Prometida para este final de ano, a conclusão das obras do Hospital de Pronto Socorro provavelmente só vai acontecer nos primeiros meses de 2015.
Em setembro, a Secretaria Municipal da Saúde anunciou que o bloco cirúrgico estaria pronto em novembro e o setor de emergência um mês depois.
Num relatório de janeiro, a previsão era junho.
Agora a secretaria prefere falar das dificuldades de fazer obras num hospital funcionando e ter que mexer num prédio antigo (70 anos) que é tombado pelo patrimônio público.
Em resposta a um questionário do JÁ, enviado via assessoria de imprensa, a direção diz apenas que “a reforma avança entre muitas dificuldades,a não específicamente financeiras”.
De acordo com os últimos dados divulgados, o custo do novo bloco cirúrgico está dentro do previsto: R$ 3,6 milhões. Mas a reforma da emergência, no térreo e em parte do primeiro andar, orçada originalmente em R$ 8,9 milhões, vai custar R$ 13,3 milhões, ou seja: 30% a mais.
Eis as perguntas que enviamos ao HPS:
Pontos sobre os quais gostaríamos de ser esclarecidos, para elaborar uma matéria sobre a reforma:
1. Já tem data para a conclusão das obras? Em setembro, foi anunciado que seriam entregues em duas etapas, neste fim de ano: o bloco cirúrgico em novembro e a emergência em dezembro. Está mantido esse cronograma? É possível detalhar o que foi feito em cada um?
2. O orçamento inicial para a reforma do setor de emergência (térreo e parte do primeiro andar) era de R$ 8,9 milhões, conforme foi divulgado na época. Na placa na frente da obra informa que serão R$ 11,6 milhões. Em setembro, quando anunciou a conclusão das obras para o fim do ano, a SMS informou o custo de R$ 13,3 milhões. Por que essas diferenças?
3. Outras informações que possam ser úteis aos leitores.
Resposta da diretora:
“O HPS está passando pela maior reforma de seus 70 anos de história, sem suspender nenhum serviço ao público. Por ser referência absoluta em atendimento de trauma (quase metade dos atendimentos são de pessoas de fora de Porto Alegre), a SMS, juntamente com a Direção do HPS, decidiu tocar o projeto de reforma sem paralisar nenhum setor, pois isso significaria simplesmente risco de morte para os que procuram o HPS.
A reforma avança entre muitas dificuldades, e não são especificamente as financeiras. São principalmente questões relacionadas ao fato de mexer estruturalmente em um prédio que é patrimônio histórico (com as limitações que isso impõe), que não tem mais espaço lateral para explorar (está espremido entre a Osvaldo Aranha e a Venâncio Aires) e os pavimentos não suportam uma ampliação vertical, como a construção de mais andares.
A mesma limitação estrutural impõe limites ao peso de equipamentos (como tomógrafos e outros extremamente pesados) em pavimentos acima do térreo. O projeto busca construir nos espaços que ainda existem entre os três prédios (grosseiramente falando, o HPS visto de cima lembra um pé de galinha) e adaptando as estruturas existentes da melhor forma possível.
Todas estas circunstâncias criaram vários desafios de engenharia, pois os parâmetros atuais de construção para uma unidade de saúde como o HPS trazem exigências e certificações que não existiam em outros tempos, como janelas de metal bem vedadas, à prova de som, que não se encontram em qualquer loja de material de construção, e uma série de imposições tecnológicas das quais não se pode escapar quando se constrói um novo e moderno hospital”.
Autor: Elmar Bones
HPS: obras vão entrar em 2015
Esculturas voltam ao parque
Se o tempo ajudar, haverá ato ao ar livre na próxima semana para marcar a entrega das três primeiras obras de artes do parque da Redenção, restauradas com patrocínio privado.
Ao todo, serão recuperadas, entre monumentos, estátuas e bustos, 12 obras do parque, danificadas ou roubadas. O projeto marca os 65 anos do Sinduscon e tem a coordenação da arquiteta e restauradora Verônica Di Benedetti.
Três esculturas (dois bustos e um rosto), que homenageiam médicos, todas roubadas, formam o primeiro conjunto já concluído.
As tres réplicas em resina isoftálica serão recolocadas na lateral do parque junto à avenida João Pessoa.
A primeira a ir para o lugar foi a cabeça (herma) do médico Heitor Annes Dias(1884/1943), nascido em Cruz Alta, catedrádico da Faculdade de Medicina, que trabalhou também no Rio e alcançou reconhecimento internacional como clínico.
É uma réplica em resina da cabeça esculpida em bronze, reproduzida pelo artista plástico Luiz Henrique Mayer. Ex- aluno de Vasco Prado, Mayer é o responsável pela reprodução das esculturas em resina plástica.
Algumas, como o busto do criador da homeopatia,Samuel Hahnemann, ele teve que recriar porque não encontrou nenhuma referência da obra que foi roubada e fundida. Era um busto de Hannemann jovem, feito pelo escultor Arjonas,
Mayer fez uma pesquisa, mas as melhores referências que encontrou foi de um Hahnemann já idoso. Então, a partir delas fez uma “releitura”, envelhecendo o busto.
A cabeça de Annes Dias foi relativamente fácil de recuperar.
Havia uma réplica dela que foi encontrada no pátio da Faculdade de Medicina, a partir dela foi feito um molde para a cópia em resina.
Semelhante foi o caso do busto do médico Licinio Cardoso.
Quando foi instalado no parque o busto em homenagem a ele, a prefeitura de Lavras do Sul, sua terra, encomendou uma réplica, para instalar na cidade. Agora, ela serviu de modelo para a reprodução.
A limpeza do Monumento ao Expedicionário é a ultima etapa do projeto, prevista para o final de novembro.
A assessoria de imprensa do Sinduscon distribuiu a seguinte nota sobre o evento marcado para terça-feira, dia 11:
Sinduscon/RS entrega primeira fase das obras de restauro do projeto cultural que marca os 65 anos da entidade
Até o final do ano, todos os monumentos previstos no programa serão entregues à cidade totalmente restaurados. No próximo dia 11 de novembro, às 11h, o Sinduscon/RS fará a entrega dos monumentos restaurados do eixo da Av. João Pessoa, que fazem parte do projeto cultural em homenagem aos 65 anos da Entidade.Ao total, 12 obras instaladas no Parque Farroupilha integram o projeto.
“É um prestação de contas do trabalho que vem sendo realizado pelo Sinduscon à sociedade”, diz o coordenador do projeto e vice-presidente da Entidade, Zalmir Chwartzmann.
O encontro com as autoridades está marcado em frente ao monumento “Os Lusíadas”, na Av. João Pessoa.Na terça-feira, serão entregues as obras “Os Lusíadas”, “Busto de Annes Dias”, “Busto de Licínio Cardoso” e “Busto Samuel Hahnemann”.
Para evitar que os furtos se repitam, geralmente com o objetivo de venda a peso do metal, o escultor Luiz Henrique Mayer utiliza técnica de modelagem em resina com carga de pó de bronze, obtendo efeito muito semelhante ao original, mas sem valor comercial em relação ao material empregado.
“Iniciei este tipo de trabalho nos anos de 1997, durante minha formação. Trabalhando ao lado do escultor Vasco Prado tivemos a necessidade de elaborar um catálogo com suas obras em bronze. Devido ao custo altíssimo que seria para fazermos todas as peças em bronze, tivemos, então, a ideia de reproduzirmos as obras com material mais em conta”, lembra ele.
Na época, eles usaram cera em lugar de resina e, após, pátina em bronze. “Funcionou muito bem para o momento, então ao longo do tempo, fui buscando informações e outros materiais para utilizar, culminando no resultado apresentado nos respectivos monumentos restaurados no parque Farroupilha”, explica ele sobre as técnicas utilizadas no projeto do Sinduscon.
Na obra “Os Lusíadas”, de 1972, o restauro consiste em placa em bronze com suporte de concreto armado.
Homenagem do quarto centenário do poema épico de Luis de Camões, as intervenções neste monumento foram: limpeza, estabilização da oxidação existente nas ferragens que se encontravam expostas, reintegração em argamassa de cimento das partes em que houve perda na estrutura de concreto, fixação da placa de bronze que estava solta devido a tentativas de roubo e pintura da base de concreto na cor concreto.
No “Busto de Annes Dias”, de 1949, as intervenções foram: limpeza e desinfestação de sujidades como biofilme (manchas criadas por microorganismos), depósitos superficiais e manchas decorrentes da oxidação dos elementos em bronze. Reprodução baseada em réplica dos originais e modelagem artística dos elementos decorativos e aplicação de protetivo anti pichação. Reprodução dos dizeres originais em alto relevo, em placas de granito.
“Descobri, através de registros, que durante a instalação do busto a Annes Dias em Porto Alegre foi solicitado que fosse feito uma réplica para ser fixada na faculdade de medicina da UFRGS. Consegui autorização da direção da universidade para fazer o molde em borracha de silicone com capa de gesso, misturado com fibra de vidro. Seguindo os mesmos passos dos bustos anteriores, foi feita a réplica em resina”, detalha Luiz Henrique sobre a técnica utilizada.
Ele diz ainda que, quanto aos elementos decorativos do monumento, sobrou da coroa de louros em bronze apenas uma ponta que foi fixada na atual. Já a lamparina foi novamente modelada em argila e elaborada uma forma de silicone. “Após, verti resina com carga em pó de bronze”. Como referências, ele seguiu registros fotográficos retirados do livro do Dr. Genaro Laitano e Dr. Nicolau Laitano “Memorial em bronze e granito aos médicos em nossa cidade”.
Na obra “Busto Samuel Hahnemann”, de 1943, as interferências foram: limpeza, rejuntamento e complementação da base em argamassa de cimento. Confecção de placa de concreto pra fechamento superior substituindo elemento roubado. Reprodução dos dizeres originais em alto relevo, em placas de granito. Confecção de busto do homenageado numa releitura 2014 do monumento e aplicação de protetivo anti-pichação.
“Neste monumento, procurei imagens que servisse de referências, iniciando por modelagens em argila do busto, seguindo medidas dos registros. Após, fiz uma forma em gesso, em que foram dados os últimos detalhes e acabamentos. A escrita foi copiada do nome do homenageado em sua base.
Após esta etapa, foi feito uma nova forma, agora em silicone com capa de fibra de vidro e resina. A partir dessa forma, foi feita a réplica em resina isoftálica e pó de bronze, seguindo uma mistura de 5 partes de resina e uma de bronze em pó (pó muito fino elaborado com laser chega e ser mais fino que talco). A espessura da camada desta escultura atinge uns 5cm.
Depois foi colocada uma manta de fibra de vidro para dar estrutura e para não ficar oca. Toda a parte interna foi preenchida com poliuretano proporcionando rigidez e leveza”, explica Mayer sobre a técnica utilizada na reprodução. “Fiz a modelagem em argila do novo busto por não haver qualquer réplica do antigo monumento, nem tampouco algum com as mesmas medidas”, complementa.
No monumento “Busto de Licínio Cardoso”, de 1952, as intervenções foram: limpeza, desinfestação de biofilme e remoção das pichações, aplicação de protetivo anti pichação.
“Através de registros, descobri que quando foi feito o monumento em Porto Alegre também foi colocado uma réplica do mesmo na cidade natal deste importante médico, Lavras do Sul. Então me dirigi até a cidade e, durante três dias, elaborei um molde de silicone com capa de gesso do busto, executado e assinado pelo escultor Arjonas.
Este silicone foi espatulado por todo o busto formando uma camada de borracha. Depois, fiz uma capa em gesso misturado com fibra de vidro, proporcionando rigidez e leveza à capa. A partir disso, fiz a réplica seguindo os mesmos procedimentos do Busto Hahnemann”, conta Mayer.
Resgate do Patrimônio histórico
As ações de resgate do patrimônio histórico, que contam com o patrocínio do NEX Gruop e da Cyrela Goldsztein, são coordenadas pela arquiteta e restauradora Verônica Di Benedetti.
Elas se propõem a resgatar 12 monumentos instalados no Parque Farroupilha. “O parque possui vasto acervo escultórico, contando com mais de 30 peças escultóricas ao ar livre. Peças dos mais variados autores, estilos e épocas, contando através deste acervo a história da sociedade porto-alegrense, seus valores, seus avanços tecnológicos, modismos e cenas da história mundial”, destaca Verônica.
Para este primeiro projeto, resultado da parceria entre o Sinduscon-RS e a Prefeitura Municipal de Porto Alegre foram selecionados 12 monumentos. São eles: Cabeça de Chopin, Cabeça de Chopin, Monumento a Carlos Gomes,Homenagem a Beethoven, Busto de Annes Dias, Busto de Licínio Cardoso, Busto de Samuel Hahnemann, Os Lusíadas, Homenagem aos Mortos em Combate ao Comunismo, Coluna Brasileira, Obelisco da Comunidade Sírio-libanesa, Obelisco da Comunidade Israelita e Monumento ao Expedicionário. Os critérios para sua seleção foram localização dentro do espaço do Parque, visibilidade junto a comunidade, material constituinte (predominantemente rochas) e representatividade dentro do seu estilo e época.Umbandistas mandam recado a Fortunati: "Tempo de ser palhaço acabou"
Aureo Dutra Rodrigues, o pai Aureo, líder dos umbandistas de Porto Alegre fez um duríssimo pronunciamento na Camara de Vereadores de Porto Alegre, na tarde desta segunda-feira,3. Ele acusou o prefeito José Fortunati de discriminação contra a religiao.
A prefeitura não quer liberar o Largo Glénio Peres, defronte ao Mercado Público, onde há 20 anos se realiza, em novembro, a Semana Umbandista e Africanista. promovida por 122 entidades que congregam 28.500 pessoas em Porto Alegre.
O pedido foi feito em setembro, até agora não teve resposta. O evento está marcado para 15 e 16 de novembro, com convidados de vários Estados e de outros países.
Disse o líder religioso que o prefeito José Fortunati está desrespeitando uma tradição religiosa e uma instituição.
No auge da indignação, pai Aureo mencionou até um “levante da religião” e se mostrou irritado com a “enrolação” do prefeito. “Ninguém é bobo mais. O tempo de ser palhaço acabou”.
Sobrou também para os vereadores.
Confira o áudio na íntegra:
Falta imprensa na democracia brasileira
Mal falaram as urnas e a tropas estão na rua.
As tropas da mídia corporativa – Veja/Abril, O Globo, Rede Globo, afiliados e enteados, Estado de São Paulo, Folha de São Paulo que trabalham em sintonia – um exército midiático, com infantaria, artilharia e uma força aérea invejável.
Escancaradamente, foram a vanguarda da oposiçao ao governo Dilma e à sua reeleição. Tentaram até um golpe com uma edição patética da Veja.
Derrotados, lançam em seguida o contra-ataque: a tese, questionável, de que o país saiu da eleição dividido.
Quem mais do que a imprensa teria autoridade para fazer a pergunta?
Que país é esse que saiu desta eleição extraordinária ?. E ir atrás da resposta.
Não, a resposta está pronta. O país está dividido, há “crises institucionais programadas”, como diz Mervel Pereira, em O Globo.
O pior é uma visível orquestração: diz o editorial do Globo que “o país saiu dividido entre os que produzem e pagam impostos e os que se beneficiam dos programas sociais”.
Diz o editorial de Zero Hora: “É preciso pacificar a nação”.
Rosane Oliveira, colunista política:
“Ou é retórica ou é auto-engano a afirmação da presidente de que o país não está partido ao meio” (…)
“Não importa que Dilma seja eleita pelo dos mais pobres, o governo não pode deixar de olhar para os estados que produzem a riqueza necessária para financiar os programas sociais”.
O próprio Merval Pereira em O Globo esclarece essa atitude tão agressiva da “imprensa profissional”, como ele diz, em relação ao governo: a regulação da mídia, tema inaceitável, indiscutivel pelos donos da mídia.
Apegados a uma posição autoritária, esses grupos abandonam o compromisso com o jornalismo e a comunicação, em defesa de privilégios.
Colocam-se ostensivamente na vanguarda de um movimento de contestação.
Ao difundir a tese, questionável, de que o país está dividido, sugerem a falta de legitimidade do governo, recém-eleito e que nem começou.
Uma imprensa que age assim não corresponde ao que demanda uma democracia, ainda mais uma democracia incipiente como a nossa que tem tantos desafios pela frente.
Sarau intimista homenageia Armando Albuquerque
O compositor e pianista Armando Albuquerque é o quarto homenageado no Unimúsica, que neste ano comemora os oitenta anos da Universidade do Rio Grande do Sul, apresentando uma série de concertos de sete importantes compositores gaúchos.
Todos eles têm uma especial relação com Porto Alegre, seja porque aqui nasceram ou viveram uma parte importante de suas vidas, seja porque aqui fizeram sua formação, deram início ou firmaram sua trajetória profissional.
Além disso, os sete compositores também têm em comum o fato de apresentarem em suas biografias algum tipo de vínculo com a UFRGS.
A homenagem a Armando Albuquerque, no dia 6 de novembro, terá a um sarau intimista, reúne obras do compositor e a poesia de seus companheiros do modernismo porto-alegrense.
Na música, as peças para piano de Albuquerque com CELSO LOUREIRO CHAVES. Nos poemas, trechos de Augusto Meyer, Athos Damasceno Ferreira, Ruy Cirne Lima e Theodemiro Tostes, na voz de MIRNA SPRITZER.
Armando Albuquerque (1901-1986) foi um dos mais importantes compositores da música erudita brasileira e morou em Porto Alegre a maior parte de sua vida. Classificar a música dele é bem difícil, pois ali tem de tudo: desde as peças muito curtas do início da carreira, quando ele foi colega de Radamés Gnattali na Escola de Belas Artes de Porto Alegre (hoje Instituto de Artes da UFRGS) até as peças mais longas, muito dramáticas, do final da vida.
Para Armando Albuquerque foram 60 anos de música e no Unimúsica o pianista e compositor Celso Loureiro Chaves, que foi aluno dele nos anos 1970, vai mostrar boa parte da produção para piano, da primeira peça, “Pathé-Baby” de 1926, à última, “Sonho III” de 1974.
A poesia, na voz da atriz Mirna Spritzer, lembrará que, nos anos 1920 e 1930, era com os poetas que Armando Albuquerque dialogava; não era com os músicos.
Além disso, foi nos seus amigos poetas que ele foi buscar a inspiração para compor canções eruditas nos anos 1940.
No Unimúsica, vão aparecer poesias de “Poemas da minha cidade” de Athos Damasceno, de “Poemas de Bilu” de Augusto Meyer, vários de Theodemiro Tostes e alguns de “Colônia Z” de Ruy Cirne Lima.
O diálogo da música de Armando Albuquerque com a poesia dos seus companheiros de bar inspirou o Unimúsica de Celso e Mirna.
No palco, música e poesia vão ser colocadas lado a lado. Levando em conta que raramente elas são ouvidas ou lidas, fica a pergunta: por que Porto Alegre dá as costas à sua cultura do passado, despreza tanto a música erudita e a poesia de tempos atrás?
O Unimúsica pretende responder essa pergunta da única maneira possível: tocando, lendo, ouvindo, recitando.
Na música, voltarão os sons trepidantes de Armando Albuquerque com as suas várias correntes, tendências e estilos.
Na poesia, será um momento para relembrar cenas da memória sentimental de uma cidade – Porto Alegre – que desapareceu para sempre.
UNIMÚSICA 2014 | SÉRIE COMPOSITORES – A CIDADE E A MÚSICA
06 de novembro: Armando Albuquerque por Celso Loureiro Chaves, Mirna Spritzer e convidados | Direção de Celso Loureiro Chaves
27 de novembro: Vitor Ramil por Chico César
04 de dezembro: Lupicínio Rodrigues por Adriana Calcanhotto
17 de dezembro: Barbosa Lessa por Yamandu Costa e Camerata Pampeana do Maestro Tasso Bangel | Direção de Renato Mendonça
HOMENAGEM A ARMANDO ALBUQUERQUE POR MIRNA SPRITZER E CELSO LOUREIRO CHAVES|DIREÇÃO DE CELSO LOUREIRO CHAVES
Data: 06 de novembro – quinta-feira – 20h
Local: Salão de Atos da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110)
Retirada de senhas através da troca de 1kg de alimento não perecível por ingresso a partir de 03 de novembro, das 9h às 18h, no mezanino do Salão de Atos da UFRGS ou pelo site www.difusaocultural.ufrgs.br
Informações: Lígia Petrucci | 3308.3933 | 3308.3034 |ligia@difusaocultural.ufrgs. br
Tarso minimiza antipetismo: "Sartori se enquadrou melhor"
Em suas primeiras declarações depois da eleição, Tarso Genro disse que os votos que elegeram Ivo Sartori correspondem a um “real desejo de mudança da população”.
Deu a entender que Sartori venceu porque soube interpretar melhor o sentimento de mudança do eleitorado.
“Se enquadrou melhor no atual cenário de expectativas políticas”, disse Tarso, num início de autocrítica de sua campanha.
Na contramão de todas as avaliações, o governador minimizou o peso do antipetismo no resultado, dizendo que se isso fosse verdadeiro, ele não teria sido eleito em 2010.
O pior cenário desenhou-se para Tarso Genro no Rio Grande do Sul quando se abriram as urnas do primeiro turno.
Sua campanha parece ter esquecido experiências anteriores, em que a disputa se polarizou em dois candidatos e um terceiro concorrente, longe do embate entre os favoritos, correu por fora e ganhou a eleição.
Foi exatamente isso que aconteceu em 2002, com Germano Rigotto. Foi mais ou menos o que ocorreu com Yeda Crusius na eleição seguinte.
A candidatura de Ana Amélia (que se elegeu senadora com votação espetacular em sua primeira eleição, em 2010), apoiada pelas forças conservadoras, com a mídia à frente, pareceu imbatível em certo momento e o PT acreditou nisso. Concentrou-se nela, descuidando do “gringo” que, com sua imagem de bonachão, seu discurso quase simplório, foi fazendo a feira.
Esse “mito” do “gringo da colônia”, homem simples, honesto, agregador, já causou grandes dissabores às forças de esquerda no Rio Grande do Sul.
O exemplo histórico é o de Ildo Meneghetti, um apagado engenheiro que entrou na política aos 52 anos e derrotou as principais estrelas do trabalhismo na época – Alberto Pasqualini e Leonel Brizola.
A eleição de Meneghetti, para governador do Rio Grande do Sul em 1962, abriu caminho para o golpe militar que derrubou Jango em 1964.
A região colonial, que cobre a metade norte do Estado, é a mais industrializada e mais desenvolvida, em contraste com as áreas estagnadas da metade Sul.
Eleitoralmente mais densa, ainda tem uma grande influência do clero conservador, medularmente anticomunista e, por decorrência, antipetista.
As denúncias que a semanas do pleito atingiram a imagem de Ana Amélia, de moralidade e austeridade, abriram o caminho para Sartori.
O antipetismo percebeu que a senadora seria uma adversária frágil no segundo turno e jogou suas fichas no “gringo” Sartori.
Candidatura vacilante, de um partido dividido (seu slogan era “Meu partido é o Rio Grande”), ganhou força com o horário eleitoral gratuito e a partir daí começou a receber os votos que desembarcavam de Ana Amélia.
Acabou chegando à frente no primeiro turno e não largou mais a dianteira.
Quando iniciaram-se os debates, as fragilidades da candidatura Sartori ficaram evidentes e as pesquisas chegaram a registrar a reação de Tarso.
Na última semana, Sartori, numa entrevista no portal Terra, fez uma piada de mau gosto com o “piso salarial”, bandeira permanente da categoria.
Com o escorregão, bem explorado pelo PT. pareceu que haveria uma virada.
O próprio candidato petista e sua equipe acreditaram nisso até o final.
Em suas primeiras declarações depois da eleição, Tarso Genro disse que os votos que elegeram Sartori expressaram um “real desejo de mudança da população”.
Deu a entender que Sartori venceu porque soube interpretar melhor o sentimento de mudança do eleitorado.
“Se enquadrou melhor no atual cenário de expectativas políticas”, disse Tarso.
Na contramão de todas as avaliações, o governador minimizou o peso do antipetismo no resultado final, que deu vantagem de 1,5 milhão de votos a José Sartori.
RESULTADO FINAL DA ELEIÇÃO 2014 PARA GOVERnO DO RIO GRANDE DO SUL:
José Ivo Sartori, PMDB: 61,21% (3,9 milhões de votos)
Tarso Genro, PT: 38,79% (2,4 milhões de votos)Veja sintetiza o passo-a-passo do mau jornalismo
A capa da Veja, antecipada para sexta-feira nesta semana, é o desfecho de uma estratégia previsível desde o dia 8 de outubro quando Paulo Roberto da Costa, ex-diretor da Petrobras, começou a dar seus depoimentos, primeiro à Polícia Federal, em delação premiada, depois à Justiça Federal do Paraná.
Costa homologou seu acordo de delação premiada com a Polícia Federal no dia 30 de setembro.
Em sua edição datada de 30 de setembro ( impressa no sábado anterior, 27 de agosto) a revista Veja já antecipava as linhas gerais das denúncias que Costa vinha fazendo, em longos depoimentos sigilosos à PF, visando o acordo de delação.
“Paulo Roberto Costa começa a revelar nomes dos beneficiários do esquema de corrupção da Petrobras”
“Sergio Cabral, Roseana Sarney, Eduardo Campos, Renan Calheiros e Edison Lobão estão entre os citados nos depoimentos do ex-diretor da Petrobras”
“Dinheiro sustentava a base aliada do PT no Congresso”.
A revista não dava a fonte de suas informações “que podem jogar o governo no centro de um escândalo de corrupção de proporções semelhantes às do mensalão”.
O assunto foi manchete em todos os jornais nos dias seguintes à publicação, dando a Veja como fonte das informações.
Na quarta-feira, 8, Costa começou a ser ouvido também pela Justiça Federal, falando por duas horas em seu primeiro depoimento.
Minutos depois de encerrado o depoimento, às 18h51 o Estadão publicava em seu site: “Ex-diretor da Petrobrás diz que pagou propina ao PT, PMDB e PP”.
Às 19h26 a Folha de S. Paulo postava: “Esquema da Petrobrás irrigou campanha do PT, PMDB e PP”. Aí já aparecia uma fonte:o advogado Haroldo Nater, que defende um dos implicados no processo,como laranja do doleiro Yousseff.
Às 20h31, foi a vez do site de O Globo: “Dinheiro desviado da Petrobrás foi para a Campanha de Dilma” (na atualização às 21h07 mudou: “Dinheiro desviado da Petrobrás foi para a campanha de 2010”).
Aí a fonte é o advogado de Roberto Costa, Antonio Figueredo Bastos, que acompanhou a audiência e após “falou à imprensa”.
Não deu nomes, apenas disse que “são agentes políticos os mandantes”. Não cita também os partidos: “O advogado apenas afirmou que um deles concorre ao segundo turno da eleição presidencial”.
No dia, seguinte nas edições impressas as manchetes são praticamente iguais em todos os jornais.
Desde então, os colunistas, analistas e comentaristas tem alimentado a tese de que o “petrolão” é o mensalão da Dilma.
Agora, a 48 horas da eleição a Veja vem com uma nova capa, dizendo que Lula e Dilma sabiam de tudo o que se passou na Petrobrás.
Desta vez, porém, a Veja deu um passo em falso. Atribui a informação ao doleiro Alberto Yousseff, que prestou depoimento à Justiça na terça-feira.
O advogado de Yousseff, desta vez, negou as declarações envolvendo o ex-presidente e a candidata à reeleição, embora confirme o depoimento de seu cliente.
Dilma foi à televisão acusar a Veja de terrorismo eleitoral e disse que vai à Justiça para processar a revista.
A imprensa, em todo caso, repercute acriticamente a matéria.
É clara a estratégia de usar as denúncias da Petrobrás para desgastar a candidatura Dilma. Até agora não tem dado certo, as pesquisas mostram Dilma aumentando a vantagem às vésperas do pleito.
E com essa “bala de prata” enferrujada da Veja, o quadro tende a não se alterar, até porque a credibilidade da Veja anda no chão.
Se Dilma for reeleita como indicam a pesquisas e se pode sentir nas ruas, mais uma vez, as grandes derrotadas serão as corporações de mídia – Rede Globo e seus apêndices e afiliados, mais a Folha de S. Paulo e o Estadão, que junto com a Veja formaram um maciço bloco de oposição ao governo Dilma.Loudes Rodrigues, cantora de uma cidade ingrata
Uma vida inteira dedicada à música numa cidade que é ingrata com seus músicos.
Este poderia ser o epitáfio de Lourdes Rodrigues, a grande cantora de Porto Alegre que morreu na noite de quarta feira,22, aos 76 anos.
Com ela se vai mais um pedaço importante da memória de uma época, em que despontaram Lupicinio Rodrigues, Jessé Silva, Plauto Cruz, Peri Cunha. Ela era a cantora que melhor interpretava as músicas de Lupicínio, conforme o proprio autor.
A Dama da Canção, como era chamada, estava hospitalizada desde o início de setembro, passando por cirurgias e complicações devido à diabetes.
No inicio de outubro, seus amigos do meio artístico promoveram um show para arrecadar recursos para o tratamento da cantora. Adriana Deffenti, Marcelo Delacroix, Samuca do Acordeon, Giovani Berti, Nei Lisboa e os irmãos Ernesto e Neto Fagundes, entre outros músicos locais se apresentaram no Centro Cultural da Santa Casa..
Pouco mais de R$ 3 mil foram levantados para ajudar nas despesas hospitalares não cobertas pelo convênio que ela possuía com o Instituto de Previdência do Estado (IPE).Uma bandeira de Tarso na mão de Sartori
Na reta final Sartori se compromete com a continuidade.
Tenta assumir uma bandeira que o governo não soube defender adequadamente
* * *
Chega-se ao fim de uma campanha em que a crise das finanças públicas do Rio Grande do Sul esteve no centro dos debates.
Lamentavelmente, o aspecto mais importante desta crise ficou de lado nas discussões, mais uma vez.
Me refiro à falta de continuidade que tem marcado a administração pública no Rio Grande do Sul.
Há pesquisadores que detectam raízes históricas nesse comportamento eleitoral dos gaúchos. Não precisa ir a tanto.
Fiquemos no período recente, a partir de 1982, quando voltaram as eleições diretas para os governos estaduais.
Já foram eleitos oito governadores desde então. Nenhum conseguiu fazer o sucessor ou reeleger-se.
“Hay gobierno, soy contra!”.
Mesmo que haja algum atavismo nesse comportamento eleitoral dos gaúchos, é facil perceber que o cofre raspado é o que derruba os governos, um a um.
O ex- secretário da Fazenda, Jorge Babot Miranda, previu isso, lá em 1977.
Ele foi o primeiro a alertar que o governo do Rio Grande do Sul vinha há muito tempo cobrindo déficits continuados com empréstimos e isso estava levando a um endividamento insustentável.
Nesse caminho, advertiu, o Estado se tornaria “ingovernável”.
Desde então discute-se o déficit e a dívida e não se discute o que alimenta o déficit e a dívida.
Os governos se sucedem recomeçando quase do zero, lançando mão de expedientes – empréstimos, venda de ativos, depósitos judiciais – e chegam à próxima eleição numa situação ainda pior.
Na Secretaria da Fazenda, os antigos funcionários conhecem bem o ritual: cada novo governo leva dois anos para arrumar a casa e tomar pé na situação que encontra.
No terceiro ano, encaminha alguns projetos e prepara algumas obras… aí vem o quarto ano, o ano da eleição, do qual só lhe restam quatro meses para fazer alguma coisa…
As políticas de longo prazo, indispensáveis para alcançar a raiz do desequilíbrio, não se efetivam. A descontinuidade dos programas só piora a situação.
É lamentável, mas compreensível que o tema – a falta de continuidade – não emplaque no debate eleitoral.
No momento, só quem tem interesse nisso é o atual governador, candidato à reeleição.
E nesse ponto, ele e seu partido falharam: não quiseram levantar essa discussão antes da eleição e, na campanha, não souberam explorar o tema.
A parceria de Tarso e Dilma foi bem enfatizada, como justificativa pela reeleição.
Mas a continuidade de projetos de longo prazo não foi bem defendida. Os programas de irrigação seriam um belo exemplo…
Ironicamente, na reta final, quem levanta a bandeira da continuidade é Sartori. Seu programa no horario eleitoral nestes últimos dias, dá ênfase ao compromisso de dar continuidade às obras iniciadas por Tarso. Até um jingle foi criado.Conselheiro da Unesco fala sobre regulação da mídia
Guilherme Canela Godoi abordará questões referentes à regulação da mídia e ao papel do Judiciário na mediação de conflitos em evento nesta quinta-feira
As propostas de regulação ou de regulamentação da mídia na América Latina, como forma de fortalecer o direito à liberdade de expressão, estão no centro dos debates que serão promovidos pela Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS), no Seminário AJURIS 70 Anos, nesta quinta-feira (23/10).
Entre os palestrantes, o conselheiro regional de Comunicação e Informação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o Mercosul e Chile, Guilherme Canela Godoi, irá avaliar o atual cenário da liberdade de expressão no continente e também o papel do Judiciário na contribuição para a defesa dos direitos adquiridos.
A Unesco, a partir de relatórios que apontam as tendências do tema de forma global, identifica uma evolução na América Latina quanto à garantia, promoção e proteção da liberdade de expressão, inclusas no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Organização das Nações Unidas (ONU). “Esta evolução passa por uma agenda positiva de situações que melhoraram em relação a períodos nem tão passados, mas que precisam ser aprofundadas”, afirma Godoi.
Conforme explica, marcos legais dos meios de comunicação têm possibilitado, gradativamente, inverter a lógica do nascimento das empresas na América Latina, privadas essencialmente. Conglomerados se formaram e a comunicação de massa por muito tempo não proporcionou a diversificação de pensamentos e expressão.
A partir de novos investimentos, de uma organização da sociedade civil e de distribuições de concessões que atendem esse interesse, há, atualmente, um movimento que amplia a pluralidade de opiniões com a abertura de canais públicos e comunitários. Godoi acrescenta que a consolidação desses espaços alternativos, que dialogam com segmentos específicos da sociedade, levando em conta suas condições culturais e sociais, é condição fundamental para garantir a liberdade de pensamento e de expressão. Mas isso não é o suficiente. É preciso que haja uma política de fomento para que esses novos canais sobrevivam e tenham autonomia.
Entre os desafios, conforme o conselheiro da Unesco, está o de garantir a aplicação das legislações que garantam a liberdade de expressão. Mesmo os países que já possuem a aprovação de leis específicas sobre o tema precisam evoluir na aplicabilidade das normas em diferentes níveis. “É necessário, também, avançar na consolidação de organismos reguladores independentes, que possuam autonomia dos governos”, acrescenta Godoi.
O conselheiro da Unesco irá ampliar esse debate no painel Desafios da Regulação das Comunicações na América Latina, que será mediado pelo presidente do Conselho de Comunicação do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Túlio de Oliveira Martins, a partir das 10 horas.
Na parte da tarde, o Seminário terá sequência com o painel O Controle Social dos Meios de Comunicação. Nele, os jornalistas argentinos Martín Becerra, professor universitário, pesquisador dos Sistemas dos Meios de Comunicação e Fabio Ladetto, presidente do Foro de Periodismo Argentino (FOPEA), debaterão o modelo adotado pela Argentina para a regulação da mídia, que tem provocado polêmica e um embate entre o governo da presidente Cristina Kirchner e o grupo Clarín. Eles serão mediados pelo jornalista Flávio Porcello, professor universitário, pesquisador sobre relações entre Mídia e Poder.
O Seminário AJURIS 70 Anos – A Liberdade de Expressão na América Latina é aberto ao público. As inscrições prévias podem ser realizadas pelo e-mail: seminarioajuris70anos@ajuris.org.br. O evento conta com o patrocínio do Banrisul e o apoio da Escola Superior da Magistratura e da Clínica de Direitos Humanos da UniRitter.
SERVIÇO
Evento: Seminário AJURIS 70 anos – A Liberdade de Expressão na América Latina
Data: 23 de outubro (quinta-feira)
Onde: Auditório do Foro Central – Prédio II (Rua Manoelito de Ornellas, nº 50, bairro Praia de Belas, em Porto Alegre).
Hora: Credenciamento a partir das 9h
