Boas práticas pedagógicas de 80 escolas estaduais estão na praça

Enquanto os professores estaduais – como todo o resto do funcionalismo público – estão atordoados com o pacote de cortes anunciado pelo governo Sartori e reagem aos gritos e apitos na Praça da Matriz, três quarteirões abaixo a educação pública está na vitrine.
Especialistas da área de Educação da Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia e Uruguai participam, no Clube do Comércio, do Encontro do Movimento Pedagógico Latino Americano, organizado pelo Cpers/Sindicato em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
Paralelo a esse encontro, acontece na Praça da Alfândega, a 2ª edição da Mostra Pedagógica do Cpers, aproveitando parte da estrutura da Feira do Livro. Em exposição,  80 projetos desenvolvidos em escolas públicas de diversas regiões do Rio Grande do Sul. A mostra começou ontem e termina hoje (23).
Para a secretária da CNTE, Selene Michelin, nesse momento de desvalorização da escola pública e dos educadores a união é fundamental. “Os exemplo dos projetos que vemos aqui servem para nos dar ainda mais força para resistir aos ataques que estamos sofrendo”, afirmou.
Já a presidente do Cpers, Helenir Schürer, destacou que a Mostra “é a nossa resposta a este governo que nos ataca e desrespeita. Educadores e estudantes estão mostrando a população que a educação pública tem qualidade sim. Temos muitas lutas pela frente, ainda mais depois do pacote do governo Sartori. Vamos resistir e faremos isso em muitos espaços, um deles é a Mostra Pedagógica e o Encontro do Movimento Pedagógico que está proporcionando aos educadores informações sobre como outros países da América Latina lutam e qualificam a educação pública”.
“É um espaço que retrata a qualidade da educação pública, não reconhecida pelo governo. Estou muito feliz e me sentindo valorizada”, afirmou a professora Sibele Teixeira Perez, da escola Professor Alfredo Dub,  de Rio Grande.
O diretor do Departamento de Educação do Cpers, Antônio Lima, relatou a satisfação de  colocar os projetos em praça pública, este ano. “Conseguimos expor em praça pública para os cidadãos e as cidadãs de Porto Alegre verem os projetos que mostram a qualidade do ensino em nossas escolas. Ter a oportunidade de fazer o encontro e a Mostra juntos é um sonho realizado. Estamos mostrando para a sociedade o valor da escola pública e o quanto vale a pena a nossa luta pela educação”, afirmou.
Práticas pedagógicas na escola pública
Na continuidade do Encontro do Movimento Pedagógico Latino Americano, o painel  Práticas Pedagógicas na Escola Pública foi abordado pelo professor doutor Nilton Mullet Pereira, responsável pelo Departamento de Ensino e Currículo da UFRGS. O professor parabenizou o Sindicato pela iniciativa. “É uma honra estar aqui com educadores  que fazem a diferença na escola pública. Ainda mais sendo uma Mostra promovida por um Sindicato de luta, no meio de uma avalanche de ataques aos direitos dos servidores públicos e do serviço público”, ressaltou.
Pereira trouxe conceitos importantes sobre a experiência pedagógica, mostrando tudo que envolve esse trabalho: o encontro do professor e do aluno, o tempo que não pode ser calculado no relógio, a arte e o  amor. “O que fazemos em sala de aula não é somente a reprodução da física e da química, mas sim o esforço de representá-los para serem usados na vida prática, não meramente no aspecto cotidiano, mas no próprio entendimento das situações, abrangendo o aspecto ético e político. Proporcionando, inclusive, ao indivíduo entender o pacote do Sartori e saber se posicionar na sociedade”, ressaltou.
“A Mostra Pedagógica que o Cpers tem a ousadia de realizar é mais do que tudo uma forma de resistência política do desmantelamento do serviço público que está acontecendo”, finalizou Pereira.
O último painel do dia abordou o tema O Papel das Centrais Sindicais na Luta pela Educação Pública, com o professor Daniel Sebastiani, da Central dos Trabalhadores do Brasil – CTB e a professora Simone Goldschmidt, da CNTE e da CUT.
Sebastiani destacou que a maioria dos brasileiros ainda não está consciente da gravidade dos impactos das ações dos governos Sartori e Temer, ambos do PMDB. “Estamos enfrentando uma ofensiva neoliberal que terá conseqüências sérias principalmente para áreas essenciais à população como a educação e a saúde. O foco é a redução do Estado. O governo Sartori, com todas as reduções que anunciou, não vai economizar nem 2% do orçamento público. Com o discurso de Estado falido, entrega setores importantes da sociedade à iniciativa privada. O momento exige uma luta defensiva e na defesa precisamos de unidade, mais do que nunca”, observou.
Simone observou que a situação para os trabalhadores é extremamente dramática e que somente a união de todos os trabalhadores poderá barrar os ataques dos governos Sartori e Temer. “Ou nós unimos os sindicatos, as centrais sindicais da classe trabalhadora, ou seremos atropelados pelo governo golpista do Temer e pelo governo autoritário e desrespeitoso do Sartori”, destacou.
“Quando falamos da reforma da Previdência e da possibilidade de não termos mais aposentadoria especial, os colegas dizem que têm direito adquirido, que isso não vai ocorrer. Ontem tivemos uma mostra bem próxima disso: o governo diz que vai pagar o nosso 13º metade em um ano e a outra metade no outro. Precisamos nos preparar para uma grande luta”, afirmou a vice-presidente do Cpers, Solange Carvalho.

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