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  • Polêmica do Pontal do Estaleiro ignora o peso da indústria naval na economia gaúcha

    Geraldo Hasse
    A controvérsia sobre a construção de prédios no pontal do Mello ignora sistematicamente o que o Estaleiro Só e outros estabelecimentos similares representam para a história da indústria no Rio Grande do Sul – não apenas a indústria naval, mas a metalúrgica.
    Seja qual for o aproveitamento da área do extinto estaleiro, a memória histórica de Porto Alegre daria um salto se um dos mais antigos estabelecimentos fabris da capital reservasse uma parte de sua área para abrigar um museu de indústria naval gaúcha.
    O Estaleiro Só foi fundado em 1850, época em que Porto Alegre era pouco mais do que uma aldeia, como escreveu o jornalista Manoelito de Ornellas num folheto publicitário sobre o centenário dessa indústria.
    Seus fundadores foram Antonio Henriques da Fonseca, João Ribeiro Henriques e José Manuel da Silva Só. Tratava-se da primeira ferraria e fundição de que se tem notícia na capital, estabelecida no coração de Porto Alegre — esquina da rua Uruguai com a Praça Montevideo, mais conhecida então como a Praça dos Ferreiros.
    O centro da cidade era voltado para o Lago Guaíba. Em cada boca de rua transversal havia um trapiche. Era por água que a cidade recebia tudo que precisava para viver.
    O catálogo de produtos da oficina era imenso. Ela produzia canos, pregos, lamparinas, bacias, lampeões para faróis de navegação, bandejas, ferros de passar roupa, bombas para poços, sinos para igrejas e tachos de cobre.
    Durante a Guerra do Paraguai (1865-1870), forneceu bocais, estribos e cornetas para o Exército Brasileiro. Foi nesse período que a empresa descobriu uma nova vocação após fazer reparos em navios da Marinha do Brasil.
    Também fez reparos em barcos particulares. Henriques era sócio da Companhia de Navegação do Jacuhy, dona dos vapores Riopardense, Correio, Viamão, 7 de Setembro, Guarani, Irapuá e Tupi. Pela reforma do vapor Tupi, em dezembro de 1865, o estaleiro recebeu 215 780 réis.
    Em 1870, Henriques saiu da firma, que ficou sob controle de José Manuel da Silva Só, deputado provincial pelo Partido Liberal. Em 1900, depois de várias alterações societárias, passou a se chamar Só e Filhos e, posteriormente, Só e Cia., mudando, também, diversas vezes de endereço. Em 1901, na exposição estadual, apresentou o primeiro motor a querosene fabricado no Brasil. Foi premiado com medalha de ouro.
    Nas últimas décadas de sua existência, estabeleceu-se finalmente como sociedade anônima, adotando o nome de Estaleiro Só S.A. Depois de já constituído como um estaleiro, produziu mais de 170 embarcações, cerca de 30 modelos de navios, entre eles ferry boats, navios-tanque, baleeiras, rebocadores, iates e pesqueiros.
    Seu apogeu ocorreu durante a década de 1970. Nessa época, que coincide com a maior atividade da indústria naval brasileira – concentrada então em Niterói e no Rio de Janeiro –, o Só chegou a ter cerca de 3 mil funcionários.
    Nos anos 80, o setor naval no Brasil sofreu um forte declínio, principalmente devido à falta de financiamentos para a construção de navios. O Estaleiro Só iniciou, então, um processo de diversificação de suas atividades, abrindo uma divisão de metal-mecânica, destinada à fabricação e pré-montagem de caldeiraria pesada, semi-pesada e leve. Essa iniciativa, que chegou a dar uma sobrevida à empresa, não foi suficiente para impedir sua extinção.
    Além do Só, houve outros fabricantes de barcos em Porto Alegre. Os mais conhecidos e duradouros foram os estaleiros Alcaraz, João Becker, Mabilde e Marteletti. Como o Só, mas sem alcançar o porte do pioneiro, eles viviam da prestação de serviços para navegadores avulsos, do atendimento de encomendas de empresas de navegação e principalmente de contratos com o governo estadual, sobretudo antes que as rodovias começassem a tomar conta do transporte de cargas.
    Sempre houve licitações de barcos novos e de reformas em embarcações de serviço, como as dragas usadas na manutenção de canais, lagoas e rios. Em 1940, o mercado de serviços para os estaleiros gaúchos era constituído por cerca de 3 mil embarcações – dragas, vapores, gasolinas, veleiros, lanchas, botes e escunas – catalogadas pela Secretaria de Viação e Obras Públicas.
    As relações entre os estaleiros e o governo estadual nem sempre foram serenas. Em 1927, o presidente do estado Getúlio Vargas criou estaleiros públicos em Porto Alegre , Pelotas e Rio Grande. Esses estabelecimentos não deram conta dos serviços, tanto que os estaleiros particulares continuaram em atividade, atendendo demandas privadas e encomendas públicas. Às vésperas da revolução de 1930, o Estaleiro Mabilde fabricou dois tanques de guerra em suas oficinas na Ilha da Pintada. Esses veículos foram usados para intimidar os adversários na Revolução de Outubro.
    Fundado no início do século XX pelo belga Pierre François Alfonse Mabilde (1856-1918), o Estaleiro Mabilde também começou com uma oficina próxima de um trapiche no centro de Porto Alegre. Assim que sentiu a firmeza do mercado, instalou-se na Ilha da Pintada onde prosperou até ser arrasado pela enchente de 1941.
    A luta pela recuperação foi infrutífera: em 1943, o Mabilde foi comprado pelo Consórcio Administrativo de Empresas de Mineração (Cadem), que precisava cuidar da sua frota de transporte de carvão das minas da região de São Gerônimo para grandes consumidores de Porto Alegre, inclusive navios.
    Em 1947, quando possuía 467 funcionários, o estaleiro da Ilha Pintada foi encampado pelo governo do Estado, que reduziu o pessoal para 10% do encontrado. Suas instalações foram alugadas para estaleiros particulares. O locatário mais duradouro foi o Estaleiro Só, que por mais de 20 anos fez da Ilha Pintada a sua base de reparos navais.
    Da década de 90 até o início do século XXI, o Estaleiro Sorenave operou na Pintada até se transferir para Triunfo. A partir de 2004, a antiga área do Mabilde foi arrendada pelo Estaleiro Ecnavi, pertencente à Navegação Amandio Rocha, que opera uma frota de 15 rebocadores no Lago Guaíba e arredores. O Ecnavi dá prioridade à manutenção dos barcos do grupo, mas faz reparos em embarcações de terceiros e pode fabricar veículos novos.
    Um ano antes da criação do Departamento Estadual de Portos, Rios e Canais (DEPRC), em 1951, o governo gaúcho comprou o terreno onde instalaria um estaleiro de reparos em Triunfo. Nos seus melhores momentos, essa oficina junto ao rio Jacuí teve mais de uma centena de operários aptos a fazer reformas navais e fabricar toda espécie de bóias e sinais náuticos.
    Crescentemente desfalcado, seu pessoal reduziu-se ao mínimo necessário para fazer reparos leves nas embarcações de serviço da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), sucessora do DEPRC. Por isso, o estaleiro oficial de Triunfo é considerado hoje um bom retrato da situação da navegação no Rio Grande do Sul.
    (O texto acima faz parte do livro Navegando pelo Rio Grande, que conta a história das hidrovias gaúchas. Para adquiri-lo, ligue para Já Editores no 51 3330.7272).

  • Chefia de polícia está balançando

    Depois da definição na cúpula da Brigada Militar, a situação na Polícia Civil permanece com muitas arestas.

    Num governo que já teve três titulares na pasta da Segurança e quatro co-ronéis no comando-geral da Brigada Militar, o chefe da Polícia Civil, dele-gado Pedro Rodrigues, era quem vinha se mantendo no posto com silencio-sa solidez. No entanto, esta solidez sofreu uma rachadura a partir do mo-mento em que Pedro evidenciou fidelidade a sua antiga amizade com o de-legado Luiz Fernando Tubino, ex-chefe de Polícia. Irriquieto, polêmico e intimorato, Tubino assumiu, publicamente, posições que municiaram o ar-senal dos opositores da governadora Yeda Crusius ao prestar depoimento na CPI do Detran. Sempre discreto e silencioso, Pedro colocou seu amigo como diretor de um departamento administrativo da Polícia Civil, fazendo a governadora engolir em seco a medida. Simultaneamente, enquanto Pedro homenageava uma unha encravada de Yeda (Tubino), o coronel Paulo Ro-berto Mendes afirmava e reafirmava fidelidade a sua comandante-em-chefe e foi tornado juiz do Tribunal Militar do Estado. Passo a limpo este enredo que venho abordando há três meses, aproximadamente. Mas a história não pára e Pedro, no epílogo, não parece estar entre o coroados nestes tempos de reis Magos, como o foi o coronel Mendes. Sigam-me.

    Cardeais
    Embora todos os delegados de 4ª classe (os chamados cardeais) sejam candidatos em potencial à chefia de polícia, com direito, inclusive, de conspirar para chegar lá, no máximo três estão com chances reais de ocupar a cadeira que, hoje, é de Pedro. Nas últimas horas, a cotação maior tem si-do a do delegado Álvaro Steigleder que surge como que apresenta menor índice de rejeição.

    Ar da praia
    Da minha torre, observo que o ar que se respira na chefia de polícia é de tranqüilidade. Tanto é assim que o chefe de comunicação, comissário Nil-son Ramos, como acontece todos os anos, esta trabalhando a partir da praia (Capão da Canoa), com programação para lá ficar até o final do veraneio, isso na hipótese de seu chefe não cair.

    Brigada
    A solenidade de transferência de comando da Brigada Militar ocorrerá na próxima sexta-feira, às 17h30min, na Academia de Polícia Militar. O coro-nel João Carlos Trindade sucede no posto ao coronel Paulo Roberto Men-des na condição de 4° comandante-geral da corporação no governo Yeda Crusius.

    Latrocínio
    O proprietário de uma fábrica de rodas agrícolas, Renato Selma, 50 anos, foi morto com um tiro, ontem, na sede da empresa, em Glorinha. O crime ocorreu na véspera do empresário pagar o 13º salário de seus empregados. O corpo de Renato foi encontrado por operários da indústria em sua sala de trabalho. A polícia ainda não tem pistas sobre a autoria do crime.

    Mortes
    Cerca de 34 pessoas morreram em acidentes de transito ou em assassina-tos durante o fim de semana no estado. Somente no trânsito, 18 pessoas foram vítimas de acidentes fatais.

    Assalto (1)
    Uma quadrilha fortemente armada assaltou, na madrugada de ontem, a empresa de transporte coletivo Transcal, na rua Manoel Nunes, em Cacho-eirinha. Dois criminosos entraram em um ônibus na zona norte de Porto Alegre e obrigaram o motorista seguir até a garagem onde os vigilantes também foram rendidos. Cerca de dez homens invadiram a empresa. Eles arremessaram um ônibus contra a parede do escritório onde o dinheiro era guardado. Na fuga, obedecendo um planejamento perto da perfeição, espa-lharam 3kg de miguelitos nas ruas, o que retardou a tentativa de persegui-ção.

    Assalto (2)
    O diretor da 1ª DP Regional Metropolitana notificará Secretaria de Segu-rança sobre atitudes da Brigada Militar que ele considera prejudiciais a in-vestigação de crimes em Cachoeirinha. Segundo o delegado Edival Soares, o assalto a empresa Transcal foi o terceiro caso de atuação de quadrilha na cidade em que PMs registraram a ocorrência e nada comunicaram à Polícia Civil. O delegado lamentou que não houve isolamento da área e a perícia foi acionada horas após o fato.

    Revisão
    Pelos menos dois comerciantes me falaram sobre a ação de trombadinhas no Barra Shopping. Pelo sim ou pelo não, o sistema de segurança do novo complexo comercial da Capital merece uma revisão.

    Informações
    O assassinato do médico Marco Antonio Becker, ocorrido dia 4 último na capital, continua sem linha de investigação sólida. No entanto, estou im-pressionado com o número de entrevistas coletivas e avulsas que estão sen-do concedidas pela polícia que servem, inclusive, para quem estiver envol-vido no crime e que, naturalmente, se mantém informados.

  • Universidade Estadual oferece 640 vagas em cursos gratuitos

    Interessados em concorrer no vestibular de verão da Uergs podem se inscrever até o dia 19 de janeiro.
    A Universidade oferece 640 vagas para 9 cursos em 14 pólos. O ensino é gratuito e 50% das vagas são reservadas para candidatos hipossuficientes (economicamente carentes) e 10% para candidatos portadores de deficiência.
    A inscrição, que tem o valor de R$ 55, deve ser feita somente pela internet, nos sites da Uergs – www.uergs.edu.br – ou da Fundatec – www.fundatec.com.br. Outras informações podem ser obtidas através dos telefones: (51) 3288.9030 ou (51) 3320.1000.
    Cursos oferecidos:
    ADMINISTRAÇÃO: SISTEMAS E SERVIÇOS DE SAÚDE
    Porto Alegre – 40 vagas
    TECNOLOGIA EM AGROPECUÁRIA: AGROINDÚSTRIA
    Cachoeira do Sul – 40 vagas
    Cruz Alta – 40 vagas
    Encantado – 40 vagas
    Sananduva – 40 vagas
    Santana do Livramento – 40 vagas
    São Luiz Gonzaga – 40 vagas
    TECNOLOGIA EM AGROPECUÁRIA: FRUTICULTURA
    Vacaria – 40 vagas
    TECNOLOGIA EM AGROPECUÁRIA: HORTICULTURA
    Santa Cruz do Sul – 40 vagas
    ENGENHARIA DE BIOPROCESSOS E BIOTECNOLOGIA
    Bento Gonçalves – 40 vagas
    Novo Hamburgo – 40 vagas
    ENGENHARIA EM ENERGIA
    Novo Hamburgo – 40 vagas
    TECNOLOGIA EM AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL
    Novo Hamburgo – 40 vagas
    PEDAGOGIA: LICENCIATURA
    Bagé – 40 vagas
    TECNOLOGIA EM GESTÃO AMBIENTAL
    Erechim – 40 vagas
    Tapes – 40 vagas
    Uergs – Universidade Estadual do Rio Grande do Sul
    Diretoria de Comunicação Social
    (51) 3288.9016 – 3288.9017 – 3288.9018

  • Copesul sente a crise e reduz produção em 45%

    Elmar Bones
    A Braskem anunciou uma redução de 45% na produção de eteno, a matéria prima de toda a cadeia petroquímica. O corte atinge as duas centrais de insumos básicos da empresa, em Camaçari, na Bahia, e Triunfo, no Rio Grande do Sul.
    A  capacidade de produção das duas centrais é de 2,5 milhões de toneladas/ano.
    Desde que começou a operar, há 25 anos, só nos primeiros anos de funcionamento, quando o pólo tinha apenas quatro unidades de segunda geração, a central de Triunfo operou a níveis tão baixos.
    Na nota que emitiu para a imprensa às 19 horas desta quarta-feira, a empresa diz que a paralisação é temporária e que implica na desativação de uma das duas plantas de produção de eteno, tanto no pólo da Bahia quanto no Rio Grande do Sul.
    A redução, segundo a nota, “visa normalizar os níveis de estoques elevados em razão da diminuição pontual da demanda internacional e do movimento de desestocagem da cadeia produtiva petroquímica e dos plásticos no país.
    Braço petroquímico do grupo Odebrecht, a Braskem assumiu o controle da Copesul e de quase todas as plantas de segunda geração em Triunfo em março de 2007, quando formou um consórcio com a Petrobras e o grupo Ultra, para comprar o grupo Ipiranga, num negócio de 4 bilhões de dólares.
    Num primeiro momento assumiu todas as unidades de Ipiranga Petroquímica e depois, numa “troca de ativos”, absorveu as participações da Petrobras.
    Íntegra da nota:
    Braskem reduz taxas de utilização de capacidade
    A Braskem comunica que as taxas de utilização de capacidade das suas plantas da Unidade de Petroquímicos Básicos foram temporariamente reduzidas, visando normalizar níveis de estoques mais elevados em razão da diminuição pontual da demanda internacional e do movimento de desestocagem da cadeia produtiva da petroquímica e dos plásticos no país. Com essa decisão, a Braskem confirma o compromisso com sua disciplina financeira e com a competitividade do setor.
    Desde o início desta semana, apenas uma das duas linhas de produção de Camaçari – BA e uma das duas linhas de produção Triunfo – RS encontram-se em atividade. Dessa forma, a produção de eteno, matéria-prima de produtos como polietileno e PVC, foi reduzida para 55% da capacidade – que é de 2,5 milhões de toneladas/ano.
    O ajuste deve perdurar até o final de dezembro, quando a situação da demanda e dos estoques será reavaliada. A redução de atividade na Unidade de Petroquímicos Básicos impacta na mesma proporção a utilização de capacidades na Unidade de Poliolefinas, responsável pelos negócios de polietileno e polipropileno. Na Unidade de Vinílicos, a produção de PVC se mantém em ritmo normal.
    A Braskem acredita que essa situação é transitória e espera poder retomar o mais breve possível o patamar usual de operação de suas unidades produtivas, sempre alinhada ao compromisso de servir seus Clientes.

  • Empresa gaúcha desenvolve blindado para polícia do Rio

    Empresa gaúcha desenvolve blindado para polícia do Rio

    Em conjunto com o Centro de Tecnologia do Exército (CTEx), a montadora nacional Agrale desenvolveu o chassi de um novo veículo blindado para as polícias do Rio de Janeiro.
    Diferente do já conhecido veículo de combate usado pelo BOPE para operações em áreas perigosas, a nova Viatura Especial de Patrulhamento (Vespa) é compacta e será utilizada em vias e bairros com riscos de ataque a policiais.
    Capaz de suportar tiros de fuzil, o blindado compacto apelidado de “caveirinha”, em alusão ao anterior chamado de “caveirão”, utiliza um chassi Agrale modelo MA 6.0, especialmente desenvolvido para a aplicação.
    Com capacidade para transportar cinco policiais na frente e até seis presos na parte traseira, o veículo é mais estreito, leve e ágil, e permite manobras e incursões em locais de difícil acesso e o patrulhamento ostensivo nas vias expressas do Rio de Janeiro.
    Equipada com motor eletrônico MWM-International 4.07 TCE de 140 cv de potência a 3.500 rpm, a viatura blindada atinge velocidade máxima de 130 km/h. O pneu também é blindado, com um gel especial que impede o seu vazamento mesmo alvejado por tiros. Conta ainda com direção hidráulica ZF Servocom 8090, eixos Dana e Meritor, e caixa de câmbio Eaton FS 2305 C. A maioria das peças é nacional, o que garante baixo custo operacional e de manutenção.
    Líder no segmento de chassis leves, a Agrale produz chassis especialmente desenvolvidos para carros-fortes desde o final de 2006. “Esse tipo de aplicação demanda especificações técnicas diferentes das convencionais para garantir a máxima segurança”, declara Flavio Crosa, diretor de Vendas e Marketing da Agrale. Os modelos permitem blindagem NIJ III (nível máximo permitido no Brasil) e blindagem de nível NIJ IV, exigência de alguns mercados internacionais. Antes, a maioria dos carros-fortes no Brasil era montada sobre chassis de caminhão, que tinham que sofrer adaptações, pois não possuíam estrutura completamente adequada para receber a carroceria blindada.
    A Viatura Especial de Patrulhamento será testada nas ruas do Rio de Janeiro durante dois meses, para que seja avaliada pelos policiais. O veículo estará à disposição da Secretaria de Estado de Segurança caso haja interesse em produzir outras unidades.

  • Cpers promete guerra sem trégua ao governo Yeda

    A avaliação que o Cepers e seus aliados fizeram publicamente da greve é positiva. “Nossa luta garantiu que os deputados não votem este ano o projeto do governo, nem qualquer projeto que retire direitos dos trabalhadores” explicou a presidente Rejane Oliveira. “Nunca na história do Cpers, tivemos tanto apoio da comunidade escolar”, completou.
    Na verdade, a greve foi uma derrota. Os professores foram supreendido pelo projeto de um piso regional que o governo encaminhou aos deputados, em regime de urgência, dois dias antes da assembléia geral em que o Cpers pretendia definir uma pauta de reivindicações para 2009.
    A greve então foi decidida em cima da hora e sem consenso. Logo em seguida foi abalroada por um endurecimento inédito da governadora Yeda Crusius que mandou cortar o ponto e descontar do salário os dias parados.
    Quando os contra-cheques da novembro começaram a chegar aos professores, com descontos, o apoio à paralisação se diluiu. Um acordo com os deputados, que se comprometeram não votar antes do projeto do piso regional apresentado pelo governo, permitiu uma saída honrosa para o sindicato
    A greve deflagrada por uma assembléia de dez mil pessoas, foi suspensa quinze dias depois por outra assembléia cinco vezes menor – não havia mais que duas mil pessoas no Gigantinho, na sexta-feira, 28.
    Também não estavam na mesa os deputados de oposição que apoiam sistematicamente o Cpers. Alguns, como Raul Pont e Maria do Rosário, mandaram representantes, outros, como Raul Carrion, deram uma passada antes do início da assembléia “para deixar um abraço aos companheiros” e foram atender outros compromissos.
    Na sexta, 28, de manhã, em reunião do conselho geral do sindicado, foi decidida a suspensão da greve e, como contrapartida, o acirramento do confronto com o governo, como forma de preservar a unidade entre as diversas correntes.
    A tarde, as decisões foram referendadas pela assembléia: voltar às aulas, recorrer a justiça para recuperar o corte nos salários, reverter o corte do ponto, prejudicial para obtenção de licenças-prêmio, e reforçar o ataque político ao governo Yeda, que “sucateia as escolas e não hesita em cortar os míseros salários dos professores, ao mesmo tempo em que dá aumento de 89% aos secretários”. “Não pode continuar”, “Fora Yeda” e “Fora Mariza” serão as palavras de ordem dessa nova etapa do movimento, cuja estratégia será definida antes do início do ano letivo, em fevereiro.

  • Acionostas da Aracruz decidem processar diretor que especulou com derivativos

    Em assembléia geral extraordinária, na segunda-feira, 24 de novembro, os acionistas que controlam 96,5% do capital votante da Aracruz Celulose decidiram responsabilizar o diretor financeiro Isac Zagury pelos prejuízos que a empresa sofreu nas “operações com derivativos, acima dos limites previstos na Política Financeira”.
    A administração da empresa irá agora avaliar com advogados especializados a forma adequada para a proposição da ação.
    A Aracruz foi uma das empresas brasileiras que mais perdeu com a crise financeira que fez desabar as bolsas desde setembro. Estimou-se entre R$ 900 milhões e R$ 2 bilhões os prejuízos da empresa nas operações com derivativos.
    O abalo no caixa – numa hora em que o crédito ficou restrito – obrigou a empresa a suspender seus investimentos no Rio Grande do Sul. Inclusive a ampliação de sua fábrica em Guaíba, um projeto que previa US$ 2,5 bilhões de investimentos no Estado até 2011.
    As perdas financeiras embaralharam também as negociações com o Grupo Votorantim, que pretendia assumir o controle da Aracruz. A Votorantim foi outro grupo brasileiro que teve perdas na casa dos bilhões com o tombo das bolsas.
    (Da redação, com Aracruz Notícias, 321)

  • Dança de comando na área da segurança

    Com a aproximação do Natal, sempre há os que esperam pelos melhores presentes.
    Com a aproximação do fim do ano, são tidas como certas algumas alterações tanto na Brigada Militar como na Polícia Civil. Na Brigada, é discutida a possível indicação do atual comandante geral, coronel Paulo Roberto Mendes para o Tribunal Mili-tar do Estado, sendo seu substituto natural o subcomandante geral, coronel João Carlos Trindade, embora sejam ligeiros os que correm por fora.
    Na Polícia Civil, as coisas começam a desanuviar. Caso houver a decisão de ser substituído o chefe da instituição, delegado Pedro Rodrigues, embora pouco mais de 50 delegados de 4ª classe tenham condições de postular o posto, há pressões na área política, junto ao Piratini, o que faz parte do jogo, em favor do titular do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), delegado Ranolfo Vieira Júnior, de vertiginosa carreira, que é filho do desembargador do Tribunal de Justiça do Estado Ranolfo Vieira.
    Ranolfo, o delegado, fez concurso em 1998 e, em 2000, no governo do PT, ainda em estágio probatório, foi promovido a 2ª classe. Em dezembro de 2003, chegou a 3ª classe por merecimento e, também por merecimento, em setembro de 2007, com menos de dez anos de carreira, chegou a 4ª classe, superando dezenas de colegas mais antigos.
    Sem dúvida, uma invejável trajetória realizada, com certeza, passando muitas delegacias dos confins do Rio Grande. Nenhuma promoção mais poderá ser concedida a Ranolfo a não ser a Chefia de Polícia. Como diria a mamãe deste humilde marquês, ao que parece, são favas contadas.
    Traficantes
    Agentes da 4ª DP da capital prenderam, nesta quinta, 20, um traficante de 23 anos de idade, conhecido pelo apelido de Novinho. Segundo o delegado o delegado Nedson Ramos de Oliveira, que comandou a operação, Novinho, que já incendiou a casa de um de seus inimigos, encontrava-se foragido do regime semi-aberto desde outubro de 2006 e foi encontrado na rua 698 da Vila Mário Quintana, bairro Navegan-tes.
    Em Cruz Alta, policiais civis em conjunto com a Brigada Militar, prenderam na rua Argentina, Vila Machado, o traficante conhecido como Pedro Bala, de 44 anos. Além de mais de 9kg de maconha, o bandido tinha em seu poder um revólver de calibre 38 com numeração raspada.
    Artesanato
    No presídio de Osório, agentes penitenciários encontraram quatro celulares escondidos numa correspondência enviada a um apenado. Os aparelhos chegaram por sedex e estavam entre duas tábuas coladas. A madeira costuma ser usada pelos detentos para trabalhos de artesanato.
    Crime e castigo
    Dez pessoas foram mantidas reféns durante assalto à residência, na madrugada de quinta, 20, no bairro Mato Grande, em Canoas. Três homens armados executaram a invasão e mantiveram as vítimas sob a mira de armas por cerca de uma hora.
    O dono da casa foi levado pelos bandidos e libertado minutos depois. O trio fugiu com carro, equipamentos eletrônicos e jóias. A Brigada Militar foi acionada e localizou os assaltantes no bairro Matias Velho, com o auxílio do sistema de monitoramento do veículo. Houve tiroteio e os três bandidos foram presos, sendo que um deles foi ferido.
    Greve
    Dirigentes da Ugeirm/Sindicato, entidade de classe dos escrivães, inspetores e investigadores da Polícia Civil, deverão ser recebidos, hoje, no Piratini, pela equipe econômica do governo Yeda Crusius. Na pauta de reivindicações, entre outros pontos, consta aumento salarial, aposentadoria, plano de carreira e pagamento de horas-extras atrasadas.
    Os sindicalistas irão para a reunião com a pré-disposição de dar continuidade à preparação de um movimento grevista caso não um avanço nas negociações.
    Carro-forte
    Um carro-forte da STV foi atacado por assaltantes no Shopping Lindóia, Zona Norte da capital no fim da tarde de quinta. O veiculo seria abastecido quando funcionários da empresa foram abordados pó por quatro bandidos que estavam em um carro Fiat Palio, roubado. Um malote com dinheiro foi levado e ninguém teria se ferido.
    Criança
    Na tarde de quinta, 20, na Escola Municipal José Loureiro da Silva, avenida Capivari, bairro Cristal, um menino de 8 anos de idade, aluno da escola, estava em sala de aula com um revólver de calibre 38 em sua mochila. A arma estava com a numeração raspada.
    Wander.cs@terra.com.br

  • Policiais vão em passeata até o Piratini

    Uma ponte pênsil de balanço festivo.
    Agentes da Polícia Civil gaúcha manifestarão solidariedade com policiais de São Paulo.

    Policiais civis de todo o Estado realizarão passeata, na segunda-feira, dia 17. A concentração será no Palácio da Polícia, a partir de 14h. De lá, a marcha seguirá até o Palácio Piratini. A caminhada é um ato de solidariedade aos policiais civis de São Paulo, que estão em greve, e também uma manifestação pública contra a governo Yeda Crusius.
    Não obstante serem as reivindicações dos policiais por salários dignos, condições de trabalho com tecnologia avançada e efetivo completo tenham o apoio de todos os segmentos da sociedade que buscam alcançar a sonhada sensação de segurança, essa salada dos agentes gaúchos com os policiais de São Paulo não me parecer ter qualquer consistência. Observo que é inconsistente ainda o dialogo entre agentes e delegados de polícia. Além disso, a harmonização entre Polícia Civil e Brigada Militar nos processos reivindicatórios pode ser considerada, ainda, embrionária. Portanto, esta ponte pênsil armada entre policiais gaúchos e paulistas me parece ter cabos frágeis e um balanço festivo.
    Salva-vidas
    A Brigada Militar receberá, até amanhã, inscrições para o processo seletivo de contratação de 600 Salva-Vidas Civis Temporários que trabalharão sob o regime jurídico estatutário, submetidos ao Regime Geral da Previdência Social, nos meses de dezembro de 2008 e janeiro, fevereiro e março de 2009. As 600 vagas serão distribuídas por todo o Estado. As informações estão à disposição no site www.brigadamilitar.rs.gov.br.
    Meio ambiente
    Ontem, o 4° Grupo Ambiental da Brigada Militar do Município de São José do Ouro realizou a solenidade de inauguração de sua nova sede. O prédio foi construído através de parceria entre o Consórcio da Usina Machadinho, a Fundação Brigada Militar e o Grupo Ambiental de São José do Ouro.
    Foragido
    Agentes do Deic prenderam, ontem, um homem de 25 anos que se encontrava foragido. Ele foi detido em um beco na rua da Fé, Vila Cai-Cai, bairro Cavalhada, na Capital. Segundo o delegado Eduardo de Oliveira César, o preso possui diversas condenações pelos crimes de roubo à mão armada em estabelecimentos comerciais e pedestres, porte ilegal de arma de fogo, tráfico de entorpecentes, homicídio e formação de quadrilha, totalizando uma pena de 28 anos e 10 meses de prisão.
    Homicídios
    O jovem Tiago Vargas do Amaral, de 18 anos, foi morto a tiros, ontem, na frente de casa. O crime ocorreu no bairro Sharlau, em São Leopoldo. Em Alvorada, Roberto Taylor da Rosa, de 48 anos, morreu baleado quando chegava em casa no bairro vila Isabel. Em Porto Alegre, uma mulher, não identificada, foi morta com dois tiros na cabeça no bairro Rubem Berta.
    Macaco
    Agentes da DP de Taquara prenderam no bairro Empresa, na rua Tabajara, um homem de 24 anos conhecido pelo apelido de Macaco que está envolvido em roubo de veículos, assaltos a residências, pedestres e caminhoneiros, além de incêndio, receptação e tentativa de homicídio. Macaco infernizava vários bairros daquele mu-nicípio e ninguém sabe por quanto tempo per-manecerá preso.
    Prisões
    A Brigada Militar, em ação do 1º BPM, deteve, ontem, no Beco das Flores, bairro Santa Tereza, na Capital, um homem que estava foragido do sistema prisional desde setembro deste ano. Logo depois foi detido um jovem de 20 anos, na Avenida Tramandaí, no Bairro Ipanema, que tinha em seu poder 63 pedras de crack e um tijolinho de maconha. Agentes da 2ª DP de Alvorada, com apoio da 1ª e da 3ª DP do município, prenderam três pessoas na sexta-feira . Dois homens, um de 20 e outro de 28 anos, e uma mulher de 32, foram detidos na Rua Loureiro da Silva, na Vila São Pedro, naquela cidade. De acordo com o delegado Marcos Antônio Machado, foram apreendidos dois rádios comunicadores, uma espingarda calibre 12 e uma pistola 380, além de farta munição. Os dois homens são suspeitos de terem praticado o homicídio que vitimou Emerson Leandro dos Santos Ferreira, fato ocorrido no dia 30 de outubro último.
    Mulher
    Uma ex-policial civil foi presa, na manhã de ontem, num ponto de tráfico de drogas no bairro Santa Cecília em Viamão. A mulher, de 49 anos, é apontada chefe de um grupo de traficantes daquela região. Na casa onde houve a prisão, na rua Vinicius de Moraes, PMs apreenderam 50 pedras de crack, uma pistola e munição. Os PMs também encontraram oito capacetes, tocas ninja e equipamentos eletrônicos. Não tenho na memória outro caso de uma ex-policial gaúcha que tenha optado pelo crime. Entre os homens esse tipo de troca de atividade não chega a ser uma coisa rara.
    Negritude
    Efeito Barack Obama: recebo e-mails apontando para o fato de que a Brigada Militar nunca teve um comandante geral negro.

  • Fato de 30 anos atrás deixa uma bomba na Feira do Livro

    Elmar Bones
    A 54a.Feira do Livro, que termina domingo, 16, deixará em Porto Alegre uma bomba de efeito retardado: o livro do jornalista Luiz Claudio Cunha, editado pela LPM, reconstituindo o “sequestro dos uruguaios” ocorrido em novembro de 1978, fato que abalou as ditaduras uruguaia e brasileira e que lançou seus primeiros estilhaços ali mesmo na Praça da Alfândega, em meio às barracas da Feira.
    Na abertura da feira daquele ano, o governador Synval Guazzelli foi encurralado pelos repórteres para falar de um assunto do qual vinha fugindo nos últimos dias – a denúncia de que dois adultos (Universindo Dias e Lilian Celiberti) e duas crianças (Camilo, 8, e Francesca, 3, filhos de Lilian) haviam sido sequestrados em Porto Alegre e levados para Montevidéo por uma ação conjunta de policiais uruguaios e brasileiros.
    O livro tem 472 páginas, e reconstitui os fatos num ritmo de reportagem, sem buscar isenção, nem distanciamento. O repórter está envolvido desde o primeiro minuto, quando numa tarde de novembro de 1978, acompanhado do fotógrafo J.B. Scalco, bateu num apartamento na rua Botafogo, no Menino Deus, e foi recebido por uma pistola. O autor do livro está do lado de cá da pistola, que como se descobriu depois, a partir do testemunho dele e de Scalco, estava a serviço de uma organização criminosa, que eliminava dissidentes à sombra das ditaduras do continente. Por isso, Luiz Cláudio é impiedoso com todos aqueles que estavam do lado de lá, o da pistola.
    O livro, lançado dia 7, com autógrafos na feira, detonou uma série de eventos em Porto Alegre e, de certa forma fez o mundo político local reviver os dias sombrios daqueles tempos “em que adversários eram punidos com a tortura, o desaparecimento e a morte”.
    Lilian e Universindo vieram de Montevidéo para homenagens na Assembléia Legislativa, na Ordem dos Advogados, deram dezenas de entrevistas em rádios, jornais e tevês. Lembraram a prisão, as torturas, nominaram os algozes, repudiaram as ditaduras e reitararam sua gratidão aos jornalista, advogados, defensores de direitos humanos e parlamentares que alimentaram a campanha, que não só desvendou o sequestro. Também salvou a vida deles, dos raros que escaparam das garras da Operação Condor.
    Luiz Claudio Cunha, que vive em Brasilia, voltou para casa. Lilian, Universindo, Camilo e Francesca voltaram para Montevidéo, onde vivem. O livro ficou como uma bomba silenciosa, demolidora de biografias que se reconstruiam sob a poeira do tempo.