Autor: Elmar Bones

  • Colégio Rosário adota Praça São Sebastião


    Os alunos consideram a praça uma extensão do colégio, onde durante o recreio a turma se encontra (Fotos: Divulgação/JÁ)

    Naira Hofmeister

    A praça São Sebastião, ao lado do colégio Rosário – entre a avenida Independência e a rua Irmão José Otão – ganha atenção especial a partir desta quarta-feira, 7 de junho. A direção da instituição de ensino assinou termo de cooperação com a Prefeitura, passando a ser a responsável por cuidados com os 4.760 m² da área verde. O convênio inclui manutenção e limpeza.

    A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam) vai continuar executando os serviços de poda e manejo de árvores, além de preservar as obras de arte do local – o Painel da Conceição, escultura de Xico Stockinger, e quatro estátuas de mármore de Carrara, remanescentes do Chafariz da Praça da Matriz, no século XIX.

    “Não estamos repassando à escola todas as responsabilidades. O termo de adoção possibilita a qualificação do espaço”, prevê o executivo da Smam, Beto Moesch. Já existem planos nesse sentido. O diretor do Rosário, Irmão Firmino Biazus, diz que o projeto ainda não está pronto, mas adianta que uma das idéias é identificar as árvores do local, bastante freqüentado pelos alunos. “Há anos ouvimos dizer que a praça é do colégio. Agora somos responsáveis por ela de fato”.

    A sensação entre os alunos é a mesma. Eles consideram a praça uma extensão do colégio, onde durante o recreio a turma se encontra. “Já estava na hora de o colégio adotar essa praça, a gente vive aqui”, conta Keila Marques, aluna do 1º ano do Ensino Médio. “Só espero que eles coloquem lixeiras novas. Jogar o lixo nessas é a mesma coisa que colocar no chão”, observa a colega Sanada Munhoz.

    Apesar da alegria pela ação, os estudantes acreditam que vai ser necessário um trabalho de educação ambiental. “Tem muita gente que recebe folheto na hora do recreio e joga no chão sem constrangimento”, criticou Luis Antônio Covatti, do 3º ano.
    Ao final da solenidade, duas mudas de capororoca e uma de canafístula foram plantadas. Com mais essa parceria, a Prefeitura poderá cuidar melhor de outros locais. Segundo o secretário Moesch, a Smam gasta R$ 2 milhões por ano apenas na contratação de serviços de capina para as 539 praças da capital. Só a manutenção do Parque Farroupilha custa R$ 1 milhão e 400 mil aos cofres municipais. “O cuidado não inclui apenas a limpeza da área. Essa praça, por exemplo, tem um zelador”, observa.

  • Rua Gonçalo de Carvalho é patrimônio histórico de Porto Alegre


    O decreto inclui a preservação das dezenas de árvores tipuanas plantadas em 1937 (Foto: PMPA/JÁ)

    Carla Ruas

    Na abertura da 22ª Semana Municipal do Meio Ambiente, na tarde desta segunda-feira, 5 de junho, o prefeito José Fogaça assinou decreto tornando a rua Gonçalo de Carvalho “patrimônio histórico, cultural e ambiental da cidade”. É um ato inédito, pois se trata da primeira via da cidade a receber tal distinção.

    O texto estabelece a manutenção das características locais, o que inclui preservação das dezenas de árvores tipuanas, plantadas em 1937, e a manutenção do calçamento da via, feita de paralelepípeos. Assim, qualquer intervenção no local deverá obedecer ao decreto.

    O evento, no Shopping Total, teve a presença de um seleto público, composto por representantes da Associação do Bairro Independência, entidades ecológicas, empreendedores, funcionários da Prefeitura e jornalistas.

    O presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Independência (AMABI) e morador da rua Gonçalo de Carvalho, Marcelo Ruas, comemorou a conquista. “É o reconhecimento da luta dos moradores do bairro”, avaliou.

    O grupo protestou para manter as características da via, trazendo a público a discussão sobre a construção de um prédio-estacionamento anexo à futura sede da OSPA no Shopping Total. “Agora, a rua será compreendida de outra forma pelo poder público e pela sociedade. Terá outro status no conjunto ambiental”, acredita Ruas.

    Para o secretário do Meio Ambiente, Beto Moesch, a iniciativa é mais uma ação precursora de Porto Alegre com relação à preservação ambiental. “São mais de 30 anos, tudo começou com a Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), nos anos 70”, lembrou, citando ainda a mobilização de outra comunidade, a da Marquês do Pombal, em defesa do “túnel verde” da via no Moinhos de Vento.

    Moesch garante que a proteção da Gonçalo de Carvalho vai abrir um precedente para o reconhecimento oficial dos túneis verdes de Porto Alegre. “É a primeira de muitas ruas que terão protegidas as suas características de arborização”.

    O prefeito José Fogaça disse que o objetivo do governo municipal é trabalhar em três eixos: social, econômico e ambiental. “A Gonçalo de Carvalho é um tesouro urbano, resultado de anos de respeito à arborização na cidade”. Ele também destacou o Comitê Gestor de Educação Ambiental, criado em 2005, que visa integrar as secretarias municipais nas questões de meio ambiente.

    Programação da 22ª Semana do Meio Ambiente

    As atividades do evento incluem palestras sobre meio ambiente, painéis educativos, oficinas e caminhadas. O encerramento ocorre no dia 11 de junho, com o 5º Passeio Ciclístico do Morro do Osso, onde serão percorridos 35 quilômetros até a orla do Guaíba. A inscrição é um quilo de alimento não-perecível e o participante concorre ao sorteio de uma bicicleta. Confira a programação abaixo:

    Dia 5 de junho – Segunda-Feira (Dia Mundial do Meio Ambiente)
    14h – Abertura Oficial da Semana e do Parque Ambiental
    Ato de assinatura do decreto que transforma a Rua Gonçalo de Carvalho em Patrimônio Cultural, Histórico e Ecológico
    15h – Palestras: “Como o mundo entende a Educação Ambiental?”
    Rita Mendonça  – Instituto Romã (SP)
    Adriana Maciel  – Faculdade da Serra Gaúcha (RS)
    19h30min – Exibição do filme “A Carne é Fraca” – documentário sobre alimentação à base de carne – aspectos ambiental,  ético e de saúde humana
    Local: John Bull Pub – Shopping Total
    Apoio: Sociedade Vegetariana Brasileira

    Dia 6 de junho – Terça-Feira
    Painel: “Os diferentes elementos que alimentam a Educação Ambiental”
    14h – Antropocentrismo e Ecoteologia
    15h15min – Terceiro Setor e Empresas
    16h30min – Ética e Princípios Legais
    Local: John Bull Pub – Shopping Total

    Dia 7 de junho – Quarta-Feira
    Educação Ambiental Interna
    14h – Painel: “Os servidores públicos municipais na cidade da Educação Ambiental”
    Condução: Comitê Gestor de Educação Ambiental/PMPA
    Local: John Bull Pub – Shopping Total

    Dia 8 de junho – Quinta-Feira
    7h45min às 17h – Oficina de Educação Ambiental para Professores
    Local: Minizôo Palmira Gobbi do Parque Farroupilha
    Inscrições: 3286 4458
    Sala de Oficinas 1
    14h – Tintas
    15h – Compostagem
    16h – Danças Circulares
    Sala de Oficinas 2
    14h – Brincando no e com o Meio Ambiente
    15h – Corpo, Saúde e Meio Ambiente
    16h – Sistemas de Gerenciamento Ambiental
    17h – Elaboração de Projetos
    Sala 1 + Sala 2
    18h – Yoga e Meditação
    Local: John Bull Pub – Shopping Total
    Inscrições: 3289 7521

    Dia 9 de junho – Sexta-Feira
    10h15min – Vivência Lúdica “Seres da Natureza” – Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho/SMCultura
    Local: Estacionamento – Shopping Total

    Dia 10 de junho – Sábado
    Caminhada Ecológica e Trilha Especial para PPDs em cadeira de rodas
    9h – Concentração
    Inscrição: No local – 1kg de alimento não-perecível
    Informações: 9948 1863
    Local: Parque Natural do Morro do Osso – Rua Ir. Jacomina Veronese – Ipanema (3263.3769)
    Realização: ONG Caminhadores e SMAM

    Dia 11 de junho – Domingo
    5° Passeio Ciclístico Preserve o Morro do Osso
    9h – Saída no Parque Marinha do Brasil
    Realização: ACZS, SMAM e SME
    Apoio: EPTC e Brigada Militar

    Atividade Permanente

    05 a 11 de junho – das 9h às 11h30min e das 14 às 19h
    Parque Ambiental – Vivendo os projetos e programas de Educação Ambiental da PMPA e seus parceiros
    Local: estacionamento – Shopping Total

    Nas atividades que ocorrem dentro das instalações do Shopping Total, há cobrança de R$ 2 pelo estacionamento, conforme normas da administração do espaço.

  • A Copa de quem fica na torcida


    Até galerias de arte, como a Paulo Capelari, estão em ritmo de Copa (Obra de Ariadne Decker/Divulgação)

    Helen Lopes
    Para quem gosta de acompanhar jogos com os amigos, os bares estão repletos de atrações para a Copa do Mundo. A receita da maioria dos estabelecimentos inclui telão, torcida e bebida. Na avenida Goethe, tradicional palco de comemorações, o Assim Assado é um exemplo: um cartaz anuncia telão especialmente montado para Copa. O Beer Street é outro que prepara promoções de cerveja para os dias de jogos do Brasil.
    No circuito Moinhos de Vento – Rio Branco – Bom Fim – Santana – Cidade Baixa existem inúmeras opções. O Bar do Beto, na Sarmento Leite, investiu numa tevê de plasma 42 polegadas. Vai oferecer um chopp a cada cinco consumidos. O Copão, bar mais conhecido da Lima e Silva, também pretende atrair os clientes pela da cerveja, mas ainda está definindo a promoção.
    O Bar Opinião vai abrir uma hora antes dos jogos para reunir a Torcida Mão na Taça, numa parceria com lojas Paquetá e rádio Ipanema. Além do telão, vai oferecer bebida em dose dupla. Para participar é necessário adquirir um kit na Paquetá, que contém camiseta, corneta, bandana e passaporte para assistir aos jogos.
    O Café do Porto, na Padre Chagas, preparou uma decoração especial nas cores da bandeira do Brasil e terá telões em partidas do Brasil. A Confeitaria Maomé, no Bom Fim, também está no ritmo da Copa. Atendentes usam bonés e bandanas com adereços em verde-amarelo e um telão será instalado no fundo da loja para os clientes assistirem aos jogos. O bar Marrocos 860, na Venâncio Aires, abrirá uma hora antes quando o Brasil estiver em campo. O primeiro jogo é no dia 13, às 16h, contra a Croácia.
    Decoração
    Vitrines dos mais variados segmentos ostentam decoração especial. Até os bancos aderiram, caso do Banrisul da Osvaldo Aranha. Na Farmácia Econômica em frente ao Hospital de Pronto Socorro, bandeiras do Brasil estão estendidas desde o início do mês. A Drogamaster exibe cápsulas verdes e amarelas, canecas e bandeirolas do Brasil.
    O Banco Central autorizou os bancos de todo o país a alterar o horário de funcionamento nos dias em que a seleção brasileira jogar. A decisão obriga as instituições a permanecerem abertas por pelo menos quatro horas diárias, mas não precisa ser de forma ininterrupta. O horário deverá ser exposto ao público com antecedência mínima de dois dias úteis.
    A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) realizará operações especiais para disciplinar o trânsito nos bairros durante as comemorações. Uma hora antes dos jogos do Brasil, o número de ônibus em circulação vai aumentar para atender as pessoas que se descolam para casa.
    A Copa do Mundo 2006 mobiliza até galerias de arte. A Ecarta, na João Pessoa, e a Paulo Capelari (Visconde do Rio Branco, 230) estão com exposições sobre o tema. As pinturas, esculturas e instalações tratam de futebol.

  • Festa do Divino comove fiéis


    A capela do Bom Fim ficou pequena para o número de fiéis (Foto: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Mais de cem católicos participaram da procissão de entrada das Bandeiras do Divino na tarde deste domingo, 4 de junho. A caminhada religiosa iniciou na Catedral, na Praca da Matriz, centro de Porto Alegre e seguiu até a Igreja do Divino Espírito Santo, localizada na avenida José Bonifácio esquina Osvaldo Aranha. O evento foi seguido de uma missa festiva, que marcou o final da Festa do Divino Espírito Santo.

    Cerca de 20 bandeiras e 10 estandartes estiveram a frente do grupo pelas ruas da cidade, a partir das 16 horas. A professora Marina Pessin, moradora do Bom Fim há mais de duas décadas, participou do evento, como faz todos os anos. Ela comemorou o grande movimento da manifestação, que se estendia por mais de um quarteirão. “Foi de parar o trânsito”, observou, lembrando que a “procissão é muito tradicional em Porto Alegre. Está incluída no roteiro turístico da cidade.

    A igreja no Bom Fim ficou pequena para receber tanta gente. Os fiéis superlotaram o templo para assistir à missa celebrada pelo Arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings. O religioso disse que o Espírito Santo foi o guia da caminhada e rezou o início do evangelho. “O milagre de pentecostes é que neste terceiro milênio todos pregamos a mesma mensagem, a palavra de Deus, em todas as línguas”.

    Ele ainda comentou o livro e filme O Código da Vinci, que apresenta uma nova versão para a história de Jesus Cristo. “Quem seguir só as notícias está perdido. O segredo dos cristãos é ter muita fé. O Espírito Santo é o nosso guia, é a nossa voz interior que orienta e garante segurança”, ensinou.

    O culto à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade ocorre anualmente há 185 anos nos meses de maio e junho. Neste ano, as celebrações iniciaram em 26 de maio, quando a igreja promoveu uma novena. Um dos participantes foi o governador Germano Rigotto, que compareceu para o tema “Dom do Conselho”. O senador Pedro Simon também participou da festa.

    A irmandade do Divino Espírito Santo é a congregação que mantém a Igreja de mesmo nome. Além da Festa do Divino, os integrantes ajudam cinco creches da cidade com alimentos doados pela comunidade e por empresas. Também arrecadam roupas e sapatos para indigentes que são atendidos no HPS.

  • Argentina 100 km na frente


    Cena do filme mostra grupo de amigos entre a infância e a adolescência (Foto: Divulgação/JÁ)

    Naira Hofmeister

    Pablo Meza é uma revelação do cinema argentino. O diretor, roteirista e produtor de Buenos Aires 100 km, seu longa-metragem de estréia, foi premiado em diversos festivais internacionais, entre eles, o de Huelva, na Espanha; de Providence, nos Estados Unidos; e no Festival de Havana, em Cuba.

    O filme enfoca um grupo de amigos entre a infância e a adolescência, numa cidade distante 100km da capital portenha. A separação física não é tão marcada quanto diferenças culturais, provocando no espectador aquela saudade do que nunca se viveu. O cotidiano calmo da cidade permite aos guris se divertirem com brincadeiras impossíveis nos grandes centros urbanos, como atacar ônibus com bexiguinhas cheias d’água ou espionar a vida alheia na calada da noite.

    Ao mesmo tempo em que dividem as travessuras, os moleques escondem segredos condenáveis nessa idade, como o primeiro amor, e buscam apoio para dramas absolutos em qualquer faixa etária, como a carreira, o relacionamento com os pais e até mesmo os problemas da vida numa pequena comunidade, onde esses mesmos segredos permanecem por pouco tempo na penumbra.

    A narrativa tem como personagem central Esteban, que em meio ao dilúvio hormonal típico da fase, também se questiona sobre o futuro que sua família escolheu para ele: a engenharia. Esteban quer, na verdade, escrever romances policias. Ao longo da história, ele constrói seu primeiro conto, que dá título à película.

    Antítese dos blockbusters produzidos para jovens, Buenos Aires 100 km mostra que outras adolescências são possíveis, trabalhando no mercadinho da família, jogando futebol de várzea e andando de bicicleta até altas horas. Meza demonstra que a sensibilidade argentina para narrar dramas cotidianos é realmente apurada, e mesmo num filme que demora a passar, o diretor arranca suspiros e sorrisos sinceros da platéia. Não é mais do mesmo.

    Antes de Buenos Aires 100 km, Pablo Meza foi segundo assistente de direção do longa Herencia (2001), de Paula Hernández, que ganhou mais de 10 prêmios e indicações em festivais internacionais, de Viña del Mar a Moscou. Nascido em Buenos Aires, em 1974, Meza estudou Direção Cinematográfica na Fundación Universidad del Cine e, em 1997, cursou Licenciatura em Cinematografia no mesmo estabelecimento. A partir de 1999, trabalhou com direção de filmes publicitários.

    Em 1995, dirigiu seu primeiro curta-metragem em 16mm, Detrás de la Ventana, seguido por mais dois curtas na mesma bitola: Voces Blancas (1998, 26 min.) e Estudiante de Cine (1999, um minuto, filmado ao final da Licenciatura). Em 1998, começou a trabalhar no roteiro de Buenos Aires 100km.

    Veja a Agenda do Final de Semana

  • Pedestre é atingido na cabeça por azulejos que caíram de prédio


    Bombeiros retiraram as partes que estavam soltas (Fotos: Helen Lopes)

    Helen Lopes

    Por volta das 14h30min desta quarta-feira (31/5), um bloco de azulejos da fachada de um prédio na frente do Hospital de Pronto Socorro se descolou da sacada do quinto andar e atingiu a cabeça do funcionário dos Correios Mário André Martins, de 57 anos.

    O impacto dos pedaços de cerâmica após a queda de 20 metros causou estrago – o homem sofreu um profundo corte na cabeça, caindo no chão. Manchas de sangue ainda marcavam a calçada no início da noite, quando a área ainda estava isolada.


    Martins levado foi levado ao HPS onde recebeu curativos (Foto: Naira Hofmeister/JÁ)

    Após ser levado ao HPS, Martins recebeu curativos e fez uma tomografia que não acusou nada grave. O estado dele é regular. No final da tarde, Martins foi encaminhado para casa. Funcionário dos Correios há quase 30 anos, ele é atendente comercial na agência Bom Fim (Venâncio Aires, 1096). Casado e pai de dois filhos, ele voltava do almoço quando aconteceu o acidente, a poucos metros do serviço.

    Os colegas o descrevem como uma pessoa pacata e cuidadosa. “Nem acreditamos quando avisaram o ocorrido”, disse Claudiomiro da Silva, que trabalha com ele há dois anos. O carteiro Edison Luiz, que tem o local no seu roteiro diário, lamentou a má sorte de Martins: “Ele estava no lugar errado, na hora errada”. Também comentou que vai ficar mais atento ao passar naquele quarteirão.

    A calçada da Venâncio Aires, entre a avenida Osvaldo Aranha e a rua Augusto Pestana, foi parcialmente isolada pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) até que a Secretaria Municipal de Obras e Viação (SMOV) faça um laudo da fachada do edifício. “O parecer deve sair em 24 horas” garante o arquiteto da Smov, João Nilo Schuch Júnior.

    Ele diz que a medida visa garantir a segurança dos pedestres, pois pode haver risco de outras lajotas se desprenderem. Mesmo após o procedimento dos Bombeiros, que retiraram os pedaços soltos.

    Encaminhada pela Brigada Militar à 10º Delegacia de Polícia para preencher uma ocorrência, a síndica do prédio, cuja entrada é na Augusto Pestana, não quis falar com a imprensa. Muito nervosa, ela repetia que não adiantava dar declarações.

    Vizinhos e comerciantes da redondeza comentam que a última reforma na fachada do edifício foi feita há quase 10 anos.

    Tarde perdida

    O açougue e a tabacaria localizados na área isolada deixaram de atender muita gente porque os clientes não tinham como chegar até os estabelecimentos. Mesmo assim, não fecharam as portas. Há 22 anos atendendo no açougue, Flávio Couto não lembra de algo parecido. “Nunca vi um acidente desses aqui”.

    Para Daniel Marisco, um dos primeiros a ver o funcionário dos Correios caído no chão, o bloco de cerâmica poderia ter atingido mais pessoas. “Essa rua é muito movimentada. Graças a Deus só uma pessoa ficou ferida”.

  • HPS em campanha no Dia Mundial Sem Tabaco

    Naira Hofmeister

    O discurso dos malefícios à saúde que o cigarro causa já foi abandonado pela psicóloga Anete Ingride Kopp, da Comissão de Segurança e Saúde Ocupacional do Hospital de Pronto Socorro. “As pessoas não gostam de perder nada, então, optamos por destacar tudo o que o individuo vai ganhar ao deixar o cigarro”. Anete explica que a argumentação do câncer e outras doenças provenientes do fumo, além de cansarem os ouvidos do sujeito, já deixaram de surtir efeito, pois atualmente há consenso quanto ao assunto. “Todo mundo já está cansado de saber que o cigarro faz mal”.

    A psicóloga realiza trabalho preventivo e de apoio aos tabajistas desde o ano 2000, quando o HPS entrou na campanha contra o fumo no rastro da legislação que proibiu o cigarro em ambientes fechados e espaços públicos. De lá para cá viu o sucesso das campanhas refletirem na qualidade de vida dos funcionários do hospital. Da cada 100 pessoas que integram um dos grupos, 25 deixam o vicio e uma boa parte consegue diminuir as quantidades de consumo: “É importante que, mesmo aqueles que não abandonam o cigarro, pensem sobre isso”.

    Anete explica que os benefícios para a saúde e bem estar já são sentidos pouco tempo após o último cigarro. Cerca de 20 minutos depois, a pressão sanguínea e  pulsação voltam ao normal. Passadas duas horas, toda a nicotina já foi eliminada pelo corpo e apenas dois dias depois, o olfato e paladar da pessoa já estão mais sensíveis. Quem fica 5 aos sem fumar já tem os riscos de sofrer infarto reduzido e comparável ao de um não fumante. Também não importa quanto tempo a pessoa passou fumando, os efeitos são os mesmos e acontecem da mesma forma em uma senhora de 75 anos que fuma desde os 15 ou num adolescente.

    Outra estratégia de abandono do cigarro é pensar no que fazer com o dinheiro economizado, por exemplo. Um fumante que consome dois maços por dia, vai gastar, ao final de uma mês, cerca de R$ 150,00, o que daria para comprar um tênis importado. E meio ano é possível fazer uma viajem à Porto Seguro, na Bahia, no valor de R$ 1.500,00.  A grande maioria é incentivada a interromper o consumo por vontade própria, mas os viciados mais irredutíveis podem receber medicação para auxiliar. Entretanto, Anete adverte que a goma ou o adesivo não são milagrosos e que “antes de mais nada é necessário determinação” para vencer o vício.

    Isso porque a reposição de nicotina atinge apenas um dos elementos que compõem o vício: a dependência química. Só essa pode ser vencida com medicamentos, e as outras duas podem se tornar mais complicadas do que a primeira. A dependência psicológica é o que faz o cidadão acreditar que o cigarro alivia seus problemas, e por isso, não se anima a tratar o vício. “É uma maneira de mascarar nossas próprias contradições e fugir das soluções mais difíceis”, pondera. Os hábitos associados também são obstáculos a serem vencidos por quem deseja parar de fumar: evitar o cafezinho, a cerveja e outros comportamentos que incitem o consumo da droga e uma alternativa para as semanas inciais do tratamento.

    “Os primeiros vinte dias são os mais complicados, depois disso, o desejo diminui em intensidade e acontece em intervalos cada vez maiores”, inventiva a psicóloga. Para driblara  ansiedade, a terapeuta recomenda exercícios físicos, que liberam endorfina, substância que provoca sensação semelhante ao prazer de fumar um cigarro. Também é importante beber muita água e comer alimentos não calóricos, como frutas e verduras, e também manter o controle da respiração, fazendo exercícios de inspiração e expiração profunda e prolongada.

    Para quem se interessa pelo assunto, Anete explica que há um serviço da prefeitura municipal que orienta os tabagistas através do telefone 156 e encaminha para o grupo de apoio mais próximo. O Ministério da Saúde tambem disponibiliza o Disque Pare de Fumar 0800 703 7033. No Brasil, oito pessoas morrem por hora por causa do tabaco, o que equivale a queda de 4 boings 737-700 sem sobreviventes a cada 3 dias ou 40 aviões ao final de um mês.

  • Como implantar a TV Digital para todos

    Sérgio Lagranha

    O que é a tevê digital para a sociedade brasileira? O que a sociedade quer? Qual o papel das emissoras? Como será feita a interiorização, a inclusão social? Com essas perguntas o engenheiro Mário Baumgarten, representante da  Coalizão DVB Brasil, grupo que reúne principalmente fornecedores europeus de equipamentos de televisão e telecomunicações e que atua em defesa da adoção do padrão DVB nas transmissões de TV aberta digital no Brasil,  começou o debate promovido pela Sociedade de Engenharia do RS “TV Digital – Definição do padrão a ser utilizado no Brasil: Desafios e oportunidades”, que aconteceu nesta quinta-feira (25/5) em Porto Alegre.

    Para ele, o debate sobre tevê digital é confuso, pois a discussão política deveria anteceder a técnica e envolver toda a sociedade.  “O consumidor foi deixado de lado e vai pagar a conta. Gastou-se mais de R$ 50 milhões com estudos nas universidades brasileiras e até agora não se tem um comparativo de custos. Existe a defesa de um modelo sem saber o custo. No mundo o padrão de inclusão social é o europeu. A proposta é que a televisão seja um computador de baixo custo”.

    Baumgarten salienta que outro tema esquecido é o operador de rede. Sem um operador, as emissoras de tevê continuam transmitindo de suas próprias antenas e cada uma permanece dona de seu canal de seis MHz, um verdadeiro latifúndio.

    O representante da Coalizão DVB entende que só respondendo estas perguntas fundamentais poderemos discutir se o modelo será brasileiro, japonês ou europeu.  “Hoje a discussão não é transparente. Em um ano eleitoral a pressão das emissoras é grande. Existe uma ala do governo defendendo o modelo japonês, o menos utilizado no mundo”. Baumgarten refere-se ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, ex-funcionário da Rede Globo, que defende publicamente o modelo japonês.

    Ele reconhece que a discussão não é neutra, pois cada lado defende interesses determinados. Supõe que o governo federal acabará decidindo por decreto. “Depois vamos descobrir que o modelo japonês não serve e precisaremos de muita verba para adequá-lo. Como não tem verba, ficará tudo como está. É fácil entender”.

    O padrão europeu (DVB), conforme Baumgarten, já tem 50 adesões no mundo e 15 países estão estudando a possibilidade de adotá-lo. “O modelo japonês só existe no Japão, pois teve uma rejeição de 100% no resto do mundo. Não é por problemas tecnológicos. É que o governo e a indústria definiram um padrão doméstico. É uma forma do governo japonês proteger suas indústrias. Os preços ficam nas alturas, mas o povo tem renda para pagar. Esta é a razão da rejeição dos outros países. Afinal, ninguém quer pagar pela reserva de mercado dos japoneses”, explica. Outra dúvida de Baumgarten: para quem vamos exportar o modelo japonês?
    Tropicalização do sistema


    Ministra Dilma Rousseff está estimulando novamente as pesquisas das universidades brasileiras (Foto: Arquivo/JÁ)

    O segundo palestrante foi o professor Fernando Comparsi de Castro, coordenador das pesquisas do Laboratório Multidisciplinar para Tecnologias da Informação e Telecomunicações (LMTIT) do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (IPCT) da PUCRS sobre TV Digital. Ele defende que a tevê digital brasileira deverá ser “tropicalizada”, utilizando tecnologia desenvolvida por centros de pesquisa nacionais para adaptar o padrão de transmissão a ser escolhido entre ISDB (japonês) e o DVB (europeu).

    Depois que o ministro Hélio Costa deixou de lado as pesquisas brasileiras para aderir ao modelo japonês, o governo Lula passou a coordenação do debate a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Castro diz que ela tem estimulado os trabalhos da “academia”, que desde 1999 desenvolve sistemas próprios para a tevê digital, abrangendo l.500 pesquisadores de 80 instituições, agrupados em 22 consórcios.

    A PUCRS foi responsável por duas linhas de pesquisa, desenvolvimento e inovação no contexto do Sistema Brasileiro da Televisão Digital (SBTVD): uma é o projeto Saint (Sistema de Antenas Inteligentes) e a outra é o projeto Sorcer (Sistema OFDM com Redução de Complexidade por Equalização Robusta). O Saint foi concebido de forma a prover robustez adicional ao receptor de televisão digital, que consiste em efetuar ajustes eletronicamente na antena receptora da mesma maneira que um usuário faria manualmente objetivando a melhor qualidade de imagem. Isto permite redução de custo no receptor, e, portanto, ao usuário final.

    O Sorcer é um sistema de transmissão e recepção (modulação) inovador, genuinamente nacional, concebido de forma a permitir recepção de televisão digital em alta definição fixa e móvel, a mais de 120 Km/h. Diferentemente dos demais sistemas OFDM (sigla em inglês de Multiplicação Ortogonal por Divisão de Freqüência, tecnologia de transporte de dados por ondas de rádio) para transmissão de televisão que utilizam um grande número de portadoras (normalmente mais de 8.000), o Sorcer utiliza apenas 2048 portadoras, permitindo uma considerável redução de custo no receptor, e, portanto, ao usuário final. Tanto o Sorcer quanto o Saint são tecnologias wireless (sem-fio).

    Emissoras fechadas com o japonês

    O terceiro plaestrante foi o engenheiro Fernando Ferreira, diretor técnico da RBS TV, representante da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (SET) e da Associação Gaúcha de Empresas de Rádio e Televisão (Agert). Ele defende os interesses das emissoras de televisão. Sua explanação foi técnica. Definições de padrões, direcionamento tecnológico, defendendo as vantagens da alta definição.

    Ferreira diz que a Agert reconhece a necessidade de regulamentação da passagem da tevê aberta para digital. No entanto, disse que nunca viu tanta discussão para passar de um modelo analógico para um digital. No final, explicou a razão das emissoras defenderem o padrão japonês e não o europeu. “O DVB (europeu) não oferece opção de HDTV (alta definição) móvel e portátil em um único canal de 6 MHz.”

    Os defensores do padrão japonês deixam de esclarecer que ponto central é não alterar o modelo de negócios. A possibilidade das emissoras de tevê transmitir para celulares diretamente sem que seu sinal passe por operadoras de telefonia móvel. Além disso, o modelo europeu – embora também permita transmissão simultânea em alta definição e para celulares – favorece outros produtores de conteúdo, que poderiam usar parte dos canais de UHF e VHF.

    Em resumo, o que as emissoras querem é evitar um operador de rede e que os novos espaços no canal de 6 MHz sejam utilizados por outros produtores de conteúdo. Enfim, manter tudo como está, concentração das verbas publicitárias, com muito mais espaço. As emissoras de televisão – principalmente rede Globo e suas afiliadas como a RBS – querem manter os mesmos privilégios que conquistaram a partir dos governos militares pós-64.

    A tevê digital envolve um mercado que nos próximos 10 anos vai movimentar em toda a cadeia R$ 150 milhões, acredita o professor Fernando Comparsi de Castro.

  • Intervenção artística provoca o público da Redenção

    Mostra intrigou quem passeava na Redenção (Fotos: Naira Hofmeister)

    Naira Hofmeister
    Num belo dia de sol, os cachorros correm alegremente atrás de suas bolinhas, as crianças rolam na grama, os casais namoram nos bancos da praça e os pais tomam o chimarrão. Nada mais típico dos porto-alegrenses num domingo de maio. Foi nesse tradicional espaço familiar que a artista plástica Miriam Tolpolar resolveu intervir com litografias que fazem parte da sua exposição Meus Mortos, Meus Vivos.
    Sobre os vinte e seis tocos de madeira do canteiro central do Parque Farroupilha, Miriam instalou tecidos brancos nos quais estão impressas fotografias de parentes. A temática da memória é recorrente na obra da artista e estava inclusa em sua pesquisa de mestrado no Instituo de Artes da UFRGS. A grande idéia do trabalho, contudo, era democratizar a arte, levando a instalação para o espaço público. “Não queria nada que lembrasse uma galeria ou que tivesse vínculo com espaços institucionais”.
    Por isso a opção por não identificar as obras, nem sequer referir o nome da artista. Quem passou pelo local entre sexta-feira, 26, e domingo, 28, simplesmente se deparava com um monte de toquinhos cobertos pelo tecido impresso. “Teve gente ontem que disse que era macumba para os cachorros”, riu Erli Neuhauss, que sentou-se confortavelmente entre as obras de Miriam, ao lado do marido, Sérgio Damico, que também se perguntava sobre a origem daquela intrigante exposição.
    Assim como Sérgio e Erli, muitos outros freqüentadores do parque queriam saber o que aquilo significava. “De repente o propósito é justamente despertar a pergunta, fazer as pessoas conversarem, como estamos fazendo agora”, supôs alguém que passava. Outros acreditavam que era uma homenagem aos mortos da ditadura, alguns apenas identificavam como uma bela obra, outros, não pareceram gostar muito.
    O propósito da artista, no entanto, se cumpriu. Provocar a aceitação com naturalidade da intervenção artística no espaço não convencional é uma das intenções de Miriam Tolpolar, que parece ter saído feliz nesse domingo da Redenção. “As pessoas não estranham quando tem um grupo de teatro ou um músico se apresentando na rua”.

  • Profissional para os novos tempos

    Paulo Nathanael Pereira de Souza*

    As mudanças que alteraram profundamente – e continuarão alterando, por um bom tempo — as relações no mundo do trabalho desviam cada vez mais o foco das atenções para um perfil profissional que, até pouco tempo, passava quase despercebido no cenário acadêmico e empresarial. Trata-se da figura do jovem empreendedor, capaz de se antecipar aos problemas, ser criativo ao apresentar soluções, não ter medo de ousar coisas novas, liderar pessoas rumo a uma meta pré-definida, entre outras habilidades peculiares.

    O empreendedorismo, entretanto, ainda padece de duas visões distorcidas, que prevalecem em boa parte do universo corporativo. Uma pertence àqueles que acreditam que pode ser praticado apenas por quem decide partir para o negócio próprio – em outras palavras, isso significa que não se trata de uma habilidade que deve ser cultivada ou estimulada dentro das empresas e órgãos públicos. Outros acham que empreendedorismo não se aprende na escola.

    Nada mais falso do que esses dois conceitos. A primeira visão não se sustenta porque, numa economia globalizada e altamente competitiva como a atual, as organizações necessitam cada vez mais de diferenciais que lhes dêem vantagens frente a seus concorrentes. Para isso, estão descobrindo que, entre outros fatores, precisam contar em seus quadros com profissionais criativos e empreendedores, capazes de assumir e viabilizar a criação e a implementação de novas idéias, projetos e produtos. São aqueles profissionais aptos a praticar o chamado intra-empreendedorismo, atuando ativamente dentro da empresa.

    A segunda idéia equivocada é desmentida já a partir da simples observação: a realidade do mercado mostra que, no processo de formação do empreendedor e do intra-empreendedor, a educação formal – composta de ensino fundamental, médio, superior, pós-graduação e MBA – é o caminho mais comum para uma capacitação voltada à área de atuação que o jovem escolheu e ao seu entorno, o que significa aprender tudo o que é correlato ao que pretende fazer, lembrando que hoje o mundo empresarial pede uma formação múltipla e flexível, em constante processo de aprimoramento pelo aprendizado contínuo.

    Até recentemente, o estudante empreendedor contava apenas com sua própria iniciativa ao se decidir pelo empreendedorismo, tendo à disposição fontes de conhecimento dispersas e nem sempre focadas em seu campo de interesse. Era, portanto, obrigado a garimpar conhecimentos em literatura técnica, palestras, vários cursos de especialização, algumas raras pesquisas específicas, vendo-se quase sempre forçado a recorrer ao oneroso método de tentativa e erro para aprender. Há pouco tempo, começaram a surgir sinais de mudança, que se intensificam rapidamente e podem ser medidas pela proliferação de incubadoras e empresas juniores, vinculados ou não a universidades.

    Um tanto tardiamente, o sistema educacional brasileiro detecta a importância de formar empreendedores para responder às mudanças estruturais ocorridas no mercado de trabalho, deixando de se concentrar quase que totalmente na preparação de executivos, e as empresas também passam a valorizar, cada vez mais, seus talentos empreendedores.

    Todos percebem que, se os avanços tecnológicos reduzem o tamanho das estruturas produtivas, ao mesmo tempo geram uma enorme gama de oportunidades para quem se dispõe a atuar fora dos padrões tradicionais e a assumir o comando da própria carreira ou do próprio negócio. Enquanto a educação regular não dá o devido destaque ao empreendedorismo, a prática do mercado recomenda que os jovens aprendam pelo exemplo e as empresas preparem seus futuros empreendedores pelo mesmo sistema.   Por essa razão, é muito interessante promover a aproximação do estudante de empresários e profissionais que têm a capacidade de descobrir novidades mesmo em experiências que se repetem.

    Com eles, o jovem poderá aprender a adaptar-se às condições, ser maleável, assumir riscos, identificar oportunidades, organizar e liderar. Aqui entram em cena os programas de estágio e de trainees que, numa concepção bem moderna, deveriam incluir o estímulo ao empreendedorismo, entre seus objetivos, para benefício tanto do estudante em treinamento, como da própria empresa, que estaria moldando um profissional com o perfil adequado aos novos tempos.