Autor: Elmar Bones

  • Exposição de Fernando Botero abre comemorações dos 10 anos do centro cultural Erico Verissimo

    Dia 21 de janeiro abre a exposição individual “Dores da Colômbia” de Fernando Botero no Centro Cultural Erico Veríssimo, no Centro de Porto Alegre.
    A mostra, que segue em cartaz até 08 de março de 2012, reúne 67 obras doadas pelo artista colombiano Fernando Botero ao Museu Nacional da Colômbia entre 2004 e 2005.
    “Sempre quis trazer essa coleção de volta ao Brasil. O conjunto dessa obra mostra como a arte pode denunciar a violência e propõe uma reflexão sobre a sociedade”, diz a produtora executiva da exposição, Denise Carvalho, responsável pelo retorno da mostra ao País. As pinturas de Botero já passaram com sucesso por Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo.
    As seis aquarelas, 36 desenhos e 25 pinturas, que já percorreram várias cidades europeias e latino-americanas, mostram os abusos sofridos pelo povo colombiano como consequência da ação de grupos guerrilheiros, políticos e paramilitares.
    A coordenadora do CCEV, Regina Ungaretti, destaca que a proposta é realizar em 2012 uma programação especial, começando por Botero, um artista de renome internacional e que possui trabalhos em várias partes do mundo.
    O período foi escolhido pelo Centro Cultural visando uma exposição aos que estão em férias e os visitantes e turistas que vêm à capital nos meses de verão.
    Embora retrate uma situação trágica de um período bem determinado, Botero criou as composições com pinceladas de cores vibrantes.
    A mostra tem curadoria do próprio Museu Nacional da Colômbia, localizado em Bogotá. De acordo com a diretora do Museu, Maria Victoria Robayo, “Botero disse várias vezes que, apesar de não residir na Colômbia há mais de 40 anos, sente-se muito próximo de seu povo. Trata-se de um convite à reflexão sobre as circunstâncias dolorosas que violam os direitos humanos”.

    Fernando Botero
    Pintor e escultor colombiano nascido em Medellín, no ano de 1932, é um dos artistas mais prestigiados da América Latina e tem peças expostas nos mais importantes museus internacionais.
    Entre as suas obras mais conhecidas estão as releituras bem-humoradas e satíricas de “O Casal Arnolfini”, de Jan van Eyck, e “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci. Em ambas, figuras humanas e animais são pintados de forma arredondada e estática. Esse padrão estético é a marca registrada do artista que através de sua arte, tornou-se o embaixador cultural da Colômbia pelo mundo. Botero é um dos artistas mais renomados latino americanos ainda vivo e atualmente, mora na França.
    “Dores na Colômbia” | Porto Alegre:
    Abertura:
    20 de janeiro de 2012.
    Visitação: 21 de janeiro a 08 de março de 2012.
    Local: Centro Cultural Erico Veríssimo | Rua dos Andradas 1223, Porto Alegre – RS.
    Dias:
    De terça a sexta das 10 às 19h
    Sábado das 11 às 18h
    Entrada Gratuita

  • Brasil é segundo país mais desigual do G20, aponta estudo

    O Brasil é o segundo país com maior desigualdade do G20, de acordo com um estudo realizado nos países que compõem o grupo.
    A pesquisa “deixados para trás pelo G20?”, realizada pela Oxfam – entidade de combate à pobreza e a injustiça social presente em 92 países, apenas a África do Sul fica atrás do Brasil em termos de desigualdade.
    Como base de comparação, o estudo ainda examina a participação na renda nacional dos 10% mais pobres da população, de acordo com dados do Banco Mundial. Neste quesito, o Brasil apresenta o pior desempenho de todos, com a África do Sul logo acima.
    A pesquisa afirma que os países mais desiguais do G20 são economias emergentes. Além de Brasil e África do Sul, México, Rússia, Argentina, China e Turquia têm os piores resultados.
    Já as nações com maior igualdade, segundo a Oxfam, são economias desenvolvidas com uma renda maior, como França (país com melhor resultado geral), Alemanha, Canadá, Itália e Austrália.
    Avanços
    Mesmo estando nas últimas colocações, o Brasil é mencionado pela pesquisa como um dos países onde o combate à pobreza foi mais eficaz nos últimos anos.
    O estudo cita dados que apontam a saída de 12 milhões de brasileiros da pobreza absoluta entre 1999 e 2009.
    Se o Brasil crescer de acordo com as previsões do FMI (3,6% em 2012 e acima de 4% nos anos subsequentes) e mantiver a tendência de redução da desigualdade e de crescimento populacional, o número de pessoas pobres cairá em quase dois terços até 2020, com cinco milhões de pessoas a menos na linha da pobreza.
    “Mesmo que o Brasil tenha avanços no combate da pobreza, ele é ainda um dos países mais desiguais do mundo, com uma agenda bem forte pendente nesta área”, disse à BBC Brasil o chefe do escritório da Oxfam no Brasil, Simon Ticehurst.
    “As pessoas mais pobres são as mais impactadas pela volatilidade do preço dos alimentos, do preço da energia, dos impactos da mudança climática”, acrescentou.
    Para ele, é importante que o governo dê continuidade às políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e que o Estado intervenha para melhorar o sistema de distribuição.
    Para o representante da Oxfam, a reforma agrária e o estímulo à agricultura familiar também é importante para reduzir a desigualdade. “Da parcela mais pobre da população brasileira, cerca de 47% vivem no campo. Além disso, 75% dos alimentos que os brasileiros consomem são produzidos por pequenos produtores, que moram na pobreza”, disse TiceHurst.
    Segundo o estudo da Oxfam, a maioria dos países do G20 apresenta uma tendência “preocupante” no sentido do aumento na desigualdade. A entidade afirma que algumas dessas nações foram “constrangidas” pelas reduções significativas da desigualdade registradas nos países de baixa renda nos últimos 15 anos.