Briga de adolescentes no Julinho vira caso de polícia

Atualizado às 23h57 com vídeo gravado por aluno
Uma briga entre dois alunos na hora do recreio acabou numa violenta confusão no Julinho (Escola Estadual Júlio de Castilhos) na manhã desta segunda-feira. Sem saber como contornar a situação, a diretoria chamou a Brigada Militar, e pelo menos sete adolescentes ficaram feridos, todos menores de idade.
No início da tarde, em frente ao Hospital de Ponto Socorro, estudantes que aguardavam os colegas feridos serem atendidos relataram que um aluno “começou a implicar com outro, menor do que ele”, na aula de Educação Física, logo antes do intervalo, quando a implicância virou agressão física.
Contaram que outros partiram em defesa do que estava em desvantagem física, e o garoto que iniciou a confusão acabou apanhando, ninguém veio em defesa dele. Foi quando chegaram três viaturas. Seis brigadianos tentaram deter o autor da confusão, que resistiu, e um policial teria lhe dado uma bofetada. “Aí ele começou a apanhar da polícia.”
Em seguida levaram-no para uma sala, e um grupo de colegas aglomerou-se em frente à porta fechada. Ao saírem com o detido, os brigadianos teriam tido uma reação violenta, abrindo caminho com os cassetetes.
“Não vi, mas colegas viram que foi um brigadiano que quebrou o vidro da janela”, diz a presidente do Grêmio Estudantil, Brisa Monteiro D’Ávila, 17 anos. Um dos alunos chegou a desmaiar e foi para o HPS de táxi, os demais foram a pé.
Não havia nenhum representante do Conselho Tutelar nem mulheres policiais na operação. Dois professores, de Filosofia e de Sociologia, demandados pelo Grêmio estudantil, acompanharam os alunos na chegada ao HPS.
Do Julinho, os estudantes foram prestar queixa e fazer exame de corpo de delito no Palácio da Polícia: IML em greve. Então dirigiram-se à décima Delegacia de Polícia Civil, na rua Jacinto Gomes, a mais próxima do hospital: operação padrão. Só registrariam a queixa dos feridos, que ainda estavam sendo atendidos no HPS, onde alguns deles tiveram prontuário de agressão, outros de simples casos clínicos.

Adriana Paz, representante dos pais de alunos no Conselho Escolar / PM/JÁ
Adriana Paz, representante dos pais de alunos no Conselho Escolar / PM/JÁ

O rapaz que desmaiou foi um dos primeiros a ser liberado, e saiu com o pai direto para casa, não quis registrar queixa. “Muitos que moram em bairros da periferia têm receio de retaliações”, diz Adriana Paz, mãe de aluno e representante dos pais de alunos no Conselho Escolar do Julinho, que tem reunião previamente agendada para as 18 horas desta terça-feira (13). “A responsabilidade é da Direção da escola”, avalia Adriana. O assunto vai entrar na reunião no Conselho, mesmo que não esteja previsto na pauta.
Só mais tarde o caso acabou sendo encaminhado ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), que registrou a apresentação de um adolescente, segundo divulgou a Rádio Guaíba. Conforme a delegada Adriana Muncio, o tumulto maior começou quando a BM tentou retirar o estudante da escola, o que levou os PMs a chamarem reforço.
Um vídeo feito por um aluno registrou em parte o ocorrido e foi postado no Facebook. Quem tem conta na rede social  pode conferir clicando aqui.

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