Autor: Elmar Bones

  • General diz que não houve tortura

    O jornalista Geneton Moraes Neto, é um gênio da raça. Da raça dos jornalistas. Sua empreitada atual é escarafunchar os subterrâneos da ditadura militar, ouvindo agora a voz sempre silenciosa de alguns de seus principais personagens: os generais.
    No sábado (3/4), o Globonews Dossiê de Geneton entrevistou o general Leônidas Pires Gonçalves, ex-comandante do DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro, no período mais sangrento do governo Ernesto Geisel.
    No sábado (10/4), será a vez do general Newton Cruz, o notório Comandante Militar do Planalto, que em 1984 chicoteava os carros na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, enquanto suas tropas cercavam o Congresso no momento em que o trator governista esmagava em plenário a emenda das Diretas Já.
    Fantasias fardadas

    O primeiro impacto foi bombástico: a entrevista de Leônidas, mais conhecido como o primeiro ministro do Exército pós-ditadura, o general nomeado por Tancredo Neves e que se tornou o principal cabo eleitoral e fiador da posse de José Sarney.
    A primeira surpresa é que o entrevistado aparece não como o ministro da democracia, mas como o chefe da repressão da ditadura. Leônidas é identificado, na legenda, como “chefe do DOI-CODI, 1974-77”.
    O general falou, com uma fluência inédita e uma sinceridade desconcertante, levantando temas que beiram à fantasia, a leviandade e a arrogância.
    Desafiou qualquer um a dizer que foi torturado no DOI-CODI que ele comandou durante quase três anos, na fase mais turbulenta do governo Geisel. “Não houve tortura na minha área”, garantiu Leônidas.
    Deve ser um milagre na Terra, porque no mesmo I Exército, comandado pelo general Sylvio Frota entre julho de 1972 e março de 1974, o DOI-CODI carioca era um centro de morte, conforme apurou O Globo.
    Naquele espaço de 21 meses, contou o jornal, morreram 29 presos nas masmorras da Rua Barão de Mesquita, onde funcionava o centro de torturas do Exército, comandado pelo notório major Adyr Fiúza de Castro, um dos radicais mais temidos da ditadura.
    Bastou chegar ali e assumir o DOI-CODI carioca, diz o general Leônidas, e a paz dos anjos se instalou.
    Confessa que foi dele a idéia de subornar um ex-dirigente do PCdoB, Manoel Jover Telles, que revelou local, dia e hora da reunião do Comitê Central do partido, em dezembro de 1976, em São Paulo.
    Leônidas diz que entregou uma quantia equivalente a R$ 150 mil à filha do delator, que depois ganhou um emprego na fábrica de armas Rossi, em São Leopoldo, onde hoje vive aposentado.
    A operação de cerco foi montada pelo chefe do setor de operações do CIE (Centro de Informações do Exército), coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o criador e primeiro chefe do DOI-CODI paulista do II Exército, na Rua Tutóia.
    Ustra comandou pessoalmente o ataque à casa do PCdoB, num tiroteio que prendeu dirigentes e matou três chefes do partido num entrevero sangrento conhecido como o “Massacre da Lapa”.
    Por coincidência, o coronel Ustra chefiou a tropa de ataque do CIE no mesmo período – 1974-77 – em que o general Leônidas comandava o remanso de paz da Barão de Mesquita.
    Entre outras fantasias, Leônidas continua acreditando que o jornalista Vladimir Herzog é apenas um “suicida assustado” pelo simples fato de ser convocado ao centro de torturas da Tutóia.
    Efeitos desastrosos
    O que não surpreende, nesta entrevista, é a competência do entrevistador, talvez o melhor perguntador da imprensa brasileira.
    Aos 54 anos, Geneton Moraes Neto é um repórter discreto, persistente, talentoso e criativo, que tem o faro da notícia e uma habilidade invulgar para fazer as perguntas precisas para as pessoas certas nos momentos mais inesperados, jogando luz sobre a história e dissecando biografias com a precisão de um legista.
    Entre uma e outra pauta na TV, Geneton ainda encontra tempo, método e talento para escrever. Já são nove livros, entre 1983 e 2007, que revelam o prazer visceral de um jornalista veterano que exibe o ardor de um repórter iniciante.
    Ele mesmo se descreve, exibindo a diversidade de quem descobre temas e personagens de velhas histórias renascidas e recontadas com o viço de coisas novas, diferentes e inéditas. Escreve Geneton sobre seu fascínio pelo bom jornalismo e suas peripécias:
    “É a melhor profissão para quem não consegue ser outra coisa na vida. [Tive] a chance de percorrer corredores da morte em prisões de segurança máxima americanas, ruínas de campos de concentração na Alemanha, além de entrevistar três astronautas que pisaram na Lua, duas sobreviventes do naufrágio do Titanic, o co-piloto do avião que jogou a bomba atômica sobre Hiroshima, o produtor de todos os discos dos Beatles, o assassino do líder negro Martin Luther King, o promotor britânico que comandou a condenação dos criminosos nazistas no Tribunal de Nuremberg, o agente secreto britânico que armou um atentado – frustrado – para matar Hitler, o golpista que engendrou o célebre assalto ao trem pagador inglês. Entre trancos e barrancos, o jornalismo pode valer a pena.”
    E vale mais a pena quando vem pelo cálamo e pelo talento de Geneton, que consegue tornar simples uma dos mais complexos fundamentos do jornalismo: a arte de perguntar.
    Uma pergunta bem formulada, precisa, cirúrgica, não deixa saída ao entrevistado, não permite fuga, não abre desvios. O bom repórter, antes da acuidade para ouvir, deve ter a competência para inquirir. E, neste campo, ninguém é melhor, mais certeiro, mais direto do que Geneton.
    Seus livros e seus programas na TV valem por um curso completo de jornalismo.
    Algo mais doura esta habilidade inata de Geneton.
    Suas perguntas são objetivas, enxutas, minimalistas.
    Sem arrogância, Geneton enfrentou o general Leônidas com perguntas precisas que iluminaram a história e conseguiram arrancar o melhor (e o pior) do chefe da repressão política que se orgulha de seu trabalho na ditadura.
    Preocupado com a edição do programa na TV, Leônidas se apressou em ensinar jornalismo a Geneton: “Que minhas idéias não sejam suprimidas na edição. Se houver um corte, você me deixa mal”, avisou o general, esquecido de que o regime que ele defendeu se esmerava em cortes sistemáticos pela censura burra que suprimia idéia e fatos que sempre deixam mal as ditaduras.
    Geneton não cortou, e ainda assim o general Leônidas ficou muito mal pelas idéias que exprimiu, livremente.
    Sempre educado, mas incorrigivelmente firme, Geneton questionou a exótica versão do general de que líderes do regime deposto – como Arraes, Brizola, Jango, Prestes – saíram do Brasil, a partir de 1964, “porque quiseram”. Leônidas mirou no ex-governador Miguel Arraes:
    – Ele podia ficar em casa.
    – Deposto – emendou Geneton.
    – E qual é o problema? – admirou-se o general.
    – Todo – encerrou Geneton, com a sintética sabedoria que o general, aos 88 anos, ainda não apreendeu. – Não havia condições de exercer a política no Brasil, naquela época, general.
    O ex-chefe do DOI-CODI desdenhou toda uma fase de arbítrio e violência, dizendo que o país não teve exilados pelo golpe de 1964, mas apenas ‘fugitivos’.
    – Eles que ficassem aqui e enfrentassem a justiça – pregou Leônidas.
    – General, num regime de exceção, a justiça não é confiável – replicou o repórter.

  • Caso Eliseu: reportagem bota o dedo na ferida

    Finalmente parece que a imprensa local se livrou da tutela da polícia na cobertura do asssassinato de Eliseu Santos, secretário municipal da Saúde em Porto Alegre.
    A Zero Hora desta quarta feira, 7 de abril, bota o dedo na ferida.
    Numa reportagem que mobilizou cinco dos seus melhores repórteres, o jornal levanta a história e os descaminhos da empresa de segurança Reação, cujo proprietário é acusado pelo MP de ser o mandante do crime.
    O que impressiona é que, com todo o histórico de irregularidades e denúncias envolvendo a empresa, que motivaram até uma sessão da Câmara de Vereadores, a Reação e seu proprietário não tenham sido incluídos nas investigações da polícia.
    Fora isso, impressiona também a série de fatos escabrosos que até agora não haviam merecido a devida atenção.
    Por exemplo: em 2007, a Reação era uma das 15 empresas de segurança privada denunciadas pelo Conselho de Administração de Defesa da Economia (CADE) pela formação de cartel.
    As empresas combinavam os preços para disputar as licitações junto ao setor público – municipal, estadual e federal! – e isso foi provado inclusive por gravações, num processo de 18 mil páginas. As empresas foram multadas em R$ 42 milhões!
    A Polícia Federal imediatamente rompeu o contrato que tinha com a Reação, para segurança de sua sede em Porto Alegre. Mas a prefeitura manteve os dois contratos, que só foram rompidos no ano passado, quando estouraram as denúncias de propina.
    Propina
    Nesses três anos (2007, 2008, 2009) a prefeitura pagou R$ 9,5 milhões à Reação . O contrato foi renovado apesar de pareceres jurídicos contrários.
    Em seu depoimento na Câmara, em maio do ano passado, Jorge Renato de Mello, o proprietário da Reação (ou que se apresentava como proprietário, porque não está clara a situação societária da empresa) disse coisas espantosas.
    Em primeiro lugar confirmou o pagamento de propina. Disse que sofria atrasos nos pagamentos, mas depois que passou a pagar suborno (R$ 10 mil inicialmente) recebia antes de qualquer credor!
    Mais: que a firma que venceu a concorrência na qual a Reação perdeu o contrato apresentou documentos adulterados!
    Em síntese: independente do desfecho do Caso Eliseu, está aberto o caminho para a CPI na Câmara Municipal e o que surpreende é que a base aliada tenha conseguido evitá-la até agora, dada a gravidade dos fatos.

  • Campanha na internet pode mudar projeto da Fase

    Foi adiada para a sexta-feira, 16 de abril, a votação do projeto de descentralização dos serviços da Fase (Fundação de Atendimento Socio-educativo) na Comissão de Constituição e Justiça, da Assembléia.
    O projeto, que já tem parecer favorável do relator, seria votado na manhã desta terça, 6, mas um dos integrantes da comissão, Ciro Simoni (PDT), pediu vistas ao processo.
    O projeto, oriundo da Secretaria de Justiça, prevê a construção de nove unidades menores em diferentes pontos da região metropolitana, para descentralizar o atendimento hoje centralizado na avenida Padre Cacique, onde a Fase mantém cerca de quinhentos menores infratores.
    A polêmica em torno do projeto vem crescendo porque o caminho proposto pelo governo para construir as nove unidades descentralizadas prevê uma permuta pelo terreno onde hoje está a Fase.
    É um terreno de quase 74 hectares, numa das zonas mais nobres da capital, na Orla do Guaiba, parcialmente coberto por mata nativa.
    Pelo projeto, o terreno seria, mediante licitação, transferido para uma empresa privada, que se encarregaria, em troca, de construir as nove unidades.
    Denúncias na internet começaram a se avolumar no início de março, quando surgiu a informação de que o governo do Estado proibira a divulgação de um estudo da Fundação Zoobotânica, com um inventário ambiental da área.
    “O terreno conta com diversas espécies protegidas, tem nascentes, é um verdadeiro patrimônio ambiental, que o governo vem sumariamente proibindo os funcionários de divulgar”, escreveu em seu blog a jornalista Cris Rodrigues.
    “Há que se considerar que é a área mais procurada em POA pelos empreendimentos imobiliários atualmente. Fica na rota da Copa do Mundo de 2014, na frente do Beira-Rio, no caminho pra Zona Sul, perto do BarraShoppingSul, de frente para o Guaíba. É difícil encontrar características mais cobiçadas em um terreno”, diz a jornalista.
    A partir daí a campanha envolveu associações comunitárias e entidades ambientalistas. Constatou-se inclusive que o índice construtivo naquela região passou de 1,0 para 1,9, na recente reforma do Plano Diretor, o que permite praticamente dobrar o volume a ser construído no terreno em questão.
    Esta semana, o material que circula na internet chegou ao Palácio Piratini.
    Entre as denúncias está a de que a principal candidata ao terreno é a empresa Maiojama, dos controladores da RBS, que já contaria com a boa vontade do governo.
    Na edição desta terça-feira, o jornal Zero Hora, que tem defendido o projeto, registrou que a “Nova Fase é alvo de desconfiança”. A matéria cita um manifesto “de entidades” com assinaturas entregue aos deputados.
    No início da tarde, uma extensa matéria na edição on line de ZH (reproduzida na edição impressa do dia seguinte) apresentava entrevistas com diversos “especialistas” defendendo o projeto e pedindo urgência na sua aprovação.
    Depois de passar pela Comissão de Constituição e Justiça, o projeto poderá ter seu mérito discutido em outras comissões ou ir para votação em plenário. Até agora não surgiu questionamento à descentralização dos serviços da Fase. As críticas todas se referem à permuta do terreno.

  • Crescimento de Yeda surpreende desavisados

    Os índices de avaliação do governo Yeda na pesquisa do DataFolha são de acender luzes amarelas nas hostes fogacistas (e tarcistas, por que não?)
    É só olhar o gráfico (ZH, 5/4/10, p.6). Ruim e péssimo caiu de 50% para 42% em três meses. Regular se manteve nos 35%, mas bom e ótimo cresceu 10 pontos de 12% para 22%.
    Considere-se que a governadora esteve sob pressão extrema em 2009. Muitos consideravam que não chegaria ao fim. Em dezembro ainda era um governo acuado.
    Operação Rodin (à que não faltou um cadáver), compra da casa com evidências de caixa dois, a delação de Lair Ferst, o diálogo Busato-Feijó, o pedido de impeachment, a CPI da Corrupção.
    Por algum momento a oposição – ou pelo menos os setores mais exaltados –acreditaram que poderiam emparedá-la.
    São muitos os fatores que evitaram o desfecho, inclusive uma blindagem da imprensa. O certo é que o “Fora Yeda” não se materializou, os processos se arrastam, as decisões que saíram são favoráveis…
    “Coragem de fazer”
    Encanzinada nas denúncias de corrupção, a oposição não deu importância ao discurso que o governo foi plantando – da eficiência, do déficit zero, da “coragem para fazer”.
    O governo era errático, mas o discurso fazia sentido, até pela falta de crítica. O caixa reforçado por arrecadações excepcionais faz o resto.
    Até agora Yeda não fugiu da escrita. Todos os governadores, desde que voltou a eleição direta, assumiram com a prioridade de equilibrar as contas, corroídas por um déficit crônico.
    Corte de gastos, reforma da máquina pública para que pudesse fazer mais com menos, tem sido a receita comum.
    Alceu Collares cortou o cafezinho nas repartições. Pedro Simon suportou 97 dias de greve para não ceder aos professores.
    Todos, ao final, cederam e chegou a um ponto em que foi necessário um novo ingrediente na receita: um aumento de impostos, sem o qual o Estado seria “ingovernável”.
    Yeda Crusius e Olívio Dutra foram os únicos que não conseguiram apoio político para aumentar o imposto estadual (ICMS).
    Mas ela teve o que nenhum dos antecessores teve: quatro safras agrícolas sem quebras, sendo uma excepcional e outra muito boa em termos de volume e preços.
    Só em 2008, Yeda obteve R$ 3, 2 bilhões de acréscimo no ICMS. É mais do que pretendia para três anos, com o projeto de aumento de impostos apresentado no início do governo.
    O custos de uma política de cortes para eliminar o déficit é de difícil avaliação.
    Reiterada a vários governo, ela é a causa de a Polícia Civil ter quatro mil homens a menos. Assim é na Brigada Militar, assim é na Saúde, assim é nas escolas, assim é nas áreas de controle.
    Mas governo pode fazer média com as corporações dos funcionários, dando generoso aumento às vésperas da campanha, para afagar um milhão de votos.
    Até agora, essa estratégia fracassou. Desde a volta das eleições diretas para governador, nenhum conseguiu fazer seu sucessor ou reeleger-se no Rio Grande do Sul.
    A diferença de Yeda é que ela sofreu todos os desgastes um ano antes da eleição, tem dinheiro em caixa e um discurso que a oposição ainda não conseguiu combater eficazmente.

  • Caso Eliseu: saia justa na polícia (e na imprensa)

    Ao concluir em 17 dias o inquérito, dando por esclarecido o assassinato do secretário municipal da saúde, Eliseu Santos, a polícia civil de Porto Alegre mereceu rasgados elogios da imprensa local, principalmente do jornal Zero Hora, que chegou a qualificar o trabalho policial como “a mais técnica” das investigações já feitas no Estado.
    Agora quatro promotores refizeram as investigações e concluíram que, ao contrário da convicção policial, o crime não foi latrocínio. Foi uma execução, morte encomendada.
    Mesmo que ao final de tudo não se chegue ao cabal esclarecimento do caso, já que são muitos os interesses em jogo, só os elementos que os promotores agregaram ao processo já deixa a polícia de saia justa. E também a imprensa, porque engoliu sem matigar a versão policial, apesar das muitas evidências em contrário.
    Em troca de informações pretensamente “privilegiadas” da fonte policial, a imprensa não questionou sequer o esdrúxulo “segredo de Justiça” para o caso.
    Deixou completamente de lado as ameaças de morte a Eliseu, que foram mencionadas formalmente na Câmara de Vereadores e registradas na polícia federal.
    Não deu bola à proposta de CPI na Câmara e, ao deixar de lado todas essas evidências, praticamente enterrou qualquer possibilidade de investigar as denúncias gravíssimas envolvendo servidores públicos e prestadores de serviços ao poder público municipal.

  • Memorial para Olga Benário na avenida Beira Rio

    Está acertado o acordo entre a Federação Gaúcha de Futebol e a Fundação Olga Benário para a construção de um memorial dedicado à memória da companheira do líder comunista Luiz Carlos Prestes, em Porto Alegre.
    O terreno para a obra, localizado na esquina das avenidas Ipiranga e Beira Rio, foi doado pelo município em 1989, com base em projeto do então vereador Vieira da Cunha (PDT), aprovado pela Câmara de Vereadores.
    O projeto de autoria do arquiteto Oscar Niemayer também já está pronto.
    Agora foi acertada uma permuta com a Federação Gaúcha de Futebol que vai construir o prédio em troca de metade do terreno de 10 mil metros quadrados.
    Olga Benário morreu num campo de concentração, durante a segunda guerra, depois de ter sido entregue aos nazistas pelo governo de Getúlio Vargas, durante a ditadura do Estado Novo. Sua história foi contada no livro “Olga”, do escritor Fernando Morais, adaptado também para o cinema.

  • "Globo demitiu Armando Nogueira para agradar Collor"

    O jornalista Paulo Henrique Amorim diz em seu blog Conversa Afiada que foi para agradar o recém-eleito presidente Collor de Mello que a Rede Globo demitiu logo depois da eleição seu diretor de jornalismo Armando Nogueira. Nogueira morreu há poucos dias, sem uma explicação convincente para o fato.
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    O fato central foi o famoso debate entre Lula e Collor, no final do segundo turno.
    Amorim era editor de Economia da Globo e viu o que se passou na redação do Jornal Nacional naquela sexta-feira, 15 de dezembro de 1989, quando o debate entre Collor e Lula foi editado. Armando Nogueira não foi sequer consultado.
    “O episódio do debate é o ponto culminante de uma política de manipulação de opinião pública, através do noticiário da maior rede de televisão comercial do mundo, fora dos Estados Unidos. Uma política que não começou com o Collor nem acabou com ele”, diz Amorim.

  • PT divulga pesquisa com Tarso na frente

    (Geraldo Hasse) –Com 37% das intenções de votos, Tarso Genro leva 9 pontos percentuais sobre José Fogaça (28%), segundo pesquisa estadual encomendada pelo PT no fim de semana encerrado no dia 20 de março.
    A governadora Yeda Crusius aparece em terceiro com 10%. Os outros mais cotados são Beto Albuquerque (7%) e Luiz Augusto Lara (menos de 3%).
    Síntese de 60O questionários aplicados por uma empresa de pesquisa contratada pelo PT gaúcho, esses números foram apresentados no sábado dia 27 pela manhã na Câmara de Vereadores de Osório por João Vitor Domingues, coordenador da bancada do PT na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Segundo Domingues, é pesquisa de trabalho, sem maquiagem, para subsidiar o planejamento da campanha de Tarso Genro ao governo gaúcho.
    Depois de analisar os governos Yeda e Fogaça, o coordenador petista deixou uma mensagem otimista à platéia de 60 pessoas reunida pelo PT local, que tem apenas um vereador numa câmara de nove membros: “Não acreditem na história de que o PT está isolado — esse é o desejo deles”, disse, lembrando que o PMDB continua no governo do estado, mesmo depois de escolher o prefeito portoalegrense Fogaça como candidato ao Piratini.
    Segundo Domingues, a união PMDB-PSDB-PP no governo é fisiológica e reflete a ameaça feita pela governadora em meio às denúncias de corrupção em seu governo: “Se eu cair, não caio sozinha”.
    Além do caso do Detran, que vem do governo Rigotto (2003-2006), e das concessões rodoviárias, que vêm do governo Britto (1995-1998), o petista apontou problemas na Corsan, no Daer, na Saúde, no Meio Ambiente, no Banrisul e nas barragens de Rosário do Sul e Dom Pedrito.
    “A política no Rio Grande do Sul está dominada por famílias políticas mafiosas”, afirmou Domingues, salientando que “a governabilidade é um negócio” e “o déficit zero é uma farsa” encoberta pela privatização parcial do Banrisul e o enxugamento nos gastos em educação e saúde.
    A pesquisa feita pelo PT apontou também os cinco maiores problemas gaúchos. Segundo os entrevistados, o maior é a saúde, seguido pela droga, a violência, a falta de emprego e a falta de perspectivas profissionais.
    Outra questão indicou as três qualidades essenciais de um governante, por ordem: a ética, a capacidade de iniciativa e a disposição para o trabalho.

  • Jornais do Interior estão descontentes com Yeda

    A Associação dos Jornais do Interior (Adjori) reelegeu nesta sexta-feira, 26, o presidente Miguel Luz, do Destaque de Esteio, para mais um mandato.
    Mas o assunto mais discutido entre os editores na sede da entidade em Porto Alegre foi a questão das verbas publicitárias do governo do Estado.
    A queixa é generalizada: Yeda é bastante generosa com os jornais da capital, mas mantém a imprensa do interior à míngua. São 260 jornais associados à Adjori no Rio Grande do Sul.
    Os poucos que conseguiram alguma coisa durante o governo Yeda foram os que apelaram para deputados da bancada governista.
    A situação é tal que a entidade estuda a sugestão de formar uma comissão para manifestar à governadora o descontentamento generalizado e chamar a atenção para a importância dos veículos municipais na hora das eleições.
    A disputa eleitoral deste ano também foi um dos assuntos. Entre os presentes, eram minoria os que consideram as chances de Yeda Crusius muito pequenas.
    A grande maioria acha que há grandes possibilidades de reeleição, principalmente por causa das boas relações que a governadora vem mantendo com a maioria dos prefeitos, mesmo os que não são dos partidos da base aliada.
    Segundo alguns, ela já é chamada de “Amiga dos Prefeitos”. Yeda está cumprindo rigorosamente o cronograma de transferências do ICMS para as prefeituras e sendo bastante solícita no atendimento às demandas, às vezes pequenas, mas cruciais para os municípios.

  • Qual será o destino da casa dos Lutzenberger?

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    A casa em que nasceu e viveu José Lutzenberger, na rua Jacinto Gomes, está
    fechada desde que ele morreu, há oito anos. Numa edícula, no quintal da
    casa de três pavimentos ainda funciona um escritório da Fundação Gaia, por
    ele fundada.
    Mas agora tudo vai mudar. A Fundação Gaia, presidida por Lara, a filha
    mais moça de Lutz, vai transferir todas suas atividades para a sede em
    Pântano Grande, o Rincão Gaia, a 125 quilômetros de Porto Alegre.
    E a casa, projetada e construída em 1926 pelo arquiteto José Lutzenberger,
    pai do ambientalista, provavelmente será alugada, para alguém que se
    disponha a reformá-la, pois toda a estrutura de madeira está comprometida.
    O empresário Cerilo Vallandro, proprietário do Bar Cerilo, vizinho da
    esquina com a rua Venâncio Aires, já fez uma proposta. O interesse dele
    não é o imóvel, mas o quintal, para ampliar o estacionamento com entrada
    pela Jacinto Gomes.
    Vallandro concorda em alugar tudo e até arrumar a casa. Não seria uma
    reforma completa, apenas o suficiente para que possa sublocá-la e, com
    isso, recuperar o investimento a ser feito.
    O negócio ainda não saiu porque as herdeiras de Lutz exigem aprovar cada
    candidato a sublocador que apareça e o uso a ser dado ao imóvel. A
    contraposta do empresário é que elas apresentem uma relação das ocupações
    que vetariam. Como tem planos de aumentar o restaurante, ele acha
    importante ampliar o estacionamento.
    Naturalmente, os ambientalistas não aprovam a idéia, especialmente os
    contemporâneos de Lutz. Mas nada podem fazer para impedir o fim do jardim,
    já que o imóvel é particular e não tem nenhuma ligação formal com Fundação
    Gaia. Tampouco podem preservar o jardim ou, por exemplo, abri-lo à
    visitação pública. (Patricia Marini)