constante incômoda que hoje se torna motivo de otimismo e esperança no município. Com 250 páginas, fartamente ilustradas com fotos, desenhos e mapas coloridos, a “Revolução Eólica” traz também um breve histórico das principais empresas que participaram do empreendimento pioneiro.

  • Obra embargada despeja 5 toneladas de lixo por semana em clube náutico da Capital

    Pneus, garrafas PET e até uma bolsa de viagem saem dos canos. (Foto: Ana Luiza Leal/JÁ)

    Ana Luiza Leal, especial para o JÁ

    As crianças que velejam no Iate Clube Guaíba, na Zona Sul de Porto Alegre, estão proibidas de entrar em contato direto com a água fétida. Usam roupas de borracha dos pés à cabeça e luvas impermeáveis para se protegerem. Deslizam nas águas ao lado de um ou outro biguá e desviam de toneladas de lixo e areia.

    A polêmica sobre a construção do conduto forçado – que despeja esgotos cloacal e pluvial dentro do clube – está fora das páginas dos jornais há quatro anos, mas quem convive com o crime ambiental não esquece.

    A administração do Iate Clube Guaíba recolhe cinco toneladas por semana de lixo que desce dos boeiros pela galeria. A equipe do AmbienteJÁ viu uma grande quantidade de pneus, garrafas PET e até uma bolsa de viagem boiando próximo ao local que abriga as 280 embarcações dos cerca de 500 associados.

    A enorme galeria de concreto armado, de 2,20 x 2,00 metros, com cerca de 3,5 quilômetros de extensão e mais um duto com diâmetro de 1,20 metro, era a promessa do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) para o fim dos alagamentos na Avenida Guaíba. A Prefeitura gastou R$ 5 milhões na obra, embargada pela Justiça antes da inauguração, em 2002.

    Motivos não faltaram: não foi apresentado EIA-RIMA; estudos do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por meio de um laudo e um relatório de vistoria do Ibama condenaram a obra. Além disto, o local situava-se a 150 metros da captação de águas do Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE), fato que colocava em risco a qualidade do líquido fornecido à população.

    Foi uma aparente vitória para os velejadores. Entretanto, algumas nascentes foram conectadas à tubulação durante a sua construção. E como não há a separação entre os esgotos pluvial e cloacal na região, empresas e moradores puderam ligar seus esgotos à rede de forma clandestina. Há indícios de que até um clube de funcionários da Secretaria Municipal de Obras e Viação (SMOV), localizado em frente ao Iate Clube, tenha feito a conexão irregular.

    Resultado: enquanto o processo aguarda a decisão final da Justiça, o conduto permanece desaguando na área. Supõe-se que os dejetos venham dos bairros Camaquã, Nonoai, Cavalhada e Cristal.

    Os despejos também trazem conseqüências negativas para o clube vizinho, Veleiros do Sul. Para Israel Barcellos de Abreu, geólogo e consultor ambiental do clube, o lançamento das águas do conduto modificou toda a característica da bacia: “Mesmo com essa vazão mínima – o conduto não está funcionando, apenas recebe o que já estava conectado e ligações ilegais – há um arraste de finos e lamas que afetam. Se o projeto estivesse funcionando conforme previsto inicialmente, as sedes náuticas não mais existiriam”.

    O clube pós-conduto

    Segundo Roberto Araújo dos Santos, vice-comodoro do Iate, a administração teve de contratar dois funcionários só para cuidar do lixo. São gastos cerca de R$ 4 mil mensais em salários, combustível e manutenção dos barcos e na taxa de recolhimento dos dejetos sólidos por uma empresa contratada. Nunca receberam sequer um centavo da Prefeitura. “Seria mais fácil se fosse só o lixo, mas o que dificulta mesmo é assoreamento, tão grande que chega até a impedir o trânsito de pequenos barcos”, conta.

    Uma ilha que quase toca a água se formou a dez metros à frente do conduto. Ele conta que a formação se mantém submersa porque funcionários e sócios se revezam permanentemente na limpeza da área. “Numa ocasião, em 2005, me desesperei. Peguei a draga do clube e entrei na água. A areia formara uma grande ilha, impossibilitando a navegação. Fui autuado em R$ 5 mil pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAM) por não ter licença para dragar, e o mais absurdo: por ter feito isso na área do conduto do DEP. A obra já estava embargada”, lembra.

    As aulas da escola náutica para jovens e crianças ficaram suspensas até o início deste ano. Santos diz que o medo dos pais inviabilizava as atividades. “Em 2004, um rapaz de 31 anos que navegava no clube morreu de leptospirose. Doenças de pele e conjuntivites são comuns em quem não se protege. Se alguém se molha, recebe orientação para sair correndo para o banho”, ressalta.

    Prefeitura ainda não cumpriu Termo de Ajustamento de Conduta

    Em outubro de 2002, Prefeitura, clubes náuticos e comunidade se reuniram para firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). No documento, ficou acertado que o município deveria apresentar projeto para a construção de um emissário, que levasse o despejo até o canal de navegação, ou a construção de uma tubulação que conduzisse o material para o escoamento natural no Arroio Cavalhada.

    Além disso, o município se comprometeu a monitorar a qualidade da água recolhida junto ao ponto de captação do DMAE e a efetuar dragagens periódicas sempre que o Iate Clube Guaíba julgasse necessário. O descumprimento do termo acarretaria em multa de R$ 5 mil por dia de atraso, contando seis meses após a assinatura.

    O vice-comodoro sentou para fazer as contas. Como nenhuma das medidas acordadas foi tomada em 44 meses, a Prefeitura deve, em tese, mais de R$ 6 milhões. “É claro que não esperamos receber esse dinheiro, mas seria bom para pagar aquela multa que a SMAM emitiu para a dragagem e ajudar nas despesas com o lixo”, ironiza.

    DEP e DMAE se mostraram confusos nas respostas à denúncia sobre o conduto. Sérgio Zimmermann, diretor-geral em exercício do DEP, disse que a questão estava na dependência da conclusão de uma obra a ser executada pelo DMAE e pediu para que o AmbienteJÁ entrasse em contato com os representantes do Departamento Municipal de Água e Esgotos para mais informações. Sobre o desassoreamento, previsto no TAC, falou que o órgão não pode executar a ação “enquanto a obra estiver embargada e não houver a licença ambiental”.

    Carlos Fernando Marins, gerente do Programa Socioambiental do DMAE, disse desconhecer o fato de o conduto estar trazendo resíduos sólidos para a região do clube náutico. Alegou não ter recebido denúncias sobre o assunto. Sobre a obra, revelou que se trata da instalação de um separador absoluto. Ela levaria o esgoto cloacal para o Arroio Cavalhada e integraria o Programa Socioambiental. Marins garantiu que a parte do processo que cabe ao DMAE estará concluída até o fim de 2007.

    A comodoria do Iate Clube Guaíba afirma que nenhum projeto de obra foi apresentado pela Prefeitura até agora. Roberto Araújo dos Santos está pessimista: “É engodo. Só espero que eu ainda esteja vivo quando a Prefeitura decidir fazer alguma coisa. Isso que eu tenho 48 anos”.

  • Multinacional ameaça poluir Glorinha

    Instalação de indústria química divide município (Fotos: Carlos Matsubara/JÁ)

    Carlos Matsubara, especial para o JÁ

    A indústria química multinacional Hexion ameaça a cidade gaúcha de Glorinha, um paraíso a 50 km de Porto Alegre. Ela quer abrir ali uma fábrica de resinas usadas na indústria madeireira, entre elas está o formaldeído, conhecido como altamente cancerígeno.

    A Hexion já enfrenta oposição feroz dos ambientalistas gaúchos. A briga começou em agosto, depois que se descobriu que a empresa havia recebido licença sem ter apresentado o Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) ao órgão ambiental responsável, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

    Foi um escândalo que prontamente tomou conta das ruas. E a coisa ficou pior quando os ambientalistas souberam que a empresa não realizou o EIA-Rima porque não foi exigida pela Fepam – órgão muitas vezes zeloso quando se trata de pequenas empresas nacionais.

    Renato das Chagas, engenheiro químico da Fepam, defende que os estudos apresentados pela empresa foram suficientes para liberá-la de tal obrigação legal. Mas não foi isso que a Justiça entendeu. Um mês depois, a licença foi revogada por uma decisão judicial. Mesmo assim, em novembro a Fepam emitiu parecer técnico isentando a Hexion do EIA.

    O pessoal do contra acredita que a empresa exerça pressões em cima da Fepam e que estaria se negando a fazer o estudo porque sabe do perigo que o formaldeído representa. “Somente esse estudo, que a empresa não quer fazer, poderá antever o tamanho do impacto dessa fábrica ao meio ambiente e a saúde das pessoas”, afirma Carlos Marchiori, coordenador da ONG Saalve (Sociedade dos Amigos da Água Limpa e do Verde).

    Área onde a empresa deseja se instalar

    O local onde a Hexion quer instalar sua fábrica de 2,5 hectares fica próximo ao Banhado Grande, uma Área de Proteção Ambiental que se estende pelos municípios de Gravataí, Santo Antônio da Patrulha, Viamão e Glorinha, ligado à Bacia do Rio Gravataí.

    Além disso, está bem em cima de um sistema de aqüífero cenozóico (era geológica de 65 milhões de anos) de onde a empresa planeja retirar água para seu processo industrial. Na primeira fase serão quase 10 mil metros cúbicos por mês.

    André Rebouças, técnico da Hexion explica que a água utilizada virá de 100 metros de profundidade a uma vazão de 20 mil litros por hora. A empresa já tem a outorga do uso dessas águas pelo Departamento de Recursos Hídricos da Secretaria de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul.

    Forte aparato policial evitou maiores confusões

    Para Marchiori, a afirmação trazida pela Hexion de que um geólogo paulista garante que há água suficiente no subsolo de Glorinha não tem base e é confusa. Ou seja, não diz em que circunstância esse profissional fez a afirmativa. E o que é pior, não existiriam poços na região que produzam ou confirmem tal volume. Segundo o ambientalista, o próprio mapa hidrogeológico do Rio Grande do Sul, feito pelo Serviço Geológico do Brasil, demonstra que na área nem sequer há aqüíferos produtivos.

    Segurança máxima

    O último movimento dessa batalha aconteceu na quinta-feira (7) durante a Audiência Pública realizada na sede do Glorinha Futebol clube e envolveu um grande aparato policial, com direito a viaturas e até uma ambulância de prontidão.

    Uma multidão dividida e uniformizada (a favor da empresa) lotou o ginásio para ouvir dos representantes da Hexion detalhes do projeto que será implantado na cidade. E, entre vaias e aplausos, a rápida apresentação dos técnicos não convenceu a turma do contra. “Essa empresa representa um alto risco para a população”, alega Eloir Borges, ambientalista e morador de Glorinha, que tem medo de acidentes. Segundo ele, um vazamento prejudicaria milhões de pessoas que se abastecem da Bacia do Gravataí, por exemplo.

    Borges acredita que o povo de Glorinha deve decidir se deseja que a cidade continue sendo conhecida como o “Paraíso entre a Serra e o Mar” ou se transforme em uma Gravataí, altamente industrializada e cercada de poluição. O argumento de geração de empregos, para Borges, não seduz. Ele diz ter certeza que “no máximo serão destinadas duas vagas para o povo local, a de porteiro e de motorista. “O resto virá todo de fora”, diz.

    Já para Marcelo Carnevale e sua esposa Daiane Silva dos Santos, a chegada da empresa é mais do que bem-vinda. Eles são proprietários de um boteco na frente da Fiberplac, empresa que vai comprar parte da produção da Hexion.  O entusiasmo é tanto que o casal espalhou faixas no entorno do boteco saudando a multinacional.  “É muita burrice desse povo que está contra”, critica.

    Carnevale não entende a burrice do povo contra a empresa

    Proprietário do bar do Glorinha Futebol Clube, Valtor Cardoso dos Santos, também era só entusiasmo. Devidamente uniformizado com a camiseta “Hexion, Desenvolvimento e Responsabilidade”, diz não entender essa confusão toda em torno da chegada da empresa. “Afinal eles vão trazer desenvolvimento para nós e a Fepam não vai deixar eles fazerem nada de errado”, diz. “Não é verdade?”, completa, oferecendo um refri por conta da empresa.

    O engenheiro químico Sérgio Vanalli abriu o debate. Em pouco mais de 10 minutos tentou explicar ao povo, o que a empresa pretende. Serão investidos US$ 20 milhões na unidade que produzirá 170 mil toneladas/ano de uréicas e fenólicas, ambas tipos de resinas químicas.

    Hexion levou “torcida organizada”

    Sobre efluentes, Vanalli garantiu, sob risos e vaias, que todo ele será reciclado no processo produtivo. “Não serão lançados em corpos d’água, nem na superfície, tampouco evaporados ou infiltrados”.

    O engenheiro ainda fez uma análise de riscos. Num eventual vazamento, uma bacia de contenção de um milhão de litros resolverá o problema e ainda servirá para coletar e tratar os efluentes antes de serem reaproveitados.

    Empresa garantiu copa livre aos presentes

    Com relação aos resíduos sólidos, admitiu que se tratam de resíduos perigosos, mas “que serão devidamente classificados, acondicionados e encaminhados a destinação adequada conforme a legislação vigente”.

    Comparação patética

    José Flávio Soares, morador de Glorinha há 48 anos, pegou no microfone e questionou Vanalli sobre os perigos do formaldeído. Queria saber se “esse negócio de câncer é verdadeiro mesmo”.

    Apesar da humilde figura, levantou a platéia ao questionar os representantes da Fepam, presentes ao evento, sobre as razões dela não ter exigido da Hexion o EIA. Ele parecia assustado a ponto de comparar os riscos de um acidente industrial com o risco de estar sentado em uma cadeira e a mesma quebrar de repente. “ O formaldeído tem uma coisa boa que é o forte cheiro. Se a gente sente, já sabe que algo está errado”, concluiu.

    Recentemente, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA, fez uma avaliação confirmando positivamente a carcinogenicidade do formaldeído em humanos. Assim como o Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (Circ), que concluiu que não há dúvidas sobre o seu potencial cancerígeno.

    Já Renato das Chagas, pela Fepam, reafirmou que o órgão ambiental “não achou necessário que a empresa realizasse o estudo de impacto ambiental previamente, mas que a Fepam estaria presente a este evento justamente para reavaliar a situação, e se, assim julgar, poderá exigir o EIA”.

    Cícerto L. da Silva, gerente da Hexion interveio na apresentação do engenheiro para afirmar que se o EIA-Rima for exigido, a empresa o fará. “A empresa está comprometida com o meio ambiente”.

    “A verdade, é que ela não tem, e nunca teve esse tipo de interesse”, rebate Marchiori. De acordo com o ambientalista, uma indústria química de alto potencial poluidor na APA, que representa a zona de amortecimento da unidade de conservação, sem o EIA-Rima, seria um atentado ao Princípio da Precaução consagrado durante a Eco 92.

    Osmar Rodrigues, morador e representante da Legião da Boa Vontade no município, bateu forte e arrancou aplausos. “Ouvi um montão de números, mas o que importa são as pessoas e até agora não estou convencido de nada”, declarou.

    Tânia Peixoto, presidente da Associação de Defesa do Rio Gravataí, lembrou que a Indústria Química é responsável por grandes acidentes em todo o mundo e questionou novamente qual o artigo da Constituição que classifica a Hexion como isenta de apresentar um EIA-Rima. “Queremos que a lei seja cumprida”. Desta vez, Chagas silenciou.

    Combatente em várias frentes, Edi Xavier Fonseca, da Agapan ,também marcou presença. Considerou grave a não –exigência de estudo de impacto ambiental e se disse “estarrecida” com a Fepam. “Glorinha não está isolada do mundo, faz parte de uma região na qual a poluição alcança pelo ar, pela água e nos preocupa muito essa posição da Fepam”, finalizou.

    Agora, Chagas falou. “Hoje a empresa está sem licença, era um outro momento e entendemos que era uma posição correta. Tomaremos uma decisão posterior”, declarou deixando em aberto que a Fepam poderá, finalmente, exigir o EIA-Rima da multinacional.

  • Jornal JÁ ganha Prêmio ARI de contribuição à comunicação social

    Presidente da ARI, Ercy Torma (esq), lembrou a trajetória de 21 anos do jornal JÁ, dirigido por Elmar Bones (Foto: Tânia Meinerz/JÁ)

    O Jornal JÁ recebeu na noite de quarta-feira, 6 de dezembro, no Theatro São Pedro, o Prêmio ARI de Contribuição Especial à Comunicação Social – Prêmio Antônio Gonzalez. A Associação Riograndense de Imprensa destaca pelo menos um veículo de comunicação por ano.

    O presidente da ARI, Ercy Pereira Torma, ressaltou a trajetória de 21 anos do jornal JÁ, observando que, apesar de pequena, a empresa tem feito uma produção de excepcional qualidade.

    “JÁ Editores tem publicado trabalhos muito importantes, como a obra completa de Simões Lopes Neto e os textos de Carlos Reverbel. Além, é claro do jornal, criado como uma alternativa, mas que hoje nem deve mais ser chamado assim, é uma realidade”, observou.

    Após receber o troféu, o diretor-editor do JÁ, Elmar Bones, agradeceu a seus colegas de empresa e a todos colegas jornalistas. Falou por cerca de 10 minutos, sendo interrompido por palmas da platéia em mais de um momento. “Quem faz o jornalismo são os jornalistas, não as empresas”.

    O experiente repórter observou ainda a precariedade da profissão, que tem limitações como tempo, espaço e pressões econômicas, políticas e dos próprios patrões. Bones também falou da importância da pluralidade nos meios de comunicação.

    “Apenas um grupo não é suficiente para expressar a pluralidade da sociedade, por mais veículos que tenha. Não podemos aceitar o pensamento único. A diversidade é fundamental”, disse, sendo interrompido por mais uma salva de palmas.

    Para finalizar, o jornalista ainda falou da importância da Associação Riograndense de Imprensa. “É uma instituição fundamental para a classe, devemos fortalecê-la”.

    Mais dois prêmios

    Kolling e Bones: três prêmios para o JÁ

    O Jornal JÁ Porto Alegre obteve o primeiro lugar no Prêmio ARI de Reportagem Econômica – Prêmio Banrisul, com a matéria “Máquina sem Governo”, de Elmar Bones. Também foi contemplado com o Prêmio ARI de Reportagem Esportiva – 2º lugar, com a matéria “Força e Luz: um time na marca do pênalti”, de Guilherme Kolling.

    O JÁ foi finalista em todas as categorias de reportagem do Jornalismo Impresso. Além da Econômica e Esportiva, disputou em Reportagem Geral, com a matéria “Duas décadas de imprensa” e Reportagem Cultural, com “Negro Gaúcho ganha história”, ambas de Guilherme Kolling.

    Confira a lista de todos os vencedores do Prêmio ARI 2006:

    1) JORNALISMO IMPRESSO

    a) Reportagem Geral

    1º lugar – “O novo retrato do Pampa”, de Carlos Roberto Fialho Etchichury e Nilson Cezar Mariano, publicada no jornal Zero Hora.

    2º lugar – “A vida em Comunidade”, de Luís Marcelo Miranda, publicada no Jornal NH, do Grupo Sinos.

    Menção Honrosa: “A guerra vista pelos dois lados”, de Rodrigo Guimarães Lopes, publicada no jornal Zero Hora.

    b) Reportagem Esportiva

    1º lugar – “Racismo e Futebol”, de Jones Lopes da Silva, publicada no jornal Zero Hora.

    2º lugar – “Força e Luz: um time na Marca do Pênalti”, de Guilherme Kolling, publicada no Jornal JÁ Porto Alegre.

    Menção Honrosa: “A Batalha dos Aflitos”, de Luis Henrique Gomes Benfica, publicada no jornal Zero Hora.

    c) Crônica

    1º lugar – “Estou farto”, de David Wagner Coimbra, publicada no jornal Zero Hora.

    2º lugar – “De que sonhos falava Agassi?, de Mario Marcos de Souza, publicada no jornal Zero Hora.

    Menção Honrosa: “E nunca mais voltou”, de Liberato F. Vieira da Cunha, publicada no jornal Zero Hora.

    d) Fotojornalismo – Prêmio José Abraham

    1º lugar – “O oásis do crime”, de Ronaldo Guilherme Bernardi, publicada no jornal Zero Hora.

    2º lugar – “Sem teto e sem esperança”, de Emílio Carlos Sales Pedroso, publicada no jornal Zero Hora.

    Menção Honrosa: “Festa na oficina”, de Valdir Gomes Friolin, publicada no jornal Zero Hora.

    e) Planejamento Gráfico

    1º lugar – “A copa do salto alto”, de Luiz Adolfo Lino de Souza, publicada no jornal Zero Hora.

    2º lugar – “O novo retrato do Pampa”, de Márcio da Silva Câmara, publicada no jornal Zero Hora.

    Menção Honrosa: “As copas que eu vi”, de Norton R. Lindermann Voloski, publicada no jornal Zero Hora.

    f) Charge – Prêmio Sampaulo

    1º lugar – “Contusão do Robinho”, de Neltair Rebés Abreu (Santiago), publicada no Jornal do Comércio.

    2º lugar – “Varig, Varig, Varig… Glub”, de Gilmar Luiz Tatsch (Tacho), publicada no Jornal NH, do grupo Sinos.

    Menção Honrosa: “Amigo Secreto”, de Moacir Knorr Gutterres, publicada no Jornal do Comércio.

    h) Reportagem Cultural

    1º lugar – “O colapso da Civilização Maia”, de José Airton Machado Ortyz, publicada no Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul.

    2º lugar – “As Gauchadas de um Catarina”, de José Schenkel Weis, publicada no Jornal Extra Classe, do SINPRO.

    Menção Honrosa: “Mario Quintana – um poeta a ser redescoberto”, de Daniel Ricardo Feix, publicada na Revista Aplauso.

    g) Reportagem Econômica – Prêmio Banrisul

    1º lugar – “Máquina sem governo”, de Elmar Bones da Costa, publicada no Jornal JÁ Porto Alegre.

    2º lugar – “Drama no Ar”, de Lúcia Ritzel, publicada no jornal Zero hora.

    Menção Honrosa: “Futuro sustentável” (série), de Paulo César Oliveira Teixeira, publicada na Revista Amanhã.

    2) RADIOJORNALISMO

    a) Reportagem Geral

    1º lugar – “Nazistas Sulinos”, de Cid Martins, veiculada na Rádio Gaúcha AM.

    2º lugar – “Na linha do crime”, de Cid Martins e Jocimar Farina da Cunha, veiculada na Rádio Gaúcha AM.

    Menção Honrosa: “86 toneladas – o peso da morte no Sinos”, de Márcio Américo Vieira Pessoa, veiculada na Rádio FM Cultura.

    b) Reportagem Esportiva

    1º lugar – “A Máfia dos Cambistas”, de Eduardo Vieira Gabardo, veiculada na Rádio Gaúcha AM.

    2º lugar – “A saga tricolor: o heróico retorno do Grêmio à 1ª Divisão”, de Filipe Pereira Gamba, veiculada na Rádio Guaíba AM.

    Menção Honrosa: ” A Copa passada a limpo”, de Filipe Pereira Gamba, veiculada na Rádio Guaíba AM.

    c) Produção

    1º lugar – “Eleições 2006 – o lado humano”, de André Luiz de Mello Machado e Equipe, veiculada na Rádio Gaúcha AM.

    2º lugar – “História das Copas – a Copa do Mundo contada de um jeito diferente”, de André Silva da Silva, veiculada na Rádio Gaúcha AM.

    Menção Honrosa: “Natal de todos”, de Jayme Copstein, veiculada na Rádio Gaúcha AM.

    3) TELEJORNALISMO

    a) Reportagem Geral

    1º lugar – “A Polêmica dos Eucaliptos”, de Angélica Coronel Couto, veiculada na TVE – Canal 7.

    2º lugar – “A farra dos Vereadores Turistas”, de Giovani Antonio Grizotti, veiculada na RBS TV.

    Menção Honrosa: “Os pequenos trabalhadores”, de Nilton Schüler, veiculada na TVE – Canal 7.

    b) Reportagem Esportiva

    1º lugar – “A luta pela vida”, de Glauco de Oliveira Pasa, veiculada na RBS TV.

    2º lugar – “Preparativos para a Copa do Mundo 2006” (série), de Andrei dos Santos Rossetto, veiculada na TVE – Canal 7.

    Menção Honrosa: “Desde a preparação da Seleção Brasileira na Suíça”, de Francisco Ribeiro Neto, veiculada na TV Bandeirantes.

    c) Imagem

    1º lugar – “Incêndio do ônibus em Rio Grande”, de Rogério Pinto de Andrade, veiculada na TVE – Canal 7.

    2º lugar – “Rios Grandes do Sul”, de Antonio Cioccari, veiculada no SBT – Canal 5.

    Menção Honrosa: “Lagoa do Peixe”, de Rogério Pinto de Andrade, veiculada na TVE – Canal 7.

    4) CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL À COMUNICAÇÃO SOCIAL – PRÊMIO ANTÔNIO GONZALEZ:

    Jornal JÁ – Elmar Bones

  • Saneamento para região do Sinos entra em lista de prioridades do Estado

    Reunião na Fiergs para apresentação das prioridades de investimento no Estado reuniu senadores e deputados (Fotos: Carlos Matsubara)

    Carlos Matsubara, especial para o JÁ.

    O tratamento de esgotos dos 32 municípios do Vale do Rio dos Sinos por pouco ficou de fora das prioridades do Rio Grande do Sul. A lista foi resultado da união da bancada gaúcha no Congresso Nacional e apontou 20 ações prioritárias para receberem recursos da Lei Orçamentária Anual.

    O relator-geral da proposta de Lei Orçamentária Anual, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), esteve nesta segunda-feira, 4 de dezembro, na sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre para ouvir de parte da bancada as necessidades do Estado.

    Foram 17 emendas propostas pelos deputados federais e mais três oriundas do Senado. A última delas, justamente a que prevê R$ 200 milhões para serem investidos em saneamento na região, apresentada pelo senador Paulo Paim (PT-RS) e já aprovada pela Comissão de Meio Ambiente do Senado.

    Apesar da aprovação da comissão e ainda sob apelo do desastre ambiental ocorrido em outubro passado, não significa que o recurso esteja garantido. E mesmo se estivesse, não seria suficiente.
    Paim admite que o valor não é solução para o problema, “mas pode ser o começo”.

    Dentre os 32 municípios da região, o que possui melhor situação é São Leopoldo com 20% do seu esgoto tratado. “Há municípios que sequer realizam o tratamento primário”, diz Torvaldo Antonio Marzolla Filho, diretor do Conselho de Meio Ambiente da Fiergs.

    Segundo Marzolla, o grande investimento do Governo Federal nos próximos anos na área de Meio Ambiente deve ser o saneamento básico nas cidades. “Sem saneamento, não há meio ambiente”, afirma. Ele ainda aproveitou a ocasião para defender o nome de Paim como o “Senador Ambiental do Congresso”. Paim, claro, aprovou a idéia. “Sempre estive atento às questões ambientais”.

    Escassez de recursos

    Deputado Eliseu Padilha (esq), disse que o Estado, normalmente, pede poucos recursos

    O relatório de receitas para 2007 foi divulgado semana passada e estima em R$ 613,2 bilhões o total de receita bruta. Com um acréscimo de ultima hora de R$ 9 bilhões, R$ 3 bilhões deverão ser transferidos para estados e municípios; e R$ 6 bilhões, distribuídos para os relatores setoriais do
    Orçamento de 2007, para atender a emendas coletivas (de bancadas e de comissão).

    Raupp também deixou um total de R$ 1,25 bilhão bruto em receitas para ser usado em uma possível desoneração tributária. Isso equivale a uma correção de 5% na tabela do Imposto de Renda.

    Para atender as 20 prioridades da bancada gaúcha, estão previstos R$ 5,7 bilhões das emendas coletivas, do total de R$ 80 bilhões para todo o Brasil.

    Raupp reconheceu o esforço da bancada gaúcha em unir-se em prol de uma causa comum, mas não garantiu que as demandas sejam atendidas e sugeriu o BNDES e os fundos de pensão como alternativas. “Essas duas fontes somadas são o triplo do que temos para o Estado”, disse.

    Lembrou ainda que os Estados podem recorrer as Parcerias Publico-Privadas (PPP’s). O deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) argumentou que o Rio Grande do Sul, normalmente, pede pouco e quando o faz, pede o que é justo. Defendeu a ampliação do calado do Porto de Rio Grande em mais 18 metros e investimentos em irrigação como “prioridades dentre as prioridades” dos gaúchos.

    Padilha disse que não acredita nas PPP’s como solução para as deficiências do Estado em infra-estrutura porque as agencias reguladoras, fiadoras dos contratos, estariam “partidarizadas”.

  • Estudo constata que poluição causa anomalias em peixes do Guaíba

    Poluição do Guaíba causa anomalias em peixes (Foto: Tânia Meinerz/Arquivo/JÁ)

    Ana Luiza Leal, especial para o JÁ

    Os peixes que vivem na altura da Usina do Gasômetro, no lago Guaíba, em Porto Alegre, apresentam atrofia nas nadadeiras e má formação dos ossos da cabeça. As anomalias estão relacionadas à média elevada de coliformes fecais – a mais alta da bacia hidrográfica do Guaíba – e à baixa oxigenação da água na região. As constatações são fruto de uma tese de doutorado realizada no Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

    O impacto da poluição sobre o aspecto externo dos peixes também foi analisado em outros pontos da bacia: Saco da Alemoa, em Eldorado do Sul (delta do Rio Jacuí); foz do arroio Celupa e Praia da Alegria, ambas no município de Guaíba; Barra do Ribeiro; praia de Ipanema, em Porto Alegre; e os rios Caí, Gravataí e Sinos. A Usina do Gasômetro é a campeã em poluição da água e anomalias.

    De acordo com os parâmetros estabelecidos pelo Conama, a qualidade da água varia de regular a ruim em toda a bacia. O monitoramento teve duração de dois anos.

    O autor do trabalho, Fábio Flores Lopes, espera que os dados sirvam de alerta para as políticas públicas. “Constamos que o problema existe, mas faltam estudos sobre em que nível está a degradação. Não se sabe o que pode estar provocando essa situação e as conseqüências disto para a sobrevivência dessas espécies”, afirma.

    A utilização de peixes como bioindicadores da qualidade da água já foi tema de análise do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos da UFRGS (Ceclimar), que pesquisou as alterações no sistema imunológico dos peixes no rio Tramandaí, em 2002. No ano anterior, um trabalho do Centro de Genética da universidade constatou a contaminação em bagres e tainhas no mesmo rio, devido ao alto grau de poluição provocada por vazamentos nas plataformas da Petrobras em Imbé e Torres.

  • Indústria se defende do desastre do Rio dos Sinos

    FIERGS reúne jornalistas para defender indústrias do desastre ambiental no Rio dos Sinos

    Carlos Matsubara, especial para o JÁ

    Coube à poderosa Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) defender o setor no episódio da morte de mais de 100 toneladas de peixes no Rio dos Sinos no dia 7 de outubro. A entidade reuniu bom número de jornalistas ontem (23/11) para apresentar sua versão dos fatos.

    O objetivo da coletiva apareceu já na fala de Ricardo Lins Portella Nunes, coordenador do Conselho da Infra-Estrutura da entidade e primeiro a comentar o desastre. “Queremos mostrar a realidade do que aconteceu no rio naquele dia”.

    A realidade seria discordar do relatório apresentado pela Fundação Estadual de Porteção Ambiental (Fepam), que apontou à imprensa e à população seis empresas que acabaram autuadas pelo órgão ambiental na ocasião. Torvaldo Marzolla Filho, coordenador do Conselho de Meio Ambiente da Fiergs, seguiu o raciocínio. Segundo ele, a responsabilidade das empresas multadas é próxima de zero, uma vez que a falta de saneamento nos municípios da bacia dos Sinos seria a grande culpada.

    “A Fiergs não compactua com nenhum tipo de má-conduta por parte de empresas, porém não podemos responsabilizá-las por algo que os governos não fazem”, afirmou. De acordo com Marzolla, a própria ação da Fepam de injetar oxigênio puro no rio nos últimos dias evidencia a inocência do setor industrial.

    Adjalmo Gazen, conselheiro do Grupo Temático de Saneamento do Conselho de Infra-Estrutura decretou: “Matéria química não provoca falta de oxigênio na água, causa-mortis dos peixes”. Especialista em Saneamento, Gazen concorda com a tese da coincidência de fatores para explicar o desastre.

    As coincidências foram: período de baixa vazão do rio, agravada pelo uso para irrigação de lavouras de arroz, algumas sem a devida outorga, represamento das áreas a partir do Delta do Jacuí ocasionado pela incidência do vento sul, ocorrência de temperaturas mais elevadas provocando a aceleração da degradação de matéria orgânica, além da coincidência da piracema, período de outubro a março em que os peixes se deslocam para as nascentes para a desova. “Seria ingenuidade pensar que aquela quantidade de peixes é normal naquela parte do rio”, sugere.

    De acordo com um documento apresentado pelo Conselho de Meio Ambiente da Fiergs, os 31 municípios que compõem a bacia dos Sinos apresentam um percentual de 10% do esgoto doméstico com algum tipo de tratamento.

    O mesmo documento registra que a poluição industrial, que já foi de extrema gravidade, especialmente dos grandes curtumes, hoje apresenta níveis satisfatórios: 961 toneladas por ano de carga DBO (demanda bioquímica de oxigênio) contra 7.907 toneladas por ano de carga DBO de origem doméstica. Trocando em miúdos, são 11% de poluição industrial e 89% de poluição doméstica de origem orgânica no Rio dos Sinos.

    “Sabemos que o nível de qualidade alcançado se deve à imposição de rigorosos padrões de controle ambiental pela Fepam ainda na década de 1970”, reconhece Gazen. Cálculos apresentados pela Fiergs demonstram que as 106 indústrias da bacia dos Sinos gastaram R$ 18 milhões, no ano passado, no controle de poluição dos seus processos.

    A Fiergs entende ainda que as empresas que cometem irregularidades devem arcar com suas responsabilidades e corrigir eventuais falhas. “Por outro lado, não se justifica a tentativa de transferir responsabilidades a todo um setor que vem atendendo os padrões estabelecidos pelos órgãos ambientais”, afirma Gazen.

    O documento da Fiergs parece ainda sugerir um outro culpado: “Devem ser implementadas medidas de controle quantitativo das águas de irrigação de arroz com a aplicação, controle e monitoramento das outorgas, sob pena de serem comprometidos os usos para abastecimento público e mais agravada a situação já crítica do Rio dos Sinos”.

  • A bibliografia da escravidão

    Na obra de Valéria Zanetti: o passado dos negros na Capital, com detalhes da vida familiar, cultural, os crimes e os castigos a que foram submetidos, e um capítulo que debate a visão da historiografia acerca do escravo urbano. (Reprodução)

    Naira Hofmeister

    Começava o mês de dezembro, em 1964, quando Carlos Reverbel condenava a ausência de registros na mídia sobre o livro de Fernando Henrique Cardoso, Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional. “Ainda não tivemos a oportunidade de ler uma notícia sequer, a respeito da referida obra, quanto mais um juízo crítico, que viesse atravessar tão duradoura e espessa cortina de silêncio”, dizia o jornalista. A obra, resultado da tese de doutoramento de FHC na Faculdade de Filosofia da USP, havia sido publicada dois anos antes e não teve repercussão alguma nas paginas de jornais.

    Passaram 42 anos desde que Reverbel expôs sua indignação no artigo do Correio do Povo. De lá para cá foi instituído o Dia da Consciência Negra – feriado em diversas capitais do Brasil – que lembra a morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas.

    Mais recentemente, uma lei nacional tentou emplacar o ensino de História e Cultura Afro-brasileira em todos os níveis escolares, medida ainda não adotada em nenhuma instituição. No Rio Grande do Sul, um monumento em Pinheiro Machado vai lembrar o massacre da tropa dos Lanceiros Negros em 1844, quando os líderes farrapos ensaiavam os primeiros passos para a rendição e acordo com os imperialistas.

    Mesmo com os avanços do Movimento Negro em busca de políticas de inserção, a reclamação de Reverbel parece se repetir em 2006: “É de causar espécie um livro editado em 1962 não ter sido objeto de atenção até a presente data no nosso Estado”.

    Seis anos depois de lançada, a Coleção Malungo, da Editora UPF,  ainda não mereceu espaço na imprensa gaúcha. Com 10 títulos já publicados e  dois no prelo, a obra aborda a escravidão no Brasil Colonial.

    “Realmente a coleção está merecendo uma abordagem jornalística, nem que seja por se encontrar precisamente no Rio Grande do Sul e, salvo engano, ser a única coleção no Brasil dedicada exclusivamente a estudos científicos sobre a escravidão colonial brasileira”, concorda Mário Maestri, coordenador do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo e diretor da Editora da UPF, que abraçou um projeto originariamente bancado por uma editora de São Paulo, na década de 80.

    “Malungo era a designação dada pelos africanos angolanos escravizados, aos companheiros aos quais estavam acorrentados ou com os quais compartiram a terrível viagem transatlântica nos tumbeiros”, explica o historiador.

    Na atual coleção, todos os livros são – assim como a obra em questão no artigo de Reverbel – fruto de trabalhos acadêmicos desenvolvidos principalmente nas universidades gaúchas, mas não exclusivamente.

    “Alguns dos livros publicados na coleção Malungo eram antigas teses ou dissertações, de elevada qualidade, inéditas há anos, por falta de espaço editorial, como o estudo de Théo Loubarinhas Piñeiro, professor da UFF, sobre a crise da escravidão no Rio de Janeiro, ou de Maria do Carmo Brasil, então professora da UFMS, sobre a escravidão no Mato Grosso”, destaca.

    Dos 10 títulos já disponíveis para compra, 5 abordam a escravatura no Rio Grande do Sul, cujo acesso, lembra Maestri, era restrito aos exemplares depositados nos programas de pós-graduação. Entre os trabalhos gaúchos, chamam a atenção os estudos de Ana Regina Simão – hoje professora da Unisinos – e da mineira Valéria Zenetti, sobre a escravidão urbana em Pelotas e Porto Alegre, respectivamente.

    Em Resistência e acomodação: a escravidão urbana em Pelotas – RS (1812-1850), Ana Regina Simão debate a dicotomia escravocrata refletida nas idéias surgidas no final da década de 70, quando se delineou a linha de raciocínio que “reconhecia a dinâmica escravista a partir da categoria contradição-consenso e não contradição-resistência”, escreve Maestri na apresentação do livro. Ou seja, a condição servil se dava não apenas por causa da opressão dos senhores, mas também por falta de resistência, entende esse viés de pesquisa.

    O resultado dessa inversão de conceitos, segue explicando, foi uma mudança no paradigma das investigações, que deixam de se concentrar no campo e chegam aos centros urbanos, até então ignorados pelos estudos. “Entre todos os protagonistas das pesquisas arroladas que tive o privilégio de orientar, a autora foi sempre a mais atraída pelo pólo acomodação”, reforça.

    Em seis capítulos a autora situa o leitor na sociedade escravista brasileira e nas particularidades sulinas, pontua as diferenças entre a prática escravocrata urbana daquela no campo e traça o panorama da cidade de Pelotas e de sua principal atividade econômica:  as charqueadas. “Principais produtos de exportação do Rio Grande do Sul na primeira metade do século XIX, a produção de charque e do couro ensejou a expansão das grandes fazendas pastoris, dando origem a uma sociedade apoiada no braço do cativo, que ensejou um centro urbano escravocrata de grande opulência, como Pelotas”, descreve Ana.

    A alforria, a família e a saúde dos escravos também são contemplados no minucioso estudo, que, segundo Maestri, propõe um cenário rico e complexo. Se as alforrias eram quase uma exclusividade das mulheres escravizadas, eram as negras que sofriam problemas de saúde, pois eram os trabalhadores de sexo masculino que recebiam tratamento hospitalar na Santa Casa. A autora lembra ainda que nos registros de filhos de escravas “a paternidade era ignorada”.

    Também em Calabouço Urbano – Escravos e Libertos em Porto Alegre (1840-1860) aparece novamente a oposição entre o campo e a cidade. Nos estudos de Valéria Zanetti, além da narrativa sobre o passado dos negros na Capital – que também inclui detalhes sobre a vida familiar, cultural, os crimes e os castigos a que foram submetidos –, há um extenso capítulo que se dedica a debater a visão da historiografia acerca do escravo urbano. “A reconstituição histórica de Valéria Zanetti apresenta-nos uma Porto Alegre estranhamente negra, escravista e plebéia, em forte oposição aos cenários tradicionais que diluíram a onipresença do cativo negro nas cidades sulinas”, opina Maestri.

    Aliam-se a esses estudos trabalhos acadêmicos recém-defendidos, entre os quais Maestri destaca o de Leandro Daronco, sobre a escravidão em Cruz Alta, e o próximo lançamento da Coleção Malungo onde Beatriz Eifert, aborda a escravidão nas fazendas de Soledade.

    A coleção conta ainda com outros títulos de gente que Maestri define como “consagrados historiadores de outras regiões do Brasil”, Entre eles, Flávio dos Santos Gomes, professor do PPGH da UFRJ, que publicou coletânea de ensaios especializados sobre a escravidão, e o economista e professor da universidade Federal do Piauí, que publicou sua tese sobre a escravidão nas fazendas públicas piauiense e, agora, reeditou seu trabalho “já clássico sobre a resistência e violência escravista no RS”, Triste pampa: resistência e punição de escravos em fontes judiciárias do Rio Grande do Sul (1818-1833).

    A extensão territorial não pára aí: Maestri revela que a coleção começa a dar os primeiros passos internacionais: “Já está em análise a publicação de dois trabalhos relacionados com a escravidão no norte do Uruguai.”

    Publico não falta para as publicações, já que nas últimas da Feira do Livro de Porto Alegre, a banca da UPF tem sido ponto de encontro dos historiadores na Praça da Alfândega. “Isso assinala, simpaticamente, sua definitiva inserção em nosso panorama cultural”, completa um orgulhoso Mário Maestri.

    Os livros podem ser encomendados através do endereço eletrônico da editora – http://www.upf.br/editora/ – ou no próprio Campus da Universidade, no Km 171 da BR 285, em Passo Fundo. O telefone da Editora da UPF é (54) 3316-8100.

  • Funcionários da RBS protestam contra baixo piso salarial

    Na faixa, grupo condena a opção pelos lucros ao invés do trabalhador  (Foto: Priscila Gonçalves/JÁ)

    Priscila Gonçalves, especial para o JÁ

    Um grupo de funcionários da RBS realizou um protesto ontem (23) em frente a um dos prédios da empresa localizado na avenida Érico Veríssimo, em Porto Alegre. O objetivo era chamar a atenção em relação ao baixo piso salarial.

    A proposta é uma antiga reivindicação dos radialistas do interior, que acreditam ser discriminados com relação ao piso da capital. Em uma reunião ocorrida quarta-feira (22) no Sindirádio, os representantes dos trabalhadores apresentaram aos patrões a sua contraproposta para o reajuste da categoria.

    Foi reivindicado a integralidade do índice do INPC para todos os trabalhadores, 2,71% mais o acréscimo de 5% nos pisos dos operadores. O objetivo é alcançar um piso único. Segundo um dos participantes da manifestação, haverá um outro protesto em frente a RBS TV, que fica no morro Sta. Teresa na próxima segunda-feira (27).