Autor: Elmar Bones

  • Imprensa: lição da Copa não serviu para nada

    A reunião do BRICS esta semana, em Fortaleza, serviu para mais uma demonstração da grave crise que vive a imprensa monopolista brasileira.
    A cobertura foi pífia, as análises medíocres, preconceituosas e orquestradas. Todos disseram praticamente a mesma coisa.
    O banco, criado pelo Brasil, China, India e África do Sul, como alternativa ao FMI e ao Banco Mundial (dominados pelos Estados Unidos), não passa de “uma ilusão de emergentes”.
    Os 32 acordos comerciais que a presidente Dilma Rousseff assinou com o presidente chinês, que podem envolver negócios de 30 bilhões, são “manifestações de neo-colonialismo”.
    As manchetes dos principais jornais  preferiram destacar as pesquisas de intenção de voto a quatro meses da eleição, quando a campanha nem começou.
    Ou, então, os “números preocupantes da economia” que, na verdade, não trazem novidade nenhuma.
    A lição da Copa do Mundo, quando previu uma catástrofe e foi clamorosamente desmentida pela realidade, não serviu para nada.
    A imprensa brasileira segue desdenhando dos fatos, quando eles não se encaixam na sua maneira de pensar, no discurso pré-pronto que confunde o governo, do qual não gosta, com o país, pelo qual deveria ter mais respeito. (EB)

  • Calar a "Voz do Brasil", plano antigo dos grandes grupos

    Considerado o “mais antigo programa de rádio do mundo” a “Voz do Brasil” está há muito tempo na mira  da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), o poderoso lobby dirigido pelos grandes grupos de comunicação do país.
    Com a Copa, eles conseguiram dar o primeiro passo: obtiveram do governo uma Medida Provisória para “flexibilizar” o horário do programa, que vai diariamente ao ar das 19 às 20 horas em cadeia nacional, envolvendo todas as emissoras de rádio do país.
    A Medida Provisória (MP 648/14) permitiu que durante a Copa, cada emissora escolhesse o horário mais conveniente, entre as 19 e as 22 horas.
    Agora, mal passou a Copa, uma comissão mista do Congresso aprovou um parecer para senador Ricardo Ferraço (PMDB~RS) para tornar permanente a “flexibilização” do horário do programa. O horário permaneceria fixo apenas para as emissoras educativas.
    Para Ferraço, a alteração responde às mudanças que atingiram a sociedade brasileira desde 1935, quando o programa começou a ser transmitido.
    — Mudaram-se os hábitos, o Brasil não é mais um país rural, é um país urbano. E, pela primeira vez, nós tivemos a oportunidade de experimentar um mecanismo diferente. Durante a Copa do Mundo, o horário foi flexibilizado, e as pesquisas apontam a aprovação, por parte da população brasileira, e até mesmo a ampliação da audiência — disse.
    “Será um erro crasso”, diz o jornalista Mário Augusto Jakobskind,  da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que opera o programa e produz parte dele.
    A “flexibilização”, segundo Jakobskind, “vai representar na prática  o fim da Voz do Brasil a médio e longo prazos, porque quem é que vai fiscalizar isso?”.
    O Brasil tem quase dez mil emissoras de rádio
    A dificuldade de fiscalizar também preocupa o Movimento em Defesa da Preservação da Voz do Brasil, que reúne organizações da sociedade civil.
    O coordenador do movimento, o jornalista Chico Sant’Anna, disse que programa é importante para dar transparência pública aos atos dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – e prestar contas à sociedade.
    Sant’Anna acredita que a flexibilização pode prejudicar populações que vivem em cidades distantes dos grandes centros urbanos.
    — É um importante elemento de informação para milhões de brasileiros. Uma pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República identificou que 60% dos moradores da Região Norte e 50% das regiões Nordeste e Centro-Oeste ouvem diariamente A Voz do Brasil e têm o programa como a única ou quase única informação do que acontece no Brasil.
    A ABERT argumenta que a mudança não diminuirá o acesso da população brasileira à informação. De acordo com o presidente da associação, Daniel Slaviero, durante a Copa do Mundo, apenas 31% das emissoras optaram por mudar o horário do programa e, segundo ele, teve melhores índices de audiência.
    A ABERT menciona uma pesquisa encomendada ao Datafolha, em fevereiro, em que 22% dos 2.091 entrevistados apontaram que passariam a ouvir mais A Voz do Brasil caso o horário fosse alterado.
    Para as entidades da sociedade civil, é exatamente a o aumento de audiência o que está na mira dos empresários.
    — Isso tem simplesmente o objetivo de faturar mais —diz Sant’Anna.
    Ele explica que os congestionamentos nas grandes cidades criaram um público-alvo em potencial para as emissoras, justamente no horário de transmissão do programa.
    — Elas querem ganhar um maior faturamento porque sabem que o motorista está preso no trânsito, e aí querem veicular mais anúncio naquele horário — explicou.
    A obrigatoriedade de transmissão do programa por todas as emissoras está na lei de 1962 que institui o Código Brasileiro de Telecomunicações.
    No início, os empresários, que são concessionários de um serviço público, queriam simplesmente extinguir a obrigatoriedade. Depois quando perceberam que seria dificil aprovar a mudança, passaram a pregar a “flexibilização”.
    Desde 2006, tramita no Congresso um projeto de lei com essa finalidade.
    O texto foi aprovado pela Câmara e já foi apreciado por comissões do Senado, onde aguarda votação em plenário. (Com informações da Agência Brasil)

  • Lei das antenas: por que a pressa?

    Nem o pedido do Conselho Estadual de Saúde encaminhado à presidencia da Câmara Municipal, com cópia a todos os vereadores, conseguiu adiar a votação do projeto do prefeito Fortunati (PLE 57/13).
    Tramitando em regime de urgência, o projeto que altera a “Lei das Antenas”, considerada uma conquista dos movimentos ambientalistas e comunitários da cidade, foi aprovada na noite de quarta-feira, 16, depois de três adiamentos  por falta de quorum.
    Apesar do ambiente adverso à aprovação, com abaixo-assinados de diversas entidades, pareceres técnicos e, agora, esse pedido do Conselho Estadual de Saúde, 21 vereadores votaram a favor da mudança, apenas 4 foram contra.
    O argumento principal em favor do projeto é a melhoria dos sinais para celular e internet na capital, com o aumento do número de antenas. Segundo a Agapan e os movimentos comunitários que criticam a mudança, o verdadeiro objetivo da nova lei é anistiar as operadoras que já tem mais de 500 milhões de reais em multas a pagar por instalações de antenas irregulares. Porto Alegre tem mais de 981 antenas instaladas, apenas 150 com a devida licença ambiental. Mais de 200 foram instaladas para a Copa, em regime de emergência, e devem permanecer.

  • POVO SALVOU O BRASIL DA HUMILHAÇÃO

    A Fifa humilhou o Brasil, dentro e fora do campo. Dentro impondo convocações, fora  recebendo vantagens excessivas, como a isençao fiscal, que vigora até 2015.
    O povo felizmente cumpriu seu papel e mostrou que o Brasil é maior.

  • JÁ VOLTAMOS

    Nosso projeto jornalístico tem origens no Jornal JÁ, lançado em Porto Alegre, em 1985.
    Continua essencialmente o mesmo, voltado para a produção de conteúdos jornalísticos diferenciados.
    A novidade é que agora, nesta nova fase, nosso foco se desloca do meio impresso para o digital.: conteúdo e internet.
    Queremos oferecer nosso serviço no mercado da informação diária em todos os seus segmentos: da notícia, da opinião, do debate.
    Não com uma cobertura extensiva, nem presa à instantaneidade. Com seletividade e verticalização.
    Não estamos ligados a partidos políticos ou grupos econômicos e procuramos encarar os fatos à distância dos interesses que os cercam.
    Tentaremos acertar. Esperamos que nos apontem os erros. Prometemos corrigí-los.
    O Editor

  • Uma denúncia: por que não andam as obras do aeroporto

    Henrique Wittler
    Prezados:
    Saiu dia 08/07/2014 no Jornal do Comércio, artigo de minha autoria onde exponho os reais motivos do porque ninguém da andamento as obras do Aeroporto Salgado Filho.
    Ocorre que alguns políticos decidiram que entre a manutenção do Salgado Filho e a especulação imobiliária, o mais interessante seria o enriquecimento dos especuladores.
    São tão covardes, estes que assim decidiram que nunca disseram a verdade, começaram com histórias e com a divulgação sobre a construção de novo aeroporto.
    Os autores da destruição do Salgado Filho tiveram a complacência dos que se omitiram.
    O governo do Estado, o governo municipal e um lote de politiqueiros dos governos Estadual e Municipal foram de certa forma complacentes com o assunto.
    Sobre este assunto a uns anos atrás pedimos para o Comandante da Base aérea de Canoas que viesse a Câmara Municipal de Porto Alegre para esclarecer o assunto, ele veio e foi contundente no que disse e no alerta que fez.
    Dias depois de seu pronunciamento á Câmara, um grupo de Vereadores e Deputados foram a Brasília pedir providências contra o Comandante e o mesmo foi substituído e afastado do Estado.
    Quem pagara a conta seremos nós. São 18 bilhões que serão gastos nesta construção.
    Um alerta: Pretendem muitos destes destruidores transformar a área do atual Salgado Filho em área particular para exploração imobiliária.
    Cabe a Polícia e Promotorias investigarem, quem ganho dinheiro com as obras de ruas e loteamentos que estão saindo nos fundos do aeroporto, junto ao Salgado Filho, obras estas municipais função da boataria (os mesmos destruidores criaram) criada de ampliação da pista. Muita área de banhado foi adquirida um pouco antes das obras.
    Artigo publicado no Jornal do Comércio de 08/07/2014
    Negligência na destruição do Salgado Filho
    Henrique Cezar Paz Wittler
    Seguidamente, a imprensa questiona a paralisação das obras do aeroporto Salgado Filho sem, no entanto, citar os porquês ou causas, mesmo sendo de conhecimento destes representantes da mídia os reais motivos.
    Em 2005, um representante da Aeronáutica entregou ao prefeito José Fogaça (PMDB) e seu vice, José Fortunati (PDT), cópia da portaria que liberava a utilização do aeroporto conforme o plano de segurança apresentado pela prefeitura.
    A referida portaria, que levou o número 68/DGCEA, de 2 de maio de 2005, no art. 6º cita o Anexo D, que inclui uma centena de obstáculos que deveriam ser removidos, entre eles um edifício na rua Quintino Bocaiúva, próximo a 24 de Outubro, que ultrapassava a altura limitada pela segurança dos voos em 36,20 m.
    Além de não atender o acordado, o prefeito e seu vice encaminharam à Câmara de Vereadores projeto do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (Pddua) de Porto Alegre, muito mais agressivo, contrariando o que determinava a citada Portaria para a altura máxima dos prédios.
    Mesmo antes da aprovação do novo Pddua, passaram a liberar construções mais elevadas, muito além das citadas no Anexo D, gerando, com este procedimento, uma agressão às normas de segurança de voos tanto brasileiras quanto as internacionais, possibilitando uma possível interdição do aeroporto para voos de aeronaves de maior porte.
    Desta forma, a administração municipal, apoiada em seus vereadores, começou a tratar o Salgado Filho como descartável, até chegar aos dias atuais, em que a situação é constrangedora.
    Alguns meses atrás, um comandante da TAP, que faz o voo Porto Alegre/Portugal, declarou à imprensa que os voos eram deficitários, porque a pista só permitia decolagem com menos de meia carga. Porém, de nada adiantaria aumentar a pista, pois são os obstáculos que determinam o tipo e a carga da aeronave.
    O Exército até hoje não assumiu esse projeto por conhecer muito bem o assunto e, dessa forma, evita assumir a responsabilidade por um erro que lhe estão a induzir.
    Todo problema teria sido resolvido se a administração Fogaça tivesse freado o desenvolvimento de edifícios elevados em locais impróprios à segurança de voo no lugar de liberar abertamente a construção dos mesmos, que só beneficiou aos especuladores imobiliários.
    Hoje, construir um novo aeroporto custaria não menos do que R$ 18 bilhões, e todo e qualquer investimento no atual é considerado como botar dinheiro fora.
    Engenheiro civil
    Foto: ABERTURA DE RUAS BENEFICIAM ESPECULAÇÃO A.jpg

  • UM DOS LEGADOS DA COPA

    Vinte pessoas presas acusadas de planejar ações terroristas na final da Copa, Esse é um dos legados que vai ficar. Estão sendo chamadas de “ativistas”.
    Sininho, uma jovem da classe média, é a lider de um radicalismo que não encontra espaço para se expressar na ação política convencional.
    De repente, sem querer, se colocam a serviço de interesses que sequer suspeitam. Ou já estão a serviço?

  • NÃO TINHAMOS TIME. E NINGUÉM AVISOU

    O fiasco da seleção brasileira na copa deixou muita gente com a bunda de fora.
    Para começar: onde estava a crônica esportiva que não nos advertiu que tínhamos um timeco? Tão estridente em prever atrasos e calamidades nas obras da copa, a imprensa se reduziu a sussuros quando falou do time e do treinador.
    Ao contrário, nos enganou fazendo sonhar com o hexa…Lembro dos perfis dos convocados na Globo…Vinte e três Titãs.
    Agora circula no facebook a bobagem de que a copa foi comprada,  cita-se até a reunião em que os jogadores foram convencidos. Terrorismo midiático.
    O dinheiro influiu antes,  na convocação, onde pesaram as cotações de cada um na Bolsa de Valores do Association . Não é por acaso a maioria absoluta de “europeus”. O futebol é um negócio globalizado. Os jogadores são “ativos” dos clubes, reféns dos grandes patrocinadores.
    Brasil  “país do futebol”, sai dessa. O futebol não tem pátria. Aquela sacada da “pátria de chuteiras”, que vinha dos anos 50, já era.
    Aqueles  7 x 1m serviram para escancarar isso.
    Os três a zero para a Holanda comprovaram: a humilhação não foi um acidente. Simplesmente não temos time.
    A PERGUNTA  QUE FICA? ATÉ QUE PONTO ESTA SELEÇÃO PERDEDORA REPRESENTA O FUTEBOL BRASILEIRO?

  • Exposição resgata "Era do trem"


    No dia 14 de abril de 1974, correu o primeiro trem no Rio Grande do Sul . Toda a população (mais de três mil colonos alemães) foi para a estação de São Leopoldo esperar locomotiva e dois vagões que chegavam da capital depois de percorrerem os 33 quilômetros da primeira ferrovia do Estado.
    À lenha, inicialmente, depois à carvão, as marias-fumaça levaram o progresso aos quatro cantos do Estado, por mais de um século. A última Maria fumaça saiu de circulação em 1983, substituídas pelas locomotivas à diesel, já na decadência das ferrovias.
    Todo o  clima desse tempo, ingênuo e romântico, está na Exposição “O Rio Grande na Era do Trem”, que reúne 34 painéis fotográficos que cobrem as últimas três décadas das antigas ferrovias (de 1950 a 1980), quando ainda  eram o principal meio de transporte de cargas e pessoas.
    Dois fotógrafos, pai e filho, José (já falecido)  e Alfonso Abraham  assinam as fotos que já estiveram expostas no Museu do Trem do Rio de Janeiro, e neste 22 de julho estarão no Museu de Arte de Santa Maria, cidade que foi a capital ferroviária do Rio Grande do Sul.

  • O golpe avança sem resistência

    Na manhã de 1 de abril, os jornais trazem a notícia: há um golpe em andamento. Mas não se sabe direito o que está acontecendo. As aulas, que já haviam começado, são suspensas. Os bancos, que abririam às dez horas, fazem feriado forçado. As ruas se enchem de soldados. Brizola fala no rádio, pede aos sargentos que “prendam os gorilas que querem dar o golpe”.
    O novo comandante do III Exército, que chegara a Porto Alegre de madrugada, para organizar a resistência, desde cedo tenta requisitar a Brigada Militar, a força estadual que fora decisiva na reação ao golpe em 1961. O comandante da Brigada diz que só cumpre ordens do governador.
    O governador Ildo Meneghetti, alinhado com o golpe, decide sair de Porto Alegre. Deixa o palácio Piratini pelos fundos e segue num fusca verde. Quem dirige é o proprietário do carro, o capitão Jesus Linares Guimarães, ajudante de ordens da Casa Militar. Sairam antes do meio dia com destino a Passo Fundo.
    Apoiando a “Revolução”
    Antes de partir deixou folhas em branco assinadas. Uma delas seria usada para responder ao comandante do III Exército, que estava requisitando a Brigada Militar, para ficar sob o comando federal . O secretário do Interior, Mario Mondino, datilografou na folha assinada por Meneghetti uma resposta evasiva e não cumpriu a ordem.
    No fim da tarde, o governador chegava ao 2º Batalhão de Caçadores da Brigada Militar em Passo Fundo. Requisitou a rádio local e divulgou notas incitando o povo a “apoiar a revolução”.
    Em Porto Alegre, no mesmo horário, os brizolistas faziam um comício na frente da prefeitura, chamando o povo para a resistência. Os discursos são furiosos, pedem paredón para os golpistas. Brizola segue pedindo aos cabos e sargentos que “tomem os quartéis a unha”. Mas não reuniram mais do que três mil pessoas. O feriado bancário, a suspensão das aulas e a truculência da polícia reprimindo qualquer aglomeração, esvaziaram o centro bem cedo.
    Além disso, havia a expectativa da chegada de João Goulart, o presidente que voara do Rio para Brasilia e era esperado em Porto Alegre no início da noite (acabou chegando às 3h15 da madrugada).
    Um momento de tensão ocorreu no final do comício, quando chegou a informação de que o Palácio Piratini estava abandonado. Com o governador em Passo Fundo, apenas os guardas na portaria e alguns secretários estavam lá. Um grupo decidiu tomar o prédio e saíram pela rua da Praia. Com um megafone, o prefeito Sereno Chaise começou a gritar que era precipitação, que não podia ser assim… e o grupo se dispersou antes de chegar à Ladeira.
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