Autor: Elmar Bones

  • Copesul será primeira a receber o Selo Gaúcho de Responsabilidade Cultural

    Os Bacharéis, opereta de Simões Lopes Neto, conta a história de um casal de noivos (Foto: Laureano Bittencourt)

    Naira Hofmeister

    O secretário de Estado da Cultura, Roque Jacoby garantiu que o projeto já está na mesa do governador do Estado Germano Rigotto e, em breve ganhará a assinatura do Executivo: “É uma homenagem fraterna e uma manifestação de apreço e respeito a essa empresa”. A Copesul será a primeira no Estado a  receber o Selo Gaúcho de Responsabilidade Cultural, que avaliza uma série de atividades na área que a companhia desenvolve no Rio Grande do Sul desde sua criação.

    O discurso do superintendente da Copesul, Luiz Fernando Cirne Lima, revelou a intenção da empresa em se aproximar da comunidade principalmente através de duas vertentes do marketing: a preservação do meio ambiente e a promoção cultural: “Somos uma empresa produtora de derivados de petróleo que não são percebidos pela população; potencialmente muito poluidora e que possui um grande risco empresarial. Apesar disso, e graças ao capital humano que possuímos, conseguimos uma grande inserção social, através da manutenção dos ideais nos quais acreditamos”. O executivo lembrou as três bases que sustentam a filosofia da empresa e a prosperidade na terra gaúcha: “O apreço ao estado de direito, o respeito à pessoa humana e a valorização do patrimônio”.

    Em sintonia com a fala de Cirne Lima, o vice-governador, Antônio Hohlfeldt congratulou-o pela conquista, reforçando que é a defesa da cultura que têm aproximado a Copesul da sociedade gaúcha: “Foi bem lembrado pelo Cirne Lima que a produção da Copesul é ainda desconhecida da população, e é esse projeto cultural que promoveu o milagre de aproximá-la da sociedade”, enfatizou.

    Na concepção do projeto Copesul Cultural estão incluídas essencialmente as premissas de continuidade de estímulo ao pensamento crítico da cultura. Resultado do projeto 4 X Brasil, realizado no segundo semestre de 2005, o Seminário Brasil Contemporâneo: um país incógnito vai debater a identidade cultural da terra brasilis, no segundo semestre desse ano.

    Outro seminário dará continuidade às discussões realizadas em 2005 e será semelhante ao Metamorfoses, que reuniu grandes pensadores internacionais como Gianni Vattimo, Michel Maffesoli e os brasileiros Sérgio Rouanet, Arnaldo Jabor, Donaldo Schüler, Carlos Roberto Cirne Lima, Renato Janine Ribeiro e Muniz Sodré. O time problematizou a cultura contemporânea, perpassando por conceitos de modernidade, pós-modernidade e identidade cultural. Os nomes de 2006 ainda não foram anunciados, mas a promessa é de que sejam da mesma importância do ano anterior.

    As atividades culturais iniciam em abril com as obras no Centro Histórico de Vila Santa Thereza, em Bagé. Uma das mais representativas charqueadas (locais onde se produzia o charque, pedaços de carne bovina salgados e secos) do Estado, que pertencia ao Visconde Ribeiro Magalhães. Nos dias 12 e 13 do mesmo mês, às 21 horas, a opereta “Os Bacharéis” será apresentada no Theatro São Pedro, na Capital. O espetáculo faz um resgate da obra de João Simões Lopes Neto e foi recebida com sucesso em 2005 na sua cidade natal, Pelotas.

    Em maio, será inaugurada a exposição Homem-Natureza: Cultura, Biodiversidade e Sustentabilidade, no Museu da Ufrgs, como parte da iniciativa de agregar temas voltados ao meio ambiente ao projeto Copesul Cultural. No dia 31, Mario Quintana será o foco das atrações. Diversos eventos na Casa de Cultura que levam o seu nome estão programados, entre eles uma exposição e o lançamento de um livro sobre o poeta. A segunda parte da homenagem virá durante a Feira do Livro de Porto Alegre, em outubro, com a doação de kits com obras de Quintana para escolas da rede pública de ensino do Rio Grande do Sul.

    Ainda figuram entre as ações planejadas pela Copesul, a edição de uma coletânea de artigos do escritor e jornalista gaúcho Carlos Reverbel – que, à exemplo da coletânea de Simões Lopes Neto, será editada por Elmar Bones no JÁ Editores – e o lançamento do livro História da Literatura Brasileira, com texto de Carlos Nejar.

  • Os dedos nas feridas

    Geraldo Hasse, jornalista  ghasse@th.com.br

    A mosca azul de Frei Betto incomoda gregos e troianos, petistas e tucanos. Até agora a mídia brasileira quase não falou do novo livro de Frei Betto, no qual ele rememora sua passagem pelo governo Lula, nos anos 2003 e 2004. Lançado na primeira quinzena de março, já aparece na lista dos mais vendidos, mas permanece cercado por um estranho silêncio. Por que não analisam/ criticam/ resenham uma obra tão atual e engajada, que esmiuça a realidade contemporânea como nenhum outro autor brasileiro fez nos últimos anos? Pode ser birra ou má vontade, mas desde já não se pode negar: taí o livro mais contundente de um ano que mal começa e muito promete.

    Em A Mosca Azul (Rocco, 310 páginas), Betto expõe seu desencanto com o rumo da nau petista. Logo no primeiro parágrafo ele põe o dedo na ferida, ao lamentar “a desdita de promessas esvoaçadas em mera retórica”. No final do capítulo 30, depois de tocar em várias feridas — à esquerda e à direita –, confessa: “De repente dei-me conta de que navegávamos para oeste, quando todos os planos orientavam-nos para leste”. Resultado: caiu fora “em busca de si mesmo”. Pouco mais de um ano depois de pedir demissão e deixar o poder para “nunca mais”, ele apresenta o que poderíamos denominar “o reencontro consigo”. Temos na mão uma contribuição relevante para a organização do pensamento brasileiro.

    Frei Betto escreve com tal clareza e sinceridade que é impossível não ler até o fim. Apesar de “ligado na missão”, ele não pede licença para ser criativo. Brincalhão às vezes, solta alguns trocadilhos de tirar o chapéu. Com “tudo que é sólido desmancha no bar”, ele atualiza para nossos tempos consumistas a célebre frase de Karl Marx sobre os períodos críticos em que ‘tudo que é sólido parece se desmanchar no ar’…

    Há também confissões memoráveis. Ele diz que escrever é sua forma de driblar a própria loucura. Admite que algumas vezes tem vontade de chutar o balde e cair na contemplação dos mistérios da vida e da morte. Mas não desiste. Uma das coisas que o incentiva a se manter na luta é a memória do que passou na prisão, resistindo à tortura.

    Ao contrário do que se poderia esperar, ele não picha o amigo Lula nem cospe no prato em que comeu (foi coordenador de mobilização social do programa Fome Zero). Fiel aos ideais que o levaram a optar pela vida religiosa e a militância política, surpreende tanto pela  análise dos equívocos da esquerda quanto pela crítica das enganações da direita.

    Diz o informe da Editora Rocco que A Mosca Azul é “uma revisão honesta da ascensão do PT ao poder vinculada à recente história da esquerda no Brasil e no mundo”. Na realidade, com uma narrativa na primeira pessoa, Frei Betto faz uma reavaliação de sua vida, toda ela consagrada a um projeto de redenção dos pobres e oprimidos. A Mosca Azul é talvez o mais autobiográfico dos livros de Frei Betto, uma das figuras mais fascinantes da história brasileira contemporânea, com mais de 50 livros publicados.

    Mineiro de Belo Horizonte, nascido em 24 de agosto de 1944, ele fala bastante do pai, que morreu quatro meses antes da eleição de Lula, em 2002. Recorda o conservadorismo e o anticlericalismo paterno, expresso numa ameaça explícita, segundo a qual não toleraria ver “um filho de saias”, ou seja, que fosse maricas ou padre. Betto respeitou o pai à sua moda: sem ser sacerdote, assumiu a vida religiosa, como frade dominicano, desses que andam à paisana; sem deixar de ser homem, jamais se casou. No livro, sem maiores detalhes, confessa que na juventude frequentou a “zona” da prostituição de BH; insatisfeito, escolheu o claustro e fez do trabalho religioso uma missão.

    Da militância cristã evoluiu para a participação política até ser preso e condenado a quatro anos de prisão por ajudar na luta armada contra a ditadura militar. Quando deixou a cadeia, foi aconselhado a ir embora para o exterior, mas exilou-se na região metropolitana de Vitória, onde morou por cinco anos. Aí conheceu, entre outros, o médico Vitor Buaiz, um dos fundadores do PT, ao lado de Lula. Eles estiveram juntos em João Monlevade, em janeiro de 1980, no encontro sindical em que pela primeira vez Lula falou em fundar um partido dos trabalhadores.

    Eram todos “duros” e idealistas. Depois desse evento, alguns sindicalistas como Lula e Olívio Dutra foram descansar no apartamento dos pais de Betto em Belo Horizonte. Com vôo marcado para o amanhecer e sem dinheiro para o hotel, eles dormiram amontoados no chão da sala, pois não havia cama para todos.

    Outro episódio dessa época foi o encontro (em 1979) em São Paulo com os socialistas Almino Affonso, Fernando Henrique Cardoso e Plínio de Arruda Sampaio. Convidado para entrar no partido que os três estavam dispostos a fundar, Betto ficou de pensar. Muito tempo depois, soube que a reunião – realizada no apartamento duplex de um jornalista — fora gravada pelos órgãos de segurança da ditadura agonizante.

    Nessa viagem ao passado, Betto fala do ideal construído pela esquerda brasileira após o golpe militar de 1964, mergulha nas circunstâncias que geraram o efeito Lula e culminaram na eleição do líder sindical a Presidente da República em 2002. Comentando o carisma do atual presidente, não deixa barato: compara-o a Vargas e Prestes.

    Adepto da teologia da libertação nascida em redutos pobres da América Latina, Betto faz uma reflexão profunda sobre o sonho petista de uma sociedade socialista, os novos paradigmas da esquerda após o fim da União Soviética e o ressurgimento do neoliberalismo, que desmantela um século de conquistas sociais dos trabalhadores.

    O livro tem grandes sacadas. Por exemplo: “O PT é filho bastardo da desconfiguração da geopolítica internacional”, diz ele no capítulo 29, em que faz uma análise da crise do mundo moderno. Outra constatação dolorida: “O PT vestiu a camisa do governo e despiu a camiseta dos movimentos populares”.

    Embora tenha escrito seu livro para explicar/justificar sua passagem pelo governo Lula no período 2003/2004, Betto foi muito além da promessa: acabou dando um verdadeiro cursinho (de história, filosofia, sociologia, política) em que apresenta uma série de raciocínios extremamente lúcidos sobre os rumos da esquerda, o papel do PT e o futuro do socialismo, seja isso lá o que for depois do colapso da maior parte dos governos comunistas fundados no século 20.

    Mesmo decepcionado com a maior parte do governo Lula, reconhece que tem pela causa social a mesma preocupação de um pai pelo filho deficiente ou drogado: um amor incondicional, eivado de sofrimento. É o amor inspirado na lição de Cristo. Suas outras referências são Gandhi e Guevara, que se dedicaram à libertação dos oprimidos, cada um a seu modo.

    Os oprimidos, os pobres são o alvo central de sua militância. Betto os coloca numa nova categoria – o pobretariado, abaixo do proletariado. Para entender essa nova classificação, é preciso viajar com o autor pelos meandros da sociedade de consumo, da publicidade, do neoliberalismo e da globalização.

    São extremamente instrutivos os capítulos em que ele analisa, comenta e critica o comportamento dos ricos, da burguesia, dos intelectuais, da classe média e também dos pobres. Leitor dos clássicos gregos e estudioso de Maquiavel, Betto faz páginas brilhantes sobre o exercício do poder em geral e do poder no governo petista. Apesar de tudo, confia na possibilidade de que, num segundo mandato, Lula penda mais para a esquerda do que para a direita, resgatando mais um pouco das carências da maior parte da população.

    No final, numa metáfora carregada de poesia, Betto afirma que “a viagem não foi em vão, pois são sinuosas as veredas da história e a turba jamais olvida a fonte do alvorecer”. Resta no ar um certo messianismo, mas esperar o quê de um pregador católico? Sem esperança ninguém vive.

    Por essas e outras, A Mosca Azul é um livro de leitura obrigatória para quem pretende não apenas compreender a sinuca dos petistas, mas situar-se depois que o barco de Lula sumiu no nevoeiro neoliberal e tomar um rumo nesse mundo coberto de miséria, corrupção, violência e insegurança. Sem respostas prontas, Betto dá uma dica humanista-cristã para construir um mundo melhor: “O pólo de referência das esquerdas, em torno do qual precisam se unir, é somente um: o direito dos pobres”.

  • Meu canto é tri legal

    Filme conta a trajetória de formação de Porto Alegre, desde seus primórdios, há 234 anos, até os dias atuais (Fotos Divulgação)

    Naira Hofmeister
    A senhora ao meu lado chorou, e não deve ter sido a única. As belas imagens aéreas que Jaime Lerner captou de um helicóptero, mostram uma Porto Alegre desconhecida dos nossos olhos. Os coqueiros da Osvaldo Aranha, a extensão da Borges de Medeiros, os tons esverdeados dos parques em meio à selva de pedras da urbanização. Diferentes perspectivas pictóricas unidas a pontos de vista também distintos sobre a cidade.
    Porto Alegre, meu Canto no Mundo já inicia com uma grande sacada dos diretores: a partir de um texto de Saint Hilaire sobre a tomada da cidade pelos Farroupilhas, Cícero Aragon e Jaime Lerner montaram imagens de um Gre-Nal. A eterna dicotomia da cidade está viva desde sua gênese. Gremistas e Colorados, Chimangos e Maragatos, Farroupilhas e Imperialistas, Petistas e Anti-Petistas. A cidade se divide: os ânimos sempre acirrados.

    Cenas de documentários e fotos antigas da gênese da cidade …

    Outro ponto positivo do documentário foi o resgate histórico, que fugiu ao clichê, que fatalmente, seria chato. Não há referências demasiadas à high-society, mas não esquece de Eva Sopher e a essência do Theatro São Pedro, palco de antológicas apresentações, como a do compositor Villa-Lobos. Nas palavras do mesmo Saint Hilaire, Porto Alegre mostra-se uma cidade provinciana, com grande importância dada à convivência social, cultivada até hoje.
    Ao contrário, os marcos da história porto-alegrense são no Areal da Baronesa, onde Giba-Giba conta que, no espaço de duas quadras, existiam cinco escolas de samba. Ou no Bom Fim e no Rio Branco, onde conviviam as mais variadas culturas – germânica, negra, judaica. A cultura porto-alegrense para Sandra Pesavento e Sérgio da Costa Franco, passa obrigatoriamente pelo Beco do Mijo, e outros lugarejos não exatamente nobres.
    Finalmente, Luiz Fernando Verissimo recorda a cidade que não existe: a Rua da Praia, as praças da Matriz e da Alfândega e outros lugares de cidade que qualquer porto-alegrense conhece, mas não estão no mapa, pois, oficialmente levam outros nomes.

    … são intercaladas com recostruções de fatos históricos.

    Além dos depoimentos , o elenco ficcional da trama é encabeçado por Roberto Birindelli e Luiz Paulo Vasconcelos e a bela trilha sonora, composta originalmente para a obra, é assinada por Daniel Sá, a partir de músicas de uma turma bem conhecida das ruas do porto: Renato Borguetti, Nenhum de Nós,  Vitor Ramil, Frank Solari, Neto Fagundes, Hique Gomes, Radio Esmeralda, Bebeto Alves e Arthur de Faria.
    As locuções do documentário também são feitas por um time de peso, formado por Lauro Quadros, Lasier Martins, Haroldo de Souza, Luis Carlos Reck, Mari Mesari e Pedro Ernesto, entre outros.
    Bairrismo ou não, o fato é que filme levantou o público das poltronas ao seu final (se bem que, embalados pela cervejinha servida antes da sessão, mal subiram os créditos, a fila no banheiro já virava a esquina).
    Na noite dessa sexta-feira, 24, o público terá outra oportunidade de assistir Porto Alegre, Meu canto no Mundo, dessa vez no Largo Glênio Peres, a partir das 20h, com entrada franca. A exibição marca os cinco anos do projeto RodaCineRGE, de cinema itinerante, que realiza sessões públicas por todo o estado, sempre ao ar livre e com entrada franca.
    É bom aproveitar, pois o filme deve ter problemas para ser distribuído – mas, provavelmente ganhará sessões, ao menos na Sala P. F. Gastal – já que a verba está tão curta que a cópia que circula por enquanto, ainda é digital.
    Veja outras opções culturais do final de semana

  • Livro traz história gaúcha de recursos hídricos e saneamento

    Imagens retomam a beleza…

    Patrícia Benvenuti
    Será lançado nesta quarta-feira, 22 de março, na Usina do Gasômetro, às 18h, o livro “Tempo das Águas”, evento comemorativo à Semana da Água e aos 40 anos da Companhia Rio-grandense de Saneamento (Corsan). A publicação, que conta com textos de Luiz Corrêa Noronha, Luís Augusto Fischer, Luiz Antonio Timm Grassi, Vera Lúcia Callegaro e Omar L. de Barros Filho, narra a história dos recursos hídricos e do saneamento no Rio Grande do Sul.
    A problemática da água é apresentada em nível regional, nacional e mundial, bem como alternativas de sustentabilidade e gestão. O engenheiro civil e coordenador da Câmara Técnica de Recursos Hídricos da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES-RS), Luiz Antonio Timm Grassi, explica que a gestão das águas ganhou destaque a partir dos anos 80, quando se acirraram as discussões entre entidades ambientalistas e órgãos públicos. “O estado começou a desenvolver isso juntando estudos de caso de outros países e experiências práticas”, afirma.
    Grassi lembra que a observação de outras gestões foi fundamental pois trouxe conceitos como participação e planejamento. “Precisamos prever o futuro, não há como fazer uma gestão só resolvendo problemas, e é preciso que todos participem, não apenas ambientalistas e governistas. Todos os usuários da sociedade devem estar presentes”, acredita o técnico.

    … e a história da água no estado e no Brasil. (Foos divulgação/Arquivo Pró-Guaiba)

    Uma das propostas do livro está em resgatar a importância da água na obra de escritores importantes da literatura gaúcha como Vitor Valpírio, Barbossa Lessa, Simões Lopes Neto, Mario Quintana, Dyonélio Machado e Erico Verissimo. Fischer mostra que, embora a imagem do gaúcho esteja fortemente associada a imagens como cavalos e campos, os mananciais foram um pano de fundo importante em contos e romances. “É preciso um olhar atento para perceber isso, pois não é tão evidente no início”, salienta o pesquisador.
    De caráter institucional e comemorativo, “Tempo das Águas” será distribuído em escolas públicas em todo o Brasil, centros de pesquisa e documentação ambiental, centros de entidades, sindicais e organizações não-governamentais voltadas à preservação meio ambiente. A obra é uma iniciativa da Laser Press Comunicação, com apoio cultural da Corsan.

  • Piada antiga sobre o vento volta a fazer sucesso em Osório

    Usina éolica vai fazer girar a economia local (Fotos Geraldo Hasse)

    Geraldo Hasse, de Osório
    Dita como queixa e ouvida como piada, a frase com que os habitantes da cidade justificavam o histórico marasmo municipal — “Osório só irá pra frente no dia em que engarrafar vento para vender” – começa a ganhar um novo sentido diante dos primeiros resultados do trabalho dos empresários alemães e espanhóis que constróem nos campos vizinhos a primeira grande usina eólica brasileira, com 75 cata-ventos e potência de 150 MW.
    Às vésperas de completar 150 anos, o município sofre uma reviravolta. Pela primeira vez o vento vai fazer girar mais rápido a economia do município, que vive tradicionalmente de três atividades de ciclos longos: o cultivo de arroz, a criação de gado e o plantio de eucalipto.
    Mesmo sabendo que não vai haver redução na conta da luz, a maioria dos 36 mil habitantes está animada por saber que a prefeitura vai dobrar seu orçamento graças aos impostos incidentes sobre a produção de energia elétrica. A cidade já recebeu novas placas de sinalização de trânsito, está com asfalto novo nas ruas e ganhou dez veículos de serviços.
    Na realidade, a obra do século no litoral norte do Rio Grande do Sul beneficia um círculo restrito de pessoas. Quando os 700 trabalhadores forem dispensados, na virada do ano, restarão 90 felizardos na operação da usina e apenas 15 fazendeiros passarão a receber royalties pela geração da nova modalidade de energia em suas terras. “Cada torre vai render apenas 800 reais por mês”, minimiza Marcos Bolzan, um dos beneficiários da novidade. Essa é, de fato, a estimativa mínima; o valor pode ser duas a três vezes maior.
    Além disso, acredita-se que o parque eólico vai gerar um bom movimento turístico, fundado no interesse em conhecer detalhes da nova tecnologia, incipiente no Brasil. Além de turistas, esperam-se excursões estudantis. Em conseqüência, deverão ganhar alentos certos serviços, como o transporte, a hotelaria e a gastronomia, gerando empregos e uma certa nostalgia.

    Turistas já chegaram ao parque

    De certa forma, a cidade poderá reviver a época em que era ponto de pouso dos viajantes da capital para Torres e vice-versa. Eles saíam cedo de barco do cais de Porto Alegre, embarcavam num trenzinho em Palmares do Sul (no extremo norte da Lagoa dos Patos) e chegavam ao entardecer a Osório, com a maria-fumaça soltando carvão incandescente sobre os trilhos que cortavam a cidade.
    Os passageiros pernoitavam nos hotéis, pensões e pousadas do centro de Osório. Na manhã seguinte tomavam os barcos que seguiam por lagoas, canais e rios para diversos destinos no litoral norte, com destaque para Tramandaí, Capão da Canoa e Torres, ponto final da viagem. Essa rotina só se alterava quando o vento nordeste soprava muito forte, prejudicando a navegação rumo ao interior.
    Ainda que o movimento de passageiros fosse mais intenso no verão, esse sistema intermodal de transporte combinando ferrovia e hidrovia funcionava o ano inteiro, pois sempre havia cargas – pinga, açúcar, rapadura, farinha de mandioca, banana e outros produtos da terra.
    Inaugurado em 1922, o negócio parou de funcionar em 1960. O máximo que a ferrovia transportou foram 18 mil toneladas de cargas em 1942 e 38 mil passageiros em 1947.
    Desde que o rodoviarismo forçou a aposentadoria dos trens e barcos em trajetos curtos, Osório explora a vocação para o abastecimento de viajantes que trafegam pelas rodovias BR-101, BR-290, RS-030 e Estrada do Mar. Não por acaso um dos principais negócios do município é o comércio de combustível em 15 postos de serviços. Outro, o abastecimento alimentar, terá um reforço patrocinado pelos empresários do vento.
    No mirante que será construído no alto do Morro da Borússia (a 360 metros de altitude) para favorecer a contemplação do parque eólico de Osório e das belezas naturais da região, haverá um restaurante-lanchonete com pratos temáticos como o pastel de vento. Dispensada a licitação porque os recursos foram doados pela construtora da usina, dá-se como certo que o local será explorado por um primo do prefeito Romildo Bolzan Junior com experiência na gestão de uma das pizzarias da cidade.

  • Fórum reúne empresas que apostam no Rio Grande do Sul


    Jorge Gerdau estará presente no evento (Foto: Divulgação/Já)

    Elmar Bones

    O fórum  RS Na Rota dos Investimentos, iniciativa da Copesul e do governo do Estado, vai reunir hoje no hotel Sheraton, na rua Olavo Barreto Viana, n°18, os grupos empresariais que estão investindo em grandes projetos no Rio Grande do Sul.

    Destaque para as três  “papeleiras”, Aracruz, Votorantim e Stora Enzo, que projetam três plantas de celulose com investimento de US$ 1 bilhão em cada uma, para instalação na Metade Sul do Estado.

    Outro destaque, pela inovação, é a usina eólica de Osório, a maior do gênero na América Latina, com demanda de R$370 milhões para produzir 350 megawatts de energia a partir do vento. O projeto reúne capitais internacionais, articulados pela gaúcha Ventos do Sul.

    Participam também dirigentes da General Motors (Luiz Moan), John Deere Brasil (Jim Martinez), Wal-Mart Brasil (Wilson Mello Neto). A Stora Enzo mandou o seu presidente para América Latina, Nils Grafström.

    Na abertura do evento, às 14h30, falam o governador Germano Rigotto e o líder empresarial Jorge Gerdau. No encerramento, às 18h15, uma “visão do cenário econômico gaúcho” com participação do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, o secretário de Desenvolvimento Luis Roberto Ponte e o superintendente da Copesul, Luiz Fernando Cirne Lima.

    (O Jornal JÁ fará a cobertura completa do evento com um caderno especial apresentando o resumo dos debates)

  • Desafio na Semana da Água é conscientizar

    De acordo com a ONG Rios Vivos, o país é vítima da “cultura do desperdício” (Arquivo/JÁ)

    Por Patrícia Benvenuti

    A abertura oficial da Semana da Água e da Cultura, em Porto Alegre, será realizada nesta terça-feira (21/3) no Memorial do Rio Grande do Sul, a partir das 18h, em uma parceria da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) com 33 entidades, entre elas a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).

    Embora aberta ao público, o maior alvo da Semana são os professores das redes municipal e estadual de ensino, de forma a que possam levar os conhecimentos adquiridos para a sala de aula. Entre as atividades previstas estão uma exposição de banners informativos, mesas-redondas, uma exposição fotográfica da Bacia do Jacuí e “maquetes vivas” de rios poluídos e despoluídos. Haverá, ainda, passeios monitorados de barco pelo rio Guaíba, com saída do Cais do Porto.

    Após o dia 31, fim das comemorações, a Unesco produzirá um caderno juntamente com o Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul, com um resumo de todas as discussões e conclusões dos debates. A publicação servirá como base para o trabalho dos professores sobre a problemática. De acordo com a Unesco, o ano de 2006 é estratégico dentro da década 2005-2015 (considerada a Década da Água), porque pretende discutir a forma como os recursos hídricos são percebidos no cotidiano e de como a cultura pode influenciar na relação entre a água e os seres humanos.

    Já a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária do Rio Grande do Sul (Abes-RS) trará a Porto Alegre nesta quarta-feira (22/03) o especialista Albert Appleton, da Yale Law School, que ministrará a palestra “A Sustentabilidade da Produção de Águas nos Mananciais: a experiência de Nova York e os desafios do Rio Grande do Sul”. Appleton é funcionário sênior na Associação de Planos Regionais (RPA), em Nova Iorque, e trabalha com a execução de políticas ambientais públicas. O evento, que tem apoio da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) e a Amcham (Câmara Americana de Comércio), ocorre às 8h30min no Amcham Business Center, na avenida Mostardeiro, 322.

    Valorização dos recursos hídricos

    Os dois eventos da Semana da Água abordam a educação para a valorização dos recursos hídricos através de uma análise de conceitos que, cada vez mais, mostram-se questionáveis. “O brasileiro tem uma noção muito equivocada de abundância, e não se dá conta de que grande parte da água está comprometida”, afirma o diretor-executivo da Organização Não-governamental Rios Vivos, Alcides Faria.

    De acordo com ele, o país é vítima da “cultura do desperdício”, em que não há cuidado com os recursos hídricos no meio rural, com a agricultura, e muito menos nas cidades, onde faltam investimentos em setores estratégicos como encanamento, por exemplo. Os números são mesmo alarmantes: 40% do total captado é perdido antes de chegar às torneiras.

    A conscientização se revela um problema quando se lida com o assunto. “As pessoas olham para o Guaíba, vêem aquela água e pensam que essa história de recurso finito é conversa das empresas”, destaca o engenheiro e superintendente de Ações do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Valdir Flores.
    A relação entre quantidade e qualidade da água é ressaltada pela bióloga e pesquisadora da Fundação de Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Luiza Chomenko. A especialista lembra que, embora pareça desnecessária a preocupação com os recursos hídricos, apenas 2,6% da água do planeta é doce, e boa parte já não pode ser consumida por causa da poluição. “O maior afluente do rio Guaíba é o Jacuí, que carrega uma quantidade muito grande de agrotóxicos das produções agrícolas”, exemplifica.

    O efeito desses poluentes na água se reflete na biodiversidade aquática. Tornam-se comum, assim, explosões ou reduções populacionais de espécies. Os porto-alegrenses vêm sentindo o fenômeno sem sair de casa, pois as alterações de gosto e odor na água são causadas por algas, que surgem no verão e cuja presença se pode observar melhor devido à estiagem.

    A melhor forma de educação ambiental, segundo Luiza, é apostar na ética. “O pensamento das pessoas está errado, é egoísta. Se o jornal mostra uma notícia sobre racionamento em Bagé, ninguém se importa se for morador de Porto Alegre. Vai lavar o carro na mesma hora. Se não mora lá, acredita que não tem com o que se preocupar. Ainda pensa que o problema é deles ”, condena.

    A falta de valorização do local também está, de acordo com a bióloga, na raiz da problemática. “Todo mundo conhece o Pantanal e os animais em extinção da Amazônia, mas as pessoas daqui não sabem citar uma espécie nativa do Estado”, destaca. E conclui: “O sistema só mudará quando o ser humano entender que tudo é um ciclo e que todas as ações têm seus reflexos.”

  • Elmar Bones recebe Medalha Cidade de Porto Alegre


    Elmar Bones comanda toda a estrutura do JÁ Editores
    (Foto: Divulgação/JÁ)

    A premiação é “uma forma de homenagear pessoas e entidades que, com seu trabalho, ajudaram a construir a história da Capital e prestaram serviços ao desenvolvimento cultural, social e econômico”. A descrição do evento na página da prefeitura evidencia o caráter multi-colaborador do jornalista Elmar Bones, que recebeu na noite desta terça-feira (21/03), a Medalha Cidade de Porto Alegre, das mãos do prefeito José Fogaça.

    Bones não é porto-alegrense na carteira de identidade – nasceu em Santana do Livramento –, mas construiu uma profunda identificação com a cidade nos quarenta anos que vive aqui, entre idas e vindas da Praia do Santinho, em Florianópolis e tentativas de morar no centro do pais. “Não sei explicar bem o motivo, mas o fato é que eu sempre acabei voltando para cá.” Ele ri do destino.

    A colaboração de maior destaque, na visão do próprio jornalista, foi a edição da História Ilustrada de Porto Alegre, publicada em 1997, em 12 fascículos encartados no Jornal Zero Hora. “Foi um marco, pois significou a retomada do interesse na memória da cidade”. Elmar Bones lembra que na época, havia um relativo descaso da prefeitura do PT com relação ao passado porto-alegrense, pois o partido enfocava muito mais a história da qual foi protagonista, desde 1989, quando Olívio Dutra assumiu o cargo máximo do executivo municipal.

    Foram mais de um milhão de exemplares editados: “O interesse da população era tal, que a própria Zero Hora aumentou sua tiragem nos dias em que os fascículos circulavam”, comemora.

    Ainda colocou Porto Alegre no centro da informação do País ao criar o projeto do Coojornal, a primeira cooperativa de jornalistas do Brasil. O Coojornal foi uma iniciativa saudada em todos os cantos do País, não apenas por seu caráter coletivo, mas também pela postura editorial adotada, que perseguia com fidelidade os ideais de seus sócios. “Foram poucos os jornais de Porto Alegre que tiveram reconhecimento nacional”, orgulha-se.

    Outra iniciativa jornalística que marcou a trajetória de Elmar Bones foi o comando da sucursal da Gazeta Mercantil no estado. Bones foi o responsável pela implantação da redação gaúcha da folha econômica, que, segundo ele próprio “teve depois muita importância no estado, chegando a editar um suplemento regional”. Bones também capitaneou o projeto de criação da Revista Amanhã, que se mantém até hoje.

    Se o passado está repleto de grandes realizações, é nele também que está a raiz de seu trabalho nos dias de hoje: à frente da redação do JÁ Bom Fim, ele refundou o jornalismo comunitário na cidade, 20 anos atrás. “Nós não montamos apenas um jornal de bairro, mas realizamos toda uma discussão sobre esse conceito de jornalismo e sua importância nas comunidades”, conta ele. As pautas eram resultado do convívio estreito com os moradores, evitando a superficialidade. “Buscamos descobrir qual a identidade do bairro, quais os valores dali”, lembra.

    A defesa dos interesses da comunidade para ele é uma maneira de militância: “O jornal de bairro mobiliza a comunidade através da informação. Costumo falar que as pessoas não acreditam mais que podem mudar o mundo, mas sempre acham que podem mudar o lugar onde vivem”, filosofa.

    A iniciativa deu crias: hoje Elmar Bones comanda toda a estrutura do JÁ Editores, composta pelo jornal JÁ Porto Alegre – um caderno de reportagens especiais, nas bancas mensalmente –, o jornal JÁ Bom Fim – Moinhos, que está presente em 11 bairros da capital, o portal de notícias – www.jornalja.com.br – e a editora de livros, que recentemente publicou Lanceiros Negros, de Geraldo Hasse e Guilherme Kolling, sobre o grupo de negros na Revolução Farroupilha.

    Receberam a Medalha Cidade De Porto Alegre 2006

    1. Geraldo Flach
    2. Edi Xavier Fonseca
    3. Paulo Sérgio Pinto
    4. Paulo Renê Bernhard
    5. Isabel Sant’anna Oliveira
    6. Marli Medeiros
    7. Vitório Gheno
    8. Sérgio Roithmann
    9. Rozeli Da Silva
    10. Ubirajara Valdez – In Memorian
    11. Sas – Mensageiro Da Caridade
    12. Aldo Besson
    13. Irmão Jaime Biazus
    14. Dilecta Todeschini
    15. Armindo Antônio Ranzolin
    16. Jorge Carlos Ribeiro
    17. Marcello Zaffari
    18. Antonio Tannous Jraige
    19. Elmar Bones Da Costa
    20. Álvaro Fernando Laitano Da Silva
    21. Thomaz Jose Lomando
    22. László Gyözö Böhm – In Memorian
    23. Renato Bastos Ribeiro
    24. Francisco Renan Oronoz Proença
    25. Onira Pereira Santos

  • Cave Aurora será roteiro cultural e histórico do vinho

    Hermes Zanatti, José Fogaça, Eduarto Oltramari e Roque jacoby na Cave Aurora(Foto: Naira Hofmeister/JÁ)

    Naira Hofmeister

    Meio metro abaixo do piso original dos prédios onde hoje está o Shopping Total, e com o mesmo material da cervejaria dos irmãos Bopp projetada por Theodor Wiedersphan em 1910, está o novo empreendimento da Cooperativa Vinícola Aurora. Um emaranhado de 15 túneis de 800m² será a nova sede da vinícola, que além de armazenar o vinho, também contará com um espaço enogastronômico, bar e café, adega especializada, livraria e Museu do Vinho, além de um local reservado às confrarias.

    O lançamento do projeto foi realizado nessa quarta-feira, 15, no próprio local, ainda em reformas. Não faltou música italiana, pães, queijos e vinhos. Na entrada para a Cave Aurora um grupo de cantores italianos dava as boas-vindas ao convidados. Já no subsolo, entre a poeira natural e a iluminação festiva, Mário Zatta, natural de Treviso na Itália, entoava Sole Mio.

    O diretor superintendente da Vinícola, Hermes Zanetti, agradeceu em nome das 1.300 famílias cooperativadas o trabalho da prefeitura para desburocratizar o processo de liberação da obra: “Foram dois anos de entulho burocrático”, brincou, fazendo uma referência aos mais de 1.700 contêineres de entulho industrial retirado dos subterrâneos quando descobertos.

    Fez ainda um elogio à produção e ao consumo interno de vinhos. “O Brasil está se firmando como um produtor de vinhos de qualidade com características próprias”. A expectativa de Zanetti é de que o complexo seja inaugurado em 14 de fevereiro do próximo ano, data da comemoração dos 75 anos da casa.

    Outro que destacou o empenho da Prefeitura nesse e em outros projetos foi o secretário de Estado da Cultura, Roque Jacoby, que se referiu ao prefeito José Fogaça, presente no evento, “como um grande parceiro cultural”. Jacoby solicitou também o acolhimento do projeto aos empresários, visto que a obra será realizada com recursos das leis de incentivo à cultura.

    A grande expectativa é que a Cave Aurora congregue turismo, cultura e desenvolvimento econômico para a capital, que, segundo as palavras do prefeito, “tem um perfil de natureza de serviços”, e portanto, serve ao fim.

    Ao final do evento, quando todos já degustavam o Espumante Brüt da casa, o governador em exercício Antônio Hohlfeldt chegou para conhecer o projeto. Hohlfeldt brincou: “Darei todo o meu apoio à esse projeto do qual serei cliente, mas, quero ao menos, 20% de desconto”.

    Complexo cultural do shopping

    A Cave Aurora, além de empreendimento privado, fará parte também de um grande complexo cultural planejado pela administração do Shopping Total desde o projeto da construção.

    “Não nos pretendemos apenas como empreendimento comercial, mas queremos também devolver à cidade através de obras do contexto cultural tudo o que ela nos proporcionou”, afirmou o superintendente do Shopping Total, Eduardo Oltramari.

    Toda a área do centro comercial deve ganhar novos ares ainda em 2006. A administração prevê implantar o Museu da Cerveja, o Museu dos Esportes, um largo em homenagem ao arquiteto Theodor Wiedersphan, que projetou os prédios da antiga cervejaria, do MARGS e do Hotel Majestic – onde atualmente funciona a Casa de Cultura Mário Quintana, entre outros.

    As ruelas do empreendimento ganharão ares europeus com a implantação da Alameda dos Antiquários, a primeira que deve iniciar as atividades. Haverá ainda a Alameda dos Artistas, dos esportista e dos Escritores, que, deve ser decorada com grandes cartazes manuscritos de poetas e escritores gaúchos como Mário Quintana e Érico Veríssimo.

  • Alunos acampam em apoio aos professores grevistas


    As barracas estão em frente ao Instituto de Educação, e não têm data para sair (Foto: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Os alunos do grêmio estudantil do Instituto de Educação Flores da Cunha estão acampados em frente à escola, para mostrar apoio à greve do magistério, que já dura 11 dias. A partir da noite dessa segunda-feira, (13/03), são esperadas mais de vinte barracas de outros estudantes do movimento estudantil. O Cpers/Sindicato agradece a iniciativa, e também monta acampamento em frente ao Palácio Piratini para pressionar o governo.

    “Acreditamos na greve porque queremos uma melhora na educação pública”, afirma Bárbara Fagundes, presidente do grêmio estudantil do Instituto de Educação. Para ela, os professores são mal remunerados e a escola não oferece condições para o aprendizado dos alunos. “O ginásio está em decomposição, há louças quebradas e a biblioteca é muito debilitada”, explica.

    A idéia de acampar em plena Avenida Osvaldo Aranha partiu do movimento estudantil Contestação, que defende a educação pública, gratuita e de qualidade. O grupo é composto por alunos do Instituto de Educação, Parobé, Rio Branco, Curso técnico do Hospital de Clínicas, PUCRS e Uniritter. Bárbara afirma que eles gostariam de estar freqüentando as aulas, mas reconhecem a gravidade do problema. “A greve só vai acabar quando o governador der o reajuste”.

    O Cpers/Sindicato aprecia a mobilização, e continua visitando as escolas públicas estaduais, em busca de uma maior adesão à paralisação. “Estamos juntando forças com pais, alunos e sindicatos, para exigir que o governo abra as negociações imediatamente”, afirma a vice-presidente, Neiva Lazaroto.

    Na manhã desta segunda-feira, (13/03), o comando de greve montou uma barraca em frente do Palácio Piratini, que ficará de plantão 24 horas por dia. A idéia é pressionar o governo para que resolva logo o impasse. “O Estado está sendo muito intransigente e está agindo de forma irresponsável”, critica Neiva.

    Na quinta-feira, (16/03), o Cpers planeja realizar uma grande passeata, com 10 mil manifestantes. “Se o governo não negociar até lá, o movimento endurece”, promete.

    Secretaria afirma que adesão diminuiu

    Segundo a Secretaria de Educação, muitas escolas estaduais voltaram a ter aulas normalmente no inicio dessa semana. Em levantamento divulgado nesta segunda-feira, (13/03), 1.977 instituições de ensino estão com atividades normais, contra 1.933 da última sexta-feira, (10/03). Em Porto Alegre, 204 das escolas estariam funcionando normalmente, e 56 estariam com as portas fechadas.