Autor: Elmar Bones

  • Negócio próprio pode ser solução para desemprego de jovens

    O representante do Ministério do Trabalho enfatizou aos jovens a importância de ter sonhos (Fotos: Helen Lopes)

    Criar uma cultura de empreendedorismo nos jovens foi uma das propostas defendidas durante o Seminário Empregabilidade e Empreendedorismo, promovido pela Secretária Municipal da Juventude. O encontro, que integra o projeto Juventude em Foco, abordou alternativas pra o desemprego que assombra cerca de 50% da população entre 16 e 24 anos. Os jovens representam 30% dos habitantes de Porto Alegre.

    O responsável pela pasta, Mauro Zacher, informou que, por enquanto, a Secretaria está dando ênfase aos laboratórios, onde entidades e associações civis realizam encontros para detectar as necessidades dessa parcela da população.

    Convidado para realizar uma palestra motivacional, o coordenador do Departamento de Políticas Públicas para Juventude do Ministério do Trabalho e Emprego, Alisson Araújo, falou sobre os projetos do governo federal.  Ele, que é psicólogo, falou aos jovens da importância de se ter um objetivo e realizar ações cotidianas para vê-lo concretizado. “Se você tem um sonho deve se preparar para ele, estudar todo dia uma hora”, sugeriu. Araújo propôs aos jovens uma mudança de postura: “Temos que sair do marasmo, ficar vendo televisão não leva a nada”.

    Segundo Araújo, o governo federal promove políticas públicas para a juventude em duas frentes. A primeira visa o emprego. É o Consórcio Social da Juventude, que oferece cursos de educação e capacitação aos jovens para futura inserção no mercado de trabalho. “Em Porto Alegre, por exemplo, o curso capacitou 1.700 jovens. A finalidade é inserir pelo menos 30% desse número no mercado de trabalho formal”, projeta. O Consórcio é uma parceria entre o governo federal e ONGs, que devem ter mais de três anos de experiência com juventude.

    Funciona assim: o jovem recebe um treinamento de 400 horas, dividido entre o estudo de ética, cidadania e responsabilidade social e a outra metade do tempo, recebe treinamento profissional. Nos cinco meses de duração, cada um recebe uma bolsa auxílio de R$ 120,00, e em troca, prestam trabalho voluntário na comunidade. Ao final do curso, é encaminhado ao programa Primeiro Emprego, uma experiência de carteira assinada durante um ano.

    Alguns dos jovens que concluem o curso podem ser escolhidos para iniciar um empreendimento local, sob a supervisão do Ministério do Trabalho: “Selecionamos aqueles com um perfil adequado, os que têm os pontinhos brilhantes”. As linhas de produção, como Álisson chama, são pensadas de acordo com o movimento local de negócio e em sintonia com a linguagem dos jovens.

    Estes jovens que se destacam por ser empreendedores participam do outro projeto do governo que é focado no empreendedorismo juvenil e voltado para as periferias das capitais. Um exemplo é o fomento à cadeia produtiva do surf, desenvolvida em Fortaleza, em que os jovens fabricam e vendem pranchas nas praias locais. Há também o projeto MH20, desenvolvido com jovens que fazem e gostam de hip-hop. A idéia é incentivar que os meninos que picham passem a fazer grafitagem. Eles pretendem ainda tornar o break um esporte.

    Araújo antecipou que em Porto Alegre, está sendo montada uma cadeia produtiva do skate. Serão 30 jovens responsáveis diretos pelo empreendimento, produzindo desde peças para montagem do skate até acessórios e pistas. Além disso, haverá a criação de trabalhos indiretos. “Estamos pensando em desenvolver uma cooperativa baseada no associativismo. Não queremos a empresa na mão da ong, mas do jovem”.

    As idéias de Álisson vão ao encontro das constatações do secretário do Trabalho de São Paulo, Gilmar Viana Conceição que também participou dos debates. “O Trabalho celitista (sob a proteção da CLT) com  carteira assinada, clássico, vai ficar cada vez mais distante em cidades com São Paulo”. A razão é a transformação econômica das grandes metrópoles, que, de cidade industriais tornaram-se prestadoras de serviço. “Em São Paulo, no início da década de 60, 70% da população ocupada, estava na indústria. Hoje são 15%, 80% estão atuando na área de serviços e comércio”, diz.

    Segundo Gilmar Viana, para combater o desemprego, uma solução é gerar micro e pequenos  negócios, voltados ao empreendedorismo, com alto valor agregado tecnológico. A situação em Porto Alegre ainda não pode ser comparada com a capital paulista, porém, essa é uma tendência mundial: “Grandes cidades como Barcelona, Detroit, Hamburgo e Milão sofreram esse processo de reconversão”, explica.

    Em seu painel, representante da Comissão Municipal de Emprego, Olemar Teixeira, alertou os jovens para a necessidade da profissionalização. “Oportunidades existem, o que falta é qualificação.” Segundo ele, há mais de mil vagas na área de informática, com um piso de R$ 1.514,00, só em Porto Alegre. Porém, a maioria dos que procuram as vagas não tem a mínima qualificação. “O grande desafio hoje em dia é qualificar o jovem. Existem vários cursos gratuítos, quem não se qualificar está fora do mercado”, afirmou.

    Para o coordenador de desenvolvimento do Sebrae/RS, Evandro Welp, o empreendedorismo é a grande solução para um futuro melhor. De acordo com ele o empreendedor precisa, entre outras coisas,  buscar oportunidades, ter iniciativa, oferecer qualidade e eficiência, ser persistente, estabelecer metas, realizar planejamento e ter uma rede de contatos. “O empreendedor não nasce pronto, ele se qualifica”, considerou.

    Welp apresentou dados sobre a taxa de atividades empreendedoras em 2004, que mostram que o Brasil ocupa a sétima posição mundial. O primeiro é o Peru. Welp destaca que os países em desenvolvimento são os que mais empreendem para tentar superar as crises econômicas.

    Welp disse que 13,5% da população brasileira tem o seu próprio negócio, isso representa cerca de 14 milhões de pessoas. No entanto, ele salienta que a metade desses brasileiros (6,2%) recorreram ao empreendedorismo porque estavam desempregados, ou passando por outra dificuldade, e não por opção.

    Isso pode ser um dos fatores do alto índice de fechamento das empresas: 32% delas fecham até o primeiro ano de criação, 44% fecham no segundo e apenas 29% chegam ao quinto ano. “É como se a cada dez empresas abertas somente três completassem cinco anos”, analisa.

    Os dados do setor de Estatísticas do Cadastro Central de Empresas, do IBGE, apontam que em média, anualmente, surgem 100 mil empresas com empregados e 58 mil são extintas. O estudo revelou que, no universo de empresas com empregados, as médias anuais foram de 100 mil nascimentos e 58 mil mortes, resultando em um saldo de 42 mil novas empresas. A taxa média anual de natalidade, que mede a quantidade de empresas que surgiram em relação ao que já existia no ano anterior, foi de 8,3%, enquanto a mortalidade (quantas foram extintas) foi de 5,0%. Na faixa com até 99 empregados, a taxa de natalidade supera à de mortalidade, enquanto nas empresas com 100 ou mais empregados, o movimento é o inverso.

    O Comércio foi responsável pelo maior volume de nascimentos (50.316) e mortes (27.647) de empresas entre 1997 e 2003, enquanto a Indústria apresentou os menores resultados:13.074 empresas foram criadas e 9.209, extintas. Já o setor de Serviços, criou 23.561 empresas e extinguiu 13.973.

    O que pensam os jovens

    Bruno e Charle, ambos de 16 anos, estudantes da 8ª série do ensino fundamental, participaram de todo o evento. Saíram cedo de suas casas no Beco do Adelar, do extremo sul de Porto Alegre, para chegar às 8h30min, no auditório do GBOEX, no centro de Porto Alegre. Assistiram atentamente às palestras e no final do encontro, se questionavam sobre a real eficácia desses programas: “Acho que ações isoladas assim não rolam. Deveriam fazer as comunidades interagirem entre si”, disse Charle. O garoto acredita que a preocupação está em colocar alguns jovens no trabalho e não em mudar a realidade das periferias.

    Segundo a organização, cerca de 80 jovens participaram

    Ele apontou um conflito na iniciativa de “comercializar o grafite”. “O cara é contratado para pintar uma parede aqui no centro, depois chega uma gangue rival ou aqui da área e picha só pra deixar a marca dela”. Bruno concordou com as colocações do colega, mas disse que quer é trabalhar: “Vim porque queria saber como falar na entrevista”.

  • Presidente da Petroquisa diz que associação com Braskem “tem muitas pedras no caminho”

    Elmar Bones, de Brasília/Sérgio Lagranha, de Porto Alegre *

    Preocupada com a possibilidade de uma grande quantidade de demissões e concentração no setor petroquímico, a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados realizou nesta quarta-feira (19/10) audiência pública para discutir o aumento da participação da Petrobras na Braskem, uma petroquímica controlada pelo grupo Odebrecht.

    A presidente da Petroquisa, Maria das Graças Foster, disse na audiência em Brasília, que a Petrobras ainda não tem uma decisão firmada a respeito da troca de ativos que está negociando com a Braskem.

    Ela afirmou que a estatal está avaliando a “opção Braskem”, como uma oportunidade de negócio, mas que para chegar à concretização final prevista para 31 de março de 2006 ainda terá que passar por “duas estradas sinuosas, com muitas pedras no caminho”.

    Uma dessas estradas é a avaliação dos ativos que entrarão no negócio, a outra é um novo acordo de acionistas que será negociado concomitantemente. Em ambas, as interrogações ainda são muitas.

    Na questão da avaliação de ativos terá que ser definido não só o valor das ações e das empresas que a Petrobras está indicando como contrapartida ao aumento de sua participação de 10% para 30% na composição acionária da Braskem. “Precisamos definir também a perspectiva de futuro nesse negócio, por quanto tempo vamos manter essa participação, em que direção vamos evoluir? Vamos crescer, mas crescer como?”. Terão que ser também analisados e vencidos muitos impeditivos de ordem física, políticas e financeiras, segundo ela.

    O novo acordo de acionistas, disse Maria das Graças, terá que ser coerente com o plano de negócios da Petrobras, pelo qual se estabelece que a estatal amplia sua presença no setor petroquímico buscando associações em que detenha poder político, de decisão na condução dos negócios. “Só na organização do plano básico, teremos que contemplar mais de 50 variáveis, que vão desde orçamento até recursos humanos”. Nesse plano se incluirá a indicação de membros da direção executiva, nos conselhos e nos comitês estratégicos.

    “Quero dizer que se faz oportuno avaliar a atratividade dessa oportunidade de negócio que se chama opção Braskem, mas que a Petrobras poderá optar ou não por concretizá-lo. Por enquanto, ao menos na minha esfera, ainda não há qualquer obrigação nesse sentido”. Ela informou também que essa não é a única oportunidade que a Petrobras examina em termos de negócios na petroquímicas. “Há outras, que eu não posso revelar porque ainda não estão nesse estágio”.

    O depoimento de Maria das Graças Foster foi a primeira manifestação pública de Petrobras desde que o negócio começou a ser costurado em março de 2001.

    Deputado quer análise sobre concentração de produdos

    O deputado Tarcísio Zimmermann (PT-RS), o proponente da sessão, falou ao Jornal JÁ por telefone que o mais positivo da audiência foi ter ficado claro que a Petrobras ainda não decidiu fazer a troca de ativos com a Braskem. Tanto a presidente da Petroquisa, Maria das Graças Foster, quanto o vice-presidente de Relações Institucionais da Braskem, Alexandrino Alencar, presentes na audiência, afirmaram que a operação ainda está em estudo e que a data-limite para uma definição, no caso da Petrobras, é o final de março de 2006. O prazo para a Petrobras exercer a opção de aumento de sua participação na Braskem terminava em 31 de dezembro, mas foi adiado.

    Zimmermann encaminhou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) um pedido de análise sobre a concentração de alguns produtos estratégicos do setor petroquímico nas mãos da petroquímica Braskem, caso se efetive a negociação que aumenta de 10% para 30% o capital da Petrobras nessa empresa.

    O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Petroquímicas de Triunfo-RS (Sindipolo), Carlos Eitor Rodrigues, também denunciou o risco de concentração ao jornal JÁ por telefone de Brasília. O presidente do Sindipolo acha que as conseqüências dessa fusão serão que a Braskem acabará responsável por 80% do consumo de nafta do País e pela produção de cerca de 70% dos produtos petroquímicos básicos, como eteno e propeno.

    Zimmerman questionou, ainda, a possibilidade de as empresas envolvidas garantirem os empregos dos trabalhadores da Triunfo. O representante da Braskem alegou que não é possível assumir esse compromisso, mas lembrou que as vagas extintas na reestruturação que a empresa promoveu em Camaçari (BA) foram recriadas com as ampliações.

    O sindicalista Rodrigues acusou a Braskem de ter demitido mais de dois mil trabalhadores com a implantação do pólo petroquímico da Bahia. Segundo ele, as empresas controladas pela Odebrecht priorizam também a contratação de terceirizados, sem vínculo empregatício, em detrimento de empregos diretos, com carteira assinada. “Em contrapartida, a empresa petroquímica Triunfo, controlada pela Petrobras, tem o dobro de empregos diretos”, comparou.

    O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Antônio Felício, presente à reunião, veio representar a posição dos trabalhadores, que reivindicam a manutenção do controle da Petrobras sobre empresas estatais do setor.

    O representante do Ministério das Minas e Energia, Cláudio Ishihara, disse que o ministério está aberto à discussão sobre o impacto nos empregos dos petroquímicos e lembrou que a Petrobras, como parte do conselho de administração da empresa, poderá influenciar nessa decisão.

    A Petroquisa, subsidiária da Petrobras para a área de petroquímica, tem 10% das ações da Braskem e ofereceu três ativos em troca do aumento de participação na empresa para 30%. Esses ativos são: 15,63% do capital total da Copesul, 85,04% da Petroquímica Triunfo e 40% da Petroquímica Paulínia, empresa que está construindo uma unidade de produção de polipropileno no interior de São Paulo.

    Estratégia de expansão da Petrobras

    Durante a audiência, a presidente da Petroquisa explicou que a Petrobras tem a estratégia de expandir seus investimentos de forma seletiva no setor petroquímico, baseada na busca de garantia do poder de gestão em outras empresas. “O que se busca na petroquímica é agregação de valor de toda a cadeia produtiva, e para isso a Petrobras investe em participações acionárias em empresas estratégicas que garantam o poder político na direção dos negócios”, disse.

    Ela acrescentou que o setor petroquímico precisa de uma grande quantidade de investimentos e que a Petrobras tem um plano de negócios total de R$ 56,4 bilhões para os próximos quatro anos.

    O presidente do Sindipolo rejeitou a explicação da presidente da Petroquisa, ressaltando que a Petrobras continuará não tendo o controle de gestão da Braskem, pois a Odebrecht permanecerá com 70% das ações.

    Estiveram presentes os deputados federais Marco Maia (PT), que presidiu os trabalhos, Alceu Collares (PDT), Luciana Genro (PSOL) Beto Albuquerque (PSB), Érico Ribeiro (PP), do deputado estadual Edson Portilho (PT) e da vereadora Maristela Mafei (PSB).

    * Com Agência da Câmara dos Deputados

  • Casas ecológicas cada vez mais confortáveis

    O Palácio de Buckingham possui um coletor de água usado para abastecer o sistema de refrigeração

    Por Roberto Villar Belmonte, de Londres para o JÁ

    As eco-moradias estão cada vez mais confortáveis, luxuosas e valorizadas na Inglaterra e nos Estados Unidos. Viver em habitações sustentáveis está deixando de ser, nos últimos cinco anos, sinônimo de privações e falta de conforto. Pessoas que vivem bem, e que não são ativistas ecológicas, também estão buscando uma vida em sintonia com o planeta. Este é o tema de uma surpreendente reportagem especial de 20 páginas publicada no final de semana dos dias 15 e 16 de outubro pelo jornal Financial Times de Londres.

    Uma das razões para este novo fenômeno imobiliário investigado pelo jornal britânico é o aumento da consciência sobre os problemas ambientais, principalmente devido às mudanças climáticas. As residências são uma fonte importante de emissão de gases estufa nos países desenvolvidos em função da energia usada para aquecer e resfriar as casas e prédios, e também para alimentar uma quantidade crescente de aparelhos domésticos. O próprio concreto é considerado uma fonte de dióxido de carbono.

    Além dos gases estufa, também existem problemas crescentes com a geração de lixo nas áreas urbanas das sociedades de alto consumo, com o gerenciamento da água doce disponível e ainda com os materiais usados nas construções. A jornalista Fiona Harvey observa, no texto de apresentação do caderno especial do FT, que as moradias ecológicas não são apenas mais uma moda entre os ricos do primeiro mundo, mas indicam a total falta de opção diante dos graves problemas ecológicos do planeta.

    Entre as novas tecnologias de geração de energia doméstica citadas pelo Financial Times estão os mini-aerogeradores, quase do tamanho de um ventilador convencional. Como são bem menores do que as tradicionais turbinas aéreas dos parques eólicos, os novos equipamentos têm um impacto visual muito mais reduzido e um dano ambiental quase insignificante, pois praticamente não oferecem riscos aos pássaros, ao contrário dos equipamentos tradicionalmente utilizados.

    Luxuosas moradias ecológicas foram descritas pelo Financial Times. Não apenas mansões, mas também edifícios residenciais. Como o The Solaire, na ilha de Manhattan. O prédio de 27 andares tem 293 apartamentos para alugar e gasta 35% menos energia e 50% menos água do que os demais prédios da região. Além de painéis solares para captar energia, a água do banho e da pia das cozinhas é reciclada e usada nos vasos sanitários. O emprendimento é da Albanese Organization (www.albaneseorg.com).

    Gaia salve a rainha

    Na Inglaterra, a Rainha Elizabeth II vem se esforçando para dar um bom exemplo ecológico aos seus súditos. O caderno especial sobre habitações ecológicas do jornal Financial Times informa que no próximo verão europeu o Castelo de Windsor começará a receber energia de uma central hidrelétrica instalada no rio Tamisa, medida que deverá reduzir em 600 toneladas a emissão de dióxido de carbono anual.

    Outro eco-empreendimento real, em funcionamento desde 2002 no Palácio de Buckingham, é um coletor de água usado para abastecer o sistema de refrigeração. O equipamento substitui seis resfriadores antigos. Depois de usada, a água vai para os jardins do palácio, onde os fertilizantes químicos estão sendo banidos. Dia 24 de outubro inicia a Semana para Poupar Energia no Reino Unido, onde o aumento da eficiência energética nas residências será um dos temas abordados.

    No Japão, uma célula de combustível, com hidrogênio, está sendo usada desde abril para gerar energia de modo mais eficiente para a residência do Primeiro Ministro Junichiro Koizumi. O jornal inglês Financial Times questiona, no entanto, o fato do primeiro ministro viver sozinho em uma mansão enorme ao invés de morar em uma casa menor, e mais arejada, para dar um exemplo realmente ecológico à população japonesa que vive espremida em pequenas habitações.

    Cidades ecológicas

    A preocupação com a construção de casas e até cidades ecológicas, ou livres de carbono, como estão sendo chamadas, está chegando à China. O governo chinês planeja construir nos próximos anos sete eco-cidades. A primeira delas será em Dongtan, perto de Shangai. Em agosto, a empresa Arup (www.arup.com) foi contratada para fazer a cidade o mais próxima possível do conceito neutra em emissões de carbono para não contribuir com o aquecimento global. A primeira fase do projeto será apresentada em 2010.

    Os chineses estão sendo assessorados pelo arquiteto norte-americano William McDonough (www.mcdonough.com), considerado um dos papas das novas construções sustentáveis. A empresa inglesa Zedfactory (www.zedfactory.com), outra referência mundial em prédios ecológicos, está construindo em Pequim um condomínio residencial com 60 casas. A cidade inglesa de Newcastle também quer se livrar das emissões de carbono através do aumento da eficiência energética.

    Os planejadores do governo chinês irão assistir na China, ainda este ano, uma série de apresentações do arquiteto italiano Paolo Soleri que, desde os anos 70, está construindo uma cidade ecológica no deserto do Arizona, nos Estados Unidos, chamada Arcosanti (www.arcosanti.org). No dia 8 de outubro, foi inaugurada em Roma uma exposição retrospectiva do trabalho inovador de Soleri. A mostra permanece no Palácio Fontana di Trevi até o dia 8 de janeiro de 2006.

    Na Alemanha, o jornal inglês Financial Times destaca os prédios ecológicos de Fraiburg, na região da Floresta Negra, que já viraram atração turística em função dos novos padrões ecológicos adotados. E na Suécia já há um bairro ecológico inteiro com mil residências, na cidade de Malmö, que também adota novos procedimentos sustentáveis na construção das casas, dos materiais ao sistema hidráulico, passando pelo planejamento urbano da comunidade sueca.

    Alguns sites interessantes de fontes citadas pelo Financial Times

    • Conselho de Prédios Ecológicos dos Estados Unidos (www.usgbc.org), coalizão nacional de construtores engajados em projetos sustentáveis.

    • Carbon Trust (www.thecarbontrust.co.uk), empresa independente fundada pelo governo inglês para ajudar a reduzir o consumo energético do país.

    • Sust (www.sust.org), portal de tecnologias sustentáveis de design e arquitetura criado pelo Centro Escocês de Arquitetura, Design e a Cidade.

    • Imobiliária inglesa Green Moves lançou em fevereiro seu site na Internet (www.healthyhomesforsale.com) apenas com casas ecológicas.

    • Jennifer Roberts (www.jenniferroberts.com), autora dos livros Good Green Homes e Redux: Designs That Reuse, Recycle, and Reveal.

    • Ian McKay, diretor da BBM Sustainable Design (www.bbm-architects.co.uk), empresa de arquitetura inglesa especializada em soluções ecológicas.

    • Andy von Bradsky, diretor da PRP Architets (www.prparchitects.co.uk), empresa inglesa de arquitetura que presta serviço de design sustentável.

    • Houses of the Future (www.housesofthefuture.com.au), exposição realizada no Parque Olímpico de Sydney na Austrália de 19 de fevereiro a 30 de outubro de 2005.

    • Decorador e ecodesigner Danny Seo (www.dannyseo.com), autor de diversos livros, entre eles Conscious Style Home, é consultor de celebridades norte-americanas.

  • A vez do Cinema Fantástico

    Alguns dos principais mestres do horror estarão representados na primeira edição do Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Produções aclamadas por público e crítica como “Nosferatu – O Vampiro da Noite” (1979), de Werner Herzog e “Scanners” (1981), de David Cronenberg, estarão em cartaz em duas salas da capital.
    A iniciativa e do Clube de Cinema de Porto Alegre e conta com o apoio da Sala P. F. Gastal, da Usina do Gasômetro e da Cinemateca Paulo Amorim. Além dos 26 títulos entre curtas e longas metragens, o festival também exibirá trailers de outros filmes, sempre no clima da fantasia, horror e suspense prometido pela organização do festival.
    Do atualmente conhecido e cultuado Peter Jakcson, de O Senhor dos Anéis, vem o drama Almas Gêmeas, rodado em 1994. Baseado em fatos reais, é uma narrativa sobre dois amigos que desenvolvem uma relação obsessiva e trágica. O mundo fantástico é abordado pela paixão que ambos nutrem pela literatura. Este filme revelou a “gordinha” mais sexy do cinema moderno, Kate Winslet.
    Roman Polanski está representado pelo longa Repulsa ao Sexo (1965), onde uma jovem manicure entra em delírio neurótico e mata o namorado e o proprietário de seu apartamento, que tentam ajudá-la. Sozinha com seus fantasmas, a cada dia pioram as obsessões da mulher. Esse filme faz parte da trilogia do apartamento, composta por O Inquilino (1976) e O Bebê de Rosemary (1968), onde o terror brota do próprio ambiente. A produção ainda tem como atração a atriz Catherine Deneuve.
    Além do filme Suspiria (1977), de Dario Argento, os mestres italianos do horror das décadas de 70 e 80 aparecem com “Lisa and the Devil” (1973), de Mario Bava, “The House with Laughing Windows” (1976), de Pupi Avati e “The Beyond” (1981), de Lucio Fulci. “Vampiras Lésbicas” (1971), co-produção entre Espanha e Alemanha, do diretor Jesus Franco e o francês “Fascinação” (1979), de Jean Rollin, estão entre as curiosidades eróticas apresentadas pelo festival. O cinema oriental é representado com as produções recentes “Depois da Vida” (1998), de Hirokazu Koreeda, “A Entrevista” (1999), de Takashi Miike e “Legend of Zu” (2001), de Tsui Hark.
    O cinema gaúcho de gênero também tem espaço no festival com “Paulo e Ana Luiza em Porto Alegre” (1998), de Rogério Brasil Ferrari, “O Velho do Saco” (1999), de Amábile Rocha e Milton do Prado, “Incômodos” de Gustavo Tissot e “O Combate”, de Davi de Oliveira Pinheiro, ambos de 2005. Behemoth (2003), de Carlos C. Gananian, e “Crônicas de um Zumbi Adolescente” (2004), de André ZP completam os títulos brasileiros presentes na seleção.

    Programação por sala
    Sala Paulo Amorim – Casa de Cultura Mario Quintana
    Terça-feira, 18/10
    14h – Terra dos Mortos; de George Romero
    16h – Nosferatu, o Vampiro da Noite; de Werner Herzog
    18h – Sintomas; de Fernando Mantelli
    + Repulsa ao Sexo; de Roman Polanski
    Quarta-feira, 19/10
    14h – Terra dos Mortos; de George Romero
    16h – Paulo e Luíza em porto Alegre; de Rogério Brasil Ferrari
    + Scanners – Sua mente pode destruir, de David Cronemberg
    18h – Depois da Vida; de Hirozaku Koreeda
    20h – Paulo e Luíza em porto Alegre; de Rogério Brasil Ferrari
    + Scanners – Sua mente pode destruir, de David Cronemberg
    Quinta-feira, 20/10
    14h – Terra dos Mortos; de George Romero
    16h – O Velho do Saco; de Amabile Rocha e Milton Prado
    + A Bruma Assassina; de John Carpenter
    18h – Almas Gêmeas, de Peter Jackson
    20h – O Velho do Saco; de Amabile Rocha e Milton Prado
    + A Bruma Assassina; de John Carpenter
    Sexta-feira, 21/10
    14h – Terra dos Mortos; de George Romero
    16h – Sintomas; de Fernando Mantelli
    + Repulsa ao Sexo; de Roman Polanski
    18h – Nosferatu, o Vampiro da Noite; de Werner Herzog
    20h – Sintomas; de Fernando Mantelli
    + Repulsa ao Sexo; de Roman Polanski
    Sábado, 22/10
    14h – Terra dos Mortos; de George Romero
    16h – Depois da Vida; de Hirozaku Koreeda
    18h – Paulo e Luíza em porto Alegre; de Rogério Brasil Ferrari
    + Scanners – Sua mente pode destruir, de David Cronemberg
    20h – Depois da Vida; de Hirozaku Koreeda
    Domingo, 23/10
    14h – Terra dos Mortos; de George Romero
    16h – Almas Gêmeas; de Peter Jackson
    18h – O Velho do Saco; de Amabile Rocha e Milton Prado
    + A Bruma Assassina; de John Carpenter
    20h – Almas Gêmeas; de Peter Jackson
    Sala P. F. Gastal – Usina do Gasômetro
    Terça-feira, 18/10
    14h – O homem de palha; de Robin Hardy
    16h – Incômodos; de Gustavo Tissot
    + A casa dos maus espíritos; de William Castle
    18h – O homem de palha; de Robin Hardy
    20h – Incômodos; de Gustavo Tissot
    + A casa dos maus espíritos; de William Castle
    Quarta-feira, 19/10
    14h – Fascination; de Jean Rollin
    16h – Vampyros Lesbos; de Jesus Franco
    18h – Fascination; de Jean Rollin
    20h – Vampyros Lesbos; de Jesus Franco
    * todas as sessões com legendas em inglês
    Quinta-feira, 20/10
    14h – O Combate; da Davi Oliveira Pinheiro
    + The Legend of Zu; de Tsui Hark
    16h – A Entrevista; de Takeshi Mike
    18h – O Combate; da Davi Oliveira Pinheiro
    + The Legend of Zu; de Tsui Hark
    20h – A Entrevista; de Takeshi Mike
    * todas as sessões com legendas em inglês
    Sexta-feira, 21/10
    14h – Trailers de filmes fantásticos (sem legendas)
    16h – Santa Sangre; de Alexandre Jadorowsky
    18h – Sessão de curtas metragens
    21h – Santa Sangre; de Alexandre Jadorowsky
    Após a exibição, haverá debate com escritor Antonio Xerxenesky e do crítico, editor da revista Teorema e programador da Sala PF Gastal, Marcus Mello.
    * todas as sessões com legendas em inglês
    Sábado, 22/10
    14h – The house with laughing windows,; de Pupi Avati
    16h – Behemoth; de Carlos C. Gananian
    + Lisa and the Devil, de Mário Bava
    18h – The house with laughing windows,; de Pupi Avati
    20h – Behemoth; de Carlos C. Gananian
    + Lisa and the Devil, de Mário Bava
    * todas as sessões com legendas em inglês
    Domingo, 23/10
    14h – Crônicas de um zumbi adolescente; de André ZP
    + Beyond; de Lúcio Fulti
    16h – Suspiria; de Dario Argento
    18h – Crônicas de um zumbi adolescente; de André ZP
    + Beyond; de Lúcio Fulti
    20h – Suspiria; de Dario Argento
    Após a exibição, haverá debate com jornalista, doutorando em cinema na UNICAMP e editor do blog “Mondo Paura”, Marcelo Carrard, do jornalista e crítico das revistas Teorema e Cine Monstro, Carlos Thomaz Albornoz, e do crítico da revista Cine Monstro e cineasta, Cristian Verardi.
    * todas as sessões com legendas em inglês
    Ingressos
    Cinemateca Paulo Amorim
    Terça e quarta-feira: R$ 6,00 (R$ 3,00 – estudantes, maiores de 60 anos, clientes Unibanco e Banrisul)
    Quinta-feira: R$3,00
    Sextas, sábados, domingos, feriados: R$ 7,00 (R$ 4,00 – estudantes, maiores de 60 anos e clientes Unibanco)
    Sala P.F. Gastal
    Todas as sessões: R$3,00

    Informações no website
    http://geocities.yahoo.com.br/festivalfantastico/apresentacao.htm

  • Ingressos para o TIM Festival aumentam de valor na quarta-feira

    A partir desta quarta-feira (19/10), a venda de ingressos para o TIM Festival Edição Especial Porto Alegre passará de R$ 50,00 para R$ 60,00. Três dos sete pontos de venda de ingressos aceitam cartões de crédito e débito (Loja TIM Iguatemi, Ponto TIM Tutto Mòbile e Loja AM PM da Avenida Farrapos, n° 361), além da Internet e das vendas por telefone.
    A edição do festival que apresentará os grupos internacionais The Strokes e The Arcade Fire, abre na noite de 25 de outubro com o show da banda gaúcha Acústicos & Valvulados. A banda gaúcha mistura sons de instrumentos acústicos e amplificadores valvulados nas suas músicas desde 91, influenciados pela sonoridade dos mestres do rock.
    Os Acústicos & Valvulados começaram a ensaiar em um estúdio caseiro batizado de “Bafo de Bira”. As primeiras composições surgiram e começaram a rodar nas rádios. Com isso, chamaram a atenção do VJ Thunderbird, que logo convidou a banda para aparecer em programas da MTV. A partir daí, iniciaram uma série de viagens para o Paraná e São Paulo, além de circularem por todo o circuito gaúcho.
    TIM Festival Edição Especial Porto Alegre.
    Acústicos & Valvulados
    The Arcade Fire
    The Strokes
    Data: 25 de outubro
    Local: Pavilhão (em frente ao Aeroporto Internacional Salgado Filho) – Avenida Severo Dullius, 1995, bairro Anchieta.
    Horário: 21h
    Estacionamento: R$ 10,00
    Valor dos Ingressos
    Até 18/10 – R$ 50,00
    De 19/10 a 25/10 – R$ 60,00
    Pontos de vendas em Porto Alegre
    1. Loja TIM Iguatemi Avenida João Wallig, 1800 – 2° andar – Shopping Center Iguatemi, bairro Chácara das Pedras (pagamento em dinheiro, com cartões de crédito ou débito).
    2. Ponto TIM Tutto Mòbile Avenida Praia de Belas, 1881 – andar térreo – Praia de Belas Shopping, bairro Praia de Belas (pagamento em dinheiro, com cartões de crédito ou débito).
    3. Lojas AM PM dos Postos Ipiranga Avenida Farrapos, n° 361 (pagamento em dinheiro, com cartões de crédito ou débito).
    4. Lojas AM PM dos Postos Ipiranga Avenida Borges de Medeiros, n° 2205 (pagamento somente em dinheiro).
    5. Lojas AM PM dos Postos Ipiranga Avenida Carlos Gomes, n° 11 (pagamento somente em dinheiro).
    6. Lojas AM PM dos Postos Ipiranga Avenida Nilo Peçanha, n° 95 e n° 1342 (pagamento somente em dinheiro).
    7. Lojas AM PM dos Postos Ipiranga Av. João Wallig, n°1903 (pagamento somente em dinheiro).
    Compras pela Internet: www.ticketmaster.com.br
    A Ticketmaster cobra uma taxa de conveniência de 20% sobre o valor do ingresso. O pagamento poderá ser feito com cartões de crédito e de débito. Há ainda a opção de se retirar o ingresso nas bilheterias, no dia do show, mediante pagamento de uma taxa de R$ 4,00.
    Compras por telefone: 0300 789-6846 (de segunda-feira a sábado, das 9h às 21h).
    Vendas apenas no dia do show
    Pavilhão (em frente ao Aeroporto Internacional Salgado Filho) – Avenida Severo Dullius, 1995, bairro Anchieta.

  • Olívio rompe o silêncio: “Aquela nossa prévia foi um erro”

    Guilherme Kolling

    O novo presidente do PT no Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, afirmou durante entrevista concedida ao Jornal JÁ, no dia 6 de outubro, que as prévias às eleições do governo do Estado, em 2002, foram um erro coletivo.

    “Exercemos um governo transformador. Foi um erro do nosso partido ter questionado o próprio governo que tinha”. Outro equívoco apontado pelo ex-ministro foi a prefeitura de Porto Alegre, que também era administrada pelo PT, ter disputado uma concepção de segurança pública com o governo.

    “Fomos entregando argumentos para os adversários”, aponta. “No meu entendimento, eram coisas muito específicas e não trabalhadas politicamente por conta de uma disputa que descambou para a questão da afirmação de uma liderança contra a outra”.

    Olívio recebeu a reportagem logo depois de uma audiência com o presidente do Sindipolo, Carlos Eitor Rodrigues. Analisou a mudança de controle da Copesul do ponto de vista estratégico para o Estado.

    Também falou dos episódios recentes envolvendo a Brigada Militar e criticou a política repressora na segurança. E caracterizou como “compadresco” a relação do governo com setores da grande imprensa, que dá uma cobertura ao Piratini diferente da de sua época.

    A entrevista foi numa sala ampla da sede estadual do PT, na rua Ramiro Barcelos. Sem assessores à volta, o ex-governador manteve uma conversa franca com a reportagem. Com respostas que fluíram até a conclusão, sem atropelos, Olívio falou por uma hora e meia. Ao final do diálogo, emendou: “Acho que nos alongamos um pouco”. A seguir, a íntegra da entrevista.

    Gostaria de iniciar a conversa falando da segurança pública do Rio Grande do Sul, em função desses dois acontecimentos bem recentes. A morte do sindicalista e o tumulto com a torcida do Internacional. Até vi que o senhor estava no Beira-Rio…

    Olívio – É eu estava assistindo ao jogo lá. Apenas empatamos. Foi um bom jogo, mas no final essa coisa desagradável, pior do que desagradável. Eu de longe percebia que a polícia em vez de ser um fator de solução parecia, do ponto que eu estava, um fator complicador. De um pequeno conflito parece que a polícia fez aquilo se alastrar para uma enorme abrangência, um enorme significado, com pessoas sem nada a ver com a coisa sendo atingidas por uma ação da polícia. Eu acho isso sério, porque sei que a instituição Brigada Militar é constituída na maioria esmagadora de pessoas sérias, honradas, profissionais. Tem que estar preparado, tem que estar atualizado, tem que estar presente para garantir a segurança do cidadão e da pessoa humana. Agora eu acho que a polícia é um instrumento do Estado. Não se resolvem problemas políticos e sociais com a polícia. A polícia não pode ser usada como um instrumento de solução de problemas sociais ou políticos. Então a polícia é sempre para ser preventiva. Acho que a polícia pode prestar trabalhos sociais como vem prestando, pode ter maior preparo científico, tecnológico para atuar na prevenção, no desmonte das operações criminosas.

    É um momento delicado o da segurança pública, na sua avaliação?
    Olívio – Chegam para mim informes, apreciações, observações de que, toda vez que há uma ação da polícia com repressão, morte, maior arbitrariedade, em que a polícia mostra mais, digamos, seu lado repressivo, aquele comando naquela unidade recebe a visita de uma autoridade do governo estadual elogiando. Para o interno, então, há uma orientação. Para fora, tem um discurso, “não, vamos fazer com que a polícia opere com sensibilidade…” Mas por baixo, o que chega para mim, é que há uma orientação elogiando os atos de arbitrariedade, de arrogância, achando que aquilo é sinal de eficiência da polícia ou do policial, daquele agrupamento ou daquele setor. Eu acho que isso é um erro seríssimo. A Brigada Militar é uma instituição que tem ser valorizada pela sua história, pelo papel que deve desempenhar de contribuir para criar um clima de segurança e não de insegurança, ou de arbitrariedade, de violência, se confundindo as vezes com a violência que ela tem que impedir que ocorra. Eu acho que tem uma política errada orientando a ação da polícia. Das duas instituições, da Brigada Militar e da Polícia Civil. Eu acho que é uma orientação política errada, equivocada. Isso é uma visão política que predomina e isso não ganha a auto-estima do policial, isso não ganha de parte da população o respeito sob a instituição e sob o policial ser humano. E não melhora a segurança. É um erro, uma visão política errada que leva a essas conseqüências.
    Houve uma grande revolta da mídia em função dos fatos no Beira-Rio.  Mas há companheiros seus que afirmam que o governo Rigotto tem uma blindagem em vários setores da imprensa. Por exemplo, ele não estava no Estado e ficou a margem de toda essa crise. Um fato desses teria maior repercussão na sua gestão?

    Olívio – Acho que há evidentemente no caso desse governo não só uma blindagem, há um compadresco nos setores da chamada grande mídia e esse governo. Há nítido compadresco. A morte do sindicalista, mas evidente que aquilo é uma forma de total despreparo. Eu acho que é em decorrência de uma orientação que leva policiais a agir de forma desrespeitosa, de forma agressiva, quando poderiam ser profissionais operativos, evidentemente capazes de enfrentar essas situações sem arbitrariedade, violência e arrogância. Não pode a nossa polícia ser uma espécie de pit-bull. Não é esse o papel, nem pode ser essa a visão que a cidadania deve ter das nossas instituições policias, em especial da Brigada Militar, que é uma instituição histórica. Bueno, acho que há esse compadresco sim de setores da chamada grande mídia que tinham conosco uma relação totalmente diferente. Chegam para mim situações de seqüestro… Teve um caso em que a grande mídia não deu a repercussão como a que deu quando nós éramos governo e houve um seqüestro de uma kombi lotação, em que um criminoso seqüestrou pessoas. E o companheiro Bisol, secretário da Segurança agiu expedidamente, com enorme sensibilidade, e com equipe de dentro da própria Brigada, treinada para fazer a negociação e resolver o problema sem ferimento, sem morte. Foi demorado. E um setor da grande mídia jogou para o Estado inteiro, para o país inteiro e a nível internacional minuto a minuto, segundo a segundo daquela negociação, como se fosse um Estado da insegurança total, da incapacidade do Governo de trabalhar, quando estava se fazendo uma operação que por sinal teve uma conclusão correta. Eu sei que neste governo já houve várias situações de seqüestro de pessoas que duraram um dia inteiro ou até mais e que não teve nenhum registro no mesmo setor da imprensa que antes dava maior destaque inclusive ligando qualquer fato da polícia com o governo e até com o governador. Agora não, acontece uma coisa que revela a insegurança das pessoas, ou o papel errado, ou a inoperância, ou a ausência da polícia nas suas atividades, e isso não é relacionado com o governo e nem com o governador. Então, o que é isso? Compadresco. Isso não resolve a questão. Nós temos que ter uma política de segurança em que haja um respeito das instituições policiais ao ser humano, primeiro, porque é um patrimônio. E com isso possam também ser ágeis, ser ostensivas nisto, e ser ponderativos, principalmente ser um policiamento preventivo, esse deve ser o principal, para que também o cidadão policial, seja homem ou mulher, seja dignificado, respeitado por isso, pela sua capacidade como ser humano em situações muito sérias, desafiadoras, e com a tarefa de ser policial que ele possa se desenvolver dignamente e ser respeitado, não como se fosse um pit-bull que uma autoridade qualquer tem na coleira, e segundo a vontade daquela autoridade solta ou não solta a coleira para o pit-bull avançar nas pessoas. Não é esse o papel da polícia. E eu penso que também o problema sério da segurança é muito em razão de problemas sociais, que não se resolvem com a polícia, se resolvem com políticas. Eu reconheço que nós não conseguimos no nosso governo aqui no Estado, mesmo que avançássemos bastante, ter políticas que pudessem resolver melhor o problema emprego. Embora no nosso governo, subiu o nível do emprego gerado, diminuiu o desemprego, o PIB do Estado cresceu, isso gerou mais oportunidades, mas tem um passivo que vem de muito tempo. E eu penso que os desajustes nas pessoas, na família, na comunidade, que são um caldo de cultura, as vezes num ato desvairado, as vezes num ato que contraria as normas da boa conduta e da lei, no fundo há problema social. Mas o policial também tem que ter uma estrutura, um preparo, uma remuneração, instrução, que é não só um adestramento mas também a compreensão das relações humanas e da importância da segurança como um direito do cidadão e um dever do Estado. Bueno, eu acho que nós temos que ir a fundo, a sociedade brasileira. E os três níveis do governo. Não há discussão sobre o papel das polícias ou o braço armado do Estado na questão da segurança. Não é o principal para resolver os problemas. É indispensável sem dúvida. Não tem nenhum Estado no mundo que não tenha a sua polícia. Veja, esses dias a famosa Scotland Yard foi assassinar um cidadão simplesmente porque tinha atos suspeitos, e assassinou um brasileiro. Quer dizer, é uma das polícias mais bem preparadas do mundo e também comete isso. Mas a sociedade reage, não há complacência ou compadresco com atitudes destas e nem com o governo. Há uma reação que faz mais exigências sobre o preparo do policial, o papel das instituições policiais numa democracia, numa sociedade que tem que lutar pela justiça, pela igualdade, pela liberdade.

    Outro assunto que teve discrição da mídia até se concretizar foi a negociação da Petrobras com a Braskem, que está resultando na mudança de controle no pólo petroquímico. Qual sua avaliação, do ponto de vista estratégico para o Estado, que um grupo de fora, da Bahia, assuma uma empresa como a Copesul?

    Olívio Acho que não tem que ter essa coisa do bairrismo, uma coisa que não veja o todo de um projeto de desenvolvimento integrado e integrador para o país, para as regiões, e que leva em conta a relação federada e o papel dos entes públicos nos marcos regulatórios que devem definir a atuação dos setores privados na questão desse desenvolvimento integrado e integrador. Eu penso que a questão pólo petroquímico, que é um enorme investimento, e inicialmente com recursos substancialmente públicos, e depois num processo de privatização e de monopolização. Antes se acusava de um monopólio público, tinha que abrir para oportunidades de empresas privadas, para dar dinamismo, gerar mais emprego e avanços tecnológicos. Bueno, continua sendo um empreendimento com enorme, um substancioso investimento público, federal, via Petrobras e suas subsidiárias, e o próprio governo do estado do Rio Grande do Sul tem uma participação, não poderia ser diferente. Acho que uma discussão dessas ser resultado de negociações não-transparentes, em que autoridades do governo estadual se encontram com empresário em outras regiões sem muita divulgação. E os trabalhadores do setor também são tratados como um adereço. Eu acho que o problema não é de solução meramente categorial, os trabalhadores do Sindipolo tem essa compreensão. E acho que a sociedade gaúcha, a cidadania gaúcha, não estou dizendo que tem que ter preferência pelos trabalhadores, mas a Fiergs, a Farsul, a Federasul e o governo, vários setores, entidades e instituições têm que ser protagonistas do processo que: primeiro, que mexa no Pólo. E que tem repercussões enormes na questão ambiental, na questão de geração de emprego e de divisas públicas, de remuneração do capital privado e de futuro, a questão de produção de bens de terceira geração, que vão qualificar a vida das pessoas. Eu acho, então, que não pode ser uma decisão nebulosa, não pode ser decorrente de negociações nebulosas. Não pode ser também uma coisa que o setor público define com um retorno em que não se tem segurança do trabalho e do emprego novo gerado, assegurado – tudo leva a crer que é para reduzir a oportunidade de emprego, reduzir o número de trabalhadores. Que o Estado precisa de investimentos é inegável. E o Estado precisa de investimentos que não tenham em troca o desemprego, a agressão ao meio ambiente, particularmente nessa região, e a renúncia de impostos. O Estado não pode ter um investimento que tem em troca isso: agressão ao meio ambiente, redução de emprego e renúncia de impostos. Quer dizer, entra por um lado, sai pelo ralo do outro.

    Qual o poder do governo do Estado nessa negociação, já que as ações são da Petrobras?

    Olívio – O Estado tem sim um poder, que não é econômico-financeiro maior porque esse é da Petrobras, mas o Estado tem autoridade política. Se não tem, tem que conquistar autoridade política para dialogar com o governo federal, com as áreas que tem a responsabilidade da política do setor. E a Petrobras é uma empresa pública federal, evidentemente que ela tem ramificações internacionais, o petróleo é um bem estratégico no mundo inteiro, mas eu acho que essa questão, pelo que eu tenho de informações, ela está tendo lances que estão longe de ser transparentes. Precisa de transparência. Eu tenho que a Copesul é uma empresa que tem um papel estratégico, um desempenho importante, lastreou bem e consolidou o pólo, acho que o pólo petroquímico é um dos maiores do país, é o segundo, se eu não me engano, o maior está na Bahia. Nós não podemos trabalhar com uma coisa que é uma decisão que cabe apenas aos executivos das empresas com negociações não transparentes com as autoridades do governo estadual ou com o governo federal. Tem que haver audiências públicas abertas. Teve uma ontem (5/10). Soube também que teve audiências canceladas na véspera. A próxima será dia 19, em Brasília. Espero que retome o processo de maior transparência, uma construção, que não seja uma simples privatização com monopólio privado de uma única empresa de forma disfarçada. Isso não serve ao Brasil e muito menos ao Rio Grande.

    Além de dar transparência, o que pode ser feito. O Sindipolo veio buscar seu apoio?

    Olívio – Eu acho que o Sindipolo, dirigentes do Sindipolo tem conversado com autoridades, tanto do governo estadual, Assembléia Legislativa, e proposto audiências públicas e delas participaram. Por conta disso me inteiraram do que está acontecendo. O próprio Sindipolo tem clareza que não é uma questão meramente categorial, bairrista, ou que nós tínhamos que estar contrapondo uma região com a outra. Nós temos é que pensar o desenvolvimento integrado dessa região do Rio Grande do Sul, que é o pólo petroquímico, a tecnologia que tem que ser agregada, a produção que deve ser ampliada, a geração de empregos, numa geração em que o meio ambiente precisa ser recuperado e não mais agredido. A relação desse projeto com o desenvolvimento no geral. E a relação do setor da petroquímica para o país não perder o bonde da história. Nós temos que ter o suprimento de matérias-primas que ele produz, são importantes no encadeamento industrial, que visem principalmente qualificar a vida das pessoas, não é só produzir para o mercado. O mercado só tem significado se for bens e produtos que qualifiquem a vida de pessoas e principalmente de milhares de pessoas. E inicialmente aqui onde o pólo está instalado. Quer dizer, vai ver Triunfo. Triunfo, por conta do pólo, é um dos municípios com maior renda per capita até no mundo. Mas vai ver a realidade. Problemas seríssimos em Triunfo, que foram até agravados. Se ali pertinho… Não dá para esquecer a questão local evidentemente. Não ser prisioneiro dela. Até porque se se quer mostrar a importância de um projeto nas suas inter-relações, tem que mostrar o que ele efetivamente produz onde está instalado. Quer dizer, tenho certeza que tem muita gente em Triunfo se perguntando: “Onde está a minha parte?”. No município que tem a maior renda per capita. É aquela coisa, as pessoas são números, divide o número de habitantes e a produção do pólo, e aquele número é previsto como uma renda tal. Mas aquilo não tem a ver com a realidade vivida. Então, se não pensar o desenvolvimento na sua dimensão humana, em vez de resolver problemas aqui e agora, nós não só não resolvemos os problemas do aqui e agora, nós criamos problemas para o amanhã e o depois de amanhã.

    Entrando agora na política, no futuro da esquerda e do PT, em função do baque a partir dessa crise política. Há inclusive algumas declarações como a do senador Jorge Bornhausen de que “essa raça…”

    Olívio – O senador Jorge Bornhausen não é uma pessoa que a gente possa dar crédito para uma avaliação sobre a esquerda. Ele é uma cidadão que por condições tanto pessoais, quanto econômicas, faz parte do 0,00001% da população brasileira que vive no melhor dos mundos, da fortuna, da concentração de renda. É um cidadão que representa a riqueza obtida, bueno, na base das atividades da especulação financeira, ele é banqueiro. Mas eu penso que é um bom representante do pensamento conservador, de direita, com tudo o que, digamos, esse pensamento tem de preservação de privilégios, discriminatório, um pensamento que discrimina, que reforça os preconceitos. É racista inclusive essa declaração a respeito do PT, “essa raça nós vamos nos desfazer dela por no mínimo 30 anos”, me parece que essa frase é a síntese do pensamento de um homem de direita, conservador, e racista e passa longe da realidade do PT e da situação da esquerda brasileira. Acho que a esquerda, evidentemente, tem um débito para com a sociedade brasileira, e particularmente o PT. O Partido dos Trabalhadores, que eu ajudei a fundar junto com vários outros, inclusive com o presidente da República hoje, o companheiro Lula. Acho que nós temos que reconhecer que o Partido dos Trabalhadores sendo o maior partido de esquerda do país gerou expectativas muito positivas pelo fato de, em 25 anos, ir conquistando pelo voto, pela forma com que governou espaços públicos, até então muito positivas para a população. Gerou expectativas. E agora, nessa fase do Governo Federal, muitas dessas expectativas não estão atendidas e algumas estão sendo até, digamos, agredidas por conduta de alguns, mas destacados dirigentes do nosso partido, cargos da maior importância dentro da estrutura partidária e no próprio governo. Quer dizer, o nosso partido portanto, tem que ser franco, nunca deveria ter deixado de ser, assumir que esse é um desvio de conduta sério de dirigentes, não é da natureza do PT essas condutas, mas o partido acabou evidentemente tendo um preço a pagar e assume isso, mas não faz nenhuma concessão com essas condutas e os seus responsáveis. Porque devem ser punidos inclusive com a expulsão e o partido deve ser resgatado nos seus princípios fundamentais. Porque o PT, primeiro: não subsidia o mandato de senador, de senadora, de prefeito, de vereador, vereadora, governador, presidente ou de qualquer parlamentar. O PT não surgiu daí, do parlamento para a sociedade, da institucionalidade formal para depois ir se espraiando, se enraizando. Não, ele surgiu de baixo para cima. Ele veio de baixo para cima, por dentro das lutas sociais do povo brasileiro, da luta democrática, as demandas dos sem vez e sem voz desse país. Surgiu trazendo oportunidade de protagonismo para milhares de pessoas que passaram a ser sujeitos da política e não mais objetos dela. Então um partido com um patrimônio enorme, com um valor importante para a conquista da democracia, junto com todas as forças que se mobilizaram para isso, e tem ainda e muito a contribuir para a consolidação da democracia no nosso país, democracia como um valor permanente e a ser aperfeiçoada constantemente. E o PT também como um partido que tem muito no seu resgate a contribuir para que o governo Lula, ainda nesse seu primeiro mandato, aperfeiçoe as suas políticas, tanto econômica quanto as sociais e outras políticas, para que elas sejam mais inclusoras e mais estimuladoras da cidadania ativa, do protagonismo do povo brasileiro. Então, acho que nós temos um papel importante já desempenhado, sério. Temos um papel importante a desempenhar, achamos que todos os partidos, inclusive os do campo ideológico antagônico, eles tem que ter contornos ideológicos claros, e tem que ter compromisso e responsabilidade e respeito para com o patrimônio público, a coisa pública, o dinheiro público e para com o ser humano. Então, o nosso partido, que foi criado de baixo para cima, entende que a política é a construção do bem comum. E que políticos devemos ser todos nós, não só os que detém cargo, mandato. Porque o ser humano só se realiza na sua plenitude, se se realizar também na sua dimensão política, ativa e protagonicamente. Então o nosso partido é um partido da transformação e não faz isso de cima para baixo. Quando acontece isso, esse episódio que nós estamos vivendo, sofrendo foi por conta que se instituiu dentro do partido, a revelia e à distância das bases partidárias, das instâncias partidárias, uma política imposta de cima para baixo, que foi criando esquemas, inclusive por fora das instituições partidárias. E de repente o partido passou a ser um partido com caciques, com figuras importantes, passando a ser instâncias partidárias. Então, resgatar o partido para ele valorizar as instâncias de base, valorizar sua relação com os movimentos sociais, sem ele ser mero reflexo dos movimentos, para ele ter autoridade para dialogar com seu próprio governo e fazer a crítica necessária para o governo aperfeiçoar suas políticas é resgatar a natureza de um partido que surgiu da sociedade, para a sociedade controlar o Estado, e não o Estado controlar a sociedade. E o Estado de direito democrático sob o controle público, não sob o controle privado, pessoal, de um figurão político ou de um governante.

    Parte dos quadros do PT parece não acreditar nessa retomada, tanto que está deixando o partido.

    Olívio – O partido jamais poderia ter deixado de ser, como foi, uma escola política aberta, onde as direções do partido em todos os níveis, junto com os filiados antigos, novos e entrantes fossem ao mesmo tempo educandos e educadores. Quando o partido deixa de ser isso, ele vai por esses descaminhos, então ele tem que ser retomado no seu caminho que lhe deu razão de existência e que é a base do seu estaqueamento básico. O partido evidentemente vai ter perdas de quadros. Agora eu acho que aí tem aqueles que ingressaram no partido para uma carreira política.

    Mas não tem o caso dos idealistas, que saem temendo que não haja essa retomada?

    Olívio – Sim, tem isso. Então, veja. Vamos raciocinando exatamente isso. Não é a primeira vez que nós perdemos quadros. Em alguns casos nós mesmo nos desfizemos de quadros, caso da votação do colégio eleitoral. Depois em outras circunstâncias. E isso não impediu que logo ali adiante novos quadros fossem chegando ou fossem se qualificando dentro do partido. Eu mesmo agora, por ocasião do processo de eleição direta, quando se fazia o debate sobre essa crise que estamos vivendo, da qual vamos sair com humildade mas com dignidade e respeito pelo espaço partidário e à cidadania brasileira, eu mesmo tive a oportunidade de assistir filiações agora, quer dizer, o ingresso de novos filiados no partido nesse momento. Quer dizer, se por um lado vai se perder alguns quadros, se perde porque não entraram no PT para fazer nele carreira política. Bom, de repente na primeira crise que o partido tem ficam temerosos de que na próxima eleição não vão ser reeleitos.

    Fotos Tânia Meinerz

    Entraram para fazer carreira política?

    Olívio – Tem, tem. Nós fizemos filiações indiscriminadas, sem afinidades com o projeto de um partido de esquerda e de um socialismo democrático, que é o PT. Claro, tem muitas pessoas também que estiveram desde o início da fundação, mas depois dentro do partido foram assumindo cargos aqui ou ali, por eleição, e constituíram-se em instâncias partidárias com estruturas as vezes maior do que a própria estrutura do partido. E nesse momento de crise, em vez de retornar àquilo que é básico do partido, fazem um lance solo. Agora, eu acho que tem muitas pessoas da maior integridade, sonhadoras, nossas filiadas e também simpatizantes do partido que evidentemente, como eu, devem estar indignadas com esta situação e estas condutas de altos dirigentes que levaram nosso partido. E eu acho que por isso nós temos que retomar o nosso partido pela rama, pelos seus fundamentos e fazer ele ser de novo uma escola política aberta, em que nós possamos estar tendo a discussão política rica, porque é um partido de esquerda e do socialismo democrático, e o socialismo democrático não é uma carteirinha, um catecismo, um pensamento único, é uma diversidade generosa, que pensa uma sociedade de justiça, de igualdade, superadora da sociedade em que o mercado dita as leis. O lucro, o individualismo, o egoísmo, o consumismo balizam as coisas e geram tudo o que nós vimos aí de injustiça e até de guerras. Então, o socialismo democrático tem que ser permanentemente debatido num partido como o nosso, com a origem nossa, com os objetivos nossos, de esquerda, desde sua origem definido como um partido de socialismo democrático, tem que ter uma rica discussão interna. Agora, não pode as diferentes correntes e campos que se estabelecem em torno de discussões se tornarem castelos, cidadelas, feudos. Então essa discussão nós temos que retomar, refazer, nós temos que fazer uma discussão séria de uma partido que não nasce do Estado com a sociedade, mas da sociedade para a institucionalidade, como é que deixa de discutir o reflexo sobre ele da sua chegada em espaços de poder, seja numa Câmara de Vereadores, numa Assembléia Legislativa, num Congresso Nacional, numa prefeitura, num governo estadual e agora num governo federal. Quer dizer, de repente cargos e figuras importantes que acessam esses cargos têm uma estrutura que a fazem instâncias e agem sobre as instâncias partidárias. Isso é uma boa discussão. Nós fazíamos bem no início, depois fomos absorvidos por essa questão da estrutura do Estado, das burocracias… E aliás, o partido também tem que ganhar eleições, evidentemente, mas ele não é para ser uma máquina de ganhar eleições a qualquer custo. Não, o partido que tem um projeto estratégico para a sociedade é uma escola política aberta e é um partido comprometido com a construção do bem comum, o respeito da coisa pública, do espaço público, da coisa pública, ao dinheiro público e ao ser humano. Então é um partido que é referência internacional porque propõe também uma globalização da justiça, da igualdade, da liberdade, da democracia. Então, esse partido jamais pode deixar de ser o que fundamentou a sua criação. Um instrumento político que possibilita o protagonismo das pessoas, traga mais sujeitos políticos, cidadãs e cidadãos para o cenário da construção de políticas, da política e do controle público sobre o Estado em todas as suas dimensões. Então, esse é um partido de esquerda, é um partido do socialismo democrático, é um partido que tem compromisso com a democracia como objetivo permanente e compromisso com seu aperfeiçoamento, tanto que nós não queremos nenhum brasileiro ou brasileira sendo um instrumento da política, objeto da política. Nós queremos que o cidadão, a cidadã seja sujeito da política. É a nossa proposta, é a nossa vontade para o país, então é o que nós temos que praticar no interior do nosso partido. E os que estão comprometidos com essas ações de agredir o patrimônio ético-partidário, e por conta delas o partido paga um preço enorme, eles desrespeitaram as instâncias partidárias, encaminharam por fora das instâncias partidárias para fazer o que fizeram, então nós temos que resgatar o valor das instâncias e o respeito aos filiados, inclusive aos novos que estão chegando. Eu acho que é bom que se diga com todas as letras as diferenças que temos dentro do pensamento de esquerda e do socialismo nos levam a que nenhuma pessoa de boa índole, de esquerda, que vislumbre uma sociedade superadora da sociedade capitalista deve deixar de vir para essa luta, estando no PT, de resgate do PT. E aquele que tem também esse pensamento e essa visão e que ainda não está no PT, é bem vindo. Porque estão vindo também muitos e tem essa expectativa. Mas eu acho que se nós tivermos alguns reveses eleitorais não vai ser a primeira vez. Nós já perdemos eleições em outros tempos nos nossos 25 anos de existência. Nós não podemos ser uma máquina para ganhar eleição uma atrás da outra. E até porque também a cidadania brasileira está querendo dar uma resposta aos políticos e vai também querer dizer para o PT: “Olha, vocês erraram, cometeram tais erros!”. Nós que estamos num processo de renovação no PT, não só renovação de direções, renovação de pessoas nas direções e a substituição de um campo por outro, mas renovação no sentido político, também renovação de métodos, nós queremos dizer que no Governo Lula, a consolidação da democracia no nosso país precisa de partidos com contornos ideológicos claros. O PT é um desses partidos, portanto ele é indispensável para a caminhada de milhares de homens e mulheres aqui no nosso país. Querem ser sujeitos e não objetos da política.

    A renovação de práticas envolve a política de alianças, mas também a questão do financiamento das campanhas. Que lhe parece a proposta do jornalista Elio Gaspari de disponbilizar as doações de campanha em tempo real, para o eleitor acompanhar o que está entrando nos cofres da campanha do candidato, como uma maneira de dar trasnparência ao financiamento eleitoral. O PT pode aderir?

    Olívio – Claro. Nós temos que ir cada vez mais para processos com maior transparência. Evidente. Assim como a democracia não pode ser um texto formal com discurso, mas tem que ser uma prática e tem que ser vivida. Por isso a democracia representativa só se renova com uma democracia participativa, então nós como partido temos experiências valiosíssimas enquanto governo, em prefeituras e nós aqui mesmo no governo estadual, com o processo do orçamento participativo. Que é discutir a receita, despesa pública, prioridades na obtenção dos recursos, no direcionamento deles, definidas não no espaço fechado, não por interesses ocasionais, grupais, enfim, e porque nós não fizemos isso com nosso partido, com os recursos do nosso partido serem trabalhados de forma participativa. Do conhecimento aberto da opinião pública. Acho que o caminho da transparência deve ser cada vez maior. Eu tenho minhas dúvidas quanto aos recursos públicos. Que nós devemos ter recursos, que possam dar idéia para o eleitor, para o cidadão que está saindo da Saúde, da Habitação, do Saneamento recursos para o Estado financiar os partidos políticos nas suas campanhas. Tem que ficar muito claro que não podem ser recursos vindos daí. Tem que ter um fundo específico para isso e tem que efetivamente ter regras que, não só dêem uma guaribada na questão da ingerência do poder econômico sobre campanhas, candidaturas, eleições. Acho que tem que ter clareza, o candidato tem que ser eleito pelas suas propostas, e não é a proposta dele pessoal, é a proposta do seu partido. Quer dizer, quando se vota numa pessoa, evidentemente tem que ser uma pessoa séria, responsável, mas se vota numa idéia que ele representa dentro de um partido, que tem um projeto para a sociedade. Então, tem que ter a lista partidária, mas que não faça isso por conta do que está acontecendo agora de forma imediatista. Acho que estamos precisando de uma reforma política, séria, estou achando até que nós podemos ter a convocação de uma nova constituinte. Tem tantos temas. Eu fui constituinte, de 1986 a 88, e acho que a retomada da democracia do país, aquela constituição cidadã. Mas no entanto, de 1988 para cá, o que aquela constituição avançou foi sendo retalhado, reformado e a roda começou a voltar para trás e tem muitas coisas que a Constituição de 88 definiu e que até hoje não foram regulamentadas. E tem tantas emendas constitucionais que nos levam a ter que repensar uma lei maior do país e que possa ser mais definidora de coisas e mais duradoura, permanente. Acho até que isso não é proibido pensar, mas não é um espaço de oportunismo de ocasião.

    Como presidente do partido no Estado, não seria um avanço recomendar aos candidatos que coloquem em tempo real o que está entrando de contribuição, até para evitar essas suspeitas de Caixa 2?

    Olívio – Mas eu acho que isso não tem que ser uma orientação de alguém, nem ser uma vontade de alguém ser mais transparente que outro. Isso tem que ser da natureza da política. É uma cultura nova que tem que substituir a velha cultura, do carreirismo político, da mudança de partido por conta de um interesse pessoal do candidato. Eu acho que tem que ter um processo em que não se queira distinguir oportunisticamente do outro, para ser mais transparente que o fulano. Acho que a transparência tem que ser um valor que não é apenas da vaidade pessoal de quem quer que seja. Há que se garantir isso em toda a legislação, seja eleitoral, seja outra, e que a gente possa também ter a cidadania brasileira mais participante. O processo de combate à corrupção, por exemplo, não pode ser de cima para baixo. A gente tem que combater a corrupção dentro das próprias instituições públicas. Então, a cidadania tem que ser sujeito desse processo. O governo Lula desencadeou um processo de combate ao crime organizado, de desmonte de organizações criminosas, que vinham se assenhoreando de dinheiro público daqui e dali, muito significante, muito significativo, poderoso. Mas isso só não basta. Não basta aperfeiçoar a Polícia Federal, garantir plena liberdade ao Ministério Público, ter lá a Controladoria Geral da União, ter o respeito às instâncias de fiscalização institucionais que são os tribunais de conta. É preciso ter a sociedade inteira trabalhando essa questão da ética, da moralidade, do respeito à coisa pública. Quer dizer, se faz um discurso pela ética e na hora da eleição tem gente pagando o transporte para o seu eleitor, tem gente distribuindo, segundo seu poder econômico e sua relação com o empresariado, favores, e faz um discurso da moralidade, ética e tal. Isso é uma cultura e essa cultura não incide de cima para baixo a sua eliminação, desse processo. Agora tem que ser um processo persistente, contínuo, não ocasional ou passageiro.

    O normal seria o estranhamento a essa cultura. Mas por outro lado, na sua volta a Porto Alegre, houve um destaque ao fato de o senhor ter voltado a morar no mesmo apartamento, ter vindo de lotação de sua casa até a sede do PT. Como se explica esse estranhamento a um político que mantém hábitos comuns a qualquer cidadão?

    Olívio – Eu acho que é por conta dessa cultura. Eu lembro bem, eu era prefeito de Porto Alegre, e era mais barato para os cofres do poder público que eu saísse ali de casa, onde a Portugal se encontra com a Assis Brasil… E passa tanta condução ali que vem direto ao Centro e me deixavam quase na porta da prefeitura. Portanto, vir de ônibus era mais prático. Então, não precisava alterar a minha forma de me locomover para o trabalho, eu vinha de ônibus. Mas em várias oportunidades, evidentemente nós estávamos com uma política com relação ao transporte coletivo, a questão das tarifas, a questão toda de qualificar esse serviço, claro eu entrava no ônibus e as pessoas: “Pô, o prefeito aqui e tal”. Eu lembro que muitas vezes eu ouvia de pessoas: “Pô, o prefeito andando de ônibus. Isso aí é um demagogo. O prefeito na verdade está mostrando que ele não resolve nem o problema de condução dele, vai resolver o problema da nossa condução”. Mas eu ouvia isso todos os dias. Outros falavam: “Não, esse é um prefeito pé-de-chinelo”. Claro que a maioria do povo reconhecia. “Pô, o prefeito com todos esses problemas aí de transporte, atraso de ônibus, qualidade do serviço, o prefeito anda de ônibus”. Isso era o povo simples, que reconhecia isso. E a maioria das pessoas reconhecia isso. Mas eu acho que tem sim uma cultura, que inclusive certas áreas da imprensa estimulam. E todo e qualquer desvio dessa política tradicional de que o político tem que, para ser respeitado, ter uma distância do povo, mostrar essa autoridade de forma que as pessoas tenham que fazer mais rodeios para ver a autoridade, para conversar com ela. Eu entendo que um cargo público evidentemente não pode ser desprestigiado por quem o ocupa, mas o cargo não pode mudar o comportamento do cidadão com relação às pessoas, o respeito às pessoas. Eu acho que a autoridade não se confunde com autoritarismo, com arrogância, com petulância, enfim, digamos, essa coisa de assumir um cargo e achar que está com o “rei na barriga”. Então, certos setores de determinada imprensa sempre colocaram que isso era demagogia, populismo barato. Eu nunca me importei com isso. Quando eu precisava me deslocar com mais rapidez, urgência, sendo prefeito, sendo governador, usava a condução evidentemente oficial. Agora quando isso não era possível, se estava me deslocando para uma atividade que não era de urgência e é de relações que podem ser feitas com a condução pública, a condução de alguém que dá carona, que bom. A política não pode alterar a vida do exercente do cargo de forma que ele se distancie da vida do cidadão comum. Agora isso não quer dizer que o cargo deixa de ser prestigiado. A instituição prefeito, a instituição governador, a instituição presidente da república, instituição vereador, instituição deputado, senador são valores importantes a serem preservados no estado de direito democrático, no respeito a isso. Mas também quem está nesses cargos tem que respeitar as pessoas e os cidadãos até porque são eles que garantem que esses poderes e esses cargos sejam preenchidos e devam funcionar bem. Mas eu acho que tem sim uma cultura de que as pessoas… Quando íamos convidar as pessoas para participar das reuniões do orçamento participativo, tinha pessoas que diziam: “Mas Olívio, vem cá tchê. Nós não te elegemos para ser o prefeito, resolver as coisas lá por nós? Agora a gente chega cansado do trabalho, as vezes até sem ter conseguido trabalho, e o teu pessoal vem aqui convidar a gente para reunião?”. Então essa é uma cultura da não participação que a velha política tradicional estimulou com aquela coisa: “Votem em mim que eu resolvo as coisas para vocês e fiquem tranqüilos em casa”. E nós fomos para dizer: “Não, a solução dos problemas não é só com a eleição do representante”. E quando a gente elege um cidadão, seja para qualquer cargo eletivo, a gente elege não para ele substituir a gente, mas para ele representar a gente. O ser humano é insubstituível. Então o eleitor não elege alguém para ser substituído por aquele alguém, ele elege para ser representado. Então para essa representação ser uma representação séria, que vá se qualificando cada vez mais, o eleitor tem que ser sempre sujeito nesse processo. Ele não só cumprir uma obrigação, se descartar, e o mandatário vai lá fazer o mandato do cargo que bem entender. Então essa é uma cultura que foi sendo estimulada pela política tradicional. E ela é um caldo de cultura para os aproveitadores, até para a corrupção. Então, o combate à corrupção também que ser esse do instigamento ao protagonismo do povo, a participação, o sujeito político não ser só o postulante de cargo, ou o detentor de cargo. Que cada pessoa, cada cidadão possa do seu jeito, da sua maneira ser um político, onde quer que esteja. E eu repito. A plena realização do ser humano só é possível se ele se realizar também na sua dimensão política. Para ser político não precisa ter um cargo, ou ser cabo eleitoral do seu fulano, do seu beltrano, enfim, ou estar perto do poderoso. Ser político é estar ativo na sua comunidade, percebendo as coisas, contribuindo para que as pessoas também se esclareçam, possam construir solidariamente alternativas. Tenho certeza que o JÁ, que é o jornal de uma comunidade, deve ser um estimulador desse processo de participação constante, direta, ampliada, serena, séria, consciente das pessoas na vida de sua comunidade e na vida da sua cidade, de seu município, do Estado e do país.

    Em meio à crise, com todas as denúncias, a sua volta a Porto Alegre foi marcada por uma grande recepção no aeroporto. Foi ali que decidiu concorrer à presidência do PT no Estado? Qual foi seu sentimento naquele momento?

    Olívio – O sentimento, claro, de enorme responsabilidade, mas evidentemente de alegria, porque mesmo com a situação pela qual está passando o nosso partido, um número significativo de filiados, simpatizantes, de diversas idades, etnias, situações sociais, econômicas, culturais, ali para dizer que é possível resgatar nosso partido, afirmar nosso projeto, não conciliar com condutas que agrediram o patrimônio ético do nosso partido e agrediram a cidadania brasileira. Quer dizer, claro, foi muito importante, revitalizador, mas a convocação para a tarefa de assumir a candidatura ao diretório estadual veio a partir dali a se fortalecer mais, amadurecer, conversei com todos os companheiros que estavam no processo de eleição direta, disputando, para fazer daquele espaço a relação mais direta possível, com o maior número possível dos nossos filiados, franca, fraterna, que não escamoteasse a crise provocada pelas atitudes de altos dirigentes que envolveram de forma indireta, as vezes, pessoas que nada tinham a ver. Isso atinge a todos nós. Então, essas conversas foram boas e no PED, que é o processo de eleição direta, eu acho que se viu aquilo que eu dizia: “Debaixo dessa cinza toda tem um brasedo e é só atiçar ali os tições que esse brasedo reascende”. Tu assopra ou pega o chapéu e abana aquela cinza toda e tu reaviva, reanima aquele fogo que acalenta o nosso coração e deve iluminar a nossa razão. O Partido dos Trabalhadores não é um dirigente ou uma pessoa ou uma biografia. Nem a mais importante delas que é a biografia do nosso companheiro Lula, nosso presidente, uma biografia respeitável, da história do nosso país, nem a biografia do presidente Lula é superior à biografia e à história coletiva do Partido dos Trabalhadores. Então o partido não é essa ou aquela autoridade, esse ou aquele dirigente, o partido são os mais de 820 mil filiados. Agora eles têm que ser sujeitos da política do partido, não objetos dela, que é isso que nós queremos que cada cidadão e cidadã brasileiro sejam no país inteiro, independente de que filiação partidária tenham, de que ideologia professem, que credo ele se enquadram. Acho portanto que esse momento deve ser um momento de retirada de enormes lições, ensinamentos. Nosso partido, penso que está sendo caldeado nesse processo.

    As biografias não são maiores do que o partido, mas aqui no Estado se destacam duas biografias, que são a sua e a do presidente nacional do PT, Tarso Genro. E que por sua vez são lideranças em grupos que têm visões diferentes. Por exemplo, na eleição nacional do partido, Tarso deu apoio a Ricardo Berzoini e o senhor para Raul Pont. Como essa divisão reflete uma divisão no partido e como isso se projeta para as eleições de 2006?

    Olívio – Primeiro, eu não tenho um grupo, não sou dirigente de nenhum grupo e não sou líder de nenhuma corrente ou campo dentro do PT, embora eu seja originário dos movimentos sociais, do movimento sindical, um ramo importante na fundação do PT. Não estou dizendo que é virtude não estar ligado a um campo ou corrente interna, respeito todas elas evidentemente, acho que elas têm que ter uma forma mais qualificada, inclusive, de contribuir para o pensamento coletivo do nosso partido. Respeito portanto o Tarso, que conheci antes da existência do PT. Ele veio para o PT em 1984, acho que é um quadro valoroso, valioso. Conheci-o, inclusive, como poeta. Na primeira vez que nos vimos, inclusive, foi uma ocasião em que ele nem sabia que eu lia suas poesias, seus escritos, e eu sabia algumas poesias dele até de cor. Mas, temos trajetórias diferentes. Me lembro quando o Tarso ingressou no PT, em 1984, ele trouxe, junto com ele e outras figuras do país, uma discussão se o PT era um partido tático ou estratégico. Lembro bem que o pessoal tinha certa indefinição se era um partido de passagem pelo setor de esquerda ou se era um partido estratégico, com proposta para a sociedade, com uma disposição de debatê-la com a sociedade brasileira uma definição ideológica, partidária. E a maioria do partido, evidentemente já vinha de sua fundação, garantiu a esses que estavam chegando agora com essa visão que fossem assumindo o partido como um partido estratégico. Acho que não é então uma questão de biografia. Temos biografias muito importantes e enriquecedoras no partido, de milhares de pessoas. Eu sempre preferi errar junto com o partido do que acertar sozinho. Acho que o sujeito coletivo partidário é mais importante do que o indivíduo, embora o partido de esquerda e do socialismo democrático não pode na idéia do coletivismo anular a individualidade. Mas tem que ter sempre um combate aberto ao individualismo, ao personalismo, mas um partido de esquerda e do socialismo democrático deve estimular as vocações novas, enfim, os talentos novos, e propiciar um debate aberto de idéias, propostas e de avaliações, conjecturas, de reflexões. Aquilo que eu chamo de um partido como uma escola aberta, permanente, onde direções de todos os níveis e filiados novos e antigos sejam ao mesmo tempo, simultaneamente, educandos e educadores. Então, eu acho que o partido tem dado uma contribuição muito séria para o desenvolvimento político do Rio Grande nas últimas décadas. O partido tem também raízes no pensamento gaúcho, da rebeldia com causa, do pensamento republicano, libertário, e o Partido dos Trabalhadores tem compromisso com os sem vez, os sem voz, mas ele tem também compromisso com o pensamento democrático, que perpassa vários círculos sociais, vivências. Assim, o governo que exercemos aqui foi um governo transformador, acho que foi um erro aquela nossa prévia, um erro coletivo, portanto nosso, do nosso partido, um erro coletivo. Eu em nenhum momento vacilei em me jogar inteiramente na campanha do Tarso, que ganhou aquela prévia, porque levo em conta o valor coletivo, do sujeito político-partidário, mas acho que foi um erro do nosso partido ter questionado o próprio governo que tinha, ter feito um reforço ao esquema de cerco numa área de oposição raivosa ao PT, que sempre manteve sobre o nosso governo. Foi um erro, por exemplo a prefeitura disputar uma concepção de segurança com a política de segurança que o governo vinha executando e muito bem através de um trabalho sério e desafiador do nosso companheiro secretário de Segurança, José Paulo Bisol. Eu acho que nós fomos, portanto, entregando aos poucos argumentos para os adversários sentir que o governo do PT era um governo que era questionado pelo próprio PT, quando eram, no meu entendimento, coisas muito específicas e não trabalhadas politicamente por conta de uma disputa que, eu acho, não raro, descambou para a questão da afirmação de uma liderança contra a outra. Não foi nunca minha visão e acho que nós temos que trabalhar ainda no PT, para que nós não pessoalizemos e nem personalizemos as disputas e a construção de programa comum para o partido disputar na sociedade. E é por isso que eu acho importante afirmar, como tenho afirmado, que não sou candidato ao governo do Estado, nem autorizo ninguém a me lançar como pré-candidato. Agora, acho que o nosso partido junto com o PSB, o PC do B e o campo de esquerda da sociedade gaúcha, esquerda social, esquerda política, pensamento humanitário, temos condições de retomar o governo do Estado. Aproveitando muito daquilo que semeamos no nosso governo de positivo, aperfeiçoando coisas, deixando de errar em outras, como erramos. Mas eu penso que erramos muito pouco, acertamos bastante. A economia do Rio Grande cresceu, o protagonismo político cresceu, políticas sociais foram suplantadas, projetos de desenvolvimento econômico integrado com o Estado foram implementados, tanto que o Governo Lula está implementado em nível nacional muitos desses programas. Então, nós temos sim que recolher daquela experiência muito de muito positivo, e aperfeiçoar, atualizar, mas conversando, evidentemente, dentro do partido com outros protagonistas políticos e sociais de um campo, que quer o Estado se desenvolvendo e a cidadania gaúcha sendo sujeito da política e não objeto dela. Não diminuir a democracia participativa para um mero espaço burocrático, institucional, mas ampliá-la. A questão da própria universidade pública estadual, a questão dos projetos culturais, das questões subjetivas, da pluralidade, da diversidade, da identidade gaúcha. As questões das etnias, principalmente o caso das populações de remanescentes indígenas, os quilombos, a juventude, problemas sérios que implicam não só na questão da educação, mas da qualidade do ensino. Enfim, também questões da vida, do cotidiano da nossa juventude, a relação com o consumismo, as drogas, as opções sexuais, a relação com o trabalho, com a cultura, com o lazer, as relações na comunidade. As pessoas portadoras de deficiência, com uma visão que nós temos que ter para ter a cidadania plena para todos. E nós somos um Estado que tem o município com a maior longevidade do país, que é Veranópolis, então nós temos que ter também uma política para a melhor idade, que é quando as pessoas na plenitude da sua experiência de vida, já com a relação com os netos, com a família, com a comunidade. Também o problema da solidão, a velhice abandonada, essas coisas todas merecem uma boa discussão que envolva muitos sujeitos políticos, organizações, entidades, e é depois de toda essa boa conversa, de construção, de uma visão integrada dos programas do desenvolvimento econômico e humano do nosso Estado, no final desse processo é que deve vir a indicação dos candidatos. Eu penso, não deve ser uma chapa pura, de nenhum partido desse campo. Já deve ser uma composição com compromisso, para não vir, depois de assumir o governo, fazer alianças sem critérios para preencher cargos, essa coisa toda. Tem que fazer uma boa construção, tem que ser a política não pode ser tão toma lá da cá, é dando que se recebe, um jogo de encenação, uma figuração ou promoção pessoal de alguém. A política tem que ser a construção do bem comum com o protagonismo de todos. Ninguém é profissional da política. Como dizem, “a classe política”, aí já faz parte da velha cultura. Uns têm profissão de ser político e outros de ser rebanho dos profissionais da política. Essa cultura nós temos que ir substituindo num processo permanente, constante, mas evidentemente, sem arrogância, sem petulância, sem dirigismo. Mas de cima para baixo, construindo uma nova cultura em que se possa fazer de todos e todas sujeitos e não objetos da política. É isso que nos anima, nos incendeia e nos coloca como um dos milhares de filiados do PT e acreditamos num projeto transformador, acreditamos na ferramenta do Partido dos Trabalhadores, e na possibilidade
    de resgatá-lo sim na sua integridade desse momento crítico, sem fazer nenhuma concessão a ações ou atitudes que não só agrediram o partido e a cidadania brasileira.

    Para fechar. Esse erro das prévias causou uma ferida. Já está cicatrizada?

    Olívio – Ah, sim, claro! De minha parte eu não faço política com rancor, com ressentimento, não. Sem rancor, sem ressentimento, mas também sem deixar de refletir. A gente nesses processos se conhece melhor e conhece melhor os outros. Eu acho importante esse conhecimento. O partido também é um sujeito vivo, coletivo, tem também que amadurecer esse processo, e vem amadurecendo. O nosso partido está se caldeando bem nesse processo. Nessa fornalha de fogo alto, o aço se tempera e o vidro se quebra.

  • Agenda para o final de semana

    Festas
    Bagasexta Disneylândia
    A Bagasexta promete muita diversão, loucuragem e vacina contra a raiva na única festa onde os VIPs são tratados como cachorros. Essa edição é aconselhada a todos que brincavam de médico quando crianças e continuam brincando. A personagem Kelly Só Para Baixinhos é uma das atrações.
    Onde: Cine Theatro Ipiranga (Av. Cristovão Colombo, 772)
    Quando: Sexta (14), às 22h.
    Ingressos: R$ 15 e R$ 7 (classe artística).
    Devassa
    Festa de electro e rock originada em Florianópolis. A proposta é diversão sem pudores ou limites. Duas pistas dividem as atenções do público: Devassa a Rocket. A primeira, escala os residentes da função catarinense Alejandro Ahmed aka Sphex e Fefo, além de E-Flux e Mario Aguirra. Rocker Bitch e Schutz dividem os toca-discos da Rocket com DonnaRock e Caco, de Santa. No hostess, Allan. A noite também conta com projeções de vídeos exclusivos produzidos por Aline Czbar (SC).
    Onde: Neo Club (Av. Plinio Brasil Milano, 427).
    Quando: Sábado (15) às 24h.
    Ingressos: R$ 15.
    Brasil de Som e Suingue – Exibição de Curtas
    Esta edição da festa comandada pelo DJ Jovi traz a exibição dos curtas: Querer Mudo, Offora, Fome de Q? e Felicidade.
    Onde: Mr. Dam (José do Patrocínio, 824)
    Quando: Sexta (14), às 23h.
    Ingressos: R$6. Até a meia-noite: R$ 4
    Trance Republic
    No embalo da apresentação de renomados DJs de trance no sul do Brasil, incluindo as feras das picapes Tiësto, Paul Van Dyk e Above & Beyond, a Spin instaura na Capital a Trance Republic, uma noite dedicada exclusivamente à corrente européia do estilo. O projeto abre com os gaúchos Everson K e Superti recebendo o carioca Roger Lyra, considerado pelos leitores da revista DJ Sound como o maior nome do trance europeu no Brasil.
    Onde: Spin (Av. Venancio Aires, 59)
    Quando: Sábado (15), às 23h.
    Ingressos: masculino a R$ 15, feminino a R$ 10. Consumação masculina a R$ 15 e feminina a R$ 5.
    Aniversário Os The Darma Lóvers
    O duo mais zen do rock gaúcho, Yang Zam e Nenung, comemora os seis anos de estrada musical no Ocidente. Thiago, 4Nazzo e Sassá completam a banda, numa noite que conta também com Jimi Joe (viola de 12), Cellau Moreyra (cello) e Carlos Panzenhagen (guitarra da Barata Oriental), com abertura da Viv(e). Pra aumentar o clima de parabéns pra você, tortas de chocolate da Dona Lia são distribuídas.
    Onde: Ocidente (Rua General João Telles, 960)
    Quando: Domingo (16), às 19h.
    Teatro
    Grávida
    É um espetáculo de dança contemporãnea, que une uma pesquisa de campo realizada com diversas gestantes, mães e mulheres que escolheram não ser mães, a uma pesquisa de método coreográfico que parte dessas histórias de vida para a criação dos movimentos.
    O desafio é tornar corporal todas àquelas angústias, medos, indecisões e decisões, esperas, incertezas, perdas e ganhos, frustrações e conflitos da mulher do século XXI. Através do movimento dançado, da emotividade das bailarinas e trilha sonora pesquisada sempre presente, o público se depara com os conflitos internos e externos, gerados pelo confronto entre a natureza feminina e o mundo moderno, no qual a mulher tem a possibilidade de escolher e de ir contra a tradição de ser mãe.
    Direção: Roberto Oliveira
    Elenco: Maria Falkembach e Luciane Coccaro
    Dias: sábado e domingo, às 18h. Dias 15 e 16 de outubro
    Local: Teatro Dante Barone – Assembléia Legislativa
    Entrada franca
    Dr. Q.S – Quriozas Qomédias
    O espetáculo traça um amplo quadro da obra dramatúrgica e poética, além de mostrar algumas facetas e façanhas da torturada e desesperada existência de Qorpo Santo. Aparecem na encenação, integralmente, seus textos Mateus e Mateusa e As Relações Naturais, entremeados com trechos de outros textos teatrais, poesias, aforismos e fatos de sua vida pessoal.
    Direção: Roberto Oliveira
    Elenco: Sandra Possani, Plínio Marcos Rodrigues, Daniel Colin, Tatiana Carvalho, Diana Manenti e Maria Falkembach
    Onde: Depósito de Teatro (Av. Benjamin Constant, 1677)
    Quando: Sábado, às 21h, domingo e segundas, às 20h. Até 31 de outubro.
    Ingressos: R$ 15 e R$ 7 (classe teatral).
    Extinção: A Impossibilidade Física da Morte na Mente de Alguém Vivo
    Incesto, traição, compulsão consumista, hipocondria e histeria são os explosivos elementos da primeira montagem da Cia Espaço em Branco. O grupo destila seu humor negro para contar a história de destruição e morte de uma abastada família porto-alegrense. No enredo do escatológico texto do também diretor do espetáculo João Ricardo, um jovem artista plástico rebelde, filho mais velho de uma rica família da capital gaúcha, volta de um intercâmbio no exterior portador de uma doença incurável. Ao chegar em casa, encontra, no jardim da mansão da família, a ossada de um estranho animal. A partir da descoberta, os membros da família despem-se de seus “papéis” para mostrar o que têm pior dentro de si.
    Direção: João Ricardo
    Elenco: Evelyn Ligocki, Lisandro Bellotto, Marcos Contreras, Sissi Venturin e Rodrigo Scalari Diretor: João Ricardo
    Onde: Sala Álvaro Moreyra (Av. Érico Veríssimo, 307)
    Quando: De Sexta a domingo, às 21h. Até 20 de novembro.
    Ingressos : R$ 12 .
    O Círculo Sagrado
    O novo trabalho do grupo Nômade de teatro, resgata a cultura sacerdotal céltica e bretã da antigüidade e sua forte simbologia, enfatizando a sabedoria da natureza, o xamanismo celta e seus valores espirituais femininos.
    A peça mostra o momento de transição entre o desenvolvimento da cultura bretã druídica até a Saga de Avalon. Com roteiro de Tiago Agne e Gisela Rodriguez livremente inspirado no romance A Senhora de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, e com textos poéticos galícios originais, extraídos de uma intensa pesquisa bibliográfica, incluindo o poeta Yeats e o teólogo John O`Donohue, e ainda adaptações de Shakespeare, Pat Mills e T.S. Eliot,
    Direção: Gisela Rodriguez
    Elenco: Ed Lannes, Gisela Rodriguez, Juliano Straliotto, Liliane Pereira, Marcos Castilhos, Mauro Bruzza, Moira Stein e Paulo Zé Barcellos
    Onde: Centro de Eventos do DC Shopping (Frederico Mentz, 1606)
    Quando: Sextas e sábados, 21h; domingos, 20h. Até 06 de novembro.
    Ingressos: R$ 10,00 / estudantes e classe artística: desconto de 50% – vendas antecipadas na loja Sirius (República, 304) e no restaurante Vitrine Gaúcha (DC Shopping).
    Como Emagrecer fazendo Sexo
    A comédia aborda de uma forma divertida e bem humorada a descoberta do mais novo e revolucionário tratamento de emagrecimento.
    Direção: Airton de Oliveira
    Elenco: Pablo Capalonga e Luciana Marcon
    Onde: Teatro Carlos Carvalho (R. dos Andradas, 736 2° andar /Casa de Cultura Mario Quintana)
    Quando: Sexta a domingo, às 19h. Até 30 de outubro
    Ingressos: R$ 15 (com 50% de desconto para idosos, estudantes e classe artística.
    Bailei na Curva
    Ano 64. É deflagrado o golpe militar no Brasil. Os efeitos do novo regime na vida de sete crianças que moram na mesma rua, no Bom Fim, é o principal enfoque da peça. Bailei na Curva ajuda a entender um momento político que abalou as aspirações de uma geração idealista.
    Direção: Júlio Conte
    Elenco: Cíntia Ferrer, Érico Ramos, Felipe De Paula, João Walker, Ju Brondani, Mariana Vellinho, Patrícia Mendes e Tiago Conte
    Onde: Teatro Bruno Kiefer (Rua dos Andradas, 736, 6° andar / Casa de Cultura Mário Quintana)
    Quando: Sábado e domingo, às 19h. Até 30 de outubro.
    Ingressos: R$ 15 (com 50% de desconto para idosos )
    Haloperidol – Uma fábula urbana
    Haloperidol – Uma fábula urbana conta a história de um menino que tem vocação para escrever, mas não encontra apoio nem da família nem da sociedade. O grupo Trupe do Morro se inspirou em textos de Nelson Rodrigues, Kafka e Shakespeare para compor o espetáculo. Foram quatro meses de pesquisas no Hospital Psiquiátrico São Pedro, quando os integrantes perceberam que a loucura poderia ser expressa de forma sutil, nos pequenos detalhes.
    Quando: Hospital Psiquiátrico São Pedro (Av. Bento Gonçalves, 2460)
    Onde: Sábado e domingo, às 20h. Até 30 de outubro.
    Ingressos: R$ 7 e R$ 5 (para estudantes, idosos e classe artística).
    O Segredo Íntimo dos Homens
    A trama revela os problemas de dois pênis que procuram um psicanalista em busca de compreensão e auxílio para enfrentar um universo assoberbado, cheio de padrões, modismos e ideais de competição. Durante a consulta eles declaram suas indignações e seus pontos fracos, sempre defendendo as necessidades básicas para um pênis sentir-se feliz. Também reclamam dos cuidados que seus donos lhes dispensam, e os termos pejorativos que as mulheres lhes atribuem.
    Direção: Pedro Delgado
    Elenco: Henri Iunes, Ita Ramires, Pedro Delgado e Rafael Rebelo
    Onde: Teatro do IPE (Av. Borges de Medeiros, 1945)
    Quando: Domingos, às 20h. Até 30 de outubro.
    Ingressos: R$ 15
    Bonecas à Beira de um Ataque de Risos
    Quatro atrizes maduras transformam-se em divas do cinema e em monstros sagrados do show business revivendo glórias de outrora. As protagonistas passam pelos mais variados gêneros e estilos, relembrando espetáculos como Cabaret, A Família Adams, Hair, O Mágico de Oz e Mudança de Hábito. A trama tem como pano de fundo o abandono de uma delas pelo amante que apenas deixa uma gravação distante na secretária eletrônica do telefone, em meio a revelações de segredos , sucessivas surpresas e um entra-e-sai frenético nesta sinistra e impagável festa de aniversário.
    Direção: Eduardo Kraemer
    Elenco: Renato del Campão, Lauro Ramalho, Everton Barreto, Dandara Rangel e Ricardo Leite
    Onde: Teatro Renascença (Av. Érico Veríssimo, 307)
    Quando: Sextas e sábados, às 21h; domingos, às 20h Até 30 de outubro
    Música
    Sunset Riders
    No repertório os grandes sucessos do Pop Rock dos anos 70, 80 e 90.
    Onde: John Bull Pub (Shopping Total – Cristóvão Colombo)
    Quando: sexta e sábado, às 22h. Dias 14 e 15 de outubro
    Hélio Delmiro
    O guitarrista já esteve nos mais importantes festivais de jazz do planeta e é reconhecido por artistas de todo o mundo, como Sarah Vaughan, Clare Fischer, Tom Jobim e Paul Motion, com quem atuou ou participou de gravações.
    Dia 16
    Exposições
    O Sobrado
    A exposição concebida pelo diretor, artista plástico e cenógrafo Élcio Rossini reconstrói as principais dependências, como sala e cozinha, da casa da família Terra Cambará, localizada na fictícia Santa Fé. A ambientação, os efeitos sonoros, a cenografia, tudo remeterá ao capítulo O sobrado do livro O continente, primeira parte da saga épica criada por Veríssimo. A exposição tem acompanhamento de monitores. Para turmas de escolas, a visitação pode ser agendada com antecedência pelo telefone (51) 3226-5342.
    Onde: Memorial Erico Verissimo (Rua dos Andradas, 1223)
    Quando: Terças a sextas, das 10h às 19h; Sábados, das 11h às 18h . Até 17 de dezembro.
    Entrada Franca
    Exposição 4X BRASIL
    Exposição que apresenta o itinerário da cultura brasileira desde os
    anos 60, através de movimentos inovadores e representativos nas áreas musical, literária e de artes cênicas. Haverá também uma exposição do conceituado fotógrafo Orlando Brito, apresentando importantes acontecimentos políticos ocorridos no país durante este 40 anos.
    Onde: Galeria Xico Stockinger – 6º andar
    Quando: Até dia 16 de outubro
    Alice Soares
    A Galeria Gravura aproveita a movimentação cultural de Porto Alegre em função da Quinta Bienal do Mercosul e participa do Circuito das Galerias de Porto Alegre promovido pelo Santander Cultural com a mostra de gravuras e desenhos de Alice Soares.
    Alice mantém o tema constante As meninas, líricas ou dramáticas, assunto coerente em uma carreira com mais de 50 anos dedicação
    Onde: Gravura – Galeria de Arte (R. Coronel Corte Real, 647)
    Quando: Sábado, das 11h às 13h. Até 03 de dezembro.
    Caminho das Missões
    Exposição fotográfica do Caminho das Missões, mostrando seus atrativos turísticos, artesanato, beleza natural, música e cultura do roteiro que corresponde aos sete povos das Missões
    Onde: Espaço Majestic – Casa de Cultura Mário Quintana (Rua dos
    Andradas, 736)
    Quando: Terças, quintas e sextas, das 9h às 21h; Quartas, sábados e domingos, das 12h às 21h.. Até 16 de outubro.
    Entrada franca
    Enigmas
    As obras da mostra Enigmas partem de uma imagem fotográfica e têm uma origem totalmente circunstancial. Surge de três fotografias de alguns primatas do Zoológico de Barcelona/Espanha que, manipuladas em laboratório, conformaram as três imagens principais da exposição. Em cada uma se propõe um conceito: o olhar ou atenção, a mão ou o gesto, a reflexão ou o pensamento. Este ponto de partida se desenvolve em outros elementos que completam a exposição, como a seqüência de caixas de luz que contêm letras de um alfabeto clássico modeladas em sal.
    Onde: Espaço 0 – Fundação Vera Chaves Barcellos (Rua dos Andradas, 1444 sala 29 – Galeria Chaves)
    Quando: Segunda, terça, quinta e sexta, das 14h às 18h; Sábado, das 10h30min às 13h30min. Até 16 de outubro.

  • Conto escatológico da Cia Espaço em Branco

    Um cenário clean, figurinos arrojados e a interação das cenas com vídeos exclusivos para a peça compõem o espetáculo Extinção: a Impossibilidade Física da Morte na Mente de Alguém Vivo, passo inicial da Cia. Espaço em Branco, um grupo de pesquisa focado no teatro contemporâneo, atento ao que o cinema e as artes plásticas têm para oferecer à cena.
    O espetáculo é um conto escatológico. Trata da idéia do fim do homem e do próprio planeta. O enredo abusa de citações pop apontando a face dos tempos modernos: o esquecimento das tradições religiosas, o advento do Prozac como a solução dos problemas e a anestesia das televisões e dos shoppings centers utilizada para qualquer forma de reflexão dolorosa.
    Extinção… conta a história da destruição e morte de uma riquíssima família porto-alegrense. A trama inicia com a volta do filho mais velho, jovem e rebelde artista plástico, que chega de um intercâmbio no exterior, portando uma doença incurável e encontra no jardim da mansão uma ossada de um estranho animal.
    A partir daí, as máscaras usadas pelos outros membros da família começam a cair. Incesto, traições, compulsão consumista, hipocondria, histeria e a falta total de respeito pelo próximo são os ingredientes deste espetáculo de humor negro, que cumpre sua segunda temporada até 20 de novembro, na Sala Álvaro Moreyra (Érico Veríssimo, 307), sextas, sábados e domingos, às 21h. Quem assina a direção é João Ricardo, que surge de uma nova safra de diretores teatrais.
    A Cia. tem a participação de Evelyn Ligocki (troféu Açorianos Revelação 2002), Lisandro Bellotto, Marcos Contreras, Rodrigo Scalari e Sissi Venturin. O diretor explica que o texto – escrito pelo grupo – originou-se a partir de trabalhos de improvisações baseadas em autores contemporâneos. “Além do cinema e das artes visuais, usamos a antropologia como fonte de referência para a concepção do espetáculo”, resume.
    O grupo estudou principalmente o antropólogo Joseph Campbell, os dramaturgos Thomas Bernard e Nick Silver, as obras do artista plástico Damien Hirst (que tem entre uma de suas instalações o cadáver de um tubarão imerso em formol em um aquário), além da linguagem do diretor Peter Brook, e de Günther Von Haguens (anatomista alemão que reacendeu as discussões sobre os limites da arte usando corpos humanos “plastinizados” em suas obras).
    “O espetáculo está inserido dentro da idéia antropológica do que é uma escatologia (o mito que um povo cria para explicar seu próprio fim). A escatologia cristã é o apocalipse. A extinção para um mundo contemporâneo significa o fim das ideologias, uma forma de explicar o fim do ser humano em uma sociedade de consumo”, resume João Ricardo.
    Inspirado no trabalho de Damien Hirst, o grupo fez do cenário de Extinção…um grande aquário, feito de plástico-bolha. “A proposta é criar um universo teatral sem recorrer a artifícios realistas, somente utilizando a expressão física dos atores”, ilustra o diretor.
    Extinção: A Impossibilidade Física da Morte na Mente de Alguém Vivo
    Onde: Sala Álvaro Moreyra (Érico Veríssimo, 307)
    Quando: Sextas, sábados e domingos, às 21h . Até 20 de novembro
    Ingressos: R$ 13 e R$ 6 para estudantes e classe artística.

  • Melhor espetáculo de 2004 volta ao Renascença

    Bonecas… é uma comédia musical escrachada, roterizada por Renato Del Campão, com a Cia Descartável de Teatro, sob a direção de Eduardo Kraemer. Quatro atores (Renato Del Campão, Lauro Ramalho, Dandara Rangel e Everton Barreto) interpretam drag queens, dividindo o palco com um stripper (Ricardo Leite). As personagens dublam os mais variados gêneros e estilos musicais, relembrando espetáculos como Cabaret, A Família Adams, Hair, O Mágico de Oz e Mudança de Hábito.
    A montagem conta a história de Pepa (Lauro Ramalho), uma drag queen abandonada pelo amante, que também virou transformista. O stripper entra na história, já no desenrolar dos fatos, quando as amigas de Pepa contratam um garoto de programa para uma festinha surpresa de aniversário.
    Quando o espetáculo foi indicado ao prêmio chegou a gerar polêmica. Alguns membros da classe artística, mais conservadores, apontaram a montagem como um “gênero menor” por conter dublagens. A premiação mostrou que os jurados discordam. “São poucos os atores nesta cidade que cantam, dançam, representam e se expõem da maneira que fizemos”, ressalta Campão.
    O ator Luis Paulo Vasconcellos, coordenador de Artes Cênicas da Secretaria Municipal de Cultura diz que os critérios da premiação envolveram qualidade artística, criatividade, originalidade, excelência na execução, rigor técnico e coerência de linguagem. “Não existe gênero maior ou menor. Isso é preconceito”, completa.
    Comprovando que o gênero agrada, o público de Bonecas…. aumenta a cada temporada. A estréia do espetáculo ocorreu em janeiro de 2004 no Teatro do Sesc. A platéia é eclética e sai do teatro dizendo-se “de alma lavada de tanto rir”. O elenco tem experiência na fórmula: Campão e Ramalho são atores com mais de 25 anos de carreira, com participação em várias comédias. Rangel e Barreto são veteranos de shows de dublagens da noite GLS, com passagens anteriores pelo palco.
    Bonecas à Beira de um Ataque de Risos
    Onde: Teatro Renascença (Av. Érico Veríssimo, 307)
    Quando: sextas e sábados, às 21h; domingos, às 20h. Até 30 de outubro
    Ingressos: R$ 15.

  • Sertanejo e Heavy Metal dividem o público

    Eram 16h30min desta quinta-feira (13), e cerca de 200 jovens entre 15 e 23 anos formavam fila de espera em frente ao Opinião para entrar no show da banda Angra. Vestindo preto, o grupo estava tranqüilo, conversando, comendo salgadinhos, fazendo amizade e até cantando. A maioria estava lá desde o início da manhã e alguns já estavam bebendo álcool desde às11h. Não se incomodaram em esperar no sol e sentados no chão.
    O show faz parte da turnê Temple Of Shadows, que divulga o sétimo álbum da banda. Já foi assistido por mais de 350 mil pessoas, passando por países da Europa e Américas do Norte e Latina. Edu Falaschi (vocal), Kiko Loureiro (guitarra), Rafael Bittencourt (guitarra), Aquiles Priester (bateria), Felipe Andreoli (baixo) e Fábio Laguna (teclado) vão contar, através das músicas, a trajetória de Shadow Hunter, soldado que, em meio às Cruzadas do século XI, passa a questionar os ideais da Igreja Católica. As 13 faixas do Cd Temple Of Shadows narram esta saga, misturando diversos gêneros e estilos musicais.
    Enquanto os jovens esperavam na calçada, jogando conversa fora, a equipe da Opinião Produtora teve muito trabalho nesta quinta-feira. Não só correu para suprir as necessidades técnicas do show do Angra – que trouxe toneladas em equipamentos – como também para atender à produção de outro show: o da dupla goiana Zezé di Camargo e Luciano, dirigido pelo ator e diretor global Jorge Fernando.
    O espetáculo tem um diferencial: marca a estréia da dupla pela primeira vez em um teatro de Porto Alegre. Para o diretor, o público acostumado a assistir mega produções da dupla, vai se surpreender. “Eles já chegaram ao máximo do que se pode fazer em superprodução. Este show é muito mais para terra do que para o prateado”, diz Fernando. Entre as 25 músicas do repertório fixo, estão hits como Dou a Vida por um Beijo, A Ferro e Fogo, Você Vai Ver, Pior é Te Perder, Vem Ficar Comigo e Mexe Que é Bom. Outra novidade é a concepção do corpo de balé, formado por 6 bailarinos. “Não vou recorrer a coreografias com casais. Os números serão separados: uma deles, por exemplo, terá só mulheres”, conta o diretor.
    Zezé Di Camargo diz que toda a idéia do show veio de encontro com as expectativas dele e do irmão Luciano. “Sempre quis fazer um show bem raiz, contando nossa história sertaneja. Coincidentemente o Jorge Fernando criou tudo em cima de nossa trajetória. Nosso novo CD (o 14°) é o mais sertanejo de todos e o show faz este link com o disco”.
    A produção do Opinião fez questão de ressaltar que “este é um show para todas as idades”. Cita números da pesquisa “O perfil da juventude brasileira”, divulgada recentemente.pelo Instituto da Cidadania (ong) e pela Fundação Perseu Abramo: “Entre os jovens brasileiros na faixa entre 15 e 24 anos, a música sertaneja é o gênero musical preferido (30%) , seguido pelo rock (28%)” . A mesma pesquisa especifica que no item “músicos preferidos”, Zezé Di Camargo e Luciano aparecem em primeiro lugar.
    Em frente ao Opinião, os jovens discordam: “Eu gosto de blues, jazz, clássico, samba…enfim, sou eclética, desde que seja música bem feita, bem escrita e bem composta. Mas odeio sertanejo, pagode e funk”, discursa Nathália Bacchi, 16 anos, vocalista da banda Búzius, que toca heavy metal melódico. “Zezé di Camargo e Luciano estragam a voz deles. Cantam alto e têm um agudo muito ruim”, opina Álvaro Ramos, 16 anos. “É um equivoco defender sertanejo e desmerecer bandas brasileiras que tocam heavy metal. Angra é metal misturado com maracatu, bossa nova. É um som que inclui ritmos brasileiros”, defende Juliano Pedroso, 17 anos.
    A estudante Evelym Riberio, 16 anos, diz que prefere “respeitar as diferenças”. “Eu não curto os dois (Zezé di Camargo e Luciano), mas respeito quem gosta. A minha avó escuta muito.”. Breno Souza,18 anos, faz questão de ressaltar que é um ouvinte eclético, mas que pedir para ele gostar de sertanejo “é pegar pesado”. “O que eu gosto em uma música é o estilo, as letras. Sertanejo é um estilo que não condiz com o meu. Mas respeito quem curte este tipo de som”.
    O jornalista e crítico Juarez Fonseca avalia que “são vários fatores” que interferem no gosto musical dos jovens: “Está cheio de garoto que gosta de música regional. No caso de Zezé e Luciano, eles inclusive deixaram de ser rural. A dupla é muito competente, tem músicos qualificados e vai fazer um show em teatro classe A para gente que tem dinheiro. E lá vão ter jovens”.
    Fonseca acredita, no entanto, que o estilo do Angra agrada mais a alguns adolescentes: “Passei pelo Opinião ao meio dia e já tinham uns 50 adolescentes na fila, vestidos de preto, esperando para o show do Angra que começa às 23h”. “Mas é importante lembrar que no show da Ivete Sangalo, por exemplo, vai todo tipo de público, incluindo adolescentes. São pessoas que gostam do que está na mídia. É uma espécie de inconsciente coletivo”, opina.
    Angra
    Onde: Opinião Teatro e Bar
    Quando: Quinta-feira (13 de outubro), às 23h
    Zezé di Camargo e Luciano
    Onde: Teatro do Sesi [Assis Brasil, 8787].
    Quando: Quinta-feira (13 de outubro), e sexta (14 de outubro) às 21h
    Ingressos: Mezanino: R$ 70 / Platéia Alta: R$ 100 / Platéia Baixa: R$ 150 /
    Ponto de Venda: Eletrônica RF (Alberto Bins, 615 e 644).
    Telentrega Opinião: 51- 3228.0576