Naira Hofmeister
Serão 668 sessões de autógrafos na 52ª Feira do Livro de Porto Alegre, que perfazem um total de 713 títulos. Cerca de 1.600 autores estarão no evento – não apenas lançando novas obras, mas participando de debates e oficinas.
Frei Betto, intelectual e religioso que chegou a ocupar um cargo no governo Lula, autografa A Mosca Azul, da editora Rocco. Na obra, uma revisão da ascensão do PT ao poder vinculada à recente história da esquerda no Brasil e no mundo.
O autor Daniel Galera lança Mãos de cavalo, pela Companhia das Letras, um romance sobre memória, perda e culpa, que envolve três personagens aparentemente desconexos.
A Objetiva traz a Porto Alegre Nelson Motta, que autografa a ficção Ao som do mar e À luz do céu profundo. No efervescente Rio de Janeiro de 1960, a chegada de uma garota americana louca por futebol, carnaval e lança-perfume muda a vida do pacato Bairro Peixoto, pequena cidade encravada em Copacabana.
Outro jornalista, Fernando Morais, autografa Na Toca dos Leões – A história da W/Brasil. Nesta reportagem, o mundo da publicidade é mostrado sem maquiagem. De suas quase 500 páginas emergem sucessos, polêmicas, acusações de traições, segredos até agora guardados a sete chaves e dramas pessoais, como o seqüestro de Washington Olivetto, revivido em detalhes que permaneciam inéditos.
A Feira recebe ainda Caco Barcellos, que autografa O Abusado, da Record, narrativa que tem como protagonista Marcinho VP, ‘dono’ do Morro Santa Marta, e Carlos Dorneles, autor de Deus é inocente, a imprensa não, da Editora Globo.
Ivan Izquierdo lança Releituras do óbvio, pela editora da Unisinos. Na obra, o pensador argentino expressa sua opinião a respeito dos mais diversos assuntos, desde inquietações filosóficas a questões sobre memória; sua preocupação pela língua portuguesa, seu desprezo pelas ideologias e sua oposição a toda e qualquer guerra ou totalitarismo.
Veja os destaques de algumas editoras:
AGE
A AGE Editora terá 43 lançamentos. Na onda do filme What the bleep we really are?, Moacir Costa de Araújo Lima apresenta em seu livro Afinal, Quem Somos!, que traz respostas surpreendentes sobre o que é realidade; quanto dela percebemos; como aumentar nossa percepção e qual o grau de influência de nossa consciência nos acontecimentos. A editora também apresenta uma investigação dos aspectos mais salientes da obra de Erico Verissimo, vistos tanto sob a roupagem poética, como também sob a luz da retórica, apresentada por Fábio Lucas, em seu livro Ética e Estética de Erico Verisimo. Em Rapsódia em Berlim, Pedro Stiehl apresenta sete contos com histórias independentes. O autor divide a obra em narrativas urbanas, “perspectiva amorosa”, e rurais, “perspectiva gaúcha”.
L&PM
A editora protagoniza 17 sessões de autógrafos, entre elas, Nos Céus de Paris, obra do patrono da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre, Alcy Cheuiche, cujo personagem principal é Santos Dumont, brasileiro que ficou conhecido mundialmente ao dar pela primeira vez a volta na Torre Eiffel com um dirigível. Seguindo a linha histórica, O crepúsculo da arrogância, de Sergio Faraco, relata a combinação de erros, pretensão, arrogância e desinformação que resultou na tragédia mais improvável do início do século XX: o naufrágio do Titanic. Ainda na lista de autores da casa, Cláudio Levitan, com Pimenta do reino em pó, e os campeões de vendas do ano passado Jose Antônio Pinheiro Machado, autor de Receitas da Família e Dr. Fernando Luchesse que participa com Fatos & Mitos sobre sua saúde.
Tomo Editorial
Encontros com o Professor: cultura brasileira em entrevista vol. 1, que documenta a série de entrevistas de Ruy Carlos Ostermann com 22 nomes da cultura gaúcha, entre eles, Luiz Antônio de Assis Brasil, Carlos Gerbase, Luís Augusto Fischer, Moacyr Scliar e Lya Luft. O volume dedicado à Platão, da série Filosofinhos, leva para a linguagem infantil o pensamento do grego, que foi discípulo de Sócrates.
Sulina
Comunicação Monoteísta, de Álvaro Larangeira, compara os discursos do Partido dos Trabalhadores e da Rede Brasil Sul. Segundo Larangeira, na aparência são incompatíveis, na essência, semelhantes e na pratica, complementares porque possuem visão de mundo monocórdia. Histórias passadas dentro de um táxi compõem Taxitramas, de Mauro Castro, condutor e, agora, escritor. Quem espera, no entanto, encontrar no livro um relato puro e simples do dia-a-dia de um taxista pode ter algumas surpresas. O escritor utiliza uma linguagem bem humorada e narra situações que vão do drama à comedia.
WS Editor
Quintana, poeta ou personagem? Um seria maior que o outro? Mario Quintana – uma vida para a poesia, de Luís Augusto Fischer e Sérgio Luís Fischer é um livro que aproxima o leitor do grande poeta, que terminou sua vida, consagrado entre os gaúchos. Mas o início da carreira, como narram os autores, foi duro e solitário. Quintana trabalhou como tradutor e jornalista e teve uma experiência militar na Revolução de 30.
A novela A História do Goleiro Inviolável, de Gabriel Neves Camargo, narra as estórias de um atacante fracassado e impotente sexual, decidido a se matar que acaba marcando o único gol que sofreu o goleiro inviolável. Dois homens que se confrontam, sem imaginar o quanto um depende do outro para realizar seu destino. Em Um Retrato a lápis, Cristina Foresti Piccoli, traz uma narrativa psiquiátrica cujo personagem principal é Michel, um homem que busca se encontrar e entender quem realmente é.
JÁ Editores
JÁ Editores faz sua maior participação na Feira do Livro de Porto Alegre, depois de cinco anos participando do evento. Além dos autógrafos de Kenny Braga, com INTER, Orgulho do Brasil, e de Maria do Carmo Campos e Martha Geralda Alves D’Azevedo, autoras de Protasio Alves e o seu Tempo, 1859-1933, a editora lança quatro novos títulos e reedita a obra Lanceiros Negros, de Geraldo Hasse e Guilherme Kolling, que teve a primeira edição esgotada.
O resgate da trajetória do jornalista Carlos Reverbel, realizado por Elmar Bones e Cláudia Laitano resultou em Carlos Reverbel – textos escolhidos, uma compilação de crônicas, reportagens, ensaios e três livros inteiros. Ayrton Centeno assina o primeiro volume da Coleção Vidas da editora, com a publicação do perfil de Henrique Luís Roessler, em Roessler – O Primeiro Ecopolítico. Geraldo Hasse também autografa Eucalipto – Histórias de um Imigrante Vegetal, que traça a trajetória da monocultura mais debatida nos últimos anos no Estado.
A professora de inglês Elisabeth Horn apresenta o livro-agenda, Inglês no seu dia-a-dia, em que para cada dia do ano há um provérbio em inglês e seu correspondente em português e uma regra de gramática. Também traz uma listagem de verbos irregulares e outra, de phrasal verbs (relação de expressões nas quais alguns verbos ganham significados diferentes quando combinados com preposições).
Autor: Elmar Bones
Feira do Livro é palco de 700 lançamentos
Está aberta a temporada do livro na Praça da Alfândega

Sineta marcou abertura oficial da Feira 2006 (Fotos: Cristine Rochol/PMPA/JÁ)
Naira Hofmeister
O Armazém B do Cais do Porto se transformou, no final da tarde dessa sexta-feira, 27 de outubro, no palco do cerimonial de abertura da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre e recebeu convidados – ilustres e anônimos – da chamada ‘festa do livro’, que segue até 12 de novembro no centro de Porto Alegre.
Simpático e simples, o mestre de cerimônia, Alcy Cheuiche cumpriu sua função, atendendo às inúmeras solicitações da imprensa, deixando claro que a ordem das entrevistas era ‘por chegada’. Frei Rovílio, que se despedia do cargo, também foi muito requerido antes do início da solenidade.
Às 17h45, uma apresentação de Taekô – um enorme tambor japonês – abriu os festejos, lembrando o país homenageado dessa edição. Alunos surdos da escola Frei Pacífico interpretaram na linguagem de sinais os hinos do Brasil e do Rio Grande do Sul.
Entre os discursos, o primeiro, do presidente da Câmara Riograndense do Livro, Valdir da Silveira, lembrou a pesquisa encomendada pela instituição – que divulga os resultados na terça-feira, 31 – sobre índices de leitura e escolaridade no Rio Grande do Sul: “Sabemos que temos um Estado leitor e realizamos a feira para incentivar a formação do público. Mas também que o saber não está ao alcance de todos”. Silveira defendeu uma “guerra em favor da educação”, dando a deixa para Presidente do Instituto Gerdau, Beatriz Johannpeter, lançar a campanha “Todos pela educação”, que enfoca a melhoria do Ensino Básico no Brasil.
Poesia nas falas dos patronos
Frei Rovílio, patrono da edição 2005 do evento, subiu ao palco para a passagem oficial do cargo a Alcy Cheuiche, que capitaneia a 52ª Feira do Livro. O religioso lembrou que o território da Praça dos Jacarandás, ou da Alfândega, é do livro, mas que a literatura não se restringe mais ao meio físico das páginas e das prateleiras. “A palavra busca espaço, e encontra no Orkut, nos blogs e em outras ferramentas da Internet”. Lembrou que nem todos sobrevivem à seleção editorial, que nem sempre se orienta pela qualidade da publicação, mas que no “palco virtual, todos são autores”.
Quando subiu ao palco, Alcy Cheuiche invocou “Vossa Excelência Mário Miranda Quintana, para, em seu nome, saudar a todos os presentes”. Cheuiche também demonstrou a habilidade da narrativa oral, herdada do pai, numa metáfora sobre a poesia e o talento do colega.
“Em outubro de 1906, três meses antes de o 14 Bis subir um pouquinho ao céu, um homem desceu voando em Alegrete e, com seu poder, atravessou as paredes de uma casa, ate chegar ao berço onde dormia um bebê de olhos azuis”. Continuou a história, revelando que o ‘anjo’ era Mercúrio, deus romano do comércio, que levou o menino ao Monte Olimpo, morada de todos os deuses. “Lá reunidos, eles decidiram o que seria feito daquela criança, que estava destinada a ser um grande entre os homens”. Ceres – divindade que representa a fertilidade – pediu que o menino fosse agricultor, Esculápio, que fosse médico. “Até que Apolo perguntou porque tanta discussão, se o garoto havia nascido poeta”.
A metáfora de Cheuiche terminou com a mensagem de que a poesia atravessa as barreiras e pediu que na Feira que nasce na beira do Guaíba, a luz do mais belo pôr-do-sol, iluminasse o evento.
Após os discursos do prefeito de Porto Alegre José Fogaça e do Governador Germano Rigotto – que entregou aValdir da Silveira um documento publicizando o patrocínio de R$ 660 mil da LIC e outros R$ 150 mil do Banrisul ao evento –, finalmente a tradicional cena que inicia a do Livro na Praça da Alfândega: o Xerife e sua sineta andaram por entre as barracas, levando aos ouvidos de todos, aquilo que já estava claro nos olhos que percorriam os títulos em exibição. Está aberta a temporada do livro na Praça da Alfândega.
Marilena Chauí propõe fortalecimento da mídia alternativa

“Durante quatro anos, o presidente da República e o governo foram submetidos a um bombardeio” (Fotos: Helen Lopes/JÁ)Helen Lopes
A filósofa e professora da Universidade de São Paulo (USP) Marilena Chauí esteve em Porto Alegre nesta quarta-feira, 25 de outubro, para realizar palestras em universidades. Ela falou com jornalistas na sede no Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Estado.
Sem dar declarações à grande mídia desde o ano passado, Marilena criticou a atuação dos veículos nacionais na cobertura das eleições 2006 e propôs o fortalecimento da imprensa comunitária e alternativa, inclusive, através de subsídios do governo federal.
Portando uma pasta azul, com documentos e as duas últimas edições da revista Carta Capital, a professora afirmou que os ataques da imprensa ao governo Lula começaram no dia dois de janeiro de 2002. “Nunca em toda minha vida vi uma coisa igual. Durante quatro anos, o presidente da República e o governo foram submetidos a um bombardeio”, disse.
Para Marilena, as acusações “raras vezes eram a ações governamentais, mas sim dirigidas a pessoa do presidente ou a de algum ministro”, o que evidencia, na sua avaliação, um corte de classe. “É a luta de classes, no seu sentido marxista. Porque existe um conjunto de senhores do poder, do capital, contra um governo que, do ponto de vista da esquerda deixou muito a desejar, mas do ponto de vista da direita, fez mais do que o povo brasileiro merecia”, analisa a filósofa. “Chegaram até a tipificar o eleitorado de Lula: pretos, pardos e podres. E também os não instruídos”.
“Uma jornalista chegou a escrever que estava acontecendo um fenômeno preocupante para a democracia: o fato do povo estar contra a opinião pública. Esse idéia representa que a opinião pública é propriedade de um conjunto de intelectuais, jornalistas e empresários, detentores da verdade sobre a realidade social do país”, pondera.Na análise da professora, o denuncismo da mídia está “ligado ao fato de que o PFL e o PSDB não admitiram a eleição do presidente Lula”. Para Marilena é uma crise midiática que contou com a contribuição de alguns dirigentes do PT de São Paulo. “Eles ajudaram no desastre, nisso são imbatíveis”, ironiza.
“A mídia produz o espetáculo e não permite que, em nenhum instante, as questões que subjazem a argumentação política possam aparecer. Por exemplo, até hoje, ninguém sabe porque o Roberto Jefferson criou aquele caso”, observa.
Para Marilena, “não há como mudar a posição da grande mídia”. “Nem com a concessão máxima que este governo fez com a TV digital.” Ela enfatiza, porém, que a comunicação é o coração de uma sociedade democrática.
“Se não houver circulação de informação, se não houver conflitos que se exprimam, não há democracia”, entende. E alerta para o que acontece nos dias atuais. “A comunicação se tornou uma questão totalmente tecnológica e o conhecimento, uma força produtiva do capital. Assim, a informação se tornou uma força econômica e um poder”.
A única solução para contrapor a padronização de pensamento e democratizar a comunicação “está na mídia alternativa, que esse governo não ajudou e precisa ajudar”, acredita. A filósofa propõe que, no caso de um segundo mandato, o presidente Lula ajude a estabelecer canais efetivos de comunicação comunitária. “Subsidiar a mídia comunitária e promover toda rede de uma estrutura alternativa é que temos que exigir”, defende.

“Não há nada a fazer em relação ao comportamento da mídia, pode-se fazer o que eu tenho feito. Não dou entrevistas, não me relaciono. Eles não são meus soberanos”Restrições à grande imprensa
Marilena Chauí é um dos mais importantes nomes do pensamento político brasileiro. Escreveu títulos como O que é Ideologia e Convite à Filosofia.
Desde 2005, a professora não dá declarações à grande imprensa. Tanto que na sua visita ao Estado nesta quarta-feira, 25 de outubro, concedeu entrevista coletiva restrita a entidades sociais, sindicatos e ao Jornal JÁ. “Não há nada a fazer em relação ao comportamento da mídia, pode-se fazer o que eu tenho feito. Não dou entrevistas, não me relaciono. Eles não são meus soberanos. Podem ter o império que tiverem, mas sobre mim eles não tem”, ironiza a intelectual.
O Dilúvio abandonado
Ana Luiza Leal, especial para o JÁ
O arroio Dilúvio – mais vergonhoso cartão-postal da “Porto Alegre, cidade da educação ambiental” – parece não perturbar mais o sono de ambientalistas e funcionários da prefeitura. Enquanto os defensores do verde alegam que só têm perna para “apagar incêndios”, ou seja, atuar em cima de infrações pontuais, o Programa de Despoluição da Bacia do Arroio Dilúvio (Pró-Dilúvio), da gestão municipal, completou um ano de lançamento com alguma teoria e pouquíssima ação. O riacho recebe por ano 50 mil metros cúbicos de terra e lixo, o que equivale a dez caminhões-caçamba cheios.Káthia Vasconcellos, vice-presidente do Núcleo Amigos da Terra (NAT/Brasil) admite que falta pressão na questão por parte das ONGs e justifica a ausência da entidade na briga pela recuperação do Dilúvio: “Faltam voluntários e dinheiro às organizações ambientalistas. Por parte do NAT, temos conhecimento das nossas limitações e acabamos priorizando certos temas, como a preservação dos parques”.
A presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Edi Xavier Fonseca, não quis opinar e alegou não estar acompanhando a situação. Indicou contatar Sandra Ribeiro, representante da Agapan no Comitê do Lago Guaíba, que por sua vez, não estava a par da situação por motivo de viagem.
Há ainda os que qualificam como “perda de tempo e dinheiro” os investimentos no arroio. É o caso de Gilson Tesch, da ONG Guardiões do Lago Guaíba. Para ele, o foco do governo deveria ser investir no que pode ser preservado, e citou como exemplo o Arroio do Salso. “Para começar, o Dilúvio não merece ser chamado de arroio: está mais para canal de dragagem. Só acho positivo porque talvez façam um trabalho de preservação das nascentes”, declara.
A opinião de Tesch é contestada pela ONG Projeto Mira-Serra, única entidade que está efetivamente realizando um trabalho com o arroio. “O Dilúvio deságua no Guaíba. Bebemos a água captada do Guaíba. Logo, melhorar a qualidade do líquido do arroio é melhorar o que consumimos”, defende Lisiane Becker, coordenadora-presidente da organização.
Em junho deste ano, o Projeto Mira-Serra foi contatado pela prefeitura para que fizesse um diagnóstico não-oficial dos pontos que apresentam maior contaminação. Constatou que a foz do Dilúvio, ligada ao Lago Guaíba, é a região mais poluída. “Não é possível tornar potável a água retirada naquele ponto, nem com toda a tecnologia que dispomos. O interessante é que tem um cano de uma Estação de Tratamento de Água do DMAE, que faz a captação do líquido não muito longe dali”, destaca Rogério Mongelos, membro fundador da organização e atual conselheiro.
Contudo, ele destaca que o papel da ONG é somente o de identificar e mapear – “mudar fica a cargo da prefeitura”. Para Mongelos, os ambientalistas deveriam reunir esforços para forçar a criação de uma espécie de regulamento que obrigue as gestões municipais a seguirem um mesmo projeto e a cumprirem um cronograma de ações. “O que uma prefeitura constrói, a outra faz questão de destruir. Assim, nunca haverá solução”, polemiza.
Pró-Dilúvio
Os coordenadores do Programa de Despoluição da Bacia do Arroio Dilúvio atribuem a culpa pela demora de resultados na falta de divulgação das ações à comunidade e no fato de não poderem trabalhar exclusivamente para os projetos. O Pró-Dilúvio congrega atividades da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAM), Departamento de Esgotos Fluviais (DEP), de Águas e Esgotos (DMAE), de Limpeza e Urbanismo (DMLU) e Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC).
A coordenadora do programa, Gislaine Lopes Menezes (SMAM), que está há dois meses no cargo, conta que as secretarias passaram um ano estruturando as funções de cada um. “Foi uma fase de diagnósticos e definição de prioridades. Tudo é feito em função do orçamento, que é apertado”, sustenta.
Segundo Rogério Mongelos, da Mira-Serra, a maior falha do Pró-Dilúvio foi não ter buscado na academia o que já havia sido estudado sobre o arroio Dilúvio. “Trabalhos não faltam. Pouparia trabalho e daria muito mais retorno. Faltou vontade política. Mas, está começando a se estruturar um elo com a PUCRS”, comenta.
O programa Esgoto Certo, cujo foco é o resíduo doméstico, é um dos carros-chefes do Pró-Dilúvio. Ele existe desde 1994, foi retomado no ano passado pelo DMAE. Uma equipe de 16 funcionários visita uma média de 600 residências por mês para verificar se as redes cloacal e pluvial estão separadas.
Iara Marisa Perrone, técnica do departamento que trabalha no programa, confessa que a falta de divulgação compromete a eficiência do trabalho da equipe: “As pessoas não abrem a porta para estranhos, e o programa é desconhecido. Começou a mudar quando contratamos duas estagiárias que passam na casa das pessoas explicando o que é o Esgoto Certo e agendando a visita”.
Não há ainda sequer um site hospedado no portal da prefeitura que explique o que é o Pró-Dilúvio e os seus projetos. O cidadão porto-alegrense que tiver interesse em conhecê-lo, pode entrar em contato com a SMAM e pedir uma espécie de cartilha, onde encontra a seguinte definição: “É um programa desenvolvido pela Prefeitura de Porto Alegre visando à melhoria da qualidade do arroio Dilúvio, também conhecido como riacho Ipiranga”.
Melhoria da qualidade? A definição é um tanto vaga para Lisiane Becker, coordenadora-presidente do Projeto Mira-Serra, e para Káthia Vasconcellos, vice-presidente do Núcleo Amigos da Terra (NAT/Brasil). Além da estranha conceituação, o material impresso distribuído pela prefeitura se limita a explicar as ações desenvolvidas pelo DEP e DMAE.
Outro destaque do Pró-Dilúvio é o Projeto de Reciclagem de Óleos de Fritura, do DMLU. A proposta era espalhar dez postos de coletas pela cidade para recolher esse óleo doméstico, e encaminhá-lo a instituições interessadas em comercializar o produto, já que o resíduo pode ser usado como matéria-prima na fabricação de sabão, resinas para tintas e massa de vidraceiro. A operação começaria a funcionar em agosto. Não foi o que aconteceu.
A coordenadora da ação, Mariza Fernanda Reis, que está há cinco meses no cargo, conta que se um cidadão fosse hoje ao DMLU com seu vidrinho cheio de óleo sujo e boa vontade estampada no rosto, voltaria para casa com o vidrinho. “Ainda não temos estrutura para receber esse resíduo. Dos dez postos pretendidos, temos um, na Vila Pinto, que é tocado pela comunidade. Estamos na fase de elaborar o material de divulgação, definir como será a coleta e acertar com as empresas que reciclariam – até agora temos três parcerias”, afirma.
Káthia Vasconcellos diz que, por enquanto, de concreto, só ouviu falar na dragagem entre as ruas Santa Cecília e Silva Só, e na retirada de 50 pessoas que moravam debaixo das pontes do arroio. “Trata-se de medidas paliativas: fica bonito no jornal, mas às vezes não são nem operacionalizadas, como é o caso do projeto de reciclagem dos óleos de fritura. As ações do Pró-Dilúvio são marketing verde”, opina.
Sobre a retirada de moradores, há discordância entre as secretarias do governo. A polêmica veio à tona no II Seminário Arroio Dilúvio, ocorrido em 11/10, quando a gerente do Atendimento Social de Rua da Fasc, Patrícia Mônaco, disse aos presentes que esse tipo de atitude só leva a população de rua à “trocar de ponte”. Segundo ela, são necessárias medidas socioambientais para o sucesso do programa. “A mentalidade do limpar a área retirando lixo e gente precisa ser mudada. Se não oferecerem condições para eles saírem de lá, o arroio continuará ameaçado”, explica.
Lojistas aprovam projeto Portais da Cidade

Os lojistas almoçaram e tiraram dúvidas sobre a iniciativa (Foto: Divulgação/JÁ)Carla Ruas
Em reunião-almoço nesta quarta-feira, 23 de outubro, a Prefeitura de Porto Alegre apresentou o projeto Portais da Cidade aos representantes da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre. O encontro aconteceu na sede da entidade, no Centro, e teve um resultado positivo. Os lojistas aprovaram a iniciativa, que deve ser implantada em 2007.
Segundo o presidente da entidade, Vilson Noer, o grupo queria se interar das mudanças e verificar se prejudicam ou beneficiam as lojas do centro. Para ele, é um projeto rico e ousado, mas a categoria está “entusiasmada para qualificar o Centro”. A única dúvida que permanece é referente ao tráfego de pessoas e o acesso ao comércio. “Ainda é uma questão em aberto. Queremos ver na prática como vai funcionar”.
O secretário de Gestão e Acompanhamento Estratégico, Clóvis Magalhães, admite que a recepção favorável dos lojistas é surpreendente. “Nós asseguramos que as pessoas vão continuar chegando no Centro e que vai aumentar a qualidade do bairro”. Magalhães afirma que a “ambiência” do Centro vai melhorar para os clientes, através de acessibilidade, conforto e segurança.
O secretário da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Luiz Afonso Senna, diz que o projeto vai diminuir os níveis de poluição e o tempo de espera e deslocamento dos usuários do transporte coletivo. A implantação da iniciativa terá apoio privado e acontece a partir do próximo ano.
O Portais da Cidade prevê a construção de três “portais” para as linhas de ônibus que hoje vão até o centro da cidade – terminal Cairu, terminal Azenha e terminal Largo Zumbi Açorianos. Será criada uma linha especial circular, racionalizando a circulação do transporte coletivo na área central. Está prevista, também, a construção de túneis nas imediações da Rodoviária (Conceição / Júlio de Castilhos / Mauá) e na Borges de Medeiros com Salgado Filho.
Jornaleiros boicotam produtos da RBS

Cláudio Calmo: “Eles estão enriquecendo e nós estamos ganhando menos
(Fotos: Carla Ruas/JÁ)Carla Ruas
Os jornaleiros de Porto Alegre estão em pé de guerra com a maior empresa de comunicação do Estado – o Grupo RBS. Proprietários de bancas se recusam a vender os produtos que vêm agregados aos jornais Zero Hora e Diário Gaúcho, como CD´s, DVD´s e livros. Eles alegam que a empresa reduziu a comissão paga aos jornaleiros por estes itens, de 25% para 15%.
Dono de uma banca há dois anos na avenida Cavalhada, Cláudio Calmo é um dos mais engajados na causa. Segundo ele, dois terços das bancas da cidade estão fazendo parte do boicote. “É uma indignação coletiva. Eles não estão repassando o que é justo para o ponto de venda”.
Calmo afirma que a empresa justificou a ação dizendo que queria reduzir o preço final para o consumidor. “Mas isso é mentira, porque o preço dos DVD´s até subiu”. Ele alega que está havendo uma transferência de renda do jornaleiro para o Grupo RBS. “Eles estão enriquecendo e nós estamos ganhando menos”.
O jornaleiro acredita que só o tempo irá dizer se o movimento vai repercutir nos lucros da RBS. Cogita ainda parar de vender os prórpios jornais, se a empresa mantiver os mesmos índices de repasse. “Com 15% de comissão, ganharia somente nove centavos por cada Diário Gaúcho”.
Quando um cliente pergunta por um dos produtos, ele faz questão de explicar o porquê do boicote com um panfleto impresso. O comunicado já está sendo copiado por seus colegas e enviado pela Internet através da Associação dos Jornaleiros. “A maior parte dos consumidores entende e acha a causa justa”, garante.
Mas na Osvaldo Aranha, em frente ao Banco Santader, o cliente encontra os produtos. O dono da banca, Adroaldo Moreira Vieira, concorda que a comissão repassada é abusiva, mas prefere não aderir ao movimento. “Não quero deixar meus clientes na mão”, justifica. Ele teme ver a clientela migrar para outras bancas. “Se ele não acha na minha, vai procurar no concorrente”.
Os donos de banca de Porto Alegre seguem os exemplos de outros movimentos semelhantes que já ocorreram pelo Brasil. No ano 2000, em São Paulo, foi assinado o primeiro acordo comercial entre vendedores de jornais e empresas de comunicação. Após um boicote, a categoria conseguiu que os grupos Folha e Estado repassassem 25% das vendas dos produtos agregados aos jornais.
Em agosto deste ano, em Santa Catarina, os jornaleiros conseguiram evitar que a RBS estabelecesse uma comissão baixa para o recém lançado jornal popular Hora.
Especialistas avaliam impactos ambientais de fontes alternativas de energia

“As aves sofrem impactos consideráveis em zonas eólicas”, aponta biólogo
(Foto: Geraldo Hasse/Arquivo/JÁ)Tatiana Feldens, especial para o JÁ
A crescente demanda por energia somada a instabilidade dos preços e à dependência mundial dos recursos fósseis fizeram o planeta se curvar diante das fontes alternativas. No Rio Grande do Sul, segundo o biólogo Jan Karel Mähler Junior, mestre em Manejo de Fauna pela Universidade de Córdoba na Argentina, algumas iniciativas – como biodiesel, energia solar, biomassa e eólica – estão sendo buscadas como opção na geração de eletricidade livre de impacto ambiental.
Embora enalteça seus benefícios, ressalta o equívoco da sociedade e dos governos em não visualizar os impactos ambientais decorrentes das fontes renováveis. “Não adianta pensarmos numa fonte alternativa e não pensarmos nos impactos ambientais. Não é por ser uma geração limpa que não pode gerar passivo”.
No Parque Eólico de Osório, por exemplo, que começou a gerar energia em junho, já existe um monitoramento para avaliação de danos. Mähler Junior controla as aves da região, avaliando quais os prejuízos causados pelo parque. Segundo ele, no mundo, todas as aves sofrem impactos consideráveis em zonas eólicas. “Não só pelas torres, mas pelas linhas de transmissão instaladas. Elas podem colidir e deixar de procriar. Enfrentam problemas de dormitório, bem como a própria reprodução da espécie”, explica.
O biólogo também chama a atenção para os impactos que antecedem a geração desta fonte alternativa, ou seja, os problemas causados no período de construção do empreendimento. “Precisa-se abrir estradas em meio aos terrenos – grandes carretas trafegam nas imediações, tendo em vista que cada torre tem pelo menos 33 metros –, o que provoca uma grande alteração ambiental. Além disso, aves e outros animais invertebrados acabam morrendo atropelados”.
Mähler sugere a necessidade de se fazer estudos prévios, a escolha dos locais onde serão instalados os “aerogeradores”. Ele conta que a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e a Fundação Zoobotânica realizaram zoneamento eólico no Estado. Ficou constatado, no estudo, que, na região serrana do Sudeste, a implantação de parques, do ponto de vista ambiental, seria gravíssimo, por que o local é bastante frágil. O relevo não favorece os parques eólicos. “Isso mostra que não adianta a gente pensar numa fonte alternativa e não pensar nos seus respectivos impactos ambientais. Ela pode ser uma geração limpa, mas não quer dizer que por isso ela seja benéfica, que pode ser aplicada em qualquer lugar”.
Catalisadores químicos x catalisadores biodegradáveis
Embora surja no cenário nacional como alternativa sustentável, o biodiesel também deve ser estudado de forma cautelosa, na avaliação da doutoranda em biotecnologia na questão do biodiesel pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Roberta Bussamara. Ela alerta que ainda não há estudos relativos aos problemas ambientais causados por esta alternativa. “Por enquanto, todo mundo está se preocupando apenas em construir a usina”, observa.
O cuidado necessário, segundo Roberta, diz respeito aos catalisadores químicos utilizados no tratamento de efluentes, além de alguns produtos retirados na lavagem e eliminados posteriormente no ambiente. “Forma muito sabão e sais. Na maioria das vezes, esses produtos restantes podem ser tóxicos e prejudiciais tanto aos recursos hídricos e ao solo, como aos seres humanos”.
A solução apontada seria produzir biodiesel por meio de catalisadores biológicos (biodegradáveis), na tentativa de evitar problemas ao ecossistema. “Nós (o Centro de Biotecnologia da UFRGS) já desenvolvemos o catalisador e, agora, estamos produzindo o biodiesel. Isso está trazendo bons rendimentos. É mais viável porque reduz o custo de produção e, além disso, para o meio ambiente é muito melhor por que não produz nenhum tipo de rejeito que possa ser tóxico ao ecossistema quando eliminado”, argumenta.
O Núcleo Amigos da Terra Brasil (NAT) aponta prováveis problemas já no cultivo da agricultura, utilizada na obtenção de energia e salienta a necessidade de se estabelecer critérios na forma de produção. A ONG rechaça toda e qualquer forma de cultivo transgênico das oleanoginosas, tanto para a produção de energia, como para o cultivo de alimentos. “Nós somos contrários à biotecnologia para qualquer finalidade”, admite Lúcia Ortiz, geóloga e coordenadora -geral da ONG.
Embora não haja pesquisas que confirmem o passivo causado pelos transgênicos à saúde humana e à biodiversidade, Lúcia questiona a possibilidade de contaminação do solo e, conseqüentemente, na produção de outros alimentos.
Diante das medidas tomadas pelo governo federal no programa nacional para o biodiesel, como o lançamento do Selo Combustível Social – conjunto de medidas específicas visando estimular a inclusão social da agricultura na cadeia produtiva do biodiesel – a especialista reivindica a necessidade de se criar também um Selo Ambiental na produção desta energia alternativa. “Todos os esforços iniciais foram concentrados na questão social. Mas a gente espera obter resultados na parte ambiental também”.
Para isso, no início deste ano, o NAT elaborou um documento, traduzido para o inglês, com o objetivo de propor critérios de sustentabilidade para a produção de biodiesel e para todas as energias obtidas através da biomassa. O assunto está sendo discutido em nível internacional, tanto por países produtores como por nações consumidoras de biodiesel. No país, o debate ocorre com a Petrobras.
A eletricidade obtida por meio dos reatores nucleares responde, atualmente, por cerca de 6,5% do total da matriz enérgica mundial. Esse número, segundo Mähler Junior, poderá aumentar, na medida em que a população cresce e a demanda por energia aumenta. “Principalmente, na Europa e na Ásia, pois eles não têm muitas fontes alternativas de energia como nós. Por isso, precisam investir na nuclear”.
No Brasil, há duas usinas: Angra I e Angra II, ambas funcionando, segundo o biólogo. Embora acredite que a implantação de uma usina não seja tão prejudicial, tendo em vista que não gera uma perda grande de hábitat, o biólogo ressalta não ser favorável a essa alternativa. “Temos que pensar no passivo provocado pela geração do lixo nuclear, assim como na possibilidade de haver algum acidente. Se isso acontecer, o efeito será catastrófico e muito duradouro”.
Semelhante avaliação tem Lúcia Ortiz, para quem a energia nuclear, além de bastante cara, não compensa pelos riscos de acidentes catastróficos. “É a fatal permanência no ambiente de resíduos radioativos por milhares de anos, o que a torna uma opção totalmente descartável”.
Comunicado a comunidade porto-alegrense
Comunicamos aos clientes que não iremos trabalhar com produtos da RBS PUBLICAÇÕES e (CD’s,DVD’s e livro) devido ao fato desta empresa ter decidido de forma truculenta e unilateral de reduzir a comissão dos jornaleiros de 25% para apenas 15% da margem de venda destes produtos.
A RBS para defender esta atitude ESPOLIADORA, usa o argumento de que busca a redução de custos, sob o falso discurso de oferecer produtos mais baratos para o consumidor final. Uma mentira, já que os DVD’s estão saindo com preço majorados que o antes desta atitude antietica.
Portanto, não houve e nem haverá redução de preços para os consumidores, mas somente a transferência de renda dos jornaleiros para o grupo RBS, que busca assim engordar mais seus vultosos lucros com o acharque dos quem trabalha de forma honesta e ética.
A RBS mostra sua verdadeira face, truculenta e gananciosa onde pouco importa a remuneração justa dos seus parceiros comerciais, mas tão somente seus lucros exorbitantes.
Lamentamos assim não podermos melhor atender aos nossos clientes, mas não podemos nos submeter a esta atitude infame e desleal, de uma empresa que se vale do seu poderio econômico e monopolista para acharcar aqueles que realmente trabalha de forma honsta nesta cidade.
Porto Alegre, 19 de outubro de 2006
Assinado grupo de jornaleiros de Porto AlegreJÁ Editores lança sete obras na Feira do Livro

Pelo quinto ano consecutivo, a banca do JÁ Editores traz seleção de livros-reportagem e obras editadas pelo selo (Foto Arquivo JÁ Editores)Naira Hofmeister
O JÁ Editores faz sua maior participação na Feira do Livro de Porto Alegre, depois de cinco anos participando do evento. Além da tradicional barraca com a melhor seleção de livros-reportagem da praça, o selo vai protagonizar sete sessões de autógrafos ao longo da Feira, que começa em 27 de outubro e segue até 12 de novembro.
Mantendo a característica essencial da editora, os lançamentos enfocam fatos históricos e seus personagens. JÁ Editores participa da 52ª Feira do Livro difundido a idéia de “informação com responsabilidade”.
O primeiro a autografar será Kenny Braga, o livro “INTER, Orgulho do Brasil”, na segunda-feira, 30 de outubro, às 17h30. Na antologia colorada, todos os títulos que o Internacional conquistou em sua trajetória, perfis de jogadores, dirigentes e técnicos que marcaram a história do clube. São nomes como o do patrono Ildo Meneghetti, o craque Tesourinha, até a dupla de ataque da Libertadores, Sobis e Fernandão. O titulo inédito conquistado em 2006 recebeu um capítulo especial na obra, que traz estampada na capa o capitão do time levantando a taça.
Protagonistas da história nas páginas de três livros
No dia seguinte, 31 de outubro às 17h30, a atração será o lançamento da biografia de Protasio Alves, médico e entusiasta da educação. O legado do ilustre fundador da Faculdade de Medicina da UFRGS é narrado por Maria do Carmo Campos, com colaboração de Martha Geralda Alves D’Azevedo. A obra “Protasio Alves e o seu tempo, 1859-1933” é composta por 19 capítulos e contém vasta coletânea de fotos, documentos e cartas, colhida em acervos familiares e em arquivos públicos.
O terceiro lançamento de JÁ Editores também resgata a trajetória de um importante personagem gaúcho. “Carlos Reverbel – textos escolhidos” traz uma compilação do melhor da produção do jornalista morto há 10 anos. São crônicas, reportagens, ensaios e três livros inteiros numa obra com 800 páginas. Elmar Bones e Cláudia Laitano autografam na terça-feira, 7 de novembro, a partir das 17h30.
A série de protagonistas da história do sul se encerra com o lançamento, no mesmo dia, às 18h30, do livro do jornalista Ayrton Centeno: “Roessler – o primeiro ecopolítico”. A obra de Centeno inaugura a Coleção Vidas da editora, com publicação de 20 perfis biográficos. Considerado o pioneiro do movimento ambientalista no Brasil, Roessler passou 16 anos de sua vida lutando pela preservação da natureza, em especial, o Rio dos Sinos, que fiscalizava voluntariamente pelo Ministério da Agricultura. A União Protetora da Natureza, fundada em 1955, foi precursora da atual Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, a Agapan, que muitos pensam ser a mais antiga entidade do gênero.
Editora redesenha o passado e projeta o futuro em dois lançamentos
O massacre de escravos ocorrido durante a Revolução Farroupilha (1835-1845) é o principal tema abordado pelos jornalistas Geraldo Hasse e Guilherme Kolling em “Lanceiros Negros”, que tem lançamento na quarta-feira, 8 de novembro, às 18h30. Trata-se da segunda edição do título, já que a primeira edição esgotou-se rapidamente. A partir do episódio, que até hoje provoca polêmica, a obra reconstitui a história dos regimentos formados por escravos, e mostra como fatos de um passado remoto ainda mobilizam intelectuais e ativistas.
Geraldo Hasse também autografa “Eucalipto – Histórias de um Imigrante Vegetal”, que traça a trajetória da monocultura mais debatida nos últimos anos no Estado. As plantações de eucalipto no Pampa – fato que tem gerado polêmica entre ambientalistas, indústrias e órgãos de regulamentação ambiental – são o ponto de partida da obra, que aborda a história da Economia da madeira desde o descobrimento e, em especial, sobre os cerca de cem anos de existência da planta no Brasil. O lançamento acontece na quinta-feira, 9 de novembro, às 18h30.
Inglês ‘day by day’ no livro-agenda
A professora de inglês Elisabeth Horn apresenta o livro-agenda, que ganha lançamento pelo JÁ Editores na quinta-feira, 9 de novembro, às 17h30. O ineditismo da iniciativa consiste em unir diversas maneiras de entender a língua numa publicação simples, moderna e útil, no formato de agenda. Em cada dia do ano há um provérbio em inglês e seu correspondente em português e uma regra de gramática. Também traz uma listagem de verbos irregulares e outra, de phrasal verbs, única inglês-português do mercado (relação de expressões nas quais alguns verbos ganham significados diferentes quando combinados com preposições).
Os lançamentos da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre acontecem na Praça de Autógrafos, situada entre os prédios do Memorial do Rio Grande do Sul e do MARGS, na área que une a Praça da Alfândega às zonas Internacional e Infanto-Juvenil da Feira.
Uma idéia na cabeça e a verba na mão

Rita, de Rodrigo John foi um dos selecionados em 2005 (Fotos: Divulgação/JÁ)
Naira Hofmeister
A liberdade de criação no cinema dos anos 60, que pregava a máxima “Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão” se aperfeiçoa em meados do século XXI com o concurso de Desenvolvimento de Projetos de Longa Metragem. O sonho se materializa e vira estratégia para vencer o desafio da distribuição.
“Não basta apenas ter criatividade, mas um bom planejamento de marketing para que o filme tenha competitividade no mercado”, sublinha a superintendente do Santander Cultural, Liliana Magalhães.
A iniciativa, proposta pela Associação dos Profissionais e Técnicos de Cinema (APTC) e Prefeitura Municipal de Porto Alegre, foi abraçada pelo Santander Cultural e chega à sua 5ª edição. As inscrições para o edital de 2006 podem ser feitas na Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia, da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, até o dia 28 de outubro.
São três projetos selecionados por ano e cada um recebe R$ 50 mil de aporte financeiro para pensar a execução do filme. Até a última edição, em 2005, 84 produtores haviam inscrito suas produções. A expectativa é de que em 2006, as incrições ultrapassem a média de 20 ao ano.
O formato do prêmio é único no Brasil e se tornou tão importante que o próprio Ministério da Cultura (MinC) lançou um concurso semelhante, explica a executiva. “Em geral, os prêmios destinados ao início da produção são todos para roteiro, esse é diferente pois privilegia as etapas de pesquisa, planejamento e desenvolvimento do projeto”.
A estratégia retira o foco de atenção de diretores ou roteiristas e o coloca sobre os produtores dos filmes. “É óbvio que a qualidade da direção de arte é importante mas nesse caso, queremos desenvolver o caráter empreendedor dos profissionais de cinema”, revela Liliana.
Indiretamente, o objetivo é desenvolver o pólo cinematográfico gaúcho, por isso, os concorrentes devem ser residentes no Estado. “Foi uma demanda local, sugerida pela APTC e SMC para potencializar o mercado audiovisual do sul”. Não há exigências quanto à experiência da equipe, porém o projeto deve ser inédito e nunca ter participado de outros concursos.
Essa característica concede ao prêmio um valor histórico, já que é possível traçar um panorama das produções gaúchas ao longo dos anos: “Desde 2004 temos recebido mais incrições de documentário e isso reflete uma característica de mercado”.
O endereço para contato na secretaria Municipal de Cultura é Av. Presidente João Goulart, 551 – 3º andar, em Porto Alegre. Mais informações pelo e-mail salapfgastal@smc.prefpoa.com.br ou pelo telefone (51) 3212.5928.









