Centro Popular pode ficar para 2006

Camelódromo aéreo vai ficar em cima do terminal de ônibus da Praça Ruy Barbosa. (Fotos: Helen Lopes)

A promessa da Prefeitura de retirar os ambulantes das ruas centrais de Porto Alegre antes do final do ano está cada vez mais difícil de ser cumprida. Primeiro o prefeito José Fogaça (PPS) deve apresentar o projeto de lei que cria o Centro Popular de Compras – ou Camelódromo Aéreo, como vem sendo chamado – um prédio que será construído em cima do terminal de ônibus da Praça Ruy Barbosa, próximo da Hipo Fábrica. Esse local vai ter banheiros, praça de alimentação e segurança interna, para receber clientes e proporcionar alternativa de trabalho aos camelôs.
Antes de envir o projeto à Câmara de Vereadores, o processo de diálogo com as partes interessadas continua. Depois de aprovado, a Prefeitura terá cerca de 45 dias para realizar uma licitação para obter os investidores. Neste momento surge um novo problema. A necessidade da aprovação de outro projeto que cria no município a parceria público-privada, que sequer entrou na pauta de votação da Câmara de Vereadores.  Por isso, alguns vereadores acreditam que só no próximo ano será possível aprová-la.
Para agilizar o processo, a Prefeitura propôs deslocar os  ambulantes para três prédios já construídos no centro da Capital. Os camelôs argumentaram que a divisão em muitos andares sem elevadores decretaria a falência daqueles que ficassem localizados nos andares mais altos, já que a maioria vende o mesmo tipo de mercadoria. Foi então que surgiu a idéia do Centro Popular de Compras, aproveitando a circulação da população nos terminais de ônibus.
Apesar de ter sido bem recebida entre a maioria dos ambulantes, o
projeto tem enfrentado resistências. O que eles querem mesmo é ficar na Praça 15 e adjacências. Alguns vereadores são contra a  proposta do Centro Popular porque envolve um investimento muito grande de recursos, deixando ociosos outros locais que poderiam ser utilizados para esse fim. Cecchim contesta: “os investimentos serão de empresários interessados”. O empresário vai bancar a construção do prédio e depois lucra com o aluguel das lojas.
Sobre as construções já existentes, ele concorda que haveria uma segregação daqueles localizados nos andares superiores. “A idéia não é construir um gueto, mas sim um local adequado para eles exercerem suas atividades.”  Existe, ainda, uma parte dos camelôs com dificuldades específicas. Os ambulantes cegos tiveram uma audiência na tarde dessa segunda-feira (26) junto a vereadores para expor suas reivindicações. Eles não querem sair da esquina da Marechal Floriano com a José Montaury, porque ocupam o lugar há mais de 40 anos.
O secretário Cecchim afirma que já recebeu os ambulantes cegos mais de cinco vezes em seu gabinete e garantiu que eles terão tratamento especial dentro do projeto de Centros Populares de Compras. “Eles terão todos os recursos de acessibilidade garantidos e podemos ainda pensar em uma área exclusiva”. Cecchim acha complicado criar um privilégio: “Se houver essa opção para eles, outros pedirão as mesmas vantagens.”
O secretário demonstra confiança no projeto. “Muitos  são contra por desconhecimento.  Teremos lojas âncoras como farmácias e bancos populares oferecendo microcrédito, treinamento de gestão do Sebrae, praça de alimentação e segurança garantida. Isso vai agregar valor ao empreendimento”, diz, entusiasmado.
O valor de aluguel de cada lojinha ficará em torno de 300 reais, menos do que estão acostumados a gastar atualmente com depósito, segurança e, por vezes, aluguel da banca. “O público que compra por impulso, que eles poderiam perder por não estarem mais no caminho das pessoas, não vai fazer diferença, pois terão outros atrativos como segurança, livre circulação e higiene”, acredita Cecchim.
Outra vantagem, conforme o secretário, é a possibilidade de legalizar a situação dos comerciantes informais: “Ter um endereço comercial vai facilitar na obtenção de crédito para compra de mercadoria”. Mas a situação não será obrigatória, só sairá da informalidade quem quiser.

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