Autor: Elmar Bones

  • Manifestação em Defesa dos Manguezais

    Os representantes das ONGs Miraserra e Rede da Mata Atlântica, com apoio do Instituto Augusto Carneiro, vão fazer uma manifestação amanhã, dia 2, a partir das 7h30min, durante a procissão de Navegantes, em defesa dos mangues e dos banhados. Durante a procissão, haverá faixas e serão distribuídos folhetos com dados sobre a campanha.
    O protesto faz parte da Campanha Nacional em Defesa dos Manguezais. A manifestação vai acontecer também durante a Festa de Iemanjá em Salvador, na Bahia. Estão sendo organizadas outras atividades, em todo o país, como parte da campanha.
    Os manguezais, que são bercários para muitas espécies de peixes e crustáceos, estão sendo ainda mais ameaçadas pelas mudanças previstas no Código Florestal.
    Mais informações com a ambientalista Kathia Vasconcellos, do Instituto Augusto Carneiro, pelo fone (51) 9992-7537.
    Proteja os mangues e os banhados porque:
    1) estas áreas são “berçários” para muitas espécies de peixes e crustáceos;
    2) protegem contra a erosão costeira e eventos  climáticos extremos;
    3) são áreas de uso comum para populações, que  daí retiram seu sustento;
    4) estão sendo destruídas pela criação de camarão e especulação imobiliária;
    5) estas áreas não estão protegidas na proposta do  novo Código Florestal.
    Por Carlos Matsubara

  • Ministério Público arquiva representação de associações de juízes contra Eliana Calmon

    A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou hoje (31) representação que pedia investigações sobre a conduta da corregedora-geral de Justiça, Eliana Calmon. O documento foi protocolado no último dia 23 de dezembro pelas três maiores associações de juízes do Brasil – a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe).
    As entidades pediam que o Ministério Público apurasse se a corregedora cometeu crime ao investigar a evolução patrimonial de juízes e servidores. Elas alegam que houve quebra ilegal de sigilo de mais de 200 mil pessoas. A solicitação foi encaminhada à PGR na mesma semana em que o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu liminar suspendendo o pente-fino nas folhas de pagamento em 22 tribunais do país.
    De acordo com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que assina o documento, não houve quebra de sigilo porque o relatório de movimentações atípicas produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) trazia apenas informações genéricas, sem citar nomes ou números de CPF (Cadastro da Pessoa Física). Ele também relata que a inspeção na folha de pagamento dos tribunais, iniciada em dezembro, foi devidamente comunicada aos conselheiros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão ao qual a Corregedoria Nacional é vinculada.
    Gurgel refutou a acusação de que houve vazamento de dados da inspeção para a imprensa, tais como possíveis quantias recebidas pelos ministros do STF Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski, já que o relatório do Coaf não trazia detalhes. “Somente isso é suficiente para afastar a imputação de que houve vazamento de dados sigilosos. A corregedora nacional não poderia ter divulgado dados de que não tinha conhecimento, não poderia municiar a imprensa de informações sigilosas que jamais deteve”.
    O procurador destacou que a ministra Eliana Calmon não foi a autoridade que instaurou o procedimento que levou o Coaf a analisar dados de magistrados e servidores. O autor do pedido foi o ex-corregedor Gilson Dipp e a atual corregedora apenas recebeu o resultado da apuração ao assumir a corregedoria do CNJ meses depois.
    Citando o ministro Celso de Mello, também do STF, Gurgel entende que a instauração de inquérito pode representar uma violação aos direitos fundamentais, em especial ao princípio da dignidade. “No caso dos autos, seria ainda impor indevida pecha de delituosa à atuação da Corregedoria Nacional de Justiça e do próprio Conselho Nacional de Justiça, com injustificado gravame à sua relevantíssima missão constitucional”, completa.
    O arquivamento do pedido de investigação ocorre na véspera de o STF julgar uma ação de constitucionalidade que pretende limitar o poder correicional do CNJ. Foi essa a ação em que o ministro Marco Aurélio Mello decidiu, em dezembro passado, suspender parte da resolução que disciplinava como o CNJ deveria agir na apuração de desvios cometidos por magistrados.

  • Santa Teresa: futuro incerto

    Vista do morro Santa Teresa. Foto: Arfio Mazzei
    Em reunião na sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil, em Porto Alegre, 18 pessoas trocaram informações durante duas horas sobre o futuro do Morro Santa Teresa, no dia 30 de janeiro. Eram líderes das comunidades que ocupam parte do morro, representantes de entidades comunitárias e ambientalistas e de autoridades, que integram o Movimento em Defesa do Morro Santa Teresa, criado há dois anos quando o governo do Estado tentou privatizar o morro.
    O objetivo da reunião era fazer um relatório das últimas gestões do movimento junto ao governo para saber qual vai ser o futuro daquela que é uma das áreas mais valiosas da capital e que vive um processo intenso de ocupação e degradação. Já houve até a tentativa de vendê-la para um projeto imobiliário.
    Eis os trechos principais da reunião:
    16 de novembro de 2011: As comunidades foram ao Palácio Piratini, em dois ônibus, em busca de uma decisão, um prazo ou pelo menos uma explicação sobre as atividades do Governo, quanto à regularização fundiária e urbanística do Morro Santa Teresa.
    Postaram-se à frente do palácio, com faixas e cartazes, enquanto uma comissão foi recebida pela Sra. Ariane, assessora da Casa Civil.
    Além de reclamarem do descaso, as lideranças entregaram-lhe o Relatório do Seminário O Morro É Nosso. Os manifestantes saíram do encontro com a promessa da Sra. Ariane que, em uma semana, teriam uma resposta.
    8 de dezembro de 2011, de manhã:
    -Reunião dos representantes das comunidades com o secretário do SEHADUR, Marcel Frison, que iniciou a reunião falando sobre remoção de casas e licitação para fazer cerca o que surpreendeu e frustrou as lideranças e resultou em reunião tumultuada e sem desfecho.
    8 de dezembro de 2011, à tarde:
    -Reunião das lideranças com a secretaria de Administração do Governo, Stela Farias, quando relataram a inconclusa reunião da manhã, expuseram as tratativas com o Governo e cobraram a criação do prometido Grupo de Trabalho de coordenação das ações das três secretarias envolvidas nas demandas do Morro Santa Teresa. A secretária prometeu relatar a reunião ao governador.
    12 de janeiro de 2011:
    -Reunião dos moradores com o subsecretário da SEMA, Hélio Corbelini, quando este lhes expôs imagens do projeto do parque no Morro Santa Teresa, onde inclui um teleférico, um teatro na saibreira em forma de pirâmide, passarela sobre a mata, um prédio para reciclagem de resíduos sólidos ou outra atividade, a sede da SEMA, aproveitamento de prédios da FASE e criação de um GT que inclui este Movimento; tratou da solução de regularização das vilas.
    Um dos integrantes do movimento, Sylvio Nogueira, relatou que obteve junto à SEHADUR, cópia de ofício datado de 10 de outubro de 2011 que trata da licitação para levantamento topográfico da área, da cobertura vegetal e áreas ocupadas pelas vilas, etc. Salientou a importância desse documento que mostra que a secretaria está procedendo atividades para desenvolver a regularização.
    Michele, representante da Vila União, relatou que a Prefeitura está procedendo levantamento topográfico da vila União Santa Teresa e da Vila Ecológica.
    Análise: O governo está realizando ações pontuais, mas não há entrosamento entre essas ações enquanto não funcionar um Grupo de Trabalho que coordene os trabalhos. As secretarias do Governo trabalham de forma isolada, não divulgam suas providências, quando poderiam melhorar seus resultados, atuando de forma participativa, conforme o seu programa, aproveitando as conclusões do Seminário o Morro é Nosso e a disposição de ajudar deste Movimento.
    O presidente do IAB falou da possibilidade de ser feita uma proposta de ocupação urbanística do Morro, incluindo a regularização das vilas, parque e reaproveitamento dos prédios da FASE, seguindo todos os passos que a boa técnica dita para a concepção e desenvolvimento de projeto urbanístico desse porte e importância, cujo financiamento poderia ser sustentado pelas entidades e patrocinadores.
    Providências: Foi decidido escrever um documento a ser endereçado ao Governador relatando a situação aqui apresentada e cobrando a formação do GT de coordenação das ações. Deverão minutar o texto: Tânia Failace, Cláudia Favaro e Tiago Silva.
    Foi marcada uma reunião para segunda-feira próxima, em local a ser definido, para examinar o documento e providenciar solicitação da audiência.

  • CGU e Casa Civil orientam ministérios sobre implementação da Lei de Acesso à Informação

    Todos os órgãos e entidades do governo federal deverão divulgar na internet um rol mínimo de informações, com dados sobre o próprio órgão, seus programas e ações, despesas e transferências de recursos, procedimentos licitatórios, contratos e resultados de auditorias.
    A divulgação se dará em página específica sobre o assunto e o acesso será feito por meio de banner padrão publicado na página inicial de todos os sites.
    As novas regras, contidas na nova Lei de Acesso à Informação que vai entrar em vigor no próximo dia 16 de maio, foram apresentadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) e a Casa Civil da Presidência da República, na semana passada, aos representantes de todos os ministérios.
    Durante o encontro, a diretora de Prevenção da Corrupção, Vânia Vieira, da CGU, e o assessor especial da Casa Civil Paulo Dallari apresentaram as providências que devem ser adotadas com urgência pelos ministérios e o cronograma de execução das ações.
    Os órgãos foram orientados a divulgar o máximo de informações possível, em especial aquelas informações de interesse coletivo e que são frequentemente demandadas, a fim de facilitar o acesso do cidadão.
    Outra providência é a criação do Serviço de Informações ao Cidadão (SIC). Os SICs deverão situar-se em local de fácil acesso e identificação e contar com, pelo menos, dois servidores, devidamente treinados, para atuar no recebimento, processamento e gerenciamento das solicitações de acesso à informação e, também, na orientação dos cidadãos.
    Foi também estabelecido que os ministérios deverão definir o fluxo interno de tramitação dos pedidos de acesso; constituir, de imediato, grupo de trabalho para planejar e coordenar a implementação da lei; e adotar medidas de aprimoramento dos processos de registro, processamento, gestão e arquivamento das informações.

    Capacitação

    Para capacitar os servidores que atuarão nos SICs e em outras atividades envolvidas na implementação da Lei de Acesso, a CGU realizará, a partir de março, treinamentos presenciais e ofertará, em seguida, curso de educação à distância.
    Segundo Vânia Vieira, responsável pela coordenação dos trabalhos, “embora a Lei exija a adoção, em prazo extremamente exíguo, de diversas e desafiadoras medidas, o governo federal está trabalhando com empenho para preparar-se adequadamente para a sua entrada em vigor”.