Autor: Elmar Bones

  • Stravaganza artística contemporânea

    Naira Hofmeister
    A Companhia de Teatro di Stravaganza recebeu R$ 100 mil do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz para desenvolver o projeto “Stravaganza em Diálogos Contemporâneos”, que será lançado na noite dessa quarta-feira, 5 de julho, no estúdio da companhia (Olinto de Oliveira, 66).
    A premiação reconhece o debate sobre a arte contemporânea, com estudos sobre o espaço cênico, a atuação e direção de textos que trabalhem linguagens inovadoras. “A vida não é mais aquela simplicidade, sofremos estímulos constantes do ambiente, flashes, informação. O teatro tem que refletir essa realidade”, observa Adriane Mottola, diretora e fundadora da Stravaganza em 1988.

    Adriane Mottola fundou o grupo e agora assina a direção de diversos espetáculos de sucesso (Foto: Naira Hofmeister/JÁ)

    Dez atores do grupo, acompanhados de outros 12 colegas convidados, vão assistir a seis meses de aulas intensivas gratuitamente, abrangendo o trabalho corporal, de ritmo, de dança, música e voz. As oficinas serão ministradas por especialistas como a atriz Mirna Spritzer, que vai aperfeiçoar a interpretação de texto, Adriano Basegio, nas aulas de ritmo, sonoridade e improvisação e o Zé da Terreira, que ensina percussão.
    O resultado do trabalho dos atores gaúchos será conhecido pelo público nas Leituras Encenadas, atividade também gratuita, onde 12 textos de diferentes dramaturgos latino-americanos serão apresentados pelos 22 atores das oficinas permanentes. Os textos, em sua maioria, inéditos no Brasil, foram escolhidos levando em consideração critérios como originalidade, sentido contemporâneo e arquitetura da escrita. Após cada encenação, haverá um debate com a platéia.
    As Leituras Encenadas são um exercício que confere agilidade ao processo de criação artística. Enquanto uma peça demora meses para ser montada, essas experimentações são realizadas a partir de três ou quatro ensaios: “Não é um trabalho profundo, mas cria uma rapidez de pensamento que e muito bacana. É como ler 50 livros em seis meses”, exemplifica. As apresentações iniciam no dia 12 de julho, e seguem acontecendo quinzenalmente, sempre às quartas-feiras, no Studio Stravaganza. Cada texto receberá a assinatura de um diferente diretor de teatro gaúcho: “Isso é muito bacana, pois aproxima diretores e atores que não se conhecem e nunca trabalharam juntos”, elogia.
    Também para o grande público, a companhia vai disponibilizar as Aulas Surpresas, que acontecem nas semanas de intervalo entre as apresentações das leituras, sempre com entrada franca. Em cada quarta-feira, um profissional de artes será convidado a ministrar uma oficina, mas os alunos só saberão quem será o professor e qual a técnica trabalhada na hora da aula: “É uma grade brincadeira, o cara pode aprender malabarismo ou tango”, brinca Adriane.
    Haverá ainda três oficinas pontuais com professores nacionalmente conhecidos, que terá inscrições abertas à comunidade artística. A abordagem se divide em Dramaturgia, Direção, Voz e Ação Vocal, com a intenção de qualificar dramaturgos, diretores, atores, e estudantes de artes cênicas. Aderbal Freire Filho ministrará a Oficina de Direção Teatral e Encenação, a Oficina de Voz e Ação Vocal será orientada por Carlos Roberto Simioni, do grupo Lume (Unicamp/SP) e o paulista Chico de Assis estará no comando da Oficina de Dramaturgia. “A idéia é misturar os grupos, para que possamos aprender com todo mundo”, resume Adriane.
    Todas as atividades terão entrada gratuita, inclusive os cursos de direção, dramaturgia e ação vocal: “Pegamos os cem mil de patrocínio e fizemos um milagre, pois ao todo, estarão envolvidas 80 pessoas”. Adriane sublinha ainda que o alcance do projeto será muito maior, pois o objetivo é que os participantes das oficinas se tornem multiplicadores das idéias debatidas. Além disso, as reflexões sobre a contemporaneidade devem reverter em novos autores para o teatro brasileiro, que, segundo a diretora “é muito convencional e atrasado”.
    Teus Desejos em Fragmentos faz últimas apresentações

    Espetáculo une poesia e sofrimento (Foto: Vilmar Carvalho/Divulgação)

    A Cia di Stravaganza também está em cartaz com a peça Teus Desejos em Fragmentos, com direção de Adriane Mottola até 16 de julho. Este é o primeiro texto do dramaturgo chileno Ramón Griffero a ser montado no Brasil. A peça traz os atores Fernando Kike Barbosa, Gustavo Curti, Janaina Pellizon, Lauro Ramalho e Sofia Salvatori.
    São eles que conduzem o público ao universo de sensações que envolve a experiência humana: medo, fantasia, solidão e abandono são algumas delas. A narrativa é dada através do olhar de um homem que está à beira da morte. As apresentações acontecem nas noites de sábados, domingos e segundas-feiras, às 20h30, com ingressos a R$ 5,00. A temporada se encerra no domingo, 16 de julho.

  • Estado pode unificar órgãos ambientais


    Antenor Ferrari: objetivo é integrar atividades (Fotos: Tânia Meinerz)

    Guilherme Kolling

    Está em discussão uma reforma do sistema ambiental do Estado. A proposta prevê a fusão da Sema, Fepam, Fundação ZoôBotânica (FZB), Departamento de Recursos Hídricos (DRH) e Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (Defap) em uma única estrutura.

    O diretor-presidente da Fepam, Antenor Ferrari diz que a idéia é criar uma instituição auto-sustentável, com arrecadação própria. Toda segunda-feira, dirigentes e assessores técnicos das instituições da área se reúnem na Secretaria do Meio Ambiente (Sema) para debater uma possível unificação dos órgãos estaduais.

    “O objetivo é integrar as atividades, dar mais harmonia ao trabalho, reduzir custos, prazos e atingir uma eficiência maior”, explica Ferrari. A proposta ainda está em discussão. “Primeiro precisamos do apoio da Casa. Quando a questão for esgotada internamente, o projeto passa ao Consema, depois vai ao Governo do Estado, e segue para a Assembléia Legislativa como um projeto de lei”, prevê Ferrari. Ele acredita que o trâmite esteja concluído até o final do ano.

    A idéia é criar uma instituição auto-sustentável, com arrecadação própria. O dinheiro viria da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA), que é cobrada sobre os empreendimentos. Parte é repassada ao Rio Grande do Sul, parte fica na esfera federal.

    Pelo projeto do novo órgão ambiental, a verba seria repartida entre a instituição estadual e os municípios, para que se capacitem a licenciar empreendimentos locais. O setor teria autonomia em relação ao Governo, pagando a folha dos seus funcionários e mantendo a estrutura. O Estado seria desonerado. Só continuaria a repassar verba num primeiro momento.

    No cargo desde abril, Ferrari encara sua gestão tampão, de apenas nove meses, como um possível aquecimento para mais quatro anos – ele aposta que o governador Germano Rigotto será reeleito.

    “De qualquer forma, nunca devemos trabalhar pensando a curto prazo. A instituição é permanente. Por isso, temos que levar em conta como ela deve ser feita no futuro. Como nesse projeto de planejamento sobre o novo modelo da instituição, que está envolvendo não só a direção, mas os servidores de carreira e as ‘cabeças pensantes’ do órgão ambiental”.

    Carência de técnicos ainda é problema


    Mauro Moura: falta pessoal

    O químico Mauro Gomes Moura tinha 19 anos quando entrou para o serviço público ambiental do Rio Grande do Sul. Corria o ano de 1973, final do governo Médici. Seu primeiro trabalho externo foi uma ocorrência em Canoas: uma padaria incomodava a vizinhança com a fumaça do seu forno. Para assar pão ela queimava lenha. Difícil era definir seu crime, pois praticamente não havia normas que permitissem enquadrar a padaria em alguma contravenção.

    Em obstáculos maiores tropeçavam os técnicos obrigados a punir grandes indústrias poluidoras na Grande Porto Alegre. “Nos curtumes não nos deixavam nem entrar”, lembra Moura. No final daquele ano, somente o clamor público levou ao fechamento temporário da fábrica de celulose Borregaard em Guaíba. Mais de 30 anos depois, o problema permanece: os guardiões da qualidade do meio ambiente gaúcho ainda não dispõem de instrumentos legais eficientes para enquadrar agentes econômicos potencialmente poluidores.

    Outro problema é a carência de funcionários, como relata o experiente Moura, 52 anos, hoje assessor da presidência da Fepam. A Fundação tem praticamente o mesmo quadro de 25 anos atrás, quando foi promulgada a Política Nacional do Meio Ambiente, em 1981. São cerca de 120 pessoas trabalhando, mais os estagiários, que atenuam a situação. Com poucos funcionários, a saída é atender aos casos mais importantes.

    A Fepam até teve um reforço de 38 técnicos nomeados após concurso público, mas a maioria acabou optando por outros empregos. Com isso, as vagas foram consideradas preenchidas, apesar de não terem sido. Para complicar ainda mais, um bom contingente de funcionários de carreira está por se aposentar nos próximos cinco anos. Por mais que sejam substituídos, parte da experiência e do conhecimento desses profissionais se perde.

    “Alguns dos nossos principais colaboradores estão por sair. É um problema sério que atinge o serviço público. Por isso, uma das questões do nosso planejamento é a disponbilização de informações de qualidade em um banco de dados”, revela o presidente da Fepam, Antenor Ferrari.

    O projeto é inventariar os dados ambientais disponíveis na Fepam e normatizá-los para o uso no licenciamento. “Com isso, cria-se um método, um pensamento, uma posição do órgão ambiental, e não há mais o risco de individualizar a interpretação do processo, o que expõe os técnicos. Teremos padrões e uma orientação unificada. E a memória, o trabalho intelectual desenvolvido pelas pessoas não se perde, fica aqui, informatizado”, acredita Ferrari.

    13 mil projetos aguardam licença

    A Fepam chegou a uma marca respeitável: 13 mil licenças ambientais por ano. O número foi atingido com o aumento da demanda, já que há poucos anos, apenas grandes empreendimentos buscavam este tipo de documentação. Houve época em que o número de licenças solicitadas não ultrapassava 300. Ou seja, o aumento da preocupação e das exigências da sociedade com o respeito ao meio ambiente aumentou o trabalho da Fepam. Como o quadro de funcionários não teve o mesmo crescimento, a saída foi buscar medidas que desafogassem o órgão ambiental.

    A começar pela descentralização das atividades, passando a competência do licenciamento de atividades locais para os municípios. Outra iniciativa é o licenciamento integrado por cadeia produtiva, em que as grandes empresas passam a ser responsáveis pelos seus fornecedores, caso da suinocultura. Sem falar no licenciamento online, via interent, instalado através do fortalecimento da área  de informática.

    Mesmo assim, os computadores não substituem as pessoas, ou seja, é preciso que algum funcionário acompanhe o processo. Em razão, entre outras coisas, da carência de pessoal, acumulam-se na Fundação 13 mil processos aguardando resposta dos técnicos. Ou seja, o trabalho está atrasado em um ano. “Numa empresa tradicional, o que se faz quando o número de clientes cresce? Contrata-se funcionários. Mas o nosso quadro é quase o mesmo de 25 anos atrás. Outra questão: quando esta empresa não tem condições de fazer o trabalho solicitado, o que ela faz? Recusa a oferta. Mas a Fepam não pode rejeitar nenhum projeto, por mais absurdo que seja. Qualquer pessoa que protocolar um pedido no balcão será atendida”, conta Mauro Moura, assessor da presidência.

    Apesar da descentralização, a maioria dos processos que estão na Fundação de Proteção Ambiental são micro-empreendimentos, de impacto local, que poderiam ser licenciados pelos municípios. O plano que está em discussão na Fepam é liberar a instituição dessas atribuições. A parte processual do licenciamento será toda das prefeituras ou de instituições terceirizadas. Os técnicos da Fepam passarão a fazer a supervisão, isto é, serão os controladores do processo.

    “Nosso papel é a qualidade ambiental. Vamos verificar, por exemplo, por que um rio de determinada cidade está apresentando metais. Ou por que a qualidade do ar na Rodoviária está ruim, com altos índices de enxofre. Diagnosticamos o problema e apontamos a solução. A Fepam tem ser o interlocutor das equipes ambientais dos municípios, assim como o Ibama faz esse papel com os órgão estaduais”, sugere Moura.

  • As garras do FMI

    Vilson Antonio Romero *

    O Fundo Monetário Internacional (FMI), juntamente com o Banco Mundial, é continuamente criticado pela ingerência na economia dos países emergentes. Antes do atual governo, elogiado como nunca pelo organismo, retumbava pelas ruas o slogan “Fora FMI!”. Pois o Fundo, criado em 1945, de acordo com seus estatutos, zela pela estabilidade do sistema monetário internacional, através da cooperação e do acompanhamento da situação político-econômica de seus 184 países membros, buscando evitar que desequilíbrios nos balanços de pagamentos e nos sistemas cambiais destes países possam prejudicar a expansão do comércio e dos fluxos de capitais. Constitui-se, na realidade, no grande xerife e pronto-socorro financeiro mundial, emprestando recursos para nações que atravessem dificuldades na sua contabilidade interna e externa e monitorando programas de ajustes estruturais.

    O Brasil é país membro fundador e possui hoje 1,47% do poder de voto no FMI. Nos anos 80, em razão da crise da dívida externa e de delicada situação do balanço de pagamentos, o Brasil teve de solicitar empréstimos e cumpriu vários programas de ajuste econômico monitorados pelo Fundo. Recentemente, o Banco Central antecipou pagamentos e zerou o saldo do último empréstimo “stand by”.

    Às vésperas de nova eleição presidencial, o Conselho Executivo do Fundo divulga um relatório onde elogia a atuação do Banco Central, mas mostra as garras e sugere “reformas estruturais ambiciosas”, alcançando as áreas tributária, previdenciária, administrativa e trabalhista, entre outras. Recomenda a eliminação progressiva dos impostos sobre transações financeiras, o aumento da eficiência do setor público, a maior abertura da economia na área comercial, melhorias na intermediação financeira, a contenção dos gastos públicos, no médio prazo, a redução das despesas com a Previdência e a desvinculação de receitas orçamentárias, como algumas das medidas para superar eventuais turbulências do mercado internacional. O FMI considerou que o “mais importante desafio” neste momento seria eliminar fatores que possam obstaculizar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).

    O Fundo também menciona a necessidade de redução das taxas de juros, de aumento de produtividade, além de professar a autonomia do Banco Central. Recomendando a consolidação da estabilidade macroeconômica e a política econômica em nível institucional, observa que a reforma da legislação trabalhista se insere no conjunto de recomendações que “têm um papel importante na diminuição da informalidade no mercado de trabalho e, como conseqüência, promovem a produtividade e o crescimento”. Como se vê, os palanques presidenciáveis desta Nação dependente dos organismos financeiros internacionais devem atentar para os sinais que vêm de Washington e preparar o futuro governante para os ajustes que lhe serão cobrados.

  • Festival de Inverno preenche vazio cultural na capital

    Naira Hofmeister
    O Governo Fogaça lançou nesta terça-feira, 4 de julho, o priemrio projeto na área cultural criado nessa gestão. Trata-se do Festival de Inverno, que terá intensa programação, de 24 a 30 de julho. O secretário municipal de cultura, Sergius Gonzaga, anunciou o programa, que vai reunir nomes da cena cultural gaúcha, nacional e inclusive de países vizinhos em torno do debate cultural e resgate histórico das práticas artísticas desde a época clássica até a contemporaneidade.
    “A idéia é que seja uma alternativa ao tédio que se instala em função das férias escolares, onde a cidade se esvazia e os cinemas oferecem basicamente atrações infanto-juvenis”, argumentou Sérgius.  Inspirado no tradicional Festival de Ouro Preto, que representou uma válvula de escape durante os anos da ditadura, o evento gaúcho vai estabelecer um debate de idéias a respeito da arte, unindo entretenimento, áreas acadêmicas e cursos práticos.
    “Ano passado fizemos um teste, sem divulgação nenhuma, e oferecemos três cursos que tiveram lotação de mais de cem pessoas”, conta o secretário. Foi a confirmação de que a cidade necessitava de alternativas culturais nessa época.
    Cinema, música, história, literatura, psicanálise, mitologia: durante os seis dias de festival os teatros da capital receberão especialistas na mais diversas áreas culturais como o urbanista e ex-prefeito curitibano Jaime Lerner, o economista Paulo Rabelo de Castro, o músico e poeta carioca Jorge Mautner e os escritores argentinos Horácio Gonzalez e Martin Kohan – estudioso da obra de Jorge Luis Borges.
    Os nomes da cena local de cultura não ficam devendo em nada para os convidados: os historiadores Paulo Vizentini, Sandra Pesavento e Sérgio da Costa Franco; o crítico de cinema Luís Carlos Merten, o psicanalista Abrão Slavutsky,  e músicos como Nei Lisboa, Geraldo Flach, Vitor Ramil e Bebeto Alves, Gelson Oliveira, Nelson Coelho de Castro e Totonho Villeroy, que retomam o espetáculo Juntos.
    Os gaudérios também terão espaço, através do curso Música no Rio Grande do Sul, comandado por Juarez Fonseca e Vinícius Brum, que terá a participação inédita do grupo nativista Tambo no Bando, entre outros convidados.
    A maioria das atrações vai custar R$ 10,00, mas haverá também atividades com entrada gratuita, inclusive um workshop de guitarra, com o baiano Pepeu Gomes, e o ciclo Brasil, país do futuro (que nunca chega), que terá a participação de Jaime Lerner, Paulo Rabelo de Castro, Gustavo Iochpe, o jurista Miguel Reale e o escritor Peninha debatendo os rumos do país nas áreas da educação, economia, violência, cultura e urbanismo. “Esse é um dos debates mais ousados, pois estaremos estabelecendo um diálogo franco e com grandes nomes contemporâneos”, opina o secretário.
    Todas as atividades acontecerão no Teatro de Câmara Túlio Piva (Rua da República, 575) e nas salas Renascença e Álvaro Moreyra – no Centro Municipal de Cultura – onde também serão realizadas as inscrições, na loja da Ilhota Livros (Av. Érico Veríssimo, 307) além da  Casa Torelly (Av. Independência, 453), a partir do dia 10 de julho. Os ingressos para os shows começarão a ser vendidos no dia 17. As atividades gratuitas terão senhas distribuídas até 30 minutos antes do início do evento, no local.

  • Felicidade na Íntegra

    Christian Lavich Goldschmidt*

    A Felicidade é o sentimento que mais fortemente move nossas ações cotidianas em prol de uma vida plena, e que, portanto, traça os rumos de nossa trajetória planetária. “Felicidade na Íntegra” foi um evento organizado pela Fundação Gaia – Legado Lutzenberger, que se propôs a ressignificar a vida de cada um pelo bem da vida de todos.

    No Japão, a Flor de Adonis (Adonis amurensis) começa a desabrochar após suportar as severas condições do inverno e, devagar, gera delicados e graciosos botões amarelos, os quais, conforme a sabedoria popular, atraem a felicidade e a prosperidade. O simbolismo dessas flores contém uma lição para nós: precisamos prestar mais atenção na natureza e tirar dela os exemplos para ultrapassarmos as dificuldades da vida.

    Assim como a Flor de Adonis desabrocha após o rigoroso inverno japonês, devemos entender que, aquilo que, à primeira vista, pode parecer sofrimento ou infelicidade, na realidade não passa de um teste ou treinamento, fundamentado numa profunda consideração do que é melhor para cada um de nós.

    Só nossa atitude diante de treinamentos sob a forma de dor e sofrimento, é que determinará o quanto seremos felizes ou não. Algumas pessoas aceitam o sofrimento de forma positiva e são capazes de superá-lo, enquanto outras respondem de maneira negativa e se abandonam ao desespero. Muitas vezes, a dor e o sofrimento nos treinam a fim de que possamos alcançar a verdadeira felicidade.

    Devemos lembrar que a gratidão sincera é o segredo para ultrapassarmos todos os testes que encontrarmos na vida. Por isso é tão importante que sejamos gratos a tudo e a todas as formas de vida do planeta. Como a busca pela felicidade é o que nos influencia e nos rege, devemos nos focar na melhor maneira de adotar um modo de vida coerente, de acordo com os princípios ecológicos, se assim o fizermos, não será necessário entregar-se à preocupação quanto ao futuro distante. Nossas ações do presente nos garantem e nos conduzem à um futuro tranqüilo e feliz!

    O mundo está se transformando a todo instante e, nesse sentido, tudo no universo é efêmero e mutável, com isso, é vital que nos lembremos que em muitas regiões do planeta há pessoas enfrentando dificuldades extremas, lutando para superá-las. Precisamos fazer tudo o que pudermos para ajudar aqueles que sofrem devido a doenças, pobreza, conflitos e desastres. Então, o sofrimento e a infelicidade não durarão para sempre.

  • Usina de Barra Grande começa a encher reservatório

    Carlos Matsubara
    Prevista para outubro deste ano, Barra Grande – localizada às margens do rio Pelotas, entre os municípios de Esmeralda, na parte gaúcha, e Anita Garibaldi, na catarinense – é a maior hidrelétrica em construção no Brasil. Com a Licença de Operação (LO) do Ibama emitida na segunda-feira (4/7), o reservatório começa a encher depois de um processo repleto de polêmicas e ações na justiça, simbolizando um exemplo a não ser seguido. No fundo do lago apodrecerão seis mil hectares de Mata Atlântica, incluindo pelo menos dois mil hectares araucárias.
    Após o enchimento, segundo a empresa CPFL Energia, ainda serão efetuados testes nos equipamentos. A primeira unidade da usina está prevista para outubro deste ano, as outras duas devem entrar em operação em janeiro e abril de 2006.
    O investimento total realizado pelo consórcio Baesa, responsável pelo empreendimento, bateu nos US$ 500 milhões e a capacidade instalada é de 690 MW. Dividida em três unidades, tem energia assegurada de 380 MW médios.
    Barra Grande, dizem seus defensores, gerou quase 3 mil empregos durante a construção da obra e mais 60 vagas permanentes na operação. É a maior hidrelétrica em construção no país. Só a sua barragem terá 180 metros de altura e o lago formado numa área de 93 quilômetros quadrados de Mata Atlântica.nos municípios de Anita Garibaldi, Cerro Negro, Campo Belo do Sul, Capão Alto e Lages, em Santa Catarina, e Pinhal da Serra, Esmeralda, Vacaria e Bom Jesus, no Rio Grande do Sul.
    Para compensar os danos ambientais, que não serão poucos, o governo federal receberá em doação uma reserva de 5,7 mil hectares de araucárias nativas na região de fronteira entre os dois estados. Os custos com a compra da área que será transformada em reserva ambiental e sua manutenção ficarão a cargo das empresas Alcoa, Votorantim, Camargo Corrêa, Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Departamento Metropolitano de Eletricidade (DME) e da Companhia Paranaense de Força e Luz (CPFL), acionistas da usina. O acordo foi realizado no final do ano passado, quando foi descoberta a fraude no EIA-RIMA do empreendimento realizado pela Engevix Engenharia sob encomenda da Baesa e benção da administração do Ibama, que na época desconsiderou as deficiências do documento.
    Dos 8.138 hectares sujeitos à linha de imersão e passíveis de alagamento, 2.077 hectares são de mata primária de Floresta Ombrófila Mista (espécie do gênero Mata Atlântica, com predominância de Mata de Araucárias), 2.158 hectares são de florestas secundárias em estágio avançado de regeneração e outros 2.565 hectares são de mata ciliar. A inundação afetará espécies de plantas como canela-preta, imbuia, canela sassafrás e xaxim, além de várias espécies ameaçadas de mamíferos e aves – que constam da lista oficial do Ibama de espécies ameaçadas de extinção. Estudos das Universidades Federais de SC e PR (UFSC e UFPR) comprovam que na área a ser inundada ocorrem várias espécies de plantas sequer descritas pela ciência, e outras como a bromélia Dyckia distachia, que só ocorre no Parque Municipal de Encanados, em Vacaria (RS), uma área de belas paisagens igualmente prestes a desaparecer debaixo das águas.
    Para mais informações sobre o processo de construção de Barra Grande, acesse o Dossiê da Apremavi – http://www.apremavi.com.br/dossie/pbarragrande.htm – ou o site da Baesa – http://www.baesa.com.br/.

  • Os pais frente ao uso de drogas

    Jonatas Bervanger Oscar *

    Segundo autores especializados em substâncias psicoativas (SPA), as principais causas do uso de drogas incluem: a falta de amor, o sentimento de abandono e as inter-relações entre estes dois. Também percebemos uma dificuldade da família em impor limites, fazendo com que a criança desde cedo entre em contato com as regras que regem nossas relações sociais, aprendendo esta lição primeiro em casa. Se isto não fica claro, o adolescente reagirá de forma negativa as frustrações advindas do seu dia-a-dia.

    Existem dois tipos de atitudes que podemos tomar em relação aos nossos filhos. Em primeiro lugar estariam as previdências, isto é, o ato de educar um cidadão (ser humanizado), uma pessoa com consciência dos limites, do que é respeitar os outros e do que é se respeitar, noções que facilitam o nosso convívio com os outros e principalmente consigo mesmo. Em segundo lugar, estariam as providências, que são atitudes a serem tomadas se o seu filho já é um usuário de SPA.

    Dentro destas providências, a primeira é averiguar se o seu filho é um usuário ou um abusador de SPA (neste quadro ele já estaria bem próximo à dependência química). Após, é importante esclarecer sobre o que são drogas e as conseqüências de quem usa. O mais importante, caso ele se enquadre como dependente químico é tratá-lo como alguém portador de uma doença severa e que geralmente perde seu senso de responsabilidade. É o momento de buscar ajuda profissional e de levar este assunto muito a sério.

    Quanto mais rigor houver no trato deste tema em casa, mais acolhido se sentirá o jovem que passa por este problema, é necessário fazer uso do que muitos técnicos desta área chamam de “amor-exigente”. Não existe meio termo para lidar com a dependência química, pois não existem, até aonde se sabe, benefícios advindos do abuso de drogas. Retornamos assim ao que falávamos no começo deste tema, a importância do amor na recuperação de uma pessoa que passa por uma dificuldade com algum tipo de adição.

  • Sogipa promove Feira do Livro

    Naira Hofmeister

    Começou nesta sexta-feira, 30 de junho, a 12ª edição da Feira do Livro da Sogipa, que ocorre até domingo, em Porto Alegre, das 10h às 19h. O evento retorna após quatro anos sem ser realizado. “Ficamos esse tempo sem realizar porque sempre havia previsão de temporal para o período da feira”, explica Hipérides Ferreira de Mello, vice-presidente Cívico-Cultural da entidade.

    Hipérides: Tempo adiou feira (Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)

    Nesta edição, além da principal atração – as 11 bancas de editoras e livrarias –, haverá um programa especial com palestras e apresentações culturais para crianças e adultos. Atrair o público novamente para o espaço montado abaixo do prédio da administração da Sogipa, na Praça dos Laureados, será tarefa da Orquestra e do grupo de Ballet e Jazz da Sogipa, dos apresentadores da Hora do Conto, e dos palestrantes Prem Milan e Ricardo Antônio Pereira.

    Historicamente difusora dos nomes da literatura gaúcha, a 12ª Feira do Livro da Sogipa tem como patrono Ricardo Silvestrin, ganhador do Prêmio Açorianos de Literatura em 1996 e do análogo Infantil em 1998. “Nossa intenção sempre foi a de prestigiar a produção gaúcha e, especialmente esse ano, queremos divulgar novos nomes da literatura infantil”, conta Hipérides.

    Às 14h30 desta sexta acontece a primeira apresentação da Orquestra da insituição, seguida dos discursos do presidente da entidade e de Ricardo Silvestrin, que fará também uma discussão sobre a sua obra.

    No sábado, por ocasião do jogo da Seleção Brasileira, a palestra programada para às 18h, “Dormindo ou Acordado: o estado meditativo no combate ao stress”, de Ricardo Antônio Pereira, acontecera após o término da partida, mesmo com prorrogação ou pênaltis.

    Banca da JÁ Editores oferece livros-reportagem

    Lanceiros Negros, de Geraldo Hasse e Guilherme Kolling, O menino que se tornou Brizola, de Cléber Dioni e O Editor sem Rosto, de Elmar Bones – esses são alguns livros-reportagem que podem ser adquiridos na Banca da JÁ Editores.

    Além dos títulos publicados pelo selo, há obras de outras editoras, voltadas a públicos diferenciados. O espaço será ocupado por livros de jornalismo, filosofia, teatro e assuntos gerais. Um dos destaques é A Tragédia da Rua da Praia, de Rafael Guimaraens que narra o assalto e a posterior prisão de quatro russos que levaram dinheiro de uma casa de câmbio, no centro da capital, em 1911.

    Nas outras barracas da feira, também podem ser encontrados alguns campeões de vendas como a coleção infanto-juvenil do bruxinho Harry Potter e títulos do autor Dan Brown, que escreveu o Código Da Vinci.

    Veja outras opções de diversão e cultura pa o final de semana em Porto Alegre:
    Música

    3/quatro
    A música instrumental de Jua Ferreira (bateria), Ita (baixo) e Zé Porzio (piano). No repertório música instrumental brasileira, com Djavam, Hermeto Pascoal, Tom Jobim, Edu Lobo, João Donato entre outros.
    Quando: sextas e sábados, às 22h
    Onde: Cidade Bossa (Otávio Corrêa, 35)
    Quanto: R$ 7,00

    Jeff Gardner
    Pianista de extrema criatividade harmônica, o músico tem múltipla cidadania cultural. Nascido em Nova York, morou vários anos em Paris, gravou um disco em Cuba, vive pela Europa dando workshops e passa temporadas no Brasil desde o início dos anos 80. Suas influências passam pelo clássico, jazz e, principalmente, pela música brasileira. Estudou com nomes lendários como John Lewis, Don Friedman, Jaki Byard e Nadia Boulanger.
    Quando: domingo, 2, às 17h
    Onde: Salão Átrio do Santander Cultural
    Quanto: R$ 10,00

    Audiovisual

    Projeto Raros: curtas de David Linch
    Quatro curtas do diretor americano David Lynch, realizados entre o final dos anos 60 e o início dos anos 70.
    Quando: sexta-feira, 30às 20h
    Onde: Sala P. F. Gastal (Usina do Gasômetro – 3º andar)
    Quanto: R$ 6,00 (meia para estudantes, professores e municipários)

    Cair na Gargalhada
    O Ministério das Relações Exteriores francês selecionou sete comédias francesas, as mais renomadas desde o início dos anos 80. As projeções têm entrada franca. No final de semana, em cartaz Bernie, de Albert Dupontel (sexta-feira e sábado) e Asterix e Obelix: Missão Cleópatra de Alain Chabat (domingo).
    Quando: sexta-feira, sábado e domingo (30, 1º e 2), às 19h
    Onde: Sala Redenção (Campus Central da UFRGS)
    Quanto: Entrada franca

    Cinema Brasileiro
    Dois recentes filmes brasileiros integram a programação do final de semana: Tapete Vermelho e Espelho d´água – Uma Viagem no Rio São Francisco poderão ser conferidos em três sessões diárias. Com direção de Luiz Alberto Pereira, Tapete Vermelho foi rodado no interior de São Paulo entre setembro e outubro de 2004 e finalizado um ano depois. Mitos do mundo rural são materializados no longa-metragem que presta homenagem e retrata o poder do cinema de Mazzaropi, recordista em espectadores no cinema brasileiro. Espelho d´água – Uma Viagem no Rio São Francisco traz o suntuoso e misterioso rio que atravessa cinco estados do Brasil. Utilizado como cenário e personagem principal de um fluxo de histórias narradas em tom de fábula, o filme liga ficção e documentário, passado e presente, superstições e realidade.
    Quando: até 4 de julho, em sessões às 15h às 17 e às 19h
    Onde: Cine Santander Cultural (Praça da Alfândega, s/nº)
    Quanto: R$ 6,00 e meia entrada para estudantes e clientes do banco

    Artes Cênicas

    A Saga de Canudos
    Adaptação da peça ‘O Evangelho Segundo Zebedeu’ de César Vieira, o espetáculo é uma encenação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz para teatro de rua. Conta a história da construção e destruição de Canudos, oportunizando ao público em geral o contato com um dos movimentos populares mais importantes do nosso país. Recuperando o caráter político do movimento liderado por Antônio Conselheiro no final do século dezenove. Mostrando um Conselheiro fruto da história. Com máscaras e bonecos, música e dança, a encenação conta a luta entre os deserdados e os poderosos, o santo guerreiro contra o dragão da maldade. O espetáculo mostra a opressão e os horrores da guerra de Canudos sensibilizando o público, evidenciando algumas das graves premissas da condição humana: a preciosidade da vida e a sua vulnerabilidade, nossa dependência uns dos outros, a natureza social do ser humano.
    Quando: domingo, 2, às 15 horas
    Onde: Campo de Futebol (Setor D) do Assentamento do MST Filhos de Sepé em Águas Claras – Viamão
    Quanto: Participação gratuita

    Ovelha Negra
    Os habitantes de um peculiar vilarejo celebram um inusitado ritual noturno. Elenco com Letícia Schwartz, Magali Hochberg, Patrícia Ragazzon, Patrícia Sacchet e Cícero Neves. Direção de Luciane Panisson.
    Quando: até o dia 02 de julho. Sextas, sábados e domingos, às 19h
    Onde: Teatro Carlos Carvalho – 2° andar da CCMQ
    Quanto: R$ 10,00 (com 50% de desconto para idosos, Clube do Assinante ZH, e para quem, de algum modo, se considera Ovelha Negra)

    Eu preciso aprender a ser só
    Com direção de Eduardo Kraemer, a peça conta a história de uma mulher traumatizada com a perda de um grande amor. Num mundo fragmentado, regido por leis de mercado e regras politicamente corretas, três casais de atores interpretam personagens em constante transformação. Bill e Betty se encontram num bar de happy-hour e a partir daí percorrem um caminho sem volta. Solidão, paixão, tesão, traição, amor, ódio e vingança misturam-se nesse tour-de-force. No final a possibilidade do amor é sombreada pelo fantasma do medo. Integram o elenco Marco Sório, Sayonara Sosa, Claudia Canedo, Rafael Guerra, Débora Geremia e Everson Silva.
    Quando: sábado e domingo (01 e 02) às 19h
    Onde: Sala 302 da Usina do Gasômetro
    Quanto: Entrada franca.

    Sobre Anjos e Grilos
    A peça apresenta a performance da atriz Deborah Finocchiaro interpretando poemas e textos sobre Mario Quintana. Este espetáculo integra as comemorações do centenário de nascimento do poeta gaúcho. Direção de Jessé Oliveira.
    Quando: até o dia 16 de julho, sextas, sábados e domingos, às 19h
    Onde: Teatro Bruno Kiefer – 6° andar da CCMQ
    Quanto: R$ 15,00 (com 20% de desconto para Clube do Assinante ZH e 50% para idosos)

    Dança

    Y Kûá – O silenciar de um rio
    Quando:
    sextas, sábados e domingos, às 19h, até 25 de julho
    Onde: Sala 209 da Usina do Gasômetro (Av. Presidente João Goulart, 551)
    Quanto: R$ 10,00.

    Infantil

    Abracadabra
    Encenação infantil do grupo Depósito de Teatro
    Quando: 17, 24 e 25 de junho, às 16h
    Onde: sala 309 da Usina do Gasômetro
    Quanto: R$ 5,00

    Pé de Pilão
    Teatro de fantoches do livro Pé de Pilão, de Mario Quintana. Escrito todo em versos, na montagem as rimas ganham vida na voz da avó Alice, narradora da peça, que não poupa fantasia para transmitir nas entrelinhas a mágica desta história. Realização do Grupo Quintoches. Direção de Elena Quintana.
    Quando: até 25 de julho, às 16h
    Onde: Sala Lili Inventa o Mundo – 5° andar da CCMQ
    Quanto: R$ 10,00

    Artes Plásticas

    Por um fio
    A exposição de bonecos de Elton Manganelli, aberta no último dia 29mostra sete casais de bonecos suspensos criados a partir de diversos materiais. Para estruturar as peças, o artista modela mãos e pés em epóxi. O rosto é preenchido com massa plástica / automotiva, em fôrma feita com molde em argila. O corpo é esculpido com espuma plástica para dar leveza. As roupas são feitas com tecidos que vão do rústico ao sofisticado. Detalhes e arremates levam fios, botões, pedras e cristais, tudo o que é necessário para o acabamento de cada boneco
    Quando: até 29 de julho
    Onde: Café Atelier do Páteo (Dinarte Ribeiro, 17)
    Quanto: Entrada franca

    Imagens Apropriadas
    Ao apropriar-se de obras primas – entre elas Monalisa, de Leonardo da Vinci, La Fornarina, de Raphael Sanzio e Baco, de Caravaggio – Sérgio Lopes procura aproximar passado e presente, propondo leituras contemporâneas para imagens clássicas da história da arte. Nas 16 pinturas em grande formato que compõem a mostra, o artista apresenta re-significações de grandes obras renascentistas, partindo de seu repertório pessoal, do atual ambiente cultural e da ampliação de detalhes, simplificação do traço, deslocamento da figura e até destruição de imagens consideradas “sagradas”.
    Onde: Galeria João Fahrion, no MARGS
    Quanto: Entrada franca

    Cavalos: Paixão e Arte
    A mostra de esculturas conta com 35 obras dos mais diferentes materiais e dimensões. Terracota, resina, bronze, madeira, ferro e pedra dão forma aos tradicionais cavalos de Caé Braga, temática que, segundo o artista “traduz em formas toda a força, beleza e elegância de um animal selvagem não domesticado, mas sim, amestrado”. Cavalos: Paixão e Arte, conta com produção cultural de Marisa Veeck e também marca o lançamento do livro que leva o mesmo nome da mostra. Financiado pelo projeto Fumproarte, a publicação traz textos de Rodi Pedro Borghetti, Luiz Gonzaga e José Augusto Avancini. Este último, ao aproximar o trabalho do escultor gaúcho com a série de cavalos de Edgar Degas, comenta: “Se em Degas temos a busca dos elementos estruturais do movimento e da mecânica do gesto, em Caé o que conta é o volume prenhe de força, de tensão, pronto a explodir na velocidade do galope”.
    Onde: MARGS
    Quanto: entrada franca

    Nem Dia, Nem Noite
    Combinando as diferentes linguagens fixas e móveis do desenho, do vídeo e da fotografia, a mostra traz um panorama da produção do jovem artista Giorgio Ronna, incluindo desde uma série de desenhos criados em 2001, até o mais recente vídeo de Ronna, Tableau Vivant – que em breve será lançado também na mostra Showroom (Basel, Suíça). Outra obra que será exposta no MARGS apresenta um desdobramento da série iniciada na III Bienal do Mercosul: as fotografias duplicadas de Lifesound II trazem à tona discussões em torno da relação homem-natureza e da idéia de movimento versus  mobilidade.
    Onde: Galeria Ângelo Guido e sala Pedro Weingärtner, no MARGS
    Quanto: Entrada franca

    Trabalhadeira
    O Museu do Trabalho inaugura no sábado sua nova exposição, Trabalheira, de Mima Lunardi, que discute as relações de dinamismo e estabilidade intrínsecas aos dois termos que compõem o nome da instituição: a transformação, que é o resultado do trabalho, e a conservação, que é a tarefa da memória. Concretamente trata-se de uma plataforma triangular de pedra (granito). A plataforma não é inteiriça, mas dividida em pedaços.Trabalheira estabelece um diálogo com a arquitetura do Museu e com a estrutura institucional, que por um lado permite ao artista trabalhar dentro dele e, por outro, dá às peças históricas visibilidade com uma finalidade marcadamente pedagógica e ilustrativa.
    Quando: abertura no sábado, 17, às 11h. De 17 de junho a 9 de julho: terça a sábado das 13h30 às 18h30, domingo das 14h00 às 18h30
    Onde: Museu do Trabalho (Andradas, 230)
    Quanto: Entrada franca

    Povo Artista do Futebol
    A mostra “Povo Artista do Futebol” revela como as pessoas se relacionam com esse esporte e de que maneira ele está inserido no cotidiano. Os fotógrafos Chico Silva, Zezé Kronbauer e Luis Fernando Rocha formam o time que irá expor fotos em p&b e coloridas.
    Quando: até 8 de julho
    Onde: Espaço expositivo do Dhomba Art & Pub (R. Lima e Silva, 1037).

    Copa do Mundo 2006
    Vinte e um artistas gaúchos participam da exposição coletiva Copa do Mundo 2006, entre eles, Glória Yen Yordi, Miriam Tolpolar e Zorávia Bettiol, onde figuram pinturas, esculturas  e instalações sobre o tema futebol e a Copa do Mundo.
    Quando: até o dia 9 de julho, aos sábados, das 10h às 13h.
    Onde: Galeria de Arte Paulo Capelari (Visconde do Rio Branco, 691)

    Olheiros*
    Olheiro é aquela pessoa que observa jogos amadores para descobrir novos talentos para os clubes; analisa os adversários para relatar ao técnico como estes jogam. Enfim, uma pessoa que, com olhar apurado e conhecimento, vê o jogo. A Fundação Ecarta realiza exposição de arte sob a temática Futebol. Uma homenagem ao esporte que vai além dos estádios, faz parte da cultura popular brasileira, desperta paixões e acirradas discussões.
    Quando: até 23 de julho, de terça a domingo, das 10h às 19h
    Onde: Fundação Ecarta (João Pessoa, 943)
    Quanto: Entrada franca

    Conjunto (1)
    Exposição que reúne cinco artistas (Vilma Sonaglio, Adriane Vasquez, Luiz Roque, Katia Prates e Gustavo Jahn) e uma pesquisadora de arte (Gabriela Motta) para investigar problemáticas da imagem foto sensível – enquanto narrativa ou campo plástico. Os primeiros resultados de tal associação cruzam as noções de vertigem das imagens indefinidas ou distanciadas, com a própria vertigem física da galeria Lunara. Vídeo, fotografia, luz enquanto matéria, são os suportes explorados por esses artistas que compõem, juntos, um diálogo intenso entre as manifestações plásticas e o espaço da galeria.
    Quando: até 25 de julho
    Onde: Galeria Lunara, no Centro Cultural Usina do Gasômetro (Pres. João Goulart, 551 – 5 andar)
    Quanto: Entrada franca

    Arte no Brasil ao longo do século XX: a forma da figura & a figura da forma
    O MARGS volta a exibir um recorte de seu Acervo, atualmente com mais de três mil obras quando entra em cartaz nas Pinacotecas a mostra Arte no Brasil ao longo do século XX: a forma da figura & a figura da forma, com curadoria do crítico de arte José Luiz do Amaral. A exposição apresenta cerca de 50 obras que trazem a discussão e a tradição sobre a figura e a figuração – trabalhos marcados, no meio artístico, pela diversidade e acirramento de posições.
    Quando: Até setembro, com visitação de terças a domingos, das 10h às 19h
    Onde: Pinacotecas do MARGS
    Quanto: Entrada franca

    Outros

    Sheraton Private Party
    Jantar e dançar em um ambiente charmoso, seguro e animado por uma música de alta qualidade. O jantar à luz de velas inicia a partir das  20h30min no restaurante Clos de Moulin com um cardápio à la carte preparado pelo chef Mauro de Souza. Para começar, entrada fria e quente composta de carpaccio de salmão e atum marinado com mini salada e azeite trufado e creme de marisco preparado  no pão com uísque. Na sequência, filé de vitela ao forno com aspargos verdes ao molho holandês.  A seção gastronomia, acompanhada por show acústico, encerra com um toque saboroso e leve: torre de frutas com calda de manga. Perto das 11h, nem bem o jantar encerra, a pista é invadida e não pára mais até a madrugada embalada pelo som do DJ Eduardo Irigaray, que contagia com os melhores hits do momento e os clássicos do pop internacional. Na área do bar, o Sheraton montou um lounge com telão para receber o público que prefere chegar após às 11h para pesticar e curtir o clima dançante. Os casais que preferirem alongar a noite no hotel, têm ainda a opção de se hospedar por uma tarifa promocional que inclui o café da manhã.
    Quando: sábado (1º), às 20h30
    Onde: Sheraton Hotel (Rua Olavo Barreto Viana, 18)
    Quanto: R$ 68,00 (inclui jantar, serviço e estacionamento sem manobrista no Moinhos Shopping) e R$ 25,00 (sem jantar) + 10%. Só serão vendidos ingressos de forma antecipada pelo fone (51) 2121.6060

    Festival Guimarães Rosa – Almoço Cultural
    Encerrando o Festival Guimarães Rosa, o evento Clio à mesa: a cozinha do sertanejo,  com pratos típicos do sertão mineiro. O conferencista da noite será Luís Augusto Fischer, acompanhado pela delicias culinárias da Chef Ana Paula Pesavento.
    Quando: sexta-feira e sábado (30 e 1º), às 19h
    Onde: Studio Clio (José do Patrocínio, 698)
    Quanto: R$ 60,00

    Maratona Bioenergética Ponha Boca no Mundo
    A maratona bioenergética é um processo terapêutico intensivo que busca aprofundar o autoconhecimento. Durante a maratona há a oportunidade de movimentar a energia em todos os níveis: corporal, mental e emocional tratando das questões que impedem que o indivíduo cresça e desfrute a vida de maneira mais consciente. Com a Bioenergética, através de exercícios e posturas corporais, é possível expandir a respiração, resgatando a naturalidade, expressividade e capacidade de sentir.
    Quando: sexta-feira, sábado e domingo (30, 1º e 2)
    Onde: Sítio do Namastê, em Viamão

    Copa Solidária de Tênis
    Como o objetivo principal da competição é a arrecadação de donativos, as inscrições devem ser pagas em “solidarécas” – a moeda corrente do evento. Para quitar o valor da inscrição, de S$ 50,00 (50 solidarécas), o tenista terá de contribuir com peças de roupas cujos valores simbólicos, atribuídos pelos organizadores, somem o montante estipulado para a inscrição. Os eventos paralelos à competição, como palestras com temas pertinentes ao mundo do tênis, também serão pagas em solidarécas (S$ 5,00 por palestra). Para facilitar as doações de agasalhos e incentivar ainda mais contribuições – mesmo entre os tenistas que já doaram seus agasalhos neste inverno – os participantes poderão adquirir roupas usadas na edição especial do Brechó do Instituto do Câncer Infantil (ICI-RS), que acontecerá durante a 1ª Copa Solidária de Tênis. Mais uma das atividades do ICI-RS para a arrecadação de recursos que financiam o tratamento e o apoio a cententas de pacientes com câncer infantil, o brechó acontece todos os meses na sede da instituição.
    Quando: ate dia 2 de julho, das 9h às 21h
    Onde: Grêmio Náutico União

    Bazar na Hebraica
    47ª edição do Bazar Anual das Na’Amat Pioneiras, que traz como tema o “Centenário de Mario Quintana e Na’amat no Mundo”. No local haverá comidas típicas judaicas, artigos de Israel, brechó, leilão de artes, artesanato, almoço, chá da tarde e muitos shows de danças e músicas israeli. Outras informações pelo fone (51) 3311.0822 ou pelo e-mail naamatpioneirasrs@terra.com.br
    Quando: domingo (2), das 10h às 18 horas
    Onde: Sociedade Hebraica (Rua João Telles nº 508).
    Quanto: entrada é franca.

  • O azar de Parreira

    André Klaudat*

    Poder-se-ia pensar que o que Parreira teve até agora, após quatro jogos da copa na Alemanha, foi sorte. Essa sorte, no entanto, acredito, quase não há. Um desempenho e um resultado – e eles podem, é certo, ser diferentes quanto à qualidade – não vêm sem planejamento, preparação, habilidades, estratégia, atitude, cultura, equipe, ou seja, tudo o que se resume com “é preciso ter time”. Portanto, o azar de Parreira de que quero falar não pode ser esse de quem pensa que ele teve sorte.

    Poder-se-ia pensar que o que falta a Parreira é inteligência. Ou coragem. Ou os dois. Pois, simplesmente, não é possível alguém não conseguir montar um bom time com os jogadores que a nação brasileira pôs à disposição do nosso técnico. Além disso, pensar-se-ia, com material humano muito mais pobre Parreira mesmo montou um time que funcionou em 1994. Portanto, Parreira teria tornado-se menos capaz, ou seja, ficado burro. Quanto à coragem, como não escalar Robinho, Juninho Pernambucano, Gilberto Silva, e talvez ainda Cicinho e o Gilberto do Hertha Berlin? Quanto à combinação de falta de inteligência e coragem, as considerações para tanto exploram esses dois pontos e seriam as seguintes.

    Em 1994, Parreira montou um time com um perfil bem definido e com uma estratégia clara. Tinha um meio de campo forte com dois jogadores de grande poder de destruição – Dunga e Mauro Silva – e dois jogadores táticos de “povoamento” e controle desse mesmo meio de campo – Zinho e Mazinho (vale a pena lembrar: Parreira começou com o Raí, que era até capitão no primeiro jogo, e não deu certo). Resultado: os outros times não conseguiam jogar na nossa parte do campo. Além disso, Parreira tinha um Bebeto em plena forma que “flutuava” e servia o Romário, encarregado de ocupar ou invadir a área adversária. A estratégia era atrair o inimigo para o nosso campo, em função de uma postura defensiva, roubar a bola e atacar com rapidez. Parece mesmo que funcionou muitíssimo bem, especialmente levando-se em consideração o peso quase que insuportável dos vinte e quatro anos sem título. E o Romário não foi goleador daquela copa junto com seu companheiro de Barcelona Stoichkov por falta de… – o que será que faltou mesmo ao Romário na final?

    O que temos até agora é que Parreira foi inteligente e até corajoso em 1994. Em 2006, no entanto, há alguns fatos a nos saltarem aos olhos. A contar pelas evidências dos quatro primeiros jogos – e alguns dirão “não é o caso no segundo tempo do jogo contra o Japão e nem nalguns momentos no jogo contra Gana”, ao que outros responderão “não queiramos tapar o sol com a peneira” – são fatos: 1) Ronaldo e Adriano não vão bem juntos. Eles têm tendências similares, acabam por ocupar os mesmos espaços e às vezes se atrapalham um ao outro. Sem falar que não conseguem jogar um com o outro (o primeiro gol do Adriano parece mesmo confirmar isso). 2) A parte defensiva do meio de campo está sobrecarregada. O Zé Roberto e o Émerson, nos jogos decisivos, estão se arrebentando para dar conta do recado minimamente bem. E agora até mesmo os zagueiros já estão mais expostos e tendo que suar a camiseta.

    Relacionado com isso está que o Ronaldinho Gaúcho e o Kaká não cumprem bem funções defensivas e, não obstante, estão posicionados de forma bastante recuada. Isso faz com que num número excessivo de vezes o Zé Roberto e o Émerson tenham que armar jogadas e até ir à frente (embora o Zé Roberto tenha feito um gol, já vimos no que isso normalmente dá). A conclusão principal dos dois fatos é que o tal do “quadrado mágico” não está funcionando. O golpe de misericórdia seria o seguinte: “o Parreira não tem inteligência para perceber isso?” E daí vem: “e fazer alguma coisa a respeito, como mudar o time?” É hora de trazer à cena o azar de Parreira.

    Gostaria de registrar o quão importante considero reconhecer os fatos. Os fatos apontados acima são mesmo fatos e são tais que se nada for feito para alterá-los nós com muita probabilidade não ganharemos a nossa sexta copa – a não ser com lances de exceção do quais alguns dos nossos jogadores são capazes. O problema do atual time titular é o azar de Parreira: ele dispõe de um conjunto de jogadores extremamente talentosos que não combinam numa disposição tática eficiente. E não se trata de uma questão de inteligência ou coragem. Parreira tem inteligência para saber o que está acontecendo. E a sabedoria para não aviltar um dos pilares da cultura futebolística brasileira: ele não quer se sobrepor aos nossos talentosos jogadores.

    Ele está com a ingrata tarefa de fazer jogar todos esses craques que todos os brasileiros sabem que são ótimos jogadores. Até agora Parreira tem agido com inteligência, o que lhe é característico. Tem procurado jogar com os jogadores que todos acreditam que deveriam formar um time imbatível. Parreira quis recuperar o Ronaldo, que teve seus problemas e parece ser considerado um jogador muito importante nesta campanha de 2006. A recuperação tem acontecido nalguma medida. Mas não estão bem o Adriano e o Ronaldinho Gaúcho; o Kaká parece ser a má-consciência em campo da equipe e pode jogar melhor.

    Parreira sabe que o time não esteve bem, que melhorou um pouco, que teve alguns lampejos e que deverá melhorar mais, ele conhece o processo e reconhece a importância da evolução dentro de uma competição como a copa. Ele sabe também que substituições voluntaristas, como a introdução definitiva no time do verde Robinho, não funcionam no curto prazo. Parreira espera conseguir formar um time vencedor durante a copa. O problema está em ele conseguir fazer algo com a sua sorte: esse seu azar. O meu palpite é o de reforçar o meio de campo e ter uma saída de bola mais rápida para o ataque. Mas como? E afinal formar uma liderança em campo, que Parreira acredita que teria que ser o Ronaldo, embora ele também já tenha mostrado ter alguma esperança com o Ronaldinho Gaúcho. Funcionará? O Cafu está mais para reserva moral do time.

    Uma observação final sobre os elementos psicológicos no futebol. Poder-se-ia apresentar como atenuante a excessiva pressão que estão sofrendo os nossos jogadores, por termos sido considerados os favoritos e por conta da nossa imprensa futebolística. A tensão estava claramente presente no primeiro jogo. Elementos psicológicos são decisivos no esporte, inclusive no futebol, embora nesse os efeitos possam ser diluídos entre mais participantes. É sempre perceptível aquela falta de segurança no que fazer, em presumir onde estão os companheiros ou o que eles farão. E quando levarmos um gol de um time mais poderoso? Esses problemas, no entanto, são superáveis, o que precisamos é ter time, senão…

  • Obra do Instituto de Educação recebe R$ 50 mil para restauro

    Presidente da Associação de ex-alunos do Instituto de Educação, Amélia Bulhões, diretora institucional da Habitasul, Andréia de Oliveira,  e secretário da Cultura, Victor Hugo (Fotos: Helen Lopes)

    O Projeto SOS Arte, criado para promover a restauração de três telas históricas expostas no Instituto de Educação General Flores da Cunha, recebeu R$ 50 mil da Copesul, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

    O secretário estadual da Cultura, Victor Hugo, assinou, nesta quarta-feira, 29 de junho, o repasse do dinheiro. De acordo com o titular, a empresa já havia investido outros R$ 99 mil, na primeira parte do projeto orçado em aproximadamente R$ 260 mil.

    A verba vai auxiliar a finalização do restauro da obra “Tomada da Ponte da Azenha”, pintada em 1922, de 3,95m x 6,20m. “Com esse recurso financeiro, a recuperação da primeira tela está garantida”, comemora a presidente da Associação de ex-alunos do Instituto de Educação, Amélia Bulhões. A artista plástica Leila Sudbrack, responsável pela restauração, acredita que em quatro meses o quadro estará pronto.

    Restauração total das três obras custará cerca de R$ 500 mil

    O Projeto SOS Arte é uma iniciativa da Associação e conta com o apoio do Grupo Habitasul, na divulgação, e da construtora Goldstein, que doou os andaimes.

    As três telas de grandes dimensões preservam a memória histórica e o patrimônio artístico gaúcho. As pinturas retratam Garibaldi, a Ponte da Azenha e os imigrantes açorianos na chegada a Porto Alegre, em 1752. Pintadas por Augusto Luiz de Freitas e Lucílio de Albuquerque, as imagens praticamente desapareceram depois de anos abandonadas.

    Desde 1935, as obras estão expostas no saguão do IE por determinação do então Presidente de Província, Antônio Borges de Medeiros. Em 1969, ano em que foram feitas reformas no prédio, as telas não foram removidas. Ao permanecerem no local, em parte destelhado, sofreram danos pela ação do vento, água, luz solar e caliça.

    Em 1971, a direção da escola solicitou a então Secretaria de Educação e Cultura a restauração das pinturas, mas não foi atendida. Em 2004, mais de 30 anos depois, a Associação dos ex-alunos apresentou um projeto ao Conselho Estadual de Cultura para recuperação das telas. Aprovado, o projeto foi habilitado a receber os benefícios da LIC.