Autor: Elmar Bones

  • A Missão do Leigo e da Igreja

    Christian Lavich Goldschmidt*

    O leigo precisa ter consciência, cada vez mais, que desempenha um papel fundamental na luta pela manutenção da saúde da igreja. Conscientizando-se da realidade dos problemas vividos nos bairros e comunidades, o leigo faz a sua teologia, embora deva agir em comunhão e corresponsabilidade com a igreja-mãe.

    Portanto, o leigo deve ser, com todo orgulho, “o tronco da árvore” – Isto é, aquele que liga a raiz aos galhos, pois quem vê na árvore somente teólogos profissionais, vê apenas os galhos das árvores e não vê nem o tronco, que é a reflexão e o trabalho de ligação dos pastores e demais agentes, nem a raiz, composta pelo povo que se oculta na profundidade silenciosa da terra e que sustenta a árvore toda.

    Como leigos, sentimo-nos agradecidos com este grande evento Ecumênico que aconteceu em nossa cidade. Que isto realmente proporcione novos ares e nova vida às lideranças espiritualistas. Que nós tenhamos a consciência que a igreja não é uma simples instituição que se preocupa com sistemas jurisdicistas, legalistas e materialistas, mas é algo que nos leva a buscar na ação e na fé, resgatar os valores da vida em todos os sentidos.

    Que igrejas não se prendam a paradigmas que nos deixam cegos frente a mudanças necessárias. Que não se fomente uma religião que nos faça acreditar numa interpretação mágica da bíblia para compensar a desumanização crescente da sociedade. Igreja verdadeira e coerente representa mais do que apontar para uma possível solução, é dar-nos as mãos num intenso trabalho de transformação conjunta, levando até a base da sociedade a reeducação política, social, cultural, econômica e religiosa. Daí sim, na certeza de estarmos fazendo a nossa parte, tomaremos o discernimento  que nos levará ao êxito.

    Buscamos uma igreja que não esteja a serviço da “Grande religião de Mercado”, mas onde trabalha-se no bem coletivo criando projetos que despertem para a vida.
    *escritor e ator

  • Professores estaduais entram em greve


    Mais de cinco  mil professores participaram da assembléia  no Gigantinho seguida de passeata (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Nem começaram as aulas e os educadores da rede de ensino público estadual já optaram por uma paralisação por tempo indeterminado a partir desta sexta-feira (03/03). A decisão foi tomada em assembléia geral realizada na tarde de quinta-feira (02/03), no Gigantinho. O governo estadual afirma que um aumento poderá ser anunciado, mas somente a partir de maio.

    Quinta-feira pela manhã, na sede do Cpers, em Porto Alegre, cerca de 140 conselheiros e diretores de núcleos do sindicato já haviam aprovado por unanimidade a proposta de greve. A dúvida era se a mobilização ocorreria imediatamente ou na segunda quinzena de março.

    No Gigantinho, os cinco mil professores presentes optaram pela paralisação imediata. “A categoria decidiu que temos que realizar este movimento agora. É uma greve justa. Todos sabem o valor do contra-cheque de um professor”, defende a presidente do Cpers, Simone Goldschmith. Os grevistas querem reposição salarial desde 2003, correspondente a 28%  mais 8,69% de aumento concedido a outras categorias de servidores em 2005.


    A categoria decidiu por realizar a greve imediatamente

    Após a assembléia, os manifestantes seguiram em passeata pelas avenidas Padre Cacique e Borges de Medeiros até o Palácio Piratini, gritando palavras de ordem como “Reajuste Já”. O objetivo era anunciar ao governo a decisão da categoria. Os professores foram recebidos pelo chefe da Casa Civil, Pedro Bisch Neto, já que o governador em exercício, Antônio Hohlfeldt, está no interior do estado.

    O chefe da Casa Civil destacou a disponibilidade do governo em dar prosseguimento às negociações. Lembrou, no entanto, que o governo passa por uma crise financeira, já que fechou o ano de 2005 com um déficit orçamentário de R$ 918,3 milhões. “Ainda não temos como anunciar nada até a Secretaria da Fazenda oferecer a segurança de que vamos pagar sem atrasar”.

    O Secretário da Educação, José Fortunati, recebeu a notícia da greve através da mídia e marcou imediatamente uma coletiva de imprensa no seu gabinete. Ele reafirmou que o estado não tem como apresentar uma proposta salarial neste momento. “Seria uma irresponsabilidade conceder um índice sem que os nossos técnicos analisem a situação financeira do Rio Grande do Sul nos próximos meses”.

    A proposta é que os professores aguardem até maio, quando algum índice será anunciado. O Cpers, no entanto, prefere pressionar o governo desde agora. “Em maio teremos novos secretários assumindo, então o momento de reivindicar é este”, afirma a presidente Simone. “O governador optou por ser presidente, mas nós ainda estamos penando desde 2003 com os nossos baixos salários e sem reajuste”, alfinetou.

    A paralisação

    A partir desta sexta-feira (03/03), o comando de greve irá se reunir para realizar encaminhamentos, e os grevistas irão às escolas para convencer os colegas a aderirem ao movimento. “Pais e alunos devem ir às escolas para ouvir a posição dos professores. Pedimos este apoio para que a greve acabe o mais breve possível”, enfatiza Simone.

    O secretário da Educação acredita, no entanto, que a maior parte das três mil escolas estaduais não vai parar as atividades. “Os pais devem levar seus filhos ao colégio nos próximos dias, já que nós faremos o possível para que as atividades escolares continuem”, afirmou. Para que isto aconteça, alguns professores terão que substituir os colegas grevistas com outras matérias.

    Os manifestantes terão que recuperar as aulas perdidas após a paralisação, mesmo que seja em janeiro. “Não há dúvidas  que os alunos serão os maiores prejudicados”, diz o secretário. Para ele, a qualidade do ensino não será a mesma, mesmo com uma recuperação após o dia 22 de dezembro, data que era prevista para o término normal das aulas.

  • Volta às aulas

    Matéria por Carla Ruas, Helen Lopes e Naira Hofmeister

    Escolas investem em segurança

    A segurança dos alunos é uma   questão que preocupa cada vez mais pais, professores e a direção das escolas. Para garantir o bem-estar das crianças, os colégios particulares têm investido alto em seguranças terceirizados e equipamentos de alta tecnologia, valores que são repassados nas salgadas mensalidades. Já as escolas estaduais continuam dependendo de policiais aposentados da Brigada Militar e da verba da Secretaria de Educação para melhorias na infra-estrutura dos prédios.

    A Escola Estadual Anne Frank pede desde o ano passado à Secretaria da Educação um guarda na porta da escola. “Existe um grupo de ex-alunos e não alunos que perturbam a entrada e saída das crianças”, afirma a vice-diretora Jociane Telles. A direção, em conjunto com a comunidade, encaminhou uma carta ao secretário José Fortunati, mas ainda não obteve resposta.

    A preocupação se repete nas mais de três mil escolas do ensino público estadual no Rio Grande do Sul. Assim como falta verba para professores, estrutura física e computadores, a segurança também fica comprometida. “Todas as escolas deveriam ter um policial militar na frente”, sugere Jociane.

    O secretário José Fortunati explica que a Secretaria mantém uma parceria com a Brigada Militar, que encaminha policiais aposentados para as imediações escolares. “Mas não conseguimos atender à grande demanda”, lamenta. O projeto existe desde o segundo semestre de 2005.

    O secretário admite que nos últimos anos as escolas têm cobrado mais medidas de segurança. Ele destaca o número de reformas que foram solicitadas para reforçar a estrutura dos prédios. “Até o final de 2005 autorizei cerca de duas mil obras, das quais muitas estão sendo realizadas para o inicio deste ano letivo”. Uma das exigências é a construção e reforço de muros.

    Os colégios particulares compartilham do mesmo medo. Para resolver o problema, as mensalidades recebidas têm se destinado cada vez mais a equipamentos de última geração. “Hoje temos como prioridade investir em segurança”, afirma o diretor do Colégio Rosário, Irmão Firmino. O colégio dispõe de aparelhos que fiscalizam a parte interna dos prédios e uma infra-estrutura construída para manter os indesejados do lado de fora.

    O Irmão explica que há dois anos a direção também paga uma empresa especializada que fiscaliza os arredores do colégio. “A atenção é voltada para as portas do prédio, durante a entrada e saída de alunos”. Os seguranças contratados também circulam pela Praça Dom Sebastião, Centro Esportivo e Avenida Independência.


    Valores do material escolar podem variar mais de 100%
    (Fotos: Àrfio Mazzei/JÁ)

    Lição de casa é economizar no material escolar

    Quem pretende economizar no material escolar vai ter que bater perna para achar o melhor preço. Comparar ainda é a melhor receita. Os valores podem variar mais de 100% conforme a marca ou o atrativo que o produto oferece. Por exemplo, um apontador simples sai por R$ 0,36, na Feira do Material Escolar da Prefeitura. Já o apontador com depósito em forma de trem chega a R$ 5,95, na Livraria do Globo, da Andradas. Existe também produtos que compõem duas ou mais utilidades em um só. Um apontador com depósito e borracha na ponta, da Faber-Castell, custa R$ 2,99, nas Lojas Americanas.

    Uma boa opção para quem está mais interessado no preço do que nos atrativos é a Feira do Material Escolar, organizada pela Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), no Mercado Público. Aberta até o dia 8 de março, de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 9h às 16h30, a Feira tem como principal objetivo equilibrar o mercado. Por isso, agentes de Secretaria realizam um controle de preços semanal em 90 itens, de 20 pontos de venda. Segundo o secretário substituto da Smic, Antenor Ferrari, a partir dos valores encontrados é dado um desconto de até 15%.

    Além da grande variedade de produtos, a Feira oferece duas cestas com materiais básicos a preços acessíveis. Para os primeiros anos do ensino fundamental, a cesta custa R$ 14,90 e é composta por duas canetas esferográficas, três lápis pretos nº 2, tubo de cola 40g, apontador simples, duas borrachas nº 40, dois cadernos brochura 48 folhas, caixas de giz e lápis de cor, ambas de 12 cores, massa de modelar, pacote de 100 folhas de papel ofício branco/sulfite, pasta com aba e elástico plastificada, régua plástica de 30cm e tesoura escolar de 10cm.

    A segunda opção, indicada para o ensino médio, vem com duas borrachas nº 40, apontador simples, dois cadernos de 96 folhas, três canetas esferográficas (azul, vermelha e preta), cola bastão 8g, dois lápis pretos nº 2, pacote de 100 folhas de papel ofício branco/sulfite, pasta para catálogo ofício com dez sacos plásticos e régua plástica de 30cm. A cesta 2 sai por R$ 15,35.

    Apesar dos descontos, nem todos os produtos da Feira são mais baratos. O caderno brochura, com a capa dura, 48 folhas, da marca Norma, sai por R$ 2,80, na Feira, enquanto na Livraria do Globo está R$ 1,80. Outro material, a caneta esferográfica, pode ser encontrada com até R$ 0,14 centavos de diferença. Na Feira do Mercado Público, a caneta Bic é R$ 0,84, já na Livraria sai por R$ 0,70.

    Gurizada bate o pé

    Os materiais com motivos infantis fazem a diferença na hora da escolha. Para Denise Dalbem, mãe de dois nas séries iniciais, “a primeira olhada nos preços deve ser feita apenas pelos pais”. Uma borracha nº 40, da marca Mercur, lisa sem desenho, custa R$ 0,90, enquanto, uma borracha com a Barbie desenhada sai por R$ 1,65.

    Cada dia mais antenados, os pequenos também sabem a marca preferida na ponta da língua. Durante a pesquisa, não era raro ouvir as exigências da garotada. “Eu quero o lápis da Faber-Castell”, pedia uma menina de pouco mais de seis anos. A mãe olhou, olhou, comparou os preços, mas acabou cedendo ao pedido. Os valores publicados nesta matéria foram pesquisados entre os dias 11 e 17 de fevereiro.

    Professores públicos ameaçam paralisar

    O retorno das atividades escolares também é de extrema importância para os professores. Tradicionalmente pouco valorizados no país, eles iniciam o ano letivo lutando por salários dignos e melhores condições de trabalho.

    O sindicato dos professores estaduais, Cpers/Sindicato, e  dos professores da educação privada, Sinpro-RS, já apresentaram as suas pautas de reivindicações para o ano de 2006.
    Segundo a professora Simone Goldschmidt, presidente do Cpers, para que as aulas comecem tranqüilas, o governo terá que atender ao pedido de reposição salarial de 28%, que data desde 2003. A categoria ainda quer os 8,69% de aumento que foram concedidos aos outros poderes em 2005.

    O governo afirma que precisa avaliar o comportamento da receita do Estado após três meses, para então estabelecer o aumento. Para o secretario da Educação, José Fortunati, ”o Estado terá um novo índice para os professores, mas não neste momento”. O aumento terá que acontecer até junho, data limite pela legislação eleitoral.

    O Cpers ameaça não retornar às aulas se não houver um acordo. “No dia 2 de março, realizaremos uma assembléia geral no Gigantinho, para decidir como nos comportaremos frente ao arrocho salarial”, enfatiza Simone.

    O Sinpro–RS também faz campanha salarial. Os professores do ensino privado se reuniram em dezembro e decidiram encaminhar as reivindicações ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino (Sinepe/RS), no dia 7 de março.

    O pedido é de reposição integral do índice nacional do preço do consumidor, INPC, de março de 2005 a fevereiro de 2006. O sindicato também pede, em negociação com o Sinepe, o aumento real de 2%. “Não é muito, mas junto ao 5% INPC é um valor justo”, explica o diretor do Sinpro-RS, Celso Stefanoski.

    O slogan da campanha é: Valorizar o Profissional é Garantir Qualidade. Esta frase se refere a outros aspectos das condições de trabalho pedidas, fora o aumento do salário. Uma cláusula nova que vem chamando a atenção nas reivindicações, diz respeito à segurança dos professores em sala de aula.

    Segundo Stefanoski, os educadores sofrem violência a partir dos alunos, que pode ser tanto física quanto moral. “Os professores sofrem agressões verbais, via internet e até físicas”, explica. A cláusula quer garantir que os diretores das escolas irão formalizar as agressões e tomar providências para coibir e evitar estes atos, a partir de ações pedagógicas.

    Outra novidade no ensino privado que deve ganhar força neste ano é a Educação à Distância. O Sinpro-RS quer regulamentar esta forma de ensino. “Queremos que os tutores sejam reconhecidos como docentes e que tenham remuneração específica conforme a sua função”.

    No site do sindicato, há um fórum para que professores e interessados no assunto possam buscar informações, consultar e publicar opiniões sobre EAD (http://www.sinpro-rs.org.br/ead).

  • Escolas do grupo especial desfilam em Porto Alegre


    A Academia de Samba Praiana foi a última a desfilar, quando já estava dia claro
    (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Como diz o samba-enredo da Academia de Samba Praiana: “Sacode a bateria, pulsa o coração”. É esta a sensação de estar no Porto Seco, em noite de desfile de carnaval. Neste sábado  (25/02) e manhã de domingo (26/02), mais de sete mil pessoas assistiram as apresentações do grupo especial da capital. O evento foi marcado pela tranqüilidade e folia.

    Apesar da chuva fina, as arquibancadas ficaram lotadas e a animação do público se manteve, até às 7 horas da manhã. As escolas empolgaram o público com desfiles organizados e samba-enredos cativantes. A noite começou com a escola Mirim Esporte dá Samba, com Daiane dos Santos em destaque. Após, passaram pela avenida Os Comanches, União da Vila do IAPI, Imperatriz Dona Leopoldina, Bambas da Orgia, Império da Zona Norte, Estado Maior da Restinga, Imperadores do Samba e Academia do Samba Praiana.


    A Restinga impressionou pela beleza das fantasias

    A campeã do grupo especial do ano passado entrou na avenida com um tema sério, mas que possibilitou fantasias muito originais. A Restinga escolheu homenagear a OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, nos seus 75 anos de história. A agremiação contou desde o surgimento dos primeiros cursos de Direito, através de decreto de D. Pedro I, até as Diretas Já e os caras-pintadas.

    “Até agora nos sentimos como campeões”, afirmou o presidente Hélio Garcia Dias, logo após a apresentação. A escola, das cores verde, vermelho e branco, desfilou com 2.400 componentes. A bateria levantou o público, com seus integrantes vestidos de bacharéis do Direito, com togas.


    A bateria da Imperadores do Samba

    A Imperadores do Samba mostrou que tem tradição e garra. “Somos muito famintos de título, não gostamos de perder”, disse o presidente da escola, Elbdes Luiz Meirelles Rodrigues. Para o desfile, o tema apresentado foi o espiritismo, com o enredo Assim caminha a humanidade.

    ”Hoje simbolizamos toda essa profundidade nos carros que mostraram desde o abre-alas com a Luz da Criação, passando pela Revelação, a Manifestação e a Evolução, até Xico Xavier, o quanto essa crença tem de beleza. E a sua importância para a cultura popular”.

    Noite tranqüila

    Para garantir a segurança no Porto Seco, a Brigada Militar não permitiu a entrada de guarda-chuva de ponta, copos de vidro e objetos cortantes. Além disso, acompanhou a movimentação através de  quatro câmeras instaladas no Complexo Cultural. Durante os desfiles, sete ocorrências foram registradas.

    O posto de saúde instalado na avenida atendeu 63 pessoas, a maioria com problemas leves, como indisposição estomacal. Três casos mais graves exigiram remoção ao  Hospital de Pronto Socorro.

  • Final de semana quente no cinema

    O projetor foi montado no meio da praça, como em outras edições do RodaCine RGE (Fotos Naira Hofmeister/JÁ)

    Naira Hofmeister
    A nostalgia dominou a primeira noite do Festival de Verão do RS de Cinema Internacional, com a exibição gratuita de Cerro do Jarau, do cineasta gaúcho Beto Souza. Noite de céu estrelado e brisa fresca, cheirinho de pipoca e cadeira na praça. Quem deixou  o medo de lado e foi até a Praça da Matriz, em pleno centro de Porto Alegre na noite da quinta-feira (09), não se arrependeu.
    A sessão teve os prós e contras do cinema ao ar livre. Estavam lá o diretor Beto Souza, a equipe técnica e elenco do Cerro do Jarau; personalidades e anônimos, mais de 200 pessoas. Foi , definitivamente, democrático. Tanto que não faltou espaço para os cãezinhos, para os bebês de colo e moleques da rua, responsáveis por boa parte dos comentários “críticos” sobre o filme.

    E o publico lotou as cadeiras na Praça da Matriz

    É claro, aqueles que esperavam um comportamento tradicional dos espectadores, provavelmente se incomodaram, porém, a maioria se divertiu com a interatividade. E, evidente, com o filme também. Em uma noite onde prestar atenção exclusivamente à obra em exibição foi uma tarefa complexa, nada melhor do que um filme simples e intimamente ligado ao imaginário popular gaúcho.
    Cerro do Jarau tem um quê de filme noir, numa construção contemporânea que parte da lenda da Salamanca do Jarau. Na trama, o público é conduzido pelo narrador, Bento (Tarcisio Meira Filho), à sua infância e encontra seus primos Rebeca (Lu Adams) e Martin (Tiago Real). Os três vivem uma relação afetuosa ao pé do Cerro do Jarau, porém, ao se tornarem adultos, não conseguem evitar o desejo entre si. Rebeca e Bento tem um relacionamento estável até que ela descobre que esta sendo traída.
    À essa temática erotizada, soma-se uma dupla de trambiqueiros. Miguel Ramos tem ótima atuação na pele de Correntino, o estereótipo do castelhano espertinho, papel que lhe rendeu o Kikito de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Gramado do ano passado. Já Bandiolo, interpretado por João França surpreende num papel discreto, como um perfeito capanga.
    Bento e Rebeca vendem uma casa de shows à Correntino que não honra sua dívida ate ser ameaçado pela protagonista. Ela, já ciente da traição do namorado, foge com o dinheiro e com provas que incriminam Correntino. Começa então a perseguição: de um lado a heroína, corajosa e solitária e de outro, Bento, Correntino e sua trupe.
    Durante a fuga, Rebeca encontra o outro primo, agora padre responsável por uma pequena capela quase na fronteira com a Argentina e outros personagens de sua infância. Junto com os nomes de seu passado, voltam as lembranças, os medos e os mistérios da lenda da Teiniagua.
    Cerro do Jarau não guarda nenhuma grande surpresa, nem mesmo em seu final, porém, tem como pontos positivos a fotografia de Beto Henkin, elogiada pelo próprio diretor como a “melhor do Rio Grande” e as atuações da dupla de canalhas e de Néstor Monastério, que interpreta um obcecado pelas lendas do Sul.

    Beto Souza apresenta o longa metragem Cerro do Jarau, ao lado da produtora do evento, Aletéia Selonk

    Pablo Meza em Porto Alegre sexta e sábado
    Argentino, 30 anos, Pablo Meza é estreante na direção de longas-metragens. Antes de rodar Buenos Aires 100 km, já tinha trabalhado na assistência de direção de Paula Hernandez, no longa Herência e realizado três outros curtas-metragens.
    Com Buenos Aires 100 km, onde, além de diretor, assina também o roteiro e a produção, Pablo Meza conquistou prêmios internacionais como Melhor Diretor Estreante, Melhor Roteiro Original e Prêmio Especial do Júri no festival de Huelva na Espanha; Melhor Filme e Roteiro Original em Leida, também na Espanha; Melhor Fotografia Melhor Música Original, no Festival de Providence nos Estados Unidos e Melhor Roteiro Inédito no Festival de Havana, em Cuba.
    O argentino estará presente na sessão de estréia de seu filme, na noite de sexta-feira (19h), no Santander Cultural, para um debate com o público. No sábado pela manhã (10h), no Hotel Sheraton, Meza ministra a primeira Aula Magna dessa edição do Festival. A inscrição para o evento de sábado é gratuita e ainda pode ser feita na Central do evento, no andar térreo da Casa de Cultura Mário Quintana, das 14h às 20h.
    Também estarão em Porto Alegre, sexta-feira e sábado, Beto Brant e elenco de Crime Delicado, o quarto longa-metragem do diretor. Na sexta, às 22h20, a estréia do filme acontece no Unibanco Arteplex, e no sábado, às 19h, sessão comentada no Santander Cultural.
    Veja também outras opções para o final de semana
    Artes Plásticas
    Apreensões do tempo
    Para manter viva a idéia de que um café também pode ser local de exposição de arte, o Café do MARGS abre a mostra de desenhos e pinturas da artista plástica Rosane Vargas, que trabalha a questão da temporalidade.
    Quando: de terças a domingos, das 10h às 19h, até dia 1º de março
    Onde: Café do Margs (Praça da Alfândega, s/nº)
    Quanto: Entrada Franca
    Animália
    Mostra de oito pinturas de Daniel Mateus sobre a animalização humana, com seres fantásticos inspirados em personagens das fábulas e cartuns. Seu trabalho se instala no limite tênue entre ilustração e investigação pictórica.
    Quando: terças a domingos, das 12h às 21h, até dia 5 de março
    Onde: Espaço Vasco Prado, 6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736)Quanto: Entrada Franca
    Carnaval de Veneza
    Exposição do fotógrafo e artista plástico Miguel Soares, que traz para Porto Alegre um pouco da festa de cores e luxo do Carnaval Veneziano.
    Quando: terças a domingos, das 12h às 21h, até dia 5 de março
    Onde: Fotogaleria Virgílio Caligari, 7º andar da CCMQ
    Quanto: Entrada Franca
    Fotogenia da Pedra
    Exposição de fotografias, esculturas e poemas dos artistas Amauri Fausto e Paulo Aguinsky, que utilizam um elemento comum – a pedra.
    Quando: terças a domingos, das 12h às 21h, até dia 5 de março
    Onde: Galeria Augusto Meyer, 3º andar CCMQ
    Quanto: Entrada Franca
    O Azul de Quintana
    Exposição com nove pinturas em acrílico sobre tela e dez gravuras em metal, nas quais a artista plástica Esther Bianco toma como elemento formal figuras que representam anjos, em quadros predominantemente azuis. O Azul de Quintana faz parte das comemorações da CCMQ em homenagem ao centenário do poeta Mario Quintana.
    Quando: terças a domingos, das 12h às 21h, até dia 5 de março
    Onde: Geleria Xico Stockinger, 6º andar da CCMQ
    Quanto: Entrada Franca
    Joan Brossa
    Dividida em quatro espaços do Museu, a exposição apresenta a obra do poeta catalão mais representativo do século XX. Joan Brossa (1919 – 1998) foi um artista multimídia. Sempre inovador, trabalhou com literatura, teatro e diferentes formatos e estilos de poesia. Os visitantes poderão conferir a incursão do poeta na poesia-objeto e visual, conhecer alguns de seus livros e entrar em contato com instalações como “Planeta de la Virtud”.
    Quando: de terças a domingos, até dia 5 de março, das 10h às 19h
    Onde: MARGS
    Quanto: Entrada Franca
    Música
    Carmem Miranda: a brasileira mais famosa do século XX
    Exposição da Discoteca Pública Natho Henn, com textos, capas de discos, partituras e recortes de jornais sobre Carmem Miranda.
    Quando: de terças a domingos, das 12h às 21h, até dia 5 de março
    Onde: Sala Radames Gnatalli, 4º andar da Casa de Cultura Mário Quintana
    Quanto: Entrada Franca
    Daisy Folly
    Happy hour com voz e violão
    Quando: sexta-feira (10), às 18h
    Onde: Café Concerto, 7º andar da CCMQ
    Quanto: Entrada Franca
    André Marques
    Quando: sábado, (11), às 18h
    Onde: Café Concerto, 7º andar da CCMQ
    Quanto: Entrada Franca
    Luciano Fortes
    Quando: domingo (12), às 18h
    Onde: Café Concerto, 7º andar da CCMQ
    Quanto: Entrada Franca
    Audiovisual
    2º Festival de Verão RS de Cinema Internacional
    45 filmes contemporâneos do cenário mundial, distribuídos em 7 salas do estado. A programação pode ser consulatad no site www.pandafilmes.com.br/festival2006
    Quando: de sexta (10) à quinta-feira (16), em vários horários
    Onde: Cine Santander Cultural, Cinesystem Total Porto Alegre, Sala Eduardo Hirtz; Sala Paulo Amorim, Sala P. F. Gastal, Cinesystem Shopping Bourbon São Leopoldo, Unibanco Arteplex, Cine Dunas (Praia do Cassino).
    Quanto: Ingressos com valor usual dos cinemas
    Woodstock – sessão comentada
    O lendário festival realizado em agosto de 1969, nos Estados Unidos. Marco de uma geração, foram três dias em que mais de 450 mil jovens se reuniram para celebrar a paz e a música. Mais do que isso, tratou-se de  uma gigantesca e bem sucedida manifestação da contra-cultura contra a guerra do Vietnã. O vídeo mostra nomes como Santana, Jimmy Hendrix, Joan Baez, Arlo Guthrie, Richie Havens, Crosby, Stills, Nash & Young, Janis Joplim, The Who, Joe Cocker, Ten Years After e muitos outros, em meio às imagens do público e depoimentos de artistas.
    Após a projeção do filme, haverá debate com Ricardo Barão
    Quando: domingo (12), 21h
    Onde: Studio Clio (Jose do Patrocínio, 698)
    Quanto: R$ 10,00
    Artes Cênicas
    Fala comigo doce como a chuva
    A montagem do grupo Teatrofídico parte do texto do dramaturgo americano Tennessee Williams, tem direção de Eduardo Kraemer e traz no elenco Rafael Guerra e Silvana da Costa Alves. A peça concentra grande parte do desespero existencial com o qual Williams dota suas personagens. O enredo da história está relacionado a um contexto de desilusão amorosa, solidão e incapacidade do ser humano em encontrar a felicidade. As ilusões e sonhos do casal de “Fala comigo doce como a chuva” enfrenta a dura realidade das grandes cidades.
    Quando: sábado e domingo, às 20h
    Onde: Sala 302 da Usina do Gasômetro (Avenida Presidente João Goulart, 551)
    Quanto: Entrada Franca
    Noite
    Novela de Érico Veríssimo. Um mergulho nas profundezas de uma cidade sem alma. Um passeio pelas veredas escuras da consciência de um homem sem memória que vive sob o espectro de um assassinato. Emocione-se ao encontrar, no fundo do lixo, a essência de todos nós. Elenco com Zé Mário Storino, Marco Beck, Henri Iunes, Vinícius Cáurio, Morena Santos, Carolina Kern, Marjorie Bier, Nádya Mendes e Alexandre Boer. Direção de João Castro Lima.
    Quando: Estréia no dia 10 de fevereiro, às 19h. Segue até 12 de março. Sextas, sábados e domingos, às 19h (Não haverá espetáculo nos dias 24, 25 e 26, recesso de carnaval)
    Onde: Teatro Carlos Carvalho, 2º andar da Casa de Cultura Mario Quintana
    Ingressos: Na noite de estréia, todos pagam meia, R$ 5,00. Durante a temporada, R$ 10,00, com 50% de desconto para idosos e classe artística e 20% de desconto para Clube do Assinante ZH.
    BU – Um olhar adulto sobre a criança que há dentro de nós
    Espetáculo gerado a partir de um trabalho de investigação do universo infantil incorporado ao ser humano independentemente de sua idade, através da experimentação pontual. Passeia, de forma lúdica, pela naturalidade gestual dos performers, revisitando assim a matéria-prima da herança histórica e cultural do homem contemporâneo, na tentativa de romper os paradigmas que impedem o acesso à identidade mais profunda deste ser.
    A montagem participa da programação do 7º Porto Verão Alegre, alem de ter sido indicada ao Prêmio Açorianos de Melhor Espetáculo, Melhor Bailarino para Luciano Hoeltz, Melhor Cenografia, Melhor Iluminação, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Produção.
    Quando: sexta-feira (10), às 21h
    Onde: Teatro Dante Barone, da Assembléia Legislativa (Pça. Marechal Deodoro,s/n)
    Ingressos: R$ 15,00 (Porto Verão Alegre)
    Os Desempregáveis
    Três Super-Heróis nada convencionais, onde suas “identidades secretas” estão desempregadas! Mas, como todo Super-herói que se preze, faz o bem sem esperar gratidão (ou um “trocadinho” que seja), as coisas andam um pouco difíceis para eles. E como não possuem nenhuma formação acadêmica especial, arrumar um emprego torna-se um problema, e é neste momento de suas carreiras que eles têm a estúpida idéia de cobrar pelos serviços que prestam ao povo, gerando um engraçadíssimo conflito entre eles!
    Quando: de 10 a 19 de fevereiro, sextas, sábados e domigos, às 21h
    Onde: Teatro do Ipê (Av. Borges de Medeiros, 1945)
    Ingressos: R$ 15,00 (Porto Verão Alegre)
    Casadíssima
    Suzana divide com o público um novo capítulo da sua vida: o casamento! Com personagens estereotipados como o casal ideal (ricos e apaixonados) e os parentes (sogras, tias e primas) que vivem momentos ímpares como a desastrada lua-de-mel, a inesperada noite de núpcias, a despojada festa de casamento e a aterrorizante tarde com as crianças. Estes quadros constituem a comédia seqüência de Solteiríssima.
    Quando: sexta (10), sábado (11) e domingo (12), Às 21h
    Onde: Teatro Carmem Silva, Shopping DC Navegantes
    Ingressos: R$ 15,00 (Porto Verão Alegre)
    Dona Gorda
    O texto questiona e discute com humor requintado os fatores sociais e psicológicos causados pelo “acúmulo de gordura”, que ronda a vida de Cláudia, uma mulher solteira em busca do amor e corpo ideal. Um tema atemporal, polêmico, para todos os sexos, raças, classes sociais, religiões que vivem esta situação “de ser gordo”.
    Quando: sábados e domingos, ate dia 19 de fevereiro
    Onde: Teatro de Arena (Av. Borges de Medeiros, 835)
    Ingressos: R$ 15,00 (Porto Verão Alegre)
    Manual Prático da Mulher Moderna
    Uma animada conferência é o cenário onde três doutoras desenvolvem a tese O Comportamento Feminino Moderno Diante da Crise e encenam situações do cotidiano das mulheres do século XXI. O Manual Prático da Mulher Moderna questiona como conciliar os papéis de filha, mãe, esposa, amiga, amante, magra e profissional, enfim, a conciliação entre cabeça, coração e tesão.
    Quando: sexta (10), sábado (11) e domingo (12), às 21h
    Onde: Teatro da AMRIGS (Av. Ipiranga, 5311 F)
    Ingressos: R$ 15,00 (Porto Verão Alegre)
    No Ritmo do Amor: a história de Mohammed e Raquel
    Comédia musical que mostra, com muito bom humor, os conflitos do casal Mohammed e Raquel e suas negociações para a paz em seu relacionamento. A peça é dividida em seis quadros: a exaltação ao sexo, a confusão entre projetos de vida e sonhos de consumo, a competição profissional, definição de papéis dentro do casamento, o ciúme e o dogma da traição.
    Quando: sexta (10), sábado (11), e domingo (12), às 21h
    Onde: Sala Álvaro Moreyra (Av. Erico Verissimo, 307)
    Ingressos: R$ 15,00 (Porto Verão Alegre)
    Infantil
    A Bola é Redonda
    Encenada pelo grupo alemão Düsseldorfer Schauspielhaus Teatro Infanto-Juvenil, a peça de Thomas Ahrens tem diálogos em inglês e denuncia os males da globalização usando o futebol como pano de fundo.
    A peça mostra como a globalização intervém no mundo das crianças e jovens. São abordados assuntos como roupas de grife, produtos esportivos, publicidade, o papel decisivo desempenhado pela Internet e as condições muitas vezes desumanas sob as quais as multinacionais fabricam seus produtos. A montagem, segundo os integrantes do grupo alemão, é politicamente desafiadora e não quer apontar culpados, mas abordar as ambivalências do tema de maneira acessível ao público.
    Quando: sábado e domingo (11 e 12), às 20h30
    Onde: Sala 309 da Usina do Gasômetro
    Ingressos: Entrada Franca
    Outros
    Dançando na praça – Caminho dos Antiquários
    O projeto “Dançando na Praça” tem o objetivo de integrar os seus participantes através de aulas de dança com ritmos variados. Promove orientação mais aprimorada sobre musicalidade, coordenação motora e é, acima de tudo, um entretenimento. Serão utilizados ritmos como samba, forro, tango, bolero, valsa, entre outros, em aulas ministradas pelo professor Edison Garcia, formado em Dança e Educação Física.
    Quando: sábado (11), das 10 às 16h
    Onde: Praça Daltro Filho, na Avenida Borges de Medeiros esquina Rua Demétrio Ribeiro e ruas Fernando Machado, Coronel Genuíno e Marechal Floriano.
    Quanto: Entrada Franca
    50 anos da imigração japonesa
    O Escritório Consular do Japão promove concurso de karaokê em japonês, exibição de DVD com concertos de artistas populares do Japão e demonstração de aulas de japonês por intermédio da música.
    Quando: domingo, a partir das 18h
    Onde: Andar térreo da Usina do Gasômetro (Avenida Presidente João Goulart, 551)
    Quanto: Entrada Franca
    Descida da Borges – Unidos da Vila Isabel
    Fundada em 7 de abril de 1979 e oriunda do bairro Santa Isabel, em Viamão, a Unidos da Vila Isabel tem cerca de 1.500 integrantes, e suas cores são azul, amarelo e branco. A apresentação na Borges de Medeiros contará com 150 pessoas.
    Quando: sexta-feira (10), às 20h
    Onde: Borges de Medeiros, esquina com a Salgado Filho
    Quanto: Entrada Franca
    Rainha Trans e Rainha Drag
    Escolha das musas do Carnaval da escola de Saba Filhos da Candinha, que traz para a avenida o enredo que trata do público homo e bissexual. Neste final de semana acontecem a 2ª e 3ª eliminatória do concurso.
    Quando: sexta-feira (10), 23h30 e domingo (12), 23h30
    Onde: Vitraux Clube (Rua Conceição, 492), centro de Porto Alegre – sexta-feira – e My Way Dancing Club (Rua Brasil, 550), em São Leopoldo
    Quanto: Valores não informados
    Curso de Meditação
    Sahaja Yoga
    Quando: spabado (11), às 10h
    Onde: Sala 400 da Usina do Gasômetro
    Quanto: Entrada Franca

  • O Gaudério Voltou


    Zé Gomes, de volta ao Rio Grande: “Coisa de elefante”

    A volta de Zé Gomes ao Rio Grande do Sul ainda não mereceu uma nota em jornal. Ele voltou em silêncio e está, desde outubro do ano passado, morando em Guaíba, numa pequena casa que tem um salso chorão na frente.

    Retorna depois de 30 anos fora, com casa em São Paulo, mas viajando e tocando pelo Brasil todo. Aos 70 anos, é um dos últimos remanescentes de uma geração que revolucionou a música regional e lhe deu a glória inédita de ser ouvida no Olympia, em Paris, no longínquo ano de 1958, feito que nunca mais se repetiu.

    “Estou voltando para casa”, diz ele para explicar que não tem planos definidos. Pensa em compor, quer extrair uma síntese dessas vivências das regiões brasileiras e fronteiriças. Está terminando um método para rabeca, pensa em fazer oficinas que poderiam incluir até a construção do instrumento. Já tem uma bancada pronta.

    A rabeca é um instrumento muito antigo (ele toca numa construída a partir de um modelo do ano 1.200). Muito antes da cordeona, foi a rabeca o instrumento que animava os bailes no Rio Grande primitivo. Hoje está esquecida e isso, em grande parte, é o que explica o interesse de Zé Gomes por ela.

    Enquanto o projeto não se define, ele vai trabalhando no que aparece. Recentemente gravou quatro músicas para o filme “O General e o Negrinho”, de Tabajara Ruas. No filme ele toca rabeca num baile, três peças do folclore, recolhidas por Paixão Cortes e uma milonga. Ele e Paixão, antigos parceiros, já andaram se encontrando e concluíram que tem muito o que conversar. A ultima vez em que os dois fizeram planos juntos, há 50 anos atrás, a história foi parar em Paris. Como se verá nesta entrevista:Elmar Bones

    Você é do dia de São João?
    24 de junho, de 1935.

    Musicalmente, nasceu quando?
    Tinha uns quatro anos. Meu pai era boêmio, tocava violino, voltava de manhã pra casa. Chegava em casa com uma serenata. Eu começava a ouvir ainda dormindo, não queria acordar, aquela música… Mas aí acorda é apenas música. Era bonito. Meu pai ouvia muita música clássica, cedo tinha noção da estrutura de uma orquestra.

    Teu pai era músico profissional?
    Não, ninguém era profissional naquela época. Tocava com os amigos. Depois ele perdeu o movimento dos dedos num acidente, não tocou mais. Mas continuou naquele ambiente boêmio, participava de um grupo de teatro, chegava em casa para o café da manhã. Ijuí tinha uma vida musical muito intensa, havia muitas bandas, grupos seresteiros, de choro, orquestra de baile, muitos músicos.

    Grupos de teatro também?
    Sim. Assisti a peças em que meu pai atuava. Lembro que fiquei furioso quando ele fez o papel de um covarde. Misturava a peça com a realidade. Ele se escondia atrás de um armário para não apanhar. Eram peças bem montadas, com belos cenários, luzes, música, coreógrafos coisas de colo do alemão. Tinha até fábrica de piano.

    O estudo da música começou quando?
    Saí de Ijuí aos sete anos, fomos para São Luiz, um ano e meio depois, para Carazinho, onde havia o mesmo ambiente musical. Fui estudar piano com a professora Gladis Bassani Junqueira no Instituto Carlos Gomes. Não tinha piano em casa. Estudava na casa da professora, meia hora todos os dias. Com onze anos fui para um colégio lassalista. Na capela tinha um harmônio. O diretor me deu licença para no recreio ficar tocando o harmônio. Não lia partituras, ficava improvisando. Improviso é o meu negócio, sempre gostei.

    E a primeira vez no palco?
    Aos nove anos, toquei uma peça de Schumann na festa de fim de ano da escola, pediram bis

    Estudou quantos anos de piano?
    Cinco. Um dia estava indo para a aula, vi na praça um tocador de cavaquinho, tocando Waldir Azevedo. Fiquei ouvindo cheguei atrasado. Quando falei pra professora, ela disse: “Isso não é música”. Parei de estudar com ela, despedi  a professora. Passei a tocar num programa de rádio, feito pelos alunos da escola. Cantava, tocava violão, fazia locução.

    Cantava?
    Aos 14 anos, cantava na rádio. O Maurício Sobrinho, fundador da RBS, tinha um programa na rádio de Passo Fundo. Era o tempo do rádio. Ary Barroso fazia no Rio a “Hora do Pato”, famoso programa de calouros. O Maurício fez a “Hora do Bicho”, ou algo assim. Eram poucos quilômetros, eu ia a Passo Fundo participar. Depois ele trouxe o programa também para Carazinho. Era feito no cinema e transmitido ao vivo pela rádio local.

    Era um concurso de calouros?
    Sim, tinha prêmio. Eu ganhava sempre, era meu salário, tipo R$ 50. Passava a semana muito bem, picolé, coca-cola, todi com misto quente na sorveteria Selda. Um dia ele me disse: “Você não pode concorrer mais, vai vir ao programa como convidado”. Então uma vez por mês ele me convidava.

    Cantavas o quê?
    Naquela época o grande sucesso era o Vicente Celestino, com aquele vozeirão de ópera. Eu não gostava daquilo, cantava músicas do Pedro Celestino, irmão do Vicente Celestino, quase desconhecido. Meu pai que era seresteiro tinha uns discos dele, eu aprendi. Eram umas serestas mineiras, lindas, não me lembro. Que voz que eu tinha. Parei de cantar porque começaram a pedir, todo o lugar queriam que eu cantasse. Era fácil cantar, passei a tocar violino percebi que podia cantar através dele. Me enchiam muito o saco. Hoje não canto porque não tenho mais domínio da voz.

    E o violão começou, quando?
    Aos 13 anos. Tinha um cara, o Finha que ia lá em casa, gostava de tocar para nós, era parceiro do meu pai. Um dia não deixei levar o violão. Queria aprender a tocar uma valsa que ele tocava: “Saudades do Rio Grande”, era do pai dele, o Levino da Conceição. Perguntei a ele: “Em quanto tempo eu toco?” “Em um ano você toca”. Comprei métodos, já tinha a base teórica, em três meses estava tocando a valsa.

    Esse Finha foi famoso…
    Era uma injeção de entusiasmo a música dele. Nascido em Ijuí, ele se criara no Rio de Janeiro. Voltou para o Rio Grande com 17 anos. Tinha vinte e poucos quando o conheci. Era filho do lendário Levino da Conceição, o primeiro a gravar um disco de violão no Brasil. Não tinha quem tocasse como esse Finha, sem arestas. Mas não vivia de música. Era mecânico de automóvel e jogador de futebol.

    E o violino teve estudo formal?
    O violino resguardei, nunca coloquei em estudo, passei só a tocar… aquela sensação de que não é você que faz, que está descendo.

    Houve um período de bailes?
    Desde os 14 anos tocava em bailes em Carazinho, violino, com o conjunto do maestro Jacques. Tocava também numa “típica”, naquela época tinham as típicas, com bandoneon, baixo, piano, que tocavam tangos nos bailes. Tocava por esse Rio Grande afora.

    E Porto Alegre?
    Cheguei em Porto Alegre em 1952, me liguei ao grupo que estava fundando o movinento tradicionalista. Meu pai me apresentou para o Thierry Castro e ele me levou para o CTG 35 na noite em que o Paixão Cortes estava se retirando de lá para fundar os Tropeiros da Tradição. Saí com ele, entrei para os Tropeiros, com o Thierry, Zé da Gaita… Paixão declamava e dançava. Percorríamos o interior. Aí foi criado o programa Grande Rodeio Curinga, na Rádio Farroupilha. Nessa época eu tocava também com Primo e seu Conjunto, o acordeonista era o Neneco (Fernando Schirmer Miranda, já falecido), que foi, pra mim, um dos maiores gaiteiros do mundo.

    Confira a entrevista completa no Jornal Já Porto Alegre que está nas bancas

  • Reforma da Praça Maurício Cardoso entra na segunda fase


    O projeto busca  preservar e restaurar as características da praça
    (Fotos: Carla Ruas e Helen Lope /JÁ)

    Helen Lopes

    A reforma da Praça Maurício Cardoso anunciada pela Prefeitura em dezembro de 2004 finalmente está saindo do papel. Com a pressão dos moradores junto ao Shopping Moinhos, que adotou o local, e com o auxílio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM), que fez o projeto de restauro, a Praça, localizada na esquina da rua Félix da Cunha com a Tobias da Silva, no Moinhos de Vento, ganhou novas instalações hidráulicas e elétricas.

    As melhorias irão possibilitar a implantação de 27 luminárias, drenagem adequada da água da chuva e o funcionamento do chafariz, sem funcionar  há mais de um ano. O traçado interno da praça foi recuperado e houve, também, a remodelação dos canteiros. Além de reformas nos banheiros e no espelho d’água, que abriga uma escultura em forma de leoa.

    Segundo o presidente da Associação dos Amigos da Praça Maurício Cardoso, Mario Englert, essa foi a primeira parte da restauração orçada em aproximadamente R$ 200 mil. “Agora, a mobilização é para dar continuidade à obra. Contamos com o Shopping Moinhos para realizar a segunda fase”, assinalou o arquiteto. O Shopping Moinhos de Vento informou que irá concluir o restante da obra, que dura mais de dois meses.

    Conforme o projeto da Smam, desenvolvido a partir das reivindicações da comunidade e das necessidades do local, falta ampliar a área de brinquedos, colocar as luminárias e construir um muro externo na esquina da rua Félix da Cunha com a praça, para resolver problemas de erosão.

    A arquiteta da SMAM, Renata Rizzotto, lembra que o projeto busca preservar e restaurar as características da Praça, como os caminhos antigos e os jardins pitorescos, feitos com pedras de cimento com a intenção de imitar bosques. A Praça de 6.420m² faz parte da história do bairro. Surgiu em 1878 com o loteamento Arraial de São Manoel, nas terras de Maurícia Cândida da Fontoura Freitas e Fernando de Freitas. Quando denominada Praça São Manoel, abrigou uma capela de mesmo nome até 1917. Em 1938, o logradouro teve o nome alterado para o atual.

  • Texturas, formas e cores do Japão contemporâneo

    A mostra une tradição e vanguarda (Fotos Naira Hofmeister)

    Naira Hofmeister

    Em exposição no MARGS desde a manhã dessa quinta-feira (23/2), Cerâmica e Porcelana do Japão: a Geração Emergente desmistifica um pouco a arte oriental. Para quem espera a tradição japonesa, a encontrará no detalhismo e no primor artístico das peças. Já aqueles que vão em busca de novas referências do outro lado do mundo, a exposição reserva a surpresa das cores e formatos inusitados.

    A mostra coletiva é composta por 35 ceramistas nipônicos, que, como o nome revela, formam a “nova classe” artística local. Alguns possuem composições clássicas, moldando objetos tradicionais como vasos e gamelas, em tons pastéis e utilizando adornos como flores ou motivos da natureza. Há também uma segunda linha de artistas, de influências modernas, inclusive, da pop art, com formatos inovadores.

    O conjunto pertence ao acervo da Fundação Japão e já foi exibido nos Estados Unidos, Europa e em países da América Latina. No Brasil, esteve exposto no Centro Cultural Nansen Araújo, em Belo Horizonte, e no Museu de Arte de São Paulo (MASP), entre outros. A passagem pelo sul do país é resultado da parceria entre o Consulado do Japão em Porto Alegre, o MARGS e a Fundação Japão, patrocinadora da exposição.

    O tema da exposição foca um objeto antigo, que pode receber contornos inusitados: o vaso. A curadoria internacional da exposição acredita que ela revela como os ceramistas percebem a função do utensílio, e, através da leitura realizada pelos artistas, o próprio público pode entender o presente e descobrir o futuro dessa arte tradicional japonesa.

    “As peças são belíssimas, possuem requinte técnico e sutileza de detalhes”, define Heloísa Beckman, do Conselho Estadual de Cultura. Heloísa passeia entre as variedades de texturas e formatos, que também remontam tanto ao tradicionalismo quanto à vanguarda artística japonesa. “Algumas parecem ser feitas de papel!”, exclama entusiasmada com um jarro de tons pastéis com fina espessura.

    A mostra fica exposta na Galeria Iberê Camargo, no segundo andar do MARGS até o dia 26 de março, de terças a domingos, das 10h às 19h. com entrada franca.

  • Tudo pronto para o carnaval no Porto Seco

    Carla Ruas

    Uma boa noticia para os carnavalescos e admiradores dos desfiles das escolas de samba: O carnaval de Porto Alegre promete abalar em 2006. Será a terceira edição no Complexo Cultural do Porto Seco, que recebeu até agora um investimento total de R$ 45 milhões. Para o primeiro dia de folia, no sábado, a estimativa oficial é de um público de 50 mil pessoas.

    “O carnaval vem crescendo lentamente em Porto Alegre, mas nos últimos anos as escolas deram um salto de qualidade”, afirma o coordenador de manifestações populares da Secretaria Municipal da Cultura, Joaquim Lucena. Para ele, a construção do Porto Seco foi essencial nesta mudança, pois proporcionou uma infra-estrutura como exigem os desfiles de grande porte.

    Neste mês, a prefeitura entregou mais quatro barracões aos carnavalescos, totalizando 11 espaços para que eles montem os carros alegóricos. “Com os novos barracões montados perto da pista de eventos, as escolas podem construir carros de até 20 metros de altura e não se preocupar com o trajeto até a avenida”, afirma.

    A pista de eventos, localizada na Avenida Plínio Kroeff, na Zona Norte da capital, tem 450 metros de comprimento e mais 150 metros de extensão para o pré-desfile, onde as escolas se organizam. A capacidade do espaço é de receber 50 mil pessoas por dia, entre as arquibancadas, camarotes, anfiteatro e multipalco.

    A construção do complexo cultural gerou polêmica durante a administração do Prefeito João Verle, em 2003. Mas para Jorge Sodré, presidente da Associação de Entidades Carnavalescas de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul (Aecpars), o local é ideal. A crítica é pela distância e falta de tradição canavalesca do Porto Seco, como têm bairros como a Cidade Baixa, Santana e o Centro, entre outros.

    “A pista representa um crescimento para a Zona Norte e para o Carnaval. Há 17 anos lutamos por um equipamento definitivo para o Carnaval. Estamos muito felizes para o Porto Seco, sabendo que o Carnaval de Porto Alegre vai ser referência para todo o Brasil”.

    Para o futuro, o projeto da Prefeitura é montar uma biblioteca, museu, salas de jogos e de esportes nas salas do complexo voltados à comunidade. Esta ação evitaria que o local fique parado ao longo do ano, fora da época do carnaval. Para isso, seria necessário um investimento, que, segundo a prefeitura, só é possível através de uma aliança entre estado, município e empresas.

    O coordenador das manifestações populares acredita que a muamba realizada no dia 18 foi o teste final de que o carnaval será bem recebido pela comunidade. “Foram mais de 40 mil participantes, sinal de que conseguimos implantar o espírito de carnaval nos porto-alegrenses”, comemora. Ele explica que esta era a intenção da Prefeitura para este ano. “Não se via mais nas ruas o pessoal fantasiado e empolgado com os desfiles. Nosso projeto é criar um clima carnavalesco na cidade”.

    Para conquistar este objetivo, a prefeitura arriscou e acertou quando trouxe o carnaval de volta a Borges de Medeiros, no centro da capital. A partir de dezembro, uma vez por semana, uma agremiação carnavalesca desfilou na avenida, atraindo de cinco a dez mil pessoas por apresentação. “Nós revivemos os desfiles ocorridos em Porto Alegre, nos anos 60, quando as escolas desciam a avenida e a multidão se aglomerava para assistir“, lembra o coordenador, autor da idéia saudosista.
    Entre as novidades para este ano está a ampliação dos recursos destinados às escolas de samba, que receberão parte da arrecadação da bilheteria em premiação, cerca de R$ 200 mil. Além disso, o cachê das escolas, chegará ao todo, em R$ 1,2 milhão. Incluindo investimentos com infra-estrutura e festividades relacionadas ao Carnaval, a Prefeitura investe cerca de R$ 3 milhões no evento.

    A pista de eventos terá 500 policiais militares trabalhando, além de guardas municipais e seguranças contratados. Os foliões ainda terão uma unidade de atendimento de saúde à disposição, com um médico de plantão e uma ambulância.

    Cronograma

    25/02 Desfile Categoria Especial
    26/02 Desfile Categoria B
    27/02 Desfile Categoria A
    28/02 Desfile Categoria de Acesso
    02/03 Apuração
    04/03 Desfile das Campeãs

    Transporte público até o Porto Seco

    E10 – Restinga/Carnaval (via Lomba), com saída do Terminal da Av. Nilo Wulff, itinerário via Lomba do Pinheiro;
    2- E33 Centro / Evento, via Sertório;
    3- 633 Costa e Silva, via Assis Brasil (terminal centro na Praça Rui Barbosa);
    4- B02 (integração Metrô);
    5- T6 Carnaval (terminal na Avenida Princesa Isabel).

    Mais informações pelo fone 118.

  • Casa Civil recebe queixas sobre pedágio da RS – 040

    Discussão na Assembléia Legislativa culminou no encontro com chefe da Casa Civil (Fotos: Luiz Ávila/AL)

    Naira Hofmeister

    No primeiro encontro oficial entre manifestantes e Governo do Estado para tratar sobre o pedágio da RS-040 e os incidentes do último domingo (19), o chefe da Casa Civil, Pedro Bisch Neto garantiu que serão abertas sindicâncias para investigar o abuso de violência da Brigada Militar durante o protesto. Também afirmou a intenção do Governo por uma solução de bem comum: “Temos que harmonizar a situação entre as concessionárias e a população, mas não tomaremos uma decisão unilateral que possa prejudicar o Estado”, disse.

    A audiência aconteceu no início da tarde dessa quarta-feira (22), após uma reunião entre a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e os viamonenses, iniciada às 9 horas, que culminou no encontro na Casa Civil.

    Ao final da reunião, a impressão entre os manifestantes e parlamentares era que, de imediato, nada seria feito: “Temo que haja novo enfrentamento na sexta-feira”, declarou o deputado Raul Pont (PT), referindo-se à nova manifestação marcada para o dia 24, às 16h, em frente à Igreja da Matriz, no centro de Viamão.

    No entanto, hoje, quarta-feira (23), o comando da Brigada Militar abriu sindicância para apurar a ação da polícia militar no protesto da RS-040, em Viamão, no domingo passado (19).

    Bisch Netto ouviu, basicamente, duas reclamações. A primeira, relativa à localização do pedágio, ironicamente apelidado pelos moradores de “Muro de Berlim”, por dividir a cidade em duas. A pauta já vem sendo tratada há tempo pelas entidades representativas do município, Prefeitura e moradores, mas, até então, a negociação com a Univias, concessionária que administra o trecho, está parada.

    Os moradores pedem isenção total para residentes e carros emplacados no município ou a transferência da praça de pedágio para a divisa com Capivari do Sul. “Para levar os filhos à escola, ir ao banco ou ao Foro central, quem passar pelo pedágio, deixa dez reais e vinte centavos”, argumentou Carlos Augusto, um dos líderes do movimento. Até mesmo os veículos oficiais são obrigados ao pagamento da taxa. O vice-prefeito de Viamão, Sérgio Kumpfer, exemplificou ao secretário os danos no município: “Recolhíamos o lixo três vezes por semana, agora, passamos apenas uma”.

    Mesmo após a manifestação do vice-prefeito, o titular da Casa Civil disse que, nas informações que lhe foram passadas, constava que toda a população de Viamão “ou ao menos uma parte”, possuia isenção. O representante do movimento de moradores argumenta que dos 49 mil veículos do município, menos de dois mil possuem o benefício.

    A segunda questão levantada no encontro, tida como de grande urgência pelos presentes, apelava ao Estado por uma intervenção nas atitudes da Brigada Militar, que, no domingo (19) coibiu a manifestação pacífica com exagerada violência. Quatro representantes da comunidade mostraram ferimentos provenientes de balas de borracha ao secretário. “Vale ressaltar que os tiros foram dados no pescoço, peito e cabeça, ou seja, não eram só para assustar”, disse chorando, o arquiteto Pedro Cialho, um dos atingidos pelos disparos.

    A esposa de Cialho, também ferida nas pernas, chegou a solicitar um exame toxicológico no Comandante da operação, Tenente-coronel Heitor de Sá Carvalho, por acreditar que “é um psicopata”. Os manifestantes denunciam que o Coronel foi o primeiro homem a atirar as bombas de efeito moral. Segundo eles, este fato poderia ser comprovado através das imagens feitas no local por emissoras de tevê.

    Deputados tomam a frente nas negociações

    O encontro com Pedro Bisch Neto, anunciado no meio da manhã, durante a reunião pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia foi recebido com entusiasmo pelos participantes: “Aguardamos isso desde o dia 27 de janeiro, quando foi protocolada uma solicitação de audiência com o Governador, em seu gabinete”, lembrou o vice-prefeito de Viamão, Sergio Kumpfer (PT), que apóia plenamente as manifestações.

    Entre as lideranças presentes na Assembléia, deputados estaduais, representantes do Ministério Público, dos moradores e líderes sindicais. As cadeiras estavam lotadas por viamonenses que exibiam no peito um grande adesivo com os dizeres “Não ao Pedágio”.

    A reunião foi pautada pelas agressões sofridas na tarde de domingo passado, quando os policias do Batalhão de Operações Especiais e do Batalhão Rodoviário encerraram a caminhada dos moradores, que seguia pela RS – 040, com bombas de feito moral e balas de borracha. Segundo os participantes, a passeata seguia sem violência quando, sem aviso prévio, a Brigada formou uma barreira e “encurralou” os manifestantes. Na platéia, as reações às falas dos deputados tinham como ordem a frase “fomos caçados como bichos no mato”.

    Pedido para CPI dos Pedágios tem 17 assinaturas*

    O deputado Osmar Severo (PDT) já conseguiu 17 adesões ao pedido de instauração da CPI dos Pedágios. Faltam apenas duas assinaturas para encaminhar o requerimento à presidência da Assembléia Legislativa. O regimento da Casa exige que pelo menos 1/3 dos deputados assinem o documento, o que corresponde a 19 parlamentares.

    Severo espera conseguir as assinaturas que faltam até o final desta semana. “Estou contando com a adesão de deputados do PFL e vou conversar novamente com os do PP”, afirmou. De acordo com o pedetista, o objetivo da CPI é apurar os fatos relacionados às licitações para a escolha das concessionárias que exploram as praças de pedágio e os contratos e aditivos firmados entre elas e o Governo do Estado.

    Já assinaram o requerimento os deputados Adroaldo Loureiro, Floriza dos Santos, Gerson Burmann, Giovani Cherini, Ciro Simoni, Paulo Azeredo, Vieira da Cunha e Osmar Severo, do PDT;  Adolfo Brito, Jerônimo Goergen, José Farret e Vilson Covatti, do PP; Abílio dos Santos e Sérgio Peres, do PTB; Ruy Pauletti, do PSDB;  Heitor Schuch, do PSB e Álvaro Boessio, do PMDB.

    Não é a primeira vez que a Assembléia tenta criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as suspeitas de irregularidades nas concessões das rodovias  estaduais. No ano passado, o pedido da deputada Miriam Marroni (PT) foi protocolado com 27 assinaturas, mas posteriormente, 14 deputados retiraram seus nomes, inviabilizando a instalação da investigação.

    *Com informações do site da Assembléia Legislativa