Autor: Elmar Bones

  • Agenda cultural

    Festas
    DJ Misstress Bárbara
    A DJ canadense Misstress Barbara vem à Capital para animar a festa de véspera de feriado. Seu som é uma mistura de influências do jazz e de música latina com o rock e o punk. Barbara classifica seu estilo como drummy funky techno
    Onde: Spin (Av. Venancio Aires, 59)
    Quando: Terça (11), às 23h.
    Ingressos: masculino a R$ 15 e feminino a R$ 10. Consumação masculina a R$ 20 e feminina a R$ 5.
    Véspera de Feriado no Barbazul
    Onde: Barbazul Cocktail Pub (Av. Itaqui, 57)
    Quando: Terça (11), às 21h.
    Ingressos: R$ 8. Consumação mínima isenta até às 24h.
    Some Breaks + Distonia
    Véspera de feriado no NEO conta com as baladas Some Breaks + Distonia. Daniel Ceballos, Gaudencio Orso, Nando Barth, Hyde, JotaPê, C@C@ e Drug comandam as picapes das funções
    Onde: Neo Club (Av. Plinio Brasil Milano, 427)
    Quando: Terça (11), às 23h.
    Ingressos: R$ 10.
    Festa Dividida
    O Strike faz a festa com diferentes ambientes. Na pista principal terá som retrô, com o melhor dos anos 70 até hoje pelas mãos do DJ Felipe. No Terraço, DJ Samuka traz o melhor do dance hip hop.
    Onde: Strike 410 (Rua Professor Cristiano Fischer, 410)
    Quando: Terça (11), às 20h30min.
    Ingressos : feminino a R$ 7 e masculino a R$ 12. Sem consumação mínima.
    Mulheres do Sul – Jam Session Itapema
    A Rádio Itapema FM promove o encontro de quatro expoentes da música contemporânea gaúcha: Monica Tomasi (Melhor Disco MPB no Prêmio Açorianos de Música 2003), Lúcia Severo (Destaque no programa de Nelson Motta Sintonia Fina com a faixa Rede), Marisa Rotenberg (Melhor Disco MPB e Melhor Espetáculo no Prêmio Açorianos de Música 2002) e Renata Adegas (cantora de trilhas de filmes como O Homem Que Copiava e Extremo Sul) sobem ao palco para juntas mostrarem seus trabalhos.
    Onde: Abbey Road Studio Pub (Av. Plinio Brasil Milano, 1185)
    Quando: Terça (11), às 22h.
    Ingressos: R$ 15
    Só Creedence
    Show especial Creedence Clearwater Revival
    Onde: Music Hall (R. Vasco da Gama, 651)
    Quando: Terça (11), às 21h.
    Ingressos: Consumação mínima isenta. Couvert artístico R$ 6
    Kúria
    No repertório, músicas do CD Boas Novas e releituras de Deep Purple, Mutantes e Secos e Molhados
    Onde: 8 1/2 (Av. Aureliano de Figueiredo Pinto, 984)
    Quando: Terça (11), às 23h30min.
    Ingressos: R$ 7.
    Corações Solitários
    A banda toca o melhor do pop/rock internacional. No repertório, canções de Creedence, The Beatles, Supertamp e Bob Dylan, entre outros.
    Onde: Sgt. Peppers (Rua Dona Laura, 329)
    Quando: Terça (11), às 22h30min.
    Ingressos: R$ 12. Couvert masculino a R$ 20 e feminino a R$ 15.
    Mônica Mendes
    A cantora irá lançar o CD Estação do Sonho.
    Onde: Teatro Renascença (Av. Érico Veríssimo, 307)
    Quando: Terça (11), às 21h.
    Ingressos: R$ 5.
    Exposições
    Atrás da linha do espelho
    Fotografias de Rosa Bastos.
    Onde: Café do Porto R. Padre Chagas, 293
    Quando: Terça, das 19h às 21h; Quarta e Quinta, das 9h às 23h30min; Sexta, das 9h às 0h. De 11 a 24 de outubro.
    4 X Brasil – Itinerários da Cultura Brasileira
    A mostra apresenta uma visão panorâmica dos movimentos, obras e artistas representativos do teatro, música, poesia e literatura das décadas de 60, 70, 80 e 90 que foram fundamentais para as metamorfoses do pensamento e do comportamento que forjaram o Brasil contemporâneo.
    Onde: Galeria Xico Stockinger – Casa de Cultura Mário Quintana (Rua . dos Andradas, 736)
    Quando: Terça, quinta e sexta, das 9h às 21h; Quarta, sábado e domingo, das 12h às 21h. Até 16 de outubro
    Entrada Franca
    Outros
    Circo Mexicano
    Atrações circenses.
    Onde: Praia de Belas Shopping Center (Av. Praia de Belas, 1181)
    Quando: De 28/09 a 30/10/2005 – De Ter a Dom, às 20h30min; Qua, Sáb e Dom, também às 16h e às 18h; De Qua a Sex, também às 10h; Dom, também às 10h

  • Santander Cultural promove discussões sobre cinema

    Em sintonia com o 19º Encontro Anual da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema que acontece na Unisinos, o Santander Cultural abre uma série de debates sobre o cinema na segunda quinzena de outubro. Serão exibidos 12 títulos, dentro de cinco divisões temáticas, e a participação de estudiosos e críticos vai acrescentar qualidade ao evento.
    O primeiro eixo temático, Alguma coisa sobre o real, traz três títulos que abordam a língua portuguesa, o tempo e o espaço em São Paulo e a modernidade da Carmem Miranda. São eles Língua – Vidas em português, de Victor Lopes; Em Trânsito, de Henri Gervaiseau e Carmen Miranda – Bananas is my business, de Helena Solberg e David Meyer.
    A película Em Trânsito, de Henry Gervaiseau, terá sua estréia em Porto Alegre depois de ter recebido diversos prêmios na Jornada Internacional de Cinema da Bahia em setembro de 2005. A temática do filme é resultado de pesquisas do diretor sobre as dificuldades de viver em uma grande metrópole como São Paulo. Gervaiseau estará em Porto Alegre para uma sessão comentada especial do filme que segue a escola de Eduardo Coutinho, o mais importante e reconhecido documentaria brasileiro da atualidade.
    Diálogos exibe dois filmes contemporâneos que utilizam a metalinguagem em seus roteiros. São eles Má Educação, de Pedro Almodóvar e O Homem que Copiava, de Jorge Furtado.
    Tempos de Renovação, traz dois mestres franceses revolucionários da estética cinematográfica: Robert Bresson, diretor de Pickpocket e Jean-Luc Godard (foto), com Made in U.S.A.
    O cinqüentenário de duas consagradas películas brasileiras será o mote das discussões de Riquezas do Brasil, que apresenta Rio, 40 graus, do diretor Nelson Pereira dos Santos e Mulher de Verdade, de Alberto Cavalcanti.
    E finalmente, os road-movies, seu desenvolvimento e o cinema uruguaio estarão em debate no eixo Em direção à América Latina, que exibe O caminho das nuvens, de Vicente Amorim; Histórias mínimas, do argentino Carlos Sorín e o uruguaio Whisky, de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll.
    Programação
    15 out – sábado
    15h Pickpocket
    17h Made in U. S. A.
    19h Mulher de verdade
    16 out – domingo
    14h30 O homem que copiava
    17h Rio, 40 graus
    19h Má educação
    17 out – segunda
    15h Língua – Vidas em português
    17h Má educação
    19h Em trânsito
    Sessão Comentada com Henri Gervaiseau
    18 out – terça
    15h Língua – Vidas em português
    17h O caminho das nuvens
    19h Carmen Miranda – Bananas is my business
    Sessão Comentada com João Luiz Vieira
    19 out – quarta
    14h30 Língua – Vidas em português
    17h O homem que copiava
    19h Má educação
    20 out – quinta
    15h Língua – Vidas em português
    17h Má educação
    19h O homem que copiava
    Sessão Comentada com Leandro Saraiva
    21 out – sexta
    14h30 O homem que copiava
    17h O caminho das nuvens
    19h Made in U. S. A.
    Sessão Comentada com Alfredo Manevy
    22 out – sábado
    15h Carmen Miranda – Bananas is my business
    17h O caminho das nuvens
    19h Rio, 40 graus
    Sessão Comentada com Mariarosaria Fabris
    23 out – domingo
    15h Má educação
    17h Mulher de verdade
    19h Pickpocket
    24 a 28 out – segunda a sexta
    15h Histórias mínimas
    17h Whisky
    19h Whisky

  • Grupos de teatro vão ocupar salas do Hospital São Pedro

    As secretarias estaduais de Cultura e Saúde deverão fazer um convênio em novembro que permitirá a ocupação de alguns blocos do Hospital São Pedro pelos grupos de teatro e dança da Capital. O local já vem sendo utilizado como espaço cênico de alguns espetáculos.
    O Governo já havia feito a promessa há um ano e oito meses. Desta vez, garantiu o prazo em frente a uma comissão que representou 150 artistas do Movimento de Grupos de Investigação Cênica da cidade. “O assunto carece apenas de uma formalização. Na verdade, os grupos querem amparo institucional, porque a cedência do espaço já está acontecendo”, ressalta Victor Hugo, secretário substituto da pasta da Cultura.
    Ele foi incumbido da missão de providenciar o amparo legal para esta ocupação no Hospital São Pedro. “Não são promessas, são metas. Até o final do mês haverá uma solução para esta formalização”, garantiu. Victor Hugo afirma que irá se encontrar com João Gabbardo dos Reis, secretário substituto da Saúde para tratar do assunto, ainda nesta semana.
    Outras questões foram discutidas, dentro de uma pauta estipulada pelo grupo em 09 de setembro com o secretário Roque Jacoby. As principais reclamações dos artistas são em torno da inexistência de projetos por parte das instituições ligadas à cultura. Na lista de metas da Sedac estão incluídos os pedidos de lançamento dos editais para novas edições dos Prêmios de Incentivo ao Teatro e de Incentivo à Dança e de lançamento de edital do Prêmio de Auxílio para ocupação do Teatro de Arena. “Estas questões serão atendidas até o final do ano”, disse o secretário.
    A diretora do Teatro de Arena, Rosa Maria Campos Velho, se manifestou favoravelmente ao retorno da prática dos editais. Ela ficou de elaborar uma minuta do que será este edital, que deverá ser submetida à assessoria jurídica da Sedac, antes do início da busca de recursos. Além dela e dos titulares da pasta, estiveram presentes na reunião as diretoras do Instituto de Artes Cênicas (Iacen), Eva Schull e da Casa de Cultura Mário Quintana, Aidê Porto.

  • Carta de Barcelona

    Tivemos uma semana cheia na arena política, tanto na Europa, com o desenrolar das eleições na Alemanha e Polônia e pelo início do processo de adesão de Turquia à União Européia, como na Espanha, com a aprovação do novo Estatuto da Catalunha pela câmara catalã e pela invasão de subsaharianos ao território espanhol nas cidades autônomas de Ceuta e Melina.

    Chama a atenção que os assuntos europeus mereceram escassa importância pela imprensa espanhola, enquanto que o Estatuto catalão e a “invasão” de africanos ganharam as manchetes de jornais e os mais cobiçados horários televisivos.

    A principal preocupação do governo foi a de acalmar o eleitorado, rebaixando as pretensões de maior autonomia dos catalães, tarefa levada a cabo pelo mesmíssimo presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, enquanto que o caso da imigração ilegal, ficou a cargo da vice-presidenta, Maria Tereza de la Vega.

    Não é por acaso que o governo socialista de Zapatero deu maior importância a suas diferenças nacionais internas, deixando o problema da imigração em segundo plano. Ele sabe que o caso dos africanos não vai render muitos votos. Pelo menos por enquanto.

    No primeiro dia da crise, quando cerca de 300 africanos saltaram as cercas que separam a cidade de Melina de Marrocos, o governo anunciou que o exército estaria no dia seguinte na fronteira para coibir a imigração. No segundo dia mais 300 africanos saltaram a cerca e o governo anunciou que aumentaria a cerca  para 12 metros de altura os atuais seis da cerca dupla. No terceiro dia, mais 200 saltaram a cerca e o governo anunciou que colocaria uma terceira barreira, com sensores eletrônicos e todo tipo de parafernália para bloquear a entrada dos africanos.

    Estranhamente a oposição conservadora não atacou o governo. Talvez tenha sido a primeira medida do governo que praticamente não sofreu nenhuma contestação da bancada oposicionista. Os especialistas no tema, tão pouco alçaram suas vozes em defesa dos direitos humanos, salvo algumas honradas exceções. Uma espécie de cegueira nacional parece que se abateu sobre os espanhóis que lhes impede de ver a situação com os olhos do outro.

    Os africanos do centro e do sul da África que saltam as barreiras são os negros que fogem da fome e da miséria. Caminham um ou dois anos, atravessando o deserto do Sahara, até chegar ao Marrocos para daí passarem à Espanha, via Melina. Melina é uma cidade espanhola encravada em território africano, o que explica o pouco caso que as autoridades marroquinas fazem para deter estes africanos do sul que passam por seu território.

    A solução para o problema, dizem os espanhóis, seria a colaboração do governo de Rabat. A soberania compartida de Ceuta e Melina poderia ajudar a resolver a situação, respondem os marroquinos, já que a cidade está na África.
    A conta que pouca gente fez ante as câmaras de televisão e nos artigos da imprensa é que enquanto África tem uma população de cerca de 700 milhões de pessoas, 11% da população mundial, com uma alta taxa de natalidade, o seu Produto Interno Bruto (PIB) corresponde apenas a 1% do mundial. O PIB africano é parecido ao da Bélgica, cerca de 250 bilhões de dólares (isso excluindo a parte mais pobre da África que é justamente a subsahariana). Em 1970 a África respondia por 3,5% do comércio mundial, hoje somente por 1,4%. A União Européia é a maior potência comercial do mundo, com um PIB que supera os US$ 10 trilhões, divididos entre uma população de 500 milhões de pessoas e uma taxa de natalidade estancada.

    Ou seja, o “problema” da imigração para os europeus recém está começando. Se não mudarem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), que beneficiam os interesses da Europa e Estados Unidos, não vai ter barreiras, por mais altas ou tecnológicas que sejam que detenham a fome e a miséria que a Europa ajuda a criar com as suas políticas comerciais.

    Rivadavia Severo, Jornalista

  • Mais perguntas que respostas no caso Braskem

    Elmar Bones
    Por que a Petrobras não está aqui? Por que fomos surpreendidos por uma negociação feita por cima e já em fase final? Que garantias têm os trabalhadores? Qual o efeito nas indústrias do plástico? Estas foram algumas das muitas perguntas que ficaram no ar na audiência pública que debateu as negociações entre Petrobras e Braskem, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.
    Alexandrino de Alencar falou em nome da Braskem (Foto: Luiz Avila/AL/JÁ)
    Na sala Alberto Pasqualini, 4º.andar da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, no dia 5 de outubro de 2005, 56 pessoas esperavam há 45 minutos a audiência pública convocada para discutir um dos maiores negócios em andamento no País.
    Na mesa estavam: Alexandrino de Alencar, representante da Braskem, a maior indústria petroquímica do País; Carlos Eitor Rodrigues, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Pólo Petroquímico de Triunfo; Dari Beck Filho, do Sindicato dos Químicos; engenheiro Luiz Gonzaga Fagundes, da Secretaria de Minas e Energia, representando o governo do Estado; Elizabeth Almeida, representente do Sindiplast de Novo Hamburgo e os deputados: Edson Portilho, do PT, proponente da audiência, Leila Fetter (PP), Manoel Maria (PTB), João Fischer (PP) e Elmar Schneider (PMDB).
    Na platéia, sindicalistas, assessores, jornalistas e funcionários que se movimentavam carregando papéis. Dois garçons serviam cafezinho e água aos integrantes da mesa.Um envelope, colorido, revestido de plástico, contendo um relatório e um livro da Braskem era distribuído a cada um.
    O deputado Adroaldo Loureiro, que preside os trabalhos faz um breve preâmbulo e passa a palavra ao presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Polo Petroquímico de Triunfo, Eitor Rodrigues, que se opõe ao projeto da Braskem. Ele faz um resumo dos fatos. Explica que a Odebrecht, a maior empreiteira do Brasil, é a controladora da Braskem, a maior companhia petroquímica do país. Que está negociando bilhões com a Petrobras. Petrobrás, empresa pública, interesse público…
    “Esse processo se intensificou a partir de abril deste ano. A Petrobras tinha 10% da Braskem e eles decidiram elevar essa participação para 30%. Revisaram o acordo de acionistas. Nós temos feito algumas mobilizações e denúncias. O Sindipolo está puxando essa discussão. Não há a problematização do fato, que se consuma sem o conhecimento da sociedade”.
    Lembra que o “segundo passo” foi dado no dia 29 de setembro quando a Petrobras apontou os “ativos” que vai transferir a Braskem, em troca dos 20% a mais a holding. “É um caminho sem volta”, disse o representante da Braskem no dia seguinte à decisão.
    Eitor Rodrigues procura argumentos para provar que o fato ainda não está consumado. “Não ter incluído a Innova entre os ativos apresentados pela Petrobrás, indica que nem tudo saiu como a Braskem queria. Ela tem a PPH, a Poliolefinas e 30% da Copesul. Queria a Petroquímica Triunfo e a Innova. Com ela o pólo ficaria na mão da Odebrecht.”
    Outro indicio, segundo ele, é o adiamento do prazo para fechar o negócio, de 31 de dezembro de 2005, para 31 de março de 2006. “É sinal de que esta decisão não é madura na Petrobras”.
    Eitor Rodrigues sustenta que a decisão da Petrobras no dia 29 foi forçada por uma ordem de cima, que atropelou os escalões técnicos da estatal. “Todos os indicativos eram de que a Petrobras não apontaria os ativos para permutar. O fato de não ter sido indicada a Innova e ter sido levado para 31 de março de 2006 o prazo final para a decisão significa que nem tudo está saindo como a Braskem quer.”
    Ele diz que o Sindipolo reage, em primeiro lugar, à concentração de poder na mão de um único grupo. “Ficaria quase um monopólio, concentrando toda a petroquímica nas mãos de um grupo conhecido por sua voracidade, que auto-proclama sua agressividade nos negócios. Já tem quase o controle da Bahia e ficará a um passo de consolidar o controle da Copesul, ficaria então com 80% dos petroquímicos básicos para todos os tipos de plásticos. Controle das resinas plásticas e de 80% da nafta. Seria a principal fornecedora das industrias de terceira geração e a principal compradora da Petrobras. A Petrobras ficaria refém e o consumidor dependente.”
    Em seguida a questão do emprego. Em 2002, relata, na criação da Braskem para assumir a Copene foram cortados 100 empregos no pólo do Rio Grande do Sul e 1.500 na Bahia. “Receio que isso ocorra aqui”. Diz que as empresas envolvidas na negociação representam cerca de dois terço dos 2.400 trabalhadores diretos da petroquímica e dos 3.600 dos terceirizados. Lembra que os programas visando ganho de escala, geralmente, significam desemprego. “A sociedade tem que se posicionar. O Rio Grande do Sul só tem a perder. Para a Petrobras não há nenhum indicativo de vantagem. Só vantagem para a Braskem. Por que, então?”
    Ele diz que a Braskem é arrogante: “O negócio não está consolidado e eles já anunciam demissões na Petroquímica Triunfo. De onde a Braskem tira a garantia de que a Petrobras vai fazer a opção? De antemão a Braskem já se coloca como gestora da Petroquímica Triunfo, o que demonstra sua agressividade”.
    Diz que não quer ofender, mas precisa usar a palavra certa: “A Braskem é mais do que agressiva, é perversa no diz respeito às relações de trabalho. Agora, por exemplo, ela diz que é um caminho sem volta, mas não é isso. O caso não está resolvido”.
    “É uma decisão de governo”
    Em nome da Braskem falou Alexandrino de Alencar, vice-presidente encarregado de Relações Institucionais. Disse que é importante o debate, porque ele dá a visibilidade que a petroquímica não tem e que merece ter. Explicou que o mercado de produtos petroquímicos vive em ciclos que duram de sete a nove anos. “A petroquímica é recente no Brasil. Até 1990, a Petroquisa comandava tudo. Com a privatizaçao, veio uma nova fase. Em 1995, foi duplicada a Copesul, um investimento de U$ 2 bilhões, maior do que as montadoras da automóveis. Não houve reconhecimento. Graças à pujança do pólo é que vieram as montadoras para cá. Desde então o pólo pouco investiu.”
    Diz que foi “decisão de governo” a Petrobras tornar-se “minoritário relevante”, na Braskem, como em outros grupos privados. Faz uma histórico: em 2001 houve o leilão da Copene, a central do pólo da Bahia. A Odebrecht era vendedora, a Copesul ia comprar, mas os acionistas não se acertaram.
    Surgiu então a Braskem que desenvolve desde 2002 um novo modelo de negócios na petroquímica, capaz de competir com os maiores do mundo.
    Segundo Alencar, pelo acordo de acionista na privatização, a Petrobras poderia subscrever até 50% das ações da Braskem. Mas teria que sair de todas as outras empresas no setor. Em abril deste ano, a Petrobras anunciou sua intenção de ficar minoritária, com 30% da Braskem.
    Agora, no dia 29 de setembro, a Petrobras apontou os bens que vai dar em troca.
    “O prazo final para a decisão foi transferido para março do ano que vem porque não haveria tempo para os bancos fazerem a avaliação dos ativos”, disse.
    Ele afirma que não é só com a Braskem. A Petrobras está se associando de forma minoritária, mas estrategicamente, com outras empresas, na Rio Polímeros, na Petroquímica União, num novo projeto no Rio, que vai utilizar óleo pesado.
    Ele toca na questão do emprego. As demissões em 2002 não foram além de 380 pessoas e os cortes se limitaram à alta e média gerência, nas funções de operadores não foram atingidos. Os níveis administrativos foram comprimidos, tinha seis níveis de gerencia, foram reduzidos a três. Dos que foram demitidos, 70% foram recolocados no mercado com ajuda da empresa.
    Hoje a Braskem já tem 3.180 funcionários. No Rio Grande do Sul, desde 2002, mantém mais empregos do que a média da indústria gaúcha. Trata-se de uma elite: 70% dos funcionários da Braskem tem o curso secundário completo, 20% tem curso superior e 10% tem algum tipo de pós-graduação. No ano passado, tiveram aumento de 24% acima do INPC, sem contar com a participação nos lucros. O salário médio é de R$ 5.000,00 por mês. Este ano foi considerada pela Exame uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil.
    “Quando se fala em controle não se leva em conta as características da petroquímica . Não há como controlar, é um mercado globalizado. Prova disso: o preço das resinas caiu 20% e a nafta subiu 20% este ano. Dizer que 80% do eteno está sob controle não explica nada. O que mede na petroquímica não é o eteno, mas as resinas. Se esse mercado não estiver bem, o eteno também não estará”.
    Desfia uma série de números. Em três anos a Braskem investiu mais de R$ 1 bilhão de reais para aumentar a produção. E segue investindo pesado, principalmente em tecnologia. Tem tecnologia e patente de processo desenvolvida no Rio Grande do Sul há 20 dias, micro partículas que tornam mais resistente o polipropileno que permitirá fazer gabinetes de computador com essa resina.
    Hoje a Braskem é a 17a. do mundo, quer estar entre as 10 maiores nos próximos cinco anos. Seu valor de mercado chega aos US$ 4,5 bilhões, quer chegar a US$ 12 bilhões. É a nona no País em arrecadação de impostos, com um total de R$ 1,2 bilhão em 2004. Fala dos créditos de ICMs retidos, que já chegam a R$128 milhões, R$ 80 milhões só este ano.
    Por conta disso, sua produção é gravada em US$ 30,00 por tonelada atualmente. Mesmo assim, a empresa mostra-se compreensiva ante as dificuldades do Tesouro estadual.
    Fala das iniciativas para estimular investimentos e aumentar a arrecadação de impostos. “Estamos propondo a redução do ICMs de 17% para 12%. Trabalhando junto à Petrobras para usufruir mais da nafta produzida no Estado, para aumentar ganhos tributários”.
    “Quem vai ganhar com essa concentração?”
    O terceiro a falar é Dari Beck Filho, do Sindicato dos Químicos. Ele começa perguntando: “Qual é o ganho para a sociedade com esse negócio entre a Petrobras e a Braskem? Empresa que já controla o pólo da Bahia, vai controlar a nova central de Paulínea e ameaça controlar o pólo do Rio Grande do Sul. Se é uma indústria de capital intensivo, com ciclos de nove anos isso significa que a Braskem vai ter o controle do mercado por 10 anos. Isso vai afetar o mercado de plásticos”.
    Diz que o sindicato, filiado à CUT tem sim preocupação com “esse controle que pode resultar no aumento de preço das resinas, com impacto nas pequenas e médias empresas e impacto no mercado do trabalho. Quem vai ganhar com essa concentração?”
    Questiona o valor do salário médio apresentado pelo representante da Braskem. “Me assustei com esse número de R$ 5.000 de salário médio. Os companheiros que estão aqui e trabalham na Braskem querem saber quem está ganhando esse salário, deve ser os altos salários da diretoria que estão puxando essa média para cima.”
    Relata uma recente queda de braço entre a empresa e o sindicato, para demonstrar como a Braskem age nas relações de trabalho. “Em pleno século 21 acabaram com a quinta turma que existia desde 1988. Passaram a trabalhar com quatro turmas, com jornadas de 12 horas, e só desistiram em face das faltas, dos acidentes, das doenças e dos prejuízos que isso acabou acarretando. O sindicato ficou contra, eles não tiveram vergonha de constituir uma comissão para impor essa medida. Se não cumprissem, iam todos para a rua, é assim que funciona.”
    Menciona o “efeito cascata” que tem o emprego no setor petroquímico. “Há estudos que indicam que cada emprego na petroquímica gera ocupação para outras seis pessoas. Então quando se diz que foram cortados 100 empregos, isso atinge outras 600 pessoas.”
    Volta a perguntar: “E a Petrobras qual é o ganho que vai ter? Vai ter praticamente um só comprador para sua nafta, que vai impor as regras do jogo. É incompreensível que a Petrobras opte por criar um único comprador para seu produto”.
    “Quem cria empregos é a empresa”
    Luiz Gonzaga Fagundes, engenheiro da Secretaria de Minas e Energia, representa o governo do Estado. Ele mede as palavras. Diz que o governo observa à distância, pois são movimentos que envolvem negócios de grande porte, que sempre geram divergências. “Não adianta, vamos ter que discutir”. Ressalva, porém, que o emprego só existe a partir das empresas: “Quem cria empregos é a empresa, seja pública ou privada”. Lembra que participou como engenheiro da Corsan das discussões sobre o tratamento dos efluentes do polo, uma polêmica que “quase inviabilizou o empreendimento”. “Se existem ajustes a serem feitos, é preciso discutir. Com radicalização não se vai conseguir nada”. Diz que o papel do governo do Estado é “ajudar para que o entendimento se faça”. A Braskem é agressiva? “Uma política agressiva é certa no mundo dos negócios”. Conclui dizendo que “essa é mais ou menos a posição do governo do Estado”.
    “Por que a Petrobras não está aqui?”
    Não há mais debatedores inscritos. A palavra fica a disposição. O deputado Edson Portilho, toma a iniciativa. Ressalta a importância da audiência pública, porque a “Assembléia Legislativa tem que tomar uma posição sobre o assunto”.
    “O que me causa surpresa, o que lamento profundamente, é a ausência da Petrobras neste debate. Não é possível isso, o debate fica incompleto, prejudicado”. Lembra que tem participado das manifestações do Sindipolo e que o pólo petroquímico é um orgulho dos gaúchos. “Desde o início a população aceitou e abraçou o pólo, superando inclusive os problemas ambientais. Agora, se o objetivo da Braskem é valorizar o pólo, por que não o diálogo, por que não construir uma parceria com o sindicato?”
    Em seguida indaga: “Por que fomos pegos de surpresa por uma negociação feita por cima, já adiantada, praticamente definida. Quando se tentou uma audiência pública em Brasília na Câmara dos Deputados, a Odebrecht e a Braskem se recusaram a comparecer. Agora aqui, a Petrobras não vem. Está muito difícil de entender.”
    O discurso anima a platéia, já cansada. “Se o objetivo é melhorar, se as intenções são boas, vamos abrir, vamos ouvir as opiniões. Essa questão do emprego, por exemplo: não importa se são 100 ou se são três mil que perderão o emprego. O governo tem um compromisso: de manter o emprego. O governador tem dito isso, todos temos que nos engajar na luta pela manutenção dos empregos. Por que se negocia a portas fechadas? Qual o ganho da Petrobras? Ainda não entendi”, reforça Portilho.
    Lembrou que o governador Germano Rigotto freqüentemente cita o setor de plásticos como importante fonte de emprego no Estado. “Temos que marcar uma audiência com o governador para levar esse problema a ele. Sabemos o que significa o monopólio, é sempre nocivo. Temos um mandato e o compromisso de defender os interesses da população…”. No final exagerou: “Foi a duras penas que ajudamos a construir esse pólo, com o sangue e o suor da nossa população”
    “Vamos pressionar a Petrobras!”
    A deputada Leila Fetter, do PP, ocupa o microfone e critica a Petrobras, pela ausência. “A Petrobras não podia se furtar de participar desta audiência. Há muitas indagações que gostaria de fazer à Petrobras. Nós temos orgulho do pólo. Ele trouxe muito desenvolvimento para o nosso Estado…Faço um apelo aos deputados que requeiram a presença de um representante da Petrobras, ele terá que responder. Esta casa não poderá ouvir apenas um dos lados e se furtar de ouvir um dos maiores envolvidos. Vamos pressionar a Petrobras, uma vez que ela é do governo federal e o governo é do PT”.
    Elmar Schneider, do PMDB, retomou a questão do emprego: “Duvido que alguém seja contra o emprego ou contra o pólo. O pólo representa avanço, tecnologia. Mas eu gostaria que não transferíssemos responsabilidades. Vamos pedir audiência ao Ministro das Minas e Energia, ao ministro do Desenvolvimento, ao presidente da Petrobras. Não vamos dar nenhum outro passo antes de ouvir a Petrobras (alguém comenta na platéia: “Ele quer livrar o Rigotto”).
    “Quais as garantias para a terceira geração?”
    Falou a seguir Elizabeth Almeida, representante do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Plástico de Novo Hamburgo. Começou explicando que são 187 indústrias, a maioria delas fornecendo componentes para as fábricas de calçados do Vale do Sinos. A crise na indústria de calçados, este ano fez cair de 4.500 para 2.800 o número de empregados nas empresas do setor plástico. Posiciona-se contra o monopólio: “O monopólio é sempre maléfico. Os efeitos afetam toda a cadeia, o impacto pode ser muito forte na ponta da terceira geração. A Petrobras se vangloria das suas ações sociais, mas nada faz em relação ao setor de plástico, que é poluente e mantém relações de trabalho ruins, com muitas doenças, acidentes. “Diariamente tem trabalhador ficando aleijado nessas indústrias…A Petrobras nunca se importou com o que acontece depois que a produção sai do pólo…Qual a garantia que a terceira geração tem em relação ao emprego? O piso salarial é de R$ 1,92 por hora, o que dá um salário médio de pouco mais de 400 reais. Somos os primos pobres do pólo… Por que a Petrobras foge do debate? Enquanto isso não for respondido somos contrários a esse negócio.”
    Elmar Schneider intervém, diz que é preciso mostrar o que está acontecendo no mundo, que no Rio Grande do Sul há duas termelétricas paralisadas e conclui com uma pergunta ao representante da Braskem sobre a possibilidade de trazer petroquímicos da China, se for mais barato (o deputado e o representante da Braskem estiveram na China, na delegação do governador Germano Rigotto, no ano passado). Mas quem retoma o assunto é o presidente do Sindipolo, Eitor Rodrigues, para rebater alguns dados apresentados por Alexandrino de Alencar no início. “Quero dizer que o número de demissões na Braskem que mencionei aqui são comprovados pelas rescisões feitas no sindicato, aqui e na Bahia. O sindicato dos químicos de lá nos mandou esse número. Foram 100 aqui e 1.500 lá”.
    Rebate também o argumento de que a Petrobras está fazendo parcerias também com outros grupos petroquímicos. “Nenhuma dessas parcerias tem o porte e a proporção desta. Na Rio Polímeros a Petrobrás vai ter 17%, na Braskem ela vai ter 30%, vai entregar a Copesul, a Triunfo e Paulínia”. Quanto aos salários, disse que a Braskem tem sido a mais complicadora na hora de negociar os reajustas. “Para obter os 24% acima do INPC foi uma dura luta, inclusive com paralisação aqui no pólo. Foi uma conquista nossa, não uma benevolência da empresa”. Finalizou dizendo que “a lógica da Braskem é compreensível, mas inaceitável. Não é aceitável que o governo, através da Petrobras, se alie a essa lógica. A Petrobras hoje não está aqui de constrangimento. Nós defendemos a volta da Petrobras ao setor petroquímico, mas não assim, numa posição submissa”.
    Cumprimentou Alexandrino de Alencar pela atitude respeitosa e pela atenção, “independente das posições antagônicas”. Voltou a dizer que a Petrobras estava ausente provavelmente por constrangimento pela maneira como foi tomada a decisão. “Tivemos uma semana inteira com indicativos de que o negócio não sairia. No dia, até as oito horas da noite não havia posição. No entanto, a Odebrecht tinha certeza: uma semana antes havia marcado um café da manhã com a imprensa para o dia seguinte a decisão. Certamente não era para anunciar uma derrota. Que garantias havia?” Anunciou que o Sindipolo vai intensificar suas manifestações e pressionar o governo do Estado a tomar uma posição.
    “O pólo petroquímico está hibernado”
    Alexandrino de Alencar retomou a palavra para lembrar que além do crédito de R$ 128 milhões relativos ao ICMs, pelas exportações, a Braskem tem créditos de R$ 380 milhões no Fundopem, que não usou. Disse que a Braskem está empenhada em discutir caminhos para se ter a terceira geração forte no Estado, para atrair novas empresas. Lembrou que o pólo gaúcho está hibernado, precisa urgente de novos investimentos. E que com esse acordo em andamento “a Petrobras vai se juntar à empresa mais competitiva do setor petroquímico no país. É um negócio de ganha-ganha”.
    Em resposta ao sindicalista que duvidou do salário médio de cinco mil reais que havia mencionado, afirmou: “Recebi aqui o número exato: o salário médio na Braskem é R$ 4.650,00, sem falar na participação nos lucros. Então estamos falando de uma elite de trabalhadores”. Disse que os planos da empresa são de crescimento, de estímulo aos empregados para criar um ambiente de melhoria constante. “Nossa postura não é de penalização, é de incentivo”. Repetiu que “é impossível monopolizar o mercado, que é globalizado. Quarenta por cento do comércio de resinas está nas mãos da China. Nem a Dow Química, que é a maior do mundo, consegue”.
    Referindo-se às reclamações quanto à transparência das negociações, disse que a Petrobras atua no mercado de capitais, não tem nada escondido. Que a Braskem quer crescer inclusive fora do Brasil. Já tem projetos na Bolívia, na Venezuela e vai partir para outros continentes. “Temos orgulho em querer um dia estar entre os dez maiores do mundo e queremos investir no Rio Grande do Sul.”

  • Livro conta história do Diário de Notícias

    Helen Lopes
    O livro “Diário de Notícias – O Romance de um Jornal”, do jornalista Celito de Grandi busca preencher uma lacuna na história da imprensa gaúcha ao retratar a trajetória da publicação, que circulou durante 55 anos, e do seu diretor, o jornalista Ernesto Corrêa. “Não havia nenhuma publicação sobre esse veículo de importância fundamental”, destaca o autor. A obra, que será lançada no dia 10, a partir das 18h30min, pela L&M Editores, no Solar dos Câmara, surgiu da cobrança dos colegas: “A idéia é antiga, muitos dos colaboradores do Diário de Notícias me cobraram este livro”.
    O jornal Diário de Notícias pertencia ao grupo Diários Associados de Assis Chateaubriand, maior conglomerado de comunicação dos anos 50 e 60 no Brasil. Na época, os jornais mais expressivos do estado eram o Correio do Povo e o Diário. Segundo o autor, que é atualmente coordenador da assessoria de comunicação do Governo do Estado, o Correio caracterizava-se por sua solidez econômica e uma linha editorial sóbria e conservadora e o Diário, quase sempre com problemas financeiros, para se contrapor ao Correio, era mais ágil, audacioso, sempre inovador, em termos gráficos e editoriais. Os fatos relevantes acompanhados pelo jornal vão desde a revolução de 30 até o movimento militar de 64 que derrubou João Goulart, passando pelo suicídio de Getúlio Vargas e a Legalidade.
    Na obra, De Grandi também relembra a trajetória de vida do diretor do jornal Ernesto Corrêa. Corrêa, além de influente jornalista da época, foi um dos fundadores do Curso de Comunicação Social da UFRGS.

  • Programe-se

    SHOWS
    Ivete Sangalo – MTV ao Vivo
    Uma das cantoras de maior sucesso no país, Ivete Sangalo volta a cantar na Capital. O show repete a dose de sucessos dos 10 anos de carreira da baiana, incluídos no CD e DVD MTV ao Vivo, campeão de vendas em 2004. Poeira, Festa, Pererê, Canibal e De Ladinho são alguns dos hits da carreira individual que caíram na boca do povo, certeiros no repertório do show. Ivete também relembra os tempos da banda Eva, puxando as canções Velho, Arerê, Beleza Rara e Alô, Paixão. As músicas de seu quarto disco solo e décimo de carreira, Clube Carnavalesco Inocentes em Progresso, também entram: Só Pra me Ver, Ritmo Gostoso e Sorte Grande.
    Onde: Gigantinho (Av. Padre Cacique, 891)
    Quando: Sexta (07 de outubro), às 21h.
    Ingressos: Ainda há ingressos para as cadeiras (R$ 120). À venda no Gigantinho (Padre Cacique, 891), Zaffari (Menino Deus e Bourbon Country) ou pela telentrega Opus (51) 3299-0800.
    Noite de Tangos e Boleros
    Show com orquestra típica portenha. Apresentações de dançarinos profissionais e academias de dança. Bandoneon, baixo e piano (músicos) e voval intercalando músicas de MPB, boleros e músicas internacionais.
    Onde: Papyrus (Av. Independencia, 831)
    Quando: Sexta (07 de outubro), às 21h.
    Ingressos: R$ 10/ Consumação a R$ 10.
    Matanza
    Show de rock. Country, punk e rock são os ingredientes do som da banda carioca Matanza. O grupo divulga seu terceiro disco, To hell with Johnny Cash, em que aprofunda sua fórmula roqueira definida como countrycore e inspirada na música do interior dos Estados Unidos. O show de abertura será da banda Sonic Volt.
    Onde: Garagem Hermética (Doutor Barros Cassal, 386)
    Quando: Sexta (07 de outubro), às 22h.
    Ingressos: R$ 12 (para os 200 primeiros) e R$ 15 (para os restantes).
    Maré di Lua
    Show de forró com a banda Maré di Lua, mesclando músicas próprias com grandes clássicos da MPB e do reggae no repertório. A Maré é composta por Luciano Lorenz (voz e violão), Diogo Fonseca (voz e percussão), Fábio Prado (zabumba e percussão), Paulinho Godoy (baixo e cavaco) e Elmer Fagundes (acordeon).
    Onde: Território da Paz (Av. Protasio Alves, 1617 )
    Quando: Sexta (07 de outubro), às 23h.
    Ingresso: masculino a R$ 8, feminino a R$ 5.
    Parte superior do formulário
    Nenhum de Nós
    A banda novamente o show de lançamento do seu novo álbum, Pequeno Universo, à Capital. o 11º álbum da banda tem 13 faixas, apenas duas não compostas pelo grupo gaúcho. O título de Pequeno Universo tem relação com a arte feita na capa, que ilustra animais pequenos e delicados. Duas das músicas contidas no CD, Eu e Você Sempre e Raquel, são dos cantores Jorge Aragão e do uruguaio Jorge Drexler respectivamente.
    Onde: Salão de Atos da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110)
    Quando: Sábado, às 21h; Domingo, às 20h. Dias 08 e 09 de outubro
    Ingressos: R$ 25. Nas Lojas Bananas Record’s dos Shoppings Iguatemi e Praia de Belas.
    Leoni
    O músico Leoni faz show de lançamento do CD e DVD Leoni Ao Vivo. Ex-integrante do Kid Abelha, Leoni é responsável por diversos hits do pop rock nacional. São dele as canções Como eu Quero, Por que Não Eu?, Fixação, Lágrimas e Chuva e A Fórmula do Amor, Exagerado – essa última imortalizada na voz de Cazuza. Em Porto Alegre estará acompanhado pelo músicos Daniel Lopes na guitarra; Lucio Dorffman nos teclados; Rodrigo Silveira no cello e Diego Grendene na clarineta.
    Onde: Theatro São Pedro (Pç. Marechal Deodoro, s/n°)
    Quando: Sábado, às 21h; Domingo, às 18h. Dias 08 e 09 de outubro.
    Ingresso: Platéia, R$ 40; Camarote central, R$ 35; Camarote lateral, R$ 30; Galerias, R$ 20. Desconto de 50% na estréia para sócios da AATSP. Telentrega: 3227-5542 / 3227-5300
    Os Arnaldos
    Show de rock e psicodelia. No repertório, músicas próprias e outras como Ando meio Desligado, dos Mutantes e Vou me afunda na Lingerie, de Arnaldo Baptista. A banda é formada por Márcio Ventura (voz), Jefferson Guty (baixo), Astronauta Pingüim (órgão e moog), Sérgio Tavares (guitarra, violão e voz) e Sergio(bateria).
    Arnaldos foi criada em 1993 em formato acústico por Sergio Tavares e Márcio Ventura. A dupla tinha por finalidade interpretar o ex-Mutantes Arnaldo Baptista. A partir de 1996, o duo tornou-se banda, acrescentando no repertório Tropicália e Rita Lee.
    Onde: Vermelho 23 (Bento Figueiredo, 23)
    Quando: Sábado, às 23h. Dia 08 de outubro.
    Ingressos: Couvert a R$ 5 e consumação a R$ 9.
    Sexteto Blazz
    Show do Sexteto Blazz. O grupo tem como proposta divulgar o gênero apostando no naipe de sopros com flauta transversa e demais instrumentos tradicionais do jazz. Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Milles Davis, John Coltrane, Thelonious Monk e Hermeto Pascoal são alguns dos mestres do jazz constantemente relidos pelo Sexteto
    O trio de sopros do Sexteto, que escala oito músicos na formação, Franco Salvadoretti (flauta transversa), Vanderlei Fontanella (sax soprano e tenor) e Paulo Müller (sax contralto), apresentam sua mistura rítmica – que inclui tambores, kalimas e berimbau – ao lado de Lucas Esvael “Magrão” (contrabaixo), Luciano Bruni (bateria), Edilson Ávila (guitarra), Sérgio Israel dos Santos França (percussão) e Leandro Hessel (piano).
    Onde: Cúpula do Café Concerto Majestic (Rua dos Andradas, 736)
    Quando: Sábado, às 21h. Dia 08 de outubro.
    Ingressos: R$ 6.
    Bossa Nova Jazz Band
    Luciano Kersting (trompete, trombone, flügelhorn), Ramiro Kersting (trumpete), Dionara Schneider (piano), Guaracy Guimarães (contrabaixo acústico) e Marcelinho Freittas (bateria) recebem o músico Fabiano Rodrigues (harmônicas) para show em homenagem aos mestres Louis Armstrong, Miles Davis, Chet baker, Dizzy Gillespie e Tom Jobim.
    Onde: Cúpula do Café Concerto Majestic (Rua dos Andradas, 736)
    Quando: Domingo, às 21h30min. Dia 09 de outubro
    Ingressos: Couvert R$ 6.
    Jorginho do Trompete
    Trompetista reconhecido pela sua qualidade musical, Jorginho é considerado um dos maiores expoentes da música instrumental no sul do País. Nascido no Rio Grande do Sul, aprendeu aos dez anos tocar trompete. Aos quinze anos já era profissional. Trabalhou em casas noturnas e participou de vários shows em todo o país.
    Onde: Cúpula do Café Concerto Majestic (Rua dos Andradas, 736)
    Quando: Domingo, às 19h. Dia 09 de outubro
    TEATRO
    Gordos ou Somewhere Beyond the Sea
    Gordos ou Somewhere Beyond the Sea conta a história de Phyllis Hogan e seu filho Bishop, únicos sobreviventes de um desastre aéreo que se vêem obrigados a tomar decisões nada agradáveis para se defenderem e manterem vivos. Enquanto isso, Howard Hogan, o chefe da família, espera mulher e filho na companhia de sua amante, a atriz pornô Pam. A trama utiliza uma linguagem pop, inspirada principalmente em filmes de Hollywood dos anos 1950 e 1960.
    Direção: Daniel Colin
    Elenco: Andressa de Oliveira, Tatiana Mielczarski, Daniel Colin e Maico Silveira
    Onde: Sala Álvaro Moreyra (Av. Érico Veríssimo, 307)
    Quando: Quarta e quinta, às 20h. Dias 06, 12 e 13 de outubro
    Ingressos: R$ 15. (Desconto de 50% para estudantes, idosos e classe artística).
    As novas aventuras de João Gastão – Luzes da Cidade
    A Cia Etceteratral apresenta a história de João Gastão, um cidadão que se torna um “ex-gastão” ao aprender a usar racionalmente a energia elétrica. A peça faz parte do Programa Luzes da Cidade, desenvolvido pela Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). A iniciativa tem como objetivo educar e conscientizar os consumidores, em especial o público infanto-juvenil sobre o tema, de uma forma divertida.
    Direção: Néstor Monasterio
    Elenco: Álvaro RosaCosta, Ana Guasque, Elisa Lucas, Karen Radde e Marcelo Casagrande.
    Onde: Sala de Recepção do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (Rua dos Andradas, 1223)
    Quando: Quinta e sexta, às 10h30min e às 14h . Dias 06 e 07 de outubro
    Blitz
    Medo, angústia, desconfiança e um clima tenso fazem parte do espetáculo Blitz, produção do Depósito de Teatro, com texto de Bosco Brasil. A história conta o drama de uma mulher que quer separar-se do marido, um policial militar acusado de matar um garoto de doze anos numa blitz em um colégio. Porém, no outro lado da moeda podemos ver o drama de um policial militar para provar a própria esposa que é inocente da morte do menino baleado. Apesar das súplicas do marido, Heloísa já não o reconhece e prefere acreditar no que está escrito nos jornais. A apresentação da montagem integra o Projeto Correios Leva Você ao Teatro.
    Direção: Roberto Oliveira
    Elenco: Sofia Salvatori e Charlie Severo
    Onde: Studio Stravaganza (Doutor Olinto de Oliveira, 66)
    Quando: Quinta e sexta, às 21h. Até 10 de outubro
    Ingressos: R$ 12 e R$ 5 (classe teatral).
    Epidemia do Riso
    Um jornalista e um DJ se juntam para este novo show de humor. DJ Ayala e Fabrício Apratto encarnam personagens como Ariska, Silvio Santos, Paulo Ricardo, Netinho de Paula, Nerso da Capitinga, Julio Iglesias, Henrique Iglesias, Sandy, Toquinho, Andréa Bocceli, Zezé de Camargo, Chitãozinho, Lombardi, Lula, Brizola e Clodovil. Além disso, o público poderá participar das brincadeiras no Topa quase tudo por dinheiro.
    Onde: Teatro do Sesc (Av. Alberto Bins, 665)
    Quando: Quinta e sexta, às 21h. Dias 06 07 de outubro
    Ingressos: R$ 15.
    Dr. Q.S – Quriozas Qomédias
    O espetáculo traça um amplo quadro da obra dramatúrgica e poética, além de mostrar algumas facetas e façanhas da torturada e desesperada existência de Qorpo Santo. Aparecem na encenação, integralmente, seus textos Mateus e Mateusa e As Relações Naturais, entremeados com trechos de outros textos teatrais, poesias, aforismos e fatos de sua vida pessoal.
    Direção: Roberto Oliveira
    Elenco: Sandra Possani, Plínio Marcos Rodrigues, Daniel Colin, Tatiana Carvalho, Diana Manenti e Maria Falkembach
    Onde: Depósito de Teatro (Av. Benjamin Constant, 1677)
    Quando: Sábado, às 21h, domingo e segundas, às 20h. Até 31 de outubro
    Ingressos: R$ 15 e R$ 7 (classe teatral).
    Extinção: A Impossibilidade Física da Morte na Mente de Alguém Vivo
    Incesto, traição, compulsão consumista, hipocondria e histeria são os explosivos elementos da primeira montagem da Cia Espaço em Branco. O grupo destila seu humor negro para contar a história de destruição e morte de uma abastada família porto-alegrense. No enredo do escatológico texto do também diretor do espetáculo João Ricardo, um jovem artista plástico rebelde, filho mais velho de uma rica família da capital gaúcha, volta de um intercâmbio no exterior portador de uma doença incurável. Ao chegar em casa, encontra, no jardim da mansão da família, a ossada de um estranho animal. A partir da descoberta, os membros da família despem-se de seus “papéis” para mostrar o que têm pior dentro de si.
    Direção: João Ricardo
    Elenco: Evelyn Ligocki, Lisandro Bellotto, Marcos Contreras, Sissi Venturin e Rodrigo Scalari Diretor: João Ricardo
    Onde: Sala Álvaro Moreyra (Av. Érico Veríssimo, 307)
    Quando: De Sexta a domingo, às 21h. Até 20 de novembro.
    Ingressos : R$ 12 .
    O Círculo Sagrado
    O novo trabalho do grupo Nômade de teatro, resgata a cultura sacerdotal céltica e bretã da antigüidade e sua forte simbologia, enfatizando a sabedoria da natureza, o xamanismo celta e seus valores espirituais femininos.
    A peça mostra o momento de transição entre o desenvolvimento da cultura bretã druídica até a Saga de Avalon. Com roteiro de Tiago Agne e Gisela Rodriguez livremente inspirado no romance A Senhora de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, e com textos poéticos galícios originais, extraídos de uma intensa pesquisa bibliográfica, incluindo o poeta Yeats e o teólogo John O`Donohue, e ainda adaptações de Shakespeare, Pat Mills e T.S. Eliot,
    Direção: Gisela Rodriguez
    Elenco: Ed Lannes, Gisela Rodriguez, Juliano Straliotto, Liliane Pereira, Marcos Castilhos, Mauro Bruzza, Moira Stein e Paulo Zé Barcellos
    Onde: Centro de Eventos do DC Shopping (Frederico Mentz, 1606)
    Quando: Sextas e sábados, 21h; domingos, 20h. Até 06 de novembro.
    Ingressos: R$ 10,00 / estudantes e classe artística: desconto de 50% – vendas antecipadas na loja Sirius (República, 304) e no restaurante Vitrine Gaúcha (DC Shopping).
    Como Emagrecer fazendo Sexo
    A comédia aborda de uma forma divertida e bem humorada a descoberta do mais novo e revolucionário tratamento de emagrecimento.
    Direção: Airton de Oliveira
    Elenco: Pablo Capalonga e Luciana Marcon
    Onde: Teatro Carlos Carvalho (R. dos Andradas, 736 2° andar /Casa de Cultura Mario Quintana)
    Quando: Sexta a domingo, às 19h. Até 30 de outubro
    Ingressos: R$ 15 (com 50% de desconto para idosos, estudantes e classe artística
    Bailei na Curva
    Ano 64. É deflagrado o golpe militar no Brasil. Os efeitos do novo regime na vida de sete crianças que moram na mesma rua, no Bom Fim, é o principal enfoque da peça. Bailei na Curva ajuda a entender um momento político que abalou as aspirações de uma geração idealista.
    Direção: Júlio Conte
    Elenco: Cíntia Ferrer, Érico Ramos, Felipe De Paula, João Walker, Ju Brondani, Mariana Vellinho, Patrícia Mendes e Tiago Conte
    Onde: Teatro Bruno Kiefer (Rua dos Andradas, 736, 6° andar / Casa de Cultura Mário Quintana)
    Quando: Sábado e domingo, às 19h. Até 30 de outubro.
    Ingressos: R$ 15 (com 50% de desconto para idosos )
    Haloperidol – Uma fábula urbana
    Haloperidol – Uma fábula urbana conta a história de um menino que tem vocação para escrever, mas não encontra apoio nem da família nem da sociedade. O grupo Trupe do Morro se inspirou em textos de Nelson Rodrigues, Kafka e Shakespeare para compor o espetáculo. Foram quatro meses de pesquisas no Hospital Psiquiátrico São Pedro, quando os integrantes perceberam que a loucura poderia ser expressa de forma sutil, nos pequenos detalhes.
    Quando: Hospital Psiquiátrico São Pedro (Av. Bento Gonçalves, 2460)
    Onde: Sábado e domingo, às 20h. Até 30 de outubro
    Ingressos: R$ 7 e R$ 5 (para estudantes, idosos e classe artística).
    O Segredo Íntimo dos Homens
    A trama revela os problemas de dois pênis que procuram um psicanalista em busca de compreensão e auxílio para enfrentar um universo assoberbado, cheio de padrões, modismos e ideais de competição. Durante a consulta eles declaram suas indignações e seus pontos fracos, sempre defendendo as necessidades básicas para um pênis sentir-se feliz. Também reclamam dos cuidados que seus donos lhes dispensam, e os termos pejorativos que as mulheres lhes atribuem.
    Direção: Pedro Delgado
    Elenco: Henri Iunes, Ita Ramires, Pedro Delgado e Rafael Rebelo
    Onde: Teatro do IPE (Av. Borges de Medeiros, 1945)
    Quando: Domingos, às 20h. Até 30 de outubro
    Ingressos: R$ 15
    Bonecas à Beira de um Ataque de Risos
    Quatro atrizes maduras transformam-se em divas do cinema e em monstros sagrados do show business revivendo glórias de outrora. As protagonistas passam pelos mais variados gêneros e estilos, relembrando espetáculos como Cabaret, A Família Adams, Hair, O Mágico de Oz e Mudança de Hábito. A trama tem como pano de fundo o abandono de uma delas pelo amante que apenas deixa uma gravação distante na secretária eletrônica do telefone, em meio a revelações de segredos , sucessivas surpresas e um entra-e-sai frenético nesta sinistra e impagável festa de aniversário.
    Direção: Eduardo Kraemer
    Elenco: Renato del Campão, Lauro Ramalho, Everton Barreto, Dandara Rangel e Ricardo Leite
    Onde: Teatro Renascença (Av. Érico Veríssimo, 307)
    Quando: Sextas e sábados, às 21h; domingos, às 20h Até 30 de outubro

  • Comunidade da rua Gonçalo de Carvalho começa a discutir projeto da Ospa

    Projeto foi apresentado ao governador em 2003. (Foto:Jeferson Bernardes/Palácio Piratini/JÁ)
    Guilherme Kolling
    A primeira reunião oficial dos Amigos e Moradores da rua Gonçalo de Carvalho com o poder público surpreendeu a todos. Mais de 70 pessoas compareceram ao Pré-Vestibular Móttola na noite da quarta-feira, 5 de outubro. O objetivo foi iniciar o debate sobre o Complexo da Ospa no Shopping Total. Até o momento, o projeto tramitava na prefeitura sem o conhecimento da vizinhança. O empreendimento inclui espaço para apresentações e um prédio de sete andares para estacionamento.
    As irmãs Lourdes Brolo, 65, e Zenaide Dalpozzo, 69, alteraram a rotina para ir ao evento. Disciplinadas, foram as primeiras a chegar, cerca de 20 minutos antes do encontro. “Soubemos hoje através de um folheto que mostra o que pretendem fazer por aqui. Já participamos do abaixo-assinado. Querem abrir uma rua nova e mudar o trânsito. Mas já tem barulho que chega”, justificam.
    A via a que elas se referem é a continuação da Benjamin Flores, que atravessaria a Cristóvão Colombo e o Shopping chegando até a Gonçalo de Carvalho, que seria a principal saída do shopping. Para isso, haveria mudanças no trânsito da região.
    Outro grupo, de um edifício da Santo Antônio, está preocupado com o impacto da obra na estrutura do prédio. Cesar Cardia, Itairê Brasil Santos e Leandro Liscano temem avarias, já que o edifício onde vivem é antigo. Eles dizem que o terreno do shopping é “pedra pura” e que a obra vai precisar de dinamite para sair do papel. “Já usaram quando começaram a reforma na Brahma e dava para sentir os tremores. A preocupação é com a segurança, já que somos vizinhos do lugar escolhido para o empreendimento”, explica Santos.
    O folheto distribuído pelos Amigos e Moradores da Gonçalo de Carvalho fala também da questão ambiental. Diz que a rua é belíssima, com seu característico túnel verde, um cartão postal de Porto Alegre ameaçado com as mudanças no trânsito. Entre as conseqüências, poluição sonora, atmosférica e o risco da perda de identidade do local. “É um patrimônio paisagístico importantíssimo que está sendo colocado em risco”, avaliou Maria Elisa Silva, da ONG União Pela Vida.
    O grupo quer conhecer o projeto para sugerir eventuais alterações. “Teve uma divulgação pública em 20 maio, como mostra esse edital do Correio do Povo. Mas falei com 500 moradores da vizinhança e ninguém ficou sabendo”, denuncia Haeni Ficht, um dos líderes do movimento. Em nome do grupo, ele pediu uma audiência pública e um estudo de impacto ambiental. Também questionou os efeitos no trânsito, que podem afetar o acesso ao Hospital Moinhos de Vento e ao Colégio Bom Conselho.
    O movimento Porto Alegre Vive compareceu em peso e deu apoio à causa. Uma das contestações ao empreendimento é o fato de estar numa das áreas especiais de interesse cultural, estabelecidas por decreto, enquanto o governo não envia o projeto de lei para a Câmara. “Trata-se do terreno de um prédio histórico, tombado. Temos que preservar a visibilidade desses imóveis”, justificou a arquiteta Marta Lompa.
    O encontro também atraiu políticos, como a vereadora Sofia Cavedon (PT), que disse estar atenta à inconformidade da população para questões do planejamento urbano como áreas especiais de interesse cultural. O deputado estadual Adão Villaverde (PT) foi ao evento na condição de morador da rua.
    O secretário municipal do Meio Ambiente, Beto Moesch, interlocutor da noite, explicou que o projeto da OSPA está tramitando entre as secretarias e que está na fase de Licença de Instalação. Ele disse que ainda é possível fazer uma audiência pública já que não há uma decisão final. O complexo da Orquestra Sinfônica já recebeu aprovação no Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU), da Secretaria do Planejamento. O fato foi divulgado como um emblema da agilização dos licenciamentos pela nova administração municipal.
    Mas Moesch alerta que a população poderia ter sido avisada, como prevê o Estatuto das Cidades. “Nesse caso em que não é necessário o EIA-Rima, o ideal seria ter feito reuniões com a comunidade antes do EVU, e fazer o Estudo do Impacto de Vizinhança”, apontou.
    Para o dia 19 de outubro, quarta-feira, está prevista nova reunião, desta vez no Colégio Bom Conselho e com a presença de secretarias e até do prefeito. A assessoria comunitária da Smam vai organizar o encontro. A expectativa dos moradores é que desta vez o projeto seja apresentado.

  • Antigo Cinema Imperial vai virar centro de cultura

    Naira Hofmeister
    Mais um espaço cultural estará disponível aos porto-alegrenses já no final de 2006. Trata-se do Conjunto Cultural da Caixa, que vai ocupar o prédio, atualmente fechado, do antigo Cinema Imperial, na Praça da Alfândega, no centro de Porto Alegre.
    O projeto prevê a restauração de todos os 12 andares do prédio, que abrigará museu, salas multimídia, espaços para exposições e oficinas, sala de dança, cafeteria e revistaria. O destaque fica por conta da recuperação do formato de cine-teatro com capacidade para 800 pessoas, concebido no projeto original do início do século 20. “É o primeiro projeto de resgate de um formato que estava abandonado no Brasil e pode ser visto com uma incitação, um questionamento”, defende o arquiteto responsável pelo projeto, Ismael Solé, que criticou a utilização de prédios semelhantes para abrigar igrejas.
    A fachada principal, um exemplar da arquitetura Art Déco no Brasil, vai ser mantida. Porém, a fachada de fundos vai ganhar ares contemporâneos, sendo toda envidraçada. O custo total do projeto, orçado pela Caixa, gira em torno de R$ 13 milhões, que inclui a recuperação da fachada e da parte interna do prédio, além da construção de um anexo. O projeto Monumenta vai colaborar com uma parte da verba, cerca de R$ 1 milhão.
    O prédio do cinema Imperial foi tombado como patrimônio municipal em abril desse ano. Para a reforma, foi necessária uma negociação entre a prefeitura de Porto Alegre e a Caixa Federal. Para o Conjunto Cultural da Caixa, estão reservados os quatro primeiros andares e o prédio anexo. A prefeitura municipal ficará com os oito andares restantes para atividades administrativas. Como a verba da reforma será quase toda do banco, a contrapartida da prefeitura foi ceder por 30 anos a utilização dos andares inferiores da construção.
    O prefeito José Fogaça esteve presente no lançamento e elogiou a iniciativa: “A revitalização do centro é impossível sem o apoio de outras instituições, publicas ou privadas, para restabelecer os usos que decaíram com o tempo”. Fogaça defendeu que o centro de Porto Alegre deve voltar a ter grande circulação, mas que não são os visitantes que irão garanti-la: “Acreditamos que incentivando a moradia no centro, vamos ter novamente o clima de tempos atrás”. O prefeito lamentou o fato de não poder contar com a Guarda Municipal para ajudar na segurança: “A prefeitura está impedida de realizar policiamento, pelo menos por enquanto”.
    Segundo as perspectivas da equipe responsável pelo projeto na Caixa Econômica, o Conjunto Cultural somado ao Multipalco do Theatro São Pedro, irá atrair para o centro um público novo de 2.500 pessoas, circulando principalmente à noite e aos finais de semana.
    A intenção da Caixa é manter o caráter popular do Cinema Imperial nos últimos anos, porém, qualificando o serviço oferecido. Assim como no Conjunto Cultural existente em Curitiba, o de Porto Alegre terá assistência direta de artistas locais para montar sua programação. Além de buscar atrações externas, também vai montar seus próprios espetáculos. A capital do Rio grande é a quinta cidade do país a receber o projeto cultural, de um no total de oito previstas.

  • Atitude da Brigada Militar lembra os tempos da ditadura

    A imprensa deu ampla cobertura e criticou ferozmente a lambança que a Brigada Militar fez no estádio Beira-Rio na tarde de domingo, 2 de outubro. O que ainda não foi dito sobre o episódio depõe ainda mais contra a corporação.
    É que a briga na torcida organizada Camisa 12, iniciada depois dos 40 minutos do segundo tempo da partida, tinha sido apaziguada pelos próprios integrantes quando os policiais chegaram no local.
    Só que não eram oficiais quaisquer. No capacete deles estava inscrito BOE – Batalhão de Operações Especiais, algo equivalente à Tropa de Choque. E os brigadianos que foram dar fim ao tumulto não quiseram saber de explicações de que os briguentos já tinham sido separados, nem procuraram saber quais eram os envolvidos para levá-los para fora do estádio, como se faz normalmente. Ou seja, ao invés de acabar com a bronca, reiniciaram o tumulto.
    Desceram a lenha na torcida, sem fazer distinção. Logo se abriu um clarão na massa, quase todo mundo com os braços erguidos, mostrando que nada tinha a ver com a briga. Não adiantou. Foram mais cinco minutos de uma trégua de segundos interrompidas por novas agressões.
    Logo, toda a massa estava contra os policiais, trocando o olé!, olé!, olé!, Inter!, Inter!, por Uh!, uh!, uh!, Brigada p.-no-c!. e outros xingamentos aos policiais, que não aceitavam as provocações e partiam pro pau de novo.
    Quando o jogo acabou, a urbe se concentrou no conflito e correu os brigadianos da arquibancada. Era o momento que milhares de pessoas esperavam para fugir daquele inferno. Iniciou-se uma correria, evitada pelos pedidos de “calma”, “não corre” dos mais experientes.
    Não adiantou porque tão logo foi expulsa da arquibancada, a Brigada passou a jogar bombas de efeito moral, uma atrás da outra. E bota efeito moral nisso, aquilo parecia o Iraque. A arquibancada tremia, mulheres e crianças gritavam e a fumaça liquidava com os olhos e o nariz de quem não protegesse com um pano.
    Com a multidão dispersa, a Brigada voltou para terminar de esvaziar a arquibancada, dando de cassetete em mais gente inocente, inclusive em setores do estádio que nada tinham a ver com a confusão, como a Popular e a Social.
    A massa não perdoou: Covardes! Covardes! Covardes! O comandante do policiamento no Beira-Rio foi afastado, o governador em exercício Antônio Hohlfeldt se desculpou, mas o episódio manchou de forma irrevogável a imagem da Brigada.
    Quem sofre na pele também são os policiais, que nada tiveram a ver com o incidente. Nas ruas, bastava ver um deles fardado para pipocarem os comentários maldosos, como o de um grupo de taxistas, que alertaram um colega que passou na frente do PM. “Cuidado que o cara vai te dar porrada”.
    Guilherme Kolling