
A Zona Sul proporciona imagens inesperadas para a metrópole que é Porto Alegre
(Fotos: Carla Ruas/JÁ)
Carla Ruas
Porto Alegre é conhecido como um grande centro urbano, mas 30% da sua geografia está em Zona Rural. Grande parte deste território se localiza na Zona Sul da cidade, entre os bairros Vila Nova, Belém Velho, Belém Novo, Lami e Restinga. Esta região oferece belas paisagens e um contato direto com a vida campeira e rural, típica do interior.
O Escritório Municipal de Turismo em parceria com a EMATER, montou um roteiro turístico para esta extensão. Trata-se do Caminhos Rurais, rota que surpreende pela beleza natural, e pelo valor histórico cultural que guarda da cidade. A idéia data de 2002, mas só agora o roteiro teve investimentos e divulgação. Pela primeira vez, a Zona Sul ganhou um mapa ilustrativo, que mostra os atrativos desta área para a população urbana.
Ângela Baldino, secretária de Turismo, acredita que o roteiro deve servir como uma alternativa de lazer para turistas e porto-alegrenses. “Queremos promover o interesse em conhecer a cidade, pouco explorada. Além disso, o turismo agrega valor à produção de hortigranjeiros que ocorre no local”.
Vinte e nove empreendedores da Zona Sul se organizaram para participar do projeto. Estes produtores ganharam um curso de qualificação para o turismo rural, oferecido pelo SENAR, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. “O curso é realizado em módulos, e visa sensibilizar o produtor para o turismo”, explica Liziane Pratini de Moraes, coordenadora do Caminhos Rurais. “Ensinamos como receber o turista, comercializar produtos e cobrar pelo serviço prestado. Afinal, para receber visitas, temos que organizar a casa”, ilustra.
Ricardo Fontoura, um dos produtores participantes, é proprietário do haras Cambará, Cia de Lazer e Eventos, localizado no bairro Lami. Para ele, a ação do Escritório de Turismo foi essencial para organizar os empreendedores, mas a partir de agora eles pretendem continuar investindo no roteiro independentemente da Prefeitura. “Estamos criando uma associação para investir na divulgação e realizar parcerias que complementem o roteiro”.
Para este ano, o Escritório de Turismo pretende ainda colocar placas turísticas ao longo da rota dos Caminhos Rurais. “Esta foi uma conquista do Orçamento Participativo. A região ganhou R$100 mil reais para investir na sinalização do Turismo”, afirma Liziane. Estão ainda nos planos da secretaria a implantação de uma Linha Turismo Zona Sul, que faria a rota turística. No momento, para seguir o caminho, o turista tem que estar de carro, ou irá depender do transporte público.
O material do roteiro está à disposição nas centrais de informações turísticas da capital. A visita aos locais sugeridos deve ser realizadas mediante agendamento prévio com os empreendedores.
O roteiro

Bastro mostra as uvas da sua propriedade, que geram vinhos artesanais
Na Fan Tur oferecida para os profissionais da imprensa, o Escritório de Turismo selecionou alguns empreendimentos para ilustrar o Caminhos Rurais. Entre eles estava o Sítio Dom Guilherme, em Belém Velho. Nesta propriedade rural de quase 4 hectares é produzido uva, ameixa, pêssego e jabuticaba. Mas o dono César Bastro explica que o grande atrativo é o vinho artesanal. “Este vinho é puro e não tem conservante. Ele é feito em barris de madeira e demora três meses para se filtrar sozinho”. Cada garrafão custa em torno de R$20.
Bastro recebe grupos de colégios e de idosos para visitar a sua produção hortifrutigranjeira. Ele não cobra ingresso e ainda oferece uma degustação de cucas, sucos e doces. “Ganho com a venda dos meus produtos”, esclarece. A sua propriedade fica na Avenida Belém Velho, nº 3580, e o agendamento de visitas pode ser feito através do telefone (51) 3263 3120.

O hotel-fazenda Cambará se localiza no Lami, mas parece cidade do interior
No Lami, uma boa opção para hospedagem no formato hotel-fazenda é o haras Cambará. Lá, é possível fazer trilhas, andar à cavalo e praticar esportes, como voleibol e futebol. A propriedade era uma área para a criação de cavalos de corrida inglês, e até hoje mantém como atividade principal o treinamento de cavalos.

Os quartos ficam onde eram as cocheiras de cavalos ingleses
Os quartos são antigas baias, o que gera um ambiente rural, mas com uma boa estrutura para hospedagem. O haras recebe grupos de no mínimo 15 pessoas, de empresas e cursos. O custo da estadia por fim-de-semana com refeições é de R$120 por pessoa. Para agendar a hospedagem, deve-se ligar para (51) 3258 1086. O hotel fica na Estrada da Extrema, nº500.
Para a alimentação, o restaurante A Cantina oferece pratos exóticos e típicos da vida rural. O seu cardápio inclui Avestruz, Ema, Capivara, Cabrito e Cordeiro. A proprietária Mirian Neves destaca o rodízio de carnes exóticas, servido nos sábados ao meio-dia, pelo preço de R$16. Aos domingos, a opção é o rodízio de massas com Javali, por R$14. A Cantina fica na Avenida Edgar Pires de Castro, nº 10853.
O Agro-Ecoturismo

O Agro Ecoturismo tem como enfoque a população urbana, que busca conhecer a vida rural
O Caminhos Rurais compreende a região verde mais preservada de Porto Alegre. Os morros que beiram o Lago Guaíba proporcionam um clima de serra em plena capital gaúcha. Este quadro é o principal motivo para que a cidade seja considerada a segunda capital com mais área verde no Brasil – atrás apenas de Tocantins.
Segundo Marco, guia do passeio e técnico em turismo, este quadro é ideal para a prática do Ecoturismo. Ele explica que esta ênfase tem como característica principal a visitação de áreas preservadas sem causar impacto ambiental.
“Os Caminhos Rurais proporciona o Agro-Ecoturismo, atividade em expansão no Brasil, que culmina a preservação da natureza com a produção rural”. Ele enfatiza que esta atividade é muito praticada no Pantanal e no Mato Grosso. “Aqui no Rio Grande do Sul o potencial para este tipo de turismo é grande, porque tem como enfoque a população urbana que quer visitar a zona rural e vivenciar a vida campeira”, explica.
Mauri Webber, técnico em turismo rural e morador de Belém Velho, enfatiza que os atrativos da região também são históricos. “A praça de Belém Velho teve uma das primeiras sesmarias da cidade, em 1835. A paróquia do bairro, que hoje é patrimônio histórico, foi a segunda igreja de Porto Alegre”, surpreende.
Webber conta que o responsável pela habitação da região foi o sesmarieiro Dionísio Rodrigues Mendes. Foi ele que plantou as figueiras tradicionais do bairro, que têm mais de 200 anos. Na opinião do morador, Belém Velho “parou no tempo”, devido ao difícil acesso, em cima do morro. Além disso, ele acredita que o tratamento de tuberculosos no Hospital Parque Belém pode ter afastado a civilização.

Deixe um comentário