Autor: Elmar Bones

  • De olho no Plano Diretor


    Associação surgiu  em função da descaracterização do bairro (Foto: Tânia Meinerz/JÁ)

    Um dos movimentos comunitários mais fortes que surgiram em Porto Alegre nos últimos anos nasceu no Moinhos de Vento. A descaracterização do tradicional bairro, composto por casarões que foram dando lugar a espigões motivou a mobilização do grupo.

    O que começou em conversas boca-a-boca de um pequeno núcleo de moradores, logo deu lugar a abaixo-assinados, reuniões até que, no final de 2002, se formou o Moinhos Vive, que serviu de modelo para outras comunidades que sofreram os efeitos do novo Plano Diretor.

    Os encontros periódicos registrados em ata e a formação um conselho foram o embrião da associação, que foi formalizada em setembro de 2003. Na época, o movimento já tinha obtido algumas vitórias como uma ação na Justiça que impediu a demolição de seis casarões, na rua Luciana de Abreu.

    Com o tempo, o Moinhos Vive incorporou outros assuntos na sua pauta – em geral, as demandas do bairro, o que inclui segurança e esclarecimento sobre obras e intervenções do serviço público, caso da instalação da rede de gás natural e da construção do conduto forçado Álvaro Chaves.

    Indicado ao cargo de presidente, o advogado Raul Agostini foi reeleito em abril para o próximo biênio. Nesta entrevista, ele lembra a trajetória do movimento, suas principais conquistas e projeta atividades para esta nova gestão.

    JÁ – Qual seu balanço do Moinhos Vive?
    Raul Agostini
    – A Associação começou em 2002 tentando barrar a descaracterização do bairro. Especificamente, a partir de um projeto de construção que iria causar a derrubada de várias casas na rua Luciana de Abreu. As pessoas despertaram para a necessidade de preservar o aspecto histórico-cultural. Um grupo começou a colher assinaturas, que chegaram a 10 mil, solicitando que fosse sustada a obra. Entramos com ações judiciais junto ao Ministério Público, que embargou a construção. A empresa construtora recorreu e perdeu em primeiro e segunda instâncias. As casas permanecem lá, mas a definição final está no Superior Tribunal Federal. Pareceres de historiadores e arquitetos apontam essa descaracterização do bairro. A reação pode estar começando um pouco atrasada, mas ainda há tempo para salvar alguma coisa, apesar de que muito já foi destruído. Isso se deve à ganância imobiliária. À ignorância aliada à sede de lucro.

    JÁ – Que outras conquistas se destacam?
    Raul AgostiniDepois que já estávamos mais organizados, agimos em outro episódio: queriam ampliar as calçadas da Padre Chagas deixando apenas um corredor para os carros passarem. Era um estreitamento da pista para possibilitar que os bares e restaurantes avançassem numa área pública. Esse foi outro grande movimento que obtivemos sucesso. Pressionamos a Prefeitura e a idéia não se consolidou.

    JÁ – Como está a Associação hoje?
    Raul Agostini
    Temos um número expressivo de participantes, tanto quantitativo quanto qualitativo. São cerca de 300 moradores integrados, numa estrutura razoável. Agora, inclusive, tivemos a eleição de diretoria. A primeira gestão foi tampão, depois nos elegemos e, agora, nos reelegemos por mais dois anos. Nosso estatuto prevê apenas uma reeleição. Todas pessoas envolvidas acreditam na causa, que exige muito de cada um. Os integrantes também contribuem com uma anuidade de R$ 30.

    JÁ – O Moinhos Vive ainda é referência para outras associações?
    Raul Agostini Algumas entidades estavam embrionárias ou estagnadas e, após o nosso êxito nessas lutas, acabamos sendo exemplo para a formação de outras associações. O Moinhos Vive conseguiu motivar muito e hoje participa do movimento Porto Alegre Vive, que articula associações de bairro. Auxiliamos em várias campanhas como a do armamento da Guarda Municipal e a da preservação das árvores do túnel verde da Marquês do Pombal, que seriam cortadas para a passagem do conduto Álvaro Chaves-Goethe.

    JÁ – E a questão da segurança?
    Raul Agostini
    Nossa idéia é que a Guarda Municipal se integre com a Brigada Militar para policiar toda a cidade. E também que estruturas bem montadas como a EPTC se unam a Guarda Municipal, exercendo uma função de fiscalização efetiva. São mais de 500 homens agregados à Guarda Municipal. Também estamos integrados com outras organizações, como o movimento Chega de Violência e, através de uma parceria com a Prefeitura, estamos engajados no aspecto social, porque a insegurança não é só pela falta de efetivo policial. A origem está nessa disparidade social chocante que vivemos. Então, a idéia é adotar uma comunidade carente, provavelmente, a Vila dos Papeleiros. Essa insegurança talvez desperte a participação social das pessoas.

    JÁ – E nessa gestão, quais são os objetivos?
    Raul Agostini
    Temos o embate do Plano Diretor que será debatido este ano. Somos absolutamente contrários a essas edificações que não levam em conta o meio ambiente e o ser humano que está inserido nele. A questão solar, a ventilação, mobilidade, tudo isso são fatores importantes. A Prefeitura imaginava que teria grande retorno com essa densificação o que foi um grande engano. Só o conduto Álvaro Chaves-Goethe, que vai resolver transitoriamente o problema, custará dezenas de milhões de reais. No fim, quem paga essa obra é toda a população, já esmagada de tanto imposto. Temos que partir de exemplos mais civilizados onde existe o respeito ao meio ambiente, como no Canadá, onde as regras são rígidas. As edificações são erguidas dentro de certos limites.

    JÁ – Que perspectivas tem o movimento?
    Raul Agostini
    Nosso prognóstico é otimista. O despertar da cidadania está ocorrendo em vários aspectos. Estamos cada vez mais conscientes de que os governos devem servir à comunidade e não o contrário. Vamos continuar a luta pelo respeito ao horário das mesas nas calçadas, fiscalizar o acordo de preservação das árvores da rua Marquês do Pombal, acompanhar os debates sobre o Plano Diretor, em especial os limites para construção.

  • A vedete do inverno

    Naira Hofmeister

    Finos, coloniais, tintos e brancos. Não importa o tipo. Basta chegar o frio para os gaúchos procurarem as prateleiras de vinho. Assim como a produção, a oferta tem aumentado nos últimos anos. Entre os comerciantes de bairro, há a convicção de que a melhor forma de vender vinho é criando o hábito do consumo freqüente. O que já está acontecendo.

    Adegas e distribuidoras da capital gaúcha não dependem mais do comércio sazonal. “No inverno o consumo dobra, mas no verão não ficamos mais parados”, garante Dirceu de Castro, da Ametista Bebidas.

    Para quem não tem o hábito de consumir a bebida, o frio vem a calhar. O vinho esquenta e dá um toque especial naquela gélida noite de sábado em que a rua não é a opção mais convidativa.

    Gabriela Martinez, proprietária da Antares Vinhos, aconselha começar pelos mais baratos e de uma única vinífera. “Assim a pessoa começa a conhecer o sabor de cada uva e pode determinar qual o que mais lhe agrada”. Simone Lubus, da Casa dos Vinhos, acrescenta que o paladar pessoal é muito importante nessa hora. “O melhor vinho para mim, pode ser o pior para outra pessoa”.

    Pensando na descoberta desse mundo, as lojas locais oferecem algumas variedades da bebida para degustação. Na Casa dos Vinhos e na Antares, a oportunidade é nos sábados, do início da manhã até a tarde. Na Ametista, Casa de Baco e na Vinhos do Mundo, as provas estão disponíveis todos os dias. Os lojistas garantem: se o cliente quiser, pode abrir uma garrafa para experimentar.

    Contrabando

    Mesmo com o aumento gradativo do consumo, os comerciantes enfrentam uma pesada concorrência. “Sofremos com o contrabando de mercadorias da Argentina e Uruguai”, denuncia Dirceu de Castro. Ele acredita que seu lucro seja prejudicado em torno de 30%. Uma garrafa vendida por R$ 30, por exemplo, pode custar menos de R$ 10 no mercado negro. Segundo os comerciantes, o contrabando acontece por falta de fiscalização nos free-shops – as cotas de compra não são respeitadas e a alfândega faz vista grossa.

    “Isso é muito pior do que a concorrência dos supermercados”, compara Simone Lubus, da Casa dos Vinhos. Os grandes varejistas são encarados como concorrência indireta para o comércio local. Primeiro, porque os lojistas atendem a rede de bares e restaurantes. E também porque primam pelo atendimento individual, personalizado, criando uma identificação com cada cliente. Assim, é possível oferecer sempre uma promoção adequada ou uma novidade “perfeita” para cada consumidor. Outro diferencial é a oferta de produtos de vinícolas que não estão nas gôndolas de supermercados.

    Os lojistas de Porto Alegre também reclamam das altas taxas de impostos. “O Governo do Estado não briga por um produto em que o Rio Grande do Sul é o maior destaque”, queixa-se Olinto Albuquerque, da Cantina do Baco. Ele também critica os altos preços praticados em restaurantes. “A margem de lucro é exagerada: enquanto na cerveja eles aumentam o valor em 20% ou 30%, nos vinhos essa porcentagem chega a 200%”.

    Por outro lado, o preço de importação de vinhos da América do Sul teve queda, em função do câmbio no Brasil. “O preço do dólar está caindo há tempo, mas só esse ano conseguimos repassar para o consumidor”, explica Gabriela Martinez, da Antares Vinhos. Para a chilena, a grande dica nos importados é apostar nas uvas características de cada região: Malbec, na Argentina; Carmenére e Cabernet Sauvignon no Chile, Tannat no Uruguai são bons exemplos.

    Crescimento

    Se dez anos atrás as vinícolas gaúchas produziam quase exclusivamente os chamados vinhos coloniais, ou de mesa, com uvas comuns como Isabel, Bourdeaux ou Niágara, hoje conseguem qualidade surpreendente, mesmo para paladares mais exigentes como o de Leocir Vanazzi, diretor comercial da Vinhos do Mundo. A evolução veio com um investimento pesado em tecnologia.

    “Hoje, a produção de espumantes no Rio Grande do Sul é excelente”, elogia Vanazzi. Simone Nubus, da Casa dos Vinhos também chama atenção para a bebida, que, segundo ela, “vêm se destacando nos mais diversos concursos internacionais”. A partir da pesquisa de solo ideal, tecnologia de irrigação por gotejamento e cursos de formação de enólogos, a produção vinífera gaúcha se destacou no mercado nacional e já compete com os importados.

    Algumas adegas nos bairros centrais da cidade

    * Ametista Bebidas e Alimentos – F: 3342.8064

    Cristóvão Colombo, 2552 – Floresta

    * Antares Vinhos – F: 3388.4280/3024.5366

    Venâncio Aires, 853/loja B – Santana

    * Armazém da Cidade – F: 3388.5559

    Mercado Bom Fim, loja 10

    * Cantina do Baco

    Coronel Feijó, 901 – Higienópolis

    * Casa dos Vinhos – F: 3332.3921/3388.7058

    Alcides Cruz, 398 – Santa Cecília

    * Giuliano Vinhos – F: 3395.4597/3395.1343

    Dinarte Ribeiro, 36 – Moinhos de Vento

    * Porto Vinhos – F: 3268.3468

    Barros Cassal, 689/13 – Bom Fim

    * Sabra Delicatessen – F: 3311.9038/3311.3666

    Fernandes Vieira, 366 – Bom Fim

    * Vinhos do Mundo – F: 3346.6592/ 3226.1911

    Cristovão Colombo, 1493 – Floresta

    João Alfredo, 557 – Cidade Baixa

  • O lucro dos bancos e uma regra prática para limitãção dos juros

    Artur Garrastazu Gomes Ferreira*

    Os bancos e financeiras que operam no Brasil vêm apresentando nos últimos anos, especialmente no Governo Lula, balanços verdadeiramente espantosos. Seus extraordinários lucros são os maiores do planeta. O Brasil se consolidou como a verdadeira “Meca” dos bancos do mundo inteiro, que para cá acorrem motivados pelo inacreditável cenário econômico-jurídico que lhes vem permitindo cobrar o que bem entendem de nossa cada vez mais empobrecida sociedade. Ocorre, contudo, que nosso sistema jurídico provê o cidadão de eficaz mecanismo de defesa.

    O Código de Defesa do Consumidor impõe a nulidade da cláusula contratual que se mostre excessivamente onerosa, considerando-se como tal a natureza do contrato e outras circunstâncias peculiares ao caso. Frente a tal regra de ordem pública, pergunta-se: até que percentual seria aceitável uma determinada taxa de juros em um empréstimo bancário, e a partir de que patamar deverá a mesma ser considerada excessivamente onerosa ou abusiva para o consumidor?

    Ora, como não há na legislação uma regra específica sobre o tema, parece-nos que uma coerente regrinha prática seria tomar-se como padrão “aceitável” a taxa média praticada pelos bancos num certo mês. Mostra o “site” do Banco Central na internet que a taxa média operada pelos bancos para a concessão de empréstimos pessoais no mês de janeiro de 2006 foi de 68,92% ao ano, ou 5,74 % ao mês. Frente a este fato, é evidente que uma taxa de juros contratada, por exemplo, a uma taxa 50% superior à média, deve ser rotulada como excessivamente onerosa.

    Não há devaneio intelectivo do qual possa decorrer conclusão diversa. Se a taxa média já mostra juros em percentuais campeões mundiais, 50% a mais é por certo escandalosamente abusivo, com efeito! Assim sendo, em tais hipóteses deve o julgador anular a cláusula abusivamente estipulada. Não por haver norma legal cogente que limite o juro bancário a um determinado percentual, mas sim por verificá-la agressivamente superior ao padrão ora sugerido como aceitável (a média operada no mês).

    Sem embargo, há já recentes decisões judiciais neste sentido, e que começam a construir um anteparo que, espera-se, deverá minorar esta cruel transferência de recursos dos cidadãos em geral para os alforjes de alguns poucos, numa verdadeira expropriação de riquezas impingida à classe média brasileira ao bel talante do sistema financeiro.

  • Catálogo com a obra de Iberê está pronto

    Artista gaúcho será o segundo no Brasil com catálogo semelhante (Fotos: Divulgação)

    Naira Hofmeister
    A publicação com a antologia de Iberê Camargo terá sua primeira fase concretizada na terça-feira, 20 de junho. A informação é da pesquisadora Mônica Zielinsky, do Instituto de Artes da UFRGS, que coordenou o trabalho de catalogação. A data do lançamento ainda não está definida.
    Serão 507 páginas de história ilustrada da arte gaúcha: o primeiro volume da compilação de obras de Iberê, com todas suas gravuras catalogadas. “Nem acredito que conseguimos”, comemora Mônica, que vem se dedicando ao projeto nos últimos cinco anos. As 329 gravuras de autoria comprovada, identificadas pela equipe técnica, serão mostradas em mais de 700 ilustrações diferentes.

    Primeiro volume será dedicado exclusivamente às gravuras feitas pelo artista

    “Ainda não temos a data de lançamento pois nesse dia queremos anunciar as próximas fases do projeto”, revela Justo Werlang, vice-diretor da Fundação, que leva o nome do artista. Os próximos passos serão a edição de volumes dedicados aos desenhos e às telas de Iberê.
    Juntos, os livros irão formar o chamado catalogue rasonée do artista. É o segundo brasileiro a contar com esse tipo de antologia, que confere à obra status e certificação de autoria. Apenas Cândido Portinari possui catálogo semelhante.
    A impressão será feita pela editora Cosac & Naify, a mais festejada do ramo editorial de cultura, e terá tiragem de 1.000 exemplares. Uma segunda edição será impressa ao longo do ano, com mais 2.000 livros.

  • Jornalismo, ética e “jornalismo ambiental”

    Cláudia Viegas*

    Falar sobre ética é sempre excessivo, pois a ética é algo que existe para a ação. À medida que muito se fala sobre ela, pode-se levantar a suspeita de que ela é pouco praticada. Isto não é diferente no Jornalismo, onde ética é um dever de ação muito mais do que de declaração e muito mais ainda do que de exposição.

    Um dos primeiros aspectos para falar em ética é desarmar-se, ou seja, é importante que, ao debater tal assunto, isto não seja feito num território de acusações e revanchismo. É importante que todos olhem um pouco para si e vejam o que realmente estão fazendo, independentemente da posição que ocupam. Outra questão importante é separar o jornalista do veículo em que ele atua. O jornalista, como cidadão, é um indivíduo com suas convicções e história: ele não é o veículo de comunicação, ele está no veículo, e à medida que concorda ou não com as formas de agir e se posicionar do veículo, pode ou não entrar em conflito, e dependendo da intensidade desse conflito, pode ou não permanecer nele. O conflito é sempre inerente à atuação do jornalista, ele não deixa de ser ético por suportar conflitos, ao contrário. Tudo depende de uma avaliação contínua e constante dos rumos que o veículo, em sua linha editorial e em sua postura, assume, e do grau em que o jornalista apóia – ou tolera – tal direcionamento. Assim, esta primeira distinção é necessária para tratar de ética no jornalismo, em qualquer tipo de jornalismo.

    A maioria dos jornalistas que conheço é jornalista não por lazer, ou seja, não faz jornalismo apenas em eventos, ou em finais de semana, por hobby, ou dentro de uma ONG, como atividade subsidiária à sua profissão. A maioria dos jornalistas existe e vive e tenta exercer a sua dignidade e a sua ética num ambiente chamado “mercado”, profundamente desigual e discriminador, e está nesse ambiente para sobreviver. Evidentemente, alternativas podem ser criadas, mas nem todas são viáveis, nem todas “dão certo”.

    O que muitas vezes choca é o discurso de que o jornalista não tem ética ou é mentiroso porque trabalha num ambiente “x” ou “y”, ou então o discurso, por extensão, de que apenas o jornalista que atua em ONG pode ter credencial para fazer um jornalismo ético. Seria bom, antes de fazer esse discurso, uma breve reflexão sobre as condições de produção do jornalista que atua em veículos “de mercado”, como se diz, e as condições de produção do jornalista que supostamente, como alguns dizem, “é mais ético” do que este primeiro, por atuar em ONGs ou apenas a serviço delas. Como vive cada um? Quem paga seu salário? Creio que este debate é fundamental antes de se partir para o “confronto armado” que normalmente se verifica nos ambientes de discussão da ética jornalística. Se o jornalista “de mercado” vive do salário que a empresa lhe paga, ou do free lancer, o jornalista que é militante certamente também tem uma fonte de sobrevivência – ou é pago por governos (federal, estadual etc), ou por verba de ONGS – as quais, muitas vezes, provêm de governos e/ou empresas privadas. Em última instância, é o cidadão, com os seus impostos, que remunera todo funcionário público ou de ONG, inclusive o jornalista nessa condição. Então, partindo dessa breve reflexão, por que “atirarem-se pedras” nos jornalistas que atuam em empresas privadas?

    Esta reflexão é importante porque, de certa forma, transpareceu no Congresso de Jornalismo Ambiental realizado no último final de semana, em Porto Alegre. Uma das primeiras questões levantadas foi a respeito da finalidade das ações, dentro do escopo da filosofia aristotélica – “Ética a Nicômaco”, o qual foi pai (e não filho) de Aristóteles. Segundo a apresentação do filósofo Vicente Medaglia, também dentro do jornalismo ambiental (como em outros, sustento eu) as nossas ações visam à felicidade. O problema é que “felicidade” é algo com significado muito diferente para cada pessoa, e então caímos numa discussão que pode não ter sido muito esclarecedora, embora muito significativa. O jornalista Roberto Villar afirmou seu conceito de ética como liberdade de escolha.

    Na ocasião, fiz uma intervenção, discordando da posição de Villar, com todo o respeito, e aludi à noção de “meio-termo entre o excesso e a falta” como significado de ética aristotélica e sobre o conceito de “ética como justiça”, os quais constam na mesma obra de Aristóteles, mas certamente fui mal entendida. O que quis dizer é que a noção de meio termo aristotélica pode ser comparada à da busca da justiça pelo jornalista (inclusive o “jornalista ambiental”) no seu trabalho. O meio termo pode significar a capacidade de ouvir todas as partes envolvidas numa querela, e pode também se comparar à busca da sustentabilidade, que não admite excessos nem faltas. Segundo Aristóteles, no mesmo livro dedicado a seu pai, a ética, no seu sentido mais pleno, é comparável à justiça. Mas, no âmbito do jornalismo, não se faz justiça por si. Como vivemos num Estado de Direito, com leis “positivadas”, o que o cidadão ou o jornalista podem fazer é exigir que quem tem poder de ação – como o Ministério Público – entre em ação. A ação do jornalista é o jornalismo, não o ativismo, e isto pode também ser profundamente mal entendido. O fato é que o jornalismo não é uma “justiça com as próprias mãos”, mas uma forma de apoio a quem tem o dever de agir em nome dos cidadãos – autoridades a quem é atribuído este poder de ação e a quem o cidadão paga para isto, ao ser contribuinte.

    Outro debate muito importante refere-se às fontes de financiamento dos veículos. Segundo o jornalista Roberto Villar, o critério mais sustentável para o financiamento da imprensa que atua com jornalismo ambiental, no caso de financiamento privado, é o da empresa “que mate menos”. Por este critério, segundo ele, seria preferível aceitar o patrocínio de uma Petrobras ao de uma empresa de agrotóxicos. Aqui há uma questão crucial a ser repensada: como saber quem “mata mais”, quem “polui mais”? Que indicadores utilizar para medir isto? Com que delimitação geográfica? Acredito que este critério não seja muito prático. Acredito que a maior ou menor felicidade do jornalista que necessita de sustento para o seu veículo esteja atrelada à maior ou menor liberdade editorial dada pelo anunciante. Ou seja: o anunciante que menos interferir no trabalho do jornalista, que mais livre o deixar, seria o preferido, ou preferível a outros.

    Sobre as fontes de informação buscadas pelo jornalista e o porquê de não terem sido levantados, no evento, “outros debates”, como o caso do plano do governo do Estado de fomentar o plantio de eucaliptos (via monocultura) na Metade Sul do Estado, algumas ponderações devem ser feitas. Primeiro: a busca da diversificação de fontes é obrigação do jornalista, é um ato individual e, sem dúvida, faz parte das implicações éticas do seu trabalho. A diversificação deve existir não apenas para “não ouvir sempre os mesmos”, mas para ouvir diferentes “lados”, ou seja, diferentes “interesses” implicados num mesmo fato, seja quais forem. A idéia de que apenas a interpretação é válida, de que dados não podem ser úteis para a compreensão de uma realidade parece desprovida de fundamento. Dados como os apresentados pela jornalista Cecy Oliveira, da revista Aguaonline, mostram realidades intrigantes, como o fato de boa parte da população não saber que a agricultura tem muito mais peso em eventos como escassez e poluição da água do que a indústria. E, ademais, interpretações muitas vezes podem apenas expressar a avaliação de uma das partes envolvidas em uma questão.

    Sobre o que deixou de ser abordado no evento, pelos jornalistas que participaram do painel sobre a mídia ambiental, trata-se de uma restrição de tempo, não de uma restrição ideológica. Não há por que temer o debate, qualquer que seja, se ele for honesto, com regras claras, sem subterfúgios. Que existem manobras no Consema para aumentar o poder da Famurs no conselho, isto está claro. Foi denunciado pelas ONGs com assento no Consema. O Ambiente Já veiculou matéria a respeito. Também não se mencionou, por parte dos debatedores das ONGs, o andamento do plebiscito sobre a usina térmica a carvão em Cachoeira do Sul, o qual ocorreu no último domingo (21/05). Mas não creio que tenha sido por qualquer motivo ideológico, e sim por razão de objetividade do debate que estava sendo proposto no momento.

    Para encerrar, acredito ser oportuna uma desmistificação. Jornalismo ambiental tem tanto compromisso com ética quanto qualquer outro tipo de jornalismo. Não há por que se criarem chavões e éticas à parte. Começando pelo simples, se a ética é “o bem do outro”, como diz Aristóteles em “Ética a Nicômaco”, por que tratarmos o outro com tanto desrespeito, tachando-o de mentiroso, por exemplo, ou impedindo sua presença em um debate? A ética do jornalismo ambiental, como qualquer outra, deve começar pelas ações simples, com relação aos nossos hábitos e com relação ao tratamento com nossos pares (jornalistas). Complicar mais do que isto é cair em discurso e esquecer que a ação é bem mais importante, e que ela começa pelo indivíduo.

  • Trabalhadores desempregados pedem subsídios

    Carla Ruas

    Entidades dos trabalhadores e desempregados do Rio Grande do Sul uniram-se nesta quarta-feira, 14 de junho, para buscar subsídios ao Governo. Durante todo o dia, realizaram protestos em Porto Alegre reivindicando a isenção do pagamento da água e luz, acréscimo de cestas básicas e passe livre no transporte coletivo.

    O movimento foi organizado pela CUT-RS, Federação dos Metalúrgicos, Federação Democrática dos Sapateiros e o Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD). Às 15 horas, representantes participaram de uma audiência com o chefe da Casa Civil, Paulo Michelucci, e o secretário de desenvolvimento e assuntos internacionais, Luis Roberto Ponte, no Centro Administrativo. Em mais de duas horas de conversa, eles dialogaram em busca de soluções.

    Michelucci admitiu encaminhar alguns dos itens, mas enfatizou que o Estado também sofre com a baixa da economia. “Mas vamos intervir no processo para tentar solucionar”, acrescentou. Ele pretende estimular os dirigentes da CEEE e da CORSAN a minimizar os custos, aceitar o pagamento a prazo e religar os serviços cortados dos desempregados”.

    O chefe da Casa Civil iniciou o debate sobre o assunto durante o encontro, mas passou a coordenação para o secretário Ponte, que deve realizar as próximas reuniões. Michelucci diz que após a ampla discussão sobre cada categoria serão produzidos projetos de lei e encaminhados para a Assembléia Legislativa. “Mas apenas quando houver o consenso entre os trabalhadores e o governo”, ressalta.

    O presidente da CUT-RS, Celso Woyciechowski, afirma que os secretários também prometeram consultar as empresas de ônibus e a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), para a obtenção de vale-transporte gratuito aos desempregados. A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) será contatada para o acréscimo no número de cestas básicas.

    Para Woyciechowski o encontro foi muito produtivo, mas o ponto prioritário ainda é a retomada de emprego. “São necessárias medidas de médio prazo, como a retomada do setor de máquinas agrícolas e políticas para uma agricultura renovada”. Ele lembra que nas indústrias de máquinas e implementos agrícolas o número de desempregados já chega a 9 mil. E que aproximadamente 20 mil trabalhadores foram demitidos devido à crise do setor coureiro-calçadista nos últimos meses.

    O chefe da Casa Civil responde que o Estado tem sofrido o mesmo efeito no setor de calçados, têxtil, fumo, móveis e máquinas agrículas. Ele explica que o problema é o câmbio e a falta de preço do produto produzido no Rio Grande do Sul. “Reduzimos a carga tributária, mas não tem surtido efeito”.

    Ele ainda destaca a abertura de frentes de trabalho na região metropolitana de Porto Alegre. Neste programa do governo, cooperativas e grupos de trabalho recebem treinamento e ajuda de custo no inicio das atividades. “Cerca de 2 mil grupos já foram criados como costureiras e galpões de reciclagem de lixo”.

    Os manifestantes também questionaram a mudança e a inclusão de categorias nos níveis do novo salário mínimo regional, aprovado em maio. “Queremos incluir os trabalhadores dos bares e restaurantes, vigilância, imobiliárias e call centers”. Além disso, eles buscam mudar de faixa os sapateiros e os trabalhadores da construção civil.

    Dia de protesto

    Às 8h30 da manhã, o grupo se concentrou no  Centro Cultural do Parque Harmonia. Em seguida fizeram uma caminhada com faixas e bandeiras pelo Centro Administrativo, Corsan e Palácio Piratini.

    No início da tarde foram recebidos pela Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) para pedir a isenção do pagamento da energia elétrica. A agência é responsável por garantir a qualidade dos serviços públicos, como energia, telecomunicações e transporte. O presidente Guilherme Sócias Villela encaminhou a questão ao conselho superior, que irá apresentar à Agência Nacional de Energia Elétrica, ANEL. “Caso seja aprovada, haverá uma orientação para as concessionárias não cobrarem dos desempregados”.

  • Via Campesina lança cartilha sobre a monocultura de árvores no RS


    A cartilha defende a impossibilidade da plantação florestal sem uma análise dos impactos ambientais
    (Foto: Tatiana Feldens/JÁ)

    Tatiana Feldens

    Direcionando duras críticas à mídia e as três grandes empresas do ramo papeleiro instaladas no Rio Grande do Sul – Aracruz Celulose, Votorantin e Stora Enso –, o deputado estadual Frei Sérgio Antonio Görgen (PT) lançou nesta segunda-feira, 12 de junho, a cartilha explicativa “O latifúndio dos Eucaliptos”, de autoria da Via Campesina.

    O objetivo, como informou o parlamentar, é “apresentar à sociedade informações normalmente sonegadas ao público sobre os impactos social, ambiental e econômico das monoculturas de árvores e das indústrias de papel no país e no Estado”.
    O evento, realizado na Comissão de Economia da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, reuniu integrantes de movimentos sociais e sindicatos contrários ao chamado “deserto verde” nos pampas gaúchos.

    Claudia Prates, representante da Marcha Mundial das Mulheres, disse que a cartilha vem completar uma série de ações que a Via Campesina vem desenvolvendo desde março contra os desertos verdes no Estado.

    Ela manifesta repúdio ao tratamento dado pela grande imprensa que “criminalizou a ação orquestrada pelas mulheres campesinas em defesa da vida e do meio ambiente em março passado”. Na avaliação de Claudia, a cobertura feita pelos meios de comunicação desfez a luta de pelo menos 2 mil mulheres que participaram do ato ao Horto Florestal da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro.

    Integrante do Movimento Sem Terra, Cristiane Campos endossa o fato de a mídia não ter evidenciado os reais motivos da ação. “Do jeito que foi publicado, parecia que as mulheres não tinham mais o que fazer além de depredar o Horto Florestal”. Segundo ela, a ação foi uma medida que contribui para despertar o debate sobre essas plantações. “Não é só a população do campo que perde, que fica sem terra e sem recursos naturais. O meio urbano perde muito também”, acredita.

    O movimento dos desempregados também manifesta solidariedade à ação e afirma que irá participar “da luta contra todas essas transnacionais instaladas no Rio Grande do Sul”. Dados do Movimento dos Trabalhadores sem Trabalho (MTT), apontam que a cada 185 hectares de árvores plantadas, apenas um emprego é gerado para os trabalhadores. Quando comparado à agricultura familiar, essa quantidade aumenta significativamente, pois “a relação é de um para um, ou seja, a cada um hectare plantado, um novo emprego é gerado”.

    O Movimento Negro e a Pastoral da Juventude Rural também estiveram presente no lançamento. De acordo com eles, a cartilha será uma ferramenta de formação e conhecimento aos povos camponeses, que muitas vezes se acomodam e deixam de buscar outras informações além do que é veiculado pela mídia.

    Estudos técnicos

    Segundo o deputado petista Frei Sérgio Görgen, a cartilha foi elaborada com base em relatórios técnicos variados. “Foram consultadas inúmeras teses universitárias de mestrado e doutorado”. Não foi possível encontrar, entretanto, livro publicado em português sobre o assunto, “porque não se quer uma informação de qualidade”, avalia.

    Nestes estudos analisados, fica claro a impossibilidade de se fazer maciça plantação florestal sem uma análise profunda dos impactos ambientais, principalmente sem estudos hidrológicos que possibilitem saber qual a disponibilidade de água que realmente existe nas regiões plantadas.

    “Nós tivemos o cuidado de não demonizar o eucalipto e nem o plantio de florestas comerciais. Queremos apenas deixar claro que sem o zoneamento agro-florestal e ecológico, essas árvores não podiam ser plantadas”.

    Görgen afirma que as informações sobre o passivo das monoculturas não chegam ao grande público, mas diz confiar na sociedade gaúcha, que “ainda irá reconhecer o manifesto e agradecer as mulheres campesinas por terem alertado do grave dano ambiental que o Estado está prestes a perpetrar contra si mesmo”.

    No momento, segundo ele, “a principal alternativa contra essas plantações é fazer um zoneamento agro-ecológico e florestal para podermos ver o que de fato o nosso sistema suporta no plantio comercial de árvores”. Outra alternativa é pensar em sistemas agro-florestais que preservem o ambiente.

    “Podemos plantar eucaliptos, acácias, mas devemos pensar em outras árvores do nosso sistema, da nossa biodiversidade, que com um pouco de pesquisa agro-florestal, nós poderíamos também utilizá-las para o plantio comercial”. De acordo com ele, não pode ser permitido que essas empresas se transformem em grande latifundiárias.

    “Não podemos aceitar essa enorme concentração de terras nas mãos de apenas três empresas. Hoje são 350 mil hectares, mas até 2017 a previsão é 1 milhão de hectares. Diante disso, precisamos romper esse bloqueio do grande capital que não permite julgar os problemas ambientais decorrentes dessas plantações”, pondera.

    Distribuição

    Em breve, o livro poderá ser acessado na internet. “Por enquanto estará sendo distribuído aos movimentos sociais, escolas, promotores de justiça, comunicadores do interior e todos aqueles que quiserem ter uma informação real, fidedigna e alternativa àquela que é a propaganda oficial das empresas”, informa Frei Görgen.

    A cartilha poderá ser comprada pela quantia de R$ 1 em bancas do Movimento na cidade: uma delas localizada dentro do Mercado Público, outra na avenida Farrapos 88. Nas sedes da Via Campesina também poderá ser encontrado o material.
    Perguntado sobre o porquê de a cartilha não ter sido lançada antes da ação contra a Aracruz Celulose, foi enfático. “Por que não imaginávamos que a desinformação fosse tão brutal. Imaginávamos que minimamente as escolas e a imprensa falassem disso”.

    Ele cita um livro de sua autoria sobre os novos desafios da agricultura camponesa no Brasil, em que fez um alerta sobre as monoculturas de árvores. “Nós também divulgamos aqui no RS um vídeo chamado ‘Deserto Verde’. Fizemos vários debates no interior do Estado, só que o tema não estava na ordem do dia. A diferença é que agora está, por isso o lançamento da cartilha”.

    Horto Florestal

    Frei Sérgio Görgen ainda falou sobre a invasão ao Horto Florestal Barba Negra, em março passado. De acordo com ele, era preciso chamar a atenção da sociedade gaúcha ao grave dano ambiental que está prestes a ser perpetrado por estas empresas, assim como a constituição de um novo latifúndio no Estado, já com 350 mil hectares de terras sob o poder da Aracruz, da Votorantin e da Stora Enso. “Por isso o ato das mulheres é perfeitamente defensável”.

    Görgen reiterou, por diversas vezes, que não existe laboratório de genética em Barra do Ribeiro. “Trata-se de uma grande mentira que surgiu ao redor da ocupação das mulheres e que serviu para criminalizá-las injustamente. Esse trabalho de 20 anos que a mídia propagou não estava em Barra do Ribeiro. Está no laboratório de genética da empresa em Aracruz, no Espírito Santo. Aqui era apenas o centro de reprodução de mudas”, justifica ele.

    Ele finaliza afirmando que as ações contra o “deserto verde” no Brasil irão se multiplicar. “A Aracruz foi apenas um símbolo, representado pela Stora Enso e a Votorantin”. Essas três empresas, segundo Görgen, são muito diferentes daquelas que trabalham com a plantação de Acácia, por exemplo, “com as quais nós temos um bom diálogo”.

  • Bandeirão já virou marca da Venâncio Aires

    Bandeira enfeita a rua durante a Copa desde 1998 (Fotos: Carlos Matsubara)

    É impossível não notar: todos que passam pela esquina da Venâncio Aires com a João Pessoa na época da Copa do Mundo erguem os olhos para o alto dos prédios e abrem um sorriso. Lá de cima, pende uma enorme bandeira verde e amarela, com uma altura de cinco andares. O objeto tem detalhes vermelho-e-branco e tricolor, unindo as cores de Grêmio e Inter.

    A decoração não é novidades desta Copa do Mundo. Desde 1998, os moradores arrecadam dinheiro na vizinhança para exibir a paixão pelo futebol brasileiro. Idéia de um antigo comerciante – o Carioca – que manteve um mercadinho na região durante anos.

    Segundo conta Rui Oliveira, síndico do Edifício Ada (Venâncio Aires, 449), Carioca era torcedor daqueles fanáticos, que fazia de tudo por um campeonato. Teve então a idéia de fazer uma baita “corrente pra frente”, simbolizada pela bandeira, que mede cerca de 25 metros de comprimento e 15m de largura.

    “Ele bateu de porta em porta, arrecadando o dinheiro, e não teve ninguém que negou”, lembra Oliveira. O triste desfecho da final da Copa de 98 contra a França não impediu o sucesso do bandeirão. Tanto que a campanha voltou em 2002, dessa vez, abençoada com o pentacampeonato. A esquina virou ligar de comemoração: “Na ocasião, até a Banda da Brigada veio animar a festa, que estava linda”, lembra orgulho, o síndico Oliveira.

    Ele acredita que a festa tem tudo para se repetir. “Condições para vencer essa Copa não faltam, nossa seleção é composta de jogadores que atuam na Europa e estão habituados com o clima”, comenta ele, já projetando uma nova festa sob o bandeirão da Venâncio.

  • Alemães comemoram vitória em Porto Alegre

    Entrada do Instituto ficou lotada no primeiro jogo da Copa (Fotos: Helen Lopes)

    Descendentes e imigrantes germânicos se reuniram no Instituto Goethe, no início da tarde desta sexta-feira, 9 de junho. Não era uma palestra nem aula de alemão, o motivo do encontro foi a estréia da seleção na Copa Mundo.

    Jogando em Munique, o time da casa não fez feio. Aplicou 4 a 2 na Costa Rica para felicidade da pequena torcida porto-alegrense. Os gols foram marcados por Lahm, Frings e Klose, duas vezes.
    Quase cem alemães, alguns fardados com a camisa oficial, foram ao centro cultural, na avenida 24 de Outubro. A decoração do hall de entrada do Instituto, onde foram colocados dois telões, completou o clima, com direito a bandeiras do Brasil e da Alemanha.

    Boa parte do grupo vestia uma camiseta confeccionada pelo Consulado especialmente para a copa, mesclando as cores dos dois países. Entre um lance e outro, a torcida aproveitava para curtir petiscos típicos, como salsicha bock, chucrute (repolho fermentado e cozido) e brezel (uma rosca de pão).

    Outra atração do encontro foi a cerveja Helles, sem aditivos e conservantes, feita em Montenegro, interior do Estado, seguindo o estilo da alemã. Os descendentes Conrad Albrecht e Mateus Storck, juntamente com o amigo Alexandre Barros – de família italiana, não perderam tempo e pediram o tradicional chopp alemão de um litro.

    Torcida típica: muito chopp e comidas tradicionais no Goethe

    O Instituto Goethe vai promover esses encontros todos os jogos da Alemanha ou do Brasil, exceto no domingo 18 de junho. De acordo com Claus Herzer, funcionário do Instituto, a intenção é integrar as duas culturas e trazer novas pessoas para conhecer o Goethe. Descendente de germânicos, ele torce por uma final entre os dois paises. “Será uma grande festa. Teremos que abrir o auditório”, projeta.

    Os torcedores já projetam uma final entre Brasil e Alemanha. Fardada com a tradicional uniforme braco da seleção a alemã, Anastasia Weinmann admitiu que, em caso de enfrentamento Brasil x Alemanha, ela não sabe para quem vai torcer. “Acho que vai ser para a Alemanha, mas no jogo vou ficar com o coração dividido”, conta a moça de 19 anos, que está no Brasil há 10 meses trabalhando com crianças carentes.

    A dúvida é compartilhada pelo amigo Johannes Böff, de Frankfurt, que faz intercâmbio há três meses na Capital. O garoto de 21 anos já fala algumas palavras em português e afirma que gostou muito da cidade e das pessoas. “As pessoas são amigas e conversam bastante”, diz. Enquanto o confronto Brasil x Alemanha não chega, os dois compatriotas aproveitam para brincar com o uniforme: usam uma meia de cada país.

    Os alemães Johannes Böff e Anastasia Weinmann se divertiram com uma meia de cada país

    Mas há os alemães radicais. É o caso de Ralf Kramer, que mora há 12 anos no país. “Admiro o Brasil. Mas meu time é a Alemanha, nem pensar em torcer contra”, resume.

  • Avançam obras no Cinema Capitólio

    Visitaram o Capitólio o secretário municipal da Cultura, Sergius Gonzaga, vereadora Margarete Moraes (PT), presidente da Funarte,  Antônio Grassi e Vitor Ortiz, diretor do Centro de Programas Integrados da Funarte.

    Naira Hofmeister

    Num passeio de uma hora na manhã desta quinta-feira, 8 de junho, dirigentes da Fundação Nacional para a Arte (Funarte) visitaram as obras no Cinema Capitólio, no centro de Porto Alegre. O grupo conheceu o Salão Átrio e a sala de projeções, com capacidade para 190 lugares. Também passou pelo local onde será instalado o acervo climatizado da reserva técnica da cinemateca.

    A fachada do prédio, que data de 1928, já ganhou pintura nova e a estrutura interna está ganhando contornos finais para receber o futuro centro cultural. As paredes já ganharam uma mão de tinta, a instalação elétrica está sendo concluída e até o elevador já está no lugar. A inauguração deve acontecer até o final do ano, quando será lançado um livro de memória oral da história do cinema.

    Os representantes da Funarte também vieram a Porto Alegre em função das comemorações dos 30 anos da entidade. A Câmara Municipal realiza homenagem na noite desta quinta-feira, 8 de junho. O presidente da Instituição, Antônio Grassi, aproveitou a visita ao Estado para anunciar dois projetos nacionais, que contemplarão instituições gaúchas.

    O primeiro prevê a doação de kits educativos e culturais a 75 bibliotecas do Rio Grande do Sul. Cada kit é composto por cerca de 50 obras entre livros, CDs e audiovisuais editadas pela instituição, inclusive as publicações de governos anteriores. “É uma antologia da história do pensamento da Funarte”, elogia Grassi. Em todo o Brasil, mais de mil bibliotecas de 800 municípios receberão o conjunto, que soma 350 mil exemplares.

    A outra medida é equipar salas de espetáculos. Na próxima semana, duas mesas de digitais de iluminação serão entregues ao Teatro Renascença, no Centro Municipal de Cultura, e ao Bruno Kiefer, localizado na Casa de Cultura Mario Quintana e mantido pelo Governo do Estado. A Funarte ainda vai oferecer um curso de capacitação para os operadores, que será aberto à toda a classe regional. “Queremos qualificar esses técnicos”, planeja Grassi.

    O anúncio foi feito em meio à visita ao Capitólio. Grassi esteve acompanhado do diretor do Centro de Programas Integrados da Funarte, Vitor Ortiz. Ele foi secretário de Cultura na última gestão do PT em Porto Alegre, e lembra que o projeto de recuperação do Capitólio foi lançado na sua época.

    A Petrobras está bancando a reforma do prédio e irá patrocinar os equipamentos. A vereadora Margarete Moraes (PT), que está coordenando as homenagens à Funarte, acompanhou a visita ao lado do secretário municipal de Cultura, Sergius Gonzaga e de Cláudio Fonatana, da Fundacine, que capitaneia o projeto do Capitólio. “É muito raro uma instituição cultural durar tanto tempo. A Funarte é um exemplo de política cultural nacional, que atua em todo o Brasil, não se restringindo apenas ao centro do país”, elogiou Margarete.

    Visitaram o Capitólio o secretário municipal da Cultura, Sergius Gonzaga, vereadora Margarete Moraes (PT), presidente da Funarte,  Antônio Grassi e Vitor Ortiz, diretor do Centro de Programas Integrados da Funarte.

    Naira Hofmeister

    Num passeio de uma hora na manhã desta quinta-feira, 8 de junho, dirigentes da Fundação Nacional para a Arte (Funarte) visitaram as obras no Cinema Capitólio, no centro de Porto Alegre. O grupo conheceu o Salão Átrio e a sala de projeções, com capacidade para 190 lugares. Também passou pelo local onde será instalado o acervo climatizado da reserva técnica da cinemateca.

    A fachada do prédio, que data de 1928, já ganhou pintura nova e a estrutura interna está ganhando contornos finais para receber o futuro centro cultural. As paredes já ganharam uma mão de tinta, a instalação elétrica está sendo concluída e até o elevador já está no lugar. A inauguração deve acontecer até o final do ano, quando será lançado um livro de memória oral da história do cinema.

    Os representantes da Funarte também vieram a Porto Alegre em função das comemorações dos 30 anos da entidade. A Câmara Municipal realiza homenagem na noite desta quinta-feira, 8 de junho. O presidente da Instituição, Antônio Grassi, aproveitou a visita ao Estado para anunciar dois projetos nacionais, que contemplarão instituições gaúchas.

    O primeiro prevê a doação de kits educativos e culturais a 75 bibliotecas do Rio Grande do Sul. Cada kit é composto por cerca de 50 obras entre livros, CDs e audiovisuais editadas pela instituição, inclusive as publicações de governos anteriores. “É uma antologia da história do pensamento da Funarte”, elogia Grassi. Em todo o Brasil, mais de mil bibliotecas de 800 municípios receberão o conjunto, que soma 350 mil exemplares.

    A outra medida é equipar salas de espetáculos. Na próxima semana, duas mesas de digitais de iluminação serão entregues ao Teatro Renascença, no Centro Municipal de Cultura, e ao Bruno Kiefer, localizado na Casa de Cultura Mario Quintana e mantido pelo Governo do Estado. A Funarte ainda vai oferecer um curso de capacitação para os operadores, que será aberto à toda a classe regional. “Queremos qualificar esses técnicos”, planeja Grassi.

    O anúncio foi feito em meio à visita ao Capitólio. Grassi esteve acompanhado do diretor do Centro de Programas Integrados da Funarte, Vitor Ortiz. Ele foi secretário de Cultura na última gestão do PT em Porto Alegre, e lembra que o projeto de recuperação do Capitólio foi lançado na sua época.

    A Petrobras está bancando a reforma do prédio e irá patrocinar os equipamentos. A vereadora Margarete Moraes (PT), que está coordenando as homenagens à Funarte, acompanhou a visita ao lado do secretário municipal de Cultura, Sergius Gonzaga e de Cláudio Fonatana, da Fundacine, que capitaneia o projeto do Capitólio. “É muito raro uma instituição cultural durar tanto tempo. A Funarte é um exemplo de política cultural nacional, que atua em todo o Brasil, não se restringindo apenas ao centro do país”, elogiou Margarete.