Projeto foi apresentado ao governador em 2003. (Foto:Jeferson Bernardes/Palácio Piratini/JÁ)
Guilherme Kolling
A primeira reunião oficial dos Amigos e Moradores da rua Gonçalo de Carvalho com o poder público surpreendeu a todos. Mais de 70 pessoas compareceram ao Pré-Vestibular Móttola na noite da quarta-feira, 5 de outubro. O objetivo foi iniciar o debate sobre o Complexo da Ospa no Shopping Total. Até o momento, o projeto tramitava na prefeitura sem o conhecimento da vizinhança. O empreendimento inclui espaço para apresentações e um prédio de sete andares para estacionamento.
As irmãs Lourdes Brolo, 65, e Zenaide Dalpozzo, 69, alteraram a rotina para ir ao evento. Disciplinadas, foram as primeiras a chegar, cerca de 20 minutos antes do encontro. “Soubemos hoje através de um folheto que mostra o que pretendem fazer por aqui. Já participamos do abaixo-assinado. Querem abrir uma rua nova e mudar o trânsito. Mas já tem barulho que chega”, justificam.
A via a que elas se referem é a continuação da Benjamin Flores, que atravessaria a Cristóvão Colombo e o Shopping chegando até a Gonçalo de Carvalho, que seria a principal saída do shopping. Para isso, haveria mudanças no trânsito da região.
Outro grupo, de um edifício da Santo Antônio, está preocupado com o impacto da obra na estrutura do prédio. Cesar Cardia, Itairê Brasil Santos e Leandro Liscano temem avarias, já que o edifício onde vivem é antigo. Eles dizem que o terreno do shopping é “pedra pura” e que a obra vai precisar de dinamite para sair do papel. “Já usaram quando começaram a reforma na Brahma e dava para sentir os tremores. A preocupação é com a segurança, já que somos vizinhos do lugar escolhido para o empreendimento”, explica Santos.
O folheto distribuído pelos Amigos e Moradores da Gonçalo de Carvalho fala também da questão ambiental. Diz que a rua é belíssima, com seu característico túnel verde, um cartão postal de Porto Alegre ameaçado com as mudanças no trânsito. Entre as conseqüências, poluição sonora, atmosférica e o risco da perda de identidade do local. “É um patrimônio paisagístico importantíssimo que está sendo colocado em risco”, avaliou Maria Elisa Silva, da ONG União Pela Vida.
O grupo quer conhecer o projeto para sugerir eventuais alterações. “Teve uma divulgação pública em 20 maio, como mostra esse edital do Correio do Povo. Mas falei com 500 moradores da vizinhança e ninguém ficou sabendo”, denuncia Haeni Ficht, um dos líderes do movimento. Em nome do grupo, ele pediu uma audiência pública e um estudo de impacto ambiental. Também questionou os efeitos no trânsito, que podem afetar o acesso ao Hospital Moinhos de Vento e ao Colégio Bom Conselho.
O movimento Porto Alegre Vive compareceu em peso e deu apoio à causa. Uma das contestações ao empreendimento é o fato de estar numa das áreas especiais de interesse cultural, estabelecidas por decreto, enquanto o governo não envia o projeto de lei para a Câmara. “Trata-se do terreno de um prédio histórico, tombado. Temos que preservar a visibilidade desses imóveis”, justificou a arquiteta Marta Lompa.
O encontro também atraiu políticos, como a vereadora Sofia Cavedon (PT), que disse estar atenta à inconformidade da população para questões do planejamento urbano como áreas especiais de interesse cultural. O deputado estadual Adão Villaverde (PT) foi ao evento na condição de morador da rua.
O secretário municipal do Meio Ambiente, Beto Moesch, interlocutor da noite, explicou que o projeto da OSPA está tramitando entre as secretarias e que está na fase de Licença de Instalação. Ele disse que ainda é possível fazer uma audiência pública já que não há uma decisão final. O complexo da Orquestra Sinfônica já recebeu aprovação no Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU), da Secretaria do Planejamento. O fato foi divulgado como um emblema da agilização dos licenciamentos pela nova administração municipal.
Mas Moesch alerta que a população poderia ter sido avisada, como prevê o Estatuto das Cidades. “Nesse caso em que não é necessário o EIA-Rima, o ideal seria ter feito reuniões com a comunidade antes do EVU, e fazer o Estudo do Impacto de Vizinhança”, apontou.
Para o dia 19 de outubro, quarta-feira, está prevista nova reunião, desta vez no Colégio Bom Conselho e com a presença de secretarias e até do prefeito. A assessoria comunitária da Smam vai organizar o encontro. A expectativa dos moradores é que desta vez o projeto seja apresentado.
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Comunidade da rua Gonçalo de Carvalho começa a discutir projeto da Ospa
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Antigo Cinema Imperial vai virar centro de cultura
Naira Hofmeister
Mais um espaço cultural estará disponível aos porto-alegrenses já no final de 2006. Trata-se do Conjunto Cultural da Caixa, que vai ocupar o prédio, atualmente fechado, do antigo Cinema Imperial, na Praça da Alfândega, no centro de Porto Alegre.
O projeto prevê a restauração de todos os 12 andares do prédio, que abrigará museu, salas multimídia, espaços para exposições e oficinas, sala de dança, cafeteria e revistaria. O destaque fica por conta da recuperação do formato de cine-teatro com capacidade para 800 pessoas, concebido no projeto original do início do século 20. “É o primeiro projeto de resgate de um formato que estava abandonado no Brasil e pode ser visto com uma incitação, um questionamento”, defende o arquiteto responsável pelo projeto, Ismael Solé, que criticou a utilização de prédios semelhantes para abrigar igrejas.
A fachada principal, um exemplar da arquitetura Art Déco no Brasil, vai ser mantida. Porém, a fachada de fundos vai ganhar ares contemporâneos, sendo toda envidraçada. O custo total do projeto, orçado pela Caixa, gira em torno de R$ 13 milhões, que inclui a recuperação da fachada e da parte interna do prédio, além da construção de um anexo. O projeto Monumenta vai colaborar com uma parte da verba, cerca de R$ 1 milhão.
O prédio do cinema Imperial foi tombado como patrimônio municipal em abril desse ano. Para a reforma, foi necessária uma negociação entre a prefeitura de Porto Alegre e a Caixa Federal. Para o Conjunto Cultural da Caixa, estão reservados os quatro primeiros andares e o prédio anexo. A prefeitura municipal ficará com os oito andares restantes para atividades administrativas. Como a verba da reforma será quase toda do banco, a contrapartida da prefeitura foi ceder por 30 anos a utilização dos andares inferiores da construção.
O prefeito José Fogaça esteve presente no lançamento e elogiou a iniciativa: “A revitalização do centro é impossível sem o apoio de outras instituições, publicas ou privadas, para restabelecer os usos que decaíram com o tempo”. Fogaça defendeu que o centro de Porto Alegre deve voltar a ter grande circulação, mas que não são os visitantes que irão garanti-la: “Acreditamos que incentivando a moradia no centro, vamos ter novamente o clima de tempos atrás”. O prefeito lamentou o fato de não poder contar com a Guarda Municipal para ajudar na segurança: “A prefeitura está impedida de realizar policiamento, pelo menos por enquanto”.
Segundo as perspectivas da equipe responsável pelo projeto na Caixa Econômica, o Conjunto Cultural somado ao Multipalco do Theatro São Pedro, irá atrair para o centro um público novo de 2.500 pessoas, circulando principalmente à noite e aos finais de semana.
A intenção da Caixa é manter o caráter popular do Cinema Imperial nos últimos anos, porém, qualificando o serviço oferecido. Assim como no Conjunto Cultural existente em Curitiba, o de Porto Alegre terá assistência direta de artistas locais para montar sua programação. Além de buscar atrações externas, também vai montar seus próprios espetáculos. A capital do Rio grande é a quinta cidade do país a receber o projeto cultural, de um no total de oito previstas. -
Atitude da Brigada Militar lembra os tempos da ditadura
A imprensa deu ampla cobertura e criticou ferozmente a lambança que a Brigada Militar fez no estádio Beira-Rio na tarde de domingo, 2 de outubro. O que ainda não foi dito sobre o episódio depõe ainda mais contra a corporação.
É que a briga na torcida organizada Camisa 12, iniciada depois dos 40 minutos do segundo tempo da partida, tinha sido apaziguada pelos próprios integrantes quando os policiais chegaram no local.
Só que não eram oficiais quaisquer. No capacete deles estava inscrito BOE – Batalhão de Operações Especiais, algo equivalente à Tropa de Choque. E os brigadianos que foram dar fim ao tumulto não quiseram saber de explicações de que os briguentos já tinham sido separados, nem procuraram saber quais eram os envolvidos para levá-los para fora do estádio, como se faz normalmente. Ou seja, ao invés de acabar com a bronca, reiniciaram o tumulto.
Desceram a lenha na torcida, sem fazer distinção. Logo se abriu um clarão na massa, quase todo mundo com os braços erguidos, mostrando que nada tinha a ver com a briga. Não adiantou. Foram mais cinco minutos de uma trégua de segundos interrompidas por novas agressões.
Logo, toda a massa estava contra os policiais, trocando o olé!, olé!, olé!, Inter!, Inter!, por Uh!, uh!, uh!, Brigada p.-no-c!. e outros xingamentos aos policiais, que não aceitavam as provocações e partiam pro pau de novo.
Quando o jogo acabou, a urbe se concentrou no conflito e correu os brigadianos da arquibancada. Era o momento que milhares de pessoas esperavam para fugir daquele inferno. Iniciou-se uma correria, evitada pelos pedidos de “calma”, “não corre” dos mais experientes.
Não adiantou porque tão logo foi expulsa da arquibancada, a Brigada passou a jogar bombas de efeito moral, uma atrás da outra. E bota efeito moral nisso, aquilo parecia o Iraque. A arquibancada tremia, mulheres e crianças gritavam e a fumaça liquidava com os olhos e o nariz de quem não protegesse com um pano.
Com a multidão dispersa, a Brigada voltou para terminar de esvaziar a arquibancada, dando de cassetete em mais gente inocente, inclusive em setores do estádio que nada tinham a ver com a confusão, como a Popular e a Social.
A massa não perdoou: Covardes! Covardes! Covardes! O comandante do policiamento no Beira-Rio foi afastado, o governador em exercício Antônio Hohlfeldt se desculpou, mas o episódio manchou de forma irrevogável a imagem da Brigada.
Quem sofre na pele também são os policiais, que nada tiveram a ver com o incidente. Nas ruas, bastava ver um deles fardado para pipocarem os comentários maldosos, como o de um grupo de taxistas, que alertaram um colega que passou na frente do PM. “Cuidado que o cara vai te dar porrada”.
Guilherme Kolling -
Humor negro para se aproximar do trágico da condição humana
A partir desta terça-feira (4), o público terá a oportunidade de presenciar a hilariante montagem Gordos ou somewhere beyond the sea, do grupo Teatro Sarcáustico. A peça reflete sobre a condição do homem na contemporaneidade. O texto é uma comédia de humor negro, que ressalta acima de tudo as relações familiares. Conta a história de uma família que sofre para agregar-se novamente após uma tragédia.
Phyllis Hogan e seu filho Bishop passam cinco anos perdidos em uma ilha deserta, depois de sobreviverem a um acidente de avião. Tendo que se defenderem sozinhos, os dois se vêem obrigados a tomar decisões desagradáveis. Acreditando que a mulher e o filho estão mortos, o cineasta Howard Hogan passa viver com a amante, a atriz pornô Pam.
Quando a família volta, a situação de Hogan se complica. A amante está grávida e, para piorar, mãe e filho adquiriram hábitos bizarros para os conceitos da sociedade que encontram. Os dois serão obrigados a voltar aos padrões antigos, mesmo sabendo que não são mais as mesmas pessoas.
O diretor Daniel Colin interpreta Bishop
Ainda no primeiro ato – que se reveza entre a ilha e a residência dos Hogan – Phyllis narra ao publico sua angústia de sonhar sempre com homens gordos, usando saia, presos em uma jaula de zoológico. “O título da peça simboliza este pesadelo do qual ela não consegue se livrar”, explica Daniel Colin, ator e diretor do espetáculo. “Um dos segredos da peça está relacionado ao principal medo da Phyllis: o de ser uma aberração”. Segundo o diretor, a proposta desta montagem é justamente discutir “o que somos e o que temos que fingir ser”.
Gordos… é resultado do trabalho de conclusão de Colin e outras duas formandas – Andressa de Oliveira e Tatiana Mielczarski – do curso de Artes Cênicas – Habilitação em Interpretação Teatral da Ufrgs. E foi apresentado pela primeira vez em janeiro de 2004, sob a orientação da atriz e diretora Adriane Mottola.
Na ocasião, o grupo (que conta também com o ator Maico Silveira no elenco) apresentou a peça em dois atos. O terceiro ato só aconteceu em fevereiro deste ano, após os ensaios liderados por Colin, que freqüenta agora o Curso de Direção Teatral da Ufrgs.
O roteiro de autoria do próprio grupo teve influências de textos dos dramaturgos norte-americanos Nicky Silver e Tennessee Williams e do brasileiro Martins Pena, além de estudos das obras dos artistas plásticos Francis Bacon e Elke Krystufek e de filmes estrelados por Katharine Hepburn.
A relação da montagem com o cinema vai além das referências destes filmes da década de 50. Todos os personagens são ligados à sétima arte. Howard é um diretor de cinema de filmes de ficção científica B, Pam é uma atriz pornô de quinta categoria e Bishop é aficcionado por Katharine Hepburn.
A atriz torna-se onipresente no espetáculo. “Bishop fica o tempo todo falando da Katharine Hepburn, e dos filmes que a Katharine Hepburn fez”, adianta Colin. “A gente começou a brincar com isto e acabou optando por fazer projeções de imagens onde a Katharine Hepburn aparece”, completa.
O grupo ainda brincou com a linguagem do cinema, usando movimentos corporais que lembram câmera lenta, câmera rápida, pausas, retrocedência e outras soluções como flash-backs. A trilha sonora mantém o clima, sendo composta quase que totalmente por músicas de diversos filmes.
As deformações que aparecem em alguns quadros de Francis Bacon também estão muito presentes na estética do espetáculo. O elenco, de cabelos laranjas, circunda o palco revestido em um pano branco utilizando acessórios verdes vibrantes, “como se fossem borrões”, compara Maico Silveira.
O espaço vazio, com apenas um elemento cênico, promove a possibilidade da fragmentação do próprio espaço e do tempo, a todo instante. A iluminação concebida por Carina Sehn ressalta estes múltiplos lugares, possibilitando o acontecimento de duas cenas quase simultâneas, separadas apenas pela delimitação de espaço no palco.
A montagem, que cumpriu nova temporada em setembro de 2004 dentro da Ufrgs, estreou a versão atual em fevereiro de 2005 no Depósito de Teatro e foi considerada pela crítica um trabalho “de qualidade, inteligente, sensível, crítico e divertido”. Gordos ou somewhere beyond the sea volta a cartaz em curta temporada na Sala Álvaro Moreyra (Av. Érico Veríssimo, 307). Dias 04, 05, 06,12 e 13 de outubro, sempre às 20h.
Gordos ou somewhere beyond the sea
Direção: Daniel Colin
Elenco: Andressa de Oliveira, Daniel Colin, Maico Silveira e Tatiana Mielczarski
Onde: Sala Álvaro Moreyra (Av. Érico Veríssimo, 307)
Quando: Terças, quartas e quintas, sempre às 20h. Dias 04, 05, 06,12 e 13 de outubro -
Petrobras oferece ações da Copesul à Braskem
“Fomos patrolados”, diz o presidente do Sindipolo
Passava das onze horas da noite quando a informação circulou ontem, depois de um dia inteiro de grande expectativa. A Petrobras, maior estatal brasileira, já tinha pronto o “Fato Relevante” que vai encaminhar nesta sexta-feira (30) à Comissão de Valores Mobiliários, apontando os ativos que pretende transferir à Braskem, maior empresa privada do setor petroquímico no País.
Por trás da linguagem cifrada do economês, está uma decisão que vai dar ao grupo Odebrecht, controlador da Braskem, a liderança da petroquímica brasileira e abre caminho para que a empresa se torne uma das maiores do mundo no setor.
O Fato Relevante publicado nos jornais desta sexta-feira (30) diz que foi outurgada à Petroquisa uma opção de aumentar sua participação no capital votante da Braskem para até 30%, através da subscrição de novas ações ordinárias (com direito a voto).
A Odebrecht, por sua vez, aceitou os ativos indicados pela Petroquisa para fins de aporte na Braskem. São eles: 15,63% do capital total da Copesul; 85% do capital total da Petroquímica Triunfo e 40% da Petroquímica Paulínia, empresa que tem por objetivo a implantação de uma unidade de polipropileno. O prazo limite para o exercício da Opção passou de 31 de dezembro de 2005 para 31 de março de 2006.
A Braskem já controla a central de matérias primas do pólo de Camaçari na Bahia, o maior do País. Agora, com os 15% que a Petrobras tem na Copesul, poderá ficar também com o controle do Pólo Petroquímico de Triunfo. Hoje ela divide esse controle com a Ipiranga, tendo cada uma cerca de 30% das ações com direito a voto.
A troca de ativos, nos termos em que será proposta, dará também à Braskem o controle da Petroquímica Triunfo, que hoje pertence quase integralmente à Petrobras, e da Petroquímica Paulínia constituída no início de setembro e na qual a Petrobrás tem 40% e a Braskem 60% do capital votante.
Embora esperada a decisão da Petrobras causou grande impacto no Rio Grande do Sul. “Fomos patrolados”, disse Eitor Rodrigues, presidente do Sindipolo/RS, que tem promovido manifestações de protesto contra o possível controle da Copesul pela Braskem.
Ainda na terça-feira, no Rio de Janeiro, a presidente da Petroquisa, Maria da Graça Foster, deu sinais de que poderia haver adiamento, ao afirmar que o assunto ainda estava em discussão e que não havia convicção de que o negócio seria vantajoso para a estatal. Esse fato reforça a hipótese levantada pelo sindicato de que não há consenso no governo quanto a essa decisão da Petrobrás.
Assunto será discutido em audiência pública
As negociações entre a Petrobras e a Braskem será o tema de uma audiência pública marcada para a próxima quarta-feira, dia 5 de outubro, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul para discutir o negócio, que terá grandes implicações no pólo de Triunfo.
A reunião conjunta inicia às 9h na sala da Comissão de Economia e Desenvolvimento, com a participação da Comissão de Serviços Públicos e da Comissão de Participação Legislativa e Popular.
Em Brasília, o deputado Tarcísio Zimmermann informou que já está acertada também uma audiência pública na Comissão de Serviços Públicos da Câmara dos Deputados com a mesma finalidade. A data ainda não foi marcada, mas será nos primeiros dias de outubro.
Ontem em Porto Alegre, em meio à expectativa pela decisão, o Sindipolo promoveu novas manifestações de protesto contra o acordo entre Petrobrás e Braskem. Na Esquina Democrática, no centro da capital gaúcha, os manifestantes distribuíram informativos à população explicando as possíveis conseqüências caso o negócio venha a ser fechado. “Hoje praticamente tudo o que você usa tem produtos químicos. Por isso, decisões envolvendo esse setor terão reflexos diretos no seu bolso”, advertia o panfleto. Com o apoio de um carro de som, os líderes do movimento chamavam a atenção do povo para a causa: “Se o negócio se realizar, mais de 80% da indústria petroquímica nacional vai se concentrar nas mãos de um grupo privado”, disse Carlos Eitor Rodrigues, presidente do Sindipolo.
Apoiavam a manifestação trabalhadores ligados à CUT, ao CPERS e a diversas outras entidades sindicais, como os metalúrgicos, petroleiros e químicos.
Segundo Eitor Rodrigues os protestos vão se intensificar nos próximos dias. “Agora vamos inclusive questionar a lisura desse negócio, em que uma empresa pública claramente beneficia um grupo privado”. -
Estado e municípios entram no Sistema Nacional de Cultura
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, e o secretário estadual da Cultura, Roque Jacoby, assinaram um protocolo de intenções para a implantação do Sistema Nacional de Cultura em todos os municípios gaúchos, na tarde desta sexta-feira (30), no gabinete do governador Germano Rigotto.O documento também foi assinado pelo governador, prefeitos e representantes de outros 40 municípios do Estado e da Famurs.
O projeto desenvolvido desde junho pelo Ministério da Cultura tem a finalidade de promover debates com a sociedade para definição de prioridades em políticas públicas para o setor cultural. Rigotto e Roque Jacoby ressaltaram o interesse de que o Rio Grande do Sul seja o primeiro estado a formalizar a participação de todos os municípios. “Estamos dando um importante passo em direção à definição de prioridades com base no debate”, afirmou o governador.
Após a assinatura, o ministro concedeu uma coletiva no auditório da Sedac, onde recebeu de Jacoby uma placa em homenagem ao seu trabalho pela “solidificação da cultura nacional”. O ministro aproveitou a ocasião para desejar que “este passo inicial seja um marco na efetivação de um sistema de cultura includente em todo o País”.
O Sistema Nacional de Cultura deverá integrar o ministério e secretariais estaduais e municipais. “Será um sistema de articulação, gestão, informação e promoção de políticas públicas na área da cultura, pactuado entre os entes federados, com a participação social, – que é fundamental”, disse Gil.
Pelo termo de compromisso, o Ministério da Cultura deverá, entre outras tarefas, criar condições legais, administrativas, participativas e orçamentárias para implantação do projeto, além de coordenar e desenvolver o SNC, implantar o Conselho Nacional de Política Cultural, realizar a primeira Conferência Nacional de Cultura até dezembro e acompanhar os programas e projetos que se integrem ao Sistema.
O Estado deverá, entre outras coisas, assegurar o funcionamento dos conselhos estaduais de política cultural, apoiar a realização das conferências estaduais e nacional de cultura, e implantar e regulamentar as normas locais dos sistemas setoriais de cultura.
Na coletiva, o ministro falou da importância da criação de conselhos, assembléias e secretarias em municípios onde não existem pastas para a Cultura. Descreveu as prefeituras como as unidades políticas mais importantes no conjunto de representação dos cidadãos e, por isso, o ingrediente principal de um bolo, onde o Estado e a União seriam o fermento. “É preciso que haja a mobilização dos municípios, dos setores públicos e privados, para o fomento da cultura”, opinou. Gilberto Gil disse ainda que os cidadãos “não dependem do Estado” para o desenvolvimento da Cultura. “Vai da autonomia de cada município”.
O ministro acredita que o convênio deve gerar uma troca de informações nos âmbitos municipais, estaduais e federal, abrindo portas para que se possa ampliar as ações culturais. “Uma esfera ajuda a outra a trazer informações. Desta forma, com os mesmos recursos de hoje, é possível se criar uma rede mais alinhada que beneficiará a todos”.
O Ministro da Cultura participou na abertura da 5ª Bienal do Mercosul, nesta sexta-feira à noite, na sede do Santander Cultural. Sobre a mostra, disse que “é de incontestável valor” por receber artistas de vários países, abrindo espaço para o questionamento da arte da América Latina. “A comunidade porto-alegrense sabe mais do que eu, como ministro, da importância deste evento. O evento, no mínimo, movimenta a economia, traz turistas e dá uma outra dimensão cultural à cidade”. -
Cultura no final de semana
Artes Plásticas
Exposição Buenos Aires e Porto Alegre, na Fotogaleria Virgílio Calegari – 7º andar da Casa de Cultura Mário Quintana. Segue até o dia 02 de outubro. Exposição da fotógrafa argentina Mariana Pessah que apresenta, através de imagens, as diferenças entre as cidades de Buenos Aires e Porto Alegre.
Exposição Tributo à Mulher, no Espaço NAV – 3º andar da Casa de Cultura Mário Quintana. Segue até o dia 02 de outubro.
Exposição na qual o artista Fernando Lusardo trabalha mais a espiritualidade da mulher, um espírito forte e profundo, equilibrado e marcante que predomina na alma feminina. Lusardo tonalizou a maioria de suas obras em azul. Outro participante da mostra é o artista Isaias Ferreira da Silva, que trabalha o lado passional, forte e sensual da mulher. Ele enfatizou o vermelho nos seus trabalhos.
Exposição 4X BRASIL, na Galeria Xico Stockinger – 6º andar da Casa de Cultura Mário Quintana. Segue até o dia 16 de outubro
Exposição que apresenta o itinerário da cultura brasileira desde os anos 60, através de movimentos inovadores e representativos nas áreas musical, literária e de artes cênicas. Também uma exposição do conceituado fotógrafo Orlando Brito, apresentando importantes acontecimentos políticos ocorridos no país durante este 40 anos. A exposição faz parte do projeto Itinerários da Cultura Brasileira – 4X BRASIL, da Copesul.
Sábado, das 10h às 13h – Atelier Livre no Caminho dos Antiquários
Artistas se encontram na Praça Praça Daltro Filho(em frente ao Capitólio) para desenhar, fotografar e anotar. O resultado das observações vai ser apresentado em uma mostra das produções no Paço Municipal. Inscrições na Secretaria do Atelier Livre da Prefeitura
Teatro
Sábado, às 16h – Estréia da peça Pé de Sapato, de Hermes Bernardi Jr.
Até 30 de outubro, aos sábados e domingos, às 16h, no Teatro Renascença (Érico Veríssimo, 307).
Ballet Stagium
O grupo apresenta o espetáculo Stagium Dança Chico Buarque. Na trilha sonora, criação de Décio Otero, estão incluídas as músicas: Na Carreira, Trocando em Miúdos, Roda Viva, Morena de Angola entre outras canções de Chico
Salão de Atos da PUC (Av. Ipiranga, 6681 Prédio 4 PUCRS)
Onde:
Quando: Sexta e sábado, às 19h e às 21h. Dias 30 de setembro e 1º de outubro
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (maiores de 65 anos).
Blitz
Medo, angústia, desconfiança e um clima tenso fazem parte do espetáculo Blitz, produção do Depósito de Teatro, com texto de Bosco Brasil. A história conta o drama de uma mulher que quer separar-se do marido, um policial militar acusado de matar um garoto de doze anos numa blitz em um colégio. Porém, no outro lado da moeda podemos ver o drama de um policial militar para provar a própria esposa que é inocente da morte do menino baleado. Apesar das súplicas do marido, Heloísa já não o reconhece e prefere acreditar no que está escrito nos jornais. A apresentação da montagem integra o Projeto Correios Leva Você ao Teatro.
Direção: Roberto Oliveira
Elenco: Sofia Salvatori e Charlie Severo
Onde: Studio Stravaganza (Doutor Olinto de Oliveira, 66)
Quando: Quinta e sexta, às 21h. Até 10 de outubro
Ingressos: R$ 12 e R$ 5 (classe teatral).
Dr. Q.S – Quriozas Qomédias
Direção: Roberto Oliveira
Elenco: Sandra Possani, Plínio Marcos Rodrigues, Daniel Colin, Tatiana Carvalho, Diana Manenti e Maria Falkembach
O espetáculo traça um amplo quadro da obra dramatúrgica e poética, além de mostrar algumas facetas e façanhas da torturada e desesperada existência de Qorpo Santo. Aparecem na encenação, integralmente, seus textos Mateus e Mateusa e As Relações Naturais, entremeados com trechos de outros textos teatrais, poesias, aforismos e fatos de sua vida pessoal.
Onde: Depósito de Teatro (Av. Benjamin Constant, 1677)
Quando: Sábado, às 21h, domingo e segundas, às 20h. Até 31 de outubro
Ingressos: R$ 15 e R$ 7 (classe teatral).
Encontros
O texto tem por base as obras dos escritores Eduardo Galeano e Jorge Luis Borges.
Direção: Zé Adão Barbosa, Daniela Carmona e Adriano Basegio
Onde: Sala Álvaro Moreira (Av. Érico Veríssimo, 307)
Quando: Sexta, às 21h . Até 30 de setembro.
Entrada Franca
Mulheres por um Fio
Elenco: Christiane Torloni
Direção: José Possi Neto
A peça é dividida em três esquetes que, em comum, têm uma mulher solitária diante de um telefone. No palco, Cristiane Torloni posa de mulher abandonada, jovem sonhadora e mulher moderna em textos de Jean Cocteau, Dorothy Parker e Miguel Falabella.
Onde: Theatro São Pedro (Pç. Marechal Deodoro, s/n°)
Quando: Sexta e sábado, às 21h; Domingo, às 18h. Ate 02 de outubro.
Ingressos: R$ 40 (platéia e cadeira extra), R$ 35 (camarote central), R$ 30 (camarote lateral) e R$ 20 (galeria). À venda na bilheteria do Theatro São Pedro (3227-5100) e pela telentrega Opus 3299-0800 .
O Círculo Sagrado
O novo trabalho do grupo Nômade de teatro, resgata a cultura sacerdotal céltica e bretã da antigüidade e sua forte simbologia, enfatizando a sabedoria da natureza, o xamanismo celta e seus valores espirituais femininos.
A peça mostra o momento de transição entre o desenvolvimento da cultura bretã druídica até a Saga de Avalon. Com roteiro de Tiago Agne e Gisela Rodriguez livremente inspirado no romance A Senhora de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, e com textos poéticos galícios originais, extraídos de uma intensa pesquisa bibliográfica, incluindo o poeta Yeats e o teólogo John O`Donohue, e ainda adaptações de Shakespeare, Pat Mills e T.S. Eliot,
Direção: Gisela Rodriguez
Elenco: Ed Lannes, Gisela Rodriguez, Juliano Straliotto, Liliane Pereira, Marcos Castilhos, Mauro Bruzza, Moira Stein e Paulo Zé Barcellos
Onde: Centro de Eventos do DC Shopping (Frederico Mentz, 1606)
Quando: Sextas e sábados, 21h; domingos, 20h. De 23 de setembro a 6 de novembro.
Ingressos: R$ 10,00 / estudantes e classe artística: desconto de 50% – vendas antecipadas na loja Sirius (República, 304) e no restaurante Vitrine Gaúcha (DC Shopping).
Como Emagrecer fazendo Sexo
Elenco: Pablo Capalonga e Luciana Marcon
Diretor: Airton de Oliveira
A comédia aborda de uma forma divertida e bem humorada a descoberta do mais novo e revolucionário tratamento de emagrecimento.
Onde: Teatro Carlos Carvalho (R. dos Andradas, 736 2° andar /Casa de Cultura Mario Quintana)
Quando: Sexta a domingo, às 19h. Até 30 de outubro
Ingressos: R$ 15 (com 50% de desconto para idosos, estudantes e classe artística.
Bailei na Curva
Ano 64. É deflagrado o golpe militar no Brasil. Os efeitos do novo regime na vida de sete crianças que moram na mesma rua, no Bom Fim, é o principal enfoque da peça. Bailei na Curva ajuda a entender um momento político que abalou as aspirações de uma geração idealista.
Elenco: Cíntia Ferrer, Érico Ramos, Felipe De Paula, João Walker, Ju Brondani, Mariana Vellinho, Patrícia Mendes e Tiago Conte
Direção: Júlio Conte
Onde: Teatro Bruno Kiefer (Rua dos Andradas, 736, 6° andar / Casa de Cultura Mario Quintana)
Quando: Sábado e domingo, às 19h. De 01 a 30 de outubro.
Ingressos: R$ 15 (com 50% de desconto para idosos )
Um Circo de Rins e Fígados
Peça que reúne pela primeira vez no palco o ator Marco Nanini e o encenador Gerald Thomas. O texto conta a história de um ator chamado justamente Marco Nanini, que recebe várias caixas com documentos secretos enviadas por um homem misterioso. Daí em diante, o personagem se envolve numa rede de acontecimentos que transformam sua vida num turbilhão. O personagem, apesar de ter o mesmo nome do ator, não é autobiográfico, segundo Nanini, que foi indicado ao Prêmio Shell de melhor ator com o espetáculo.
Elenco: Marco Nanini, Fabiana Guglielmetti, Amadeo Lamounier, Pedro Osório, Gustavo Wabner, Rodrigo Sanchez, Willian Ramanauskas, Beto Galdino, Gilson Matogrosso e Narcizo Tosti
Direção: Gerald Thomas
Onde: Teatro do Sesi (Av. Assis Brasil, 8787 / Fiergs)
Quando: Sexta e sábado, às 21h. Dias 30 de setembro e 1º de outubro
Ingressos: mezanino R$ 40,00, platéia baixa R$ 60,00 / platéia alta R$ 50,00 (nas lojas Claro 24 de Outubro e Andradas)
Haloperidol – Uma fábula urbana
Haloperidol – Uma fábula urbana conta a história de um menino que tem vocação para escrever, mas não encontra apoio nem da família nem da sociedade. O grupo Trupe do Morro se inspirou em textos de Nelson Rodrigues, Kafka e Shakespeare para compor o espetáculo. Foram quatro meses de pesquisas no Hospital Psiquiátrico São Pedro, quando os integrantes perceberam que a loucura poderia ser expressa de forma sutil, nos pequenos detalhes.
Quando: Hospital Psiquiátrico São Pedro (Av. Bento Gonçalves, 2460)
Onde: Sábado e domingo, às 20h. Até 30/10/2005
Ingressos: R$ 7 e R$ 5 (para estudantes, classe artística e pessoas com idade acima de 60 anos).
O Segredo Íntimo dos Homens
A trama revela os problemas de dois pênis que procuram um psicanalista em busca de compreensão e auxílio para enfrentar um universo assoberbado, cheio de padrões, modismos e ideais de competição. Durante a consulta eles declaram suas indignações e seus pontos fracos, sempre defendendo as necessidades básicas para um pênis sentir-se feliz. Também reclamam dos cuidados que seus donos lhes dispensam, e os termos pejorativos que as mulheres lhes atribuem.
Elenco: Henri Iunes, Ita Ramires, Pedro Delgado e Rafael Rebelo
Direção: Pedro Delgado
Onde: Teatro do IPE (Av. Borges de Medeiros, 1945)
Quando: Domingos, às 20h. De 02/10 a 30/10/2005
Ingressos: R$ 15
Gordos ou Somewhere Beyond the Sea
Gordos ou Somewhere Beyond the Sea conta a história de Phyllis Hogan e seu filho Bishop, únicos sobreviventes de um desastre aéreo que se vêem obrigados a tomar decisões nada agradáveis para se defenderem e manterem vivos. Enquanto isso, Howard Hogan, o chefe da família, espera mulher e filho na companhia de sua amante, a atriz pornô Pam. A trama utiliza uma linguagem pop, inspirada principalmente em filmes de Hollywood dos anos 1950 e 1960.
A montagem chega para o público em versão integral e definitiva após apresentações no ano passado, ainda sem finalização. Gordos ou Somewhere Beyond the Sea é dirigida por Daniel Colin, que também integra o elenco, juntamente com Andressa de Oliveira, Tatiana Mielczarski e Maico Silveira
Onde: Sala Álvaro Moreyra (Av. Érico Veríssimo, 307)
Quando: Terça a quinta, às 20h. De 04 a 13 de outubro
Ingressos: R$ 15. (Desconto de 50% para estudantes, idosos e classe artística).
Música
Sábado, às 19h – Happy Hour no café Concerto Majestic, com o saxofonista André Marques. Sem cobrança de couvert, na Casa de Cultura Mário Quintana.
Sábado, às 21h30 – Show de blues e jazz com Fabiano Rodrigues e convidados, no café Concerto Majestic, na Casa de Cultura Mário Quintana.
Domingo, às 17h – O Domingo no Átrio recebe umm dos grandes representantes da soul music, o cantor, violonista e compositor Hyldon. Ele faz uma apresentação solo, voz e violão, comemorativo aos 30 anos do clássico álbum Na Rua, na Chuva, na Fazenda, que colocou o baiano no mapa da MPB e que está sendo relançado, em edição comemorativa. No Santander Cultural, com ingressos a R$10,00. Clientes Santander e Banespa tem 20% de desconto.
19h – A Orquestra de Câmara da Ulbra apresenta o 7º Concerto da Temporada Oficial 2005 François Sochard. O maestro convidado será Henrique Lian, de Campinas, São Paulo. A entreada e gratuita
Na Sala de Concertos Leopoldina – Associação Leopoldina Juvenil (Rua Marquês do Herval, 280 – Moinhos de Vento)
19h30 – Happy Hour do Café Concerto Majestic, com o pianista Jefferson Aloysio. Sem cobrança de couvert, na Casa de Cultura Mário Quintana.
Outras atividades
Sábado, às 15h – Contação de Histórias na Biblioteca Infantil Cecília Minsen, da Casa de Cultura Mário Quintana. Adaptação de A Menina das Bolhinhas de Sabão, obra de Antonio Hohlfeldt, pelo grupo de Teatro Infanto-Juvenil O Nariz Postiço. Ingressos a R$ 2,00.
Domingo, às 18h30 – Palestra Tesouros do Espírito, no Brahma Kumaris de Porto Alegre. Informações e inscrições telefone (51) 3388-1244. -
Peritos vão avaliar casas da Luciana de Abreu

Movimento pela preservação já dura três anos (Foto: Tânia Meinerz)
Guilherme Kolling
A polêmica sobre a preservação de seis casas na rua Luciana de Abreu, no bairro Moinhos de Vento, está chegando no seu momento decisivo. Ministério Público e associações de moradores lutam para manter o casario. Já obtiveram três vitórias na Justiça, mas não uma definitva. A Goldsztein quer a liberação do local para construir um prédio de 16 andares, já aprovado pela Prefeitura.
A disputa corre nos tribunais há três anos. Nesse período, a licença de demolição dos imóveis foi suspensa através de liminar. Com isso, as casas não podem ser derrubadas. Pelo menos até a prova técnica, que vai definir se as edificações são ou não de interesse histórico-cultural.
O desfecho da discussão deve se dar com a perícia de especialistas, que vão avaliar o caso nas próximas semanas. A Justiça nomeou o arquiteto e urbanista Caryl Eduardo Jovanovich Lopes, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e especialista em patrimônio cultural, e a historiadora Neida Regina Ceccim Morales, também docente da UFSM.
Ambos foram indicados em março pelo reitor da Universidade Paulo Jorge Sarkis, atendendo solicitação da juíza Vanise Röhrig Monte. A empresa e o MP concordaram com os nomes. Cada um pediu R$ 5 mil para o trabalho, o que foi aceito pelas partes em 1º de setembro. A Goldsztein vai pagar os honorários, conforme decisão da Justiça.
Agora, só falta o juiz convocar a dupla para o início da tarefa. Dois assistentes vão acompanhá-los: pela construtora, o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS Benamy Turkienicz; pelo Ministério Público, o engenheiro Antônio Barth. A Prefeitura, que também é ré no caso, deve estar presente com um técnico da EPAHC (Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural) – em 2003, havia indicado a arquiteta Elena Graeff.
Foi nessa época, aliás – em 2003 – que começou a discussão para a escolha de peritos. MP e Goldsztein concordavam sobre a necessidade de chamar técnicos para avaliar as casas. A Promotoria de Justiça de Meio Ambiente solicitava uma “perícia multidisciplinar, com especialistas em história e arquitetura e urbanismo”.
Dois meses depois o pedido foi reforçado. Desta vez, os advogados da Goldsztein falavam da importância de “colher provas desapaixonadas”, através de profissionais de história da arte e arquitetura e urbanismo. A mesma opinião foi compartilhada pela Prefeitura.
Com o consenso, a juíza Marcia Kern Papaleo nomeou, ainda em julho, o arquiteto Firmino Argemi Neto, estabelecendo 60 dias de prazo para o trabalho. E pediu para as partes indicarem assistentes. Os prazos foram sendo esticados e o estudo nem começou. Tanto Goldsztein quanto Ministério Público acabaram mudando os arquitetos que haviam indicado.
E em abril de 2004, o MP vetou Firmino, depois que seu currículo foi enviado – ele não seria especialista em patrimônio cultural. O MP pediu ainda um segundo perito, formado em História. A juíza Vanise Röhrig Monte acatou o pedido e indicou, em agosto de 2004 as arquitetas Ediolanda Liedke e Raquel Rodrigues Lima.
Desta vez foi a Goldsztein quem vetou os nomes. A unanimidade só veio com os professores da UFSM. A promotora de Justiça e Defesa do Meio Ambiente, Annelise Steigleder (foto), acredita que a Justiça terá uma decisão final após a apresentação dos estudos.Leia a íntegra da reportagem na edição do Jornal JÁ Porto Alegre, que está nas bancas.
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Feira do Livro está com patrocínio indefinido
A 30 dias do início da 51ª Feira do Livro de Porto Alegre, a Câmara Rio-grandense do Livro (CRL) ainda não sabe o total de verbas de que vai dispor para realização do evento. Das duas principais fontes de recursos, apenas a Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, garantiu R$ 2 milhões a CRL para captação entre as empresas patrocinadoras. A Lei de Incentivo à Cultura (LIC), do Estado, ainda não habilitou o evento para receber ajuda financeira. Quem decide são os membros do Conselho, segundo o coordenador do Sistema LIC, Paulo Roberto dos Santos.
A primeira vez que foi analisado pelos 24 membros do Conselho Estadual da Cultura, a Câmara teve o projeto da Feira do Livro reprovado. Segundo o presidente do Conselho, Jorge Campos da Costa, o recurso da entidade deve ser analisado pelos conselheiros ainda nesta semana. “Só estamos aguardando a análise final das informações técnicas acrescentadas ao recurso, para que o relator do processo coloque em votação no plenário”, explica Costa. O nome do relator do processo é mantido em sigilo. A decisão depende do voto da maioria dos conselheiros. O projeto prevê a liberação de R$ 1,08 milhão para financiamento junto à iniciativa privada.
O presidente da CRL, Waldir da Silveira, não vê problemas para ser aprovado nesse segundo momento. Segundo ele, o projeto foi elaborado por uma das executivas da entidade entre os meses de janeiro e fevereiro, e apresentado no dia 15 de março. “Naturalmente, faltaram alguns documentos, mas nós anexamos ao recurso 740 páginas, e não vejo mais impedimentos”, afirmou.
A previsão de gastos na Feira, que acontece de 28 de outubro a 15 de novembro, na Praça da Alfândega, gira em torno de R$ 2,2 milhões. Devem figurar como patrocinadores nesta edição, segundo Silveira, as empresas Copesul, Gerdau, Zaffari, TIM, a Prefeitura de Porto Alegre e a Refap.
Feira chega aos Cais do Porto
Este ano, a Feira do Livro terá seu espaço ampliado até o Cais do Porto. As 23 barracas da Área Infantil e Juvenil ocuparão os armazéns A e B. O Pórtico Central e a área existente entre os armazéns e o Guaíba serão ocupados por eventos direcionados a esse público. Nesse espaço também será montado um palco onde ocorrerá a abertura oficial do evento.
Pela primeira vez as crianças poderão visitar a Feira pela manhã, a partir das 10 horas. A ampliação do horário, exclusiva para a Área Infantil, possibilitará que se atenda melhor a demanda escolar, que no ano passado registrou a visita de mais de 127 mil jovens. O restante da Feira funcionará das 13h às 21h, com possibilidade de se estender até às 22h.
A marca da Feira deste ano, escolhida através de concurso cujo vencedor é o publicitário Cláudio Franco, diretor de arte da agência de propaganda Competence, e o patrono desta edição, eleito através do voto de 88 pessoas e entidades entre 10 “patronáveis”, serão conhecidos na primeira semana de outubro.
Outra mudança é a transferência da área Internacional e da praça de alimentação, antes localizadas na rua Capitão Montanha, para a avenida Sepúlveda. Um dos motivos é que técnicos do Projeto Monumenta estarão realizando escavações naquela área a fim de localizar vestígios do antigo prédio da Alfândega, um muro, um trapiche e as escadarias, construídos entre 1856 e 1858, que davam acesso ao Guaíba.
A mudança também atende a pedido da direção do Museu de Artes do Rio Grande do Sul que reclamou do cheiro forte de gordura que estava impregnando as obras de arte, no prédio ao lado. Outras escavações estarão sendo feitas na Rua dos Andradas, próximo a Praça da Alfândega, para localizar um sítio arqueológico indígena.
“Perdemos espaços importantes, nos dois lados da praça, até parece que combinaram de realizar as escavações bem no período da Feira”, lamentou o presidente da CRL, Waldir da Silveira. Mas salientou que a Câmara está fazendo os ajustes para que as obras não prejudiquem os feirantes. “Estamos finalizando o mapa da Feira centrados na idéia de descongestionar os corredores mais disputados pelos feirantes, da Sete de Setembro e da Andradas”, completou Silveira.
Além da atração principal – os livros e seus autores – , a Câmara Rio-Grandense do Livro pretende oferecer ampla programação cultural nos 19 dias do evento. Seminários, debates, palestras e oficinas abordarão assuntos como os 400 anos da primeira edição de Dom Quixote, de Cervantes; o centenário do nascimento do escritor e pensador francês Jean Paul Sartre; o centenário da morte de Júlio Verne; o bicentenário de Andersen e o centenário do nascimento do escritor Erico Veríssimo.
Entre os prédios que se incorporam à Feira estão o Memorial do Rio Grande do Sul – onde estará localizada a Administração -, a Casa de Cultura Mário Quintana, o Santander Cultural, o Margs, o Centro de Cultura CEEE-Erico Verissimo e o Cinema Imperial, uma novidade deste ano.
Ceará é o estado convidado; Itália, o país homenageado
A maior feira do livro realizada ao ar livre da América Latina terá 149 expositores, sete a mais do que o ano passado. O estado brasileiro convidado é o Ceará, cujo governo trará delegação de autores e artistas.
A programação terá, como ponto alto, atividades relacionadas aos 140 anos da primeira edição da obra Iracema, de José de Alencar. Cerca de 10 escritores cearenses devem participar das atividades. Uma das principais atrações que será apresentada pelo Ceará serão os representantes do projeto estadual. “Artistas tradicionais transferem seus conhecimentos e tradições locais para as novas gerações e comunidade.”
A Itália é o país homenageado, que promoverá várias atividades relacionadas às comemorações dos 130 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul. Entre os destaques estão o filósofo italiano Antônio Negri (ex-guerrilheiro italiano e autor, junto com o americano Michael Hardt, de “Império”), Giuseppe Cocco (pensador político e colega de Negri no grupo italiano “As Brigadas Vermelhas”) e Ermano Cavazzoni (Roteirista do filme homônimo de Fellini (1990), livre adaptação de “Il Poema dei Lunatici”).
A expectativa de público para este ano é que chegue a dois milhões de pessoas, acima do registrado no ano passado. A Feira ocupará uma área total de aproximadamente 21 mil m², incluindo o Cais do Porto. A área coberta por lona será de oito mil metros quadrados.
Na edição do ano passado, o volume de livros vendidos na Feira foi de 498 mil exemplares, superando em quase 30 mil livros a marca atingida em 2003. A projeção é de que a 51ª edição supere este número. Além da oferta variada de títulos, uma das grandes vantagens que a Feira oferece é o desconto mínimo de 10% em qualquer exemplar comercializado na Praça e em várias livrarias de Porto Alegre, durante o período do evento. -
Sindicato dos ambulantes apóia camelódromo aéreo
Guilherme Kolling
Enquanto um grupo de 44 camelôs cegos trabalha para se manter na rua Marechal Floriano com José Montaury – já tem até projeto feito por arquiteto – o Sindicato do Comércio de Vendedores Ambulantes e Comércio Varejista de Feirantes no Estado do Rio Grande do Sul (Sinbulantes) apóia a idéia de um camelódromo aéreo, sobre o terminal de ônibus da Praça Ruy Barbosa, no Centro.
O tesoureiro do Sinbulantes, Giancarlo Guimarães, concorda em gênero, número e grau com a proposta da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio. O coro a Smic é repetido na avaliação sobre a resistência de alguns em sair da rua.
“É a parte obscura deste assunto. Uma meia dúzia controla e aluga cerca de 50 bancas. Eles têm o monopólio do espaço e do abastecimento de produtos. São contra o camelódromo porque num lugar fechado vai ser bem mais difícil seguir fazendo isso”, explica Guimarães. “E os custos de quem trabalha vão ser menores”, completa.
Conforme o tesoureiro, uma das vantagens do novo projeto é que ninguém fica excluído. “Assim todos tem visibilidade. Quem iria querer expor os produtos no 3º ou 4º andar?”, questiona. O projeto é encarado como uma grande oportunidade de abrigar não só os ambulantes cadastrados, que estão na Praça XV, mas também os irregulares, que circulam entre Dr. Flores e Voluntários da Pátria.
O dirigente do Sinbulantes sonha com outras benfeitorias. “Vai ter Praça de Alimentação, banheiro e creche para os filhos dos vendedores”, projeta. A previsão é abrigar entre 900 e 1.200 ambulantes. Guimarães calcula que hoje existam 1.800 camelôs (400 registrados). Os demais seriam instalados em outros locais. “Sendo no térreo, qualquer prédio do Centro é bom para funcionar um shopping popular”, acredita.
Pelas informações Sinbulantes, uma empresa estrangeira construiria a estrutura do camelódromo aéreo, feita de material pré-moldado, que poderia ficar pronta em poucos meses. “Em troca eles vão explorar o aluguel”. Guimarães lista outra reivindicação: uma legislação específica para shopping popular. “A classe não vai virar lojista. Pode até pagar impostos, mas continuará sendo ambulante”.
Organização
Os camelôs de Porto Alegre estão bem organizados para defender seus objetivos. Um exemplo é a sede do Sinbulantes, que tem uma estrutura melhor do que a de muito sindicato por aí. O conjunto comercial, no 5º andar de um prédio da avenida Voluntários da Pátria, fica com a porta aberta para quem quiser entrar.
Mas na recepção, três funcionários estão a postos, entrincheirados em suas mesas. O ambiente sóbrio, tem computadores e telefone. Ao fundo do salão, escritórios e espaço para reuniões. Por todo o ambiente, muitas pastas, arquivos e papel – isso que eles trabalham na informalidade.
O tesoureiro do Sinbulantes, Giancarlo Guimarães, 44, fala com desenvoltura. Quando recebeu a reportagem, repousava sobre sua mesa a edição recém-publicada da Revista da Fecomércio, para a qual ele deu uma entrevista sobre camelôs. “Temos um bom relacionamento com a imprensa”, garante.
Ele explica a força do segmento. “A entidade existe desde 1940. A carta sindical é de 71”, conta, com orgulho. Membro da gestão que assumiu em 2002 e tem mandato até 2006, ele fez carreira no Sindicato dos Ambulantes. Ingressou como office-boy em 1976 e segue trabalhando. Sua próxima meta é ajudar a implantar o camelódromo aéreo.
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