Autor: Elmar Bones

  • “O escritor tem compromisso com a mudança”

    Cheuiche: 40 anos de literatura (Fotos: Helen Lopes/JÁ)

    Elétrico, bigode e cabelo hirsutos, Cheuiche tem uma biografia bastante rica: criado no pampa, conheceu o mundo desdobrando-se nos papéis de estudante, professor, veterinário e escritor. Fruto típico da miscigenação gaúcha, gosta de falar de seus ancestrais, entre os quais aponta, pelo lado materno, os açorianos Tavares e os portugueses Vargas; e, pelo lado paterno, os Cheuiche, vindos do Líbano.

    Filho de um médico-veterinário do Exército, Alcy nasceu no inverno de 1941 em Pelotas e a partir dos cinco anos morou em Alegrete, onde o pai fora servir. Sua infância foi forrada de vivências rurais, fonte do tradicionalismo gauchesco, no qual deu seus primeiros passos como autor de poemas propícios à declamação.

    Uma vez, ainda estudante, declamou seu poema Reza Chucra num CTG nos arredores de Porto Alegre. Presente no evento, o escritor Manoelito de Ornellas o aconselhou: “Não abandone a poesia crioula”.

    Formado em Veterinária em 1962, especializou-se na França e na Alemanha, trabalhou alguns anos na multinacional Johnson & Johnson e encaminhou-se instintivamente para a literatura, o magistério e o jornalismo técnico – mantém há 25 anos em convênio com uma instituição francesa a revista bimestral A Hora Veterinária, editada atualmente em Caçapava do Sul, onde Cheuiche mora com a segunda esposa, Maria Berenice, advogada profissional.

    Seu primeiro escrito (um poema premiado) foi publicado na Gazeta de Alegrete em 1951, quando tinha dez anos. Quando estudou na França, escreveu regularmente para o suplemento rural do Correio do Povo. Nunca deixou de assinar artigos, crônicas e poemas na imprensa.

    Seu primeiro livro, Versos do Extremo Sul, foi publicado em 1966. No prefácio, o pajador Jayme Caetano Braun o comparou a um “tourito de sobreano” que, “ainda muito potrilho”, “traz a poesia nos tentos”.

    Na sua primeira ficção, O Gato e a Revolução, de 1967, Alcy Cheuiche inaugurou um estilo marcante pela fidelidade aos temas brasileiros e aos valores humanitários universais. Seus assuntos preferenciais: a luta pela terra e os direitos humanos. Entre seus personagens mais conhecidos – Sepé Tiaraju (1975), Ana Sem Terra (1984) e Santos Dumont (1998) – figura por último o avô libanês, tema do livro Jabal Lubnàn, publicado em 2002 pela Sulina.

    Embora tenha visitado o Líbano em 1972, Cheuiche levou 30 anos para soltar o livro sobre o avô. É um romance histórico. Além do material colhido na sua terra natal, o autor pesquisou em livros e aproveitou estórias contadas pelo pai, que tinha o gosto pelas narrativas orais e guardara na memória os principais eventos da vida paterna. (Geraldo Hasse)

    Entrevistadores Elmar Bones, Kenny Braga, Guilherme Kolling e Naira Hofmeister.

    Elmar – Já é uma tradição, todos os anos fazemos uma edição do jornal para a Feira, uma entrevista com o patrono. Vamos começar do começo…
    Cheuiche – Comigo é difícil começar do começo…

    Kenny – Onde foi tua infância?
    Cheuiche – Em Alegrete, toda ela. Eu nasci, meu pai era militar, veterinário e advogado, e foi transferido para Alegrete. Acho Pelotas uma cidade maravilhosa, mas não tenho infância, não tenho história lá. Até a casa em que nasci, era um sobrado, lembro muito bem, foi demolido. Sou alegretense de adoção. Explico em toda entrevista o seguinte: eu aprendi a ler e escrever lá, são as coisas mais importantes da minha vida, que eu aprendi na escola Osvaldo Aranha, em Alegrete. Aprendi a andar a cavalo, que para mim é muito importante, aprendi a nadar, que eu adoro, aprendi a namorar, que eu parei depois que eu casei, mas namoro minha mulher muito bem, até hoje. Aprendi a dançar, tudo que a criança e o adolescente aprendem. A primeira vez pegar a mão de uma moça no cinema, com 14 anos, dava um arrepio que vinha lá de baixo, era outra época…

    Kenny – Nunca pescou no Ibirapuitã?
    Cheuiche – Pescar! Pescava no Ibirapuitã o jundiá! O jundiá é aquele bigodudo, ele pega a linha e dispara. Era uma sensação maravilhosa. E outra coisa. Pescar para comer o peixe…

    Elmar – Como é esse livro que está sendo lançado, Antologia Poética?
    Cheuiche – São três livros de poesia, esgotados há muitos anos. Continuei escrevendo poesia principalmente para letras em festivais, coisas assim. Inclusive tem uma que a Marlene Pastro canta sobre a Anita Garibaldi que até acho bonita. E aí esse ano, antes de eu ser patrono, o Martins Livreiro me propôs: “por que tu não faz uma antologia, tu tem uma série de poemas…” Resolvi selecionar, tem desde a poesia gaúcha, depois tem a poesia do tempo em que eu morei na França, tem poesia em francês, espanhol. É um bric-a-brac. Mas é bom porque eu gosto muito de poesia, continuo gostando. Só que o romance não dá tempo para mais nada…

    Elmar – E esse poema da Anita foi popularizado em música.
    Guilherme – Tem até o espetáculo A Tomada de Laguna em que essa é a música tema.
    Cheuiche – É… Uma coisa engraçada agora: tem um tio da minha mulher que gosta dar trote. E liga assim: “Aqui é o governador de São Paulo… Aqui é não sei quem…”. E teve uma vez – isso já tem uns seis, sete anos –, eu chego no meu escritório e a minha secretária: “O governador Esperidião Amim ligou”. E casualmente tinha que ligar para nós. Daqui a pouco, toca o telefone “é o governador”. E eu: “Filho dessa!…” (risos). — Mas seu Cheuiche, o que aconteceu? E eu digo: “Ah, governador…” Eu disse um monte de palavrão… E era o governador que queria, por causa da letra da Anita, me convidar para ir à Laguna, que ia haver um grande acontecimento sobre Anita Garibaldi, e que eu autografasse o meu livro da Guerra dos Farrapos. Então, foi assim a minha primeira conversa com o Esperidião…

    Elmar – Então foi só um pedido do Martins…
    Cheuiche – Foi um pedido dele que eu gostei muito de atender. Tanto é que eu mesmo fiz a apresentação do livro. Foi interessante porque eu tive de reler e eu sempre datava os meus livros. Aí um dia o Mario Quintana: “Pára de botar data em poema, Cheuiche. O poema é atemporal. Não tem que botar data nenhuma!”. É claro que eu deixava me influenciar pelo Mario, era o mestre da gente, até hoje é. Mario e Erico são nossos mestres sempre. Aí parei de botar data. Mas agora, pegando os poemas desses livros, aqueles que têm data me ajudaram muito mais, porque tem o local e a data. E como eu morei na França, na Alemanha, viajei… Eu até me casar – depois foi a culpa do casamento – o que eu ganhava era para viajar. Por isso que eu pude fazer muita pesquisa para os livros. O Sepé Tiaraju foi um livro que eu pesquisei na Argentina, na França, na Espanha, procurando documentação. Este do Santos Dumont… Sabe onde estão as melhores coisas sobre Santos Dumont? Nos jornais de Paris da época. Os caras vão procurar nos livros, mas não é nos livros que está. Pois tudo ele chamava a imprensa. A primeira coisa que o Santos Dumont fez foi dar dirigibilidade aos balões. Pela primeira vez botou um motor, e de motocicleta. Porque ele já praticava motocicleta, fez a primeira corrida de motocicleta em Paris, ele que organizou. E aí botou o motor, desenlveu aquele balão em forma de charuto e deu a dirigibilidade ao balão. Fez aquele famoso trecho, que ele até ganhou um prêmio, que em meia hora tinha que andar 12,5 quilômetros e fazer o trajeto, contornando a Torre Eiffel. Tudo está no livro [Nos Céus de Paris – Romance da Vida de Santos Dumont].

    Kenny – Qual a tua explicação para o suicídio de Santos Dumont?
    Cheuiche – Tem duas explicações. O Santos Dumont foi para Paris aos 18 anos, em 1890, e ficou até 1909. Em 1909, ele viveu todos esses anos muito estresse, porque não tinha piloto de prova. Era só ele. Então, teve uma esclerose múltipla. Isso também é hereditário, a tendência ele tinha por parte de mãe. E esclerose múltipla tem vários casos que levam ao suicídio, tanto é que a mãe se matou. Bom, aí, como ele teve essa crise voando no Demoiselle – o Demoiselle já era o ultra-leve, andava a mil metros de altura e a 100 Km/h. Foi o primeiro avião na verdade, em 1909. E toda indústria aeronáutica partiu daí. Aí, ele teve essa crise voando, e conseguiu aterrisar na frente de um castelo, num espaço com não mais de 50 metros. Ele era fantástico! Mas aí levou um susto muito grande… Não voou mais. E aí ele entrou em depressão, foi até pior. E foi continuando assim, não voou mais, veio para o Brasil.

    Cheuiche pesquisou vida e obra de Santos Dumont, em Paris

    Kenny – Muito deprimido ele estava nesse período…
    Cheuiche – Muito, muito… Até que em 1932, quando começou a revolução, ele ia muito ao Guarujá, em Santos, naquela praia, gostava muito. Estava hospedado em um hotel, era o aniversário dele, que era em 20 de julho. No dia 23 de julho ele estava na praia quando um aviãozinho desceu e bombardeou Santos, já na Revolução de 1932, que começou no dia 9 de julho. Isso já era dia 23. E aí foi terrível. Ele voltou, e não se sabe mais…

    Kenny – Ele registrou alguma coisa?
    Cheuiche – Não, mas está registrado que houve esse bombardeio e o pessoal do hotel diz que ele viu, e que voltou muito deprimido para o hotel, foi para o banheiro e se enforcou.

    Guilherme – Teve essa pesquisa para o livro do Santos Dumont, o do Sepé. Como está sua produção?
    Cheuiche – Tenho 10 romances, quase todos históricos, e desses tem dois editados na Alemanha também. Sepé Tiaraju é o romance que tem me dado mais alternativas. Tem umas oito edições em português, uma em alemão, uma espanhol, uma em quadrinhos, que foi feita por um desenhista uruguaio, o José Melgar. Esse ano, que também marca os 250 anos da morte do Sepé, vê como coincidiu para mim, o Internacional e mais todas essas coisas…

    Kenny – O ano da conquista do título…
    Cheuiche – Sabe que encontrei uma carteira minha, quando eu vim morar em Porto Alegre, do Alegrete, eu com 18 anos cheguei e um primo meu me levou ali no edifício do relógio, no Largo dos Medeiros, que era a sede do Internacional. A gente podia entrar como sócio-estudante, sem pagar nada. Carteirinha direitinha, vermelha, com foto… Bom, voltando ao Sepé, tem também a edição em braile, da biblioteca pública. E, aliás, esse ano eu tive uma emoção fantástica. Na Academia de Letras do Rio Grande do Sul, eu coordenei durante sete anos o projeto de cegos. Porque não é só o braile, é também o livro gravado, nós tivemos muitos livros gravados. Agora quem escolhe são eles. Eu me lembro agora quando saiu o filme O Quatrilho, eles se reuniram e tinha uns dias que era um livro só. E aí levantou um cego e disse: “Eu quero O Quatrilho”. Muito bem, eu gosto muito do Pozzenatto, só que nós temos que colocar uma justificativa. Isso era a Aplub que ia pagar. “Que justificativa, Alcy! Eu não vejo o filme, tenho que ler o livro para ter opinião!”.

    Kenny – Tava pronta a justificativa.
    Cheuiche – Quando eu vi o poeta Waldir de Lima, no dia que lançaram o livro do Sepé em braile na biblioteca. Ele levantou e passou a mão, começou a ler acariciando o livro. Bah!… Que emoção!… A literatura vale por isso.
    Elmar – Um tempo atrás teve aquele livro sobre teu avô, não é?
    Cheuiche – Esse livro, deveria ter sido escrito pelo meu pai, que era um grande narrador, mas tinha preguiça de escrever. E era semi-árabe, porque eu já sou 25%. A gente guarda o nome, mas vai havendo a mestiçagem toda. E o meu contava história que era uma coisa de louco. Daí vem a origem da minha paixão pela história. Tenho uma irmã que faleceu no ano passado que era das maiores arqueólogas do Brasil, Lilian Cheuiche Machado. Papai contava, claro, histórias de bicho, brincadeiras e tal. Mas dali a pouco, quando via ele estava contando o Conde de Montecristo. Eu com 10, 11 anos já sabia toda a história. Tudo eu aprendi quando era criança…

    Mas teu pai nasceu no Brasil?
    Cheuiche – Meu pai é nascido no Brasil. Ele é Vargas. Por parte de mãe sou Silva Tavares. É daqueles que ficaram contra a Revolução Farroupilha. O coronel João da Silva Tavares é meu tataravô, que deu a batalha para o General Netto. Papai contava estórias que o vovô contava para ele. Casualmente a nossa cidade do Líbano de origem, eu fui lá – não tem nada em livro meu que eu não tenha ido. Quem faz romance histórico, por exemplo, no Sepé Tiaraju tem um capítulo que é na Ilha de Páscoa. Eu fui lá! Botei a minha mão naquele monolito, nas orelhas compridas, falei com as pessoas, eu fui lá.
    Kenny – E é longe.
    Cheuiche
    – É longe e complicado. Mas eu fui. Isso eu aprendi lendo Hemingway, ele ensina isso. Por que O Velho e o Mar é uma obra-prima? Porque ele ficou 30 anos na corrente do Golfo, ele convivia – o Hemingway não gostava de cerimônia, ele gostava de gente simples. Então ele convivia com aqueles pescadores em Cuba na intimidade, ele sabia tudo. Tem um momento em que o velho Santiago, o pescador, pára de pé. Se ele vai descrever uma tourada, ele passou anos dentro das touradas. Se ele vai para a África num sáfari, ele foi até guia de safári. Então eu aprendi com ele isso, tem que estudar a fundo antes de escrever.
    Guilherme – Tudo documentado.
    Cheuiche
    – Ah, tem que ser. Porque todo o romance, não adianta querer “ah minha imaginação”… Do que é feita uma narrativa? De três coisas: personagem, ambiente e ação. Muito bem, escolheu o personagem? Santos Dumont. Ah, o Santos Dumont. Está ferrado, meu amigo, porque o que ele fez foi em Paris, e tu não pode errar sobre Paris. Tanto que eu não durima nos últimos dias, antes da revisão final desse livro, de medo de ter cometido algum erro sobre Paris daqueles anos. E aí os meus amigos – que eu morei lá por quase quatro anos, eles se mobilizaram. Foram formidáveis. Eu não podia estar viajando para Paris a toda hora, então eu durante esse período eu fui três vezes, em três anos. E aí eu ligava, telefonava, mandava e-mail, fazia os caras procurarem as coisas. Então, isso aí é essencial para o romance, qualquer um…
    Elmar – Isso não é válido para a televisão, porque A Casa das Mulhres foi uma leitura ligeira da Letícia Wierzchowski…
    Cheuiche
    – É, aí houve um outro tipo de tratamento. Acho até que a Letícia não é responsável pelo que está ali. Posso dizer porque não estou criticando a Letícia, de jeito nenhum, ela é minha colega… Quando o Garibaldi recebe aquele gado, para que ele vá embora – porque aquilo ali não valia nada… “Mercernário!”, porque ganhou uns bois. Para mim o Garibaldi é uma das figuras históricas e humanas mais fantásticas que já exisitiu. Era gado nosso. No filme Concerto Campestre, do Henrique de Freitas Lima, ele foi em Santa Catarina, meteu o gado dentro do caminhão, o gado crioulo lageano, levou para Pelotas e fez o negócio correto. E o pessoal da Globo pegou o gado hereford, um gado inglês, cabeça branca, vermelha, todo mundo sabe, gado de Expointer…
    Elmar – E teve o Itaimbezinho também…
    Cheuiche
    – Ah, isso de ir do Itaimbezinho para o outro lado, tudo bem… Agora tem uma coisa que eu quero dizer para vocês. Para o meu livro sobre a Guerra dos Farrapos foi ótimo. Saiu uma nova edição, de bolso… Claro, porque popularizou! Eu recebia telefonema – eu morei 10 anos em São Paulo – conheço muita gente lá, e recebia telefonema. “Alcy, o que vai acontecer, agora? Me manda teu livro”. Tem gente que não agüenta esperar, quer saber. “E aí, o que acontece, ele casa com a Manuela?” E eu: “Que Manuela! O negócio dele é a Anita Garibaldi”. Então, isso aí sacudiu…
    Kenny – Aliás o Josué tem um romance muito bonito sobre essa Manuela.
    Cheuiche – Exatamente, ela morreu velinha em Pelotas, e era conhecida como a noiva de Garibaldi. Coisa bonita fazer um livro com esse título né. “A noiva de Garibaldi”…
    Guilherme – Voltando ao teu pai…
    Cheuiche
    – Voltando ao meu pai, a cidade de Zahlé – não se impressionem que eu não falo nada de árabe, eu aprendi foi só português –, é uma cidade cristã, que fica a 30 km da fronteira com a Síria, no alto da montanha, perto do Vale do Becá. É riquíssima a região. E fui lá verificar as histórias que o meu pai contava. E comecei a estudar a história do Líbano, para ver as histórias que o meu pai contava, como iriam se encaixar. E aí esse livro As aventuras de um mascate libanês. E o meu avô ainda tem mais outra. Ele se meteu na Revolução de 1893.. No livro eu descrevo 1892, um ano antes, eles estão preparando a revolução, ele entra. Claro, tive que estudar tudo. Quase que cometi uma gafe horrorosa, porque eu li num livro, que em 1892 a Igreja das Dores estava com as torres prontas. Vamos descrever: “ele olha e enxerga as torres da igreja, à direita, quando sai do porto”. Mas aí, eu pego uma fotografia de 1901 e ainda não tinha as torres. Tirei imediatamente, e, em vez de olhar para a direita ele olha para a esquerda e enxerga as torres da igreja da Praça da Matriz. Isso não muda nada. No romance histórico o que interessa é recriar os fatos… Agora, não posso botar que tem torre quando não tem. Aí dou uma informação errada e o meu leitor acredita na história. Eu faço o romance histórico mesmo.
    Naira – Como dosar ficção e realidade na criação dos personagens?
    Cheuiche – Na criação dos personagens tu tem duas opções. Por exemplo, um dos livros meus que eu mais gosto chama-se O Mestiço de São Borja. Porque esse livro tem todos ingredientes do romance. E ele tem começo, meio e fim, que é uma coisa muito boa para um romance. Começa em 1930 e termina em 1980. São 50 anos da vida do Brasil, que eu conto através de uma família de origem alemã. E nesse espaço de tempo, a Revolução de 30 foi o divisor de águas político, cultural, social, e tudo que nós quisermos. Uma das poucas revoluções, que mudou alguma coisa no Brasil. Até as profissões foram organizadas…
    Guilherme – E a tua formação como escritor? Teu pai teve essa participação importante contando histórias do teu avô. E o Quintana, como foi a participação dele na tua formação como escritor?
    Cheuiche
    – Fui conhecer o Quintana mesmo aqui em Porto Alegre, eu era guri, vim com 18 anos. Ao Sérgio Faraco e eu, que éramos de Alegrete, ele dava muita atenção. A gente ia lá no Majestic… O Mario Quintana nunca foi de cerimônia. Depois, quando eu comecei a escrever no Correio do Povo, aí sim eu convivi bastante com ele, porque eu ia lá… Tô enxergando o cantinho dele lá no Correio, a mesa dele, com a máquina e ficava naquele cantão dele lá.
    Kenny – Quero voltar ao Sepé Tiaraju. A frase atribuída ao Sepé “Essa terra tem dono”, realmente existiu ou foi atribuída a ele?
    Cheuiche
    – Existem duas teses. Houve esta frase lá no Paraná, em determinado momento, eram índios guaranis no começo. E um índio guarani teria dito essa terra tem dono. E aqui. Em 1750 houve o tratado. Quando chegou aqui a notícia do tratado aqui já tinha um meio ano. De maneira que a guerra começou mesmo em fevereiro de 1753. E o Sepé vai em direção a Bagé, que era território charrua, e ele se acerta com os charruas, para segurar e não deixar eles entrarem, porque ali estava separado o exército de demarcação. Eles não estavam juntos os espanhóis e portugueses. Aí, um capitão encontrou os índios na beira do Rio Camaquã, hoje entre Caçapava e Bagé, e isso está documentado. E ele de repente se viu cercado, as tropas dele porque ele viu o Sepé, que seria o comandante, porque se sabe que ele tinha ido para aquele lado, ele sai da mata e quando os espanhóis avançam, enxergam uma cavalhada que vem correndo, eles não sabem o que é aquilo. Nesse momento que o Sepé teria dito: “Se vocês abandonarem sem luta…” E disse: “Essa terra tem dono, essa terra nós recebemos de Deus e São Miguel de Arcanjo”. Isso está narrado por um jesuíta, padre Miguel de Soto. Agora, eu vou contar uma coisa que me deu uma boa dor no coração, foi no ano passado, quando ia entrar o projeto do reconhecimento histórico do Sepé. O Sepé não é reconhecido como figura histórica riograndense…
    Guilherme – O MST quer adotar o Sepé.
    Cheuiche
    – É o que eu disse outro dia, todo mundo pode adotar, agora tem que adotar certo. O Frei Sérgio Goergen é personagem do meu livro Ana Sem Terra. Porque ele começou mesmo, antes de ser político, era só padre e estava fazendo um trabalho muito bom. No ano passado ele pediu para falar comigo, disse que ia entrar com um projeto, fui lá na Assembléia e sentei com ele. Que me disse “eu vou entrar com um projeto do Sepé, tu me ajuda?”. Eu disse não. Não, porque isso vai virar política e nós não podemos fazer assim. Eu lancei esse livro na Alemanha em quinze cidades, inclusive Berlim. O intelectual europeu conhece as Missões, lê sobre as Missões. Um filme sobre as Missões ganhou uma Palma de Cannes.
    Kenny – Tem vários estudiosos…
    Cheuiche
    – Eles conhecem, conhecem o barroco. Seria extremamente negativo para o Rio Grande do Sul, quando as ruínas de São Miguel são um Patrimônio da Humanidade, e quem construiu a Igreja não Inimigo do Brasil! Ou que não existia.
    Kenny – Mas muitos intelectuais ficaram com o Sepé. Um deles é o Manoelito de Ornellas.
    Cheuiche
    – O Manoelito ficou, daquela época, foram vários que ficaram ao lado do Sepé… Mas eu só quero contar um fato para vocês. No dia que ele entrou com o projeto, me convidaram para ir no [auditório da Assembléia Legislativa] Dante Barone fazer essa conferência. E quando cheguei lá tinha 700 pessoas. Antes de mim falou um índio guarani. E medida que ele falava, em guarani, as pessoas iam levantando. Umas trinta e poucas pessoas levantaram. Aí ele disse em português: “Eu pedi, para todas as pessoas que entendem o guarani que levantassem”. E aí ele me pediu: “não pense só nos índios daquele tempo. Que o Sepé seja um símbolo de valorização dos índios de hoje, que estão aí abandonados, na beira da estrada”. Bah, aquilo me deu um soco no peito…
    Kenny – Em que momento tu te interessou pela vida do Sepé?
    Cheuiche
    – Duas razões me levaram para isso. Primeiro foi o deputado Rui Ramos, alegretense, que era uma figura extraodinária. Grande orador, poeta, foi ele que apresentou o Jayme Caetano Braum. Porque o mãe do Jayme é parente do Dr. Rui Ramos.
    Elmar – Ele tinha um bolicho?
    Cheuiche
    – Lá em São Luís Gonzaga, ele estudou até uma parte, tirou ginásio. O pai dele era professor, Braum, origem de alemães, e a mãe Caetano, que era gente de Campanha, daí vem o parentesco com o Dr. Rui. E conseguiu publicar o primeiro livro depois numa ocasião indicou ele para diretor da biblioteca pública. E aí é que ele começou.
    Kenny – Como é que o Sepé entrou na tua vida?
    Cheuiche
    – Em 1956, eu era adolescente, morava em Alegrete, o Dr. Rui saiu do lado do Sepé. E tinha um médico em Alegrete que foi contra. E era muito culto, muito preparado. Então, eles resolveram fazer no clube fazer o júri, este médico foi o promotor e o Dr. Rui o advogado de defesa. O clube encheu tanto, tanto, que não cabia ninguém mais. Consegui um lugarzinho no canto. O Dr. Rui, que voz, que cultura… Eu não sabia nada de Missões, que não estava no currículo, até hoje é mal colocado. E ele dizia assim: “Eu te defendo Sepé Tiaraju”. E começou a mostrar quem era o Sepé. Porque o Sepé não era cacique coisa nenhuma. Já tinha cento e tantos anos de cultura ali. O Sepé falava três idiomas, tinha cultura, deixou cartas maravilhosas, deixou 16 cartas…
    Kenny – Onde é que estão essas cartas?
    Cheuiche
    – Ah, estão todas guardadas, em museus, tem um pouco aqui, outras na Espanha, e transcritas em livro. Bom, comecei a ler, tinha esse livro Tiaraju, que é um poema em prosa, do Manoelito de Ornellas, e parte muito também da lenda. Eu fui procurando ler e saber. Mas depois eu entrei na faculdade, segui a minha vida e tal, e quando teve o meu primeiro livro de prosa, O Gato e a Revolução, isso foi 1967, eu escrevi isso na Alemanha em 1966, estava morando lá. Em 1967 foi publicado na Feira do Livro. Há 39 anos.
    Kenny – Época boa para estar fora do Brasil…
    Cheuiche
    – Foi acaso… (risos). O Sérgio [Faraco] estava na Rússia, foi dificílimo para ele. Eu que intermediava as cartas para a mãe dele. Mandava a carta, eu trocava o envelope mandava para mãe dele. Recebia a dela, trocava o envelope russo, botava o francês. Depois mandava para o Sérgio. Quando voltei para o Brasil me prenderam. A maior honra que eu tenho é essa prisão. Eu tenho três prisões, tudo por literatura. Essa é a que eu gosto mais.
    Kenny – Intermediador de cartas…
    Cheuiche
    Agora, por que a razão? Ficou na minha cabeça, eu segui lendo sobre o tema, me interessando, fui nas Missões, que era um abandono total… Não tinha estrada, não tinha nada, não tinha cidade, não tinha coisa nenhuma. E aí eu fui para Alemanha e escrevi O Gato e a Revolução e lancei aqui na Feira e foi bem. Vendeu, depois teve a Feira de Alegrete, lá foi o mais vendido, devo ter vendido uns 50 exemplares, uma beleza. Até que veio o Ato Institucional de 1968. A Brigada já tinha me processado, depois suspendeu o processo, aí a Polícia Federal foi lá na Sulina, pegou o que sobrou e picotaram… Aí, eu que estava lecionando na universidade, em seguida eles vieram para cima de mim, me fizeram uma pressão muito forte. Me tiraram os alunos primeiro, eu não podia dar aula, aí eu resolvi me demitir e fui para São Paulo.
    Elmar – E o que era o Gato e a Revolução?
    Cheuiche
    – Era uma história de estudantes universitários, eu fui presidente do Centro Acadêmico da Agronomia e Veterinária É sobre a experiência universitária, em que eu faço uma revolução por causa de um gato. Quem era revolucionário, estava preso. Então, a revolução que eles chamaram era uma revolução de nada, era sim um golpe militar. Então, revolução tem que revolucionar. Aí, eu fui para São Paulo – e por isso que eu digo que tem coisas maravilhosas na vida da gente. Eu alugo um apartamento e do outro lado é a biblioteca pública, por acaso. Olha, eu não conhecia ninguém em São Paulo. Para me virar, arranjar trabalho. Mas aqui eu era comunista e só consegui arrumar trabalho numa empresa americana, a Johnson&Johnson. Depois descobri que eles tinham lido meus livros. E me disseram, “ah, gostei muito de O Gato e a Revolução, tem humor. Hoje tu vai ver é um absurdo, tudo. Aí comecei a pesquisar sobre as Missões, na Biblioteca Pública de São Paulo. E qual foi a minha idéia? Eu tenho que escrever um livro que fale em justiça social, nos índios – o último romance de índio era do José de Alencar. Fizeram uma tese lá em Pelotas, e eu fui convidado até para ir na Biblioteca Pública. E ele me disse: “O seu livro, depois do José de Alencar, foi o primeiro romance de índio no país”. Uma coisa de louco. E sabe como é, José de Alencar é a mais pura ficção. O Guarani dele não é o guarani mesmo. Aí, eu pensei para mim. Se eu escrever um livro com um tema social, vão me cassar de novo. Então eu tenho que escrever um livro que conte a história, porque não houve nenhum momento no mundo uma experiência socialista, cristã, como a dos guarani. Não houve.
    Guilherme – Por isso que o MST quer adotar, em função dessa experiência socialista.
    Cheuiche
    – Pois é, mas a realidade… Eu não tenho nada contra o MST. Eu só não gosto de donos das coisas. O Seu Stédile é o dono do MST. Quando eu comecei a estudar isso, na época da ditadura, não tinha dono, nem a igreja era dona. Ninguém era dono. Nem o Frei Sérgio era dono, levava pau lá. Agora tem dono. E não estão mais fazendo reforma agrária nenhuma. Nem querem mais terra. Não sei mais o que eles querem. Então a realidade é essa. Ter dono não! Então não pode ser dono do Sepé, não pode ser dono de nada. Agora, não pode impedir que vá cultuar, claro que pode. Bom, então eu escrevi o livro, porque me empolgava desde os 15 anos o tema, Dr. Rui, a polêmica toda essa, e porque eu fiquei vizinho da Biblioteca Pública de São Paulo. Depois eu fui por 18 anos vizinho da [Biblioteca Pública de] Porto Alegre. E lá se acha essas coisas, e se vê onde pode ter mais, foi onde eu li o livro do Padre Seppe. Outra coisa, eu tinha estudado alemão, francês, isso me ajudou na pesquisa. O livro do Padre Seppe era em alemão, eu li com dificuldades.
    Kenny – Para fechar eu teria duas perguntas: O escritor tem necessariamente compromisso com a transformação da sociedade ou ele pode ficar indiferente ao que vê diante de seus olhos? E a segunda é a seguinte: O Dr. Brizola está fazendo falta?
    Cheuiche
    – Mas vamos começar pela segunda. Muita falta. O Brizola, no meu entender, agora é a hora em que ele seria presidente da República. Agora sim. O escritor, no meu entender, tem que ter uma posição ideológica. O exercício do partido político é muito complicado, porque daqui a pouco se decide, “olha, nós vamos apoiar o fulano e o senhor é do partido e tem que assinar”. Não, se eu não quero assinar eu não assino. Agora, um escritor sem ideologia… Até porque, ele tem que ter uma linha. Se vocês pegarem meus livros, vão ver que tem uma linha básica. O Gato e a Revolução eram os universitários da minha geração, lutando pela transformação da sociedade. Depois, Sepé, o maior exemplo de socialismo cristão, as Missões. Aí, Guerra dos Farrapos, pode falar o que quiser… “Ah, a Guerra dos Farrapos não ousou do ponto no sentido social”. Sabe que idade tinha o Marx em 1835? 17 anos, nem ele era marxista. E querem que os gaúchos sejam marxistas. Uma das lendas é que Bento Gonçalves não foi um bom general. Graças a Deus. Ele foi uma figura humana extraordinária. O Bento parava quando tinha que parar. Como ele não tomou São José do Norte, quando o vento virou, ele poderia ter tocado fogo em São José do Norte. E ele, não, não vou fazer isso. Até o Garibaldi não gostou. Foi uma atitude extraordinária. Agora, tu acha que o Garibaldi, Bento Gonçalves, toda essa gente ia lutar só pelo preço do charque. Não… Outra coisa que as pessoas esquecem, o Bento Gonçalves não era só general, ele era deputado, a nossa Assembléia foi aberta em abril de 1835. Ele era deputado e era a figura mais importante dos liberais. Então, quando eles fecharam a Assembléia em julho, é que ele saiu a juntar gente para fazer a revolução. O negócio dos escravos. Agora estão querendo atirar o movimento negro contra a Guerra dos Farrapos. Mas meu amigo, pela primeira vez, e quem fez isso foi João Manuel de Lima e Silva, que era tio de Caxias e dois anos mais moço, e está enterrado em Caçapava. O João Manuel de Lima e Silva é uma figura fantástica, porque ele era irmão do príncipe regente e era republicano e teve a coragem de vir para cá fazer uma revolução republicana. Ele que criou o regimento dos lanceiros negros, quando tomaram Pelotas. Ele abriu as senzalas, abriu as charqueadas e disse “vocês estão livres. Agora se quiserem lutar por essa liberdade, tá aqui o fardamento e vamos lutar. Mas não é digno?…
    Kenny – Não tinha que lutar obrigatoriamente…
    Cheuiche – Isso não. Agora, por que eles não terminaram totalmente com a escravatura? Porque se eles fizessem isso, quem iria trabalhar nas fazendas? Esse é um pragmatismo errado, sob o ponto de vista do Rossetti, um ideólogo maravilhoso, gente que vinha da Europa, com idéias. Tentaram fazer. Agora, a Guerra dos Farrapos foi importantíssima, a primeira república do Brasil que durou dez anos, e abriu a catarinense. E daí começou a se ter uma idéia de que o se queria verdadeiramente era um regime federativo, as repúblicas independentes reunidas no Brasil numa federação republicana, que era o desejo deles fundamental. Então, seguindo meus livros todos. Mestiço de São Borja. Mais uma vez, o Osvaldo é uma pessoa idealista, que luta pela ecologia, passa pela morte, o suicídio do Getúlio, o nacionalismo do povo brasileiro. Agora, eu posso errar, não sou dono da verdade, mas tem coerência. Por que o Santos Dumont? Sabe quando é que eu resolvi? Quando eu fiquei sabendo que ele ganhou o maior prêmio quando ele deu a volta na Torre Eiffel, seria hoje algo como R$ 500 mil. Quando ele recebeu aquele prêmio, o que ele fez? Pegou todas as pessoas que tinham trabalho com ele, inclusive viúvas, e distribuiu metade do dinheiro entre todos que tinham trabalhado e estavam trabalhando. A outra metade, naquela época, os pequenos artesãos eram muito importantes para o país, e quando eles ficavam mal de dinheiro empenhavam o objeto. Por exemplo, a passadeira empenhava o ferro, o jardineiro, o material de jardim, o outro o serrote, o martelo. E depois não conseguiam retirar. Ele foi lá, pagou para tirar todos os utensílios de trabalho, e o dinheiro que sobrou ele entregou para distribuição entre os miseráveis, pobres.
    Kenny – Qual tua reação quando ouve dizer que as pessoas ditas nacionalistas são superadas e atrasadas?
    Cheuiche
    Risos…. Olha, só posso dizer o seguinte. Para poder viver num mundo equilibrado, temos que saber defender nossa cultura, temos que saber viver em harmonia com todos, mas temos que ter identidade própria. E saber nos defender. Imaginem que nós no Rio Grande do Sul, que temos essa posição forte, de respeito a nossas raízes…. Uma vez chegou um americano aqui, e eu fui mostrar Porto Alegre, e liguei o rádio no carro e só tocava música americana, uma pior do que a outra. Claro, daqui a pouco eu achei. E ele me disse assim: “Engraçado, essas músicas que eu escuto aqui eu nunca escuto nos Estados Unidos”. Quer dizer nos atiram o lixo cultural…
    Elmar – Para fechar essa entrevista, tens que falar das oficinas literárias, que é um trabalho importante.
    Cheuiche
    – Há cinco anos, senti que estava na hora de passar algumas coisas que eu aprendi na literatura. Eu estava completando 35 anos de literatura, agora estou completando 40 anos, que foi o meu primeiro livro de poemas. E eu senti que tinha muita coisa para passar. E eu já acompanhava o trabalho do Assis Brasil, querido amigo meu, sou um pouco mais velho que ele, mas a nossa carreira literária é mais ou menos da mesma época, e eu admirava o trabalho dele nas oficinas. Então, eu procurei ele lá na PUC e ele me passou todo material. Eu disse: “Assis, eu quero fazer na Urcamp”. O diretor da Faculdade de Comunicação da Faculdade de Bagé, Orlando Brasil, me convidou para dar a oficina. Que seria em Caçapava e Bagé. Falei com Assis ele me deu tudo, 15 anos de trabalho, foi até demais. Eu resolvi adaptar, claro, a minha maneira. E aí fiquei apaixonado pela oficina. É uma beleza, tanto para quem dá quanto para quem recebe, primeiro porque são grupos pequenos, de pessoas que querem estudar, que querem aprender. Eu tive um caso de uma turma com duas alunas, uma com a idade mínima, 14 anos – a máxima não tem, e outra com 84 anos. Ano passado o Ostermann, até na Feira, ele me pediu: “Eu quero essas aí, uma com 14 e outra com 84”. Foi sensacional, o Ostermann fez a entrevista, precisa ver a harmonia daquelas duas pessoas. Ah, e não deixo senhoria, todo mundo no seu primeiro nome, eu sou o Alcy… São umas 10 pessoas, 12 pessoas, no máximo 15 pessoas.

    A obra do patrono

    Alcy Cheuiche publicou seu primeiro romance em 1967 – O Gato e  a Revolução. Oito anos depois lançou Sepé Tiaraju – Romance dos Sete Povos das Missões, que já teve seis edições brasileiras, duas no Uruguai e uma na Alemanha. Ana Sem Terra é seu livro mais popular no país, que totalizou 8 reedições. Com A Guerra dos Farrapos, Cheuiche conquistou o Prêmio Literário Ilha de Laytano. O livro de crônicas Na Garupa de Chronos foi o vencedor do Prêmio Açorianos em 2001.
    Também recebeu os troféus RBS e Laçador para Nos Céus de Paris – Romance da vida de Santos Dumont, que ganha sessão de autógrafos na segunda-feira, 31 de outubro. Nesse dia, o autor estará autografando todos os outros nove romances, a peça de teatro O pecado Original, os dois livros de crônica e os quatro volumes de poesia publicados até hoje. Entre eles o mais recente é Antologia Poética, que a Martins Livreiro lança nesta Feira.

    Livros publicados
    * O Gato e a Revolução (2ª Edição – AGE)
    * Sepé Tiaraju – Romance dos Sete Povos das Missões (6ª Edição no Brasil – AGE, 2ª Edição no Uruguai – Banda Oriental e 1ª Edição na Alemanha – Editora Evangélica Luterana)
    * O Mestiço de São Borja (5ª Edição – Sulina)
    * A Guerra dos Farrapos (4ª Edição – Mercado Aberto, 1ª Edição Pocket – mercado Aberto).
    * Ana Sem Terra (8ª Edição no Brasil – Sulina, 1ª Edição na Alemanha – Editora Evangélica Luterana)
    * Lord Baccarat (3ª Edição – AGE)
    * A Mulher no Espelho (3ª Edição – AGE)
    * Nos Céus de Paris – Romance da Vida de Santos Dumont (3ª Edição Pocket – L&PM)
    * Jabal Lubnàn, as aventuras do mascate libanês (1ª Edição – Sulina)
    * Sepé Tiaraju – Revista em Quadrinhos (3ª Edição – PontoCom)

    Crônica
    * O planeta Azul – esgotado
    * Na Garupa de Chronos (Sulina)

    Teatro
    * O Pecado Original – Mercado Aberto

    Poesia
    * Meditações de um Poeta de Gravata – Esgotado
    * Entre o Sena e o Guaíba – Esgotado
    * Versos do Extremo Sul – Esgotado
    * Antologia Poética – Martins Livreiro Editores

  • Sindicatos e comunidade se unem por segurança

    Manifestação reuniu familiares e colegas do vigilante morto (Foto: Naira Hofmeister/JÁ)

    Naira Hofmeister

    O final da manhã dessa segunda-feira, 6 de novembro, foi de comoção em frente à agência do Banrisul da Ramiro Barcelos. Entre 11h e meio-dia, cerca de 30 pessoas deram as mãos e pararam o trânsito para homenagear Jeferson Santos, vigilante particular do banco, morto há uma semana durante um assalto.

    O protesto foi organizado em conjunto pelos sindicatos dos Vigilantes, dos Bancários e pela própria comunidade, atemorizada com o aumento da violência: “A gente não pode mais nem almoçar despreocupada”, condenou a moradora Beatriz Brutto, referindo-se ao horário do assalto, próximo das 12h.

    A interrupção do trânsito na Ramiro durou pouco, o tempo para um Pai Nosso e uma salva de palmas, que emocionaram a família de Jeferson. “Ele era 1,92 de pura alegria”, lamentou o pai, Altamir Pereira dos Santos. Altamir abre seu celular e lê em voz alta uma mensagem recebida uma hora antes de o filho ser atingido por três tiros. “Um beijo no teu coração, muita paz e amor. Te amo, papai. Um beijo do teu filho Jéferson”. Com lágrimas nos olhos, Altamir lembra que o rapaz não tinha esse costume, o que o deixou apreensivo. “Um pouco mais tarde, liguei para saber se estava tudo bem e ele já tinha ido para o hospital”.

    Já o avô, mesmo consternado com a perda, faz questão de lembrar que o segurança era muito preparado: “Ele tinha curso de defesa pessoal, de transporte de carro forte, entre outras especializações”. E contesta a versão “que deu nos jornais”, de que os tiros que mataram Jéferson teriam saído da arma do rapaz, que teria sido rendido. “Isso foi mal-relatado, é obvio que a arma estava dentro da agência”.

    Presidente do Sindicato dos Vigilantes Privados, Vandro Vargas: “versão da Brigada é parcial”

    O presidente do Sindicato dos Vigilantes Privados do Rio Grande do Sul, Vandro Vargas Pires explica que as recriminações da Brigada Militar publicadas nos jornais – de que a falta de preparo de alguns seguranças particulares resulta no armamento de quadrilhas – é parcial, pois exclui “as armas que eles tomam dos próprios brigadianos, em serviço ou aqueles que fazem bico”.

    “Não tem sentido te darem uma arma e não um colete”

    A união em torno do episódio do vigilante morto trouxe à tona uma discussão que  vinha sendo feita dentro da categoria. “Não tem sentido algum te darem uma arma de fogo e não um colete à prova de balas”, sustenta Pires.

    Um acordo entre as empresas de segurança privada e os sindicatos, válido para todos os estados do país, obriga os funcionários a utilizarem a proteção. A regulamentação deveria entrar em vigor a partir de 1° de setembro, mas “uma manobra dos banqueiros adiou para uma data não prevista”.

    A razão para a atitude, na opinião dos seguranças privados, é econômica: cada colete custa, em média R$1.500 . No Brasil, há um milhão de quinhentos mil vigilantes cadastrados no sindicato. No Estado, são 60 mil: “Fora os irregulares, que são muitos”, conta Pires.

    No caso de Jéferson, a família vai receber uma indenização do seguro de vida do grupo, cujo valor deve ser 50 vezes o salário base do vigilante. Segundo o pai, Altamir dos Santos, o vigia recebia cerca de R$ 700 por mês, mas nesse valor estavam benefícios como adicional de risco de vida.

    Na quarta-feira, 8 de novembro, o Sindicato dos Vigilantes irá realizar manifestação na Esquina Democrática, a partir das 11h.

  • Gaúchos lêem mais na juventude

    Naira Hofmeister

    Pela primeira vez na história do Brasil um estado pesquisa os hábitos de leitura da população. De acordo com o IBOPE – contratado pela Câmara Riograndense do Livro (CRL) para levantar os dados – o Rio Grande do Sul lê quase cinco vezes mais que o resto do país. Enquanto a taxa nacional é de 1,8 livro por ano, no Estado, esse número cresce para 5,5. Estudos semelhantes na América Latina indicam que o índice de leitura no continente é de 2,4 livros ao ano.

    Há ainda outros dois apontamentos destacáveis: 50% dos entrevistados disseram que sua maior motivação é o prazer que a leitura proporciona e ainda que a exigência escolar é um dos responsáveis pela manutenção hábito, que diminui com o avanço da idade. “O incentivo também vem de pais leitores e dos professores”, lembrou o presidente da CRL, Waldir da Silveira. Do público geral da pesquisa, 12% lê para a escola ou universidade, mas a porcentagem aumenta para 35% entre aqueles com até 15 anos, caindo para 21%entre os 16 e 24 anos.

    A pesquisa apontou também que a maior parte da população gaúcha ou lê diariamente ou não costuma ler: ambas opções obtiveram índices de 27%, cada. Entre os objetos de leitura, empate técnico: 70% recorre à jornais, 65% às revistas e 62% se dedicam aos livros. Apenas 21% dos entrevistados procuram leitura no mundo virtual.

    A metodologia do retrato realizado no Rio Grande do Sul foi desenvolvida pela Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (CERLALC) e será aplicada a outros estrados brasileiros e ainda na Colômbia, México e Venezuela. A Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) pretende implantar uma pesquisa semelhante em toda América Latina e no Caribe.

    O relatório divulgado com a pesquisa, assinado por Luis Bernardo Peña Borrero – representante da OEI – faz questão de salientar que esse é um ‘estudo-piloto’. O termo talvez justifique a escolha do reduzido universo de pesquisados: numa população que ultrapassa os 10 milhões de habitantes, foram aplicados 1008 questionários, em 60 dos 496 municípios gaúchos. A amostragem foi definida através de cotas sociais estipuladas pelo IBGE, como a repartição entre homens e mulheres, grau de instrução, idade e renda familiar. O intervalo de confiança estimado é de 95% e a margem de erro máxima é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

    Auto-ajuda não está entre os preferidos

    Contrariando o que editores e listas de mais vendidos afirmam, os livros de auto-ajuda obtiveram apenas o 11º lugar entre os assuntos preferidos pelos leitores do Rio Grande do Sul, num total de 9%. Uma explicação razoável é a de que, em primeiro lugar, com24% estão os livros de religião. Livros infantis, romance, contos e poesia, empatam na segunda colocação, com 20% cada um.

    Outra constatação é que a maior parte da população lê livros emprestados. Um terço dos entrevistados, obtém literatura nas bibliotecas e outro terço, pede a amigos ou conhecidos. Aqueles que vão às compras somam 32% do universo pesquisado.

    Pesquisa deve influenciar políticas públicas

    O estudo vai servir de balizador para as sugestões que a CRL pretende fazer ao novo governo na área de educação e cultura. A discussão deve ser centralizada na polêmica das bibliotecas: “Há mais de 20 anos não temos um programa de atualização do acervo estadual”, condenou Waldir da Silveira. A última aquisição feita por um governador ocorreu na gestão de Antônio Britto (1994-1998), que criou a Estante do Autor Gaúcho nas escolas estaduais, com 30 volumes de literatura regional.

    Segundo os dados da pesquisa, as bibliotecas são referência importante, principalmente para jovens leitores. 35% dos entrevistas costumam freqüentar bibliotecas. O número mais que duplica, quando o universo da pesquisa é reduzido à população com menos idade: entre 11 e 15 anos, 86% utilizam o serviço de empréstimo de livros. Em compensação, pouco mais da metade dos entrevistados (56%) com nível superior de instrução têm esse costume.

    Mais do que ampliar e atualizar os acervos bibliotecários, a CRL defende que a popularização da biblioteca só vai acontecer a partir da criação de pequenas salas de leitura e empréstimo de livros: “Não adianta esperarmos por grandes prédios que têm alto custo, qualquer espaço pode receber uma biblioteca comunitária”, sustentou Waldir da Silveira.

    Silveira anunciou a intenção da CRL de apresentar um projeto nesse sentido: “Vamos instituir bibliotecas em igrejas, sindicatos, condomínios. Em qualquer espaço vago, devemos disponibilizar acesso aos livros”.

  • Em seis programas, o novo jeito de governar

    Yeda: novas práticas para modernizar administração pública (Paulo Pinto/JÁ)

    Helen Lopes

    O slogan que a governadora eleita Yeda Crusius usou na sua campanha – “O novo jeito de governar” – está ligado às práticas que ela deve adotar para modernizar a gestão pública. Yeda pretende administrar o Estado a partir de “programas prioritários de governo” e não mais por secretarias. O objetivo é articular ações entre as pastas para atacar dois antigos males da administração pública: a falta de coordenação e desperdício de recursos materiais e humanos.

    Em princípio, serão seis programas: Plano Estadual de Irrigação; Programa de Elevação do Valor das Exportações (Exporta Mais); Programa de Combate às Desigualdades Regionais; Programa de Combate à Pobreza; Programa de Modernização da Gestão Pública – que será conduzido diretamente pelo Gabinete da Governadora.  O sexto é o Programa de Redução de Mortes por Causas Externas, que visa diminuir o número de mortes por homicídios e acidentes de trânsito. Para acompanhar o desempenho de cada programa, serão implantadas metas com indicadores de resultado e de esforço.

    Para equilibrar as finanças públicas, a nova governadora prometeu reduzir os incentivos fiscais,  terminar com as anistias, buscar recursos internacionais e implantar a nota eletrônica, para reduzir a sonegação.

    Também pretende negociar um teto orçamentário com os outros poderes, implantar mecanismos de permanência do servidor ativo, repor o mínimo de servidores que se aposentarem, exceto para a área da Segurança, e criar o Fundo de Aposentadoria para os novos servidores.

    No seu programa, Yeda ressalta que um dos fatores que levaram o Rio Grande a crise nas finanças é o alto comprometimento com os inativos, que hoje chega a 51% do que o Estado gasta com o funcionalismo. A tucana quer diminuir esse índice, mas ainda não explicou como irá proceder  para atingir 41%, conforme aponta o documento.

    Aposta nas parcerias privadas para retomar investimentos

    Outra proposta de Yeda é colocar em prática as Parcerias Público Privadas (PPPs), que são detalhadas em um capítulo à parte do seu plano de governo. De acordo com o documento, “as PPPs são uma possibilidade para viabilizar projetos de obras e serviços públicos que estão limitados pela capacidade de financiamento do setor público”.

    Yeda pretende recorrer às PPPs para viabilizar o Programa de Irrigação (Agropecuária); realizar a construção e/ou manutenção de presídios (Segurança) e construir casas populares na Região Metropolitana de Porto Alegre (Habitação). Também há quatro projetos da área dos Transportes que serão feitos através das PPPs: Anel Viário Metropolitano; Ligação Ferroviária Porto Alegre – Pelotas; Hidrovia do Sudeste e Adequação Rodoviária de diversos trechos da malha estadual.

    Destacam-se ainda no plano de governo as seguintes propostas:

    Saúde
    • Aumento progressivo dos recursos destinados à área da Saúde até que a obrigação constitucional de 12% seja alcançada;
    • Promover a gestão eficiente do Laboratório Farmacêutico do Estado (LAFERGS), através da cooperação técnica entre Estado e Universidades e da busca de recursos federais e internacionais para reequipar o laboratório.

    Agricultura
    • Formar e apoiar uma rede de pesquisa em Biotecnologia, que contemple a estrutura da pesquisa das universidades do Estado e dos órgãos públicos da área.

    Transportes e sistemas logísticos
    • Estudar a implantação de Sistemas de Pedágios Comunitários e Novos Equilíbrios para os Pedágios de Consórcios que diminuam o custo para o usuário de automóvel e ônibus.

    Indústria, Comércio e Serviços
    • Reativar e dinamizar as Câmaras Setoriais com o objetivo de articular interesses comuns das diferentes cadeias produtivas na formulação da estratégia setorial do Estado, servindo como interface dos setores público e privado.

    Igualdade e Terceiro Setor
    • Realizar campanhas, principalmente através do Programa Saúde da Família, de acompanhamento à gestante e ao recém-nascido;
    • Reestruturar o Conselho de Políticas Públicas da Juventude, regulamentando-o em Lei, dando–lhe caráter consultivo visando elaborar políticas públicas para a juventude, articulações com o movimento estudantil e promover estudos técnicos.

    Cultura
    • Realizar o 1º Censo Cultural do Rio Grande, em apoio ao atual Mapa da Cultura, identificando as características do setor, sua distribuição geográfica, setorial e peso relativo na economia do Estado, trazendo maior clareza no desenvolvimento de programas setoriais e dimensionando a importância socioeconômica da cultura para o Estado;
    • Preservar e aperfeiçoar a Lei Estadual de Incentivo à Cultura (LIC), garantindo o aproveitamento integral dos seus recursos, como elemento central da política de cultura, eliminando o “rito especial”, segundo o qual o mesmo poder concedente do incentivo se coloca, simultaneamente, como captador e gestor do próprio recurso.

    Meio ambiente
    • Criar uma agência ambiental, com caráter executivo, que agregue as funções de planejamento, monitoramento e pesquisa da SEMA, FEPAM e Fundação Zoobotânica.

    Educação
    • Criar um programa específico para suprir a falta de professores de matemática, física e química;
    • Consolidar a UERGS como universidade vocacional para oferta de cursos técnicos profissionalizantes de nível superior, articulados com o desenvolvimento sócio-econômico regional e local;
    • Modernizar a gestão educacional, com a criação de um sistema de metas e indicadores de resultado e esforço, monitorando taxas de repetência, evasão e distorção série-idade e avaliando o rendimento dos alunos e das escolas de ensino fundamental e médio das redes estadual e municipal.

    Segurança
    • Desvincular a Justiça da Segurança Pública, transformando-as em duas secretarias, dando mais autonomia administrativa às instituições policiais. Caberá à Secretaria de Segurança: formular políticas públicas para a área e coordenar a implantação, integrar o trabalho policial e dos demais órgãos vinculados à Secretaria e articulá-lo com as ações das outras áreas do governo, em particular, das áreas sociais, prevenindo a criminalidade.

  • Braskem quer ser mais gaúcha

    Elmar Bones

    Em sua fala no lançamento do anuário RS Sustentável, na Fiergs, Alexandrino Alencar, vice presidente da Braskem, deixou claro que a empresa retoma seus planos em relação ao Pólo Petroquímico de Triunfo.

    Recentemente, a Braskem fez uma investida para assumir o controle da Copesul, a central de matérias-primas do pólo. Foi mal sucedida e, nas manifestações de seus dirigentes, logo a seguir, deu a entender que o pólo do Sul não era mais uma prioridade.

    Depois, à medida que os fatos foram esfriando, o processo foi retomado, mas agora com outra estratégia. O patrocínio do “Porto Alegre Em Cena”, em setembro, foi o primeiro sinal claro de reversão.

    Agora, o discurso do vice-presidente, na Fiergs, foi para não deixar dúvidas. Ele disse que a petroquímica pode ser para o Rio Grande do Sul o que o ferro é para Minas e o Petróleo para o Rio de Janeiro. Mencionou as raízes da Braskem no Estado gaúcho, plantadas há duas décadas, quando o grupo Odebrecht comprou a PPH. Disse que nesses 20 anos a empresa investiu US$ 1,5 bilhão no Rio Grande do Sul.

    Além de dividir o controle da Copesul com a Ipiranga, hoje a Braskem tem no pólo gaúcho a sua mais moderna fábrica de polietileno e polipropileno e seu mais avançado centro de pesquisas, aonde investiu R$ 300 milhões, mantendo R$ 50 milhões por ano. Deste laboratório sairão ainda este ano os primeiros produtos da nanotecnologia feitos na indústria gaúcha.

    Alexandrino lembrou também as raízes de sua família, em Rio Pardo, através de seu bisavô o almirante que lhe deu o nome, Alexandrino de Alencar. Ele, filho de diplomata, nasceu no Rio de Janeiro, mas estudou no Rosário e fez o curso de Química na PUC, onde se formou em 1970, (entre os primeiros engenheiros químicos formados no Estado).

    Para dar uma idéia do porte dos negócios da Braskem mencionou o projeto que será anunciado em novembro – um investimento de US$ 2,5 bilhões em parceria com a Pequiven, estatal venezuelana, para produzir petroquímicos a partir do gás natural.

    Acrescentou que a empresa está disposta a contribuir para o crescimento da economia gaúcha, citou o Programa de Desenvolvimento do Plástico, investimento de alguns milhões de dólares para desenvolver a terceira geração da cadeia petroquímica no Estado.

    A Braskem tem 14 fábricas, todas com certificado 14001. Nos últimos anos,  reduziu 25% o volume de efluentes com resíduos químicos, 4% do consumo de energia e 2% do consumo de água. Tem projetos de educação ambiental, é patrocinador oficial do Porto Alegre em Cena e  do Fórum Mundial de Turismo, que se realiza em Porto Alegre de 29 de novembro a 1º de dezembro.

  • Chegou o livro-agenda Inglês no seu dia-a-dia

    Produto inédito no mercado tem sessão de autógrafos na próxima semana (Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)

    Naira Hofmeister
    A professora de inglês Elisabeth Horn não escondia o nervosismo na manhã desta quarta-feira, 1° de novembro, enquanto aguardava a chegada do livro-agenda Inglês no seu dia-a-dia, sua estréia no mercado editorial brasileiro. “Estou passando mal desde que acordei. Toda a estréia traz expectativa”, confessa Beth, que tem um extenso currículo que vai dos palcos brasileiros à sala de aula.
    A obra, lançamento do JÁ Editores, reúne no prático formato de agenda diversas dicas de inglês apresentadas de maneira criativa e didática. Em cada dia do ano, Beth apresenta um provérbio em inglês, com seu correspondente na língua portuguesa, mais uma dica de gramática. “Sempre digo aos meus alunos para aprenderem uma coisa por dia: ao final de um ano, terão acumulado um conhecimento de 365 regras, o que é uma bagagem muito considerável”, explica.
    No final do livro-agenda, a inédita lista de prhasal verbs com tradução inglês-português, onde a professora exemplifica verbos que mudam seu significado quando combinados com preposições. “Essa idéia surgiu na sala de aula, quando os alunos apontaram que não havia nenhuma tradução dessas expressões”.

    Um exemplo simples é do verso ask. A tradução literal é perguntar, porém, tem significados diversos combinado com preposições. A expressão ask after, por exemplo, quer dizer ‘pedir notícias de”, ask around, “convidar para sua casa” e ainda ask out, que indica “marcar um encontro”.
    São mais de 700 exemplos dessas expressões, que ainda possuem indicações de sua utilização conforme as vertentes britânica e americana do inglês. Algumas, são de uso exclusivo nos países europeus, ao passo que outras, só valem nos Estados Unidos. Outro trunfo da professora é lista de verbos irregulares – sempre utilíssima – que se complementa com a explicação de sua utilização formal ou coloquial, conforme a exigência da situação.
    Beth: “Não podemos nos sujeitar à idade”

    Beth Horn se mantém jovial aos 70 graças à sala de aula

    Beth Horn estréia na publicação de livros aos 70 anos, e sua empolgação é comparável a de um jovem escritor que tem um conto aprovado pelo público. Fala alto, dá muita risada, se exercita diariamente, mas garante que o segredo da jovialidade é a sala de aula. “Brinco com meus alunos que sou vampira: sugo a juventude deles e, em troca, transfiro meu conhecimento”.
    A diferença de idade entre Beth e a turminha desaparece diante do bom humor e da empolgação da professora: “Eu tenho 70, mas não vivo com eles nas costas. Não podemos nos sujeitar à idade que temos”.
    As cartas que guarda com carinho são emblemáticas da importância que Beth tem para seus alunos. “Com você, aprendi muito mais do que inglês, lições de uma vida”, escreveu uma universitária. A professora diz que sua ligação com os alunos vai além da sala de aula. Experiente, ela dá conselhos e participa das conquistas individuais.
    Foi justamente a paixão pela transmissão do conhecimento que levou à idéia da publicação: “Assim, posso atingir um público muito maior”. Professora “vocacionada”, como se refere, Beth diz que não vai parar nunca: “Não existe aposentadoria para esse tipo de professor, sempre que houver uma ocasião, vou querer difundir meu conhecimento”.
    Bagagem para isso não falta. Beth é uma biblioteca ambulante. Fala fluentemente cinco idiomas – português, inglês, espanhol, francês e alemão – além de “se defender” em outros três: italiano, latim e húngaro.
    Sua formação em letras incluiu duas passagens pela faculdade da UFRGS. “Quando estava quase me formando na primeira vez, abandonei a universidade e retornei 10 anos depois. Aí, o currículo havia mudado e cursei tudo de novo”. Para finalizar, ainda estudou mais um ano na PUC, onde finalmente, obteve a licenciatura.
    O intervalo nos estudos não significou, contudo, parar de aprender. Nesse meio tempo, ela viveu entre a Europa e a África, “Curtindo umas longas e deliciosas férias de 10 anos”. Também morou no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde trabalhou como atriz de filmes e espetáculos teatrais.
    A professora autografa o livro-agenda Inglês no seu dia-a-dia na quinta-feira, 9 de novembro, às 17h30, na praça de autógrafos da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre.

  • Santiago: o homem que conhece o Mário

    Cartunista sofreu verdadeiras sessões de tortura para reunir as piadas (Foto: Tania Meinerz)

    Naira Hofmeister

    Conhece o Mário? A piada é velha, mas ainda tem muita gente que cai. Tanto que a capa do livro (L&PM, 2006, R$ 8) traz o alerta: “Pequeno e utilíssimo dicionário de empulhas e pegadinhas”. Menos fruto de pesquisa do que de vivência, a antologia de sacanagens leva Santiago de volta às rodas de chimarrão que freqüentou na cidade natal, onde, “quando chovia e nada se tinha para fazer, os homens se reuniam para testar suas frases engenhosas e provocar os companheiros”.

    O volume, com pouco mais de 108 páginas reúne cerca de 200 empulhas que o cartunista coletou: algumas ele jamais esqueceu, outras vieram de colaborações de “seríssimos e austeros pais de família”, como os colegas Kayser, Guaraci Fraga e Edgar Vasques. A atualização também demandou freqüentes idas aos butecos que, segundo Santiago, substituem muito bem as reuniões no rancho.

    Munido de lápis, papel e um copo de cerveja, Santiago registrou todo o tipo de brincadeira entre os amigos. Homens, todos. “O livro deveria ter uma tarja: ‘proibido para mulheres’”. Respeito com as damas? Não. “É que elas não entendem nunca e se torna ainda mais engraçado quando a brincadeira é velada”, caso que também ocorre quando a empulha é aplicada ao patrão. “Acaba tendo um sentido de vingança”.

    Brincadeiras à parte, Santiago reconhece que a prática da empulha é machista. “É uma afirmação entre homens, um território a ser preservado”. Paradoxalmente, a brincadeira maliciosa deve ter, obrigatoriamente, cunho sexual. “É engraçado porque remete ao universo da homossexualidade, porque sempre um que tenta comer o outro”.

    Para organizar a coletânea, o autor se submeteu a consecutivas sessões de tortura perante os amigos. “Fiz muito papel de idiota para aprender”. Ele garante que essa é a regra principal do empulhador, tem que cair na pegadinha para poder passar adiante. “Se não, o cara não vai te explicar”.

    É o que acontece com uma piada da série ‘conheces o fulano’. Numa nota, Santiago explica que a pergunta “Conhece o Nivrinhas?” era usada pelo sogro do Kayser, que morreu sem revelar a resposta. “Virou uma espécie de Rosebud das pegadinhas”, referindo-se ao filme Cidadão Kane, de Orson Welles, cuja narrativa envolve a busca de um repórter pelo significado da palavra dita pelo protagonista antes de morrer.

    As piadas são divididas por temática. Desde a categoria do nome próprio, como a que dá titulo ao livro, as de tempo (“Quente fez hoje, mas quente fará amanhã”), de bichos (“O cão que late na água, late em terra?”), de comidas e bebidas (“Se eu cozinho, é só prá mim”), e as ‘do verbo dar’ (Se tu pegares essa rua, onde é que tu vais dar?), entre outras 12 espécies diferentes.

    O último capítulo é dedicado às empulhas modernas, criadas por mentes maliciosas dos grandes centros urbanos, que dão seqüência à tradicional brincadeira dos pampas: “Se tu tens internet, eu posso botar no teu e-mail?”.

    Santiago também ilustra grande parte das engenhosas frases. “Nesse tipo de desenho não posso jamais contar o final, porque o grande momento da empulha é a surpresa”, alerta. O cartunista ainda dá uma de bonzinho e explica algumas brincadeiras no livro, “para aqueles que não estão familiarizados com a empulha” e fornece os contra-venenos para o sujeito não ficar com cara de tacho diante de uma pegadinha.

    A piada que ilustra o título do livro, por exemplo, pode ser rebatida com “O Mário trocou de nome e agora tá comendo os otários”, ou ainda “O Mário trocou de profissão e tá comendo adivinhão”.

    O livro é um sucesso tremendo: vendeu os 4 mil exemplares da primeira edição em 15 dias e está sendo reimpresso para o lançamento na 52ª Feira do Livro. Para a ocasião, Santiago não teve tempo de atualizar as brincadeiras.

    “Achei que tinha esgotado as listas, mas já recebi contribuições desde a publicação”. O cartunista revela uma delas, com exclusividade: “Se tu tem um caminhão e tem que levar uma carga de ferro, tu prefere levar ferro até em Tupi ou levar ferro até em Joar?”.

    Santiago autografa Conhece o Mário? na quarta-feira, 1° de novembro, às 18h30. Pode ir pra fila tranqüilo, leitor, mas abre o olho com quem vem atrás.

  • Prefeitura apresenta primeira parte da nova licitação do lixo

    Helen Lopes

    A Prefeitura de Porto Alegre apresentou nesta terça-feira, 31 de outubro, em audiência pública, as regras para a nova licitação da limpeza urbana. Os primeiros editais serão para coleta de resíduos sólidos e capina das vias públicas e irão custar R$ 34 milhões por anos aos cofres públicos. Em cinco anos, tempo de vigência dos contratos, esse valor chegará a R$ 171 milhões – mais da metade da quantia estimada no certame cancelado que era de R$ 305 milhões.

    Para dar mais competitividade e evitar as suspeitas de favorecimento de grandes empresas, a coleta de resíduos sólidos foi dividida em três contratos: coleta domiciliar, de resíduos públicos e especial.

    Entre as exigências da coleta domiciliar está a adequação dos equipamentos para entrar em vilas populares, becos e vielas. O custo estimado desta licitação é de R$17 milhões por ano. A tonelada coletada passará de R$ 53,88 para R$ 64,71, o que representa um acréscimo de 20% no valor pago atualmente.

    De acordo com o coordenador do grupo de trabalho que formulou as orientações, Roberto Bertoncini, a elevação se deve a variação dos impostos, custos operacionais da empresa e redução da quantidade coletada.

    A coleta de resíduos públicos irá abranger o recolhimento e o transporte dos resíduos da varrição, roçada das vias públicas, áreas verdes, praças e parques, limpeza de terrenos baldios, de órgãos públicos, de praias, de córregos e por mutirões de limpeza. O serviço também ficará responsável pela coleta de materiais dispostos irregularmente em vias públicas.

    Este contrato deve custar anualmente R$ 7 milhões – o que representa um aumento de 61%. Hoje a Prefeitura gasta R$ 49,80 por tonelada coletada, com o novo contrato passará a pagar R$ 69,29. Bertoncini justifica que a variação se deve a ampliação do serviço e ao aumento dos custos dos insumos e mão-de-obra.

    A coleta especial, que hoje é feita por servidores do DMLU, será totalmente terceirizada. O serviço inclui a coleta manual e mecanizada dos resíduos sólidos de estabelecimentos comerciais, industriais e de prestação de serviços.

    O outro serviço licitado será a capina em vias públicas, que excluirá os bairros Centro, Bom Fim, Farroupilha, Cidade Baixa e parte do Marcílio Dias, Floresta, Independência, Azenha, Menino Deus e Praia de Belas, devido ao grande número de veículos estacionados. Esta é a única licitação com valor estimado menor do que o gasto atualmente – passará de R $450,00 por km de sarjeta capinada para R$ 347,48.

    Em todas as licitações será vedada a formação de consórcios. Os editais serão desenvolvidos pela área de Compras e Serviços da Secretaria Municipal da Fazenda e lançados a partir de 24 de novembro.

    Até 2008, estão previstas outras cinco licitações, contemplando os serviços de varrição mecanizada, varrição manual (zona norte), lavagem de logradouros públicos, manutenção urbana (zona norte) e limpeza de monumentos; construção dos ecopontos; destino final dos resíduos sólidos; coleta seletiva e dos resíduos dos ecopontos; e transporte dos resíduos da estação de transbordo para o destino final.

    Privatização

    Os funcionários do DMLU e representantes do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (SIMPA) alertaram que a total terceirização dos serviços do órgão será irrecuperável a longo prazo. “Os funcionário estão sendo deslocados sem consulta ou se obrigam a sair por pressão”, denunciou o dirigente do SIMPA, Raul Jacoboni.

    Para os vereadores Sofia Cavedon e Carlos Comassetto, ambos do PT, o processo está mais transparente, mas é necessário mais esclarecimento sobre os gastos desses novos serviços e as funções que caberão ao DMLU.”Pelo números apresentados, os custos vão dobrar”, afirma Sofia.

    Conforme o novo modelo de limpeza urbana, o DMLU ficará responsável pelos serviços de operação e manutenção de inertes, monitoramento dos aterros Extrema e Norte, operação da estação de transbordo e operação dos ecopontos.

    Reciclagem

    O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) questionou se as empresas contratadas terão direito de separar o lixo. Bertoncini assegurou que as prestadoras de serviços não terão propriedade sobre o material e que a Prefeitura encaminhará discussão sobre os galpões de reciclagem e as carroças em novembro.

  • Conflito entre índios e moradores no Morro do Osso esquenta


    Cacique: “Quero mais respeito” (Foto: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Moradores do bairro Tristeza prometem agitar o movimento contra a presença dos índios Kaingang no Parque Natural Morro do Osso. Eles não querem que a comunidade indígena more na entrada do parque, apesar da permissão da Justiça Federal. “Vamos nos reunir para ver como agir” disse ontem ao JÁ o publicitário Alfredo Fedrizzi, que no sábado passado teve um incidente com o cacique Jaime Alves, quando passeava no parque.

    Sócio-diretor da Escala Comunicação & Marketing, Fedrizzi estava acompanhado de sua filha de 16 anos e segurava dois cães da raça Fila, que são treinados para proteger a sua mansão nas proximidades do parque. Ao entrar na área verde pela rua Padre Werner, onde os índios tem as suas casas de madeira, os cachorros chamaram a atenção das crianças indígenas.

    O publicitário diz que apenas pediu para que elas não chegassem perto porque os animais poderiam morder. Mas o cacique entendeu como uma ameaça. “Vi ele dizendo para saírem de perto se não ia soltar os cachorros. As crianças só estavam brincando”,diz.

    Na volta da caminhada, o chefe da tribo abordou Fedrizzi para saber porque ele tinha ameaçado as crianças. “Fui mostrar quem manda na tribo e pedir mais respeito”, justifica o cacique. A conversa acabou em bate boca e acusações. “Ele ameaçou chamar a policia e eu disse: então chama”, afirma Jaime. Só que a Brigada Militar demorou mais de uma hora para chegar no local.

    Enquanto isso, a filha de Fedrizzi foi para casa chamar a mãe. O publicitário queria ir embora, mas o cacique disse para ele ficar. “Se ele chamou a polícia tinha que ficar até eles chegarem”, diz. Ambos realizaram boletim de ocorrência. O índio por “maus tratos às crianças” e o empresário por um suposto seqüestro relâmpago. “Fui impedido de sair”, justifica.

    Briga de vizinhos?

    O episódio reflete o clima tenso entre índios e moradores, que começou com a ocupação da tribo em 2004. Na época, o secretário do Meio Ambiente, Beto Moesch, entrou em atrito com os índios e foi agredido.

    Com o apoio do secretário e das associações de bairro, os moradores alegam que “o parque é para todos” e que eles não tem direito de morar ali. “O cacique disse que eu tinha que pedir permissão para entrar no parque”, protesta Fedrizzi.

    Do outro lado, Jaime discorda: “Só pedi mais respeito quando ele passar por aqui”. Ele lembra que muitos moradores do bairro tristeza “sempre cumprimentam quando passam pela tribo”.

    Os índios alegam que o Morro do Osso, uma área de alto valor imobiliário, tem resquícios de artefatos de índios, e, portanto, poderia ser transformado em reserva indígena. A Justiça Federal autorizou no inicio do ano que eles permaneçam onde estão enquanto é realizado um laudo antropológico. A justiça também negou o pedido da Secretaria Municipal do Meio Ambiente para que as crianças fossem retiradas das suas famílias. A secretaria disse que elas andavam de pés descalços, e por isso estariam mal cuidadas.

  • Gre-Nal da literatura na Feira do Livro

    Naira Hofmeister
    A partir das 17h30 dessa segunda-feira, 31 de outubro, gremistas e colorados farão um clássico diferente: ao invés da bola, a caneta. Não no campo, mas no papel, dois ilustres representantes das maiores torcidas de futebol do sul do país autografam seus livros na 52ª Feira do Livro de Porto Alegre. A rivalidade entra em campo e antecipa o confronto Gre-Nal pelo Brasileirão, que acontece no próximo domingo, em Porto Alegre.
    Kenny Braga defende INTER, Orgulho do Brasil (JÁ Editores, 200 páginas R$ 24,00) e Luiz Zini Pires, 71 segundos – O Jogo de uma Vida (L&PM, 118 páginas, R$ 18,00). O colorado entra ‘em campo’ às 17h30, exatos 120 minutos antes do adversário tricolor.
    Apesar da temática comum, as obras diferem entre si. Kenny Braga narra uma história que dura quase cem anos, atravessando os clássicos momentos do Internacional de Porto Alegre: as primeiras reuniões, nos idos de 1900, o time do Rolo Compressor na década de 40, a construção do Gigante da Beira Rio e a recente conquista da Copas Libertadores da América, em agosto desse ano. Kenny lista 25 perfis de joagdores, técnicos e dirigentes que marcaram a trajetória do clube, entre eles, Ildo Meneghetti, Tesourinha, Figueroa, Falcão, Rafael Sobis e Fernandão.
    Já Zini Pires se atém aos minutos passados no Estádio dos Aflitos – nome que o próprio autor refere como profético –, na final da série B do Brasileiro de 2005. Na partida o Grêmio sagrou-se campeão e retornou ao grupo principal do futebol brasileiro, operando um milagre em campo. Os gremistas já estavam incrédulos quando, aso 60 minutos do segundo tempo – após paralisação e da expulsão de 4 jogadores – o meia Anderson marcou conduziu a bola do meio de campo até o lado esquerdo do gol adversário e marcou: 1 X 0.
    Resta aos torcedores empunhar a bandeira, colocar o livro embaixo do braço e não esquecer o radinho, porque a mídia garante que não vai perder um lance do confronto.