Autor: Elmar Bones

  • Demissões na RBS: a ponta do iceberg (2)

    Reconheço que a metáfora é gasta e, talvez, exagerada: a midia nativa, como um Titanic em rota de colisão com um iceberg, do qual se vê apenas uma ponta, à flor d’água.
    Insisto, porém, já que uma metáfora não é uma verdade, mas um artifício, uma redução, uma tentativa, às vezes forçada, de síntese.
    No caso, a dita “mídia nativa”, expressão cunhada por Mino Carta, é um pequeno e poderoso grupo de corporações empresariais (meia dúzia, não mais) que ainda controlam a produção e distribuição de informações no Brasil.
    No conjunto e na aparência formam um reluzente e bem-sucedido setor empresarial com influência sobre todos os níveis da vida nacional.
    Inabaláveis, se atentarmos para a maneira como se comportam e como acham que podem dispor dos fatos para favorecer seus pontos de vista e seus interesses.
    Na realidade são o quê? Um corpo balofo, cevado no autoritarismo, que não consegue esconder seu mal estar com a nova realidade da democracia.
    Fizeram a “mala” puxando o saco dos militares, enquanto eles estavam no poder e podiam lhes garantir benefícios incalculáveis.
    Agora, são remanescentes de uma ordem arcaica que o pais rejeitou.
    Claro, ainda continuarão mantendo a pose por algum tempo. A orquestra continua tocando e ainda ha muito uisque a bordo.
    Mas o iceberg da realidade é incontornável.

  • Demissões na RBS: a ponta do iceberg

    O que apareceu até agora das mudanças na RBS é a face mais visível de um plano estratégico, que não é coisa da cabeça do Duda Melzer.
    Ele mesmo diz, em sua desastrada nota, que foi trabalho de um ano.
    Com certeza, envolveu toda a cúpula da empresa e teve a influência de altas e renomadas consultorias externas.
    As demissões, que não devem se limitar às 130 já anunciadas, apenas revelam o aspecto mais agressivo, mais impactante do processo. Não o essencial, certamente.
    “Otimizar custos” é o sentido claro do corte de pessoal. Centralizar a produção de certos conteúdos, comuns aos diversos jornais impressos, como foi anunciado, é o caminho óbvio nessas circunstâncias.
    Nada disso, porém, toca no essencial. São paliativos ante a questão central para a qual eles não têm resposta: como manter a hegemonia num “mercado” que se altera rápida e inevitavelmente.
    Em seu diagnóstico,  cita-se apenas a internet como o agente das mudanças, o responsável pelos “novos hábitos de consumir de mídia”, como diz Duda Melzer.
    O buraco é mais em cima. Não é só a tecnologia que determina as mudanças.
    Há uma sociedade cuja qualidade política se altera, há um processo de organização e participação que avança na contra-mão dessa dominação dos meios informativos.
    As grandes corporações de mídia não estão perdendo terreno porque fazem mal o que fazem (embora isso também seja verdadeiro, quando se trata de jornalismo).
    A questão é que essas gigantescas e esclerosadas estruturas não dão mais conta das novas demandas por informação e diversidade que a sociedade hoje apresenta.
    Esse jornalismo faccioso, sustentado por grandes anunciantes, não engana mais ninguém. Não adianta mudar de plataforma.
    A crise na RBS é a ponta de um iceberg rumo ao qual navega impávido o Titanic de toda a dita “mídia nativa”, cevada na ditadura.

  • Negócio do livro é tema de seminário

    O Clube dos Editores do Rio Grande do Sul promove no dia 15 de agosto, a sexta edição do Seminário O Negócio do Livro. O ciclo de palestras acontece no Goethe-Institut Porto Alegre (Rua 24 de outubro, 112), das 9h às 20h.
    O evento é voltado para bibliotecários, escritores, professores, editores, estudantes e pessoas interessadas nos desdobramentos do mercado editorial.
    Serão abordados temas como: o futuro das livrarias, as novas formas de disponibilização de acervo, organização das editoras de pequeno porte, estratégias de atuação em mercados de nicho, a divulgação do livro na imprensa, além da apresentação de uma pesquisa inédita de venda de livros no Brasil realizada através da ferramenta Nielsen Bookscan.
    O seminário é aberto ao público e as inscrições devem ser realizadas pelo site www.clubedoseditores.com.br. O investimento é de R$80,00 para estudantes, associados ao Clube dos Editores/RS e AGES, e R$120,00 para o público em geral. Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail: secretaria@clubedoseditores.com.br
    O evento tem apoio do Goethe-Institut Porto Alegre.
    Confira a programação completa:
    9h – Credenciamento
    Inscrições e entrega de material
    9h30 – Mesa: O futuro das livrarias – com Samuel Seibel (Livraria da Vila) e Gelso Lovatel  (Livraria Vanguarda)
    Assunto: a situação atual do comércio livreiro e caminhos a seguir
    11h15 – Palestra:  Biblioteca digital e livro por assinatura – com Roberto Bahiense (Nuvem de Livros)
    Assunto: Os livros “por assinatura” e outras novas formas de disponibilização de acervo, um novo modelo de negócios na cadeia do livro.
    12h30 – Intervalo para almoço
    14h – Palestra:  Estratégias para os pequenos – com Haroldo Ceravolo (Libre –Liga Brasileira de Editoras)
    Assunto:  Organização das pequenas editoras e os rumos do mercado, nessa época de concentração das livrarias e das grandes editoras e com a entrada da Amazon, entre outros fatores.
    15h30 – Mesa:  Livros para a alma – com Mark Carpenter (Mundo Cristão) e André Alt (BesouroBox)
    Assunto: As estratégias de atuação em mercados de nicho (auto-ajuda, religiosos, espiritualistas). O público protestante/evangélico é composto de cerca de 45 milhões de pessoas no Brasil.
    17h – Coffebreak
    17h30 – Mesa: O livro no Jornal – com Carlos André Moreira (Zero Hora)
    e Maria Fernanda de Carvalho Rodrigues (Estadão)
    Assunto: A divulgação de livros na imprensa, o espaço do livro no jornal, a relação entre editoras e jornalistas, etc.
    19h – Palestra:  Bookscan, a pesquisa sobre venda de livros no Brasil – com Ismael Borges (Nielsen/Bookscan)
    Assunto: Pesquisa inédita de venda de livros no Brasil realizada a partir de dados consolidados das maiores redes de varejo através da ferramenta Nielsen Bookscan, mostrando a evolução ao longo do último ano, com os devidos estudos de gêneros.
    VI Seminário O Negócio do Livro
    Dia 15 de Agosto 2014
    Das 9h às 20h
    Goethe-Institut Porto Alegre – Rua 24 de outubro, 112
    Inscrições:
    Estudantes, associados Clube dos Editores/RS e AGES • R$80,00
    Público em geral • R$120,00
    Inscrições • www.clubedoseditores.com.br

  • RBS "desapega" do jornalismo para continuar crescendo

    O presidente da RBS, Eduardo Melzer, está certo: mudar não é opcional, é questão de sobrevivência para os grupos empresariais que têm origem nos meios tradicionais de comunicação – rádio, tevê e jornal.

    Ante as “transformações radicais” provocadas pela internet, os meios precisam se reinventar, sem dúvida.

    As dúvidas começam quando se tenta ver os rumos da mudança, que envolve a maior empresa de comunicação do Sul do país

    Em sua carta aos funcionários, Melzer menciona “os ajustes que precisam ser feitos para continuarmos crescendo”. Aí estaria incluida a demissão de 130 funcionários, “principalmente da operação dos jornais”.  Se a maioria forem jornalistas, como se diz, sinaliza uma direção.

    Melzer diz, com razão, que “os modelos tradicionais estão altamente desafiados”. Não diz, mas se presume: os jornais impressos, mais que tudo.

    Por outro lado, há um “mundo novo” conformado pelo  “avanço tecnológico e a forma de consumir mídia” quenunca geraram tantas oportunidades e tanta abertura para a inovação”.

    Como o grupo vai enfrentar a crise anunciada dos jornais? A medida concreta é o corte de custos. O jornal Zero Hora passou por uma reforma radical recentemente, mudou até o nome para ZH. Graficamente, ficou mais limpo, mais simétrico, mas com menos espaço para as notícias (a coluna política foi reduzida em quase um terço).

    A prometida qualificação do conteúdo não ocorreu, a não ser pontualmente. O grau de independência aos interesses comerciais e políticos também não aumentou.

    Embora proclame diariamente nos editoriais sua disposição para a imparcialidade, o noticiário é usualmente engajado.

    A reforma da Zero Hora começa agora a ser replicada em outros jornais do grupo “Nesta quarta-feira, 6,  Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina entram também nessa nova fase”. O grupo tem dez títulos impressos no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O que não é dito: a crise do jornalismo impresso não decorre só da internet.  É mais ampla: é também a crise de um modelo de negócio, em que o jornalismo é sustentado pela publicidade. Desfazer-se do papel, não vai alterar o desgaste desse tipo de jornalismo num universo em que a palavra vai ser: credibilidade. E na televisão, onde a RBS é lider inconteste há décadas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina?  “Teremos nesse ano as 18 emissoras com equipamentos totalmente renovados e tecnologia de última geração, cobrindo com sinal digital o Rio Grande do Sul e Santa Catarina antes do prazo determinado pelo governo federal”. E no rádio, origem do grupo? “Em rádio, nosso alcance cresceu com o lançamento da Gaúcha Serra, da Gaúcha Santa Maria e da Gaúcha Zona Sul. O rádio também tem feito um excelente trabalho na internet”. Melzer faz profissão de fé “no jornalismo de qualidade, na comunicação e no desejo cada vez maior por conteúdo de entretenimento diferenciado”. A decisão, diz ele,  é “investir em atividades e negócios que geram resultados positivos e deixando de fazer o que não agrega para nossa empresa e para o mercado”.

    Melzer faz questão de dizer que a RBS “não passa por uma crise financeira”. Os investimentos visam um “redesenho da nossa operação”, buscando “velocidade e despreendimento”, qualidades que nem sempre favorecem o jornalismo de qualidade. Provavelmente favorecem o “conteúdo de entretenimento diferenciado”.

    As decisões não são impensadas, obviamente. Há um ano o grupo analisa e propõe caminhos para seus “negócios e atividades”, segundo diz Melzer. “Eu me envolvi pessoalmente nesse processo. A partir do que vimos, fizemos investimentos importantes que ajudam a deixar clara a nossa crença no negócio”.

    A opção é explícita: “Dobramos as equipes dedicadas ao digital, tanto nas redações quanto no Tecnopuc, e triplicamos os investimentos nesta área. Até o fim do ano, só no Tecnopuc, em Porto Alegre, teremos quase 100 profissionais trabalhando exclusivamente na criação de soluções digitais para nossos produtos, em especial para os jornais”.

    A e.Bricks, lançada em São Paulo há três anos, marcou a aposta da RBS no negócio digital: “Lançamos o Early Stage, um fundo para impulsionar ideias em tecnologia – um negócio contemporâneo que atrai empreendedores em busca de parceria para crescer. O fundo deve chegar ao final do ano com 16 empresas no portfólio”.

    Através da e.Bricks, opera a Wine, “que já é a maior empresa de vinhos online do mundo, tanto que estamos agora preparando sua entrada no mercado internacional”.

    Muitos funcionários da RBS são sócios da Wine, “agora poderão também ser da Have a Nice Beer, o maior clube online de cervejas da América Latina, que está vindo para o Grupo”.

    Segundo Melzer, “dois exemplos de inovação e empreendedorismo que marcam a nossa gestão” são: 1) O HypermindR, um centro de pesquisa no Rio de Janeiro, que vai desenvolver softwares para medir hábitos do consumidor. E o segundo diz respeito ao nosso modelo de gestão de pessoas, baseado na meritocracia. As ferramentas que desenvolvemos para dar mais transparência aos planos de carreira tornaram-se benchmark para muitas empresas e agora serão disponibilizadas ao mercado através da Appus, um negócio que nasceu aqui, dentro do RH”.

    ,Segundo Melzer a situação exige “coragem, energia e desapego para deixar de fazer coisas que não agregam e investir no que pode nos fazer crescer”. 

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  • Três mil aderem à vacinaçao no parque

    Mais de 4 mil pessoas passaram pelo estande montado pela Secretaria Municipal de Saúde no Parque da Redenção, em evento alusivo ao Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais.
    No local, a SMS imunizou mais de 3 mil pessoas contra hepatite B.
    Na testagem rápida para HIV/sífilis e hepatite viral foram realizados 3078 testes, com 927 pessoas realizando o procedimento.
    Durante esta semana, de 28 à 1º de agosto, as Unidades de Saúde estarão orientadas a incentivar e intensificar os Testes Rápidos e, principalmente, a vacinação contra a hepatite B, que este ano é o foco da Campanha do Ministério da Saúde (MS).
    Hepatites – As hepatites A, B e C são inflamações no fígado causadas por diferentes tipos de vírus, constituindo um grave problema de saúde pública no mundo. Milhões de pessoas no Brasil podem ser portadoras desses vírus e não saber.
    Os tipos B e C podem causar doenças graves como cirrose e câncer e todos os tipos de hepatite podem levar à morte. O diagnóstico das pessoas com hepatite pode ser feito na Atenção Básica e complementado na Atenção Secundária (Serviços de Atendimentos Especializados às Hepatites Virais).

     

  • Pesquisas: quando a notícia briga com o fato

    Pertinente o esclarecimento da ZH, sobre a neste domingo em relação as pesquisas eleitorais que o  jornal encomenda e publica periódicamente. Em síntese: pesquisa é uma realidade hipotética, uma simulação, que tenta projetar uma situação que ainda não aconteceu. Por isso, inclusive, resultado de pesquisa não é manchete.
    “Pesquisas, frisa o editorial, contribuem para o entendimento do processo eleitoral e da formação das escolhas pelos que decidem o pleito”. Muito bem
    Páginas adiante vem o noticíario político. A manchete:
    “ANA AMÉLIA TEM 37%, TARSO 31%”
    Aí, vai se ver as tabelas e o fato é outro: uma semana depois da copa, com a campanha já em andamento (ao menos na mídia está a todo vapor) e ainda 66% (dois terços!) dos eleitores não estão interessados na eleição.
    Somadas as intenções de votos em Ana Amélia e Tarso dão pouco mais de 20% do total de votantes. Uma nota ao pé da coluna política explica que no cotejo entre os candidatos a governador não há novidade desde abril.
    O outro fato novo que a pesquisa revela mas a noticía minimiza é a alteração radical do quadro com a entrada de Olívio Dutra como candidato ao senado.
    Lembrei do Lusitano Buonocore: “Quando a notícia briga com o fato, quem apanha é o leitor”. No caso, o eleitor.

  • Faixa de Gaza: Facebook retira páginas com ameaças a jornalista

    Um post da jornalista Deborah Cattani, 25 anos, trouxe o conflito do Oriente Médio entre israelenses e palestinos para o Facebook. Deborah, judia moradora de Porto Alegre, que passou um tempo em Israel a 15 minutos da Faixa de Gaza, escreveu que é desumano o que estado israelense está fazendo: “Mais desumano que o holocausto, mais duradouro que o holocausto, mais pertinente que o holocausto, pois hoje em dia todo o mundo pode ver com os próprios olhos e mesmo assim, poucos reagem.”
    Ela acrescentou que tem muitos amigos judeus, mas cada vez menos. “Cada vez que um deles posta um heil Israel no Facebook ou qualquer coisa dizendo ‘matem os árabes’, eu tenho um amigo a menos. Se vocês já assistiram o filme A Onda, é exatamente isso que o governo israelense faz com seus jovens. Já tive treinamento militar israelense, sei como funciona toda a lavagem cerebral e até entendo porque funciona, afinal, somos pobres vítimas.”
    Este post colocado no ar na sexta-feira, 11, provocou uma série de respostas entre prós e contra o conflito, alguns agressivos, outros carinhosos, com ódio, ou pedindo paz. Até aí, tudo bem, mas hoje Deborah incluiu outro post: “Eu estou recebendo ameaças de toda a comunidade judaica de Porto Alegre, São Paulo e até, pasmem, Buenos Aires. Já estou na lista negra.”
    As declarações de Deborah, antes publicadas somente para amigos, acabaram se tornando públicas e difundidas por milhares de pessoas. Nesta segunda-feira, já eram quase 12 mil compartilhamentos. Também os comentários ao post, contra e a favor, se multiplicaram. O problema é que o debate acabou muitas vezes em ofensas mútuas entre os internautas que leram a postagem. Mas o que mais assustou Deborah foram as ameaças, algumas veladas, outras bem diretas.
    “Estou assustada, sim. Não nego”, diz ela sobre algumas das mensagens recebidas. “As piores ameaças são as indiretas de pessoas da família, isso machuca”, lamenta. Outras, mais fortes, dizem que ela deveria “ser largada em Gaza para ser estuprada”.
    Em uma mensagem privada, ainda mais grave, um usuário do Facebook ameaça: “Sua vagabunda. Não seria surpresa você acabar sofrendo um acidente por aí, pois não vai conseguir saber quem são as pessoas que te esperam em frente a sua casa, as pessoas que andam atrás de você. Cuidado heim. Shalom.”
    Um pouco depois, Deborah escreveu o derradeiro post sobre o assunto, por enquanto: “A página que vinha me perseguindo foi excluída do Facebook! Pra vocês verem como pessoas infundadas não conseguem levar o debate adiante e, além de baixarem o nível, não aguentam as consequências de seus atos.
    Quero dizer mais uma coisa, e vai ser o meu último post sobre o assunto por um bom tempo, em nenhum momento preguei ódio aos judeus, ou a Israel. Sinto vergonha das atitudes perpetradas por eles e admito isso com dor no coração, pois, por pior que seja a situação, também faço parte desta cultura.
    Também sou contra o Hamas, mas isso não faz de mim uma cega e ignorante que vai se deixar levar pelo amor de uma pátria. Patriotismo e religião devem ser separados no quesito Oriente Médio.”
    Deborah revelou que a maior ameaça foi da Juventude Judaica Organizada, de São Paulo. “Só que eles tiraram do ar todos os comentários, mas tenho as cópias.” Ela, então, formalizou a denúncia para o Facebook, Twitter e Instagram em relação aos posts mais agressivos.
    A página da Juventude Judaica Organizada está fora do ar. Como tudo isso aconteceu segunda-feira,14 de julho, Dia da Liberdade de Pensamento, Deborah citou os artigos XVIII e XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos: – “Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião”; – “Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão”.
    Palavra do Rabino
    O professor Guershon Kwasniewski, rabino da Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência (Sibra/RS), diz que as citadas ameaças da comunidade judaica não existem. “Deborah está aproveitando a repercussão para se promover. As ameaças não estão publicadas em seu Facebook e podem ter ocorrido ‘in box’. Ela deveria publicar e denunciar à polícia.”
    Segundo ele, os posts são uma visão dos fatos de uma judia e por isso deu esta repercussão. “Ela demonstra um ressentimento por algum problema que desconhecemos.” Kwasniewski entende que todo o conflito é deplorável. “Lamentamos a violência, mas entendemos que é um direito de Israel defender sua população civil. É preciso lembrar os fatos iniciais deste conflito, conforme ele. “Três estudantes israelenses foram sequestrados e mortos por terroristas do Hamas.
    Depois um palestino de 17 anos foi sequestrado e executado em Jerusalém Oriental. A partir disso, o Hamas passou a lançar foguetes contra a população civil de Israel, único estado democrático do Oriente Médio, que tem o direito de defesa.
    Enquanto Israel tenta minimizar a morte de civis em Gaza, avisando para a população se proteger dos ataques, o Hamas usa seus civis como escudo e tenta, a qualquer custo, aumentar o número de mortos civis em Israel, atacando de proposito cidades onde moram 4.5 milhões de pessoas.” (Por Sérgio Lagranha)
    Cessar-fogo dura seis horas
    O gabinete de segurança israelense, presidido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, aceitou na madrugada desta terça-feira (15) a proposta de cessar-fogo apresentada pelo Egito, disse um porta-voz do governo, uma semana depois de ataques contínuos terem causado mais de 180 mortes. Já o movimento de resistência islâmica Hamas, que controla a Faixa de Gaza, rejeitou a proposta.
    “O gabinete decidiu aceitar a iniciativa egípcia para acabar com o cessar-fogo”, disse Ofir Gendelman, porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no Twitter. Só que a trégua durou apenas seis horas. Aviões israelenses retomaram pela manhã o bombardeio na Faixa de Gaza, em consequência da rejeição do cessar-fogo pelo movimento palestino Hamas.
    Diversos ataques foram dirigidos contra o território palestino, em particular, a cidade de Khan Yunis e o bairro de Zeitun, no leste da cidade de Gaza. Poucos minutos antes do início dos novos ataques, o porta-voz do Exército, Peter Lerner, disse em sua conta no Twitter que os bombardeios iriam recomeçar. “Após seis horas de disparos cegos de mísseis sobre Israel, as forças de defesa retomaram suas atividades operacionais contra o Hamas.”
    O que vai acontecer em Gaza agora?
    As infraestruturas estão destruídas e a população se pergunta quem vai consertá-las ROBERT TURNER 16 JUL 2014
    Enquanto estou aqui sentado no meu escritório/dormitório na Cidade de Gaza, escutando os ataques aéreos e os disparos de foguetes, discute-se como acabar com a violência. É algo extremamente desejável, sobretudo para a população civil de Gaza, que tem sido a mais castigada pela atual escalada. Mas quando penso nos 17.000 desabrigados refugiados em escolas, com alguns dos quais conversei na terça-feira, me pergunto o que devem estar pensando disso. Porque eles já viveram tudo isso antes.
    Para a maioria, esta guerra é o terceiro desalojamento desde 2009; muitos voltaram exatamente para a mesma sala de aula de antes. Se este possível cessar-fogo terminar da mesma forma que os anteriores, será que essas pessoas vão acreditar que se trata de algo mais do que uma breve trégua? Para Gaza, o retorno à “calma” é um retorno ao oitavo ano de bloqueio. É um retorno a mais para os 50% da população que não têm trabalho nem salário. É um retorno ao confinamento em Gaza e à falta de acesso externo aos mercados, aos empregos e à educação; em suma, à falta de acesso ao mundo lá fora. Por exemplo, se uma das avós com quem conversei na terça-feira quisesse ir estudar na Universidade de Birzeit, na Cisjordânia, ela simplesmente não poderia.
    O Governo israelense não tem que demonstrar que essa avó representa uma ameaça concreta para a segurança, já que adotou uma proibição generalizada de que os habitantes de Gaza estudem na Cisjordânia, com base em uma indefinida ameaça à segurança.
    A imensa maioria da população está proibida de sair dessa faixa de terra de 356 quilômetros quadrados. Se um dos cultivadores de tomate com quem me encontrei na terça-feira encontrar um comprador para seu produto em Paris, Peoria ou Praga, ele pode, sob determinadas condições, embalar os tomates e enviá-los através do único posto de fronteira comercial aberto, de onde seguiriam para o porto de Ashdod ou o aeroporto Ben Gurion (dois dos pontos mais vulneráveis de Israel em relação à segurança).
    Mas, infelizmente, não há mercado para os tomates de Gaza em Paris, Peoria ou Praga. Há mercado para os tomates de Gaza em Israel e na Cisjordânia, mas esse agricultor não tem permissão para vender seus tomates por causa dessa mesma indefinida ameaça à segurança.
    Os idosos com quem me reuni na terça-feira se perguntam como poderão ter acesso aos postos de saúde após este cessar-fogo. Exceto pelos serviços oferecidos por nós, da Agência da ONU para os Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA, na sigla em inglês), e por alguns centros médicos particulares e de ONGs, o sistema público de saúde está afundando.
    As infraestruturas estão destruídas e a população se pergunta quem terá o papel de consertá-las. Se a Autoridade Palestina não tem permissão ou não pode fazer isso, espera-se que a comunidade internacional o faça? Ou será Israel, a potência ocupadora, quem deve assumir essa responsabilidade?
    As mães com quem falei na terça-feira se perguntam se seus filhos irão à escola dentro de apenas seis semanas se não puderem ir a uma das 245 escolas da UNRWA. Quem vai consertar o que está destruído nas escolas públicas, quem vai fornecer os livros, quem vai pagar os professores?
    Se os colégios públicos não abrirem, espera-se que a UNRWA preencha essa lacuna? Falta-nos capacidade física e recursos humanos e econômicos para aceitar dezenas ou até centenas de milhares de alunos extras nas nossas escolas. A UNRWA e toda a ONU em geral, incluindo o PAM, a UNICEF, o OCHA e o PNUD continuam comprometidos em atender às necessidades humanitárias do povo de Gaza. Uma das áreas nas quais a UNRWA redobrou seus esforços nos últimos anos foi a da construção civil, na qual contamos com uma grande quantidade de projetos.
    São principalmente escolas para nosso programa de educação, nas quais ensinamos mais de 230.000 crianças no ano passado, e de casas para aqueles cujos lares foram destruídos nos conflitos anteriores ou destruídos por Israel.
    Quando queremos construir algo, temos que enviar uma proposta detalhada do projeto para Israel, com o esboço, a localização e um orçamento completo. Em seguida, os israelenses analisam a proposta, num processo que, em tese, não deveria precisar de mais de dois meses, mas que dura, em média, quase 20 meses.
    Não tivemos nenhuma aprovação de projetos entre março de 2013 e maio de 2014, durante o último período de “calma”, apesar de termos quase 100 milhões de dólares em projetos esperando para serem aprovados.
    Será que esta próxima época de “calma” será melhor? E, acima de tudo, as pessoas aqui se perguntam quem vai governar Gaza. Ninguém tem a resposta para essa pergunta. Acredito que os habitantes de Gaza diriam que se esse é o tipo de “calma” que as pessoas têm em mente, mesmo que preferível à violência atual, ela não poderá durar. Não vai durar. Robert Turner é diretor de operações da UNRWA em Gaza.

  • Juiz manda Facebook retirar notas sobre "Bolsa Prostituta"

    Do Século Diário
    O juiz substituto Diego Ramirez Grigio Silva, da 5ª Vara Cível de Vila Velha, determinou a retirada do ar de postagens e comentários caluniosos na rede social Facebook sobre o projeto fictício “Bolsa Prostituta”.
    A decisão liminar atende ao pedido feito pela senadora Ana Rita Esgário (PT), que é citada nas postagens como a autora da eventual proposta – que sequer existe no Senado Federal.
    A empresa responsável pela rede social tem o prazo de 48 horas para informar os donos dos perfis que veicularam as falsas notícias sobre a petista.
    No documento assinado no último dia 7, o magistrado entendeu que as notícias veiculadas na rede social podem causar “danos irreparáveis ou de difícil reparação” à senadora, que já veio a público se explicar na época da veiculação dos boatos, em março último.
    O juiz Diego Silva considerou que, apesar do Facebook não ser obrigado a fiscalizar as publicações realizadas pelos seus usuários, a empresa deve efetuar o controle posterior com a retirada dos conteúdos impróprios.
    A decisão também obriga que o Facebook Serviços Online do Brasil Ltda informe aos donos dos perfis indicados como responsáveis pela veiculação dos boatos, bem como seus seguidores para que se abstenham de publicar ofensas que maculem a honra e imagem da senadora petista, que é candidata a deputada estadual no pleito deste ano.
    Além do projeto fictício,  que concederia um auxílio de R$ 2 mil mensais às prostitutas, a senadora também foi alvo de boatos em função da apresentação de  Projeto de Lei do Senado (PLS 44/2011), que estabelece penas alternativas no caso de furto de coisa de pequeno valor.
    Nas mensagens veiculadas na rede social, a senadora era acusada de defender a legitimidade do furto a quem não podia comprar.
    “Passei meses indignada com essas mentiras e calúnias e, apesar dos desmentidos, o boato continuava a ser reproduzido. Nós sabemos que isso é crime e, como tal, cabia alguma punição. A nossa honra é o que temos de mais valioso, não poderia ser acusada injustamente por algo que nunca fiz”, desabafa Ana Rita, que não descarta o ajuizamento de ações de danos morais contra os responsáveis.
    A senadora também alerta para o risco dos demais usuários, que acabam compartilhando as falsas notícias, o que pode implicar no enquadramento como cúmplices dos crimes.
    “É preciso checar a origem e averiguar a veracidade de toda e qualquer informação antes de passá-la adiante como se fosse verdade. Até porque qualquer pessoa pode ser vítima de boateiros, mentirosos, seja qual for a intenção dessa ação criminosa”, considerou a senadora.
     
  • A China e a América Latina: "novas águas"

    Artigo de Luís Alberto Moreno, no El Pais
    “Esta semana o presidente da China, Xi Jinping, iniciou uma viagem oficial por Brasil, Argentina, Venezuela e Cuba em sua segunda visita à América Latina em pouco mais de um ano. Em junho de 2013, ele esteve em Trindade e Tobago, Costa Rica e México antes de se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Califórnia. Essa é uma clara evidência de que a relação entre China e América Latina navega por novas águas.
    Durante séculos, essa relação teve como marco o oceano Pacífico, uma ponte entre ambas as regiões. Na época colonial, galeões espanhóis navegavam entre Acapulco e Manila, transportando produtos asiáticos e americanos. No século XIX, dezenas de milhares de chineses chegaram às nossas costas para trabalhar na construção de canais e ferrovias, plantações de açúcar e minas de guano e salitre. Outras ondas migratórias ocorreriam durante o violento século XX.
    A presença chinesa deixou marcas profundas em nossa cultura, desde as artes culinárias até a paisagem urbana. Há bairros chineses em muitas das grandes cidades de nosso continente, e a influência de personalidades com ascendência chinesa se tornou notável no setor acadêmico, nas artes e no serviço público.
    ROTA DO PACÍFICO
    Atualmente, o Pacífico continua sendo uma rota de comércio, mas em uma escala inédita, porque, hoje, mais de 40% do intercâmbio global de mercadorias cruza suas águas.
    Desde o ano 2000, o intercâmbio comercial entre a China e a América Latina cresceu 23% ao ano, uma taxa impressionante. A China é, hoje, o primeiro destino das exportações de Brasil, Chile e Peru. A economia do país asiático consome 40% de todo o cobre exportado no mundo, 47% do ferro e 53% da soja.
    Um dos motores da demanda chinesa por matérias primas foi sua rápida urbanização, em uma escala sem precedentes. Nos últimos 35 anos, mais de 560 milhões de pessoas mudaram do campo para cidades, quase o equivalente a toda a população da América Latina.
    Em março, as autoridades chinesas oficializaram um plano nacional de urbanização com o objetivo de elevar a população das cidades para 60% do censo total até 2020. Isso implica um aumento de 100 milhões de pessoas que viveriam no espaço urbano: mais gente que a soma dos habitantes de Lima, São Paulo, Cidade do México, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Bogotá e Santiago. O investimento estimado é de 6,8 trilhões de dólares (15 trilhões de reais), em todo tipo de infraestrutura urbana.
    Esta decisão representa uma enorme oportunidade para a América Latina. Em primeiro lugar, porque os investimentos massivos em infraestrutura se traduzirão em uma demanda constante por matérias primas latino-americanas. Em segundo lugar, porque o aumento do poder aquisitivo das famílias urbanas chinesas abre possibilidades de diversificar nossas exportações com produtos de maior valor agregado.
    PONTE PARA AS IDÉIAS
    Esta nova visita do presidente Xi também indica que a relação entre China e América Latina deixará de ser exclusivamente comercial. Hoje, todos sabemos, com clareza, que o caminho para o desenvolvimentos sustentável passa pelo conhecimento, pela inovação, pela proteção do meio ambiente e por melhorias educativas e institucionais, além da necessidade de grandes investimentos em infraestrutura.
    A primeira ponte entre a China e a América Latina foi o comércio. O desafio atual é maior: devemos construir uma ponte para as ideias.
    Neste aspecto, o Banco Interamericano de Desenvolvimento tem a vocação e a experiência para canalizar esse diálogo. Esta semana, promoveremos em Lima, junto com o Governo do Peru e a Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS), a Cúpula China-América Latina de Políticas e Conhecimento. O encontro reunirá ministros ligados à área de habitação de Brasil, Chile, Equador e Peru, com autoridades do governo e acadêmicos da China para fomentar o intercâmbio em um tema vital para as nossas sociedades: a expansão urbana.
    Temos muitos desafios em comum: em 2020, tanto na China como na nossa região, haverá sete megalópoles com mais de 10 milhões de habitantes. Temos muitas experiências para compartilhar: a América Latina tem lições para tirar da cooperação público-privada e do planejamento nacional chinês, que coordena o crescimento das cidades com o desenvolvimento produtivo. A China poderia aproveitar algumas das soluções inovadoras que aplicamos para temas como a proteção social, os sistemas de transporte urbano e a melhoria dos bairros.
    Esperamos que este diálogo seja mais um passo no caminho em direção a uma cooperação mais plena entre duas regiões com uma história de encontros. Assim, o Pacífico será mais do que uma via de navegação para navios de carga: será uma ponte para intercambiar ideias. E graças a este tipo de infraestrutura conseguiremos encurtar a distância que nos separa do desenvolvimento.
    Luis Alberto Moreno é presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
     

  • "O Brasil não para de seduzir os chineses"

    Os 32 acordos bilaterais que a presidente Dilma Rousseff  e o presidente da China, Xi Jinping, assinaram nesta quinta feira em Brasilia foram definidos como “espécie de neo-colonialismo” pelo âncora do Jornal da Globo, William Waack.
    Segundo o influente jornalista, o Brasil está em total desvantagem nessa relação com os chineses que compram produtos primários – soja, petróleo, minério de ferro – e empurram aos brasileiros seus artigos industrializados, com maior valor agregado. Os 60 jatos que os chineses estão comprando da Embraer, por mais de 3 bilhões de dólares, não contam.
    Hoje a China é o maior parceiro comercial do Brasil.  Quando eram os Estados Unidos, embora o padrão das trocas fosse praticamente o mesmo, a relação era considerada um avanço. Na verdade, a visão de William Waack é que é de um colonizado (dos Estados Unidos).
    “O Brasil não para de seduzir os chineses”, foi o título do jornal  El País, de Madrid, para a matéria sobre os acordos assinados entre os dois países, nesta quinta-feira,17..
    O jornal espanhol mostra que em 2004, o Brasil fez sua primeira venda de soja para os chineses – 100 mil toneladas. No ano passado, os embarques de soja para a China somaram 33 milhões de toneladas.
    Nesses dez anos, os chineses investiram mais de 20 bilhões de dólares em 130 projetos no Brasil. Só no Campo de Libra, os chineses investiram 500 milhões,para adquirir 20% do consórcio (formado pela Shell, Total, Petrobrás) que vai extrair o petróleo do pré-sal. No centro-oeste, um projeto para processamento de 600 mil toneladas de milho por ano, vai receber R$ 320 milhões de investimento chinês.
    Foi Dilma Rousseff, quando ministra de Minas e Energia do governo Lula,  quem trouxe os primeiros investimentos da China para o Brasil, em 2004. Ela conseguiu financiamento de quase 400 milhões de dólares para viabilizar o projeto da 3ª.unidade da usina térmica e Candiota (RS) que estava há mais de 20 anos na gaveta.
    Obviamente, as relações comerciais com o gigante chinês, que segue crescendo a taxas assombrosas (7,5% de janeiro a junho)_ tem as suas tensões. A questão da terra´por exemplo:o governo brasileiro teve que criar uma lei em 2011 para conter a voracidade de grupos chineses que acenavam com mais de 4 bilhões de dólares para comprar terras no Brasil.