Autor: Elmar Bones

  • Para ONG, gestão Fogaça trouxe retrocesso ao Orçamento Participativo

    Adriana da ONG Cidade: “Os secretários não têm ido às reuniões e os representantes enviados não sabem responder às dúvidas da população”.(Fotos: Helen Lopes)

    Guilherme Kolling

    A ONG Cidade – Centro de Assessoria e Estudos Urbanos acompanha o Orçamento Participativo desde o início da década de 1990, quando o modelo de gestão foi implantado pelo PT em Porto Alegre. A instituição, fundada em 1988, se tornou referência internacional – recebe visitas de estrangeiros, que buscam apreender sobre o OP.

    Hoje, é mantida com recursos internacionais, através de projetos patrocinados pela Misereor, da Alemanha, e pela Fundação Ford. Com isso, mantém um corpo técnico remunerado, cursos de formação e publicações – jornais, livros, boletins, informativos, tudo sobre a questão da participação popular.

    O objetivo da ONG é auxiliar na capacitação das lideranças comunitárias, movimentos sociais e organizações populares, para que possam participar de forma mais qualificada na gestão da cidade. Também fornece informação para órgãos de pesquisa, universidades e prefeituras.

    “Explicamos o que é o OP, como se desenvolve o ciclo ao longo do ano, como são as regras, os direitos e deveres de conselheiros e delegados, enfim, como funciona”, conta a assessora técnica do Cidade, Adriana Machado Lima, 29 anos, há sete acompanhando o Orçamento Participativo.

    Ela avalia que a gestão de José Fogaça não está mantendo o OP como deveria, já que a Prefeitura não dá informações necessárias para a escolha das demandas. “Os secretários não têm ido às reuniões e os representantes enviados não sabem responder às dúvidas da população. O papel do governo não está sendo cumprido e fica por isso”.

    A assessora técnica do Cidade também cobra mais transparência. “Quais são estas 199 obras concluídas em 2005? Quantas são de outros anos. Em que estágio a prefeitura pegou. O que vemos é que tem muita obra parada”, aponta.

    O pior, segundo ela, é que algumas empreitadas ocorreram sem passar pelo Plano de Investimentos. “É a volta da troca de favores, do bilhetinho para o vereador, toda essa história que já estava superada. Está havendo um retrocesso”.

    As críticas incluem ainda a questão da infra-estrutura. “Isso também cabe ao governo, viabilizar uma sala com recursos para gravação, sonorização adequada, água, o registro de tudo em atas e o encaminhamento das questões que os conselheiros trazem das regiões. Isso não está acontecendo desde o início. Todas as regiões já tiveram problemas”, revela.

    “Há um esvaziamento crescente nas assembléias”

    O advogado Felisberto Luisi (foto), 52, filiado ao PT, participa do Orçamento Participativo há 11 anos – hoje, é suplente na temática Desenvolvimento Econômico e Tributação. Ele afirma que há um crescente esvaziamento das assembléias, problema que ele relaciona com a falta de divulgação e propaganda sobre o OP.

    “Os fóruns regionais participam, mas estão cada vez menos atuantes. Depois que os conselheiros são eleitos e as demandas são escolhidas, esvazia”, observa. Ele também reclama da ausência de secretários municipais, queixa repetida por Léa Beatriz, delegada da Região Sul que está no OP há 10 anos.

    “Eles não comparecem nem atendem às reivindicações. Isso desmobiliza. Só vêm quando o tema é mais polêmico. Mas se o governo quer uma co-gestão, precisa fazer sua parte”, sugere. Ela aponta ainda problemas estruturais, como a falta de taquígrafos, atas, gravação das reuniões e má qualificação dos coordenadores dos Centros Administrativos Regionais (CAR).

    Outro fator que enfraquece o OP, segundo Luisi, é que o Conselho do Orçamento Participativo (COP) perdeu força na gestão Fogaça. “Antes, o Plano Plurianual passava pelo COP, mas esse ano já estava definido pelo governo, houve apenas duas reuniões sobre o tema. A Lei de Diretrizes Orçamentárias também não teve uma discussão profunda. A Câmara Municipal teve seu poder restituído”, avalia.

    Para a confeiteira Heloísa Vinollo, delegada da região Glória, há seis anos no OP, houve desrespeito ao regimento interno. “Ao invés de ser distribuído para todos os temas, como era antes, o dinheiro foi só para os quatro temas hierarquizados pela cidade”.

    Delegados e conselheiros ainda aguardam números finais de 2005, mas acreditam que houve menos investimentos ao longo do ano. “Valores eu não tenho, mas baixou bastante”, diz Heloísa. “Tenho curiosidade em saber quais foram essas 199 obras”, questiona Léa Beatriz. Felisberto Luisi aponta que foram gastos R$ 35 milhões até 15 de novembro. “Vai dar pouco mais de um terço do que a Frente Popular investia, que era uns R$ 100 milhões ao ano.

    “Dou nota 8 para o Fogaça”
    O auxiliar químico Euclides Xavier, 53 anos, é filiado ao PT e conselheiro suplente da Região Nordeste. Ele é bem menos crítico que seus colegas de partido e de Orçamento Participativo. ”Dou nota 8 para o Fogaça, por tudo que ele está fazendo. Acho que o governo dele está bom”, avalia.

    Xavier observa que alguns delegados criticam e contestam, mas aponta que agora “o prefeito é ele” e os conselheiros devem trabalhar junto.
    “Está tudo correndo direitinho, as reuniões, o governo está trabalhando naquilo que se propôs. Não está cumprindo tudo porque a prefeitura está sem recursos financeiros, a gente sabe que estava mais ou menos ruim de finanças. Mas o governo está fazendo seu serviço. E o prefeito Fogaça foi lá na região e prometeu que vai cumprir as obras do OP”.

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  • Resgate da musicalidade do bairro Santana


    O clipe musical BOB foi gravado na Cidade Baixa (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    A Cidade Baixa serviu como locação para a gravação do vídeo musical BOB, da banda Tribuwudu, neste sábado (14/01). O clipe fará parte de um DVD com seis vídeos de bandas do bairro Santana, e um documentário sobre a vida cultural desta região. O DVD e mais um CD de músicas são conseqüência do projeto Sons da Santana, que planeja registrar a musicalidade do bairro.

    O organizador do projeto, Eugênio Luzardi, afirma que o bairro Santana foi escolhido porque é um dos mais tradicionais da cidade no âmbito cultural. “Foi lá que surgiu o carnaval de rua, e destas manifestações culturais criaram-se muitas bandas importantes para a história de Porto Alegre”.

    Entre os conjuntos participantes estão Tribuwudu, Chandele, Pagode do Dorinho, Senzala, e Arenguera. A produção é da Tribuwudu em conjunto com a Underground e a Praça de Filmes. O trabalho tem o apoio do Fumproarte, fundo da Secretaria Municipal da Cultura que financia projetos artístico-culturais aprovados em concurso. O lançamento do CD e do DVD deve ocorrer em maio, com um show das bandas no Teatro Renascença.


    Os músicos foram filmados tocando em frente à um mural de grafite

    As filmagens do vídeo clipe da Tribuwudu mostram a banda tocando e interagindo em frente à painéis de grafite, localizados na Rua Délcio Costa, atrás do Pão dos Pobres. Beto Mattos dirigiu o clipe em conjunto com Maurício Borges de Medeiros. Ele afirma que a instalação foi escolhida para mostrar um gueto cultural em meio ao urbananismo. “Tem tudo a ver com a história do bairro Santana e com a letra da música, que fala de resistência”.

    O clipe mostra os integrantes tocando com alegria em meio a imagens de santos e outros símbolos culturais. “Queremos expressar um caldeirão de nacionalidade e sincretismo que representa a cultura brasileira e a afro descendente”. A outra locação escolhida foi o bar Cidade Bossa. “Esta parte é em preto e branco, e lembra os filmes da década de 50, no estilo cinema no ar”, explica o diretor.


    A Tribuwudu é uma das bandas que participam do DVD e do CD do projeto

    A Tribuwudu tem 10 anos de estrada, com turnês nacionais e internacionais. Durante este tempo, lançou dois cds, participou de duas coletâneas, gravou dois vídeo clipes e fez muitos shows. Os integrantes do grupo definem a sua música como uma mistura de ritmos no liquidificador. “A gente toca MPB com Rock, mas sem deixar de lado o swing brasileiro”, esclarece Robson Serafini, guitarrista.

  • Feitiços centenários de Quintana

    Sérgio Napp, diretor da Casa de Cultura Mário Quintana, apresenta o Acervo do poeta restaurado (Fotos Naira Hofmeister)

    Naira Hofmeister

    Aprendiz de feiticeiro: 100 anos de Mário Quintana e sua maratona de comemorações iniciam na noite dessa quarta-feira (11), com a reabertura da Acervo do poeta e a ambientação de um bar, versado por Carlos Drummond de Andrade, em homenagem ao gaúcho:

    No Quintana’s Bar,
    sou assíduo cliente.
    É um bar que não é bar,
    é um bar diferente.

    E é mesmo, a começar pela função: o Quintana’s Bar não vai servir café ou cerveja, mas sim, sopa de letrinhas. O espaço vai abrigar parte da programação da Casa. “Inspirados por Drummond, pensamos como seria gostoso para as pessoas ouvir palestras num ambiente de bar”, explica o diretor da Casa de Cultura, Sergio Napp. Nas mesas, inscrições com poesias do anfitrião; nas paredes, caricaturas feitas pelos membros do Grafar – Grafistas Associados do Rio Grande do Sul, nas bocas, os versos de Quintana em saraus, shows e debates.

    O acervo foi recuperado, e conta com objetos pessoais como as certidões de nascimento, óbito e documentos de identidade do poeta. O próprio Quintana, aliás, escreveu num texto: “Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas…”. Mas há também os textos, a verdadeira personalidade do poeta, ao lado de fotografias e livros de cabeceira.

    Entre coloquiais e artísticos, é pouco provável que algum aspecto de Mário Quintana seja esquecido em seu centenário. Mesmo porque já são mais de 20 atividades programadas, a maioria ainda no primeiro semestre: “Esse número ainda vai aumentar consideravelmente, pois recebemos quase que diariamente propostas”, conta Napp. Além da obra ‘clássica’, também serão expostas traduções feitas por Quintana, canções por ele compostas, agenda e dicionário do autor.

    A programação vai permear todas as áreas culturais: “Ele era o papa da literatura, portanto, essa área é obvia”, supõe Napp. A criançada também vai ganhar programação especial, com mostra itinerante em escolas do interior e capital. Mas não fica aí: desde a música, o audiovisual, exposições de artes plásticas e até a moda vão ganhar ares quintanescos. Nesse último caso, a proposta é que estilistas consagrados da capital criem tecidos e roupas inspirados nos versos do poeta. Sergio Napp explica: “Queremos mostrar que com textos se pode fazer de tudo”.

    O lançamento da obra em braile também merece destaque. Todos os volumes de Quintana serão transformados em livros para cegos. Alem dos tradicionais pontinhos para aqueles que não enxergam nada, vão haver também volumes com fontes grandes, para os que têm dificuldade na leitura e também narrações gravadas. “É a mais completa tradução de uma obra para esse público”, acredita Napp.

    E de que forma o poeta, com fama de introvertido e, por ventura, até mal humorado, reagiria como diante de tantas homenagens? “Ele acharia muito bom, desde que não tivesse que participar”, brinca Napp.

    O auto-retrato
    No retrato que me faço
    – traço a traço –
    às vezes me pinto nuvem,
    às vezes me pinto árvore…

    às vezes me pinto coisas
    de que nem há mais lembrança…
    ou coisas que não existem
    mas que um dia existirão…

    e, desta lida, em que busco
    – pouco a pouco –
    minha eterna semelhança,

    no final, que restará?
    Um desenho de criança…
    Corrigido por um louco!

    (Apontamentos de História Sobrenatural, de Mário Quintana)

  • Aracruz mostra interesse em instalar nova planta em Guaíba

    Governador estava otimista com a possibilidade da empresa optar também pelo Rio Grande do Sul para instalar outro empreendimento.(Foto: Ivan de Andrade/Piratini)

    Guilherme Kolling

    O principal assunto da inauguração das obras de modernização da Aracruz, nesta quinta-feira 12 de janeiro, foi a localização da nova planta da empresa, que aumentou sua produção de 400 mil para 430 mil toneladas de celulose ao ano na unidade de Guaíba, num investimento de R$ 150 milhões.

    O presidente da companhia, Carlos Aguiar, disse que ainda não há uma definição, mas que o Rio Grande do Sul tem boas chances de receber o empreendimento. Trata-se de uma fábrica com uma produção estimada em 1 milhão de toneladas ao ano, mais do que o dobro da atual. Para tanto, seria necessário um gasto de cerca de 1,2 bilhão de dólares.

    O governador Germano Rigotto tratou de, mais uma vez, salientar que o Estado receberá a empresa de braços abertos, lembrando que Votorantim Celulose e Papel e Stora Enso confirmaram que instalarão suas plantas no Estado.

    “O Rio Grande do Sul tem todas as condições de receber mais esse investimento e está na frente de outros estados, pois a Aracruz já está aqui. E como diz o slogan da empresa ‘Nosso futuro tem raízes’. Tenho certeza, que aqui, nessas raízes é que se constrói o futuro da Aracruz”, disse Rigotto.

    O secretário de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais, Luís Roberto Ponte, lembrou que a Aracruz já é dona do terreno contíguo à sua unidade, ou seja, a nova planta pode ficar bem ao lado da atual.

    Todas as declarações foram feitas sempre na condicional, isto é, “se” a nova planta de celulose da Aracruz vier para Guaíba. Mas o diretor operacional, Walter Lídio Nunes (foto), salientou as vantagens com tanta segurança que é possível apostar que o município será sede do investimento.

    “Com uma nova fábrica ao lado da existente, é possível modernizar mais ainda a antiga, com economia de custos. Então, essa planta se torna mais competitiva”. Os pré-requisitos para o empreendimento são a viabilidade econômica (em estudo, mas que já apresenta vantagens citadas pelo próprio Nunes), questões ambientais (na planta nova, a tecnologia seria mais moderna, menos poluente), e aceitação social, ou seja, desejo da sociedade que a Aracruz se instale lá – o prefeito em exercício de Guaíba, Henrique Tavares, agradeceu à empresa por mais esse investimento, louvou seu trabalho e desejou sucesso para a Aracruz.

    Enfim, o quadro é favorável para que a companhia escolha Guaíba. A decisão deve ser tomada em março, quando serão apresentados estudos ao conselho de acionistas da empresa.

    Se o fato for concretizado, o plantio florestal será expandido dos atuais 24 para 54 municípios nas proximidades. O tempo necessário para o corte do eucalipto é de sete anos. Como a Aracruz já está há dois no Estado, a data para o corte seria 2010. Mas existe outro aspecto, a chamada “janela de mercado”.

    A Aracruz só irá colocar a fábrica em operação no momento em que o mercado estiver num ciclo de alta. “Com essas novas plantas, os preços ficam deprimidos. Então é necessário esperar que essa produção seja absorvida pelo mercado, para colocar a fábrica em funcionamento quando houver maior demanda e os preços estiverem subindo”.

    Nunes estima que a data da inauguração seja entre 2010 e 2012. “Vai depender do mercado. Temos flexibilidade para fazer o corte das plantações um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde”, explica.

    Modernização

    A modernização da planta de Guaíba trouxe avanços para as áreas de lavagem, depuração, branqueamento, secagem, calcificação, planta de desmineralização e no pátio de madeira. A área florestal foi expandida em 12 mil hectares de terras, renovação de florestas e implantação de um novo viveiro no Horto da Barra Negra, em Barra do Ribeiro.

  • Rigotto visita obra da eólica de Osório

    O investimento total no projeto da empresa Ventos do Sul  é de R$ 670 milhões (Foto: Itamar Aguiar/Piratini/JÁ)

    Geraldo Hasse, de Osório

    Esclareceu-se na tarde desta quinta-feira, 12 de janeiro, o mistério do retardo de alguns dias no levantamento da primeira torre da usina eólica de Osório, no litoral norte do Rio Grande do Sul: os empresários do vento estavam esperando a presença do governador Germano Rigotto. O candidato passou uma hora no principal canteiro das obras, no distrito de Capão de Areia, a dois quilômetros da Penitenciária Modulada de Osório.

    O helicóptero baixou às quatro da tarde no campo de pouso improvisado à frente da fazenda de D. Iracema Dariva, principal parceira do empreendimento – em sua terra estão sendo instalados uma dúzia de cata-ventos. Para evitar alguma zebra, todo o gado que costuma pastar por ali foi transferido para outro lugar. Para não levantar poeira, a estrada de acesso foi regada por caminhões-pipa. Também parou o trânsito de caminhões pesados na estrada de serviço.

    A comitiva não era grande: dois ônibus pulmann, meia dúzia de automóveis e alguns carros da imprensa. Junto à guarita de entrada, foi afixada uma faixa tímida: “O PMDB da região saúda o governador Rigotto e o secretário Alceu Moreira” . Não parecia, mas era uma visita política. Ex-prefeito de Osório e deputado estadual pelo PMDB, o secretário da Habitação Alceu Moreira está sob fogo cruzado de adversários políticos, acusado de envolvimento com a máfia da adulteração dos combustíveis.

    Rigotto desceu do helicóptero em mangas de camisa e foi levado à base da torre onde estava preparado o show do guindaste importado da Alemanha pela Zandoná. A cena havia sido ensaiada pela manhã e deu tudo certo: numa operação que não durou mais de 30 minutos, foram acoplados os quatro primeiros módulos da primeira das 75 torres de 98 metros de altura. Mesmo de longe dava para ver que, dentro de cada anel metálico, o guindaste carregava um grupo de operários equipados para aparafusar as peças.

    Nem o nordestão que soprava forte (30 km/h) na tarde quente (30 graus C) atrapalhou a operação, que vai para os arquivos implacáveis da obra e da campanha de Rigotto. “Esse guindaste é ninja”, reconheceu o guarda da guarita central. E avisou: “Já ouvi dizer que agora vem o Lula”. Agora quando? “Ninguém diz. Acho que ele vem sem avisar, pra não levar pedrada.”

  • Caminhos Rurais em Porto Alegre


    A Zona Sul proporciona imagens inesperadas para a metrópole que é Porto Alegre
    (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Porto Alegre é conhecido como um grande centro urbano, mas 30% da sua geografia está em Zona Rural. Grande parte deste território se localiza na Zona Sul da cidade, entre os bairros Vila Nova, Belém Velho, Belém Novo, Lami e Restinga. Esta região oferece belas paisagens e um contato direto com a vida campeira e rural, típica do interior.

    O Escritório Municipal de Turismo em parceria com a EMATER, montou um roteiro turístico para esta extensão. Trata-se do Caminhos Rurais, rota que surpreende pela beleza natural, e pelo valor histórico cultural que guarda da cidade. A idéia data de 2002, mas só agora o roteiro teve investimentos e divulgação. Pela primeira vez, a Zona Sul ganhou um mapa ilustrativo, que mostra os atrativos desta área para a população urbana.

    Ângela Baldino, secretária de Turismo,  acredita que o roteiro deve servir como uma alternativa de lazer para turistas e porto-alegrenses. “Queremos promover o interesse em conhecer a cidade, pouco explorada. Além disso, o turismo agrega valor à produção de hortigranjeiros que ocorre no local”.

    Vinte e nove empreendedores da Zona Sul se organizaram para participar do projeto. Estes produtores ganharam um curso de qualificação para o turismo rural, oferecido pelo SENAR, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. “O curso é realizado em módulos, e visa sensibilizar o produtor para o turismo”, explica Liziane Pratini de Moraes, coordenadora do Caminhos Rurais. “Ensinamos como receber o turista, comercializar produtos e cobrar pelo serviço prestado. Afinal, para receber visitas, temos que organizar a casa”, ilustra.

    Ricardo Fontoura, um dos produtores participantes, é proprietário do haras Cambará, Cia de Lazer e Eventos, localizado no bairro Lami. Para ele, a ação do Escritório de Turismo foi essencial para organizar os empreendedores, mas a partir de agora eles pretendem continuar investindo no roteiro independentemente da Prefeitura. “Estamos criando uma associação para investir na divulgação e realizar parcerias que complementem o roteiro”.

    Para este ano, o Escritório de Turismo pretende ainda colocar placas turísticas ao longo da rota dos Caminhos Rurais. “Esta foi uma conquista do Orçamento Participativo. A região ganhou R$100 mil reais para investir na sinalização do Turismo”, afirma Liziane. Estão ainda nos planos da secretaria a implantação de uma Linha Turismo Zona Sul, que faria a rota turística. No momento, para seguir o caminho, o turista tem que estar de carro, ou irá depender do transporte público.

    O material do roteiro está à disposição nas centrais de informações turísticas da capital. A visita aos locais sugeridos deve ser realizadas mediante agendamento prévio com os empreendedores.

    O roteiro


    Bastro mostra as uvas da sua propriedade, que geram vinhos artesanais

    Na Fan Tur oferecida para os profissionais da imprensa, o Escritório de Turismo selecionou alguns empreendimentos para ilustrar o Caminhos Rurais. Entre eles estava o Sítio Dom Guilherme, em Belém Velho. Nesta propriedade rural de quase 4 hectares é produzido uva, ameixa, pêssego e jabuticaba. Mas o dono César Bastro explica que o grande atrativo é o vinho artesanal. “Este vinho é puro e não tem conservante. Ele é feito em barris de madeira e demora três meses para se filtrar sozinho”. Cada garrafão custa em torno de R$20.

    Bastro recebe grupos de colégios e de idosos para visitar a sua produção  hortifrutigranjeira. Ele não cobra ingresso e ainda oferece uma degustação de cucas, sucos e doces. “Ganho com a venda dos meus produtos”, esclarece. A sua propriedade fica na Avenida Belém Velho, nº 3580, e o agendamento de visitas pode ser feito através do telefone (51) 3263 3120.


    O hotel-fazenda Cambará se localiza no Lami, mas parece cidade do interior

    No Lami, uma boa opção para hospedagem no formato hotel-fazenda é o haras Cambará. Lá, é possível fazer trilhas, andar à cavalo e praticar esportes, como voleibol e futebol. A propriedade era uma área para a criação de cavalos de corrida inglês, e até hoje mantém como atividade principal o treinamento de cavalos.


    Os quartos ficam onde eram as cocheiras de cavalos ingleses

    Os quartos são antigas baias, o que gera um ambiente rural, mas com uma boa estrutura para hospedagem. O haras recebe grupos de no mínimo 15 pessoas, de empresas e cursos. O custo da estadia por fim-de-semana com refeições é de R$120 por pessoa. Para agendar a hospedagem, deve-se ligar para (51) 3258 1086. O hotel fica na Estrada da Extrema, nº500.

    Para a alimentação, o restaurante A Cantina oferece pratos exóticos e típicos da vida rural. O seu cardápio inclui Avestruz, Ema, Capivara, Cabrito e Cordeiro. A proprietária Mirian Neves destaca o rodízio de carnes exóticas, servido nos sábados ao meio-dia, pelo preço de R$16. Aos domingos, a opção é o rodízio de massas com Javali, por R$14. A Cantina fica na Avenida Edgar Pires de Castro, nº 10853.

    O Agro-Ecoturismo


    O Agro Ecoturismo tem como enfoque a população urbana, que busca conhecer a vida rural

    O Caminhos Rurais compreende a região verde mais preservada de Porto Alegre. Os morros que beiram o Lago Guaíba proporcionam um clima de serra em plena capital gaúcha. Este quadro é o principal motivo para que a cidade seja considerada a segunda capital com mais área verde no Brasil – atrás apenas de Tocantins.

    Segundo Marco, guia do passeio e técnico em turismo, este quadro é ideal para a prática do Ecoturismo. Ele explica que esta ênfase tem como característica principal a visitação de áreas preservadas sem causar impacto ambiental.

    “Os Caminhos Rurais proporciona o Agro-Ecoturismo, atividade em expansão no Brasil, que culmina a preservação da natureza com a produção rural”. Ele enfatiza que esta atividade é muito praticada no Pantanal e no Mato Grosso. “Aqui no Rio Grande do Sul o potencial para este tipo de turismo é grande, porque tem como enfoque a população urbana que quer visitar a zona rural e vivenciar a vida campeira”, explica.

    Mauri Webber, técnico em turismo rural e morador de Belém Velho, enfatiza que os atrativos da região também são históricos. “A praça de Belém Velho teve uma das primeiras sesmarias da cidade, em 1835. A paróquia do bairro, que hoje é patrimônio histórico, foi a segunda igreja de Porto Alegre”, surpreende.

    Webber conta que o responsável pela habitação da região foi o sesmarieiro Dionísio Rodrigues Mendes. Foi ele que plantou as figueiras tradicionais do bairro, que têm mais de 200 anos. Na opinião do morador, Belém Velho “parou no tempo”, devido ao difícil acesso, em cima do morro. Além disso, ele acredita que o tratamento de tuberculosos no Hospital Parque Belém pode ter afastado a civilização.

  • Eólica de Osório frustra expectativas: primeiro cata-vento ainda está no chão

    Nesse ritmo, os observadores duvidam de que o primeiro gerador irá rodar no final de janeiro (Foto: Geraldo Hasse/JÁ)

    Geraldo Hasse, de Osório *
    Caminhões carregados de equipamentos não param de chegar a Osório pelas rodovias BR-101 e BR-290, mas os engenheiros responsáveis pela construção da usina eólica local não aproveitaram a calmaria no regime dos ventos no litoral norte gaúcho da primeira semana de janeiro de 2006: 100 dias depois do início efetivo das obras, ainda não se ergueu nenhuma das 75 torres do empreendimento, frustrando a expectativa dos observadores que todo dia perscrutam o horizonte em busca dos sinais de que a Ventos do Sul empinou seu primeiro cata-vento.
    Anéis de concreto empilhados ao redor das suas bases indicam que as primeiras quatro torres cilíndricas estão mais ou menos prontas para serem erguidas, mas até agora a obra não saiu do chão, a despeito da presença no canteiro construtivo de quatro guindastes – um deles, gigantesco, para 75 toneladas, importado da Alemanha e alugado por diárias salgadíssimas pela Zandoná, uma das cinqüenta bandeiras que operam na montagem do primeiro parque eólico do Rio Grande do Sul. Nesse ritmo, os observadores duvidam de que possa ser cumprida a promessa de pôr o primeiro gerador a rodar no final de janeiro.
    Enquanto nenhuma torre aparece no horizonte, as empreiteiras das obras de engenharia estão bastante adiantadas na construção das estradas de serviço do parque eólico. Também correm bem os trabalhos de construção das bases dos cata-ventos. O sistema de estaqueamento trazido da Europa é algo inédito por estas bandas: cada base é fixada ao chão por 32 pinos de concreto com profundidade variando de 13 a 26 metros.
    Depois que o bate-estaca conclui a perfuração do solo, uma sonda injeta concreto no buraco e enfia dentro dele uma senhora viga de ferro, tudo numa única operação simultânea. Além de suportar o peso das torres (800 toneladas), essa estrutura precisa agüentar a força dos ventos sobre as hélices.
    Rigotto e Andres e ZH visitam a obra
    Coincidentemente depois de o jornal Zero Hora publicar nesta terça-feira (10) duas páginas só de elogios ao projeto de energia eólica da empresa Ventos do Sul (consórcio entre a espanhola Enerfin, do grupo Elecnor, a gaúcha CIP Brasil e a alemã Wöbben) o governador Germano Rigotto e o secretário de Energia, Minas e Comunicações, Valdir Andres, visitarão, nesta quinta-feira (12), a partir das 15h30, o canteiro de obras em Osório.  Parece jogada ensaiada, mas certamente não é.
    O presidente da Ventos do Sul, Telmo Magadan, velho militante do PMDB, passando por secretarias de governo, receberá  Rigotto e Andres.  Magadan fez todo o meio de campo para que a espanhola Enerfin  viesse para o Estado. Governador e secretário vão  conferir o andamento da obra. A usina irá gerar energia por meio dos ventos terá 150 Megawatts (MW) de potência instalada.
    O investimento total no projeto da empresa Ventos do Sul  é de R$ 670 milhões, sendo 69% financiado pelo BNDES. Ao todo serão instalados 75 aerogeradores, cada um com 2 MW de potência instalada e 98 metros de altura. Com as pás, cada catavento deve atingir uma altura de 140 metros, cerca de 30 metros a mais que a chaminé da Usina do Gasômetro.
    * Com informações do site do governo do Estado

  • Concurso para homenagear Lanceiros Negros já tem quatro projetos inscritos


    Lançamento do concurso público de arquitetura de dois monumentos (Fotos:Tânia Meinerz/JÁ)

    Guilherme Kolling

    Cerca de 50 pessoas participaram, nesta segunda-feira, 9 de janeiro, do lançamento do concurso público de arquitetura para a escolha de projetos para dois monumentos em homenagem aos lanceiros negros, um em Porto Alegre, no Parque Farroupilha, e outro em Pinheiro Machado, no sítio de Porongos.

    O presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (seção RS), Iran Rosa, entidade organizadora da disputa, revelou que em poucas horas já havia quatro inscritos. Interessados poderão apresentar sua proposta até 24 de abril, através do site http://concursos.iab-rs.org.br/lanceirosnegros ou no Portal do IAB-RS em http://www.iab-rs.org.br.

    O representante da Fundação Palmares do Ministério da Cultura, Zulu Araújo, destacou a importância do ato. “Estamos fazendo história nesse momento”, avaliou ele. A entidade, que promoveu o concurso, liberou uma verba de R$ 170 mil. “Isso é cerca de 15% do nosso orçamento para promoção por ano, para todo Brasil”, revelou.

    Lideranças das entidades co-promotoras do concurso, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Memorial do RS, Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), Prefeitura Municipal de Pinheiro Machado, Prefeitura Municipal de Porto Alegre, Entidades do Movimento Negro e Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul também se manifestaram durante a cerimônia.

    São instituições que participaram da mobilização, iniciada há quatro anos pelo movimento negro no Rio Grande do Sul, que pretende rever fatos históricos como o massacre de Cerro dos Porongos, ocorrido em 14 de novembro de 1844, e a participação dos negros na Revolução Farroupilha.

    O programa do concurso está definido até o dia 3 de maio, quando serão divulgados os vencedores. Também haverá visitas ao sítio de Porongos, em Pinheiro Machado e uma exposição com todos os trabalhos inscritos.

    O próximo desafio será viabilizar a construção dos monumentos. O valor depende do formato e tamanho das obras escolhidas. Os recursos devem ser captados através das leis de incentivo à cultura. A idéia é que a inauguração seja no aniversário do massacre de Porongos, em 14 de novembro de 2006. Se não der tempo, ficará para a mesma data, só que em 2007.

  • Porto Alegre, 40 ºC


    Muitos homens optaram por tirar a camisa (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Mais um dia de calor e abafamento senegalês na capital gaúcha. Nesta segunda-feira, (9/01), os termômetros marcaram 37°C, mas a sensação térmica  chegou aos 40 ºC. A onda de calor é a maior registrada no estado em 20 anos. Para espantar o desânimo nas ruas da cidade, os porto-alegrenses procuraram alternativas, como o sorvete vendido à R$1. A temperatura alta também motivou a compra de ventiladores nos camelôs, que comemoraram as vendas.

    Segundo a Rede de Estações de Climatologia Urbana de São Leopoldo, o Rio Grande do Sul está vivenciando um recorde de temperaturas em dias consecutivos. Em boletim divulgado nesta segunda-feira, a rede afirma que as temperaturas registradas no fim-de-semana foram as mais altas no mês de janeiro em 20 anos. Para os metereologistas da Climatologia Urbana, a sensação térmica de hoje foi superior a de domingo em todo o estado, devido a maior presença de umidade.


    Hessel disse que não conseguiu fazer nada com o calor

    “Mesmo parado a gente quase derrete”, surpreende-se Sérgio Hessel. Ele tentava amenizar a sensação térmica de 40°C se abanando com um papelão na Avenida Osvaldo Aranha. “Está horrível, não consigo fazer nada”, desabafa.

    Como Hessel, muitos transeuntes suados procuravam maneiras para esquecer o calor. Uma das alternativas era tomar um sorvete, que custa R$1 no Bom Fim. Ana Ribeiro vendeu mais de 100 no dia de hoje. “O movimento foi intenso, já estou sem o sabor de chocolate”, conta.


    Camelôs aproveitaram e venderam muitos ventiladores

    Francisco da Silva está contente com a chegada do verão. Nesta época, o camelô também oferece aos seus clientes ventiladores de pedestal, que custam R$60. “Desde domingo minhas vendas aumentaram consideravelmente”, comemora. Ele lembra, no entanto, que em outros anos vendia mais. Este fato este pode estar relacionado com a falta de dinheiro dos consumidores neste início de ano.

    Para a terça-feira, o calor deve aumentar, e as temperaturas vão ficar entre 37° C e 40° C. A onda de calor trará chuvas fortes e rápidas nos próximos dias. Existe ainda a possibilidade da formação de tornados na Argentina e no Uruguai. A previsão é  do site da Defesa Civil do Estado (http://www.defesacivil.rs.gov.br).

  • Daria para rir, se não fosse de chorar

    Naira Hofmeister
    Dr.  QS  –  Quriozas  Qomédias, traz em seu título o paradoxal mundo de Qorpo Santo na Porto Alegre do século XIX. Professor, fundador e diretor de um colégio, vereador, comerciante e escritor, José Joaquim de Campos Leão (Qorpo Santo) teoricamente seria um homem de sucesso, mas sua existência foi triste e solitária, que inspirou seus escritos. “Ele classifica suas obras como comédias, mas na estrutura clássica, isso não se enquadra”, define Plínio Marcos, que participa da montagem.
    Partindo de textos autobiográficos – a maioria do que escreveu -, obras completas (Mateus e Mateusa e As Relações Naturais) e fragmentos, o Deposito de Teatro apresenta o personagem ao publico: Qorpo Santo, o homem e o dramaturgo. “É muito bacana, pois quem não conhece a obra dele, passa a se interessar, e aqueles que o conheciam como escritor, descobrem a pessoa”, relata Plínio. O público aplaudiu a iniciativa.

    Fotos Divulgação

    Tanto que, após duas temporadas de sucesso em 2005, o espetáculo volta em 2006, dentro da programação dos Melhores do Ano. Indicado à seis prêmios Açorianos – Melhor Espetáculo, Melhor Direção, Melhor Produção, Melhor Ator (Plínio Marcos), Melhor Atriz (Sandra Possani) e Melhor Figurino -, Dr. QS – Quriozas Qomédias fica em cartaz entre 10 e 25 de janeiro, terças e quartas-feiras, às 21h.
    No enredo, a vida de Qorpo Santo é contada através de suas peças: o casamento com Inácia, o posterior abandono da mulher e dos filhos, o julgamento e a internação. Tudo está representado no palco, num grandioso cenário, que segundo Plínio Marcos, tem como intenção “fazer o publico sentir-se como o próprio personagem, suprimido pela sociedade da época”.
    Para constituir o universo surrealista presente no figurino, no cenário e na não-linearidade do espetáculo, o elenco participou de seminários sobre tropicalismo, dadaísmo, surrealismo e teatro do absurdo, movimento iniciado pelo próprio Qorpo Santo, que, porém, morreu sem receber as glórias por sua obra. O autor, aliás, foi tido como louco durante a vida, sendo proibido de escrever e internado em sanatórios diversas vezes. “É uma história muito triste”, diz Marcos.
    O grande desafio foi, segundo Plínio Marcos encontrar o equilíbrio entre os ensaios da peça e a liberdade de criação, subentendida pelo surrealismo. A idéia, de Roberto Oliveira, diretor do espetáculo, foi conjugar improvisação com ensaio: “Na ultima cena, temos liberdade total de improviso”, revela Marcos. O que garante ao publico sempre uma dose de expectativa e surpresa, mesmo para os que já assistiram.
    É esse universo de experimentação e drama que o Depósito de teatro convido o público a conhecer: “Acho que conseguimos extrair o máximo do sentimento humano, como resposta da platéia: a compaixão”, acredita Marcos.
    Ficha Técnica Dr. QS – Quriozas Qomédias
    Autor: Qorpo Santo
    Direção: Roberto Oliveira
    Elenco: Sandra Possani; Plínio Marcos Rodrigues ; Daniel Colin ; Tatiana Carvalho, Diana Manenti e Maria Falkembach.
    Duração: 120 minutos
    Quando: de 10 a 25 de janeiro de 2006, sempre às terças e quartas-feiras, às 21h
    Local: Depósito de Teatro (Av. Benjamin Constant, 1677 )