Autor: Elmar Bones

  • Rajadas de vento atrapalham construção de eólica

    Ventos em demasia atrapalham instalação do parque eólico (Fotos Tânia Meinerz)

    Geraldo Hasse, de Osório
    Os construtores do parque eólico de Osório conseguiram completar na manhã do domingo (12/3) a montagem do quarto gerador, após mais de uma semana de luta contra rajadas de vento do noroeste e nordeste – quando venta forte, os guindastes param automaticamente e são obrigados a repor no chão peças que estejam sendo içadas, porque as oscilações podem provocar acidentes graves. Até agora, em cinco meses de uma obra que envolve mais de 700 pessoas, houve nove pequenos acidentes de trabalho, sendo apenas um com afastamento do serviço: um operário caiu numa base e fraturou o esterno, segundo o engenheiro José Vilas Boas Filho, responsável pela segurança da obra.
    Um balanço da construção feito no sábado, durante uma visita promovida pela prefeitura, registrou mais de quarenta bases estaqueadas, 28 bases concretadas e 80% das estradas de serviço prontas. Ou, seja, a parte dos espanhóis na obra está aparentemente dentro do prazo. Além disso, a linha de transmissão está pronta para entrar em teste, mas falta concluir a subestação de energia dentro do parque. No canteiro da obra ninguém abre o jogo, mas está na cara: quem ainda está muito lerdo – e não apenas por causa do vento que atrapalha o trabalho dos guindastes — são os alemães responsáveis pela montagem das 75 torres com seus respectivos geradores. Nos últimos dias, porém, eles começaram a correr para acompanhar os parceiros num cumprimento do prazo final – dezembro de 2006.
    No sábado ao meio-dia, houve um congestionamento na Estrada do Retiro, que dá acesso ao  canteiro de obras. O trânsito foi parado momentaneamente por um batedor. Logo depois, levantando poeira, chegou a carreta transportando um superguindaste Liebherr — novo. Era o reforço que faltava para a Wobben Windpower tentar tirar o atraso na montagem das torres. Nos próximos dias, haverá dois guindastes gigantes em serviço no parque eólico.

  • Demissão de professor grevista gera polêmica


    Professores do Rio Branco na manifestação de quinta-feira, (09/03), antes de o colégio decidir fechar as portas
    (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Mais um capítulo da greve dos professores da rede de ensino estadual ocorreu nesta sexta-feira, em Porto Alegre. Pela manhã, um professor grevista que tinha contrato temporário foi demitido. Ele acredita ter sido vítima de uma guerra política, entre o sindicato dos professores e o governo. A Secretaria de Educação afirma que seu contrato era instável, e que ele deveria estar trabalhando.

    “Me demitiram porque sou grevista”, afirma Rafael Claros, que até esta sexta-feira, (10/03), pela manhã, era professor de história na Escola Estadual Rio Branco. Ele faz parte do comando de greve do Cpers/Sindicato, e era um dos principais mobilizadores da sua escola.

    Rafael acredita que a sua demissão foi estratégica para servir como exemplo aos outros grevistas. “Houve a mobilização de vários professores no Rio Branco, mas a direção é conivente com o governo”, afirma. Cerca de 30% dos educadores do colégio estavam parados, e hoje a direção decidiu suspender as aulas.

    Indignado, ele pretende entrar na justiça, e está sendo assessorado pelo Cpers. “Foi uma demissão política. Os grevistas não podem ser ameaçados. Afinal, não vivemos num país democrático?” questiona.

    Rafael foi chamado na Primeira CRE (Cordenadoria Regional de Educação) depois que a diretora do Rio Branco, Janie Rangel, entregou à Secretaria de Educação uma lista com os nomes dos professores contratados que não estavam em sala de aula. “Era um contrato emergencial, se ele não saísse agora, sairia de qualquer jeito”, justifica Janie.

    Ela explica que desde janeiro a escola está substituindo os professores contratados, que se inscreveram na secretaria para trabalhar como substitutos temporários. Quem entra no lugar são os nomeados, que realizaram concurso público. “Esta foi, inclusive, uma medida solicitada pelo Cpers no inicio do ano”.

    A assessoria de imprensa da Secretaria de Educação divulgou que enquanto a escola estiver aberta, os professores contratados têm que trabalhar. Portanto, eles só podem parar quando forem impossibilitados de entrar na instituição. Este seria um dos motivos da demissão de Rafael.


    A presidente do Cpers, Simone Goldschmidt, acredita que a demissão mostra a força da greve

    O Cpers promoveu uma coletiva para divulgar o caso. A presidente do sindicato, Simone Goldschmidt, afirmou que esta ação mostra a força do movimento. “Se a mobilização fosse insignificante como estão dizendo, eles não estariam tão preocupados”, diz.

    A primeira semana da greve

    A greve do magistério já dura oito dias, e até agora não conseguiu mobilizar o governo como os grevistas desejavam. O Estado já disse que a reivindicação por 28% de reajuste e mais 8,69% de aumento concedido a outras categorias de servidores não será atendida por enquanto.

    Na quarta-feira, (08/03), O secretário de Educação, José Fortunati, confirmou o posicionamento do governo de que o aumento para os profissionais da educação será concedido somente em maio.


    Fortunati: Aumnento só em maio (Foto: Divulgação/JÁ)

    “Não podemos ser irresponsáveis e correr o risco de o Tesouro Estadual não conseguir pagar em dia a folha dos trabalhadores da educação, o que já representa 88,5% do orçamento da pasta”, afirma. Enquanto isso, os técnicos da Secretaria da Fazenda estão avaliando o comportamento da economia gaúcha nos meses de março e abril.

    Para o Cpers, tem mais de 85 % dos professores em greve no Rio Grande do Sul. A Escola Estadual Rio Branco, que tradicionalmente não pára as suas atividades durante as greves, hoje resolveu suspender as aulas completamente a partir da 5ª série. Segundo a diretora, os alunos estavam sendo prejudicados, porque pagavam passagem até a escola para assistir a poucos períodos de aula.

    A Secretaria de Educação, no entanto, divulgou nesta sexta-feira, (10/03), que 80% das escolas estão funcionando normalmente e parcialmente. Segundo este levantamento, de 2834 escolas, apenas 518 teriam parado por completo suas atividades.

  • Manifestantes pedem respostas ao governo estadual

    Manifestantes do Movimento de Luta contra o Pedágio na frente do Piratini (Foto: Helen Lopes/JÁ)

    Helen Lopes e Carla Ruas

    Dois protestos se encontraram por acaso na tarde desta quinta-feira, (9/03), em frente ao Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. Os manifestantes do Movimento de Luta contra o Pedágio da RS 40 se juntaram aos mais de três mil professores grevistas do ensino público estadual. Apesar de terem reivindicações diferentes, unidos gritaram palavras de ordem contra o governo Rigotto. “Rigotto a culpa é tua. Trabalhador na rua”, repetiam os manifestantes.

    O grupo do magistério, composto por professores, funcionários, estudantes secundaristas e até universitários, pretendia mostrar ao Governo do Estado que está mobilizado e tem a adesão da maioria dos professores. “Queremos mostrar a força do nosso movimento, que tem o apoio da sociedade. As pessoas entendem que a educação é prioridade”, afirmou a presidente do Cpers, Simone Goldshmidt.

    Os professores reivindicam 28% de reajuste imediato, mas o governo diz que só poderá conversar sobre aumento em maio, quando sair o relatório das contas do Estado. Enquanto o magistério estiver em greve, o governador em exercício, Antônio Hohlfeldt, garante que não haverá negociações.

    Presidente do Cpers, Simone Goldshmidt, espera contato do governo para abrir as negociações (Foto: Carla Ruas/JÁ)

    De acordo com a presidente do Cpers, não havia a intenção de pedir uma reunião no Palácio. “Vamos esperar o contato do governo para abrir as negociações. Está faltando debate no governo que foi eleito com a promessa de diálogo”, disse.

    Entre uma fala e outra, vaias e as palavras de ordem criticavam o governador Germano Rigotto. Os manifestantes acusam o governador de estar pensando somente na possível candidatura à presidência da República e negligenciando as questões do Estado. “Rigotto incompetente. Quem disse que vai ser presidente?”, cantavam os professores.

    Os professores se concentraram por volta das 14 horas em frente ao Cpers/Sindicato, na Avenida Alberto Bins. De lá, caminharam até a Praça da Matriz pelas Avenidas Salgado Filho e Borges de Medeiros. A passeata causou interrupções no trânsito e chamou a atenção de quem estava no centro da cidade. Em um momento curioso, os manifestantes sentaram no chão, ocupando metade da Avenida Salgado Filho.

    Sem respostas

    A presença da grande quantidade de professores deu força a um outro movimento: o dos moradores de Viamão. Eles foram pedir decisões do governo estadual sobre o impasse da praça de pedágio que divide a cidade. Cerca de 150 viamonenses chegaram em carreata na Praça da Matriz, por volta das 15h30min. Ao todo eram três ônibus, fretados pelos manifestantes, e mais cerva de 20 carros particulares.

    Luiz Carlos Gutierrez Nunes, integrante do Movimento de Luta contra o Pedágio, acredita que os dois grupos se completam. “Afinal, os professores ganham mal e ainda têm que pagar pedágio”, brincou.

    Os representantes do Movimento, juntamente com o prefeito de Viamão, Alex Boscaini, foram recebidos pelo chefe da Casa Civil, Pedro Bisch Neto. Na ocasião, entregaram uma carta pedindo solução para o caso. Depois de quase uma hora de reunião, Boscaini informou que o chefe da Casa Civil deve marcar uma reunião com o secretário dos Transportes na próxima terça-feira (14/03).

    Chefe da Casa Civil ficou irritado

    Segundo uma fonte que participou do encontro, a reunião transcorria tranqüilamente, quando os integrantes do Movimento de Luta contra o Pedágio falaram que “ações mais incisivas serão tomadas caso não haja solução em 15 dias”, conforme o documento que foi entregue pede. Neste momento, o chefe da Casa Civil teria ficado irritado, encerrando a reunião.

    Entre as ações que podem ser tomadas pelos manifestantes, após o prazo, está um acampamento na rodovia. “Se o governo não tomar providências existe a possibilidade de acampamento, sim”, garantiu Carlos Augusto Lopes, integrante do Movimento. De acordo com ele, ainda não está decidido se durante esse período haverá protestos na RS – 040.

  • Bares e restaurantes investem na qualificação

    A Abrasel lançou em Porto Alegre o programa Qualidade na Mesa (Foto: Arquivo/JÁ)

    Carla Ruas

    O setor que concentra bares, restaurantes, padarias e fast foods já representa 2,4 % do PIB nacional, e em 25 anos esperam abocanhar 40% do orçamento familiar da população.

    Em um encontro realizado na quarta-feira, (08/03), no restaurante Peppo em Porto Alegre, a diretoria da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) apresentou os planos para atingir esta meta, através da qualificação e profissionalização da gastronomia nacional.

    “Temos que valorizar a nossa cozinha internamente para depois mostrá-la ao resto do mundo. Por isso vamos promover cursos de atendimento, higiene, administração e responsabilidade social”, afirma o presidente do Conselho de Administração Nacional da Abrasel, Paulo Samucci.

    O presidente apresentou, em conjunto com seus diretores executivos, dois programas para o incentivo deste setor alimentício, que terão o custo de R$ 20 milhões. O preço é dividido entre os parceiros da iniciativa. O Ministério do Turismo contribui com R$12 milhões,  Sebrae com R$5 milhões e o restante a Abrasel assume.

    O Qualidade na Mesa é um programa que tem como objetivo promover cursos e ações em empresas do setor de alimentação fora do lar nos quatro cantos do país. Os donos de restaurantes e funcionários podem aprender através da educação à distância, da instrução de multiplicadores ou seguindo um Código de Conduta, que será criado pela associação.

    Entre os temas abordados está a “Boa Prática” durante a preparação de alimentos. Os trabalhadores do ramo alimentício serão instruídos em manter um alto padrão de segurança nos alimentos servidos, com procedimentos de higiene pessoal, sanitização de superfícies e prevenção contra as contaminações.

    Os empresários também visam o crescimento através da valorização da culinária nacional como um diferencial do turismo. O setor de bares e restaurantes já representa 40% do PIB do turismo. “É uma relação que tem muito potencial. O turismo sobrevive sem hotéis, aviões e agências de viagens, mas nunca sem gastronomia”, afirma Samucci.

    Por isso, o outro programa tem como enfoque transformar a culinária em atrativo para turistas, internos e externos. “Queremos valorizar a nossa cozinha, que é tão rica e variada. Temos pratos que já são ícones, como a feijoada, o acarajé e o churrasco”.

    O Brasil Sabor é um festival gastronômico que irá envolver aproximadamente dois mil estabelecimentos em mais de 20 capitais no país. O evento ocorre na segunda quinzena de março e dura um mês, quando cada estabelecimento credenciado cria um prato exclusivo com preço especial.

  • O contemporâneo em questão no Margs

    Letícia quer despertar no espectador a análise individual, a partir das angústias coletivas (Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)

    Naira Hofmeister

    “Estamos cada vez mais participantes do mundo, com a globalização, mas, ao mesmo tempo, nos sentimos cada vez mais sós”. A mineira Letícia Márquez abre o calendário de exposições das Salas Negras do Museu de Arte Ado Malagolli (Margs), na Praça da Alfândega, em Porto Alegre, com reflexões sobre a vida contemporânea, as transformações do individuo e suas angústias.

    Em Cheung, na representação de uma figura feminina, o semblante é passível das mais variadas interpretações: “Pode ser dor física, espiritual, gozo, dúvida”, explica a artista. Letícia também acredita que a estrutura que representa os seios e o cabelo também e ambígua: “Esses cabelos que vão, numa única peça, até o chão, podem ser vistos como uma urna mortuária, por exemplo”.

    A instalação traz os questionamentos sobre a mulher, “aquela que sempre se molda aos desejos dos outros”, segundo a artista. Por isso também a variação interpretativa a que se propõem: “A mulher é a transformação em si”, acredita.

    A segunda  instalação, Andor, reflete o fanatismo religioso tão presente na moderna sociedade. “Para mim, o profano e o sagrado estão intrinsecamente ligados, ao contrário do que crê a maioria das pessoas”. O próprio nome da escultura remete a um utensílio utilizado para carregar obras sacras, explica a artista.

    Circundadas pelo negro das paredes e do chão, as duas instalações da artista recebem iluminação especial, com feixes de luz que destacam detalhes dos rostos em gesso e sobressaem-se como fantasmas. A alegoria sobrenatural revela mais uma vez a intenção de Letícia de mostrar o homem penando no mundo de espectros reais.

    O contraste entre o claro e o escuro está presente também na escolha dos materiais, o peso do ferro retorcido – nas estruturas de sustento de ambas as obras – versus a leveza do gesso, onde se esculpem as caras.

    A intenção da artista é despertar no espectador a análise interna, individual, a partir das angústias coletivas. “Procuro materializar essa subjetividade”, diz. Para ela, é exagerada a crença no cientificismo como solução do mundo. Problematizando a razão e os sentidos, ela busca estimular “o olhar sensível, necessariamente humanizado”.

    A mostra Pena–Ação fica exposta até dia 9 de abril, de terças a domingos, das 10h às 19h, nas Salas negras do Margs. Nessa quarta-feira (8), às 17h, Letícia Márquez participa de um bate-papo com o público, no Auditório do Margs, com entrada franca.

  • Maiojama obtém vitória no caso Loteamento Ipanema

    Decisão do Tribunal de Justiça foi por três votos a dois (Tânia Meinerz/JÁ)

    Guilherme Kolling

    A Maiojama, braço da construção civil do Grupo RBS, obteve mais uma vitória no caso Loteamento Ipanema na tarde desta sexta-feira, 3 de março. Os desembargadores do 1º Grupo Cível do Tribunal de Justiça decidiram, por três votos a dois, que a empresa poderá construir na área, até cinco metros de distância do Arroio Espírito Santo. Decisão anterior estabelecia um recuo mínimo de 15 metros do leito do arroio.

    O local está inserido nos 12 hectares do projeto imobiliário da empresa para a Zona Sul de Porto Alegre. A proposta é urbanizar o local com ruas, 16 prédios de 10 andares, casas e lojas. O Ministério Público briga há cinco anos para impedir o empreendimento, sustentando que o lugar abriga um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica da cidade.

    Acionado por ambientalistas, o MP entrou com uma ação civil pública em 6 de abril de 2000, para evitar a obra. Perdeu em outubro de 2003, quando o juiz de Direito Ricardo Pippi Schmitz liberou o projeto, com a ressalva de que deveriam ser preservados 15 metros em cada lado das margens do Arroio Espírito Santo.

    Em novembro de 2004, nova derrota do MP – desta vez, três desembargadores aprovaram a obra, e liberaram a construção até 5 metros do arroio. Como esta última decisão foi por 2 votos a 1, a Promotoria de Meio Ambiente recorreu mais uma vez, apenas para esgotar a questão em nível local. E venceu. No dia 5 de agosto, o Tribunal de Justiça deu ganho de causa ao MP, por três votos a dois, ao apontar a necessidade de um espaço de 15 metros entre as margens do Arroio Espírito Santo e a área edificada do empreendimento.

    Os advogados da Maiojama não se deram por vencidos e recorreram mais uma vez. Utilizando como argumento a lei federal 10.932, de 2004, conseguiram reverter a decisão do Tribunal. O Ministério Público deve recorrer novamente, apenas para esgotar a questão em nível local.

    Vencida esta etapa, a idéia é entrar com pedido na Procuradoria de Recursos do Ministério Público, encaminhando o processo para análise do Superior Tribunal de Justiça. A proposta da promotora Ana Maria Marchesan, que está tratando do caso, é recorrer às instâncias superiores em Brasília, para tratar da questão principal, que é a construção ou não do projeto. Será a última chance de preservar a área, que fica na avenida Guaíba, 12.100, ao lado do Clube do Professor Gaúcho.

    Projeto tramita desde 1992

    A discussão sobre o Loteamento Ipanema é antiga. O empreendimento tramita no poder público desde 1992, quando a SMOV aprovou o loteamento. Desde então, o projeto já foi mudado três vezes, até chegar no formato atual. Foi se adaptando às exigências do poder público.

    Mesmo assim, não passou pelo crivo de ecologistas, que elencam uma série de irregularidades. A começar pelo corte de Mata Atlântica. Carla Regina Volkart, que coordenava a ONG União pela Vida e integrava o Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comam) em 2000, denunciou o caso ao Ministério Público.

    A Promotoria de Meio Ambiente instaurou inquérito para investigar os fatos e constatou que a obra trará uma série de prejuízos ao ambiente natural, mesmo com as adaptações que sofreu. O MP sustenta que a área é de preservação permanente, pois abriga Mata Atlântica, fauna (gambá, bugio, entre outros) e o Arroio Espírito Santo.

    Entre as irregularidades observadas pelo MP, além da degradação do meio ambiente, estão a falta de EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental) e o fato de o assunto não ter passado pela Câmara Municipal, além de não ter atendido aos questionamentos da Câmara Técnica do Comam que analisou o projeto, e não obteve respostas do poder público.

    O Comam teria que aprovar a obra, o que não foi feito. Outra queixa é a falta de publicidade, isto é, comunicação à população do que está previsto para o local, já que a audiência pública foi em janeiro (de 2000), mês de férias em Porto Alegre.
    O Conselho do Meio Ambiente analisou o projeto no final de 1999, destacando que o local abriga Mata Atlântica, além de 34 figueiras (algumas centenárias) e 46 corticeiras, protegidas pelo Código Florestal Estadual. O projeto prevê o transplante de exemplares.

    A conclusão é que o empreendimento traria perdas irreparáveis à mata e ecossistemas associados – banhado, nascente e arroio, que seria canalizado. Por isso, o MP pede a suspensão da licença ambiental e a proibição da autorização da obra, pelo menos até o julgamento final, ou após apresentação de projeto compatível com elementos de preservação, precedido de EIA/RIMA.

    Mais de 4 mil árvores por hectare

    O Relatório de Impacto Ambiental (RIA) do empreendimento apontou uma média de 4.288 árvores por hectare. Esse é um dos argumentos do Ministério Público para evitar a obra. O MP aponta ainda que a área é uma das poucas em que o verde se faz presente de forma natural naquela região de Porto Alegre.

    O local tem “significativa mata nativa intacta, com grande número de espécies frutíferas, atrativas para avifauna, além de espécies arbóreas ameaçadas de extinção. Influencia na qualidade do ar da Zona Sul, serve de abrigo para espécies da fauna e tem grande valor paisagístico”, aponta a Promotoria de Meio Ambiente, baseada em farta documentação – o processo tem mais de duas mil páginas.

    O principal argumento é que a área está entre os remanescentes florestais da Mata Atlântica, integrando a Reserva da Biosfera. Parecer técnico do biólogo Paulo Brack, do Instituto de Biociências da UFRGS, aponta que o local é abrigo de espécies da flora ameaçadas de extinção. Exemplos são dois exemplares de a canela-preta (Ocotea catharinensis) e de coronilha (Syderoxylum obtusifolium), além de outras espécies raras.

    Pela Lei Orgânica do Município, áreas com exemplares raros, que servem de abrigo para aves, ou que têm função de proteção de manancial, devem ser de proteção permanente. Conforme Brack, além da Mata Atlântica e do arroio Espírito Santo, outro motivo é o excepcional valor paisagístico do local. Sem falar no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental, também citado na argumentação do Ministério Público. A lei prevê áreas especiais de interesse natural, que ainda não foram delimitadas pela Prefeitura.

    A Promotoria de Meio Ambiente considera que o poder público não poderia ter licenciado o empreendimento da forma que foi feito. Houve omissão, “permitindo degradação do meio ambiente, sempre em nome do ‘progresso’ e da ocupação do solo no meio urbano”.

    Smam considera área frágil

    O parecer dos técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente que analisaram o Loteamento Ipanema, em 1999, aponta um significativo impacto numa “área que é bastante frágil, devendo atender apenas ao mínimo de ocupação”. A Smam reconheceu a necessidade de um EIA/RIMA, apesar de só ter recebido um RIA, estudo menos detalhado.

    Os técnicos questionaram a altura das edificações, bens ambientais e manchas verdes que seriam perdidos e até a canalização, apoiada pelo DEP (Departamento de Esgotos Pluviais). Os funcionários da Smam contra-argumentaram, citando até a política do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que financia o Pró-Guaíba, e o programa Guaíba Vive.

    O Ministério Público, por sua vez, volta a carga quando trata do RIA, que não aprofunda o estudo de tráfego – o Loteamento prevê 3.300 moradores – principalmente na estreita avenida Wenceslau Escobar.

    Advogado da Maiojama fala em “radicalismo xiita”

    Os advogados contratados pela Maiojama para tratar do caso Loteamento Ipanema já obtiveram três vitórias na Justiça. Eles dizem que a empresa tem sim preocupações ecológicas, mas não concordam com o “radicalismo xiita” do Ministério Público, alegando que esse critério inviabilizaria obras como o Parque da Harmonia ou o Parque Marinha do Brasil. “O MP confunde os fatos, há uma total improcedência na denúncia”, dizem os advogados.

    A principal diferença de ponto de vista entre as partes é com relação à Mata Atlântica. No entender do escritório Carneiro e Alencar Advogados Associados, “a área do Loteamento Ipanema não está inserida no domínio da Mata Atlântica”. Para sustentar a afirmação, usa o documento “Mata Atlântica no Rio Grande do Sul, Tombamento e Reserva da Biosfera”, publicado pela Fepam, em 1998.

    Eles afirmam ainda que a fauna no local é limitada, e que as espécies importantes serão mantidas ou transplantadas. Sobre a canalização do arroio, apontam que já foi feita no resto do leito e que o DEP defende a finalização desta obra. “São utópicas as afirmativas de que aquela área é um santuário ecológico”, conclui a banca.

    Outro argumento é a demora na aprovação do projeto. A Maiojama tenta instalar o Loteamento há mais de 10 anos – o investimento previsto é de R$ 24,5 milhões. “É uma verdadeira via crucis. Não se discute ecologia, mas sim o bom senso”.

    A história da Maiojama com o Loteamento Ipanema é antiga. Em 1981, quando o nome da empresa ainda era RBS empreendimentos imobiliários, foi feita a compra do terreno, na época, por Cr$ 48.500.000,00.

    Pelo projeto final, o Loteamento Ipanema vai ocupar 29,4% dos 12 hectares com área edificada. O resto se divide em ruas, que serão prolongadas ou abertas, área de ajardinamento e praça, além de um parque, com 28,9% do terreno. “Aquela área está abandonada, servindo de depósito de lixo e sofrendo de ameaça de invasão. Se não for urbanizada, terá como destino ser mais uma favela”, prevêem os advogados da Maiojama.

  • Inaugurada oficialmente obra na Irmão José Otão

    Fogaça exaltou o ensino marista e o líder da igreja Irmão Jose Otão, que da nome à rua rebaixada (Fotos Naira Hofmeister)

    Naira Hofmeister
    Após dois meses de alterações no tráfego local, o rebaixamento da rua Irmão José Otão foi concluído. Desde a semana passada já estava liberada para a circulação local, porém, apenas no sábado, com a limpeza e pintura, a via foi aberta à passagem ininterrupta de carros.
    Na manhã dessa terça-feira (7), o prefeito José Fogaça e outras autoridades estiveram no local para entrega oficial da obra à comunidade. O prefeito lembrou de seu tempo de rosariense, “na longínqua década de 60” e exaltou o Irmão José Otão: “Esse nome tem uma simbologia rica e está associado à idéia de educação, de desenvolvimento ético e moral da juventude, à idéia de liberdade, de empreendimento, de realização e, portanto, a de um grande construtor de futuro”, disse.
    A obra durou dois meses e custou cerca de um milhão de reais para a mantenedora da instituição. O rebaixamento foi o primeiro passo para desafogar o trânsito local nos horários de entrada e saída dos alunos, problema que há anos acaba com a paciência de quem utiliza a via para acessar o centro ou o túnel da Conceição.

    Engarrafamentos são problema histórico no local

    O rebaixamento é necessário para alinhar o terreno da rua com um campo de areia em frente ao colégio, onde os alunos exerciam atividades de educação física. O projeto da escola para resolver os transtornos de circulação é construir um prédio com estacionamento rotativo e área de espera para os pais. Segundo o Irmão Firmino, diretor do Rosário, a previsão e de que a nova obra inicie já no próximo semestre, e seu custo deve ser de “mais de 12 milhões de reais”.
    Há controvérsias na comunidade quanto aos benefícios da nova construção. Uma moradora da rua Barros Cassal move ação na Fazenda Pública solicitando o embargo da obra. Maria Regina argumenta que a edificação irá atrapalhar a ventilação e iluminação de seu apartamento pois as paredes da construção devem chegar a cinco andares. Também existem resistências quanto à fixação do prédio no solo.
    A empresa de arquitetura contratada pelos maristas planejava fazer a fundação do edifício através de tirantes, mas em alguns pontos, terá que utilizar cortinas pois alguns moradores não autorizaram a perfuração de seu terreno. “As cortinas são mais caras pois necessitam de suporte externo, enquanto os tirantes se fixam embaixo do solo dos vizinhos”, explica Irmão Firmino.

    Moradores de predios vizinhos reclamam da futura obra

    Fogaça, que acompanha a disputa entre moradores e o colégio, ponderou que a obra só será autorizada se “cumprir as leis ambientais do município”. Representantes da Sommer Arquitetura e do próprio Colégio Rosário, garantem que tudo está projetado de acordo com a regulamentação exigida: “Nós iremos perder muitos metros quadrados de prédio, pois o recuo permitido pelo Plano Diretor era de 3m, porém, atendendo à exigências da comunidade, o prédio ficará 5m distante dos muros vizinhos”, lembrou Irmão Firmino.

  • Cachorrada, das grandes


    A banda, nas ruas do Bom Fim, com vontade de ganhar o mundo, mas sem perder sua característica
    (Fotos: Àrfio Mazzei/JÁ)

    Naira Hofmeister

    Que o Bom Fim sempre foi sinônimo de boêmia, e, portanto, símbolo da inovação artística porto-alegrense, todo mundo sabe. A novidade é que agora o bairro “exporta” talentos aqui constituídos, rumo ao mercado pop nacional. É o caso da banda Cachorro Grande, formada nos bares, que agora invade as rádios com o som que conserva características do underground que os formou.

    Liderados pelo vocalista Beto Bruno, os cinco rapazes moram em São Paulo desde o final de 2004, para manterem-se mais próximos da gravadora (Deck Discos, a mesma da baiana Pitty) e no centro da indústria fonográfica nacional.

    A agenda lotada de shows foi conquistada com muito suor, dizem eles: “A gente nunca fez outra coisa, lutamos para sobreviver disso”, conta Beto.  Nos bares, a motivação para tocar: “Ali encontrávamos a galera, sempre ficávamos falando e fazendo música”, lembra o guitarrista Marcelo Gross.

    Mas a intenção nunca foi se restringir ao mercado underground local e essa é a sua principal crítica: “As bandas da época não tinham essa visão, tocavam por bebida, sem equipamento adequado, fazendo a própria divulgação. Assim, acabavam desvalorizando toda a classe musical”, afirma Beto.

    Talvez tenha sido esse o segredo. Os guris da Cachorro Grande contam que um belo dia, resolveram exigir respeito ao trabalho deles: “Passamos um ano tocando no underground de Porto Alegre, vendo tudo isso, e ficávamos com muita raiva”.

    Com vontade de ganhar o mundo, mas sem perder a característica sonora que lhes agrada. O primeiro CD foi independente, e vendeu. A gaúcha Orbeat Music, que empresaria bandas famosas do sul chegou a oferecer contrato. “Mas na pré-produção do CD, eles vieram dizer que nossas músicas eram pouco radiofônicas, então, recusamos a proposta”. A atitude lhes rendeu prestígio ainda maior entre os fãs, que não deixam a banda “se render” às exigências mercadológicas: “Nunca fizemos concessão, continuamos sendo os chinelões do início”, brinca Pedro Pelotas, o tecladista.

    Mesmo assim, depois de cinco anos na estrada, o sucesso nacional veio com o Acústico MTV Bandas Gaúchas, que reuniu outros três expoentes do Rio Grande do Sul – Vander Vildner, Bidê ou Balde e Comunidade Nin Jitsu. Bandas gaúchas, não bandas de Rock Gaúcho:“O rock é universal, e essa história do movimento gaúcho acaba colocando tudo no mesmo saco… não dá pra misturar Replicantes com TNT”.

    Para além das convicções, a personalidade da banda está explícita nas roupas, inspiradas nos anos 60. Na entrevista, em pleno janeiro de trinta graus, eles usavam calças pretas e botinas. E por baixo das jaquetas, influências de bandas que participaram da gênese do movimento roqueiro mundial: The Beatles, Kinks e Rolling Stones, que os inspiram até hoje: “Queremos ser como eles, tocar pro resto da vida”, diz o baixista Rodolfo Krieguer, que entrou para trupe há menos de um ano. É claro que eles estão de mala (e cuia) pronta para o show de Buenos Aires, que acontece nos dias 23 e 24 de fevereiro.

    Antes, porém farão seu primeiro show “internacional”: Tocam em Passo de Los Libres, “a parte Argentina de Foz do Iguaçu”, brincam. Mas o que eles querem mesmo, segundo o baterista Gabriel Azambuja, é “voltar para a Cantareira”, frase eternizada pelo Mutante Arnaldo Baptista.

    O Bom Fim não é mais o mesmo

    Crias de um movimento experimental onde o convívio e a troca de experiências era essencial, os rapazes afiam a língua para dizer que o bairro já não supre necessidades artísticas.

    “Antes era mais cultural. Tomar uma ceva no João, depois pegar um cinema no Baltimore. Agora vive uma decadência”, lembra Marcelo. Beto vai mais longe: “O Bom Fim foi podado pela Associação, acabaram os lugares clássicos, que agora estão na Cidade Baixa”.

    Eles sentem possessão no bairro: “Tem gente que nunca foi nossa amiga e hoje acha que é nosso dono”, critica Beto. A afirmação se refere à adoção de São Paulo como base da banda, e da agenda, que inclui outros estados nos shows.

    A Cachorro Grande promete nunca esquecer as  cidades do sul. “O interior do estado tem ótimas casas de shows”, diz Marcelo. Em Porto Alegre, eles tocam em março no Opinião, por exemplo.
    Mas o Bom Fim, apesar de não ser mais o centro da contra-cultura continua vivo na memória dos cinco guris. “Ainda vamos convidar o Lobão para tomar uma cerveja na ‘Lancheria’ com a gente.”

  • Impasse na greve dos professores


    Fortunati: “Não temos o que negociar”
    (Foto: Divulgação/JÁ)

    Carla Ruas

    Na primeira semana de greve do magistério no Rio Grande do Sul, não há sinais de que o impasse possa ser resolvido logo. O governo do estado diz que não negocia enquanto os professores permanecerem parados e está irredutível quanto à apresentação de um índice de reajuste salarial somente em maio. Enquanto isso, o Cpers/Sindicato busca cada vez mais a adesão da categoria no movimento.

    O governador em exercício, Antônio Hohlfeldt, passou o fim-de-semana  longe dos problemas acadêmicos enquanto cumpria agenda no interior do Estado. Mas comunicou por telefone ao secretário da Educação José Fortunati a sua decisão de não negociar com os grevistas enquanto eles não retomarem as aulas. Nesta segunda-feira, (06/03), Fortunati afirmou que “a ordem do governador permanece”.

    De qualquer maneira, o governo não tem a intenção de procurar o sindicato para conversar. “Nós já atendemos a maioria das reivindicações solicitadas pela categoria em janeiro. A questão do salário depende das contas do estado, que saberemos somente em maio”, diz o secretário. Ele explica que o prazo é necessário para que os técnicos da Secretaria Estadual da Fazenda possam avaliar o desenvolvimento da economia gaúcha nos primeiros meses deste ano.

    A presidente do Cpers, Simone Goldschmidt, condenou a iniciativa do Estado de fechar as negociações: “Isso é uma forma de pressionar, intimidar o movimento, o que mostra claramente que a nossa greve é forte”, disse.

    Para esta semana, a intenção dos grevistas é continuar visitando escolas em busca de um maior índice de adesão na paralisação iniciada na sexta-feira, (03/03). Além disso, o Cpers/Sindicato planeja um ato público na frente do Palácio Piratini na quinta-feira, (09/03), às 14 horas, com o objetivo de mobilizar os professores e pressionar o governo.

    A guerra dos índices

    Os índices de adesão à greve, divulgados pelo sindicato e pelo governo, permanecem contraditórios. O Cpers comunicou nesta segunda-feira, (06/03), um levantamento preliminar que indica a paralisação de 75% das escolas públicas no estado. Em Porto Alegre, 46 destas instituições estariam fechadas completamente.

    A Secretaria de Educação discorda, dizendo que a grande maioria das escolas continua com suas atividades normais. O levantamento, realizado pelas Coordenadorias Regionais de Educação (CREs), mostra que 85,10% estão funcionando, sendo 2.097 totalmente e 292 parcialmente.

    O secretário avaliou como positivos os números deste relatório, mas lamentou que pelo menos 15% das escolas estaduais estão fechadas. “O levantamento demonstra que os professores gaúchos compreenderam a situação do Estado e que, em respeito aos 1,45 milhão de alunos da rede estadual, irão aguardar em sala de aula o reajuste que será apresentado pelo governo em maio”, explicou.

  • Adesão à greve dos professores é incerta


    O colégio Julinho mantém suas portas fechadas desde sexta-feira (3/3)
    (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Durante o primeiro dia de paralisação da rede de ensino estadual, não houve um consenso quanto ao número de escolas fechadas no estado. A Secretaria de Educação divulgou no final da tarde que 89,80% das instituições funcionaram normalmente nesta sexta-feira (03/03). O sindicato dos professores discorda da informação, afirmando que esta é uma tentativa do governo de desmoralizar o movimento.

    O levantamento preliminar, realizado pelas Coordenadorias Regionais de Educação, consultou 2804 escolas em 30 municípios gaúchos. Apenas 286 teriam paralisado totalmente, e 214 teriam tido aulas parciais.

    Para o secretário José Fortunati, a categoria não aderiu à greve em função da consciência dos prejuízos causados por uma paralisação do magistério. “Os professores e servidores de nossas escolas estão mostrando que é possível lutar por suas reivindicações, sem prejudicar o restante da comunidade escolar”.

    A presidente do Cpers/Sindicato, Márcia Goldschimdt, contesta os dados obtidos pelo governo, afirmando que muitas escolas ficaram abertas, mas não tiveram aulas. “Foi um dia de reuniões entre professores, pais e funcionários. Muitos colégios resolveram hoje que vão parar a partir de segunda-feira”.

    O Cpers/Sindicato compra a briga com o governo do Estado. “Começou a guerra pelos índices de adesão à greve. Esta é apenas uma tentativa do estado de desmoralizar o movimento”.

    Na capital, segundo as informações da Secretaria de Educação, 214 escolas funcionaram normalmente. A reportagem do JÁ visitou três escolas: o Colégio Júlio de Castilhos está fechado com cadeado desde ontem. O Colégio Rio Branco funcionou normalmente, enquanto o Instituto de Educação teve aula até a metade da manhã, quando os professores se reuniram e optaram pela paralisação.


    Estudante encontrou as portas fechadas

    Carol Oliveira, estudante do 1° ano do ensino médio do Julinho, foi até o colégio no final da tarde pedindo informações, mas encontrou a secretaria fechada. “Sabia que não iria ter aula, mas achei que a escola estaria aberta”, disse. Ela entende a luta dos professores, mas acredita que poderia ser realizada de outra forma. “Os profesores poderiam ter protestado nas férias, para que os alunos não fossem prejudicados”.

    O secretário da Educação, José Fortunati, reforçou na manhã desta sexta-feira a disposição do Governo do Estado em continuar a negociação da pauta de reivindicações. Mas explicou que a questão salarial não será atendida neste momento. “Aguardamos o levantamento e as projeções que estão sendo realizadas pela Secretaria Estadual da Fazenda, que permitirão ao governo, em maio, apresentar uma proposta responsável à categoria”.

    Fortunati reiterou, ainda, seu pedido aos pais para que continuem levando os filhos às escolas. “Nossas instituições de ensino continuarão abertas para receber os estudantes e os professores que não optarem pela paralisação “, enfatizou. As aulas perdidas devem ser recuperadas após o dia 02 de janeiro de 2007.

    Leia mais sobre a greve