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  • Rigotto desiste para "ajudar o PMDB"

    Da Redação
    O ex-governador Germano Rigotto reuniu ontem a imprensa e “ditou” o que está nos jornais de hoje: que sua decisão é pessoal, que com isso quer “ajudar o PMDB e Simon” (ao acabar com a dicotomia entre seu nome e o do prefeito José Fogaça, o que retardaria a definição de alianças), que “seria muito ruim afastar qualquer possibilidade de coligação”, e que uma das razões é que ele já foi governador, e Fogaça, não. Por três vezes, quase chorou.
    Não está nos jornais: perguntado pelo JÁ se pesou na decisão o fato de estar na internet que sua família está processando um jornal, respondeu o mesmo que já “ditou” [sic] ao blogueiro Políbio Braga esta semana: não tem nada com isso. Acrescentou, sem que fosse questionado: “Nunca indiquei ninguém pra governo”. Referia-se, sem citá-lo, ao irmão Lindomar Rigotto, principal implicado na fraude da CEEE, que gerou um processo judicial que corre em segredo de justiça há 14 anos.
    Já dissera, em agosto, quando foi divulgada a ação do Ministério Público Federal intitulada “José Otávio Germano e outros” (secretário de Segurança no seu governo, quando começou o Caso Detran), que seus secretários “tinham autonomia para assinar contratos”. Mais uma vez, portanto, afirmou que não é consultado no seu governo, no seu partido e nem no seu círculo familiar, apesar da gravidade das acusações.

  • Mais de 100 mil disputarão 500 vagas no Banrisul

    Na tarde desta quinta, 26, já eram mais de 75 mil os candidatos a uma vaga de escriturário no Banrisul. As inscrições encerram na próxima segunda-feira, 30, e a previsão obvia é de que o número de pretendentes vai a mais de 100 mil.
    São 500 vagas para o cargo de escriturário, com uma jornada de trabalho de 30 horas semanais. A escolaridade mínima exigida é o ensino médio completo.
    As inscrições serão feitas somente pela internet no site da Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (www.fdrh.rs.gov.br).
    A taxa de inscrição, no valor de R$ 48,43, poderá ser paga, preferencialmente, na rede de agências ou nos correspondentes do Banrisul.
    Os candidatos que são clientes do Banco poderão fazer o pagamento na Agência Virtual (www.banrisul.com.br) na opção Pagamentos/Arrecadação, no Banrifone ou nos equipamentos de autoatendimento na opção Pagamentos/Código de barras.
    O pagamento poderá ser feito até o dia 1º de dezembro de 2009.
    A prova do concurso será objetiva, de caráter eliminatório e classificatório, no total de 80 questões, com o seguinte conteúdo: Língua Portuguesa, Matemática Financeira, Conhecimentos Bancários e de Mercado, Informática.
    A aplicação da prova está prevista para o dia 17 de janeiro de 2010.
    O salário de ingresso, durante o contrato de experiência de 90 dias, é de R$ 980,08 e mais vantagens (gratificação semestral (1/6), auxílio refeição e auxílio alimentação), somando R$ 1.939,69. Após este período, a remuneração total passará a ser de R$ 2.049,80.
    Além disso, o Banrisul oferece participação nos lucros e resultados, plano de saúde médico e odontológico da Caixa de Assistência dos Empregados do Banrisul e plano de previdência privada, através da Fundação Banrisul de Seguridade Social.

  • JÁ, RESISTÊNCIA E AGONIA – O jornal que ousou contar a verdade – Matéria publicada no Observatório da Imprensa

    “A maior fraude com dinheiro público da história do Rio Grande do Sul carrega nos ombros o sobrenome ilustre de Germano Rigotto. O irmão do ex-governador gaúcho, Lindomar, brilha como o principal implicado entre as 22 pessoas e 11 empresas denunciadas pelo Ministério Público e arroladas na CPI da Assembléia gaúcha que investigou há 14 anos uma milionária falcatrua na construção de 11 subestações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE).”
    Assim começa a matéria assinada por Luis cláudio Cunha em 24/11/2009, que a seguir continua com…
    “Foi uma tungada, em valores corrigidos, de aproximadamente 800 milhões de reais – quase 15 vezes o valor do mensalão do governo Lula, três vezes o valor dos desvios atribuídos ao clã Maluf em São Paulo, cerca de 20 vezes o valor apurado no escândalo do Detran que expôs a governadora gaúcha Yeda Crusius a um pedido de impeachment.
    Esta história foi contada em detalhes, em 2001, por um pequeno jornal de Porto Alegre, com tiragem de apenas cinco mil exemplares numa capital com quase 1,5 milhão de habitantes – e está recontada, a partir desta semana, numa edição extra do JÁ que chega às bancas.
    Afundada em dívidas de quase 1,8 bilhão de dólares, a estatal gaúcha de energia encontrava dificuldades para conseguir os 142 milhões de dólares necessários para as subestações que iriam gerar 500 mil quilowatts para 51 pequenas e médias cidades do Rio Grande. O então governador Pedro Simon, preocupado com a situação pré-falimentar da empresa, tinha ordenado austeridade total.
    Até que, em março de 1987, criou-se o cargo de “assistente da diretoria financeira” para acomodar Lindomar Rigotto. “Era um pleito político da base do PMDB em Caxias do Sul”, confessou na CPI o secretário de Minas e Energia da época, Alcides Saldanha. O líder do governo Simon na Assembléia e chefe da base serrana era o deputado caxiense Germano Rigotto.”
    Leia na íntegra clicando AQUI.

  • Cláudio Humberto viu o que a imprensa gaúcha não viu

    A coluna do jornalista Cláudio Humberto de hoje, na internet, publicou uma nota intitulada “RS: jornal esmagado por relatar corrupção”. Reproduzimos:
    “O jornal gaúcho Já – de Elmar Bones, ex-Coojornal, um dos jornalistas mais admirados do País – deve fechar as portas. Não tem condições de pagar uma indenização à família do ex-governador Germano Rigotto – cujo irmão, Lindomar, falecido, foi apontado como um dos principais operadores de um esquema de corrupção na área de energia, no governo de Pedro Simon. Há 8 anos os Rigotto tentam fechar o jornal”.
    Tunga recorde
    “O jornal Já apenas contou a história do rombo de R$ 800 milhões (valor atual) nos cofres gaúchos – quinze vezes maior que o mensalão lulista”.
    Espanto
    “Dilma Rousseff era secretária de Energia e mandou investigar fraudes em sua área no governo anterior, de Pedro Simon. Ficou estarrecida. Do espanto de Dilma nasceu uma CPI na Assembléia gaúcha, que apontou corruptos e também corruptores: 13 pessoas e 11 empresas”

  • Edição Extra do Jornal JÁ traz dossiê sobre corrupção

    Reportagem traz um resumo dos casos recentes e um histórico das CPIs no legislativo estadual – desde 1947, foram 139, média de duas por ano.
    Estão em andamento no judiciário gaúcho mais de 200 Ações Civis Públicas ajuizadas pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, do MPE.
    A maior delas envolve a fraude na CEEE, ocorrida em 1987, no governo Simon, e que em valores corrigidos chega a R$ 800 milhões, quase 20 vezes o prejuízo causado ao Detran/RS, conforme apuração da “Operação Rodin”.
    A empresa JÁ Editores, que publica o jornal, foi condenada a indenizar a viúva Julieta Rigotto, mãe do empresário Lindomar Rigotto, por causa de reportagem publicada em 2001 sobre a morte dele, que foi assessor da Diretoria Financeira da CEEE e um dos principais implicados na CPI.
    A corrupção no Rio Grande do Sul é o tema de capa da edição de novembro do Jornal JÁ que está circulando desde o final de semana.
    A reportagem traz um resumo dos casos recentes e um histórico das CPIs no legislativo estadual – desde 1947, já foram 139 comissões parlamentares de inquérito, média de duas por ano em seis décadas.
    Segundo o jornal, estão em andamento no judiciário gaúcho mais de 200 Ações Civis Públicas ajuizadas pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, do Ministério Público Estadual.
    A maior dessas ações, envolve a fraude em dois contratos para a construção de onze subestações de energia da CEEE, ocorrida em 1987, durante o governo Simon, e que em valores corrigidos chega a R$ 800 milhões, quase 20 vezes o prejuízo causado ao Detran/RS, conforme apuração da “Operação Rodin”, que incriminou 39 pessoas.
    A fraude na CEEE, que resultou numa Ação Civil Pública ajuizada pelo MPE em fevereiro de 1996, é também um dos mais antigos processos envolvendo lesão ao patrimônio público em andamento no judiciário gaúcho.
    O processo já tem 110 volumes e corre em segredo de justiça, ainda em primeira instância. “Caiu o mito do Estado menos corrupto”, diz uma das manchetes desta edição.
    A empresa JÁ Editores, que publica o jornal, foi condenada a indenizar a viúva Julieta Rigotto, mãe do ex-governador Germano Rigotto e do empresário Lindomar Vargas Rigotto, por causa de reportagem publicada em 2001 sobre a morte do empresário, que foi assessor da Diretoria Financeira da CEEE e um dos principais implicados na CPI.
    Jornal JÁ – Edição Extra
    Onde encontrar em Porto Alegre

    CENTRO
    Banca do Julio – Mercado Público
    Banca do Leandro – Largo Glênio Peres
    Banca das Apostilas – Borges de Medeiros c/ Sete de Setembro
    Banca do Clovão – Borges de Medeiros, 915, c/ Fernando Machado
    Banca do Paulo – Andrade Neves c/ Borges de Medeiros
    Banca da Alfândega – Praça da Alfândega, Andradas c/ Caldas Jr
    Miscelânia Sáskia – Fernando Machado, 806 (ao lado de um Zaffari)
    CIDADE BAIXA
    Banda da República – Rua da República c/ Av. João Pessoa
    BOM FIM / SANTANA
    Palavraria – Vasco da Gama, 165 (tele-entrega pelo 3268-4260)
    Tabacaria Braz – Venâncio Aires, 1137, em frente ao HPS
    Banca Folhetim – Jacinto Gomes c/ Venâncio Aires
    Locadora Mondo Vídeo – Jerônimo de Ornellas, 531, c/ Santa Therezinha
    Mercado Zerbes – Jacinto Gomes, 463
    INDEPENDÊNCIA
    Av Independência, em frente a 375, perto do Colégio Rosário
    MOINHOS DE VENTO
    Revista & Chocolate – Padre Chagas, 330
    NA CIDADE: Nosso pessoal está na rua. Acompanhe a colocação do jornal nas bancas. Peça ao seu jornaleiro! Telefone da Editora: (51) 3330-7272

  • Novas regras…Stora Enso esclarece

    A respeito da nota “Novas regras para o plantio de florestas no RS” a Stora Enso, uma das empresas citadas, mandou o seguinte esclarecimento:

    Primeiramente, a paralisação do projeto da Stora Enso no RS não foi determinada pela denúncia de suposta infração à Lei de Segurança Nacional, mas sim pela questão financeira global, que afetou drasticamente as vendas de papel e celulose e depreciou os preços do mercado, levando à redução do ritmo de muitos projetos florestais em todo o mundo, inclusive no RS.
    Ainda sobre a questão de faixa de fronteira, a referida lei não proíbe a posse de terras a 150 quilômetros das fronteiras por estrangeiros. A Lei 6634/79 determina que, no caso de aquisição de imóveis rurais por estrangeiros, entre outros casos, é necessário o Assentimento Prévio do Conselho de Defesa Nacional.
    Como a reportagem explica, o Conselho de Defesa Nacional deu parecer favorável para a Stora Enso recentemente.
    Para proteger as compras de terras já realizadas enquanto tramitavam os processos no INCRA e, posteriormente, no Conselho de Defesa Nacional, a Stora Enso criou uma empresa brasileira – Azenglever Agropecuária Ltda.
    Esta alternativa jurídica foi alvo de investigação pelas autoridades brasileiras, mas, em março de 2009, a Justiça Federal arquivou o inquérito por considerar que não houve nenhuma ilegalidade nesse procedimento, que ocorreu com absoluta transparência, tendo a Stora Enso informado as medidas tomadas a todas as autoridades relacionadas com o caso.
    Diferentemente do informado, a Stora Enso obteve todas as licenças ambientais exigidas para a implantação do projeto de base florestal ainda em 2007, quando a FEPAM expediu a Licença Prévia após análise do EIA/Rima do empreendimento florestal e a Licença de Instalação. Importante salientar que as Licenças de Operação foram obtidas individualmente para cada propriedade que receberia plantios. Assim, a Stora Enso hoje não tem nenhuma pendência relativa a licenciamento ambiental.
    Sobre a liberação de áreas para pastoreio nas fazendas florestais, é preciso esclarecer que a atividade de pecuária é feita apenas em áreas permitidas pela legislação.
    Assessoria de Imprensa da Stora Enso

  • Educação e Política do Espetáculo

    Por Maria Rosa Fontebasso*
    O que o Governo do Estado quer fazer é um brutal arrocho salarial da maior parte dos professores com o engodo de privilegiar as classes com salário menor. Se estivessem falando de salários que ultrapassam o teto constitucional poder-se-ia discutir o assunto para não perpetuar a situação.
    No entanto, o governo se refere a salários aviltantes dos níveis mais baixos do Plano de Carreira (escolaridade menor dos professores), comparando-os com salários menos aviltantes dos níveis mais altos (escolaridade maior dos professores), mas que longe estão de ser considerados dignos.
    O governo Alceu Collares alterou o Plano de Carreira igualando os níveis 5 e 6 com o mesmo argumento, causando um grande estrago. Felizmente foi restaurado pelo Governo Olívio Dutra.
    Agora, o Governo do Estado está colando todos nos níveis por baixo. Joga com a penúria existente e quer instaurar um protótipo de circo romano para que os professores se digladiem pela sobrevivência. Os profissionais são levados a aceitar um engodo, dada a urgência por qualquer pseudomelhoria nas suas condições de vida.
    É o que nos mostra o depoimento de uma professora que diz “o acréscimo ajudaria (…). Entretanto, sei que o aumento nivela por baixo e achatará o salário de muita gente, inclusive o meu no futuro…”, e a declaração de diretor de escola de serem apenas dois os professores atingidos, de um total de 160, publicado em Zero Hora do dia 07/11/2009.
    Ainda, o projeto deixa de lado qualquer incentivo para a melhoria na qualificação do professor. Apenas há um aceno de premiação se metas da escola forem atingidas. Quais serão essas? Quem as determinará? Os recursos das escolas como ficam? As bibliotecas fechadas por esse governo serão reabertas? A lista das perguntas seria interminável.
    E, ainda, lê-se a afirmação do Secretário de Estado do Planejamento e Gestão – Mateus Bandeira, Zero Hora 08/11/2009:
    “A nova visão [Plano de Valorização do Serviço Público] não deve ficar restrita à necessidade de reajustes salariais lineares, mas à justa e correta recompensa aos servidores que se dedicam à melhoria da produtividade do serviço público. O mundo é assim, em todos os segmentos.
    Precisamos acompanhar as tendências mundiais.” A que países do mundo ele se refere? Quais condições de trabalho e salariais ele invoca? O que ele entende por produtividade na educação?
    Talvez, por isso e por outros acontecimentos impossíveis de serem enumerados aqui, tenhamos a visita de uma pop star, Madonna, para captar recursos e implantar projetos sociais no país, pois
    “Ela acha que, se não prepararmos as nossas crianças para olharem para dentro delas, não adianta irem à escola porque não chegarão a lugar nenhum”. Declaração publicada pela Folha de São Paulo, Ilustrada, 14/11/2009. O que o professor estadual, nas condições de trabalho atuais, conseguirá ver dentro de si?
    O projeto do Governo do Estado escancara-se como antítese dos objetivos da cantora, sensível às questões educacionais. Sem desmerecer a louvável iniciativa, ela que é do mundo da cultura, põe à mostra a pequenez e precariedade do que é proposto por quem de responsabilidade deve pensar a educação.
    Aviltar toda a categoria de professores, jogando com sua situação de precariedade, via corte de benefícios e engodo com “aumento de salários”, usando dos artifícios de marketing para que a população os engula, deixando de usar a palavra meritocracia (competitividade como se fosse um lugar de produção de mercadorias), omitindo as perdas resultantes (término de benefícios existentes), enfatizando cifras a serem gastas (comparadas com os aviltantes salários são grandes), utilizando jargões para desqualificar qualquer oposição (há gente que sempre é do contra quando se trata de proposta do governo).
    Enfim, é o cenário da própria pós-modernidade na política, que se caracteriza pelo espetáculo mediático, como nos diz Olgária Matos.
    A esperança está em que se manifestem os que veem o absurdo deste projeto com conseqüências que aumentarão a degradação da escola pública estadual.
    * Professora Aposentada da Rede Estadual e do Ensino Universitário e Vice-presidente da AMA-Associação dos Moradores e Amigos da Auxiliadora

  • Emprego lá e cá

    Por Vilson Antonio Romero (*)
    A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alarma o mundo civilizado, com a previsão que a situação do emprego formal deve se deteriorar – mais, ainda! – em 2010, especialmente nos países desenvolvidos. Numa análise sumária, a crise econômica mundial, desencadeada ao final de 2007, já deixou pelo menos 39 milhões de desempregados, no mundo todo. Com isto, foi alcançado o maior nível de desocupação da população economicamente ativa de todos os tempos, com mais de 220 milhões de pessoas sem trabalho.
    Para a entidade, não há esperança que a recuperação da economia venha dos países do G-8, que representam 55% da produção global.
    Já a China, a Índia e o Brasil, responsáveis por 19% de toda a produção mundial, devem ter expressivo crescimento econômico em 2010, nas previsões da OIT. Outros países em desenvolvimento seguirão sem condições de se recuperar totalmente do baque da crise.
    Acompanhando o previsto em Genebra, o nível de desemprego norte-americano voltou a se elevar em outubro, atingindo 10,2%, com mais 190 mil pessoas retiradas do mercado formal de trabalho. Os americanos perdem empregos há 22 meses consecutivos e o governo Obama não encontra soluções imediatas para contornar a crise.
    A recessão já desempregou 8,2 milhões de pessoas nos EUA desde dezembro de 2007, contabilizando-se, atualmente 15,7 milhões de cidadãos fora do mercado formal.
    Já aqui no Brasil, a recuperação do mercado formal, por incrível que pareça, vai de vento em popa. Só em outubro, foram criadas e ocupadas 230.956 vagas, o que representa, no acumulado do ano, mais 1.163.607 novos postos de trabalho, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
    O Ministério do Trabalho e Emprego acrescenta que, pelo terceiro mês consecutivo, o número de empregos com carteira assinada superou a marca de 200 mil. O desempenho foi recorde em cinco dos oito setores da atividade econômica, com destaque para a indústria de transformação, que gerou 74.552 novos postos.
    Com ufanismo contido, percebemos que o quadro geral repercute favoravelmente inclusive na arrecadação previdenciária, única dentre as diversas receitas arrecadadas e administradas pela União que se manteve em crescimento ao longo dos últimos meses.
    Aparentemente, as inúmeras iniciativas governamentais de incentivo setorial e desoneração tributária, efetivamente lograram efeito, mantendo os níveis de compra e os patamares de empregabilidade.
    É óbvio que devem seguir incentivadas, no Brasil e no mundo, as políticas de estímulo ao consumo privado, que representa 75% do Produto Interno Bruto (PIB) na maioria dos países, pois estas podem ser as principais propulsoras da recuperação mundial. Mas, por enquanto, o alarme da OIT não tocou na Esplanada dos Ministérios. Oxalá siga assim!
    (*) jornalista, funcionário público, presidente da Delegacia do Sindifisco Nacional em P.Alegre (RS), diretor da Fundação Anfip de Estudos da Seguridade Social e da Associação Riograndense de Imprensa. E-mail: vilsonromero@yahoo.com.br.

  • Novas regras para plantio de florestas no RS

    A Câmara Técnica da Silvicultura do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), composta por 19 membros, aprovou por unanimidade um novo regulamento para a silvicultura gaúcha.
    Segundo o engenheiro florestal Antonio Augusto Marques, que representa o Comitê da Bacia do rio Tramandaí na Câmara Técnica, o novo regulamento é fruto de um consenso arduamente trabalhado, com destaque para dois aspectos fundamentais: 1 – restringe ao máximo ou proibe o plantio de árvores madeireiras exóticas (eucalipto, pinus e acácia) em áreas críticas sob o ponto de vista hídrico; 2 – limita as dimensões dos supertalhões pretendidos pela silvicultura atrelada às indústrias madeireira e de celulose/papel.
    Este é o terceiro regulamento em três anos. O primeiro foi criado no final de 2006 pela Fepam com a ajuda da Fundação Zoobotânica e outros órgãos públicos e privados. Por ser muito “ambientalista”, foi repudiado pelo setor empresarial.
    O segundo, que veio em 2007 em oposição ao primeiro, foi fruto de uma tratoragem pilotada pela Ageflor e a Farsul com o beneplácito da direção da Fepam e o apoio estratégico da indústria dita florestal, representada sobretudo pelas fábricas de celulose Aracruz, Votorantim e Stora Enso.
    Colocado sub judice pelo Ministério Público Federal, o regulamento “empresarial” vem sendo aplicado aos trancos e barrancos mas tende a ser rifado porque os plantadores de árvores madeireiras sossegaram o facho desde a eclosão da crise financeira de setembro de 2008, que provocou o surpreendente colapso da Aracruz.
    Mesmo que o segmento florestal-madeireiro entre em 2010 tendo que cumprir novas regras para o plantio de eucalipto, pinus e acácia, ainda é incerta a retomada dos plantios dito florestais e dos projetos de fábricas de celulose, pois a crise ainda está provocando uma reacomodação de forças no mercado.
    Um ano depois da crise, a Aracruz não existe mais. Envolvido num tsunami financeiro, o grupo controlado por Erling Lorentzen foi absorvido pela Votorantim, que para isso precisou da ajuda do Banco do Brasil e do BNDES.
    Para reduzir as dívidas, a Votorantim acaba de vender a unidade de Guaíba ao grupo chileno CMPC por US$ 1,43 bilhões, negócio de porteira fechada que envolveu 220 mil hectares de terras em dezenas de municípios gaúchos.
    Até meados de outubro os chilenos não haviam aberto o jogo, mas a permanência da equipe diretiva da ex-Aracruz Guaíba sugere a manutenção do projeto de quadruplicação da capacidade da planta de 450 mil toneladas/ano de celulose.
    Resta saber em quanto tempo o projeto será finalizado. Pelo cronograma original, ele devia ficar pronto em 2011. Agora não há mais pressa porque o mercado de celulose sofreu uma baixa da qual ainda não se recuperou.
    Mesmo assim, o projeto de Guaíba é o mais adiantado dos três prometidos para a Metade Sul gaúcha. Se for retomado em 2010, pode entrar em operação em fins de 2012 ou no primeiro semestre de 2013.
    O segundo projeto em volume de produção, área plantada e investimento total – o da Votorantim no polígono Pelotas-Rio Grande-Pinheiro Machado-Jaguarão – permanece em banho-maria porque a prioridade do grupo no momento é pagar as dívidas, estimadas em R$ 10 bilhões.
    É provável que somente seja concluído na segunda metade desta década.
    Finalmente, aguarda-se para o final deste ano ou o início do próximo uma definição do grupo sueco-finlandês Stora Enso sobre seu projeto no oeste do Rio Grande do Sul, onde plantou eucalipto em 20 mil dos 47 mil hectares comprados em 2005, no primeiro tempo de um investimento de mais de US$ 1 bilhão para produzir 900 mil toneladas anuais de celulose.
    O plantio realizado representa 20% das necessidades de matéria-prima para a fábrica. A paralisação do projeto foi determinada pela denúncia de que a Stora Enso teria infringido a Lei de Segurança Nacional, que proíbe a posse de terras a 150 quilômetros das fronteiras por estrangeiros.
    A empresa tentou contornar o problema registrando as áreas compradas em nome de brasileiros comprometidos com o projeto, mas isso só agravou a polêmica. Em agosto, finalmente, o Conselho de Defesa Nacional deu parecer favorável ao projeto, que ainda carece das necessárias licenças ambientais.
    Os eucaliptais mais velhos da Stora Enso na região de Rosário do Sul, São Francisco de Assis e Santiago estão com três anos e foram liberados para pastoreio de criadores vizinhos, que já mantinham gado em regime de parceria nas áreas de preservação ambiental ou de pastos nativos nas quais é proibido plantar árvores.
    Apicultores também estão sendo convidados a levar suas abelhas para pastar nas áreas da empresa, mas tudo isso são paliativos para o maior e mais antigo grupo papeleiro do mundo.
    A única certeza é que não falta bala para o investimento: em meados de outubro, a Stora Enso anunciou a compra de 130 mil hectares de áreas plantadas pela espanhola ENCE na região de Fray Bentos, no oeste do Uruguai. A meia com a chilena Arauco, ela pagou US$ 344 milhões para apossar-se de um dos maiores ativos florestais da América do Sul. Não está decidido o que será feito com tanta madeira.
    Por Geraldo Hasse, especial para o JÁ