De janeiro de 2012 a junho de 2018, o setor bancário no Brasil fechou 57 mil postos de trabalho, o que dá uma média aproximada de 10 mil por ano.
Esse é um dos dados colocado na mesa pelo Comando Nacional dos Bancários nesta quarta-feira (25) em mais uma rodada de negociações da campanha salarial com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
A pauta da reunião é a garantia de emprego, em um setor que, apesar dos lucros astronômicos, eliminou mais de 57 mil postos de trabalho desde 2012.
A categoria também reivindica cláusulas contra contratos precários, previstos na legislação após a “reforma trabalhista”.
Bancários de todo o país foram convocados a participar de um tuitaço para reivindicar o fim das demissões e mais contratações no setor financeiro, para melhorar o atendimento à população e reduzir a sobrecarga de trabalho. A hashtag a ser usada é #empregoébomeeugosto.
Clientes também podem participar do tuitaço para expressar sua insatisfação com as grandes filas e o atendimento precário nas agências, problemas decorrentes da falta de funcionários..
A categoria reivindica responsabilidade social equivalente à lucratividade do setor. Em 2017, os cinco maiores bancos no Brasil (Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa) lucraram, juntos, R$ 77,4 bilhões, crescimento de 33,5% em relação ao ano anterior.
Só no primeiro trimestre deste ano, os mesmos cinco já atingiram R$ 20,3 bi em lucro, 18,7% a mais do que em igual período de 2017.
Por outro lado, entre janeiro de 2012 e junho de 2018, os bancos eliminaram 57.045 postos de trabalho, o que representou redução de 11,5% neste período.
Uma média de 731 desempregados por mês. No primeiro semestre, o total de vagas extintas já chegou a 2.846. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
“Os bancos não têm razão para demitir e é isso que vamos cobrar na rodada de negociação desta quarta-feira”, afirma a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira. “Queremos respeito aos empregos e também garantir na CCT que os bancários não sejam trocados por trabalhadores terceirizados, nem pelas formas de contratação previstas na lei trabalhista do pós-golpe, como autônomos, intermintentes”, reforça a dirigente, que é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.
Segndo dados da Contraf-CUT, o número de clientes por empregado subiu 13,3% no Bradesco; 6,9% no Santander; 14% na Caixa; 6,9% no Itaú; 6,7% no BB. Para a entidade, isso se traduz em sobrecarga, estresse, pressão por metas, assédio moral e o consequente adoecimento da categoria. “Um setor que bate recorde de lucratividade todos os anos há quase duas décadas, devolve à sociedade brasileira uma legião de desempregados e adoecidos”, ressalta Juvandia, lembrando que o setor foi responsável por apenas 1% dos empregos criados no país, mas provocou 5% dos afastamentos por doença, entre 2012 e 2017 (de acordo com dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho).
(Com informações da RBA)
Bancos fecham 10 mil postos de trabalho por ano desde 2012
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