Autor: Elmar Bones

  • Festa da Primavera agita feira da Coolméia

    Fregueses fizeram fila para concorrer aos prêmios (Fotos: Helen Lopes/JÁ)

    Helen Lopes

    Para celebrar a estação mais fértil do ano, a Coolméia realizou neste sábado, 23 de setembro, a Festa da Primavera na feira ecológica do Bom Fim. A manhã nublada foi animada com música, degustação de receita saudável e sorteio de cestas e mudas de plantas.

    Quatro caixas de som foram colocadas ao longo na avenida José Bonifácio. Entre uma música e outra, a associada da Cooperativa Ecológica, Claúdia Dreier, anunciava o que cada uma das 40 bancas oferecia, falava dos benefícios da alimentação orgânica e convidava o público a participar da festa. “É para ser como uma vitrine”, ilustra Claúdia.

    Claúdia: “Intenção é aproximar o público da Cooperativa”

    Foram sorteadas três cestas, cada uma com 25 produtos orgânicos, montadas pelos agricultores associados à Coolméia. A cada compra, o consumidor ganhava um ticket. Ao juntar cinco, trocava por um cupom para concorrer.

    Também foram sorteadas 21 mudas de plantas ornamentais e de árvores de grande porte, como o pau-brasil. A iniciativa agradou os freqüentadores. “Gostei porque confraterniza com o público”, disse Patrícia Silveira, que há um ano se desloca da zona norte da Capital para adquirir produtos sem agrotóxicos.

    Outra atração da festa foi a degustação da maionese saudável, feita com aipim, cenoura e tempero verde, servida em folha de beterraba. Receita da nutricionista Herta Weiner, que acompanhou o cardápio do restaurante da Coolméia desde a inauguração.

    Aos 83 anos, Dona Herta fez questão de participar da comemoração, dando orientações para uma alimentação natural. Ela explicava a quem perguntasse como se faz a maionese saudável.

    Dona Herta mostra com orgulho crachá da Coolméia

    A intenção dos produtores é promover essa atividade uma vez por mês. Mas, por enquanto, devido à crise financeira da Cooperativa, está confirmada apenas a do próximo mês, que será no dia 21 de outubro, em comemoração aos 21 anos da feira ecológica.

    A Coolméia também organiza a feira no Menino Deus, no pátio da Secretaria Estadual da Agricultura, as quartas-feiras à tarde e aos sábados pela manhã.

    “Não há previsão para reabrir restaurante”

    Se a feira vai bem, a loja e o restaurante que estiveram abertos por muitos anos na sede da José Bonifácio e por algumas semanas na avenida Osvaldo Aranha – último endereço – não têm previsão para serem reabertos ao público.

    Conforme Danilo Paiva, um dos integrantes da comissão formada por associados para analisar a situação financeira da cooperativa, não há como projetar nada ainda, apesar de o grupo estar se reunindo desde junho.

    No final de maio, a Coolméia fechou após dois assaltos consecutivos, que foram apenas o estopim de uma crise econômica que se alongava há anos. Após quatro meses de trabalho, Paiva revelou que existem muitos processos judiciais tramitando contra a cooperativa.

    O problema é maior do que todos esperavam. A última direção não deixou informações com o grupo e a análise da situação da Coolméia ainda não foi concluída.  A proposta inicial era fechar por seis meses, o que não deve se concretizar, já que novembro está aí e o estágio atual ainda é de levantamento de dados.

  • Um país tropical, abençoado por Deus

    O músico e ensaísta José Miguel Wisnik, o crítico de cinema Pedro Butcher e o diretor de teatro Zé Celso Martinez (Fotos: Cleber Passus/Divulgação/JÁ)

    Naira Hofmeister
    O caldeirão de tendências, por vezes antagônicas ou não lineares, é a gênese da cultura brasileira, contemporânea mesmo em sua origem. Essa pode ser a síntese das palestras que Zé Celso Martinez, José Miguel Wisnik e Pedro Butcher realizaram dentro do Projeto Copesul Cultural, na noite de terça-feira, 19, cujo tema era Brasil Contemporâneo.
    A primeira intervenção, de Pedro Butcher, teve como alvo a construção do Cinema Brasileiros no século 20 e as perspectivas para os próximos anos, principalmente ligadas a tecnologia digital. A seguir, José Miguel Wisnik utilizou o futebol como metáfora da matriz criadora do brasileiro, pouco objetiva mas com um conceito artístico complexo. Por fim, Zé Celso Martinez levou o público à loucura, abordando temas diversos como o trabalho que desenvolve no teatro Oficina, legalização das drogas, urbanização ou política contemporânea. “O PT fez um favor à sociedade, porque revelou como funciona o sistema realmente”, disse, arrancando aplausos dos espectadores.
    Macunaíma e futebol: a evidência da arte brasileira
    A cultura tupiniquim pode ser compreendida através dos tipos literários que ela mesma produz. Macunaíma, herói e vilão ao mesmo tempo, representa a matriz sobre a qual se forjou a arte nacional: o que deveria ser considerado deficiência, acaba originando a singularidade e o espetacular: “Em Garrincha, o que parece faltar, vira a sobra”, anotou Wisnik, que defendeu que o futebol se aproxima enormemente do teatro, por ser o primeiro esporte dedicado à platéia, com códigos universais que tornam possível sua compreensão em qualquer lugar.

    Wisnik: a redescoberta do’jeitinho brasileiro’

    Além do mais, “não há como falar em futebol, em qualquer parte do mundo, sem considerar a existência do Brasil”, acredita. É essa importância da contribuição nacional ao desenvolvimento da arte da bola – na contramão do desinteresse e insucesso americano pelo ‘soccer’ – que o transforma em via de expressão da cultura brasileira em toda a parte.
    Wisnik criou uma relação entre arte erudita e a prática esportiva, que explica a subjetividade da cultura nacional. “O futebol alemão é uma prosa realista; o italiano, uma prosa estetizante, e o brasileiro pura poesia”. Segundo o pensador, essa característica poética é justamente atravessada pela narrativa que liga o futebol ao teatro. Ambos podem ser épicos, trágicos, líricos ou uma paródia: não dependem diretamente do resultado final, do número – de gols ou de público –, mas sim, da atuação de seus integrantes.
    Essa união do popular com o erudito, que se repete na música, por exemplo, não se assemelha a nenhum outro movimento cultural no mundo. A música de beira da praia de Tom Jobim, fortemente influenciada pelo maestro Villa-Lobos, que, por sua vez, foi grande admirador do chorão Pixinguinha. “Tente explicar essa relação para um francês…. nunca vão entender”.
    No cinema, falta a marca de brasilidade
    Pedro Butcher deixou clara sua opinião de que, ao menos no cinema, o Brasil não conseguiu impor sua personalidade. À exceção do Cinema Novo – liderado por Glauber Rocha na efervescente década de 60 – , a sétima arte nacional não imprimiu originalidade ao produto. Ao mesmo tempo que não soube reinventá-lo a partir dos modelos já existentes, como fizeram os filmes de ação asiáticos, que “obrigaram a industria americana a remoldar-se”.

    Pedro Butcher criticou a falta de identidade do cinema nacional

    Para o crítico de cinema, a melhor característica da atual fase brasileira de produção cinematográfica é a tendência à democratização, desenhada pelas tecnologias digitais e a facilidade de acesso. “A nova hegemonia da Rede Globo é  mastodôntica e corre sério risco de se destruir quando houver um enorme espaço a se preencher”, disse.
    É também a Internet que possibilita o acesso as grandes referencias do cinema. “Vejo muitos jovens críticos de cinema – gente de 20 anos – que tem um largo conhecimento, que, na minha época, só podia ser atualizado através dos cineclubes”.
    Zé Celso é a contemporaneidade em pessoa
    Se a contemporaneidade nada mais é do que uma intensa e constante tensão entre as diversas tendências, ela está presente na arte brasileira desde sempre, que se constituiu a partir da diversidade. E na noite de terça-feira, 19, o público pôde presenciar uma delas, ao vivo. Zé Celso Martinez, antológico diretor teatral que ajudou a fundar o movimento tropicalista com a montagem de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, que revolucionou as artes cênicas, forjando a brasilidade nos palcos.

    Zé Celso: a encarnação da contemporaneidade

    E foi no clima tropicalista que ele abriu sua fala: “Gosto de ser brasileiro como o Glauber falava: com ‘Z’ e ‘Y’”. Zé Celso é a personificação do conceito de contemporâneo: sabe o que quer dizer, mas fala de uma maneira nada linear e acaba trasnmitindo sua mensagem mesmo sem deixar claro o raciocínio que pretende fazer.
    O artista passeou por diversos assuntos. Atualizou a história do Teatro Oficina, que estréia essa semana a montagem completa de Os Sertões, de Euclides da Cunha, preparada durante os seis últimos anos. Cada um dos cinco capítulos virou uma noite de espetáculo, assim que a peça começa na quarta-feira e termina num domingo. O mais curto dos textos dura 3h30 e os mais longos (os dois últimos), 6h.
    Zé Celso ainda defendeu suas idéias de criação, por parte do Oficina, do Teatro Estádio – “porque a arte chega sim à multidão – e  da Pluriversidade Brasileira – “para formar líderes”. Cantou Primavera, como se fosse uma ode à esperança, em homenagem à nova estação que chega, ao colega e amigo Wisnik – autor da canção.
    Cutucou a classe política, defendendo que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as maiores facções do crime organizado em São Paulo e Rio de Janeiro “demonstram que ainda há vida no país”. “É impossível viver sob o domínio do capitalismo, onde tudo se reduz a guetos, e as pessoas estão proibidas de se encontrar”, atacou. E completou “Nossa língua permitiu a aproximação entre PODER e PHODER, com PH mesmo, que e a mesma coisa!”.
    Ainda falando sobre marginalidade, Zé Celso foi aplaudido ao defender a legalização das drogas, sob o argumento de que morre-se muito menos de overdose do que de tiro: “A droga não é uma questão policial, é sim, cultural e educacional”.

  • Porto Alegre fora do "Dia na cidade sem meu carro"

    Ação ficou restrita à distribuição de panfletos (Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)

    Ana Luiza Leal

    Ciclistas e simpatizantes da causa ambiental em Porto Alegre estão decepcionados com a negativa da Prefeitura em integrar a Jornada Brasileira da 6ª edição do “Dia Mundial na Cidade Sem Meu Carro”. Mais de mil localidades do planeta participam do evento, neste 22 de setembro. Para chamar a atenção do público, uma avenida ou rua é interrompida na data.

    A medida era uma tradição em Porto Alegre, que integrou a jornada desde a primeira edição no país, em 2001. Nos últimos anos, foram parcialmente fechadas as avenidas Osvaldo Aranha e João Pessoa.

    ETPC preferiu “não pertubar o cidadão” e exibiu mensagem quando sinal fechava

    Este ano, a Prefeitura optou por não interromper nenhuma via. “Haverá ações comemorativas à data – só não vamos parar uma grande avenida da cidade, condição exigida pela organização do evento. Optamos por não perturbar o cidadão”, explica o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Luiz Afonso Senna, que assume a responsabilidade pela decisão.

    Motoristas receberam mensagem educativa

    Para que 2006 não passe em branco, EPTC e Smam distribuíram material educativo para os motoristas que paravam na sinaleira do cruzamento da avenida Osvaldo Aranha com a rua Fernandes Vieira, no bairro Bom Fim, das 9h às 10h da manhã desta sexta-feira, 22 de setembro.

    Apesar da ação, Cristiano Hickel, representante das ONGs Transporte Ativo e Movimento Bicicletada, entende que não houve boa vontade da Prefeitura em cumprir a lei que institui a comemoração do “Dia na Cidade Sem Meu Carro”.

    A primeira edição aconteceu em 1997, na cidade de La Rochelle, na França. No ano seguinte houve a adesão nacional e o apoio da Itália. Em 2000, a União Européia institui a Jornada Internacional Na Cidade Sem meu Carro, que reuniu 760 municípios.

    Um total de 1.683 cidades participou da edição de 2001 – 11 eram brasileiras. O Dia surge da preocupação relacionada com a qualidade do ar das cidades. O objetivo do evento é proporcionar às pessoas uma oportunidade para descobrirem outras formas de transporte e de viverem o dia desfrutando a mobilidade.

    Segundo dados da ONG Ruaviva, as cidades pioneiras no Brasil foram: Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas, no Rio Grande do Sul; Piracicaba, em São Paulo; Vitória, no Espírito Santo; Belém, no Pará; Cuiabá, no Mato Grosso; Goiânia, em Goiás; Belo Horizonte, em Minas Gerais; Joinville, em Santa Catarina; e São Luís, no Maranhão.

  • Encontro Kaingang reivindica políticas públicas para índios


    O encontro ocorreu na entrada do Morro do Osso, no bairro Tristeza, em Porto Alegre
    (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Encerrou nesta sexta-feira, 22 de setembro, o Encontro sobre o Papel do Kujã (Xamã) na Sociedade Kaingang Contemporânea. O evento estadual ocorreu na aldeia Morro do Osso, em Porto Alegre, reunindo cerca de 70 pessoas, entre índios de todo Rio Grande do Sul, representantes de entidades da sociedade civil e órgãos públicos.

    O objetivo foi debater políticas públicas para povos indígenas e reforçar a luta pela permanência dos índios no Morro do Osso. O cacique da aldeia e organizador do evento, Jaime Alves, afirma que esta é a primeira reunião geral dos Kaingang no Rio Grande do Sul.

    Segundo ele, os índios são acusados pelos governos de não se organizarem para pedir medidas de sustentabilidade como moradia, saúde, educação e terra. “Mas hoje estamos organizados, trazendo a discussão para dentro da aldeia”, disse.


    Cacique da Aldeia Morro do Osso, Jaime Alves: “E ainda dizem que somos desorganizados”

    No primeiro dia, a quarta-feira 21 de setembro, as atividades foram reservadas para as comunidades indígenas, que realizaram um trabalho interno. Na quinta-feira ocorreu uma mesa de caciques, com a presença dos chefes das comunidades do Morro do Osso, Iraí e Rio da Várzea. O último dia teve na programação discussões sobre políticas públicas.

    Pela manhã, estiveram na mesa representantes da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), Emater (Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural), Comin (Conselho de Missão entre Índios), Cepi (Conselho Estadual dos Povos Indígenas), Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e secretarias municipais da Saúde e Direitos Humanos.

    Para a parte da tarde foram convidados Ministério Público, Governo do Estado e Prefeitura de Porto Alegre, mas nenhum dos três enviou representantes. O debate seguiu com o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, José Otávio Catafesto, e o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Sérgio Luiz Bitterncourt.


    Entre os debates, aconteceram rituais como o banho purificador de ervas

    Catafesto afirma que o encontro é importante porque a luta dos Kaingang em Porto Alegre é a mesma que mobiliza outras comunidades indígenas no resto do Estado. Ele também elogiou a realização de rituais entre os debates, o que resgata a importância das lideranças espirituais. “Há anos trabalho com comunidades indígenas e vejo que muitas deixam de lado o lado espiritual”.

    O cacique Jaime agradeceu o apoio e já anunciou uma segunda edição do encontro estadual para 2007. Ele sonha que a data entre para o calendário oficial de eventos de Porto Alegre. “No dia 20 de setembro o Governo do Estado investe muito dinheiro para lembrar o gaúcho, enquanto a história do índio é esquecida”, lamenta.

    A luta pela permanência

    Um dos assuntos mais discutidos nos três dias do encontro foi a luta pela permanência dos índios Kaingang no Parque Natural Morro do Osso, em Porto Alegre. A polêmica se dá porque a área é considerada pela Prefeitura como de preservação ambiental.

    O presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Sérgio Luiz Bitterncourt, que auxilia os índios nas questões jurídicas, contou mais uma vitória do grupo para que continue no local. “Essa semana ficou decidido que a comunidade permanece no Morro até a conclusão do processo que corre na Justiça Federal”.

    Ele se refere ao pedido da prefeitura de Porto Alegre, que entrou com uma ação cautelar para que os índios fossem retirados do local enquanto não sai o resultado do laudo antropológico encomendado pela Justiça Federal.

    O estudo dirá se existe resquício de vivência indígena no parque, o que justificaria ou não a presença da tribo no local. Se for comprovada a tese da comunidade liderada pelo cacique Jaime, o Morro do Osso será demarcado como terra indígena e o o grupo, que hoje vive em condições precárias, na entrada do parque, poderá ocupar toda a área verde.

  • Teatro gaúcho vai à Bahia e Montevidéu

    Naira Hofmeister
    Dos cinco troféus anunciados na noite de segunda-feira, 18 de setembro, no Theatro São Pedro, quatro foram para o mesmo espetáculo. Sonho de Uma Noite de Verão, montagem da diretora Patrícia Fagundes, ganhou o 1º Troféu Braskem Em Cena de Melhor Espetáculo, segundo o júri oficial e a votação popular.
    A premiação também consagrou Patrícia Fagundes como Melhor Diretora e Heinz Limaverde – que ainda atuou na peça infantil O Hipnotizador de Jacarés, de Dilmar Messias –, como o ator de maior destaque entre os gaúchos.
    “A gente não tem muito o que dizer… não esperávamos nada disso. Muito obrigada!”, emocionou-se Patrícia Fagundes, que recebeu seu primeiro prêmio de direção na carreira.
    O troféu para Melhor Atriz premiou a extensa carreira de Sandra Dani, pela interpretação de uma mulher neurótica no espetáculo Calamidade, dirigida por Cláudia De Bem. Cada laureado vai receber também um valor em dinheiro – R$ 20 mil para o melhor espetáculo e R$ 3 mil para cada prêmio individual.
    A surpresa da noite, além dos quatro troféus para Sonho de Uma Noite de Verão, foi o anúncio do vice-presidente de Relações Internacionais da Braskem, Alexandrino Alencar, de que o espetáculo seguiria em viagem à Bahia – onde a petroquímica mantém um prêmio de talentos para as artes cênicas – e no afamado Teatro Solís, em Montevidéu, a pedido do Secretario de Cultura da cidade.
    Alexandrino contou que a viagem à Bahia já era planejada e seria entregue ao espetáculo preferido pela crítica, apesar de ter sido mantida em sigilo antes da cerimônia. A visita ao Uruguai foi decidida na entrada do Theatro São Pedro, por solicitação de Luciano Alabarse e Serguis Gonzaga e teria como alvo o vencedor do Júri Popular.
    Segundo o executivo, a dupla comentou-lhe que o Secretário da Cultura de Montevidéu, Mauricio Rosencof – que esteve presente no evento – gostaria de ver apresentações dos gaúchos, a quem creditou muitos elogios, na capital uruguaia.
    “Sergius me prometeu que seria baratinho, então eu topei”, contou Alexandrino à platéia. Além disso, o próprio Sergius lembrou que Jorge Árias, crítico do país vizinho, elegeu alguns epstáculos gaúchos como os melhores do festival. “E olha que ele é bem chato”, ironizou.
    Alexandrino revelou, com exclusividade ao JÁ, que a empresa pretende investir ns jovens artistas: “Queremos fazer um projeto com espetáculos inéditos, mas ainda não sabemos se será da música, das artes plásticas ou cênicas”.
    Fogaça faz sugestões públicas de novos investimentos para a Braskem
    Numa noite que teve como marco a descontração, com a platéia de artistas liderando as manifestações – gritos, aplausos e palmas ritmadas – o destaque ficou com o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça.
    Ele não perdeu a oportunidade dada por Alencar, que afirmou estar esperando a palavra do prefeito para determinar novos investimentos na área cultural da cidade.
    Com bom humor, o prefeito disse à platéia. “O Auditório Araújo Viana está interditado por falta de segurança e precisamos de alguém que se responsabilize pela reforma. Fica aí uma sugestão beeeem indireta para novos investimentos da Braskem”. A outra proposta de Fogaça era para a construção de um centro cultural na Zona Sul da cidade.
    A descontração acompanhou o restante da noite e marcou um embate irônico entre ambos. “O prefeito acha que eu tenho uma empreiteira”, riu-se Alencar. O executivo deixou claro que acredita no investimento cultural como uma poderosa ferramenta de marketing. “É uma ótima maneira de penetrarmos na comunidade de maneira legítima”.
    Petroquímica ganhou apoio explícito da classe artística
    Já no início da cerimônia de entrega do 1º Prêmio Braskem Em Cena, Alexandrino Alencar comprovou que sua tese estava correta: num vídeo com duração aproximada de uns dez minutos, representantes de cada um dos 10 espetáculos gaúchos saudavam entusiasticamente a iniciativa.
    A fala do secretário municipal de cultura, Sergius Gonzaga, deu ainda mais importância à participação da petroquímica no festival. “Certa vez, tive Luciano Alabrase sentado à minha mesa, em prantos, porque não havia verba para trazermos o Othelo lituano para o Em Cena. Mesmo comovido, não pude ceder, porque era realmente muito caro. Passadas duas semanas, Luciano, como uma típica personagem de Nelson Rodrigues, osbtinada, entrou novamente no meu escritório gritando Braskem, Braskem, Braskem”.
    Foi a deixa para que toda a platéia aplaudisse entusiasmada aquele que é um dos principais patrocinadores do festival que, apenas na premiação, investiu mais de R$ 30 mil. ”Prometemos que no ano que vem, estaremos de volta”, garantiu Alexandrino.
    Noite de festa teve música ao vivo no palco do São Pedro
    Marcelo Delacroix, Vanessa Longoni e Muni foram os músicos que brilharam na noite dos teatreiros de Porto Alegre. Em pequenas apresentações individuais e, ao final, em grupo, os artistas conferiram ao prêmio ainda mais brilho.
    Delacriox apresentou-se ao lado de Mateu Mapa, com quem interpretou, primeiro, uma música ritualística, apenas ao som da percussão; seguida de duas baladas com violão de flauta doce. Vanessa Longoni agradou com sua voz forte, interpretando canções do espetáculo A Mulher de Oslo, ao lado do violonista Ângelo Primon. E Muni fez um belo dueto com a pianista Simone Rasslan.
    A noite terminou com apresentações do trio principal de músicos, com uma canção que reverenciou as “pessoas do teatro gaúcho”, a quem Delacroix agradeceu “por ensinarem a gente a ser artista também”.

  • Precisa mais o quê para as estradas?

    Agenor Basso *
    As formas do Poder Público Municipal, Estadual e Federal de extorquir os cidadãos é de uma criatividade impressionante.
    A imaginação dos burocratas e de muitos políticos é de uma fecundidade de fazer inveja aos mais privilegiados sonhadores.
    O mais grave é que os valores arrecadados se perdem pelos meandros dos interesses e da burocracia encastelada, não vindo beneficiar os cidadãos que, assim, se sentem na condição de indefesos otários. Qual é a perspectiva de que esta situação mude ? Infelizmente, quase nenhuma, pois não queremos nos “incomodar”.
    São taxas, tarifas, contribuições, pedágios federais, pedágios comunitários, pólos de pedágios e as infinitas maneiras de achacar a sociedade, fazendo com que a carga tributária, atualmente, seja insuportável, precisando de uma reversão.
    O caso da manutenção, melhoria e construção de novas estradas é um protótipo desta situação que vivemos. Há poucos dias, surpresos, tomamos conhecimento que sobre toda a passagem de ônibus inter-municipal há uma “taxa de manutenção e serviços de rodovias”. Foi criada pela Lei 5.875, de 09.12.1969, mais uma daquelas leis impingidas quando todos estão envolvidos com as festas de fim de ano. Foi regulamentada pelo Decreto nº 20.051, de 23 de dezembro de 1969 ( será que foi durante a missa do galo ?).
    No ano de 2005 o DAER/RS arrecadou R$ 1.671.000,00. Alguém fiscalizou onde foi aplicado este valor ?
    Mas precisamos confirmar um outro fato pois, em contato com transportadores de carga, estes, também, estariam pagando a referida “taxa de manutenção de rodovias e serviços”.
    Todavia, em relação às passagens de ônibus inter-municipais, todo usuário paga ainda 9% a mais para os concessionários de ônibus pagarem os pedágios.
    Assim sendo, temos a CIDE ( mais de R$ 30 bilhões) que incide sobre os combustíveis e que fica com o Governo Federal. Pagamos o IPVA que entra para os cofres do Governo Estadual e Municipal. Os Pólos de Pedágios, que além de rechearem suas “burras”, distribuem dinheiro para os Governos Municipais e, também, para o Governo Estadual e há poucos dias, a descoberta de mais uma “taxa” para manutenção de rodovias, recolhida para o DAER/RS.
    Decididamente estamos sob o domínio da irracionalidade pública. Nossas estradas poderiam estar em perfeitas condições sem os pedágios, mas agentes públicos mancomunados com interesses privados estão vergando a sociedade ante o peso da carga de impostos diretos e disfarçados.
    A Associação dos Usuários de Rodovias – ASSURCON-SERRA e RGS, luta há sete anos para reverter este quadro de abusos, desvios de objetivos, prepotência, arbitrariedades, tudo isto escudado na impunidade, pois nada acontece a ninguém, desta forma, quem sofre e arca com todo o peso, somos nós cidadãos e usuários. Cabe a cada um fazer sua parte alterar esta situação, a ASSURCON está dando sua contribuição.

  • Redenção ganha Associação dos Amigos do Parque

    Cerimônia marcou os 71 anos da Redenção, nesta terça-feira, 19 de setembro (Fotos: Helen Lopes/JÁ)


    Helen Lopes

    Ao completar 71 anos, a Redenção foi presenteada com a fundação de uma entidade civil, formada pela comunidade, para auxiliar na promoção e preservação da área. O anúncio oficial foi feito em frente ao Monumento ao Expedicionário, na tarde desta terça-feira, 19 de setembro, dia do aniversário do parque.

    A Associação dos Amigos do Parque Farroupilha pretende congregar todas pessoas interessadas em ajudar. “Qualquer um pode participar, moradores, freqüentadores e até quem não vem ao Parque”, brinca Roberto Jakubasko, membro do Conselho de Usuários do Parque há seis anos e um dos integrantes da Associação.

    Jakubasko reside há 50 anos no Bom Fim e falou em nome da comunidade, na solenidade. Destacou que o aumento do fluxo de pessoas eleva a despesa de manutenção. “Nosso objetivo é realizar ações para melhorar a qualidade de uso do parque, além de participarmos das decisões junto com a gestão”, afirmou.

    Conforme o administrador da Redenção, Clóvis Breda, a idéia da associação é antiga e foi possível a partir da consolidação do Conselho de Usuários, criado há seis anos. “Esse grupo formou a base, uma rede de pessoas em contato para tratar assuntos da Redenção”, observa Breda.

    Ele acredita que o Conselho deve continuar fazendo a interlocução política com a administração municipal, enquanto a associação irá interagir de forma mais prática na captação de recursos, através de patrocínios ou convênios, para a conservação do parque.

    “Isso dará mais agilidade aos projetos e podemos até participar da Lei de Incentivo à Cultura, para fazer a manutenção do Monumento do Expedicionário”, exemplifica.

    A primeira assembléia da Associação de Amigos do Parque Farroupilha acontecerá nesta quinta-feira, 21 de setembro, a partir das 19h, no Anexo do Instituto de Educação General Flores da Cunha (av. Osvaldo Aranha, 527). Na ocasião, será discutida uma proposta de estatuto e a formação de uma coordenação.

    “Cerca inteligente”

    Na cerimônia, o secretário municipal do Meio Ambiente, Beto Moesch, enfatizou que além de ser o parque mais conhecido, a Redenção é patrimônio ecológico e cultural do Estado. “São 40 hectares que abrigam 10 mil árvores de 40 espécies, além de monumentos que contam a história do Rio Grande”.

    Durante os 20 minutos em que discursou, Moesch disse que pretende dar atenção à segurança no Parque, ampliando a parceria com a Guarda Municipal e Brigada Militar. “Estamos cercando o parque de forma inteligente, com câmeras de vídeo”, afirmou. Três aparelhos foram instalados, mas as imagens ainda não estão sendo utilizadas pela BM.

    Moesch também destacou a importância Associação dos Amigos do Parque para preservação da área, buscando parcerias e atuando a partir das necessidades apontadas pela comunidade. De acordo com o secretário, a manutenção do Parque custa R$ 1,4 milhão por ano à Prefeitura.

    O secretário reafirmou também a intenção de diminuir os eventos de grande porte no Parque Farroupilha. “Progressivamente, devem ser transferidos para o Anfiteatro Pôr-do-Sol, que foi construído para isso. O que também é uma forma de descentralizar as atrações”, entende.

    Pista de orientação

    A Redenção ganhou nesta terça-feira uma pista permanente de orientação – uma espécie de trilha realizada a partir de um mapa que mostra os postos de direção – instalada em parceria com o Colégio Militar.

    Conforme o diretor da instituição, Tenente Coronel Piaggio, o local servirá para a prática do esporte e o contato da comunidade com as árvores do Parque. “Cada ponto de referência está próximo de uma planta, onde o uma placa com o nome da espécie”, conta.

  • Acampamento Farroupilha dá pouco destaque às etnias


    Últimos dias para freqüentar os piquetes (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    A poucos dias de desmontar os piquetes, os participantes começam a avaliar o Acampamento Farroupilha deste ano. Um dos pontos altos foi o tema escolhido para as atividades culturais, Assim se fez o gaúcho, uma referência  as cinco etnias que compõem os nativos do Rio Grande do Sul. Mas poucos piquetes desenvolveram atividades sobre o assunto.

    Desde o ano passado, a Prefeitura de Porto Alegre exige que cada piquete inscrito tenha um projeto cultural que ofereça oficinas e atividades para a comunidade. Neste ano, de 378 inscrições, apenas 11 planejaram um roteiro sobre o tema proposto: as diferentes etnias gaúchas, como índio, negro, português, italiano e alemão. A maior parte dos inscritos preferiu atividades relativas à culinária e ao chimarrão.

    Waldemar Belém, que há 4 anos participa do acampamento, diz que muitos piquetes nem desenvolvem o roteiro. “Fica só no papel”, conta. Ele diz que alguns grupos oferecem oficinas de montaria, mas nem levam cavalos para o parque Harmonia. “Sai muito caro e o barulho assusta os bichos”. A Prefeitura incentivou o tema com algumas apresentações culturais de diferentes etnias no Galpão da Chama Crioula.

    Os negros


    Soares quis lembrar da história do negro na Revolução Farroupilha

    O Piquete Amigos da Fronteira foi um dos únicos que promoveu atividades relacionadas aos negros no Acampamento Farroupilha. O grupo familiar escolheu homenagear esta etnia  que participou de muitas batalhas na Revolução Farroupilha. “Os negros têm tanta importância quanto os outros, mas nem sempre são lembrados”, lamenta um dos integrantes, Eduardo Soares.

    A família organizou três eventos ao longo da estadia no acampamento: Um debate com personalidades negras que tiveram trajetória marcante no Rio Grande do Sul; um recital de poesias com o ator negro Sirmar Antunes e uma apresentação de contos e lendas gaúchas como o Negrinho do Pastoreio.

    Nas paredes do piquete ainda está montado um painel que mostra os negros gaúchos que ajudaram a desenvolver o Estado. Entre os citados, está o jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho e a atriz Sheron Mancilha Menezes. O objetivo é mostrar que no Rio Grande do Sul existem afro-descendentes que fazem a diferença.

    “Muitas pessoas de outros estados acham que gaúcho é loiro de olhos azuis. Até parece que no Rio Grande do Sul não tem negro”, diz Soares.

    “Não vejo índios no Acampamento”


    A índia Acuab diz que os indios ensinaram muito para os gaúchos

    Na tarde desta terça-feira, 19 de setembro, a índia Charrua Acuab era a única descendente de índios no Acampamento Farroupilha. Ela foi acolhida pelo piquete CTG Tiarayú onde mantém uma banca com plantas medicinais, artesanatos, CDs e DVDs com a história do guerreiro Sepé Tiaraju. A índia, nascida na região das Missões, relata que não vê índios pelo acampamento.

    Para ela, os gaúchos devem muito aos Charrua. “Nós adotamos o gaúcho como filho de criação”. Ela lembra que muitas tradições gaudérias foram ensinadas pelos índios, como chimarrão, facão, espeto e carne no chão. Acuab quer mostrar isso no desfile do dia 20 de setembro, do qual vai participar.

  • Polícia Civil do RS reivindica aposentadoria especial

    Carla Ruas
    Os agentes da Polícia Civil do Rio Grande do Sul realizaram uma paralisação de 24 horas nesta segunda-feira, 18 de setembro. A categoria quer que o Governo do Estado reconheça a aposentadoria especial por exercício de atividade com risco de vida.
    Eles alegam que o governador Rigotto ignora uma decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RS), que garante a aposentadoria voluntária após trinta anos de serviço, vinte em cargo estritamente policial.
    Ao longo do dia, a maior parte das delegacias do Estado estava trabalhando em regime de plantão – atendendo apenas os casos mais graves. Os servidores foram instruídos para registrar homicídio, suicídio, latrocínio, estupro, atentado violento ao pudor, seqüestro e casos com crianças, adolescentes e idosos entre as vítimas. As outras ocorrências não foram atendidas.
    O presidente do sindicato UGEIRM (União Gaúcha dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Policia do Rio Grande do Sul), Isaac Ortiz, diz que ficou satisfeito com a adesão dos servidores. “O movimento ocorreu como era esperado, estamos tentando sensibilizar o governador”.
    Pela manhã, o sindicato se reuniu com os senadores gaúchos Pedro Simon, Sérgio Zambiasi e Paulo Paim para expor as reivindicações no auditório Dante Barone, na Assembléia Legislativa. Após o encontro, eles seguiram para o Palácio Piratini, onde foram atendidos pelo chefe da Casa Civil, Josué Barbosa. Uma nota divulgada no site do Governo do Estado diz que a pauta será analisada pela Casa Civil.
    Mas o presidente do sindicato não está muito confiante. Ortiz afirma que em junho o governador se comprometeu em resolver a situação. “Passaram-se três meses e até agora nada”, diz. Na greve realizada pela categoria em 2004, Rigotto também teria assinado um compromisso para editar uma lei estadual que garantia a aposentadoria. O que não aconteceu. “O governador não quer fazer concursos públicos ou pagar a aposentadoria. Isso mostra que a segurança pública não é uma prioridade”.
    No site do sindicato, uma enquete convida os internautas a responderem a pergunta: “A aposentadoria especial depende do quê?” Até agora, 68,60% dos votos apontam para o governo. O segundo lugar, com 15,12% diz que depende de uma greve.
    A novela
    O sindicato dos servidores defende a aplicação da lei complementar da Constituição Federal número 51, de 20 de dezembro de 1985, acolhida pela União. O Art.1º diz que o funcionário policial tem direito de se aposentar com proveitos integrais após trinta anos de serviço, dos quais vinte em cargo de natureza estritamente policial.
    Em dezembro de 1998 foi promulgada a Emenda Constitucional número 20, que exige que os trinta anos sejam cumpridos exclusivamente em atividade de risco. Este artigo possibilita meio legal para amparar a posição do governador, de que a Constituição Federal não acolhe a lei 51/85 e que existe a necessidade de uma nova lei complementar federal.
    Em 2001 o Estado deixou de aplicar a regra 20 + 10. Mas em agosto de 2005 o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE/RS) decidiu voltar a aplicar as regras definidas pela lei 51/85 a todos os servidores que ingressaram na Polícia Civil até 20 de dezembro de 1998.
    Delegados apóiam
    A Associação dos Delegados de Policia do Rio Grande do Sul (ASDEP), apóia o movimento. O delegado da 8ª Delegacia de Policia, César Danckwardt, diz que passou o dia administrando as atividades da melhor maneira possível. “Se houve o descumprimento da lei eles tem direito de protestar”, disse. Danckwardt afirma que 24 horas é o tempo limite para uma greve dos servidores, já que se trata de um trabalho que garante a segurança pública do estado.

  • 10ª Parada Livre agita a Redenção


    Mais de 6 mil pessoas assistiram às apresentações das drags (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    A tarde ensolarada deste domingo, 17 de setembro, atraiu mais de 6 mil pessoas para a 10ª Parada Livre, no parque da Redenção. O evento, que tinha como slogan “É dando que se recebe”, teve a organização do Nuances, grupo de livre expressão sexual. Antes da parada, as drags Glória Crystal, Laurita Leão e Lady Cibele coordenaram um aquecimento no palco com Dj´s e apresentações de drags.

    O evento iniciou com um tributo ao músico Cazuza, com a banda Poetas do Rock. Logo em seguida, iniciaram as apresentações de drag queens nos mais diversos ritmos: samba, axé, dance e até ao som de Xuxa. No palco e na platéia, muitos travestis e transexuais chamavam a atenção pelas fantasias que vestiam – como Papai Noel e Zorro.

    O público atento, que incluía famílias e crianças, dançou junto e se divertiu com o bom-humor das apresentadoras. Até quem estava vestido de gaúcho aproveitou a festa. Marco Silveira, que foi ao evento pilchado, em homenagem à Semana Farroupilha, estava se balançando ao som das performances. “Acho muito divertido” diz. Ele afirma que não tem nada contra a parada, que rende boas risadas.

    Após a concentração, que durou quase quatro horas, a multidão seguiu em parada pelo entorno da Redenção. Oito caminhões de som animaram o público pelas avenidas Osvaldo Aranha e José Bonifácio, onde o grupo desceu até a avenida João Pessoa e fez a volta para a rótula da Setembrina. Segundo a Brigada Militar, mais de 10 mil pessoas participaram da caminhada.

    Um dos coordenadores do Nuances, Fernando Pocahy, disse que o público correspondeu ao que estava sendo esperado para este ano. “Fizemos uma grande divulgação há vários meses, inclusive com vinheta na rádio Ipanema”. Ele também acha que a mudança da data para setembro, ao invés de julho, foi uma boa escolha por causa do bom tempo.

    Segundo Pocahy, os 10 anos de Parada Livre ajudaram a dar visibilidade ao movimento e a acabar com preconceitos. “Hoje as pessoas saem às ruas para participar”, celebra. Ele também acredita que o evento divulgou o Nuances, que há 15 anos luta pela livre expressão da sexualidade, “sem pedir licença para tal”. O grupo está lançando o projeto Rompa o Silêncio, que presta assessoria jurídica e psicológica para quem sofreu preconceito e maus tratos.

    A 10ª Parada Livre também contou com atividades paralelas desde o dia 10. Entre elas estava um debate sobre a homossexualidade no cinema, na Sala PF Gastal, e uma exposição de fotos por Adriana Franciosi, no Mercado Público. Até o dia 24 de setembro ainda é possível ver o espetáculo Nus Artísticos Celebrando a Diversidade, do artista plástico Leonardo Loureiro. As apresentações ocorrem na avenida José Bonifácio, nº 731, das 11h às 19h.

    A festa em prol da diversidade foi a segunda do gênero em Porto Alegre, já que em agosto, o Grupo Somos – Comunicação, Saúde e Sexualidade – realizou a Parada do Orgulho GLBT. Na ocasião, aproximadamente 5 mil pessoas participaram na Redenção.