Autor: Elmar Bones

  • Páscoa cultural em Porto Alegre

    Naira Hofmeister
    Para quem não vai viajar no próximo final de semana prolongado, duas notícias: a primeira, pode não ser exatamente positiva, mas, associada à segunda, forma um par de boas novas. Uma vem dos canais de tempo, e informa que a o feriado vai ser chuvoso em todo o estado. Ruim? Não se a programação cultural for intensa e de boa qualidade.
    Diferentemente do que ocorreu no Carnaval, quarenta dias atrás, o feriadão da Páscoa reserva boas opções para quem quiser curtir o final de semana na capital. Muitas atrações com entrada gratuita, outras tantas a preços módicos. As únicas “baixas” do circuito cultural serão o MARGS e a Casa de Cultura Mário Quintana, que fecham as portas na sexta-feira, dia 14 de abril. Na quinta, no sábado e no domingo, dias 13, 15 e 16 de abril, o as instituições abrirão normalmente.
    No MARGS, os destaques ficam por conta das duas mostras que se encerram no domingo: Pena-Ação, de Letícia Marquez e a coletiva O Papel de Otavio – A Presença de Otavio Roth no Rio Grande do Sul.
    Na primeira, exposta nas Salas Negras do Museu, o contraste entre o ambiente escuro e o branco assustador das esculturas da artista. As instalações Andor e Cheung, misturam inusitados materiais como ferro, madeira, cabelos, fitas de seda, resina, alumínio, silicone, gesso e pedra. A linguagem expressionista, com interferências do fantástico e do surrealismo, colabora para tornar suas obras abertas, como uma porta de entrada para a imaginação, ora provocada pela racionalidade, ora pela sensibilidade das instalações.
    Já O Papel de Otavio – A Presença de Otavio Roth no Rio Grande do Sul, que celebra os
    20 anos da última mostra do artista no Estado,  retoma a potencialidade expressiva do papel artesanal nas artes plásticas. Para isso, reúne as obras de Otavio Roth aos trabalhos de artistas como Barbara Benz, Neusa Dagani, Otacílio Camilo, Wilson Cavalcanti, Circe Saldanha, Moacir Chotguis, Lenora Rosenfield e Maria Leda Macedo, além de uma obra do norte-americano Bob Nugent. A mostra inclui ainda uma exposição documental com  material da Papeloteca Otavio Roth e do Núcleo de Documentação e Pesquisa do MARGS.
    Na música, o feriadão vai ser marcado pelo Jazz. No Studio Clio, o ritmo serve de roteiro para o Jazz Club, que nesse sábado apresenta a obra de Dave Brubeck nas palavras do jornalista Paulo Moreira e no saxofone de Luizinho Santos, que comanda o quarteto. Para tomar (ou perder) fôlego, já na tarde do sábado, a dica é a oficina de sax com Benjamin Herman Kwartet, no Santader Cultural com entrada franca. Domingo à tarde, o musico se apresenta dentro do projeto Festival de Jazz da Holanda, no Salão Átrio, também com entrada gratuita.
    Para finalizar, o teatro traz boas e variadas alternativas. Em ultima apresentação, Os Bacharéis é um convite a mergulhar num lado desconhecido de Simões Lopes Neto, autor dos Contos Gauchescos. Na obra, que será encenada nessa quinta no Theatro São Pedro, um casal de noivos prestes a se casar recebe a visita de um grupo de bacharéis que vêm da capital, filhos do tutor da moça. A comédia foi encenada pela primeira vez em 1894, no Teatro Sete de Abril, em Pelotas e, mais de cem anos após sua apresentação, foi redescoberta, nos armários da Biblioteca Publica de Porto Alegre. Com apoio da Copesul, a peça voltou a cartaz no final de 2005, no mesmo palco de sua estréia, e agora, faz curtíssima temporada em Porto Alegre no São Pedro. O valor dos ingressos variam entre R$ 10,00 e R$ 20,00 e podem ser comprados nas bilheterias do teatro.
    Para quem busca uma alternativa ainda mais barata, sem perder a qualidade, a dica é o espetáculo O Último Carro, em cartaz na sala 309 da Usina do Gasômetro somente aos sábados. A peça, escrita por João das Neves na década de 70, que estreou no afamado Teatro Opinião, em 77. No espetáculo, diversos personagens têm em comum o fato de estarem, de alguma forma, à margem da civilização – são prostitutas, operários, bêbados e meninos de rua.
    Essa aliança social se torna uma questão de vida ou morte quando eles percebem que o trem onde estão não tem maquinista e vaga, sem controle, rumo a um destino incerto. Resultado da oficina deformação de atores do Depósito de Teatro, O Último carro une a critica social e política – comum tanto no grupo carioca, como no gaúcho – ao humor negro e ao sarcasmo. Também traz como marca do Depósito de Teatro a inovação da linguagem, que conta com intervenções audiovisuais e a já consagrada técnica de interpretação onde os atores exploram o contato com o publico.
    Confira outras atividades para o final de semana em Porto Alegre

  • Dia de folia para crianças carentes


    Crianças se divertem entre os policiais da Brigada Militar (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Aproximadamente 120 crianças de Porto Alegre celebraram a Páscoa durante a Festa Legal dos Meninos de Rua e Crianças Carentes, promovida pelo 9° Batalhão da Brigada Militar. Os baixinhos assistiram  a apresentações e tiveram aulas de capoeira, hip hop, skate e dança das 10 horas da manhã às 6 horas da tarde desta quinta-feira (13/4). A atividade teve, inclusive, caça ao ninho e orientação para reciclagem de materiais.

    No ginásio de esportes do 9° Batalhão, na avenida Praia de Belas, a criançada corria solta e se dividia entre a dança, o jogo de futebol e as brincadeiras com um palhaço. A maior parte dos menores veio da Vila Lupicínio Rodrigues, na Cidade Baixa, e são freqüentadores do Centro Diagional Evangélico Luterano, o CDEL.


    A maior parte das criança veio da Vila Lupicínio Rodrigues, na Cidade Baixa

    “São crianças que mal convivem com a família e que tem as drogas como referencial de vida”, afirma o coordenador do projeto, Capitão Flores. Ele diz que a intenção da Brigada Militar é resgatar a auto-estima dos meninos e meninas, e proporcionar outras referências. “Para que no futuro eles possam ser policiais, repórteres e professores.”

    Além disso, a Brigada quer aproximar as crianças dos policiais, que muitas vezes os vêem como agente repressor. “Mostramos que eles podem recorrer à Brigada em qualquer situação que serão bem recebidos”, diz Flôres. A atividade faz parte de um  projeto que incentiva a integração dos policiais com a sociedade, através de atividades sociais e culturais.


    O rapper Jeff Conex ensinou passos de Hip Hop

    As festas para crianças carentes já ocorreram no Natal, no Dia das Crianças e no aniversário de 50 anos do 9° Batalhão, em agosto de 2005. Este evento contou com a parceria do Banrisul, e de grupos como o Restinga Crew, dos oficineiros de Hip Hop Mário Pesão e Juquinha.

  • Bancários denunciam irregularidades no Santander


    Bacelo denunciou o que trabalhadores consideram arbitrariedades cometidas pelo banco Santander Banespa (Fotos: Elson Sempé/CMPA)

    Helen Lopes

    O presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, Juberlei Bacelo, denunciou na Tribuna Popular da Câmara Municipal, nesta segunda-feira (10/4), o que os trabalhadores consideram arbitrariedades cometidas pelo banco Santander Banespa. Segundo Bacelo, contratação de estagiários e de empresas terceirizadas para executar tarefas exclusivas de profissionais do setor e demissões em massa estão se tornando uma constante nas agências do Estado e do resto do País. “Com essas ações, o Santander está promovendo uma política de desvalorização do trabalho dos bancários. Na véspera do último Natal, foram demitidos 600 funcionários do Banespa”, denuncia.

    Bacelo revelou aos vereadores que durante o feriado de Páscoa o  Santander planeja implantar o novo sistema de informática e convocou os cerca de cinco mil funcionários para trabalhar sem o pagamento de horas extras. Após a intervenção da Igreja Católica, através da Cúria Metropolitana, o Santander recuou e permitiu feriado na Sexta-Feira Santa e no Domingo de Páscoa. No entanto, conforme ele, o banco não abre mão de que os empregados trabalhem no Sábado de Aleluia. Os dirigentes sindicais reclamam que o recuo do banco não resolve o impasse, já que impede os funcionários de viajar e passar a Páscoa com suas famílias no interior e em outros estados.

    Os bancários não concordam com a imposição de trabalho na Semana Santa e querem garantir o pagamento das horas extras para todos os funcionários, inclusive nos dois domingos que ocorreram simulações no novo sistema (19 de fevereiro e 26 de março).

    Na semana passada, o Santander Banespa demitiu cerca de 100 funcionários, a maioria das agências do Banespa, em São Paulo.  De acordo com Bacelo, o banco se comprometeu em analisar as dispensas. Os bancários reclamam que as demissões realizadas foram arbitrárias, dirigidas e discriminatórias, atingindo funcionários próximos à estabilidade pré-aposentadoria e também com jornada de seis horas. Eles também cobraram o compromisso assumido pelo banco em dezembro do ano passado, após as 600 demissões às vésperas do Natal, de que não haveria demissões em massa.

    A assessoria de imprensa do Santander em Porto Alegre informou que o banco não vai se manifestar sobre o assunto.

    Moção de solidariedade

    A maioria dos vereadores presentes no plenário criticou a postura do banco e apoiou a reivindicação dos bancários. Para o vereador Raul Carrion (PCdoB), essas imposições do Santander “desrespeitam a nossa cultura e a nossa nação”. Carrion propôs uma moção de solidariedade aos trabalhadores, para que os parlamentares possam ajudar nas negociações. O documento conta com 30 assinaturas e deve ser votado na próxima quarta-feira (12/4).

    Os vereadores Sofia Cavedon (PT), Bernardino Vendrúscolo (PMDB), José Ismael Heinen (PFL) e o presidente da Casa, Dr. Goulart (PDT), também  manifestaram solidariedade ao sindicato.

    *Com informações do site da Câmara de Vereadores

  • Desconhecimento tributário

    Vilson Antonio Romero, diretor da Associação Riograndense de Imprensa; e-mail: Romero@sulmail.com.br

    O ano de 2005 registrou a maior arrecadação de impostos e contribuições federais da história brasileira, atingindo o montante de R$ 364,13 bilhões. Se acrescermos às siglas administradas pela União o conjunto de taxas, contribuições e impostos estaduais e municipais, a carga tributária alcançou, segundo especialistas, o percentual de 38% do Produto Interno Bruto (PIB). Estimativas mais completas dão conta que o custo das obrigações acessórias para o perfeito cumprimento das mais de 220 mil normas tributárias, editadas entre 1988 e 2004, consome cerca de 5,82% do PIB.

    Portanto, o “elefante” dos impostos já chega a quase 44% das riquezas produzidas no País. É muito, principalmente no cotejo com o conjunto e a qualidade dos serviços públicos ofertados em contraprestação aos indivíduos. Inclusive há estudos demonstrando que dos 17,1% que o PIB nacional cresceu entre os anos de 1998 e 2005, 7,2% foram absorvidos pelo setor público através da arrecadação de impostos.

    O peso da carga tributária em diversos segmentos econômicos agrava o quadro. No preço final das flores, por exemplo, o percentual de impostos é de 18,91%, nos insumos agrícolas, 14,31% e chegamos ao absurdo de 35,07% incidentes sobre os medicamentos, em média, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

    O “paquiderme” tributário nacional massacra o cidadão que, espantosamente, ignora maiores detalhes desta violência sofrida diuturnamente. Há um imobilismo popular e uma pouca capacidade de indignação contra estaestrutura perversa, resultado em grande parte da ignorância, do desconhecimento acerca do assalto perpetrado pela sanha tributária.

    Apesar de o legislador ter estabelecido no parágrafo 5º. do artigo 150 da Constituição Federal que “a lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços” esta providência tem sido descumprida, tanto pelo parlamento que não aprovou medida legal quanto pelos diversos setores da economia.

    O pouco esclarecimento da população, em todas as classes sociais, a respeito dos impostos, sua destinação e seu impacto na renda é atestado por pesquisa realizada pela Associação da Classe Média (Aclame) nas principais capitais brasileiras, onde surgiram respostas preocupantes, como 36% dos entrevistados não terem idéia para onde vai o dinheiro do Imposto de Renda, enquanto que 78% ignorarem que o ICMS é estadual.

    Portanto, como afirma a Aclame, há a necessidade de ações de conscientização e educação da população e mobilização para que se alcance a justiça tributária, sem a qual, conclui a entidade,”são reduzidas as condições de crescimento e desenvolvimento sustentável do país.”

  • Fundação Iberê Camargo leva artistas a Buenos Aires e Chicago

    Veronica Cordeiro foi escolhida bolsista do projeto em 2005 (Fotos Naira Hofmeister/JÁ)

    Naira Hofmeister

    A sexta edição da Bolsa Iberê Camargo traz uma novidade: ao invés de um, em 2006, serão dois os destinos, a escolher. Buenos Aires (El Basilisco) e Chicago (The School of the Art Institute of Chicago) são os centros escolhidos para receber brasileiros que proponham experimentações artísticas.

    Durante dois (Buenos Aires) ou três (Chicago) meses, a instituição proporciona residência nos institutos, oferecendo aos selecionados toda a infra-estrutura para o desenvolvimento de um trabalho, que deve ser proposto no momento da inscrição. Um dos únicos critérios exigidos pela Fundação é a inovação de linguagem. Aproximando-se cada vez mais da arte contemporânea, a Bolsa Iberê Camargo vai privilegiar projetos de suporte tecnológico e digital ou ainda aqueles que primem pela experimentação. “A Fundação tem uma história de incentivos ao desenvolvimento da arte contemporânea e busca ampliar esse diálogo a cada ano”, justifica Fernando Schüller, que organiza o projeto.

    Durante o lançamento da sexta edição da Bolsa, Verônica Cordeiro exibiu o resultado dos meses que passou no School of the Art Institute, em Chicago. Vestindo a roupa que criou durante seu estágio, ela fez uma intervenção artística que indagava o papel da livraria na sociedade capitalista que gera desigualdades. Através de gravações da popular Rádio Capital AM, de São Paulo, ela problematizou os conceitos de informação e cultura nas classes alta e baixa: “Informação, entretenimento, cultura e auto-ajuda: os pobres buscam nas rádios as mesmas coisas que nós obtemos através da leitura”.

    Para a artista, rádios estão para os populares, assim como os livros para os intelectuais

    A questão abordada na performance da última quarta-feira, no entanto, foi apenas uma demonstração do esforço que artista faz para exterminar com a clássica dicotomia entre alta e baixa cultura. No período em que esteve em Chicago, patrocinada pela Fundação gaúcha, Verônica produziu o vestido-abrigo de sua Composição Não-Determinda – Peregrinação a Lugar Algum. Durante três dias, a artista vagou pelas ruas da cidade americana, usando sua roupa, feita de tecido de cobertor barato, comumente utilizado pelos moradores de rua. A roupa serve também como saco de dormir e conta com grandes bolsos impermeáveis onde ela guardou sua comida e outras utilidades.

    Verônica relatou um intenso contato com a população das ruas: “Eu quis mostrar para eles que podem desenvolver sua criatividade para buscar soluções alternativas à mendigagem”. Ela pontuou também que há diferenças entre os moradores das ruas de Chicago e os brasileiros: “Aqui já existe uma cultura de reciclagem mais difundida, ao passo que lá a segregação é muito maior”, explica. A artista investe fundo na idéia de democratização da arte. No momento está produzindo um livro sobre cartas de um presidiário. “Quero que se rompam os muros entre essa população menos intelectualizada e a arte”.

    Veronica durante sua estadia em Chicago (Foto Young Lee/divulgação/JÁ)

    Para participar  da seleção da Bolsa Iberê Camargo, basta preencher a ficha através do site www.iberecamargo.org.br até dia 10 de julho e enviar a documentação para o instituto. No preenchimento dos dados, os interessados devem optar por uma das escolas e desenvolver um projeto específico de acordo com os critérios definidos no regulamento.

    A bolsa para o The School of Art Institute s Chicago tem a duração de três meses e conta com um auxilio de R$ 8 mil para todo o período, que vai de 18 de setembro a 14 de dezembro. A residência na El Basilisco é de dois meses, de 15 de outubro a 15 de dezembro e recebe ajuda de custo total de R$ 6 mil. A Fundação Iberê Camargo cobre ainda os custos com hospedagem, taxas de inscrição na escola e passagens aéreas. Durante os estágios no exterior, os bolsistas ministrarão aulas sobre a sua produção artísticas e a arte brasileira contemporânea.

  • Termina greve do magistério

    Helen Lopes

    Reunidos em assembléia geral na tarde desta sexta-feira (7/4), mais de três mil professores da rede pública do Estado decidiram retomar as aulas paralisadas desde o dia 2 de março. Dos 42 núcleos do Cpers/Sindicato, 34 eram favoráveis ao término da greve. Apenas o núcleo de Santa Maria era contrário. Os demais não se manifestaram.

    A larga vantagem ficou clara na votação, quando os professores ergueram os braços concordando com a proposta do Conselho Diretor do Cpers de suspensão da greve e continuidade das reivindicações.

    Antes da consulta, os principais líderes fizeram um balanço da mobilização. “Vitoriosa” foi a expressão mais ouvida nos discursos e nas arquibancadas. “A greve foi vitoriosa porque uniu a categoria”, defendeu Meibe Ribeiro, de Passo Fundo. “Durante 36 dias, a educação e os servidores públicos foram pauta nesse Estado”, completou a educadora.

    Para a presidente do Sindicato, Simone Goldschmidt, a principal conquista da categoria foi o resgate da adesão da sociedade na luta dos professores. Simone também destacou a importância da união do magistério e lembrou que, no início da greve, o governo estadual disse que não iria negociar, mas cedeu a pressão da classe.

    O governo do Estado, no começo da paralisação, indicou que faria uma proposta apenas em maio. Depois, ofereceu 8,03% de aumento e, por fim, os 8,57% , divididos em cinco parcelas até 2007. Índice que foi aprovado pela Assembléia Legislativa no dia 4 de abril.

    Os professores não receberam os 28% de reajuste que reivindicavam, mas evoluíram nas negociações. Na segunda-feira, 5 de abril, em reunião com a secretária da Educação,  Nelsi Müller, e com o ex-secretário da Fazenda e atual chefe da Casa Civil, Paulo Michelucci, ficou estabelecido que, até o final deste mês, o governo vai solucionar a questão das promoções concedidas a 11 mil professores em 2001 e analisar as questões legais para encaminhar as promoções dos servidores referentes ao ano de 1999.

    As exonerações decorrentes da greve de professores contratados temporariamente serão anuladas e os dias paralisados abonados. Os professores garantiram que as aulas não-ministradas serão recuperadas.

    De acordo com a presidentedo Cpers, os professores vão continuar mobilizados lutando por  melhores salários. No dia 26 de abril, quarta-feira, ocorre uma paralisação nacional para lembrar o Dia da Educação Pública. Outras manifestações estão previstas para o dia 21 de abril, aniversário do Cpers, e 1º de maio, Dia do Trabalhador.

    No final da assembléia, o clima de comemoração contagiou a todos. Os professores tomaram a área central do Gigantinho e trocaram comprimentos, sorrisos e abraços.  O encontro terminou com o hino do Rio Grande do Sul e a esperança de salários mais justos.

  • Réquiem para um estádio

    Réquiem para um estádio

    Anuncia-se para 5 de abril o leilão do estádio do G.E. Força e Luz, da rua Dr.Alcides Cruz., bairro Santa Cecília, pelo valor estimado de 11 milhões de reais. Alega sua diretoria dificuldade financeira. Trata-se de uma área de 16 ha., a maior existente na zona. Só que, além do valor patrimonial, tem imenso valor histórico, paisagístico, ambienta! e sentimental, para as comunidades circundantes (Rio Branco, Bom Fim, Petrópolis, Partenon).

    Ali, desde 1932, foi o palco de grandes partidas do futebol profissional (o Força e Luz era da divisão principal), mais tarde, e até hoje, acolhe o futebol amador (com escolinha para jovens atletas, também); é local de lazer (churrasquinhos de fim de semana, rodas de samba, aniversários), sediou ,anos a fio, os “Bambas da Orgia”) e ainda ostenta o famoso pavilhão pelo qual trocou, com o Grêmio, o passe do grande zagueiro Airton Ferreira da Silva.

    A concretizar-se a anunciada transação, tudo isso ficará apenas em nossa memória, pois é mais que provável que a área, ao sabor do mercado imobiliário, tenha a destinação conhecida.

    Nada contra o direito de o clube alienar o seu patrimônio. Só que, por revestir-se -de indiscutível interesse público, não pode o referido estádio ser tratado como uma coisa, um mero bem imóvel, sem quaisquer considerações para com a qualidade de vida de sua vizinhança e da comunidade em geral.

    Lamentavelmente, estas, dada a cortina de silêncio que se fez sobre a alienação (à exceção do “Jornal do Comércio” e “Já”), foram tomadas de surpresa. Nenhum, ao que se sabe, dos inúmeros cronistas esportivos desta cidade, manifestou qualquer restrição ao desaparecimento de um dos nossos últimos gramados tradicionais. Igualmente, os poderes públicos permanecem silentes: SPM,SMOV,SMAM,SMT, nada disseram até agora.

    É sabido que o município, pelo Estatuto da Cidade (Lei Federal no.l0.257, de 20.07.2001), tem o direito de preempção sobre áreas como essa, ou seja, preferência na aquisição. Por que não o exerce, buscando ressarcir o clube com índices construtivos e/ o u outras modalidades de ressarcimento ?!

    Esta cidade tem sofrido, nos últimos anos, inúmeras agressões, para não dizer crimes, contra sua malha urbana, a exemplo, nesta mesma região, do empreendimento implantado na antiga Instituição Chaves Barcelos, à rua Dna. Leonor. Os espigões se multiplicam no Morro do Ipa, Bela Vista, Petrópolis, Higienópolis etc. As normas do Plano Diretor sofrem constantes modificações e deturpapação em sua aplicação. Será que estamos diante de mais um capítulo dessa tragicomédia que se chama “fato consumado”? !

    Espera-se que, diante de tanta omissão, o Ministério Público e/ou o Judiciário venham em socorro da cidadania. Esta, por sua vez, tem que superar o conformismo e mobilizar-se. É hora de lembrar-se do recente “S.O.S. Porto Alegre, da historiadora Sandra Pesavento: “uma cidade é composta de materialidades, sociabilidades, sensibilidades.” Mais: “uma cidade sem memória, sem história, sem passado, é uma cidade sem futuro.”

    Assim, se o estádio do Força e Luz, uma vez leiloado, der lugar simplesmente a um dos mega-projetos tão conhecidos, além do bater de martelo dos leiloeiros, o bairro santa “Cecília e comunidades vizinhas nem precisarão perguntar por quem dobram os sinos de sua paróquia: eles dobrarão por nós.(John Dohne).

  • Produções indianas de graça na capital

    Devdas será uma das grandes atrações da mostra (Divulgação)

    Naira Hofmeister
    O sucesso da mostra Bollywood fica na Índia, realizada em 2005, levou o Santander Cultural a renovar a parceria com o Consulado indiano em São Paulo e com a prefeitura de Porto Alegre. Intitulada Bollywood Super Hits, o circuito traz dessa vez os filmes de maior bilheteria na história recente daquele país.
    Com uma produção de 800 filmes por ano, que não é superada nem pela indústria americana de cinema, Mumbai é a referência internacional dessa cinematografia, que mistura na película linguagens bastante peculiares. As cores vibrantes comandam o espetáculo, com tramas de personagens marcantes. O gênero tragicomédia também e uma marca do cinema indiano.
    Por ser extravagante, a produção Bollywoodiana – como vem sendo chamada, em referência ao antigo nome da capital, Bombaim – nunca foi de fato aceita pela crítica internacional. Mas os filmes com caráter bastante popular, as tramas clichês e as atuações superficiais dos anos 80 deram lugar à produções como Devdas (2002), dirigido por Sanjay Leela Bhansali, que será a primeira exibição do projeto.
    Estrelado pela atriz Aishwarya Rai, a ex-Miss Universo que tornou-se a “Rainha de Bollywood”, Devdas tornou-se um filme de culto em cidades como Paris e Londres, depois de causar furor no Festival de Cannes em 2003.
    A produção mais cara do cinema indiano narra uma história comum no cinema: o drama do amor proibido. Porém, se tratando da Índia, onde os casamentos são realizados mediante acordos entre as famílias, a trama ganha ares mais densos. Desiludido com a família, que o impede de casar-se com o grande amor, o personagem-titulo se rende ao alcoolismo e aos carinhos de uma cortesã. A obra também foi indicada ao BAFTA – prêmio máximo da Academia Inglesa – de Melhor Filme de Língua Estrangeira em 2002.
    Devdas será exibido na noite desta segunda-feira (3/4), após coquetel para convidados, que acontece no Salão Átrio do Santander Cultural. Para o grande público, a primeira sessão acontece na quinta-feira (5), às 15h30, no Cine Santander.
    A mostra Bollywood Super Hits fica em cartaz até dia 16 de abril, com quatro sessões diárias: duas no Cine Santander e duas na Sala P. F. Gastal, que fará intervalo devido a longa duração dos filmes. Os onze títulos, escolhidos de acordo com seu sucesso no país de origem, terão entrada franca em ambas as salas.
    Confira a programação do Ciclo Bollywood Super Hits *
    Cine Santander
    Terça-feira, 04
    16h – Company, de Ram Gopal Varma
    19h –  Shool, de E. Nivas
    Quarta-feira, 05
    15h30 – Devdas, de Sanjay Leela Bhansali
    19h – Refugee, de J. P. Dutta
    Quinta-feira, 06
    16h – Shool, de E. Nivas
    19h – Lagaan, de Ashutosh Gowariker, Donald Shebib
    Sexta-feira, 07
    16h – Mr. and Mrs. Iyer, de Aparna Sen
    19h – Company, de Ram Gopal Varma
    Sábado, 08
    14h30 – Lagaan, de Ashutosh Gowariker, Donald Shebib
    19h – Mr. and Mrs. Iyer, de Aparna Sen
    Domingo, 09
    16h – Company, de Ram Gopal Varma
    19h – Devdas, de Sanjay Leela Bhansali
    Segunda-feira, 10
    15h – Refugee, de J. P. Dutta
    19h – Devdas, de Sanjay Leela Bhansali
    Terça-feira, 11
    15h30 – Border, de J. P. Dutta
    19h – Sholay, de Ramesh Sippy
    Quarta-feira, 12
    15h30 – Ram Teri Ganga Maili, de Raj Kapoor
    19h – Satyam Shivam Sundaram – Love sublime, de Raj Kapoor
    Quinta-feira, 13
    15h30 – Border, de J. P. Dutta.
    19h – Ram Teri Ganga Maili, de Raj Kapoor
    Sexta-feira, 14
    15h – Sholay, de Ramesh Sippy
    19h – Satyam Shivam Sundaram – Love sublime, de Raj Kapoor
    Sábado, 15
    15h30 – Ram Teri Ganga Maili, de Raj Kapoor
    19h – Border, de J. P. Dutta
    Domingo, 16
    16h – Tamas, de Govind Nihalani
    Sala P. F. Gastal
    Terça-feira, 4
    15h – Sholay, de Ramesh Sippy
    19h – Border, de J. P. Dutta
    Quarta-feira, 5
    15h – Satyam Shivam Sundaram – Love sublime, de Raj Kapoor
    19h – Ram Teri Ganga Maili, de Raj Kapoor
    Quinta-feira, 6
    15h – Sholay, de Ramesh Sippy
    19h – Satyam Shivam Sundaram – Love sublime, de Raj Kapoor
    Sexta-feira, 7
    16h – Tamas, de Govind Nihalani
    Sábado, 8
    15h – Sholay, de Ramesh Sippy
    19h – Border, de J. P. Dutta
    Domingo, 9
    15h – Satyam Shivam Sundaram – Love sublime, de Raj Kapoor
    19h – Ram Teri Ganga Maili, de Raj Kapoor
    * a Sala P. F. Gastal não divulgou a programação para a segunda semana da mostra

  • Ói Nóis Aqui Traveiz é destaque no final de semana

    ‘A Saga de Canudos’ resgata momento histórico (Fotos: divulgação)

    Naira Hofmeister

    Na semana de aniversário, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz resgata uma parte do legado de discussão e atuação em eventos diários e gratuitos. As atividades começaram na quinta-feira (30/3) e vão até a próxima terça-feira (4/4).

    Depois de intervenções na Esquina Democrática, quinta e sexta-feira, ao meio dia, a trupe lança, também na sexta-feira, a Revista de Teatro Cavalo Louco. Uma das grandes conquistas do grupo nos últimos anos. A publicação é resultado de outra iniciativa corajosa da trupe, a realização de seminários permanentes de discussão do teatro de rua e popular. “Prestamos um serviço que não é disponibilizado à comunidade através do Estado”, defende Tânia Farias, há dez anos no Ói Nóis.

    No sábado à noite, na sede da Terreira da Tribo (Dr. João Inácio, 981), acontece o show de música com a presença do Zé da Terreira, Udi e a Geral, Johan Alex de Souza e Leonor Melo e o Grupo de Samba Regional Popular Brasileiro Serrote Preto. No domingo será a vez do Brique da Redenção receber os artistas, na Parada de Rua, onde, além dos músicos e dos atores do grupo, estarão presentes os atuais alunos da Escola de Teatro Popular da Terreira. A festa terá início às 11h da manhã.

    Serrote Preto é uma das atrações do sábado, dia 1º de abril, na sede da trupe

    Durante a próxima semana, as intervenções teatrais resgatam dois grandes sucessos do grupo. Na segunda-feira (3/4), reestréia a derradeira temporada de ‘Kassandra In Process’, no teatro Elis Regina da Usina do Gasômetro. E espetáculo se mantém em temporada gratuita, nas segundas-feiras, às 20 horas, com senhas disponíveis uma hora antes. Kassandra In Process retoma o mito da queda de Tróia, invertendo a importância do gênero na guerra, sendo contado sob a ótica de Kassandra. A peça é uma adaptação do romance de Crista Wolf que ganhou colagens de textos de revolucionários como George Orwell, Samuel Beckett e Albert Camus.

    Na terça-feira, a apresentação será na Praça da Alfândega, e traz para a rua o espetáculo de maior duração do Ói Nóis: ‘A Saga de Canudos’, adaptação da peça ‘O Evangelho Segundo Zebedeu’ de César Vieira que narra um dos principais eventos populares do Brasil. A intervenção começa às 16 horas e tem como principal atrativo a mistura de teatro, música e bonecos gigantes.

    As duas peças, assim como todo o resto da trajetória do Ói Nóis Aqui Traveis se debruçam sobre o tripé de conceitos básicos da turma: a criação coletiva, o teatro como instrumento de debate político e com bases populares. O grupo enfrentou, desde sua criação um estranhamento por parte do público e perseguição dos governos. Há 28 anos militando pelo esclarecimento da população, era mantido pelos próprios integrantes que eram obrigados a trabalhar em outros locais para conseguir verbas. Em 2005, o projeto foi finalmente reconhecido pelo poder público e recebeu patrocínio da Petrobrás, renovado para 2006. “Sempre reservamos nosso melhor para o momento de abrir as portas para o público, mas agora, realizamos o sonho de podermos nos dedicar por inteiro à Tribo”, salienta Tânia.

    Confira a programação do final de semana

  • Shopping Belvedere começa a sair do papel


    O projeto é construir 202 mil m2 com arquitetura singular
    (Reproduções/JÁ)

    Carla Ruas

    A empresa irmã da Máquinas Condor, a Condor Empreendimentos Imobiliários comprou uma área de 15 hectares em 1981 da Schilling Kuss & Cia Ltda. Hoje o terreno está localizado na 3º Perimetral entre a Protásio Alves e o Jardim Botânico e será finalmente ocupado, após anos de espera e especulação. Até 2007 começa a ser erguido o maior centro de compras, lazer e serviços de Porto Alegre. O projeto inclui lojas, academia, teatro, exposição de barcos e um mirante para a visão da cidade.

    A construção do shopping Belvedere, como é chamado, deveria ter começado no inicio de 2005, mas o projeto atrasou. “O primeiro pedido para a aprovação da prefeitura foi emitido em 1999, mas só agora estamos próximos de conseguir a licença”, afirma o diretor imobiliário da Condor, Mathias Kisslinger Rodrigues.

    Entre as exigências da Prefeitura de Porto Alegre está a comprovação de que o terreno de 150 mil m2 utilizado não terá grande impacto ambiental. Para isso a Secretaria Municipal do Meio Ambiente exigiu da empreendedora diversos estudos.

    Segundo supervisor do Meio Ambiente da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) Walter Koch, para liberar o projeto falta apenas a aprovação do Departamento Nacional de Produção Mineral, do Ministério de Minas e Energia, que pediu um estudo complementar sobre o impacto hidrogeológico da área. Este atestado comprova que o shopping não trará danos para os lençóis freáticos.

    A empresa Condor entregou o documento e aguarda a resposta da Smam. “O resultado deve sair no primeiro semestre deste ano, seguido da permissão para começar as obras”, acredita Rodrigues. O próximo passo será a mobilização dos lojistas já envolvidos com o projeto para a conclusão da primeira etapa. “O shopping foi planejado para ser construído em partes. Se o mercado aceitar bem a idéia, partiremos para a segunda etapa”.

    Complexo Esportivo e Danceteria


    O Belvedere terá ruas cobertas para pedestres e veículos

    O Projeto Belvedere apresentado pela Condor Empreendimentos Imobiliários tem um orçamento de aproximadamente R$150 milhões. Um shopping center composto por lojas, cinemas, teatro, restaurantes, danceteria e academia. Além disso, espaços exclusivos para lojas de móveis e decoração, venda e exposição de carros, motos e barcos.

    A idéia audaciosa é construir 202 mil m2 numa área de declive acentuado, com arquitetura singular. Com acesso às principais vias de Porto Alegre, o projeto apresenta estacionamento com 5.110 vagas para veículos.

    O Belvedere terá, ainda, o conceito de ruas cobertas, em que pedestres e veículos circulam dentro da área do shopping. “Nestas ruas, bares e restaurantes terão suas mesas nas calçadas, reproduzindo a convivência urbana tradicional”, acrescenta Rodrigues.

    O projeto do complexo de compras Belvedere é dividido por áreas:
    Hiper Mercado
    Poa Shopping Center
    Poa Show
    Espaços para exposições, congressos, feiras e eventos
    Poa Point
    Cinema, teatro, restaurantes e praça de alimentação
    Poa Casa
    Shopping de móveis e decoração
    Poa Globo
    Restaurantes e danceteria
    Poa Motor Center
    Comércio e exposição de automóveis, motos, barcos, posto de combustíveis e lojas de conveniências
    Poa Cult e Poa Corpo
    Escola integrada a complexo esportivo e academia
    Belvedere
    Mirante para visão da cidade e região