Autor: Elmar Bones

  • Nois pixa e voceis limpa


    Escrito no prédio causou revolta entre moradores
    (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    “Nois pixa e voceis limpa”. Com esta frase, localizada em um prédio na esquina das avenidas Osvaldo Aranha e Protásio Alves, os pichadores do Bom Fim mostram persistência e atrevimento. Moradores e comerciantes do bairro estão cada vez mais irritados com os escritos nas paredes, e buscam soluções para prevenir e limpar as pichações.

    Sabina Canter é proprietária do edifício que recebeu a debochada inscrição no terceiro andar. Ela acredita que a reincidência da pichação ocorreu por falta de segurança: “Eles tinham pichado neste lugar, mas nós limpamos com soda caustica. Uma semana depois eles voltaram com esta frase”, conta. “Se tivessem guardas nas ruas isso não iria acontecer”, acredita.

    Os comerciantes da Rua Santana também sofrem com os pichadores. “Ninguém gosta de pichação, isso deixa a cidade muito feia”, afirma Eunice Alves, atendente da Big Ferragem. As paredes da loja já foram pintadas muitas vezes para encobrir a tinta preta.

    Na Avenida Venâncio Aires, chama a atenção um escrito que diz “vocês já morreram”, na parede branca de uma garagem. Igor Guterres, funcionário do estabelecimento, se revoltou com a frase: “É uma pouca vergonha, e só nos resta ficar pintando por cima até eles cansarem”, afirma.


    Frase no muro da Venâncio Aires deixou comerciante indignado

    Poluição visual ou livre expressão?

    Os pichadores desafogam sua cólera contra uma sociedade excludente, mas não têm as suas intervenções aceitas por esta mesma sociedade. Seus escritos não autorizados em prédios e monumentos são considerados poluição visual, e até crime.

    Antonio Silveira dos Santos, juiz de direito em São Paulo, defende a estética urbana sem pichações como um fator da qualidade de vida. No seu artigo Triste cultura da Pichação, ele afirma: “A estética da cidade é primordial para o bem estar da população e pode ser classificada como um bem difuso, que deve ser protegido pelo poder público”.

    A pichação também é considerada por alguns como uma forma de expressão livre, não reconhecida e valorizada. Luizan Pinheiro, professor de Arte da Universidade Federal do Pará, defende-a como uma ação artística, no seu artigo Pichação: risco de expressão das bordas do instituto. Para ele, este é um “ato poético, marcado na sua dimensão transgressora pelo sentido mais profundo da arte: o dilatar de todas as esferas da vivência humana”.

    Militantes do movimento Hip Hop de Porto Alegre lembram que a pichação é uma forma de comunicação e que dela originou o grafite, forma já reconhecida de arte urbana. A grafiteira porto-alegrense Sabrina Santos explica que os pichadores escrevem nas paredes para se expressar e marcar território. “A pichação veio de Nova Iorque, onde as gangues escreviam nas paredes para mostrar a sua força. Hoje em Porto Alegre ocorre a mesma coisa”, conta.

    Sabrina afirma que foram os pichadores que começaram o grafite, que hoje ganha reconhecimento como arte. “Os grafiteiros estão cada vez mais respeitados como artistas, e o grafite tem cada vez mais espaço na cidade”. Esta modalidade artística ganhou inclusive oficinas que ensinam a desenhar com spray nas paredes. Sabrina é professora em uma dessas oficinas, promovida pela Secretaria da Cultura.

    O rapper Sandrão, do grupo CN Boys, enfatiza a importância destas manifestações no movimento Hip Hop. Para ele, o grafite é a arte, enquanto pichação é vandalismo. Sandrão ensina para crianças da periferia os quatro elementos do Hip Hop: Grafite, Dj, Mc e Biboy.

    Monumentos riscados


    Na Redenção, as pichações estão há mais de 4 meses sem limpeza

    Outro alvo das tintas e sprays dos pichadores é o Parque Farroupilha. O último ato de vandalismo ocorreu uma semana antes do natal, no Monumento Expedicionário. Nesta ocasião, a Secretaria do Meio Ambiente fez um mutirão para a limpeza a tempo da feira de natal do Brique.

    Quem passeia pelo parque percebe outras inscrições, em pedras, lixeiras e monumentos. Clóvis Breda, administrador da Redenção, explica que estas pichações são antigas, mas que ainda não foram apagadas. “Falta material para a remoção e até para pintar por cima”, relata.

    A coordenação do parque monitora os escritos e realiza limpeza periódica de lixeiras e bancos. “Nós limpamos monumentos de grande representatividade, mas no resto não temos condições”, afirma Breda. Para ele, estes atos ocorrem por falta de segurança durante a noite na Redenção. “De dia temos cinco guardas-parques fazendo o policiamento, mas à noite são apenas dois, que ficam restritos ao mini-zôo”.

  • Aracruz tem diálogo produtivo com ambientalistas

    A Aracruz vai investir em 100 mil hectares de floresta plantada (Foto: Arquivo JÁ)

    Patrícia Benvenuti

    A reunião entre ambientalistas e a Aracruz Celulose poderia ter se tornado uma guerra, mas foi quase surpreendente o clima de tranqüilidade e respeito. Na realidade, o encontro serviu para a empresa confirmar a ampliação de seus negócios as ONGs.

    Um encontro surpreendentemente tranqüilo entre representantes da Aracruz Celulose e ambientalistas provocou uma produtiva troca de informações. Foram confirmados investimentos pesados que podem representar uma nova fábrica em outro estado ou uma ampliação da indústria de celulose de Guaíba.

    A Aracruz não confirmou em que estado se dará a ampliação,  mas seu diretor de operações, Lídio Nunes, garantiu que, caso o investimento fique no Rio Grande do Sul, a indústria de celulose de Guaíba será ampliada. “Para nós, seria vantagem otimizar o que existe, investindo nas instalações que estão inativas”, afirmou.

    Explicou que a Aracruz pretende seguir um rumo diferente da Votorantim e da Stora Enso – o que significa escapar da concorrência expandindo sua área, podendo chegar até Camaquã, pelo sul, e usando até mesmo a hidrovia do Jacuí pelo norte. Os investimentos devem ficar na faixa de 1,2 bilhão de dólares, com 100 mil hectares de floresta plantada e 50 mil de preservação – respeitando a proporção de dois hectares de plantio para um de nativas.

    Nunes destacou que o anúncio do local está previsto para março ou abril, quando os estudos forem concluídos. A afirmação foi uma das poucas perguntas que ganhou resposta, já que o resto permanece em sigilo. “Tudo que estamos dizendo se baseia nas experiências que tivemos até aqui”, esclarece, quando questionado sobre as possibilidades de empregos gerados. “Nossas pesquisas utilizam métodos do Bndes e da Fundação Getúlio Vargas, e calculamos que 30 ou 40 mil pessoas possam ser beneficiadas” – segundo alguns números preliminares, quatro mil diretos e até 10 mil indiretos.

    O discurso da Aracruz hoje está baseado no crescimento e em sua consolidação no mercado competitivo da silvicultura. “O Rio Grande do Sul pode ser uma alternativa para nossos planos, assim como o Espírito Santo, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais”, assegura Nunes. E a empresa ambiciona mesmo tornar-se uma multinacional. Embora ainda não tenha negócios fora do Brasil, na visão da diretoria esse é um dos caminhos no futuro.

    Polêmicas persistem no debate

    A reunião ocorrida na sexta-feira (6/1) no hotel Embaixador, em Porto Alegre, foi de fato tranqüila, mas não significou que polêmicas como o branqueamento do papel fossem ignoradas. O gerente de Qualidade e Meio Ambiente, Clovis Zimmer, esclarece que o vilão cloro ainda é utilizado, mas em processos menos agressivos. “Para nós seria até melhor se o papel clorado deixasse de ser usado, pois o branqueamento é mais caro. Porém atendemos ao pedido do fabricante, que precisa abastecer um mercado que ainda exige o papel branco”, explica.

    A relação entre a Aracruz e alguns produtores foi um dos momentos que mais agitou o encontro. Pertence à empresa 70% do plantio, enquanto os 30% restantes provêm de programas de fomento, parcerias e arrendamento. A diretoria afirmou que uma das metas é intensificar a distribuição de sementes nativas, conscientização ambiental e orientação quanto ao melhores lugares para plantio, geralmente áreas degradadas. Essas medidas, porém, são recomendações, não exigências.

    “Por que essas ações não passam a ser contratuais, obrigando o produtor a adotá-las?”, questionaram as ONGs quase em uníssono.  Nunes, entretanto, defendeu a idéia da educação e afirmou que o melhor ainda é deixar essas recomendações fora do papel. “Já pensamos em fazer algo do tipo, mas não podemos obrigar ninguém. Não que sejamos contra, mas é difícil”.

    A preocupação de que a cidade de Guaíba,  fique presa a apenas uma atividade econômica não é apoiada por Nunes. “Defendemos que o município espalhe suas atividades e tenha uma multiplicidade de culturas. Sabemos o quanto seria prejudicial para todos se a silvicultura fosse a única forma de trabalho”, salienta. O Núcleo Amigos da Terra, por meio de Káthia Vasconcellos, expressou o temor: “A pecuária aqui parou porque todos quiseram ser gigolôs de vaca. Agora, tem muita gente querendo ser gigolô de árvore. Isso não pode acontecer”, adverte.

    Ambientalistas fazem exigências

    No final da reunião, as ONGs fizeram uma lista com inúmeras cobranças para os técnicos da Aracruz. Entre elas está o acesso aos estudos ambientais, inclusive aos que comprovam a inviabilidade de nativas na confecção de boas fibras de celulose.
    Outra cobrança foi a continuidade dos debates, focados nos temas que mais rendem discussões, como os processos de branqueamento. O gerente de Relações com a Comunidade, Francisco Borges Bueno, ficou encarregado de manter o contato com as entidades e de organizar a próxima etapa, visitas à empresa. “Podemos marcar um dia só para que vocês visitem a Aracruz e possam comprovar tudo o que estamos falando”, garante Nunes. A idéia foi bem recebida e há previsão de que aconteça, no máximo, até março. O convite ainda estendeu-se às unidades do Espírito Santo e Bahia.

    Um grande passo no debate

    Káthia Vasconcellos, organizadora da reunião, considerou importante a troca de informações. “Temos, assim, um canal de abertura. Como as ONGs estão mais organizadas, os diálogos se tornam mais enriquecedores”, afirma. Ela acredita que foi um grande passo no debate sobre as monoculturas de árvores, e a disposição da Aracruz em recebê-los não é uma surpresa. “Com a Riocell, tínhamos uma relação parecida. Eles nunca nos fecharam a porta”, acrescenta.

    A ambientalista assegura que, se a ampliação vier realmente para o Rio Grande do Sul, é menos prejudicial que aconteça em Guaíba do que em outras áreas do Estado, como o Pampa. Confessa também que acredita na palavra da empresa até o momento, o que dá certo alívio. “Pelo menos, eles dizem o que estão fazendo e temos como trabalhar a partir dessas perspectivas.”

    A opinião de Lara Lutzenberger, da Fundação Gaia, é semelhante. “O encontro foi excelente, pois conseguimos estabelecer um diálogo entre as partes. Parece ser o processo ideal de troca de informações com a sociedade”, destaca. Sobre as expectativas do lugar onde haverá a ampliação, a filha do pioneiro Lutz prefere também crer na palavra da empresa, uma reutilização do espaço em Guaíba.

    Ao final do debate, Nunes também elogiou os resultados alcançados. “A troca foi importante para nós em virtude do entendimento que as ONGs tem sobre as questões mais importantes da silvicultura”, ressaltou.

  • Brique da Redenção recebe expositores convidados


    Artesãos são convidados para substituir os espaços vazios
    (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Muitos artesãos do Brique da Redenção não participam da feira nos domingos de janeiro e fevereiro. Entre os motivos para esta ausência está a queda no movimento e o fato de que alguns expositores tiram férias, e vão para o litoral. Para preencher os espaços vazios, a Comissão Deliberativa do Brique recebe convidados, que se inscrevem como substitutos dos meses de verão.

    Neste domingo (8/1)  a coordenação da feira registrava cerca de 15 convidados trabalhando. “Procuramos preencher as vagas que sobram, mas sempre mantendo o padrão de qualidade do Brique”, afirma Eduardo Veiga, representante da Comissão. Ele explica que os organizadores têm interesse em manter o mesmo número de expositores no verão, para que a tradição da feira se mantenha. “Se deixarmos com poucos artesãos as pessoas vão achar que o Brique acabou”.


    Devido ao vestibular da UFRGS, o Brique teve um movimento bom neste domingo

    Marilene Borba, expositora do segmento de Antiguidades, relata que as férias que seus colegas tiraram são merecidas: “O pessoal trabalha o ano inteiro no Brique e durante a semana em outro emprego”, conta. Ela mesma vai descansar no mês de fevereiro, quando vai para a praia. A época é propicia porque as vendas diminuem drasticamente.

    Para Zuleika Storck, vendedora de livros na feira, o movimento cai cerca de 40 % no verão. “São vários fatores que influenciam a quantidade de público, como a temperatura e se tem algum congresso ou vestibular na cidade”.

    Barraco na feira


    A banca de lanches da culinária italiana é acusada de ter furado a fila

    Apesar da calmaria que toma conta do Brique neste primeiro mês de 2006, uma polêmica está deixando alguns artesãos nervosos e inquietos. O Conselho de expositores do Brique, composto por quatro segmentos (Antiquário, Arte na Praça, Gastronomia e Artesanato), acusa uma banca de ter se instalado de forma não democrática na feira.

    Veiga relata que a banca de lanches e sucos localizada entre os expositores de antiquários, ganhou o espaço através de um canetasso. “Quando o Adeli Sell era secretário da SMIC, em 2003, ele fez um documento autorizando a permanência deste estande na feira. O problema é que nós temos todo um processo de seleção que foi ignorado”.

    Simone Dionísia, do setor de gastronomia, afirma que todos os expositores devem ter direitos e deveres iguais. “Todos nós passamos por uma triagem, supervisionada pela SMIC, que seleciona os artesãos conforme um padrão de qualidade”. Veiga teme que esta ação abra um precedente, e que a organização da feira fique comprometida. “A SMIC nos prometeu a retirada da banca em novembro, mas até agora nada”.

    O vereador Adeli Sell responde que não existe base legal às reclamações dos expositores. “Não tem nenhuma lei que estabeleça um processo de seleção. Aquela banca está ali porque foi solicitado que houvesse mais variedade de alimentos na feira”. Ele afirma ainda que este assunto tem trazido problemas para ele e para a SMIC. “Já conversei com o secretário Idenir Cechim sobre isto, mas não conseguimos dialogar com estes artesãos, que não representam o Brique como um todo”

  • Direção do DMLU é acusada de receber gratificação de R$ 48 mil

    Helen Lopes

    Diretores do Departamento Municipal de Limpeza Urbana teriam recebido gratificação superior a R$ 48 mil, conforme o vereador Carlos Todeschini (PT). No memorando do DMLU 193/2005, de 29 de dezembro do ano passado, a diretora da Divisão de Recursos Humanos do órgão, Jandira Santos, solicita o estorno de R$ 4.069,36 destinados a dez diretores e R$ 8.138,72 concedidos ao assessor da direção geral. Está é a prova apresentada por Todeschini, que afirma a ocorrência do pagamento indevido e, após, o estorno para “não pegar mal”.

    O diretor-geral do Departamento, Garipô Seliste diz que ocorreu um equívoco.”Nenhum diretor chegou a receber esses valores, foi um erro da folha de pagamento”. No entanto, Selistre admite a intenção de realizar o pagamento, que só não foi efetivado porque existe um decreto do Governo Municipal restringindo esse tipo de gratificação aos servidores municipais concursados. Comentou ainda que o departamento jurídico está analisando uma forma viável para efetuar a gratificação, que seria retroativa ao mês de setembro e duraria por seis meses. O diretor não explicou porque o seu assessor direto, Jary Fontana dos Santos, iria receber o dobro dos demais diretores. E repetiu: “Houve um erro”.

    Selistre justifica o bônus aos diretores, dizendo que todos estão participando ou participaram das comissões de diagnóstico e de remodelagem do DMLU. O Estatuto dos  Servidores Municipais, Lei 133, no artigo 111, prevê uma gratificação por serviços especiais.

    Os funcionários estão indignados com a pretensão da atual gestão de pagar tamanha quantia aos diretores. “Consta no Estatuto, mas é uma imoralidade” reclama Ary Nunes, membro da Associação dos Servidores do DMLU. “Trabalho aqui há 20 anos e nunca vi essa gratificação ser usada”. Além de imoral, Nunes classifica a atitude de contraditória, já que a administração cortou as horas extras dos funcionários e difunde na mídia que o órgão está sucateado.

    Alegando ser uma “grande maldade“, Selistre rebate  afirmando que “o problema do DMLU não são os recursos, mas sim o emprego inadequado desses recursos”. Ele lembra que “55% do orçamento vai para a folha de pagamento”.

    Todeschini ressaltou que a justificativa de Selistre não procede. “Só há estorno quando há pagamento”. O vereador diz ainda ter informações de que um dos diretores já teria retirado o dinheiro da conta.

    “Durante os últimos 12 meses a direção do DMLU vem promovendo um sucateamento premeditado do corpo técnico e dos equipamentos”, denunciou Todeschini. “Como podem os diretores do departamento afirmar que o órgão passa por dificuldades financeiras e depois se autogratificam”, questionou o vereador. Ele encaminhou um Pedido de Informações ao DMLU e solicitou providências ao prefeito José Fogaça, quando à demissão do atual diretor-geral da autarquia.

    Vereadores comentaram a denúncia no Plenário da Câmara nesta quinta-feira (05/01). Confira as principais declarações:

    A vereadora Margarete Moraes (PT) cumprimentou o prefeito José Fogaça por mandar devolver aos cofres públicos pagamentos indevidos feitos a servidores do DMLU. Já João Dib (PP) disse que é função do vereador fiscalizar o Executivo, mas lembrou que tal trabalho deve ser feito com responsabilidade. Para Dib, a denúncia feita por Carlos Todeschini (PT) contra o diretor-geral do DMLU, Garipô Selistre, foi apressada.

    Dib observou que decreto do prefeito Tarso Genro permitia o pagamento da gratificação concedida a diretores do DMLU, desde que fossem servidores do quadro. “Quando se percebeu que os diretores com cargos em comissão (CCs) não poderiam recebê-la, houve a ordem para a devolução”, esclareceu Dib.

    O vereador Ervino Besson (PDT) defendeu Garipô Selistre das denúncias. Disse que recebeu carta do diretor informando que o DMLU, tão logo verificou o equívoco no pagamento da gratificação, mandou devolver o dinheiro. “A denúncia de Todeschini foi dura e precipitada. No lugar de Garipô, faria o mesmo”, disse Besson, referindo-se à intenção do diretor de acionar judicialmente Todeschini.” Besson alertou que algumas coisas no DMLU “terão de ser esclarecidas”, como a compra de um incinerador de lixo em administrações passadas. “Foi comprado por muito dinheiro e não sabemos onde está o equipamento”.

    Carlos Todeschini reconheceu que a administração anterior da prefeitura cometeu erros, mas observou que é seu dever fazer a cobrança dos atos do Executivo. O vereador cobrou a instalação de uma sindicância no DMLU para apurar os responsáveis pelo pagamento indevido de gratificação a diretores. “É preciso punir quem deu a ordem para o pagamento.” Todeschini acusou Garipô Selistre, de promover o sucateamento do órgão. “Ele foi o responsável pela privatização da CRT.”

    Bernardino Vendrúscolo (PMDB) disse não entender porque está havendo tanta polêmica sobre a devolução das gratificações recebidas no DMLU. “O que se vê é que houve a irregularidade e que alguém dentro da prefeitura viu a irregularidade e mandou devolver o dinheiro.

    Com informações do site da Câmara Municipal de Porto Alegre

  • Justiça garante “Casa da Estrela” por 45 dias

    Moradores promoveram atos em defesa da preservação da casa e da paisagem do bairro (foto: Tânia Meinerz/Arquivo JÁ Editores)

    Guilherme Kolling

    Por decisão da Justiça, o imóvel conhecido como “Casa da Estrela”, no bairro Petrópolis, não poderá ser demolido nos próximos 45 dias, período em que um perito do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) fará a análise do valor cultural da edificação.

    A decisão foi tomada na terça-feira, 3 de janeiro, pelo juiz de Direito da 5a Vara da Fazenda Pública, Pedro Pozza, que atendeu solicitação da Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público. Com isso, a casa, localizada na rua Camerino, 34, junto à escadaria da rua Guararapes, está mantida, pelo menos até 17 de fevereiro.

    O perigo de uma demolição aumentou em dezembro, quando o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc) mudou seu parecer sobre a preservação do imóvel, avaliando que a casa não merece ser listada nem tombada, isto é, que pode ser demolida. Em 2004, o Compahc tinha decidido pela preservação da edificação.

    A mudança de posicionamento está relacionada ao projeto imobiliário previsto para o local, que tramita na Prefeitura. A proprietária da casa, que pretende demoli-la para a construção de um edifício, contratou uma especialista, que apresentou novo laudo sobre o valor do imóvel. O Compahc foi convencido pela nova tese e mudou seu parecer, em decisão unânime.

    Mas há um outro aspecto que interfere no caso: a localização. O prédio está dentro de uma das 80 áreas especiais de interesse cultural da cidade, identificadas num estudo de arquitetos da Prefeitura e da Faculdade de Arquitetura do Centro Universitário Ritter dos Reis (Uniritter).

    O texto do trabalho foi transformado em decreto do prefeito João Verle, de abril de 2004, e prevê regras especiais para construir nessas áreas. A Justiça confirmou a validade da lei em dezembro de 2005, em decisão unânime de três desembargadores. Mesmo assim, a casa não está a salvo, já que o decreto não impede a demolição de imóveis isoladamente, apenas determina regras específicas para o regime urbanístico, isto é, alturas, recuos das edificações, índice de aproveitamento do terreno.

    Ou seja, como a casa corria perigo, moradores acionaram a promotoria de Justiça e Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público, com quem mantinham contato desde 2003. O promotor Gustavo Munhoz, que está tratando do caso, conseguiu uma reunião em dezembro com representantes de diversas secretarias da Prefeitura para tratar da questão. Chegou a um acordo para evitar a derrubada imediata da casa, que precisaria ser homologado pela Procuradoria Geral do Município.

    Como a PGM não o fez, o Ministério Público acionou a Justiça, na sexta-feira, 30 de dezembro, quando ajuizou uma ação cautelar inominada para que o imóvel não seja demolido por 45 dias, até que o laudo do IPHAE conclua se ele merece ou não ser preservado. A 5a Vara da Fazenda Pública acatou o pedido.


    Janete Barbosa, líder do movimento Petrópolis Vive
    (Foto: Tânia Meinerz/Arquivo JÁ Editores)

    Imóvel é emblema da luta de
    moradores pela preservação

    Há três anos, moradores de diversos bairros de Porto Alegre começaram uma mobilização por mudanças no Plano Diretor. Além da verticalização, as associações comunitárias se queixam da descaracterização de bairros tradicionais da cidade.

    No Petrópolis ocorreu uma das reações mais fortes. Ainda em 2003, o grupo começou a protestar na Câmara Municipal, a participar de debates na Secretaria do Planejamento e a realizar reuniões, abaixo-assinados, caminhadas e atos públicos.

    A conclusão do estudo das áreas especiais de interesse cultural deu esperança à comunidade de que o patrimônio histórico seria mantido. Trata-se de um instrumento de preservação desses bens culturais, previsto pelo Plano Diretor. Logo, os moradores promoveram passeios ao longo das duas áreas identificadas no Petrópolis, uma no entorno da Caixa D’Água e outra em volta da escadaria da rua Guararapes. Bem ao lado, está o imóvel que ficou conhecido como Casa da Estrela, um dos emblemas da luta pela defesa das características do bairro.

    O local é tido pelo grupo como uma referência importante da paisagem. Para defendê-la, o Petrópolis Vive reuniu dezenas de moradores em diversos atos. O mais badalado ocorreu em janeiro de 2004, quando houve até intervenções artísticas, incluindo a do ilustre vizinho, Luis Fernando Verissimo.

    O grupo conseguiu que uma paineira gigantesca que existe no local fosse considerada imune ao corte. Também pediu o tombamento da casa. Arquitetos da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc) da Prefeitura não indicaram o tombamento, mas sugeriram, em 19 de agosto, o listamento do imóvel como “bem de estruturação” (“aquele que por seus valores atribui identifidade ao espaço, constituindo elemento significativo na estruturação da paisagem onde se localiza”, diz o Plano Diretor).

    Foi com base neste trabalho que o Compahc, em 2004, havia emitido parecer favorável à preservação da casa, a partir de uma avaliação de elementos históricos e arquitetônicos. Depois, em dezembro de 2005, mudou seu posicionamento. A proprietária pediu para que fosse reconsiderado o parecer. E em reunião no dia 28 de novembro, o Compahc excluiu o imóvel da inclusão no inventário do patrimônio cultural para fins de preservação. Mas pede que se mantenha o conjunto de espaços públicos no encontro das ruas Camerino e Guararapes, referindo-se a taludes, escadarias, muros de arrimo e pavimentações.

    Segundo a coordenadora da Memória, da Secretaria Municipal da Cultura, Miriam Avruch, que é conselheira do Comphac, pesou o fato de que a área já havia sido bastante modificada, com a construção de novos prédios. Também que seriam apenas 12 moradores que estariam defendendo a preservação da casa. Também um ofício de Luis Fernando Verissimo ao então prefeito João Verle, solicitando que a proprietária fosse ouvida no caso.

    Uma das lideranças do movimento Petrópolis Vive, Janete Barbosa, admite que há vizinhos favoráveis a construção de um prédio no local, o que traria mais segurança para a área. Mas também salienta que as diversas manifestações contaram com dezenas de moradores, e que o movimento tem grande simpatia dos habitantes do bairro, descontentes com as alterações na paisagem.

    Novo prédio teria no máximo 4 andares

    O projeto de um edifício para o local tramita na Prefeitura. Prevê sete andares, mas como o endereço está na área especial de interesse cultural a B-36, a nova edificação não pode ultrapassar 12,5m de altura (quatro andares) e índice de aproveitamento 1,3 vezes a área do terreno.

    A proprietária, que tenta aprovar o projeto há três anos, desabafou no evento Diálogos da Cidade, ocorrido em março de 2005, quando revelou que comprou a casa sem saber das áreas de interesse cultural. Também disse que a aquisição é fruto do trabalho de toda vida dela, e que o local está degradado, atraindo consumidores de drogas. Salientou ainda que o imóvel está deteriorado e que restaurá-lo custaria uma fortuna.

  • Começam os espetáculos de verão

    Festival de Dança de Verão começa nesta quinta-feira (5) (Fotos: Divulgação)

    Naira Hofmeister
    A primeira semana de 2006 será marcada pelo incentivo e difusão da arte local. Prato cheio para quem gosta de arte, com sabor especial para os defensores da identidade cultural gaúcha que não estão nas praias ouvindo o funk da “Atoladinha”.
    Já a partir desta quarta-feira, 4 de janeiro, o tradicional Tangos e Tragédias inicia a sua 21ª temporada no Theatro São Pedro, contando e cantando histórias da Sbórnia através dos personagens de Nico Nicolaiewsky e Hique Gomes. No palco, Kraunus Sang com seu violino e o maestro Plestkaya, com seu acordeon, contam as histórias do país fantástico que herda e recicla todo o lixo cultural produzido e descartado no mundo.
    No repertório, canções de compositores brasileiros mundialmente esquecidos ou ignorados, como Vicente Celestino e Alvarenga & Ranchinho. Também canções do velho parceiro Cláudio Levitan. Tangos e Tragédias recebeu excelentes críticas e já ganhou os palcos internacionais, realizando apresentações na Argentina, Equador ,Colômbia, Espanha e Portugal, onde foi premiado no Festival Internacional de Teatro de Almada, em 2003.
    Festival de Dança de Verão
    Na quinta-feira (5) abrem-se os palcos da capital para dois festivais, que também já possuem espaço garantido na agenda dos porto-alegrenses. O Festival de Dança de Verão, em sua 5ª edição, volta a ser realizado depois de um ano sem acontecer, por conta das mudanças na prefeitura municipal. Serão 51 coreografias, todas de companhias locais de dança.
    As atrações permeiam todos os universos possíveis, do ballet clássico ao jazz, passando pela dança de rua e o folclore. Grupos amadores e profissionais se encontram, tendo entre os destaques bailarinos renomados e premiados como Alexandre Rittman, Andrea Del Puerto e Luciane Coccaro e ainda novos talentos como Fernanda Santos, indicada pela primeira vez ao Prêmio Açorianos de Melhor Bailarina.
    As apresentações acontecem sempre às 21 horas, no Teatro Renascença, e os ingressos custam R$ 10,00 por noite, com uma grande diversidade de atrações. (Confira a programação abaixo)

    Sétimo ano de sucesso das peças gaúchas no  Porto Verão Alegre

    Porto Verão Alegre
    Ainda na quinta-feira, inicia a temporada de verão do teatro gaúcho, o Porto Verão Alegre, que tem como a maior novidade a inclusão de espetáculos de música e dança na programação. Após sete anos, o Porto Verão Alegre se consolida como alternativa ao marasmo que reinava durante essa época. Serão quase 70 atrações, num total que ultrapassa as 300 apresentações. Mais de 700 profissionais do teatro gaúcho estarão envolvidos no evento, que segue com apresentações diárias até dia 28 de fevereiro.
    Além dos espaços tradicionais que ocupa, em 2006 o Porto Verão Alegre vai ‘prá galera’ e invade os shoppings centers no inovador Drops, apresentando as melhores cenas no Palco Praia de Belas, sempre às quintas-feiras, às 19h. Os ingressos podem ser adquiridos nos 12 pontos de venda, à R$ 12, com antecipação, ou R$ 15,00, na hora. Idosos pagam R$ 7,50, mas estudantes entrada inteira, enquanto é mantido o privilégio estranho de descontos para o Clube Assinante ZH. Por que os assinantes de outros jornais não têm desconto?
    Programação Festival de Dança de Verão
    Quinta-feira (5 de janeiro)
    1. A floresta ensolarada – Leila Chemale
    2. Beatriz – Isabel Viladino
    3. Tu que pega – Paulo Guimarães
    4. Assim, assim – Débora Leal
    5. O Jardim – Susana França
    6. Mulher no Espelho – Leila Chemale
    7. O Corsário – Reposição: André Birck
    8. Surtos em dor maior – Heloísa Bertolli
    9. Solaris – Hackers Crew
    10. Passos de Dança – Didi Pedoni
    11. Reflexos – Ânima Cia de Dança
    12. Palíndromo – Cia H/ Ivan Motta
    13. Sexteto – Sexteto Cia Dança
    14. Blues – Transforma Cia Dança
    Sexta-feira (6 de janeiro)
    1. Ataque – Aldo Gonçalves
    2. Noiva – Paulo Guimarães
    3. Poema em linha reta – Cia H/ Ivan Motta
    4. La Recherche – Seele Tanz Cia Dança
    5. Quietude do esquecimento – Luciano Hoeltz
    6. 2 Corpos – Alexandra Dias
    7. Sentindo o quadril – Roberta Malheiros
    8. Silêncio de Salomé – Viviane Gawazee
    9. Despidas por seus celibatários – Meme Centro Pesquisa Movimento
    10. Tango – Susana DÁvila
    11. Ciganada – Essência Cia de Dança
    12. Chip Chip – Cibele Sastre
    13. Let’s Dance – Ângela Ferreira
    Sábado (7 de janeiro)
    1. Traços – Isabel Viladino/ Laboratório da Dança
    2. Incato di amore – Aldo Gonçalves
    3. Sherazade – Reposição: Alexandre Rittmann
    4. Aqui jazz minha dança – Jenifer Guedes
    5. Ensaio para a via crucis do corpo – Viviane Silva
    6. O Ritmo Pulsante das Ruas – Hackers Crew
    7. In/compatível? – Eduardo Severino Cia de Dança
    8. Transitório/Constante – Cia H/ Ivan Motta
    9. Os braços não são mais os braços – Paulo Guimarães e Francisco Pimentel
    10. A Ultima Dança – Flavia Pessato Cia de Dança
    11. Ressureição – Dangerous Dança de Rua
    12. Hip Hop – o show das ruas – Stravagance Street Dance
    Domingo (8 de janeiro)
    1. Rock To Night – Naira Antunes
    2. Um dia no trem – Joana Viladino
    3. In – CONSCIÊNCIA – Fabiana Vanoni
    4. Metamorfose – Cristina Melnik
    5. Bala Blues – Leonardo Dias
    6. Mira que bonita eres – Patricia Rodriguez
    7. A mar men dan – Bruna Gomes
    8. Sonho, Jogo e Intuição – Rose Nunes
    9. Samba Carioca – Naira Antunes Dança de Salão
    10. Ritmos da América – Sueli Salva e Carlos Oliveira
    11.  Nostalgia – Andrea Del Puerto Dança Flamenca
    12. O pequeno Alquimista – Stravagance Street Dance
    13. Previt – Grupo Solevey Dança Ucraniana
    A programação completa do Porto Verão Alegre pode ser consultada no site www.palcohabitasul.com/portoveraoalegre .

  • Conflito da Praça da Matriz – 15 anos depois


    Uma história mal contada: quinze anos depois do “conflito da Praça da Matriz”, livro traz nova versão dos fatos. (Foto: Ronaldo Bernardi/ZH/JÁ Editores)

    No dia 8 de agosto de 1990, a Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, amanheceu com 400 integrantes do movimento dos trabalhadores rurais sem-terra. Eles queriam uma audiência com o governador – estava no cargo o vice, Sinval Guazzelli. O titular, Pedro Simon, havia se licenciado para concorrer ao senado.
    Às 9h da manhã, centenas de oficiais da Polícia Militar já estavam no local, munidos de cassetetes, escudos, bombas, cães e armas de fogo. O próprio comandante do policiamento da Capital, coronel Jair Portela, estava no local, dirigindo a operação. Enquanto políticos e ativistas ligados ao MST negociavam o encontro com o chefe do Estado, dentro do palácio, os colonos gritavam palavras de ordem – “Ocupar, Resistir, Produzir!” -, exibindo foices, enxadas e facões. A PM, por sua vez, mandava o grupo desocupar a praça. As lideranças decidiram resistir. A Brigada Militar começou a dar ultimatos para a liberação do espaço. O clima se manteve tenso durante horas.
    Por volta das 11h30, quando as negociações estavam avançadas – uma comitiva seria recebida pelo secretário da Agricultura –, o pelotão de choque agiu. Os acampados responderam com pedras. E a polícia avançou, sem ordem do governador. “A retirada era para ser pacífica”, afirmou depois o então secretário de Comunicação, José Antônio Vieira da Cunha. Apesar da reação dos colonos, a batalha na praça só durou 5 minutos. Os militantes do MST se dispersaram com as bombas de gás e de efeito moral. No tumulto, muitos foram presos, outros encaminhados ao Hospital de Pronto
    Socorro, e cerca de 150 fugiram.
    O conflito continuou nas vias adjacentes como Jerônimo Coelho, Borges de Medeiros e Rua da Praia. Com a confusão, várias lojas fecharam as portas. A esquina democrática foi palco do choque que marcou o episódio na história dos gaúchos.
    Foi lá que o policial Valdeci de Abreu Lopes, 27, recebeu um golpe no pescoço e morreu, pouco antes do meio-dia. A versão consagrada pela mídia é que ele foi degolado por um golpe de foice. As narrativas para descrever o evento fatídico são variadas. Só há consenso de que ele havia sacado o
    revólver e que foi cercado por um grupo de colonos. Também que disparou pelo menos três tiros.
    Segundo testemunhas de acusação, um colono teria batido com uma ferramenta na viatura e Valdeci, sozinho, saiu do carro para repreendê-lo. Companheiros do sem-terra vieram em seu auxílio. O guarda foi imobilizado por um homem e golpeado por outro, pelas costas. Deu dois disparos para o chão e um terceiro, já agonizando, que atingiu a colona Elenir Nunes.
    Testemunhas de defesa colocam o assassinato como reação, legítima defesa – os sem-terra estariam tentando desarmá-lo quando ocorreu a tragédia. O soldado teria dado cinco tiros, acertando um homem na perna, outro no pé, e uma mulher na barriga. Quando estava recarregando a arma, foi imobilizado por um colono, enquanto outro lhe deu uma facada (pode ter sido com um punhal ou canivete, segundo testemunhas), que pegou no pescoço. Outros também falam em um golpe de foice.
    O tumulto seguiu, logo depois, para a Prefeitura, onde dezenas de colonos se abrigaram. A Brigada Militar manteve um cerco de 11 horas no local, período em que estudantes, sindicalistas e simpatizantes do MST fizeram um cordão humano para impedir novo confronto.
    Altas horas da noite, os colonos foram levados para o Centro Treinamento Esportivo (Cete), no Menino Deus, onde ocorreu a indicação dos culpados por 10 testemunhas. O trabalho durou toda a madrugada. Pela manhã, 11 suspeitos já tinham sido identificados entre 176 agricultores. José Carlos Gowaski foi acusado de segurar o PM e Otávio Amaral de matá-lo – foi recolhido para o Presídio Central, onde ficou 1 ano e sete meses.
    O caso volta à tona com a publicação de “A degola” do PM pelos sem-terra em Porto Alegre – De como a mídia fabrica e impõe uma imagem (Editora Revan, Rio de Janeiro, 2005, 242 p.), obra da jornalista gaúcha Débora Franco Lerrer, 37 anos, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre, sem qualquer alarde ou divulgação na imprensa.
    Episódio em que Brigada Militar enfrentou 400 colonos do MST ficou marcado pela morte de um soldado, que teria sido atingido por um golpe de foice. Livro sobre o tema resgata conflito e apresenta nova versão para os acontecimentos
    Pesquisadora analisa papel da imprensa

    Trabalho de Débora Lerrer (foto) para a USP foi publicado em livro, lançado na Feira de Porto Alegre, este ano

    Otávio Amaral não assassinou Valdeci, como ficou provado depois – ele estava no Pronto Socorro na hora do incidente. O soldado morto não chegou a ser degolado, e o golpe letal não foi desferido com uma foice. Quinze anos depois do conflito na Praça da Matiz, a jornalista Débora Franco Lerrer traz uma reconstituição minuciosa dos acontecimentos, analisando o papel da imprensa na construção da versão conhecida e desmontando ícones que ficaram marcados na memória sobre o episódio.
    Tudo está no livro “A degola” do PM pelos sem-terra em Porto Alegre – De como a mídia fabrica e impõe uma imagem, resultado de oito anos de trabalho da pesquisadora. A publicação é a dissertação de mestrado defendida por Débora na Escola de Comunicação e Artes da USP em dezembro de 1998, “depois e oito anos de pesquisa e questionamentos”.
    O trabalho começou, sem ela saber, no dia da batalha, no Centro de Porto Alegre. Débora era estudante de Jornalismo da UFRGS e foi para a Prefeitura quando soube dos acontecimentos. Acompanhou o caso nos dias seguintes para escrever uma matéria, trabalho de uma cadeira da faculdade.
    Participou da coletiva com a colona baleada, Elenir Nunes, figura que muito a impressionou. Assinante e fã da revista Veja, ficou surpresa com a cobertura da publicação, que deu capa ao episódio, mas não fez qualquer referência a sem-terra baleada. “Foi um choque muito grande. Acreditava em tudo que saía na Veja, era uma referência. Depois que li a reportagem, a revista perdeu toda a credibilidade para mim”, lembra.
    Já de formada em jornalismo, em 1992, Débora se aproximou do MST. Trabalhou na área de comunicação do movimento de 1992 até maio de 1997. Nesse meio tempo ingressou na USP, com a proposta de fazer uma análise crítica de Veja. O professor e jornalista Bernardo Kucinski sugeriu uma abordagem do tratamento que a imprensa deu ao caso da Praça da Matriz. Foi o que ela fez.
    O texto do livro é basicamente o do trabalho de mestrado, com algumas atualizações. Além de consultar os 28 volumes do processo sobre o assassinato do PM, a acadêmica entrevistou jornalistas, advogados, militantes do MST e de direitos humanos, políticos e oficiais da Brigada Militar. Além, é claro, dos acusados pelo crime.Tentou publicar em editoras do Rio Grande do Sul e de São Paulo, que recusaram a obra. Depois, obteve o parecer da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) que, não só recomendou a publicação do livro, como destinou uma verba para bancar metade do investimento necessário.
    A obra acabou saindo pela Revan, que resolveu bancar tudo. É uma editora do Rio de Janeiro, onde Débora vive – cursa doutorado na UFRJ. Ela fez algumas adequações nos trechos mais fortes, para evitar processos. Ainda assim, apresenta uma dura crítica ao governo, à Justiça, à Brigada Militar e, principalmente, à imprensa. Leia a íntegra da matéria na edição de dezembro do jornal JÁ Porto Alegre, que está nas bancas.

  • Darcy Azambuja, o aquarelista

    Darcy Azambuja ganha obra sobre sua vida

    O professor José Clemente Pozenato, que é autor de “O Quatrilho” entre outras histórias, apresenta o prefácio de Darcy Azambuja – Contos Escolhidos (188p.), organizado pelo jornalista Geraldo Hasse e lançado pela JÁ Editores na Feira do Livro. A publicação vem numa caixa com dois volumes (R$ 30). No primeiro Darcy Azambuja – Vida e Obra (128p.), perfil biográfico escrito por Hasse, que aborda a trajetória de contista, jurista e homem público. O trabalho é patrocinado pela Copesul, via Lei Rouanet.

    Na Introdução à sua História da Literatura no Rio Grande do Sul (1956), Guilhermino Cesar definiu já, com justeza, o lugar nela ocupado por Darcy Azambuja. Seu livro de contos de estréia, No Galpão (1925), marca ao mesmo tempo o início da prosa modernista rio-grandense e, nela, a continuidade da literatura regionalista que vinha do século anterior.Esses dois aspectos dos contos de Darcy Azambuja – o modernista e o regionalista – irão marcar os passos seguintes da literatura do Rio Grande do Sul. É o que salienta Regina Zilberman em A literatura no Rio Grande do Sul (1982). Segundo ela, com o rejuvenescimento da linguagem, mais a mudança de foco, do passado mítico e distante para um mundo mais próximo e real, “No Galpão dá as pistas para um eventual percurso da prosa regionalista”. Passos que serão dados depois por Cyro Martins e pela geração do romance social.Não é pouco para um início de carreira literária. Mais ainda se levarmos em conta que quem sinalizava os novos caminhos era um contista precoce, mal chegado aos 24 anos de idade. crescente-se, para assinalar o impacto com que a obra foi recebida, que ela foi contemplada com o prêmio anual da Academia Brasileira de Letras. Mesmo a Academia sendo, naquele ponto da história, alvo dos ataques iconoclastas do modernismo, é inegável que um prêmio por ela conferido tinha seu peso e sua importância.

    Darcy Azambuja não foi o único caso de estréia precoce, cercada de aplauso geral, nesses anos do modernismo. Pode ser lembrado o nome de Raquel de Queiroz, que publicou O quinze (1930) tendo apenas 20 anos de idade. Ou ainda Clarice Lispector, que surpreendeu a crítica aos 19 anos, com Perto do coração selvagem (1944). Estas, no entanto, prosseguiram com uma ampla produção, fazendo efetivamente carreira literária. Darcy Azambuja, ao contrário, preferiu fazer carreira no Direito e no magistério. A publicação posterior de Romance antigo (1940) e de Coxilhas (1957), com que encerrou sua produção literária, não caracteriza uma carreira dedicada à literatura. A rigor, as duas últimas obras, mesmo mantendo bom nível de qualidade narrativa, não acrescentam elementos novos aos exibidos na obra de estréia.

    Não cabe indagar, a não ser para obter respostas no plano das suposições, dos motivos de Darcy Azambuja não ter prosseguido na trilha por ele mesmo aberta. O que faz sentido é examinar a importância de seu legado, não apenas para a literatura rio-grandense, mas também para a literatura brasileira. Sua contribuição para a literatura modernista do Rio Grande do Sul está bem caracterizada no trabalho, antes citado, de Regina Zilberman. Quero avançar na hipótese de haver ele dado também uma importante contribuição para a literatura brasileira do período.

    Nessa perspectiva, parece-me que a principal novidade trazida por Darcy Azambuja, especialmente para o regionalismo modernista, foi a de ter criado, ou lançado, uma estética da paisagem. É o que pretendo salientar quando o denomino, no título destas páginas, um aquarelista.A paisagem, como se entende atualmente, não é apenas um recorte do espaço físico, dotado de alguma peculiaridade estética. Somente se constitui a paisagem quando no meio do espaço físico fica marcada a presença humana. Mesmo a contemplação do que se poderia chamar de “espaço selvagem” se faz pelo olho estético do homem, seja ele pintor ou artista da palavra. Nos contos de Darcy Azambuja, a presença humana ganha extrema força, mas é inegável que é o espaço físico da paisagem o foco do olhar do narrador, o qual se transpõe para o olhar do leitor.

    Tome-se, como exemplo colhido ao acaso, o início do conto Beira de estrada:“Todos os viandantes que passavam naquela comprida estrada do Cerro Negro, perdida em muitas léguas pela campanha, conhecem a casa do velho Chico Pedro. Fica no topo de um dos coxilhões que, naquele planalto, levantam em ondulações fortes o chão do campo, como imensas pedras redondas cobertas por um tapete verde. De longe se avista a casa, branquejando, sempre alegre e clara, entre as repolhadas figueiras e as copas de laranjeiras que vingam para o fundo, no quintal.”

    Isto é, o jovem autor não economiza nos detalhes da paisagem: é a comprida estrada, é a casa no topo do coxilhão que parece uma pedra redonda coberta por um tapete verde, são as repolhadas figueiras, são as copas das laranjeiras. No meio de tudo, a casa branca, sempre alegre. E o aquarelista prossegue mostrando o que se vê de um lado e de outro lado: cerquinha de sarrafos, latada de madressilvas, tapume da horta, fonte de água. Depois de extensa ambientação na paisagem, passa ele aos hábitos dos moradores, inseridos dentro dela para, só então, entrar na narrativa propriamente dita: um viandante chega contando que num combate nas redondezas morrera um certo João Torto, que vinha a ser filho do velho morador da casa branca no topo da coxilha. E o final do conto dá-se, outra vez, com o foco na paisagem. No lugar de centrar a atenção no sofrimento do velho e de sua mulher, o narrador conta a ruína do espaço habitado pelos dois: até as madressilvas, por falta de cuidado, foram murchando e morrendo. Os escombros da paisagem são dados como sinal dos escombros da vida das personagens.

    Essa atenção concedida, de forma privilegiada, ao espaço habitado pelas personagens vai estar presente, alguns anos depois, no romance escolhido pela crítica para ser marco do romance modernista brasileiro. É ele A bagaceira (1928), de José Américo de Almeida. O pitoresco das cenas quase sempre se sobrepõe, nele, ao aprofundamento no drama das personagens. Sem forçar uma relação direta entre os dois autores, é possível supor que o reconhecimento dado pela Academia aos contos do autor gaúcho tenha servido como referência para o autor nordestino.

    Não se pode também deixar de notar que, tanto em No galpão como em A bagaceira, a paisagem não é mostrada do modo direto com que faria um escritor realista ou naturalista. Há um evidente intuito de “poetização” de cunho pictórico, que de certo modo deixou marcas na prosa narrativa de toda a geração de 1930. Podem ser aventadas diferentes hipóteses para a consolidação desse gosto literário. Mas a que me parece mais consistente é a de que a visão “poetizada” do campo tem relação com o processo de urbanização do país que se acelera a partir dos anos 20.

  • Roessler ainda é referência para os ecologistas

    Em janeiro de 1955, Roessler fundou a primeira entidade ambientalista do Estado, a União Protetora da Natureza, UPN.

    Guilherme Kolling

    Henrique Luiz Roessler nasceu em Porto Alegre em 16 de novembro de 1896. Logo pequeno, foi viver em São Leopoldo, onde fez história ao se tornar o pioneiro da ecologia no Rio Grande do Sul e no Brasil. Sempre morou nas proximidades do Rio dos Sinos, que defendeu até sua morte, em novembro de 1963.

    Formado em Contabilidade, profissão que exerceu durante alguns anos, dedicou a vida à proteção ambiental: enfrentou com determinação pescadores ilegais, madeireiros, industriais poluidores e caçadores clandestinos. As vezes exagerava no seu idealismo, como conta sua neta Maria Luiza Roessler, autora de um perfil biográfico do avô.

    Ela o descreve como um homem que, apesar de ser afável, gentil, de temperamento doce e amoroso, se transformava quando via agressões aos animais. Uma vez, pegou um homem batendo com violência no cavalo que o carregava. Roessler perguntou, ainda calmo, porque ele batia no animal. “Bicho tem que apanhar para obedecer e andar mais ligeiro”, respondeu o interlocutor.
    O ecologista puxou o pobre coitado de cima do eqüino e deu de chicote: “Viu, sem-vergonha, é assim que o cavalo sente”. De fato, o pioneiro se tornava um justiceiro, as vezes violento, quando via atrocidades contra o meio ambiente.

    Certa vez foi processado por agressão física, em Caxias do Sul. Ao dar com um sujeito que havia matado 40 sabiás e os exibia como troféu a quem passasse pela beira da estrada, puniu o assassino com 40 cassetadas de borracha – antes, o infrator também fora questionado, e respondeu com chacotas e desdém sobre a vida dos passarinhos. A atuação de Roessler foi oficializada em 1939, quando, aos 43 anos, ele se apresentou como voluntário e foi nomeado delegado florestal pelo Ministério  da Agricultura – sem remuneração e sem prejuízo ao expediente burocrático que exercia na Delegacia Estadual dos Portos. Fiscalizava atividades como queimadas e pescarias predatórias.
    Tido como louco por alguns, coordenou a defesa das matas em todo o Estado, organizando um grupo de 440 guardas florestais por sua conta e risco. Os colaboradores, espalhados pelo Rio Grande, cuidavam da caça e das florestas.

    Roessler também concentrou esforços no Vale do Rio dos Sinos, onde um grande número de curtumes poluía os cursos d’água. Fazia constantes denúncias e chegou a aplicar multa em algumas empresas, sem ter autoridade para isso. Foi afastado do posto e perdeu a credencial de fiscal do meio ambiente, em 1953.

    A neta conta que seus inimigos descobriram na Constituição um artigo que proibia qualquer cidadão de exercer funções gratuitamente. Ao invés de calar-se, Roessler fundou, em janeiro de 1955 a União Protetora da Natureza, UPN, a primeira entidade ambientalista do Estado, em São Leopoldo.

    Leia a matéria na íntegra no Jornal JÁ de dezembro, que está nas bancas.

  • Dois dias para cantar Porto Alegre com talentos locais

    Primeira fase é destinada aos artistas selecionados nas 16 regiões do Orçamento Participativo (Foto: Arquivo JÁ)

    A novidade está sendo alardeada pela Prefeitura como um avanço no já tradicional Festival de Música de Porto Alegre, que acontece segunda (26) e terça-feira (27) no teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa, a partir das 19h30. . Em sua oitava edição, o concurso que sempre teve como característica a revelação de talentos, abre espaços também para músicos com carreira consolidada. O critério de diferenciação entre as fases 1 e 2 foi a gravação de um CD em escala industrial, ou seja, padronizados e que tenham atingido mais de 1.000 cópias.

    Segundo o Coordenador de Música da Prefeitura, Henrique Mann, a razão das modificações no formato do festival foi o crescente esvaziamento das apresentações: “Da maneira que era pensado, manteve-se bem até a quarta ou quinta edição, depois disso, iniciou um declínio”, explica. Apesar da constatação, Mann faz uma ressalva: “Isso não é uma crítica ao governo anterior ou ao próprio festival de música, mas uma sugestão de adaptação às demandas que surgiram”.

    Henrique Mann tem como principal objetivo chegar à 10º edição do Festival de Música com sucesso total. A edição histórica deve acontecer em 2007 e, para isso, as modificações desse ano já estão sendo levadas em consideração. É um processo crescente, de adequação e, principalmente, de economia de recursos públicos: “Houve regiões em que apenas uma ou duas bandas se inscreveram. Seria um enorme desperdício montar um palco para poucas apresentações”.

    Outro fator considerado para a introdução da nova fase, foi justamente a falta que faziam os músicos com história na capital. Segundo Mann, eles acabavam concentrando sua participação nas bancas julgadoras e não contribuíam com composições para o festival.

    Assim, na primeira noite do festival, na segunda-feira, 26 de dezembro, apresentam-se os músicos da chamada Fase 1, destinada aos artistas selecionados nas 16 regiões do Orçamento Participativo, provenientes das comunidades e com pouca experiência musical. Das 16 apresentações o júri irá eleger as três melhores, que passam a concorrer na Fase 2.

    A premiação da Fase 1 será mantida nos moldes de edições anteriores, entre R$ 500,00 e R$ 2.000,00. “A diferença é que, além do prêmio normal, os artistas iniciantes vencedores ainda estarão habilitados à concorrer ao prêmio maior de cinco mil”, diz Mann.

    Os shows da Fase 2 acontecem na terça-feira, 27, e terão como atração músicos como Beto Hermann e Gelson Oliveira, entre os 10 concorrentes da categoria profissional. À esses, somam-se os três vencedores da noite anterior. A premiação vai de R$ 500,00 às R$ 5.000,00.

    Além da premiação em dinheiro, todas as canções vencedoras da oitava edição do festival serão lançadas numa coletânea. Sra um CD duplo, com gravações ao vivo, feitas durante as apresentações no festival.

    Em ambas as noites, o encerramento do festival será de talentos também locais que tiveram destaque recentemente. Na terça-feira, a banda Anahata – oriunda do prórpio Festival de Música – encerra as apresentações. Na terça-feira, a instrumental Pata de Elefante faz as honras da casa. Ambos os shows tem entrada franca, se realizam no teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa, a partir das 19h30.

    Bandas Concorrentes

    Fase 1 (show no dia 26 de dezembro)

    CHUVA DE TRALHA, de Adriano Mattos (Região Centro)

    QUE SEJA COMO FOR, de Cristian de Oliveira Silva (Região Glória)

    A HISTÓRIA DE QUALQUER UM, de Luis Alberto Diogo (Região Cristal)

    VAGAL, de Julio César Machado (Região Cruzeiro)

    VITALÍCIA, de Pablo Meira Martins (Região Humaitá Navegantes)

    CAMINHO CERTO, de Luiza Cáspary (Região Noroeste)

    DÓLARES NO BOLSO DE UM BURGUÊS, de André Costa (Região Lomba do Pinheiro)

    CONSTANTE MUTAÇÃO, de Dejota Correa (Região Partenon)

    DE ALGUMA FORMA, de Samantha Vieira (Região Extremo Sul)

    TRÁFICO DE DROGAS, de Fábio Henrique Freitas (Região Restinga)

    NADA IGUAL, de Ana Paula Leffa (Região Centro Sul)

    PINGO DE CHUVA, de Thiago de Luca (Região Sul)

    NOITE ETERNA, de Márcio Massa (Região Norte)

    AQUELE BEIJO, de Wagner Martins Oliveira (Região Eixo Baltazar)

    AO SOM DO VIOLÃO, de Pedro Eduardo da Silva (Região Nordeste)

    CANTO DE UM FARRAPO, de Daniel Prado (Região Leste)

    Fase 2 (show no dia 27 de dezembro)

    KIDS E TEENS, de Mário Falcão

    SAMBA E MOCOTÓ NA CASA DO ARY, de Moises de Oliveira Machado

    RELÓGIOS DE DALI, de Beto Herrmann

    PELAS RUAS DE RUANDA, de Edgar Bassualdi Pereira

    OS DESENHOS DE FUMAÇA, de Fausto Prado

    MEMÓRIAS DE UM CONTADOR, de Gelson Oliveira

    TRAMA, de Edilson Nequete

    TEMPO ENCURVADO, de Richard Serraria

    MEU PAI, de Galileu Arruda

    RINDO NO CHÃO DO FRASCO, de Leandro Rodrigues