Matheus Chaparini
Primeiro, apareceram dezenas de motos da polícia. Em seguida, algumas viaturas, um veículo de uma única rádio local e carros de som dos patrocinadores: uma marca de refrigerante, um banco e uma fábrica de automóveis.
Esse era o “abre-alas”, anunciado de cima de um carro de som por um jovem com sotaque da cidade-sede do grandioso evento. Logo atrás de todo este aparato, vinha ela: a tocha olímpica, um canudo de sessenta e nove centímetros feito de alumínio reciclado com fogo na ponta.

Teve gente que esperou na rua desde as 15h, horário previsto para a chegada do comboio ao Parcão. Mas a festa teve atraso de quase duas horas. Quando a caminhada partiu do Moinhos de Vento, às 17h20, causou frenesi pelas ruas da região central de Porto Alegre. Os meio-fios viraram camarotes cheios de moradores que aguardavam ansiosos para poder ver de perto o fogo simbólico das olimpíadas.
Ver e fotografar, é claro. À frente da tocha, um batalhão de fotógrafos profissionais se apressava na disputa pelo melhor ângulo. Somavam-se a estes, dezenas de celulares, buscando registrar o momento histórico, e garantir que não passasse batido nas suas redes sociais ou nos grupos de WhatsApp.
Teve também quem não se ficasse satisfeito com uma olhadinha na chama passando e seguiu o comboio. Durante o trajeto, era possível ver algumas pessoas com simulacros infláveis da tocha ou mesmo tochas feitas em casa, de papel, acompanhando o trajeto. “Esta vai ser uma noite inesquecível, sem dúvida”, garantiu um homem todo trajado de branco que acompanhava o percurso com uma tocha caseira – sem fogo, claro – em uma mão e uma bandeira na outra com a mensagem “paz”.
Em diversos pontos da cidade, foram montados palcos com programação cultural ao longo da tarde para esperar a passagem da tocha. Na Redenção, capoeira, pernas-de-pau, apresentação de danças típicas regionais, entre outras atrações, dividiram o espaço sonora com um ruidoso carro de propaganda de um patrocinador dos jogos.
O comboio da tocha olímpica cruzou a avenida Osvaldo Aranha ao som de uma versão com base eletrônica do clássico “Mas que nada”, de Jorge Ben, e entrou no Parque Farroupilha. Para o revezamento da tocha, foram convocadas 77 pessoas, entre atletas, jornalistas, líderes comunitários e pessoas ligadas aos patrocinadores.
Na rua José Bonifácio, uma senhora que corria no parque, em seu exercício diário, reclamou: “Só vi gente fora de forma carregando essa tocha. Cadê os atletas?” A chama chegou ao Monumento ao Expedicionário nas mãos do empresário João Vontobel, fundador da Vonpar, representante da Coca Cola no estado.

Vontobel definiu o evento como “um espetáculo! Beleza pura” e logo passou a chama para um grupo de atletas, dentre eles, Marcelo Negrão e Paulo André Jukoski da Silva, o Paulão, medalhistas de ouro nas Olimpíadas de Barcelona, pelo vôlei masculino em 1992.
Chamou atenção o aparato de segurança montado para a passagem da pira olímpica pela cidade. O percurso envolveu praticamente todas as esferas da Segurança Pública: Guarda Municipal, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícias Rodoviárias Estadual e Federal, além do reforço de agentes da Força Nacional. Surpresa com a quantidade de agentes e viaturas envolvidas na megaoperação, uma moradora da Fernandes Vieira comentou: “Nunca vi tanta segurança na minha vida!”
Após passar pela Redenção, o trajeto seguiu pela avenida João Pessoa, Salgado Filho, Borges de Medeiros, passou pelas proximidades do estádio Beira Rio e encerrou no Largo Glênio Peres, no centro de Porto Alegre.

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