Autor: Elmar Bones

  • Cristãos caminham pela paz

    Caminhada dos cristãos foi para mostrar a força da união contra a violência (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    A Caminhada pela Paz reuniu cerca de 2000 pessoas nesta terça-feira, (21/02), no centro de Porto Alegre. O evento fez parte da 9ª Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas que ocorre na capital. Entre os participantes estava Desmond Tutu, bispo Anglicano sul-africano e vencedor do Prêmio Nobel da Paz. Ele reafirmou a sua posição contra todos os tipos de violência, e ainda sambou ao som de uma escola de samba.

    O objetivo da caminhada era aliar os integrantes das igrejas cristãs em um ato que mostrasse a força da união contra a violência. “A paz e a justiça têm que andar juntas. Esta é a marcha pela paz, justiça e esperança, por isso caminhamos unidos”, afirma o representante do Conselho Latino Americano de Igrejas, Reverendo Israel Batista.

    Por volta das 21 horas, ao som da bateria da Escola Imperadores do Samba, a multidão subiu a Avenida Borges de Medeiros dançando e cantando “os tanques de guerra serão ninhos dos pássaros que voam pelos céus”. A música é o Samba da luta Pela Paz, escrito por Marcelo Guimarães. O bispo Desmond Tutu sambou junto e mostrou muito bom-humor, apesar do calor e do assédio da imprensa. Para acompanhar os participantes, ele teve que ser escoltado pela Brigada Militar.

    Na Esquina Democrática, todos pararam para ouvir a fala poética de Adolfo Pérez Esquivel, militante dos direitos humanos e ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1980. A partir deste momento, a caminhada recomeçou com mantras e frases religiosas.

    Na Praça da Matriz, a fala do bispo Desmond Tutu motivou os participantes, que seguravam velas brancas. “O muro de Berlim caiu, a Apartheid caiu, e hoje em Porto Alegre a violência vai cair”, afirmou. Ele enfatizou, ainda, que Deus quer a paz no mundo, e por isso as pessoas têm que destruir suas armas e ser contra as guerras.

    “Temos que dizer não à violência contra as mulheres, crianças e o meio-ambiente. Temos que dizer sim à justiça e paz.” O bispo recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1984, pela sua firme posição antiapartheid.

    O bispo Desmond Tutu sambou e mostrou muito bom-humor

    O foco está na América Latina

    Os participantes, representantes das igrejas cristãs de todo o mundo, concentraram-se no Largo Glênio Peres, a partir das 19 horas. Após diversas apresentações artísticas e culturais, houve o ato simbólico da transferência do foco da Assembléia para a América Latina.

    O representante da Conferência das Igrejas da Ásia, Dr. Prawate Khid-arn, entregou uma pasta com documentos ao representante da América Latina, Reverendo Batista. “Recebemos os documentos como um símbolo de que continuaremos a busca pela paz”, afirmou Batista.

    Em seguida, um grupo local de diálogo inter-religioso protagonizou a benção da luz, enquanto o público ascendia velas. Eles foram então convidados para subir a Avenida Borges de Medeiros, em direção à Praça da Matriz.

    A marcha foi uma das atividades da 9ª Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas, que ocorre na PUCRS até quinta-feira (23/02). Para a presidente do Conselho Mundial de Igrejas, Bernice Powell Jackson, a violência é um tema importante hoje para os cristãos. “Nosso mundo ama, ensina e estimula a violência, mas sabemos que este não é o caminho. Somos agentes pela paz e justiça.”

  • Uma pequena revolução

    Cada componente tem direito a 30 exemplares por semana (Fotos Tânia Meinerz)

    Guilherme Kolling
    O apelido Ceco – assim mesmo, com “C” – se refere à complexão física do rapaz. O jovem ainda é magro, mas na época em que ganhou o apelido era “pele e osso”. Ao invés de comprar comida, usava os trocados que arranjava para sustentar seu vício. “Ficava na rua completamente chapado”, admite. “Não tinha qualquer controle, as vezes roubava… Se ganhava cinco, dez reais, ia comprar droga”.
    Assim era a vida de Ceco aos 20 anos – ele aparentava 12, tal era sua desnutrição. Analfabeto, sem-teto, ele não tinha muitas perspectivas. Vivia na Rodoviária de esmolas e biscates. Nessa época, foi abordado por um grupo do jornal Boca de Rua. “Eles se apresentaram querendo me entrevistar, explicando que era um jornal feito por moradores de rua. Achei interessante e quis entrar para o grupo”, lembra.
    O rapaz titubeou por causa de suas limitações. “Eu pensei: Não sei ler, não sei escrever, nem usar máquina para tirar foto. Como é que eu vou fazer o jornal?… Mas eu também pensei que eu tenho capacidade. Aí enturmei e comecei a participar”, lembra Ceco, que conversa com desenvoltura.
    Ele explica que o trabalho lhe abriu portas, que passou a ser mais aceito pela sociedade. É um dos participantes mais ativos do Boca de Rua. Depois de cinco anos, o jovem evoluiu bastante também nos estudos. Aos 25, está na 6a série do Ensino Fundamental. Trabalha vendendo o jornal que ajuda a produzir e tem uma série de compromissos.

    Ceco exibe canhoto de cinema e passagens de avião

    “Dizem que morador de rua é vagabundo, mas eu só tenho duas tardes livres por semana”, contabiliza orgulhoso. Uma dessas atividades que preenchem sua agenda é a oficina de vídeo, que acontece nas sextas, na Usina do Gasômetro. Em 2005, Ceco ajudou a produzir o filme “Carta de Porto Alegre”, exibido em agosto em Porto Alegre.
    A jornalista Rosina Duarte (foto), fundadora da Alice – Agência Livre Informação e uma das coordenadoras do Boca de Rua, lembra o momento como um dos mais marcantes dessa experiência. Ao entrar na sala do Santander Cultural, repleta por um público de professores e estudantes universitários, ela sentiu-se emocionada. “Ali, naquele momento, senti que estávamos fazendo uma pequena revolução”.
    O vídeo foi levado depois para São Paulo, num evento na Câmara de Vereadores, onde Ceco fez a apresentação da obra. Ele fala da atividade com alegria e enumera outros momentos marcantes. “Nunca pensei que entraria no aeroporto para pegar um avião. Que um dia eu entraria numa escola para dar uma palestra, falar para 50 alunos”, surpreende-se.
    Seu novo projeto, divulgado nas páginas da edição do Boca de Rua de setembro/outubro/novembro é a criação de uma biblioteca para o público do jornal. Chamada de “Bocoteca”, por enquanto ela funciona numa mochila que Ceco leva para lá e para cá. A idéia é fazer uma roda de leitura uma vez por mês. “Ao invés de ficar carregando os livros, vou fazer uma planilha. Assim a pessoa escolhe qual quer ler sem eu ter que ficar levando”. O acervo é composto de exemplares doados.
    Três jornalistas iniciaram o projeto
    O jornal Boca de Rua completou cinco anos em janeiro, mas começou a nascer há seis, quando as jornalistas Rosina Duarte, Clarinha Glock e Eliane Brum decidiram formar a Alice para fazer projetos sociais na área de comunicação. “Sempre gostamos do tema direitos humanos e queríamos contar a história de gente comum”, explica Rosina.
    O primeiro trabalho foi com um grupo que ficou conhecido como “Tartarugas Ninjas”, crianças que vivam na galeria de um esgoto e entravam por um bueiro – ficaram famosas depois de uma reportagem de grande repercussão mostrou essa realidade. Em 2000, os garotos já era adultos, vários tinham morrido.
    Uma professora chamada Deidre, que conviveu bastante com os jovens, a quem alfabetizou na rua mesmo, fez a aproximação entre as repórteres e os “sobreviventes”. “Eles não entenderam direito o que a gente queria, mas ouviam. Começou quase como uma brincadeira e aos poucos entusiasmou eles, que um dia decidiram que queriam fazer um jornal”.
    Escolheram o nome e fizeram a logomarca da publicação. Mas maioria era analfabeto. Assim, o método foi passar para a linguagem escrita os textos que eles falavam de forma coletiva. “A única regra que estabelecemos foi o respeito”, lembra Rosina, descrevendo os encontros ao ar livre, na pracinha ao lado do Colégio Rosário.
    A primeira edição do Boca de Rua saiu no Fórum Social Mundial de 2001 – desde então a publicação é trimestral. Cerca de 30 pessoas cadastradas, que participam das reuniões semanais, escolhem a pauta e produzem todas matérias.
    Os profissionais que supervisionam o trabalho são todos voluntários. A impressão é paga pela Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho. E o dinheiro com a venda avulsa, a R$ 1,00, fica com quem participa do jornal. Cada integrante ganha uma quota de 30 jornais por semana, ou seja, arrecadam cerca de R$ 120 por mês – eles garantem vendem tudo em dois ou três dias.
    O perfil dos participantes é variado. Em comum, a situação de rua vivida em algum momento. Alguns permanecem sem-teto, outros tem moradia. Alguns saíram de casa ainda criança, outros por uma circunstância ou dificuldade na vida. A situação é difícil para muitos, há portadores de HIV, tuberculosos, viciados em drogas. Mas cada um com uma história diferente.
    E todos descobrindo novos horizontes – vão ao cinema, museu, Feira do Livro, shopping center, locais que alguns ainda não tinham ido. Paralelamente, participam de uma oficina de hip-hop na sede do Gapa e de aulas de vídeo, no Gasômetro, ambos com encontros semanais.
    “A reintegração tem que partir deles”
    Junto com Rosina Duarte, a jornalista Clarinha Glock sempre esteve atuante no projeto do jornal Boca de Rua – a outra fundadora, Eliane Brum, teve que se afastar ao ir trabalhar na revista Época. A seguir, uma entrevista com Clarinha sobre o tratamento da imprensa e políticas públicas para os moradores de rua.

    Boca de Rua auxilia na renda e na inserção social de seus integrantes

    JÁ – Qual sua avaliação da cobertura da imprensa sobre os moradores de rua?
    Clarinha – Considero ruins matérias que apenas tratam os moradores de rua como uma categoria estigmatizada, como se fossem vítimas ou bandidos, que os usam para ocupar os espaços dos “cases”, apenas para ilustrar as matérias. Ou que os ouvem, mas de forma superficial, sempre com pressa, e não conseguem mostrar o contexto que faz com que essas pessoas estejam na situação em que estão. Procuro evitar o termo “morador de rua” e usar “pessoas estão em situação de rua”. Não se trata apenas de ser “politicamente correto”. Neste caso, me parece o mais próximo da realidade. Muitos vão e volta para a rua, seja de casa, dos abrigos, dos albergues. É importante que se mostre o contexto, que se vá além dos discursos prontos que, por culpa da própria imprensa – sempre com pressa, sem espaço para aprofundar as reportagens, sem tempo para ouvir e observar melhor o outro – acabamos sempre reproduzindo, o que serve apenas para difundir uma idéia estigmatizada. Falo “discursos prontos” porque, se você se dá tempo para ouvir melhor estas pessoas, percebe que nós, jornalistas, geralmente chegamos apenas com nossas reportagens do dia-a-dia ao estereótipo. Só com o tempo, a sensibilidade e a confiança deles é que se pode ir além, buscar explorar e descobrir os sonhos, as frustrações, as demandas reais que todas as pessoas têm – e os que estão nas ruas também. Eles são mais do que “drogados”, “aidéticos”, “ladrões”, “mendigos”. São pessoas. Se as matérias conseguirem mostrar isso, estarão contribuindo para mudar uma realidade e para que os leitores se sintam instigados a fazer isso também.
    JÁ – A repercussão comum de uma matéria sobre uma pessoa que mora embaixo de um viaduto é a repressão do governo, que simplesmente tampa ou fecha esse local. Qual a saída para evitar isso?
    Clarinha – Talvez uma maneira seja mostrar que não adianta transferir o problema, ou tapar o buraco pra ninguém ver. Mobilizar entidades de defesa de direitos humanos para dar amparo e suporte, questionar e dar acompanhamento às ações do governo, não apenas mostrando o fato e o resultado (expulsão e fechamento dos buracos nas pontes), mas seguir contando a história destas pessoas. Um dos grandes problemas da cobertura diária é que, além de não oferecer muito espaço para estas histórias (sob a desculpa que os leitores ou telespectadores não estão interessados, porque é feio, porque não faz parte da realidade deles), não dá acompanhamento, não persiste na história (sob o mesmo pretexto de que os leitores/telespectadores vão enjoar de ouvir sempre a mesma ladainha). Se a história for bem contada, se for contextualizada, vira um fato político, pode transformar uma realidade.
    JÁ – Na sua convivência com os sem-teto, percebeu alguma perspectiva que os leve à reintegração que não esteja sendo feita por miopia dos governos e dos cidadãos?
    Clarinha – As pessoas não chegam a ser sem-teto por aventura ou gosto. Há muitas dificuldades no caminho, para se manter vivo e íntegro na rua. Tratar pessoas como pessoas, não como números é um começo. Ouvir o que eles têm a dizer e construir junto com eles uma nova realidade, acho que esta é a saída. O Boca de Rua tem um papel inicial de mobilizar, de fazê-los visíveis. Mas sozinho ninguém faz nada. É preciso mobilizar as entidades que tratam do tema, integrar os interesses comuns em busca de melhor saúde, perspectivas de geração de renda, moradia. Mas a reintegração tem que partir deles. O governo e algumas ONGS têm de ajudá-los a se reorganizar, não praticar o assistencialismo para aliviar a culpa e tirá-los da vista dos que têm mais poder. Ninguém melhor do que aqueles que estão vivendo esta situação para dizer do que precisam e o que querem.

  • Dilma sobre Opção Braskem: “A Petrobras vai negociar com os dois sócios”

    Guilherme Kolling

    A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff falou ao JÁ na manhã desta sexta-feira, 17 de fevereiro, antes de deixar o campus da PUCRS, onde acompanhou o presidente Lula no encontro do Conselho Mundial de Igrejas. Ela não quis se pronunciar sobre as negociações de troca de ativos envolvendo Braskem e Petroquisa, que vão definir o futuro controle do Pólo Petroquímico de Triunfo. “Não posso falar de uma negociação em andamento da Petrobras com uma empresa”, justificou.

    Questionada se já havia chegado ao seu conhecimento a proposta da Ipiranga à Petroquisa, a ministra respondeu que a posição da Petrobras é clara, vai negociar com os dois sócios. Sobre uma possível mudança de prazo para a definição das negociações entre Braskem e Petroquisa, marcado para 31 de março, ela foi taxativa. “O prazo está definido, não se discute”.

    Ipiranga confirma negociações com Petroquisa – 16/02/2006

    Elmar Bones, de São Paulo

    A Ipiranga rompeu o silêncio que mantinha desde o início a respeito da troca de ativos que está sendo negociada entre a Petrobras e a Braskem e que pode significar um golpe mortal para a empresa petroquímica, com efeitos em todos os negócios do tradicional grupo gaúcho.

    O assunto foi levantado na entrevista coletiva que a Ipiranga promoveu ontem em São Paulo para apresentar os resultados de 2005. “O que o senhor pode falar sobre a Opção Braskem”? perguntou o repórter Jefferson Klein, do Jornal do Comércio. Paulo Magalhães, diretor da Ipiranga Petroquímica, começou com uma revelação: disse que desde terça-feira passada o banco Santander participa, indicado pela Ipiranga, do data-room para avaliação dos ativos da Copesul. Até então apenas Petroquisa e a Braskem estavam na avaliação.

    André Vieira, do Valor, levantou a questão do prazo: “A Braskem diz que a data de 31 de março será mantida, mas o que se diz no mercado é que os bancos avaliadores estão pedindo prorrogação do prazo. Vai ser mantido o prazo para a opção?”

    Magalhães fez um preâmbulo para advertir que não pretendia falar mais sobre o assunto, depois explicou: “Não temos acesso ainda. Esta semana é que indicamos o banco…não posso falar nada sobre isso”. E as negociações com a Petroquisa, o senhor confirma?, insistiu o repórter do JC. Magalhães pareceu contrariado: “Há um ano a Ipiranga decidiu crescer na Petroquímica. É nesse sentido que estamos conversando com a Petroquisa. É sô o que posso dizer. Procuramos e estamos conversando”. O que já está definido? “Está em conversa. Não está decidido. Tivemos esse contato já há algum tempo, é um processo de associação, envolvendo ativos. Queremos um sócio para nos ajudar a crescer”.

    Ao final, cercado pelos repórteres que queriam saber mais, Magalhães repetia: “Nothing, nothing”.
    A Ipiranga Petroquímica divide com a Braskem o controle da Copesul, a mais rentável empresa do setor petroquímico (cada uma tem 29,4%) e enfrenta uma arrojada investida de seu sócio, que tem como meta estratégica controlar o pólo petroquímico do Sul.

    Os resultados

    Os quatro diretores das empresas do grupo participaram da entrevista em que a Ipiranga apresentou seu balanço de 2005, nesta quinta-feira, em São Paulo. Leocádio Antunes Filho, da Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, Alfredo Tellechea. da Distribuidora de Produtos de Petróleo Ipiranga, Paulo Magalhães, da Ipiranga Petroquímica e Elizabeth Tellechea, da Refinaria de Petróleo Ipiranga.

    Eles pareciam cansados quando chegaram, com meia hora de atraso ao hotel Unique, em São Paulo. “Pelas olheiras, as notícias são ruins”, comentou uma jornalista. Mas os números eram bons, embora não tenham repetido o desempenho de 2004. O endividamento, cuja redução era prioridade, caiu 24%, chegando a um nível que “deixou de preocupar”. O faturamento cresceu 15,5%, alcançando os R$ 28 bilhões, mas o lucro de R$ 518 milhões foi menor do que no ano passado. Em compensação os acionistas foram aquinhoados com uma distribuição recorde de dividendos: R$ 222 milhões.
    A Ipiranga Petróleo, que vende combustíveis, e responde por dois terços do faturamento do grupo aumentou em 20% a receita bruta e aumentou suas vendas em 4,2%, quase três vezes a média brasileira, de 1,6%.

    A Distribuidora cresce pelo quinto ano consecutivo, chegando a 19,3% do mercado brasileiro de combustíveis (tinha 16,8% em 2000). Seu lucro de R$ 170 milhões é 23% maior do que o do ano passado.

    Na Petroquímica o resultado foi considerado “muito bom”, apesar da conjuntura desfavorável. O volume de vendas foi menor, mas o preço compensou. O lucro, de R$ 274 milhões foi bem menor do que os R$ 400 milhões do ano passado, (um ano excepcional para a petroquímica), mas ainda assim respondeu por mais da metade do resultado de toda a companhia. A dívida foi reduzida com a amortização de U$$ 130 milhões de dólares e a empresa ainda tem US$ 150 milhões à sua disposição numa linha de crédito pré-aprovado no IFC (International Finance Corporation).

    A Refinaria Ipiranga, em compensação, viveu o pior ano de sua história, por conta do aumento do preço do petróleo e da política de preços da Petrobras no mercado interno. A prioridade foi “minimizar perdas”, com a redução da produção. Já havia reduzido 34% suas atividades em 2004. Em 2005, cortou a produção em 41% e com isso conseguiu reduzir o prejuízo de R$ 39 milhões no ano passado, para R$ 29 milhões este ano.

    Sem escala e dependente, futuro da Refinaria Ipiranga é incerto. No ano passado, ficou metade do ano parada, retomou as atividades em dezembro quando o preço do petróleo arrefeceu, e hoje tem garantia de funcionamento até abril, com o petróleo já comprado. Para adiante desta data, vai depender da conjuntura e de decisões governamentais. A empresa recorreu à Secretaria de Direito Econômico, pedindo compatibilidade entre os preços que paga pelo petróleo e o preço dos derivados que produz, mas até agora não teve resposta.

  • Templo positivista será recuperado

    Clóvis Nery veio do Rio de Janeiro capitanear as obras de recuperação do prédio (Fotos Tânia Meinerz)

    Guilherme Kolling

    O engenheiro civil Clovis Augusto Nery, 64, secretário geral da delegação executiva da Igreja Positivista do Brasil veio do Rio de Janeiro passar esta semana em Porto Alegre. Seu objetivo: dar início à recuperação do templo positivista da cidade, situado na avenida João Pessoa, entre a José Bonifácio e a Venâncio Aires.

    A iniciativa já teve resultados. O arquiteto George Augusto Moraes está organizando a Associação dos Amigos da Capela Positivista, entidade que requisitará o tombamento do casarão, além de buscar recursos para o restauro. A neta do construtor do edifício também está sendo contatada.

    O templo é um dos únicos três do Brasil – os outros ficam no Rio de Janeiro, onde está a sede principal, e em Curitiba (PR). O casarão na capital gaúcha está abandonado, não há realização de cultos nem atividades dos seguidores da religião. Só funciona aos domingos, quando o caseiro, que vive numa edificação nos fundos do terreno, recebe os poucos visitantes que arriscam entrar.

    O prédio foi construído na década de 1920 pelo então secretário de Agricultura, Borges Carlos Torres Gonçalves. Era o auge do positivismo no Estado, que tinha sua constituição baseada nessa doutrina e lideranças políticas que a seguiam, caso de Borges de Medeiros e Júlio de Castilhos.

    “O Rio Grande do Sul teve a constituição mais avançada do Ocidente até 1930”, avalia Nery. Ironicamente, Getúlio Vargas, que também norteou sua formação pelo positivismo acabou por extinguir as constituições estaduais, quando assumiu a presidência da República.

    Mesmo com o enfraquecimento da doutrina positivista no Rio Grande do Sul, o templo se manteve todos esses anos. A capela e os prédios anexos pertencem todos à Igreja, que não pretende se desfazer dos imóveis. Pelo contrário, a idéia é fazer uma ampla reforma. “O Centro positivista é um marco cultural para o Rio Grande do Sul”, defende o secretário geral Clovis Nery.

    Ele aponta a necessidade de reparos em todo o prédio de dois pavimentos, o que inclui pintura, substituição de telhado, além de reforço nas fundações. Hoje, o salão no andar de cima, destinado às prédicas – conferências religiosas sobre a obra positivista –, está repleto de cadeiras vazias.

    “Pretendemos reativar esses encontros aqui em Porto Alegre. Nosso fim principal é religioso”, adianta Nery. As prédicas seriam feitas numa dia e horário específico – no Rio de Janeiro, sede principal da Igreja, ocorrem aos domingos, das 10h às 12h. Simpatizantes e curiosos podem freqüentar.

    O casarão da João Pessoa também abriga no térreo um vasto acervo, que inclui centenas de livros, boa parte edições originais, em francês, de Augusto Conte, fundador do positivismo. A paredes estão repletas de bustos e quadros de seguidores ilustres, como Miguel Lemos e Teixeira Mendes – que fundaram a Igreja Positivista no Brasil em 1881. Mendes também é idealizador da bandeira do Brasil, que apresenta o lema positivista “Ordem e Progresso”.

    Esta “fórmula sagrada” do positivismo, aliás, está estampada no alto da fachada do templo, em Porto Alegre: “O Amor por principio, a Ordem por base, o Progresso por fim”.

    Associação vai buscar recursos par restauro

    O arquiteto George Augusto Moraes já está em contato com a Secretaria de Estado da Cultura e com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE). O objetivo é solicitar o tombamento do templo positivista.

    Antes, ele está reunindo simpatizantes do positivismo e defensores do patrimônio cultural da cidade para formar a Associação dos Amigos da Capela Positivista. Quando a pessoa jurídica estiver criada, a idéia é montar um projeto para buscar recursos, através das leis de incentivo à cultura, para restaurar o prédio.

    “É comum os donos serem contrários ao tombamento. Mas neste caso é o contrário. Eles são os maiores interessados na recuperação do imóvel”, observa o arquiteto, que já solicitou documentação do Rio de Janeiro, que irá integrar o dossiê a ser entregue aos técnicos do IPHAE.

    Com o espaço recuperado, o passo seguinte é promover atividades no local, com ênfase na questão histórica. “O templo deverá abrir durante a semana para que os colégios possam fazer visitas guiadas. Os professores vão adorar ter essa oportunidade”, acredita.

    No Rio de Janeiro, a igreja positivista, no bairro da Glória, já funciona como um centro religioso e cultural. “Podemos repetir isso aqui em Porto Alegre, com atividades culturais, apresentações musicais, visitas guiadas. Mas isso é para mais adiante. Hoje não temos estrutura nem recursos”, pondera o secretário geral da Igreja Positivista do Brasil, Clovis Nery. O primeiro passo será reativar as prédicas, o que pretendemos fazer ainda em 2006”, completa.

  • Disciplina dura preserva parque no Arkansas

    Vista desde o Mountain State Park, em Little Rock (Fotos Carlos Matsubara)

    Carlos Matsubara, Little Rock, EUA

    Americanos, quando querem, sabem ser amigos da natureza. Ao menos da deles. É o que pode ser comprovado ao visitar qualquer um de seus parques naturais. As regras impostas aos visitantes beiram a esquizofrenia tipicamente americana em tempos de guerra ao terrorismo.
    “Não pode isto, não pode aquilo outro. É proibido isto também…”, informa uma velha mau-humorada ainda na entrada do visitors center, passagem obrigatória para entrar no Pinnacle Mountain State Park, localizado a menos de 15 milhas de Little Rock, capital do Arkansas.

    Preservação é palavra de ordem no local

    O Pinnacle é um parque natural rodeado de montanhas e lagos, tido como padrão por aliar preservação ambiental e entretenimento para americanos –sulistas- entediados. A primeira referência histórica sobre a necessidade de sua preservação partiu do renomado naturalista local, Thomas Nuttal, em 1811. Naquele tempo o parque formado por montanhas era conhecido como Maumelle Peak.
    Em 10 de abril de 1970 foi transformado em Parque de Proteção pelos políticos locais, deixando uma brecha na lei para uma ampliação posterior, o que de fato acabou ocorrendo. Hoje o parque alcança mais de 1.800 acres. Pequeno se comparado aos similares brasileiros ou até mesmo em relação a outros parques norte-americanos. Mas grande na disciplina e organização. A chatice de funcionários, como a velha citada acima, acaba funcionando.
    Antes de se aventurar mato adentro, o visitante recebe instruções e aprende as regras do bom usuário. E, claro se quiser, vai achar uma centena de bugigangas para levar de lembrança. Do parque, não se tira nem uma folha caída no chão.

    O visitors center disponibiliza informação e lembranças para os visitantes

    É possível aprender um pouco mais sobre a formação rochosa do lugar. Se havia ou não índios, conhecer um jardim botânico com as espécies encontradas ao longo das trilhas, enfim, tudo muito bem explicadinho por gravações que podem ser ouvidas através de diversos telefones espalhados pelo visitors center.
    Tocos de cigarro, garrafas plásticas, papel ou restos de comida? Nem pensar. Você pode caminhar por todas as trilhas do lugar e não vai achar nada disso. A punição é $evera, mas a educação influencia, e muito.
    Se você quiser, pode até levar seu cachorrinho pra passear, mas não deve deixar rastros de cocô, e ainda conduzi-lo amarrado. Essas são apenas algumas das normas a serem obedecidas.

    No parque há espaços para todo o tipo de atividade

    Nas montanhas, há espaço para todos os gostos, áreas para piqueniques, esportes radicais, passeios de barcos nos lagos, playgrounds e 40 milhas de trilhas para quem curte uma boa (e extensa) caminhada.
    Acampamentos estão entre as proibições. Entretanto, campings estão disponíveis no parque de Maumelle, localizado a apenas 3,8 milhas ao leste. Lá, o visitante vai encontrar uma estrutura cinco estrelas: 29 campings com banheiros de água quente, luz elétrica, pavilhões para festas, espaços para churrascos, playground e outras atrações.
    Outra atração do Pinnacle é a Fuga de Ouachita, uma espécie de corredor ecológico que percorre cerca de 30 milhas entre montanhas, cursos d’água e mata preservada. Para conhecer o lugar, somente com guias autorizados em datas agendadas previamente. As portas do parque, alias, são fechadas uma hora apos o pôr –do –sol. No inverno, antes das seis da tarde.
    O Arkansas limita-se ao norte com o estado de Missouri, ao sul com o estado de Louisiana, a leste com o estado de Tennessee, a oeste com o estado de Oklahoma, a sudeste com o estado de Mississippi e a sudoeste com o estado do Texas. E considerado o “The Natural State” dos estadunidenses.

  • Esperança dá o tom da Assembléia Cristã

    Encontro da música com o teatro contagiou os participantes da 9ª Assembléia do CMI (Divulgação)

    Helen Lopes

    Em tempos de intolerância e acirramento das diferenças, a abertura da 9ª Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) provou que a esperança em dias melhores ainda é compartilhada por muitos. No auditório do prédio 40 da PUC, na tarde desta terça-feira (14/02), os participantes acompanham um espetáculo teatral dos grupos Depósito de Teatro e Som na Lata.

    No início, platéia com olhos aguçados e até demonstrações de estranhamento. Na seqüência, anglicanos, luteranos, metodistas, calvinistas, pentecostais e católicos de todos os continentes foram arrebatados pelo ritmo brasileiro. Na batida da música “O que é o que é”, de Gonzaguinha, o sentimento de esperança unificou as crenças, pelo menos, por alguns minutos.

    O moderador do comitê central do CMI, patriarca Aram I, deu inicio aos trabalhos com um minuto de silêncio para orações conforme cada religião. Depois falou que o encontro servirá para abordar em conjunto ações e desafios para os próximos anos e comemorou a grande presença jovem. Cerca de 15% dos inscritos. O secretário-geral do CMI, Samuel Kobia, aproveitou para saudar todas as tradições cristãs presentes.

    O vice-prefeito de Porto Alegre de Eliseu Santos lembrou da importância da Assembléia para a Capital. “É uma honra para a cidade abrigar um evento como este, realizado pela primeira vez na América Latina.” Já o governador do Estado, Germano Rigotto, traçou uma linha histórica sobre a importância do cristianismo na civilização. Afirmou ainda que um dos desafios das igrejas é a superação do relativismo e do materialismo, que, segundo ele, coloca Deus na prateleira de bens não duráveis.
    Fórum da diversidade

    A diversidade religiosa, étnica, lingüística e cultural é a marca do evento, chamado por muitos de Fórum Social Mundial ecumênico. A própria escolha do local se deve ao FSM. De acordo com a organização, Porto Alegre foi escolhida pelas vivências sociais como o Fórum.

    A Assembléia do CMI acontece a cada sete anos, desde 1948, quando foi criada. Pela primeira vez, o evento está desenvolvido na América Latina. Celebrações, estudos bíblicos, plenárias temáticas e diálogos ecumênicos integram a programação.

    Confira a programação da quarta-feira, 15 de fevereiro:

    12h45min – Coletiva do Moderador do CMI, Aram I (patriarca da igreja Apostólica da Armênia ) Local: Teatro, prédio 40

    12h45min – Dança dos índios kaingangues na grande tenda

    12h45min – Apresentação de dança de crianças da Botswana/ Apresentação de dança de crianças da Botswana

    14h15min – Coletiva do Secretário Geral do CMI, Reverendo Dr. Samuel Kobia (Igreja Metodista no Quênia) Local: Teatro, prédio 40

    15h-16h30 – Fala do moderador do CMI, Aram I. Local: Plenária, prédio 41

    16h30min – Encontro com a Mídia (Meet the Press) Um confronto de civilizações é inevitável? Globalização, cultura, religião e violência – a ser confirmado

    17h-18h15 – Relato do Secretário Geral do Conselho Mundial de Igrejas Reverendo Dr. Samuel Kobia. Local: Plenária, prédio 41

    19h30min – Globalização no Futebol (peça de teatro que representa uma partida de futebol entre os países ricos e os pobres)

  • Ipiranga entra nas negociações com Petrobras


    Copesul é o principal alvo das negociações (Foto: Divulgação/JÁ)

    Elmar Bones

    Está formatado há uma semana um “memorando de entendimento” entre Petroquisa e Ipiranga, que pode dar novo rumo às negociações da Petrobras  com vistas à troca de ativos na petroquímica.

    O memorando consumiu mais de dois meses de tratativas entre as duas partes e contém uma proposta similar à que vem sendo negociada com a Braskem, com uma diferença essencial: tem anexa uma pré-minuta de acordo de acionistas, em que a Ipiranga aceita compartilhar a gestão da Copesul com a Petroquisa, num formato que a Braskem reluta em aceitar.

    O documento ainda não conseguiu entrar na pauta da diretoria da Petrobras, mas uma cópia já chegou à mesa da ministra Dilma Rousseff.

    A troca de ativos envolve ações que a Petroquisa tem na Copesul (15%) na Petroquímica Triunfo (80%) e na Petroquímica Paulínea (40%), que seriam transferidas para a Braskem. Em contrapartida, a Petroquisa aumentaria  de 10% para 30% sua participação no capital da Braskem.

    A negociação entre Braskem e Petrobras já se desenvolve há mais de ano e está na fase de avaliação dos ativos, a cargo de dois bancos franceses, que têm o prazo de 31 de março para a conclusão.

    Uma fonte da Ipiranga informou ontem que a empresa poderá se manifestar nos próximos dias a respeito do assunto. O porta-voz da Braskem, Alexandrino de Alencar, disse: “Já ouvi falar que eles estão conversando por iniciativa da Ipiranga, mas não sei o que é, o assunto ainda está muito restrito”. Para a Braskem, segundo ele, nada muda e o prazo de 31 de março está mantido.

  • Continua impasse da RS-040

    Helen Lopes

    Depois de quatro horas de reunião a portas fechadas, os representantes da concessionária Univias, do Governo do Estado, da Prefeitura de Viamão, da Associação Comercial e Industrial de Viamão (Acivi) e da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Delegados (Agergs) não chegaram a nenhum acordo sobre o impasse do pedágio da RS-040. Deliberaram apenas sobre um estudo de contrato de concessão, que deve ser realizado em 60 dias pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer).  Na quinta-feira (16/02), haverá outra reunião conjunta para prosseguir as negociações.

    No encontro, realizado nesta terça-feira (14/02), na sede do Daer, ficou acertado que as partes envolvidas irão encaminhar documentos e dados, juntamente com a análise que será realizada pelo poder concedente para viabilizar saídas. A polêmica voltou à tona em dezembro do ano passado, quando a Univias retomou, por decisão judicial, a cobrança da tarifa aos moradores da cidade. A praça de pedágio está localiza na RS- 40, entre o centro de Viamão e a localidade de Águas Claras. A comunidade reivindica isenção total para veículos emplacados no município ou transferência da praça para a divisa com Capivari do Sul.

    O diretor-presidente da Univias, Marcos Picarelli, lembrou que a concessionária não pretende conceder isenção total aos moradores que tenham veículos porque haveria grande prejuízo financeiro. “A empresa não suportaria a perda de receita”, disse.  O presidente reclama de uma perda de aproximadamente R$ 6 milhões durante os dois anos de isenção aos moradores. “Vamos requerer que esse valor seja transferido para o reequilíbrio contratual e, futuramente, pode ocorrer aumento de tarifas”.

    Em tom de pedido de trégua, o secretário estadual de Transportes, Alexandre Postal, argumentou que precisa dos 60 dias para ter o levantamento de dados completo. Reiterou que a Univias terá os direitos contratuais garantidos. “A concessionária já ganhou algumas questões na Justiça. Vamos respeitar e cumprir os contratos”, declarou o titular.

    O prefeito de Viamão, Alex Sander Boscaini, propôs que durante esse período de tratativas, os viamonenses que se sentem prejudicados tenham acesso ao cartão de bonificação, disponível para os moradores de Águas Claras. A proposta não foi aceita pela concessionária. Em contrapartida, a empresa sugeriu que um cartão para usuário freqüente seja implantado nesses dois meses. “O usuário paga 15 dias e nos outros 15 dias tem a gratuidade”, exemplificou o presidente da Univias.

    Porta fechada com antecedência

    Às 17h30min, a reunião nem bem tinha começado quando a secretária da Direção Geral do Daer anunciou aos recepcionistas do prédio: “Ninguém mais sobe para a Direção”. A preocupação pode ter sido motivada pela concentração de pessoas em frente ao prédio. A porta principal foi fechada com corrente e cadeado.

    Enquanto os representantes conversavam no nono andar, cerca de 30 pessoas estendiam faixas de “Não ao Pedágio” na escada do Daer e, quando a sinaleira na Borges de Medeiros fechava, levavam faixas para a pista. O estudante Max Ribeiro tinha a expectativa de um acordo entre as partes. Ele, como os demais, desistiu às 19 horas. Foram para casa sem respostas.

    Manifestação pode ocorrer no domingo

    O prefeito afirmou que pelas informações que detêm até o momento, as manifestações continuam no próximo final de semana. Mas ele não soube precisar se será na sexta ou no domingo. Um dos líderes do movimento contra o pedágio, o corretor de imóveis conhecido como Passarinho, disse que não divulgará a data do protesto para evitar que a Brigada bloqueie com antecedência a via. Outra fonte, porém, afirmou que o ato será no domingo a pedido do comércio da cidade.

  • Precatórios: Pensionistas retomam mobilização em frente ao Palácio Piratini

    Guilherme Kolling

    Um grupo de senhoras associadas ao Sinapers (Sindicato dos Servidores Públicos Aposentados e Pensionistas do Estado do Rio Grande do Sul) voltou a se reunir em frente ao Palácio Piratini, na tarde desta segunda-feira, 13 de fevereiro. Na semana passada, cerca de 20 integrantes marcaram presença de segunda a quinta na Praça da Matriz.

    Desta vez, elas ficaram quase duas horas fazendo tricô. “É um protesto silencioso, que foi inspirado na personagem Penélope, mulher de Ulisses, que espera por anos o retorno do marido da guerra. Enquanto isso ela fica tecendo”, explica a presidente Júlia de Oliveira Camargo.

    Assim como a esposa, na lenda grega, não sabia quando o guerreiro voltaria para o lar, as pensionistas não sabem quando o Governo irá pagar os precatórios. Por isso, prometem ficar em frente ao Palácio por tempo indeterminado, reunindo-se todas as segundas e quartas.

    A série de atos públicos começou em 6 de fevereiro e seguiu todos os dias até a quinta-feira 9. O movimento diminuiu um pouco – não fossem as faixas e os cartazes afixados na cerca atrás dos bancos da Praça, a movimentação poderia parecer apenas um passatempo de senhoras pacatas numa tarde no Centro de Porto Alegre. Mas as ativistas, pelo contrário, são muito dinâmicas. Já conseguiram diversas audiências com o governador Germano Riogotto – que justifica para elas o problema financeiro do Estado e que não tem como fazer o pagamento –, e até a criação de uma subcomissão para tratar do tema na Assembléia Legislativa.

    No primeiro dia do “tricô dos precatórios”, a presidente do Sinapers Júlia de Oliveira Camargo entregou ao Governo um documento comas reivindicações da categoria. O texto fala do movimento silencioso que elas iniciaram e sugere medidas para o pagamento, como a prioridade para as pessoas mais velhas e doentes, e o uso dos precatórios como moeda de troca, isto é, usá-lo como compensação de dívidas imobiliárias.

    “As pessoas jovens ainda podem esperar, mas as mais velhas estão morrendo a cada dia sem receber o benefício”, relata a líder Júlia de Oliveira. A assistente social do Sindicato, Suzana Brignol conta que “muitos pensionistas estão passando dificuldades, alguns sendo até despejados, gente doente que não consegue pagar o tratamento, comprar remédios”.

    “O governo tem que começar a pagar”, desabafa a presidente do Sinapers. O grupo já prepara um processo contra o governo por crime de responsabilidade. Foi através da Justiça que cerca de 20 mil dos 54 mil pensionistas do Estado garantiram o pagamento para do salário integral que era recebido pelo marido ou pai falecido (as beneficiárias são viúvas ou filhas solteiras). “Quem não entrou com ação não levou. Mas a Constituição nos garante os 100% da pensão”, observa Júlia.

    Além de manter a mobilização e divulgar ações na imprensa, o Sinapers prepara um ato para sair em capas de jornais e nos noticiários televisivos. O Palácio Piratini será envolvido por uma grande peça de tecido, resultado do tricô dos precatórios. As organizadoras acreditam que sejam necessários de 70 a 80 metros. Pela velocidade com que elas estão trabalhando nas segundas e quartas, esse novo protesto não vai demorar.

  • Jeito de ser do brasileiro ajuda o turismo

    Com faturamento de 4 bilhões de dólares, o turismo alcançou a terceira posição na pauta de exportações em 2005, atrás apenas do minério de ferro e da soja. Em janeiro havia a perspectiva de que o número de turistas em visitas ao Brasil durante o ano passado somaria 5,6 milhões, um aumento de 48% em relação a 2004. Para 2006 o crescimento mínimo projetado é de 12%, índice que pode chegar a 20%, segundo estimativas consideradas realistas pelo presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), José Zuquim, reeleito para mais dois anos no cargo, ante a série de iniciativas bem sucedidas que tomou à frente da entidade. Graças ao turismo, a economia brasileira se fortalece e os empregos se multiplicam.

    A indústria do turismo cresce no Brasil movida por um conjunto de fatores. A mola propulsora da engrenagem é uma série de ações desenvolvidas por órgãos públicos e privados na promoção do nosso país como destino, enquanto o Ministério do Turismo se encarrega da infra-estrutura interna, como aeroportos e ampliação dos vôos regionais. A partir de 2004, por exemplo, mais de uma dezena de escritórios da Embratur passaram a operar em grandes cidades mundiais, divulgando o Brasil. Resultado: onde  houver um congresso, uma feira turística, lá estarão representantes do setor convidando o público a conhecer nosso país ou oferecendo nossos produtos. Na segunda quinzena de janeiro, por exemplo, o Brasil era uma das 15 nações presentes à 9ª Conferência Ibero-Americana de Ministros e Empresários de Turismo, realizada em Madri, e um dos 850 expositores da Feira Internacional de Turismo realizada no mesmo período na capital espanhola.

    Outro aspecto positivo é que o visitante não se decepciona com a imagem que idealiza do Brasil, através da publicidade. Pesquisas da Embratur indicam que 75% dos turistas estrangeiros apontam em primeiro lugar, como atrativos, as belezas naturais do país e o jeito de ser do brasileiro: alegre, otimista e animado, um estilo de vida que deixa o turista à vontade onde quer que esteja, seja nas praias, seja na vida noturna das grandes cidades. Afinal, a essência do turismo é diversão, e seduzidos pela alma do povo 52% manifestaram intenção de voltar ao Brasil numa próxima viagem.

    Na lista de prestigiadas entidades privadas que trabalham para fortalecer o setor turístico estão a Braztoa e a Abav. Em parceria com o Ministério do Turismo, Embratur e Sebrae, a Braztoa é autora dos projetos “Excelência em Turismo” e “Descubra o Brasil”, em parceria com a Embratur, destinado à promoção comercial do turismo brasileiro no exterior, que se consolida como um dos mais importantes do trade e o maior do mercado de operadoras de turismo. O expressivo resultado de tais iniciativas contribuíram para a reeleição, em 2005, do presidente da entidade, José Zuquim.

    Já Abav garante que se empenhará para que 2006 seja um ano pródigo para os negócios de turismo, como esperam todos os agentes de viagens. Temas primordiais, como a justa remuneração do agente, a regulamentação da atividade, a luta pela comissão nas tarifas da Infraero e contra as imposições da Iata são os temas que a entidade se empenhará em tornar realidade, segundo o presidente da Abav, João Martins Neto.

    Wilson Müller, presidente da Câmara de Turismo do RS