Autor: Elmar Bones

  • Mega-empreendimento causa polêmica no Costão do Santinho

    Costão Ville quer lançar novo condomínio em 2007 (Reprodução)

    Francis França, especial para o JÁ

    Em meio a uma batalha judicial para construir o Residencial Costão Golf – que continua embargado por ameaçar o Aqüífero de Ingleses, que abastece 130 mil pessoas do Norte da Ilha de Santa Catarina – a Costão Ville Empreendimentos Imobiliários pretende lançar no primeiro semestre de 2007 seu mais novo projeto, o Residencial Vilas do Santinho I.

    O condomínio, de uso residencial e comercial, prevê 124 apartamentos em frente à praia do Santinho, a poucos metros do Costão do Santinho Resort, que também enfrentou a Justiça e só foi liberado depois de um acordo com o Ministério Público Federal, em que o empreendedor retirou do projeto a Área de Preservação Permanente (APP) no Morro das Aranhas.

    O projeto arquitetônico do Vilas do Santinho I foi aprovado pela Secretaria de Urbanismo e Serviços Públicos de Florianópolis (SUSP) em 6 de julho, mas ainda não tem alvará de construção. De acordo com o engenheiro responsável pelo projeto, Carlos Santiago de Carvalho, as obras, que ocuparão uma área de 21.922 metros quadrados, devem começar no segundo semestre do ano que vem, depois da concessão das licenças ambientais e alvarás municipais.

    Segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fatma), o pedido de licenciamento ainda não foi encaminhado. A procuradoria jurídica da fundação estuda um pedido de supressão de vegetação feito pelo empreendedor em agosto deste ano.

    De acordo com a procuradora Maristela Aparecida Silva, o pedido refere-se à abertura de um acesso à praia. O terreno onde será construído o Vilas do Santinho I é separado da praia por um corredor de restinga fixadora de dunas, considerado APP. “Ainda estou redigindo a minuta, mas, se a vegetação a ser suprimida for mesmo a do corredor de restinga, o pedido será negado”, disse a procuradora.

    De acordo com Carvalho, o acesso à praia será feito através do terreno que integra o empreendimento, com passarelas de madeira suspensas. “Se pegar [a mata de restinga], será só uma pontinha”, diz. O engenheiro garantiu que o acesso público dos moradores por uma trilha já aberta no local não será interrompido.

    Ao que parece, Fernando Marcondes de Mattos, dono da Costão Ville Empreendimentos Imobiliários, terá menos dor de cabeça desta vez. O Vilas do Santinho I não precisará apresentar Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA).

    A Resolução 01/2006 do Conselho Estadual do Meio Ambiente de Santa Catarina, aprovada na reunião de 21/09 define que condomínios residenciais com mais de 100 unidades habitacionais – que não ultrapassem 100 hectares de área – deverão apresentar apenas Estudo Ambiental Simplificado. As audiências públicas também deixam de ser obrigatórias, mas podem ser convocadas desde que solicitadas pelo Ministério Público ou por pelo menos 50 cidadãos.

    Moradores do local denunciaram a perfuração, há cerca de um mês, de 10 poços artesianos no local. Segundo Carvalho, os poços não são artesianos, mas piezométricos, que servem para medir o nível e a qualidade do lençol freático. “É uma exigência da Fatma para o licenciamento ambiental. A água para abastecimento será fornecida pela Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento)”, explicou.

  • Manifesto pela revisão do Plano Diretor

    Associação dos Moradores da Bela Vista *
    Boa noite a todos os presentes, e, especialmente aos nossos convidados os presidentes de associações de bairros ou seus representantes que compõe a Região de Planejamento 1, o Conselheiro da Região de planejamento 1 na Secretaria do Planejamento do município Arq. Rogério Dal Molin, O Presidente do POA VIVE entidade que engloba quase os bairros da cidade Arq. Nestor Nadruz, representantes da imprensa, entre outros.
    Hoje estamos aqui reunidos para discutirmos um assunto que atinge a todos de uma maneira ou de outra, e o assunto é a MODIFICAÇÃO DO PLANO DIRETOR. Como os Srs. devem estar lembrados em nossa reunião mensal de agosto passado o convidado da noite foi o Secretário do Planejamento municipal Sr. Isaac Ainhorn, que na última hora mandou dizer que não poderia comparecer por estar adoentado, mas nem um subalterno enviou numa demonstração de toda sua arrogância e prepotência com que tem tratado as associações, num desrespeito e descaso total sobre os interesses da comunidade que o elegeu, aliás nas tantas vezes que se elegeu vereador ele veio buscar seus votos aqui nos bairros e os recebeu, porém quando foi alçado a secretaria de Planejamento esqueceu disso, e não dá atenção justamente a quem o colocou lá.
    Diante disso e de tudo o que vem acontecendo de baixo de nossos olhos; nós, os moradores, que seremos os mais duramente atingidos, decidimos nos reunir com os demais representantes de associações de bairros, para, em conjunto decidirmos o que fazer para sermos ouvidos, pois que está em ritmo aceleradíssimo o projeto de modificação do plano diretor da cidade, ou melhor já está pronto para ser apresentado para votação na câmara de vereadores, mas foi elaborado sem a presença dos representantes de associação de bairros, mas os representantes dos que destroem os bairros estão muito bem representados, entidades como SINDUSCON , SECOVI e SPM, obviamente com o expresso consentimento da Prefeitura Municipal, por seu Secretário de Planejamento.
    Além do que soubemos que estão segurando o máximo possível a apresentação do projeto para votação na câmara para ganhar tempo, enquanto isto, as construtoras estão demolindo a ritmo aceleradíssimo e fechando com tapumes extensas áreas para garantir a construção de edifícios de até 18 andares, eis que com a modificação do plano a altura permitida será/seria de 12 andares, e que o afastamento lateral entre os prédios que era de 18% da altura do prédio, passaria para 25% proposta aceita pela comunidade. Ex: Prédio de 30 mts de altura: p/ sistema atual terá obrigatoriamente um afastamento lateral de 5,40 metros. Já o mesmo prédio p/ nova proposta terá obrigatoriamente um afastamento de 7,50 metros.
    Assim com a maior urgência, precisamos traçar estratégias para demonstrar nosso total descontentamento com o que está ocorrendo, seja da maneira que for, e, para isso, precisamos discutir com todos os representantes de associações de bairros, e, especialmente, os que compõe a Região de Planejamento 1 a qual pertencemos, qual a sugestão de cada um, a fim de contra-atacarmos.
    Não podemos silenciar diante da destruição que está ocorrendo sob os nossos olhos. Afinal as Associações de Moradores foram criadas exatamente para defender os interesses destes. Nós, da AMOBELA, entendemos que o referido projeto precisa ser apresentado ainda este ano, embora o próprio Presidente da Câmara de Vereadores, em reunião ocorrida há dois meses aqui neste mesmo local, tenha afirmado alto e bom som, que o referido projeto não será votado este ano. Então, cabe a nós nos manifestarmos para este projeto entre em pauta com a maior urgência, caso contrário as construtoras farão terra arrasada antes da votação do projeto, ou então que os prédios que hoje estão tendo seus projetos aprovados pelo sistema antigo tenham um prazo para iniciar a construção, senão o que irá ocorrer é que os terrenos tapados com tapumes poderão ficar 10 anos sem construção e quando o prédio for construído, será de acordo com o plano antigo, pois o projeto já estará aprovado.
    Em resumo, o que queremos: direito de participar da elaboração do projeto de modificação do plano. Seja o projeto votado ainda este ano na câmara de vereadores. Por quê? Porque se esperarmos mais um pouco não sobrará pedra sobre pedra, nos poucos terrenos que ainda restam, e os projetos de construção apresentados e aprovados antes da aprovação da modificação do plano podem ficar adormecidos 10 anos, mas quando forem construídos estarão ainda regidos pelo Plano Diretor antigo.
    Se os Srs. caminharem poucas quadras dentro do nosso bairros e de outros da vizinhança verão que estão sendo demolidas ás vezes 3 a 4 casas, uma ao lado da outra perfazendo em alguns casos, quase uma quadra de terrenos, sem respeitar as árvores que cobrem o terreno, sem respeitar nada, para dar lugar a uma construção de edifícios.
    Os proprietários de terrenos com casas são assediamos diuturnamente pelas construtoras para venderem suas casas e o assédio é tal que as pessoas acabam vendendo, e não se pode criticar os proprietários de casas, eles estão no direito deles de vender o que lhes pertence, o que precisamos é aprovar com urgência um plano diretor que venha a beneficiar os moradores ou melhor, pelo menos não prejudicar os moradores, mas para isto se faz necessário a presença e a opinião dos representantes de moradores, pois que até agora o que vimos foi valer apenas a opinião dos representantes das construtoras, haja vista o que está ocorrendo com o adiamento do envio do projeto a câmara para ganhar tempo.
    Ainda, existem outros motivos para querermos estancar esta corrida desenfreada para construir e construir sem olhar a quem o que estará sendo prejudicado. Vejam os Srs. Com a construção de mais prédios altíssimos e sem recuo lateral do que os que já temos, perderemos de vez a cantada em prosa e verso qualidade de vida, ficaremos ainda mais sufocados, sem sol, sem iluminação natural, com apartamentos mofados e insalubres, aumentará ainda mais o número de pessoas circulando nos bairros, e principalmente o número de veículos, com isto atraindo mais a insegurança, os engarrafamentos, as quedas ou falta de luz, esgoto, inundações pela impermeabilização do solo etc.
    Nosso Conselheiro da RP 1 , faz parte como representante das entidades que compõe a região, bem como os outros conselheiros de outras regiões, porém as entidades que compõe as RPs, na sua grande maioria, com raras exceções são dos Sindicatos ligados a Construção civil, de tal sorte que só os conselheiros não podem fazer muita coisa, pois representam os dais lados o dos moradores e o das construtoras, por isso a necessidade de representantes das Associações de bairros.
    Srs. Representantes da imprensa escrita, falada e televisada, aqui presentes, gostaríamos de solicitar que façam circular em seus meios de comunicação da importância das Associações de bairros, hoje não resolve um, dois ou três cidadãos se manifestarem, a cidade cresceu muito, e os moradores precisam se conscientizar da necessidade de eleger seus representantes em Associações de bairros, onde pessoas, fazendo trabalho exclusivamente voluntário, sem objetivar lucro de espécie alguma, trabalham, pelo bem comum e representam os moradores junto aos governos.
    Os moradores poderão replicar, mas nós elegemos os vereadores para isso, mas infelizmente não basta, e isto já está mais do que provado, porque os Srs. Vereadores se elegem, visando lucro, e são escravos de seus partidos, votam o que o partido achar por bem. Por isso da importância das Associações de bairros, estas pessoas quando da votação de um projeto na câmara têm o poder de pressionar, para que seja votado aquilo que é o melhor para os moradores, e isto pudemos comprovar na prática, nos vários projetos que foram a votação na câmara, e só com a pressão exercida pelos moradores, lá presentes, com faixas cartazes e contatos pessoais com os vereadores, é que se conseguiu fosse decidido pelo bem dos moradores.
    Nós da AMOBELA de antemão estamos apresentando nossa sugestão que é a seguinte: Uma representação junto ao MP expondo tudo o que vem acontecendo. Envio de ofício ao sr. Prefeito, devidamente protocolado, dizendo de nossa inconformidade, com cópia aos meios de comunicação interessados para divulgação do mesmo.
    Gostaria ainda de deixar bem claro que não somos ingênuos a ponto de acreditar que conseguiremos alguma coisa, pois os nossos opositores têm o poder junto a prefeitura, mas devemos usar o “jus esperniandis” com o se diz no direito, o nosso direito de espernear, e é isto que estamos propondo.
    Assim coloco a disposição dos representantes de associações que queiram se manifestar para ouvirmos às suas opiniões a respeito do assunto, e possíveis sugestões que agregadas as nossas possamos fazer algo.
    Muito Obrigada!

  • ARP lança campanha do 32º Salão da Propaganda

    Carmen Carlet, especial para o JÁ

    A Associação Riograndense de Propaganda (ARP) lançou na manhã desta quarta-feira, 27 de setembro, a 32a edição do Salão da Propaganda. Considerado pelo setor como um dos mais respeitados concursos do Brasil, o Salão – que marca o cinquentenário da entidade – vem, neste ano, com algumas novidades.

    Uma delas é a inclusão do mundo digital com o 1º Salão de Internet. Outra é a valorização das pequenas e médias agências, que sempre ficam à margem dos concursos, com o “Prêmio Revelação”.

    João Paulo Dias, presidente da ARP, afirma que o objetivo é prestigiar as agências que estão fazendo um trabalho notável, proporcionando suas participações de forma integrada no Salão.

    O reforço da efemeridade é o tema da campanha publicitária de inscrições e busca alcançar toda cadeia produtiva – agências, fornecedores e veículos. Assim, “Você é tão bom quanto seu último trabalho” é o conceito, convidando os profissionais à reflexão, a fim de buscarem sempre o novo, de acordo com a velocidade e o ritmo cíclico do mercado.

    Para impactar, a linguagem visual mostra cemitérios e seus mausoléus com os prêmios gravados nas lápides, simbolizando o enterro do passado.

    Paralelamente ao 32º Salão da Propaganda e 1º Salão de Internet, acontecem o 8º Salão Gráfico, Promocional e de Design na Comunicação e o 9º Salão Regional (voltado para o trabalho do interior do Estado).

    As inscrições vão até 20 de outubro na ARP (www.arpenet.com.br) e os vencedores serão apresentados ao mercado durante a Semana da Propaganda, de 4 a 8 de dezembro.

  • Prefeitura só vai colocar contas em dia em 2007

    Guilherme Kolling

    Apesar de projetar novo superávit, a administração municipal ainda atrasa pagamentos a fornecedores entre 60 e 90 dias, em média. Há casos de dívidas empenhadas há quase seis meses. A Prefeitura vai tentar aumentar a arrecadação dos impostos com o controle informatizado da negociação de imóveis, prestação de serviços e com mapeamento aéreo dos imóveis.


    Breda: Equilíbrio financeiro só em 2007 (Foto: Carla Ruas/JÁ)

    O contador Zulmir Breda, 48 anos, secretário adjunto da Fazenda, fez uma avaliação das contas do Município nos últimos anos, em entrevista exclusiva ao JÁ. Ele explica porque houve três déficits consecutivos nos anos 2000 depois de mais de uma década de superávits, e detalha as medidas para reverter o quadro de forma definitiva.

    JÁ – A Prefeitura teve superávit por mais de uma década. Por que houve três déficits consecutivos em 2002, 2003, 2004?

    Breda – Nos últimos 20 anos o Município teve uma situação financeira muito boa, principalmente a partir da Constituição de 1988, quando as novas disposições trouxeram uma receita maior para os municípios. Porto Alegre foi bastante beneficiada com a redistribuição do bolo tributário e viveu ali um período de franca expansão e de situação financeira tranqüila. Isso perdurou até o final da década de 90, início do século novo. A partir do ano 2000, a Prefeitura começou a ter um forte crescimento na sua despesa com pessoal, em patamares acima do crescimento da própria receita.

    JÁ -Em função da bimestralidade?

    Breda – Da bimestralidade, da contratação de pessoal, vários fatores que puxaram o gasto com pessoal para patamares acima do crescimento de arrecadação. Isso começou a provocar um estrangulamento das finanças do município até o exercício de 2002, quando ela realmente entrou em crise, começou a produzir resultados negativos. Em 2003, a administração anterior teve que suspender o pagamento da bimestralidade, em função de a despesa com pessoal ter batido no limite que a Lei de Responsabilidade Fiscal exige, que é 51,3% da receita corrente líquida. A bimestralidade não foi extinta, mas suspensa. Isso não foi suficiente para reverter essa tendência de déficit, tanto que a Prefeitura fechou novamente o exercício de 2003 em déficit orçamentário e depois, em 2004, novamente com déficit.

    – Sem uma intervenção, a situação poderia chegar a ficar parecida com a do Estado, que tem uma crise estrutural?

    Breda – O Estado, evidentemente, está numa situação bem mais adiantada, mas o caminho era o mesmo. A situação já era tão grave que nem esse corte da aplicação dos reajustes bimestrais resolveu o problema. Tanto que em 2004 isso repercutiu. A Prefeitura ficou dois anos sem reajustar o salário dos servidores e isso não foi suficiente para reverter o quadro de déficit.

    JÁ – Em 2005, a Prefeitura anunciou uma série de cortes. Ainda assim está gastando demais?

    Breda – Em 2005, quando o prefeito Fogaça assumiu, a primeira necessidade que ele viu foi fazer esse ajuste. Ninguém consegue governar com déficits consecutivos. Então, a primeira determinação foi equilibrar as contas do Município. Para isso, já no ano passado se começou a fazer um trabalho intensivo de racionalizar o gasto público. O corte do gasto, em algumas situações, é possível, mas em outras não. Existem despesas compulsórias em que se tem pouca flexibilidade para cortar. A despesa de pessoal é uma delas. Não se consegue retroagir no gasto de pessoal. O que se consegue, no máximo, é estancar o crescimento. Mas fazer cortes na área de pessoal é muito complicado. Então, se fez uma racionalização de gastos e a tentativa de fazer com que a receita crescesse mais ainda. Atuou-se em dois pólos: aumentar a receita e reduzir a despesa. Não tínhamos a expectativa de já em 2005 fechar o ano com superávit. Mas conseguimos, a duras penas. Um superávit pequeno, é verdade, mas já saiu do vermelho.

    JÁ – Foi de R$ 87 milhões o superávit em 2005?

    Breda – É, R$ 87 milhões de superávit primário. O superávit orçamentário foi de R$ 35 milhões. Mas foi muito bom, sinalizou que a Prefeitura está entrando num novo ciclo, de tentar reverter essa situação anterior. Em função desses três anos de déficit, perdemos todo crédito na praça. A Prefeitura não tinha quase como obter financiamentos. Tivemos até negadas algumas operações, como o [Programa] Socioambiental, o Programa de Mobilidade Sustentável, que não conseguimos viabilizar em função desses déficits sucessivos. Essa indicação de superávit de R$ 35 milhões, embora pequena num orçamento de R$ 2,1 bilhões, sinalizou uma nova tendência. Para esse segundo ano, nosso objetivo é fechar novamente com superávit, mesmo que seja pequeno.

    -O prefeito José Fogaça admite que tem uma pilha de contas para pagar. Chegou a comentar que a cada dia ele administra o que não vai pagar naquele dia…

    Breda – É verdade. Embora se tenha um superávit orçamentário no exercício, quando assumimos, em 1º de janeiro de 2005, havia um débito de fornecedores e prestadores de serviço de R$ 175 milhões. Isso é despesa já executada que não tinha sido paga. E os reflexos disso acontecem até hoje. Havia uma dívida de R$ 175 milhões e conseguimos produzir um superávit de R$ 35 milhões. A grosso modo seria lícito dizer que ainda devemos R$ 140 milhões. Na prática não chega a esse valor porque alguma coisa dessa dívida se conseguiu renegociar. Por exemplo, a dívida com a CEEE, que estava dentro desses R$ 175 milhões. Uma parte dela tivemos que pagar a vista no final do ano passado, algo perto de R$ 20 milhões. O restante está sendo negociado com a CEEE para tentar esticar para longo prazo. Essa dívida é decorrente da taxa de iluminação pública, que a Prefeitura não vinha pagando desde o começo de 2003. Estamos com esse passivo ainda para negociar. O que está nos enforcando ainda hoje em termos financeiros é o saldo remanescente daquela dívida.

    JÁ – Isso está gerando um atraso nos pagamentos de quanto tempo em média?

    Breda – Estamos trabalhando com uma média de 60 dias de atraso, em alguns casos 90 dias. A Prefeitura vive dois momentos em cada ano. No primeiro semestre, a gente consegue reduzir o volume de atrasos, em função da receita de IPTU. No segundo semestre aumentamos o período de atraso. Agora estamos na fase crítica, já estamos chegando em 90 dias de atraso, e eventualmente podemos até passar desses 90 dias. Em função do segundo semestre. Que vai durar até dezembro, quando, de novo, a gente vai ter que fazer a antecipação do IPTU. Com a entrada desses recursos, a gente consegue reduzir esse tempo de atraso.

    JÁ – Qual a estimativa para colocar as contas em dia?

    Breda – Temos ainda um saldo de dívida a pagar – claro que não são os mesmos credores da dívida de R$ 175 milhões, daquela época. Agora são credores das operações desse governo, mas o reflexo é daquela dívida. Tudo vai depender do montante do superávit que conseguimos produzir nesse exercício, que vai determinar o quanto vamos ter amortizado esse ano dessa dívida pregressa. Isso vai sinalizar o que vamos conseguir já em 2007.

    JÁ – Qual o balanço desse primeiro semestre?

    Breda – Fechamos junho com um superávit orçamentário de R$ 124 milhões, maior do que no primeiro ano. Mas um pouco ilusório porque ainda é primeiro semestre.

    JÁ – Como foi nesse mesmo período do ano passado?

    Breda – No primeiro semestre do ano passado foi mais de R$ 90 milhões, menos de R$ 100 milhões. Mas é ilusório porque se tem mais receita e menos despesa. Tem a concentração do IPTU arrecadado e a despesa maior está no segundo semestre por causa do 13º salário. Certamente o superávit [do ano] não vai ficar nem perto desse valor.

    JÁ – Mas vai ter superávit.

    Breda – Vai ter superávit. Estimamos que deva ficar no mesmo patamar do ano passado, algo como R$ 35 milhões. Dependendo do tamanho desse superávit, isso vai refletir no exercício de 2007. E vai ser o quanto vamos ter mais de disponibilidade em 2007 para recuperar esse atraso. Em 2007, a projeção é que tenhamos uma condição melhor de cumprir nosso fluxo de caixa sem esses atrasos que estamos tendo esse ano. Claro, isso depende também de outros fatores. Por exemplo, qual é o volume de investimentos que vamos ter no ano que vem. Se vamos conseguir cumprir esses investimentos buscando recursos externos ou que parcela de recursos próprios vamos ter que alocar para esses investimentos. Esse fator também vai determinar maior ou menor aperto no nosso fluxo de caixa. Em tese, estamos projetando para o ano que vem boa parte dos investimentos com recursos externos. Mas para isso ér necessário fechar esse ano com superávit e, em função disso, conseguir que a Secretaria do Tesouro Nacional limpe o nosso cadastro a partir do ano que vem.

    JÁ – E o funcionalismo? Houve um pequeno reajuste para os municipários e em dezembro já tem 13º para pagar.

    Breda – Se for contar de 1º de janeiro de 2005 até o mês de julho agora, o percentual de reajuste concedido está acima da inflação do período. Houve uma discussão se isso seria aumento real ou se era recuperação de perdas. O Sindicato diz que isso é recuperação de perdas, o Governo coloca como aumento real, tudo depende do horizonte que se olha. Se for olhar de 1º de janeiro de 2005 para cá, é aumento real, se for olhar desde o fim da bimestralidade, aí é recuperação de perdas. Mas isso não importa, o que importa é que isso hoje já está incorporado na remuneração dos servidores esse reajuste que foi dado, o último percentual foi de 2,09%, inclusive pagamos [em 11 de setembro] esse percentual retroativo ao mês de maio desse ano. Pagamos maio, junho, julho e agosto. Deu quase R$ 5 milhões só desse reajuste retroativo.

    JÁ – E o Dmae vai ter que dar uma ajuda no final do ano para o 13º salário?

    Breda – Estamos pensando em fazer a mesma operação que foi feita no ano passado, de antecipar a receita com o Dmae. Tem que esclarecer que a receita não é do Dmae, é da Prefeitura. Só que ela é cobrada pelo Dmae. Na verdade a tarifa de esgoto, que é da Prefeitura, é cobrada junto com a tarifa de água por uma questão de operacionalidade.

    JÁ -Então não é um empréstimo do Dmae?

    Breda – Não é um empréstimo do Dmae. O Dmae apenas antecipa para a Prefeitura uma receita que é dela, mas que só seria cobrada no ano que vem. Para o ano que vem, nossa expectativa é ter uma situação bem melhor em termos financeiros, e até não precisar mais recorrer a essas alternativas mais ortodoxas. Só que a gente sabe que para recuperar uma situação de três anos de déficit, provavelmente vai se exigir pelo menos três anos de superávits sucessivos para voltar a equilibrar de novo. O ano que vem seria o terceiro ano desses três que pretendemos fechar consecutivamente com superávit. Se atingirmos essa meta, temos certeza que ao final de 2007 já teremos equilibrada a situação financeira do município.

    – E a receita do município, como aumentar?

    Breda – Temos projetos para aumentar a receita própria do município, do ISSQN [Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza], do IPTU [Imposto Predial Territorial Urbano], a própria receita de ITBI [Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis].

    – Sem aumento de alíquota?

    Breda – Sem aumento de alíquota…

    JÁ – Maior fiscalização?

    Breda – Na área de ISSQN, queremos aumentar a declaração eletrônica do imposto, que é uma sistemática que já vem sendo usada em outros municípios. Consiste num sistema informatizado que faz o cruzamento do prestador do serviço e do tomador do serviço, através de informações eletrônicas. Estamos trabalhando para implantar isso ainda no decorrer desse ano, para que no máximo até o final do ano comece a funcionar esses sitema. Na área do IPTU, pretendemos fazer um novo levantamento aerofotogramétrico da cidade, trabalho que não é feito há duas décadas não.

    JÁ – A Secretaria do Planejamento fará esse trabalho?

    Breda – Na verdade é através de uma licitação para contratar uma empresa que fará essa fotografia aérea e toda a restituição da cidade. A licitação está sendo feita aqui na Fazenda, mas conta com a participação da Smam (Meio Ambiente), do Planejamento, da Secretaria de Gestão, da Secretaria de Obras. Esse cadastro depois vai servir a todas essas secretarias, cada uma no seu enfoque. A Fazenda olha sob o enfoque do IPTU. A Smam olha sob o enfoque do mapeamento ambiental da cidade, cada um na sua área.

    JÁ – Até o final do ano sai esse edital?

    Breda – Até o final do ano sai esse edital, com certeza. E aí, a partir desse levantamento a gente sabe que tem números significativos de imóveis que vão ser regularizados. Ou porque estão omissos, ou porque alteraram a sua área construída e também não aumentaram na Prefeitura, então esse levantamento vai nos permitir aumentar a arrecadação, sem aumentar a alíquota.

    JÁ – E o ITBI?

    Breda – No ITBI estamos implantando uma sistemática de fazer uma declaração eletrônica de operações imobiliárias com tabelionatos e cartórios, que vão ter que passar a prestar informações à Prefeitura a partir de agora. Com isso, teríamos condições de reduzir a zero qualquer eventual sonegação de pagamento de ITBI. Porque os próprios tabelionatos e cartórios que elaboram as escrituras e registram as transações dos imóveis seriam obrigados a informar para a Prefeitura essas alterações. Isso já está bem adiantado, nós deveremos estar publicando o decreto nos próximos dias e colocar em funcionamento a partir do próximo ano. Vamos dar um tempo para os cartórios e tabelionatos se prepararem, instalarem sistemas e provavelmente a partir de dezembro a gente começa a ter que informar esses dados para Prefeitura.

    – Ou seja, a saída é investir em informação para ter mais arrecadação.

    Breda – É, basicamente é tecnologia de informação. Nos três tributos, o uso da tecnologia de informação para melhorar a eficácia da arrecadação do imposto. Com isso a gente espera ter uma alavancagem bem significativa de arrecadação para o ano que vem. Estamos com um projeto de lei na Câmara Municipal também, estabelecendo uma gratificação variável para o servidores da secretaria da Fazenda, que está atrelada ao crescimento da arrecadação. Estamos dando os mecanismos necessários para fazer uma fiscalização eficaz, e vamos dar um incentivo remuneratório aos servidores de acordo com o que eles conseguirem fazer a arrecadação crescer. Então se tem os instrumentos para trabalhar e o incentivo financeiro para esse crescimento de receita. Com esses mecanismos, temos uma boa expectativa de crescimento da receita para o ano que vem. O que vai certamente contribuir para a gente conseguir esse almejado equilíbrio fiscal. São ferramentas com as quais estamos trabalhando para colocar a casa em ordem em termos de finanças públicas.

  • Dono de banca decide parar de vender as revistas Veja e Época


    Ele quer que outros jornaleiros também percebam a importância de seu trabalho
    (Fotos: Thais Fernandes/JÁ)

    Marcelo Salles, especial para o JÁ *

    Trinta e três anos, jornaleiro há nove. Proprietário da banca que fica num movimentado ponto de Porto Alegre, Fábio Marinho tomou uma decisão: não vai mais vender a revista Veja. “Não é mais possível ficarmos esperando que os outros venham fazer algo por nós (…). Todos somos, de alguma forma, responsáveis pelo mundo em que vivemos”.

    Fábio está se formando em História e comunicou sua decisão em carta enviada ao jornalista Hamilton Octávio de Souza e publicada na revista Caros Amigos de julho (leia a íntegra aqui).

    Sua esperança é, como conta nessa entrevista, contribuir para que outros jornaleiros “também tenham uma tomada de consciência e percebam a importância de seu trabalho na sociedade e tomem iniciativas, por pequenas que sejam, que contribuam para pormos um fim a este avanço dos liberais, ou neoliberais, se preferir, que só tem trazido sacrifícios para a grande maioria da população”.

    Seu e-mail é: marinho147@hotmail.com. E o endereço da banca é Rua Dom Diogo de Souza, n° 100, bairro Cristo Redentor.

    Há quanto tempo você trabalha como jornaleiro?
    Tenho 33 anos, sou jornaleiro há nove anos, sempre como proprietário e no mesmo ponto de venda.

    Qual o perfil dos seus clientes?
    O perfil de meus clientes é variado devido ao fato de minha banca ficar próxima a um terminal de ônibus que atravessa a cidade de norte a sul e na frente de uma instituição de ensino particular. Então, atendo desde o desempregado sem perspectiva até o empresário de sucesso; atendo pessoas de todas as classes econômicas.

    Por que a decisão de parar de comercializar a revista Veja?
    A gota d’água que me fez parar com a Veja foi uma “reportagem” sobre o presidente venezuelano Hugo Chávez, em que ele era retratado como um tiranete, um ser exótico, só que tudo era escrito num tom muito ofensivo, sem o menor respeito por um presidente de Estado, de uma nação soberana, eleito pelo voto popular. Aí eu pensei: a Veja foi longe demais. E tomei a decisão de não vendê-la novamente. Mas era uma decisão que vinha sendo amadurecida desde a época do “escândalo” do jornalista [Larry Rother], aquele que chamou o Lula de bêbado, quando a Veja fez uma série de reportagens tentando afirmar a mesma coisa. Olha, não sou lulista, mas a Veja foi desrespeitosa naquele momento, e comecei a pensar em não vendê-la. Essa decisão foi levada a termo a partir da tomada de consciência de que não é mais possível ficarmos esperando que os “outros” – ou o Lula, ou o “salvador” – venham fazer algo por nós, e de que todos nós, de alguma forma, somos responsáveis pelo mundo em que vivemos. Então, na minha opinião, é chegada a hora de fazermos algo para modificar a realidade que nos cerca; o que eu posso fazer é isto, então fiz.

    Sua decisão se estende a alguma outra publicação ou é restrita à revista Veja?
    A revista Época recebe um tratamento semelhante, embora há menos tempo, a partir da crise do “mensalão” (um ano, não é?). Também não sou petista, mas é fato que a revista forçou a barra, se calou durante os anos FHC e agora resolve praticar jornalismo investigativo? Dá licença! A revista Primeira Leitura que fechou as portas em junho também recebia tratamento semelhante, nem preciso dizer por quê, né?

    Isso não pode prejudicar o seu trabalho, visto que a Veja é uma das publicações mais vendidas e que, portanto, gera grande retorno à banca?
    Sobre perder vendas, bem, entre ganhar dinheiro com a Veja ou perder algumas vendas e contribuir para que os meus clientes descubram a Caros Amigos, a CartaCapital, a Reportagem, fico com esta segunda opção, sem falar no componente ético que em mim é muito forte.

    Você não corre risco de sofrer algum tipo de boicote pelo mercado editorial como um todo, ou pela editora Abril em especial?
    Realmente não dá mais para agüentar a Veja. Olha, não temo boicote, mas estou surpreso com a repercussão. Recebi vários e-mails de pessoas me cumprimentando e elogiando minha atitude. Vamos ver como a [editora] Abril vai reagir. Se me boicotarem, espero contar com sua ajuda para denunciarmos mais uma da Abril.

    O que você gosta de ler, entre livros, jornais, revistas e sítios na internet?
    Estou me formando em História e, portanto, gosto de tudo que esteja relacionado à política, teoria e educação. Afora isto, gosto dos grandes escritores nacionais como Machado de Assis, Guimarães Rosa, João Cabral de Mello Neto, Erico Verissimo, Mario Quintana. Enfim, ler é meu vício. Revistas eu não leio muito por ter pego o vício de ler um livro inteiro de um autor e tentar entender suas teses. As poucas revistas que leio são Caros Amigos, CartaCapital e Reportagem e só. Jornal aqui no sul não tem um que preste, pelo menos que eu conheça. Infelizmente não consegui leitores para o Brasil de Fato e a distribuidora cortou meu reparte, de modo que evito ler jornais. De internet eu não gosto muito não, só utilizo para correspondência e downloads.

    Pelo que você observa entre seus clientes, há uma insatisfação com as publicações da grande imprensa? Você acredita haver espaço entre os leitores para publicações com linhas editoriais que destoam da mídia hegemônica?
    Pois é, já está tão difícil vender as revistas alternativas… não sei se há espaço para novas publicações. Se você já esteve em alguma edição do Fórum Social Mundial, deve ter percebido que a indignação é maior do que a gente pensa, mas daí a sustentar uma nova revista eu já não sei, minha percepção de jornaleiro é que não, mas estou vendo a situação de um ponto de observação muito restrito que é minha banca.

    Por favor, esteja à vontade para acrescentar qualquer outra informação que julgue relevante.
    Olha, escrevi aquela carta para o Hamilton Octávio de Souza na esperança de vê-la publicada e que outros jornaleiros como eu fizessem algo parecido. A minha categoria é muito desunida e o sindicato (pelo menos aqui em Porto Alegre) trabalha para mantê-la desunida. Assim, espero que outros também tenham uma tomada de consciência e percebam a importância de seu trabalho na sociedade e tomem iniciativas, por pequenas que sejam, que contribuam para pormos um fim a este avanço dos liberais, ou neoliberais, se preferir, que só tem trazido sacrifícios para a grande maioria da população.

    * Matéria originalmente publicada no site Fazendo Média (www.fazendomedia.com)
    Marcelo Salles – salles@fazendomedia.com

    “Tinha que tomar uma atitude ao invés de só criticar”

    Thais Fernandes, especial para o JÁ *

    Há um ano e meio, o estudante de História e dono de banca Fábio Marinho resolveu parar de vender as revistas Veja, Época e Primeira Leitura. “Em certa medida também sou responsável pela difusão da informação”, explica.

    O jornaleiro não se diz panfletário. Conta que pensou em fazer apenas a sua parte, alertando a categoria dos donos de bancas para a importância da consciência no trabalho que exercem. “Faço parte de uma indústria, e tinha que tomar uma atitude ao invés de só criticar”, afirma.

    Para ele, a revista Veja é muito agressiva e tendenciosa em suas coberturas – uma reportagem sobre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi a gota d’água para que tomasse a decisão de não vender mais a publicação.

    “Primeiro foi o Lula. Em uma matéria que falava sobre o jornalista americano, que chamou o presidente de bêbado, Lula aparecia nas fotos de olho vermelho ou de outra forma que lembrasse o alcoolismo. O Chávez a mesma coisa, tentaram destruir a imagem dele de líder. Os dois são presidentes eleitos democraticamente, e precisam ser respeitados”, conta.

    A revista Época acabou indo pelo mesmo caminho, e também parou de aparecer nas prateleiras de Fábio. A Primeira Leitura, que fechou suas portas no último mês de junho, antes ficava “só nos cantinhos, onde as pessoas não enxergam”, e também parou de ser comercializada.

    Perguntado sobre sua orientação política, Marinho se diz de esquerda, um “socialista democrata, mas não sou Lulista e nem petista”, ressalta.

    Uma possível resposta das editoras proprietárias das publicações não é preocupação para Fábio, e segundo José Claudino de Oliveira, assessor jurídico do sindicato dos vendedores de jornais e revistas do RS, nem deveria ser.

    Na opinião de Oliveira, a empresa não teria motivos para se preocupar com uma ação isolada como a do jornaleiro, que não traz prejuízos. Esclarece que o sindicato une autônomos em busca de melhores condições de trabalho e nada mais, e a decisão de Fábio é particular, não tendo nenhuma participação da entidade. “Se não vender quem não ganha é ele”, explica.

    O assessor diz ainda que, se o jornaleiro precisar de ajuda caso haja a ofensiva, seu caso terá de ser estudado, pois é atípico. “Se tu tens uma padaria, e vende pão, não vai ficar questionando o tempo todo de onde vem a farinha”, exemplifica Oliveira.

    Fábio não concorda, e diz que “se a farinha é transgênica ou radioativa” precisa sim, ser questionada. Mesmo sabendo que a maioria dos seus clientes quase nunca quer estabelecer um diálogo para confrontar pensamentos, e sim um “monólogo” para a pura e simples exposição dos mesmos, ele segue firme na sua decisão usando a sua “pequena, mas útil margem de manobra”.

    * Matéria originalmente publicada na versão impressa do Fazendo Média

  • Homenagem a Carlos Fayet

    Margarete Moraes*
    Muitas pessoas ao morrer permanecem vivas naqueles que as amaram, na memória daquilo que ensinaram e transmitiram. Enquanto alguém lembrar delas, suas vidas continuam, e nem a morte pode interrompê-las.
    Outras pessoas fazem parte da memória da cidade. Estão inscritas naquilo que criaram. É uma memória de todos, parte da vida da cidade. É neste grupo que se inscreve Carlos Maximiliano Fayet, arquiteto que deu vida à idéia de um teatro popular no coração da cidade. O Araújo Vianna, antes na Praça da Matriz, veio para a Redenção composto em seus traços: aberto, pleno, tão disponível que, em sua primeira versão, tinha a protegê-lo apenas as paredes laterais, e por teto o céu, que muitas vezes fez parte do espetáculo, para o bem e para o mal.
    Mas, tal como a cidade a sua volta, o Araújo teve que se adaptar ao tempo e aos novos tempos. Foi preciso repensa-lo. E, de novo, coube ao arquiteto Fayet, com o carinho do criador para com a sua criatura, dar-lhe uma cobertura, deixando a chuva e o ruído do lado de fora.
    Nesta semana Porto Alegre perdeu um de seus desenhistas. O Araújo, em involuntária solidariedade, acompanha a perda, esquecido pela cidade para a qual foi erguido. Há mais de dois anos fechado, o auditório Araújo Vianna está entregue às pombas, que o ocupam e emporcalham, excluído de seu destino.
    Em setembro Porto Alegre recebe o Porto Alegre em Cena. Seria uma bela homenagem a Fayet que espetáculos para grande público acontecessem em nosso maior teatro, o único erguido para a arte ser para todos, sem exclusão social, e não em casas distantes do centro e locadas a altos preços.
    A cidade não merece este esquecimento. Homenageemos o arquiteto Carlos Fayet com palmas, renovadas a cada espetáculo em nosso auditório Araújo Vianna.
    *Vereadora PT/Porto Alegre, ex-secretária da Cultura de Porto Alegre

  • Cidadão Kane no cinema

    Naira Hofmeister

    Um filme, muitos mitos: Cidadão Kane (Drama, EUA, 119 min, preto-e-branco, 1941), de Orson Welles é um marco na história do cinema. Se transformou em cult, amplamente debatido ao longo dos 60 anos de história que possui por ter inaugurado uma nova forma de narrativa. Romper a linearidade do tempo no cinema, utilizando flashback – hoje, um absoluto clichê – foi “invenção” de Welles.

    Os recursos técnicos empregados também foram inovadores, como a obsessão do diretor em rodar as cenas com todos os planos em foco e utilizando jogos de luz e sombra pensados em conjunto com o diretor de fotografia Gregg Toland.

    O outro mito é a própria estória que conta. Baseada na bibliografia do magnata William Randolph Hearst, considerado o fundador do jornalismo marrom, termo que define a imprensa sensacionalista, Cidadão Kane enfrentou uma cruzada da mídia americana na época, controlada por Hearst, que resultou num enorme fracasso de sua estréia.

    A história, porém, se encarregaria de colocar o filme em seu lugar – no topo da lista das mais importantes películas produzidas – de onde nunca mais saiu. A trama inicia na mansão do protagonista, vivido pelo próprio Welles, onde Charles Foster Kane, em seu escritório, medita durante seus últimos minutos de vida.

    Antes de morrer, o personagem fala a palavra que se transformaria em um fetiche para os cinéfilos: Rosebud. É em busca de seu significado que um repórter conduz a narrativa, encontrando-se com figuras importantes na vida de Kane.

    O personagem percorre a trajetória de  Kane, que viveu uma infância pobre transformou-se no dono de um poderoso impérios das comunicações nos Estados Unidos. Além da misteriosa palavra pronunciada antes de morrer, a história do longa-metragem encerra outras reflexões em si, sobre os desvios que o poder pode exercer na dignidade de um homem.

    Quando foi rodado, Orson Welles manteve em sigilo sua intenção de narrar a vida de William Randolph Hearst. Quando o executivo de mídia descobriu que sua vida particular seria levada ao grande público, ameaçou o estúdio RKO, produtor do longa.

    Tentou suborno – queria pagar o custo do filme, em troca da destruição dos negativos – chantagem (denunciar grandes maracutaias hollywoodianas à imprensa) e, finalmente, iniciou uma guerra difamadora contra o filme em seus jornais, revistas e rádios.

    Por fim, a solução: Welles retirou de Cidadão Kane todas as referências que poderiam levar à identificação de Hearst no filme. Como se sabe, porém, o artifício não adiantou e o mundo inteiro assistiu Cidadão Kane sabendo de quem se trata na vida real.

    No entanto, a pressão exercida pela imprensa acabou por tirar 8 dos 9 Oscars a que concorria, restando apenas o troféu de melhor roteiro, para Welles e Herman J. Mankiewicz.

    A Sala Redenção exibe gratuitamente, na noite dessas segunda e terça-feira, 25 e 26 de setembro, o longa-metragem, seguido de debate com as professoras Mirriam Rossini e Fatimarlei Lunardeli, do Núcleo de Cinema e Comunicação da FABICO – Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS.

    Serviço:

    Cidadão Kane será exibido nesta segunda e terça-feira, 25 e 26 de setembro, às 19h, na Sala Redenção, no Campus Central da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110). Entrada franca.

  • Prefeitura apresenta proposta de reajuste aos médicos do Saúde da Família

    Prefeitura propôs reajuste de 33% para médicos iniciantes, com jornada de 40 horas (Foto: Diego  Castro/Divulgação)

    Helen Lopes

    A paralisação dos médicos que atuam no Programa Saúde da Família (PSF) em Porto Alegre, marcada para esta segunda-feira, 25 de setembro, foi cancelada porque a Prefeitura apresentou proposta de aumento salarial para os profissionais.

    De acordo com a representante dos 82 médicos do PSF na Capital, Adriana Rojas, a mobilização havia sido aprovada numa reação à ausência de iniciativa da administração municipal às reivindicações dos médicos. “Mas como houve o início da negociação, resolvemos não parar”, justificou Adriana.

    Em reunião, na tarde desta segunda-feira, na sede do Sindicato Médico do RS (Simers), o coordenador da Rede de Atenção Básica da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Inélio Figleski, propôs reajuste de 33% para os profissionais iniciantes no PSF, com jornada de 40 horas semanais.

    O salário básico dos médicos passaria de R$ 3.800 para R$ 4.500, com um incentivo de R$ 600 para quem possui especialização em Medicina de Família e Comunidade. “O objetivo da Secretaria é diminuir a diferença entre os contratos novos e antigos”, destacou Figleski.

    Para Adriana, os valores ainda estão abaixo do esperado, mas há a expectativa de compor um reajuste mais próximo aos salários do interior, que são em média de R$ 7 mil. “A Secretaria reconhece que a valorização dos profissionais evita o sucateamento dos PSFs, pois muitos médicos acabam desistindo do programa”, disse Adriana.

    Adriana: “Enfoque do Saúde da Família é avaliação e acompanhamento da comunidade” (Foto: Helen Lopes/JÁ)

    Conforme a vice-presidente do Simers, Maria Rita de Assis Brasil, a rotatividade dos profissionais, em Porto Alegre, é uma dos maiores do País.

    A proposta será debatida pelos médicos nesta quarta-feira, 27 de setembro, e uma contra-proposta deve ser apresentada num novo encontro, na sexta-feira 29, na sede da Fundação de Apoio a UFRGS (FAUFRGS), responsável pelo pagamento dos salários.

  • Acessos a Internet crescem cada vez mais


    Para Sílvia de Jesus, o site pode ser global e local (Foto: Divulgação/ADVB/JÁ)

    Sérgio Lagranha

    O site Hagah, apesar de todo o poder do BV (Bonificação por Volume) do Grupo RBS junto às agências, ainda tem poucos banners. Um deles naturalmente é do Banrisul, do governo Rigotto, parceiro incondicional dos produtos da RBS.

    Mesmo assim, a vice-presidente de Internet e Inovação do Grupo RBS, Sílvia de Jesus, mostrou-se otimista com o futuro da Internet e deixou claro que o grupo gaúcho está apostando nesta nova mídia durante a palestra da terceira edição do Cardápio de Negócios da ADVB, realizada nesta segunda-feira, 25 de setembro, no Sheraton Porto Alegre Hotel.

    Os números dão razão a Sílvia de Jesus: foram 13,4 milhões de usuários em julho de 2006, o que representa um crescimento de 17% em relação a Julho de 2005, conforme pesquisa Ibope/ NetRatings.

    O Brasil mantém a liderança mundial do número de horas navegadas em casa com uma média de 20h39min. O registro de domínios .br teve um crescimento de 20,2%, passando agora a ser de 957.979 registros.

    Outro dado positivo para quem quer vender algum produto na Internet é que a faixa etária que mais acessa está entre 25 a 49 anos. O número de acessos em eventos cresceu 137%, com 160 mil usuários. O acesso a vídeos e filmes aumentou 21,4%, passando de 3,4 milhões para 4,2 milhões, principalmente pelo site de visualização You Tube, seguindo tendência mundial.

    É praticamente inviável entrar num site como o You Tube com conexão de linha discada. O Ibope/NetRatings calcula que em maio passado havia 9 milhões de usuários residenciais com banda larga no Brasil.

    Isso equivalia a 68% das conexões residenciais de acesso à Internet existentes no País naquele momento. Até o final deste ano, o Ibope/NetRatings projeta que haverá 10,5 milhões de brasileiros com banda larga em casa.

    A audiência da Internet é medida pelo Ibope, em parceria com a empresa norte-americana NetRatings, de maneira semelhante à da TV. Porém, em vez de um aparelho acoplado ao televisor, é um software instalado no computador que registra o hábito do usuário.

    Global e local

    Segundo Sílvia, do total da publicidade veiculada na Inglaterra, 6% estão em portais e sites. No Brasil, o percentual ainda é de 2%, com R$ 158 milhões investidos. No primeiro semestre, o crescimento da publicidade na Internet no Brasil foi de 16,6%, comparando com o mesmo período do ano passado.

    Uma das dúvidas principais tanto das empresas que querem vender na Internet, como dos portais de notícias, refere-se ao foco ser global ou local. Apesar de muitos imaginarem que a Internet é global, crescem muito nos Estados Unidos os sites locais, para atender determinadas comunidades, explica Sílvia. “A empresa tem que atuar nas duas facetas”, sugere.

    Para ela, entre as vantagens dos sites estão a ampliação de mercado, atendimento, redução de custos, de matéria-prima e logística. Reconhece, no entanto, que é preciso ter paciência e ajustar permanentemente o foco, como qualquer novo negócio.

    Neste ano o mercado de eletroeletrônicos calcula que as vendas de PCs no Brasil crescerão cerca de 30%. Uma parte disso deve-se às classes C e D, beneficiadas pelo maior acesso ao crédito. No primeiro semestre, o comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 1,7 bilhão, 80% mais do que no mesmo período do ano passado.

    Sílvia de Jesus liderou a implantação do ZAZ e atuou à frente do portal Terra, como presidente-CEO para a América Latina, sendo responsável pela gestão e pelos resultados da empresa em 14 países, entre eles o Brasil.

  • Último domingo de campanha movimenta Brique da Redenção

    No último domingo de campanha, bandeiras coloriram o Brique (Fotos: Helen Lopes/JÁ)

    Helen Lopes

    O último domingo de campanha agitou o Parque Farroupilha neste domingo, 24 de setembro. Militantes com bandeiras de todos partidos e candidatos coloriram o parque buscando o apoio de eleitores. Teve até mobilização pelo voto nulo.

    Pela manhã, quatro dos 10 candidatos ao Palácio Piratini fizeram caminha no Brique da Redenção. O primeiro foi o candidato do PP, Francisco Turra, que distribuiu panfletos e falou com o eleitorado em frente à barraca do partido, na avenida José Bonifácio.

    Por volta do meio-dia, começou a caminhada da Frente Popular (PT e PC do B). O candidato Olívio Dutra e a vice Jussara Cony, acompanhados por candidatos a deputado federal e estadual, encabeçaram a marcha, que durou uma hora e percorreu toda a feira.

    Última caminhada da manhã foi do P-SOL, com Luciana Genro e Roberto Robaina à frente

    O candidato do PSB, Beto Gril também fez campanha no Brique. Entregou propaganda e reuniu simpatizantes em frente à banca do partido. A última caminhada da manhã foi a do P-SOL, com Roberto Robaina e a candidata a deputada federal Luciana Genro na frente.

    Contra a corrupção

    Cartazes ironizam declaração do presidente

    Em frente ao Monumento ao Expedicionário, uma manifestação chamava a atenção de quem passeava. Ao som de “Brasil, mostra tua cara”, de Cazuza, os manifestantes com nariz de palhaço seguravam cartazes pedindo o fim da corrupção no país e convidavam as pessoas a assinar um abaixo-assinado.

    Mesmo sem nenhum adesivo de candidatos, as palavras de ordem tinham endereço certo:“Aqui no RS é diferente, não tem essa de não sabia”, anuncia uma mulher no auto-falante, referindo-se à última pesquisa eleitoral no Estado, que indica Geraldo Alckmin, do PSDB, na frente do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

    O voto dos sem-esperança

    Jovens fizeram campanha pelo voto nulo

    À tarde, uma mobilização inusitada. Enquanto os candidatos passaram a manhã pedindo votos, um grupo de jovens tentava convencer as pessoas a anulá-lo. O relações pública Caco Rocha, de 28 anos, resumiu o motivo do protesto: “Se Lula era a esperança, ela morreu”.

    Empunhando uma bandeira com o dizer “Numa democracia falsa, todo o voto é nulo”, Rocha assegurou que a opção de anular o voto é uma forma de ir contra todo o sistema, não só ao Governo Federal. “Minha parcela de poder fica comigo, não concedo a ninguém”, finalizou.