Projeto foi apresentado ao governador em 2003. (Foto:Jeferson Bernardes/Palácio Piratini/JÁ)
Guilherme Kolling
A primeira reunião oficial dos Amigos e Moradores da rua Gonçalo de Carvalho com o poder público surpreendeu a todos. Mais de 70 pessoas compareceram ao Pré-Vestibular Móttola na noite da quarta-feira, 5 de outubro. O objetivo foi iniciar o debate sobre o Complexo da Ospa no Shopping Total. Até o momento, o projeto tramitava na prefeitura sem o conhecimento da vizinhança. O empreendimento inclui espaço para apresentações e um prédio de sete andares para estacionamento.
As irmãs Lourdes Brolo, 65, e Zenaide Dalpozzo, 69, alteraram a rotina para ir ao evento. Disciplinadas, foram as primeiras a chegar, cerca de 20 minutos antes do encontro. “Soubemos hoje através de um folheto que mostra o que pretendem fazer por aqui. Já participamos do abaixo-assinado. Querem abrir uma rua nova e mudar o trânsito. Mas já tem barulho que chega”, justificam.
A via a que elas se referem é a continuação da Benjamin Flores, que atravessaria a Cristóvão Colombo e o Shopping chegando até a Gonçalo de Carvalho, que seria a principal saída do shopping. Para isso, haveria mudanças no trânsito da região.
Outro grupo, de um edifício da Santo Antônio, está preocupado com o impacto da obra na estrutura do prédio. Cesar Cardia, Itairê Brasil Santos e Leandro Liscano temem avarias, já que o edifício onde vivem é antigo. Eles dizem que o terreno do shopping é “pedra pura” e que a obra vai precisar de dinamite para sair do papel. “Já usaram quando começaram a reforma na Brahma e dava para sentir os tremores. A preocupação é com a segurança, já que somos vizinhos do lugar escolhido para o empreendimento”, explica Santos.
O folheto distribuído pelos Amigos e Moradores da Gonçalo de Carvalho fala também da questão ambiental. Diz que a rua é belíssima, com seu característico túnel verde, um cartão postal de Porto Alegre ameaçado com as mudanças no trânsito. Entre as conseqüências, poluição sonora, atmosférica e o risco da perda de identidade do local. “É um patrimônio paisagístico importantíssimo que está sendo colocado em risco”, avaliou Maria Elisa Silva, da ONG União Pela Vida.
O grupo quer conhecer o projeto para sugerir eventuais alterações. “Teve uma divulgação pública em 20 maio, como mostra esse edital do Correio do Povo. Mas falei com 500 moradores da vizinhança e ninguém ficou sabendo”, denuncia Haeni Ficht, um dos líderes do movimento. Em nome do grupo, ele pediu uma audiência pública e um estudo de impacto ambiental. Também questionou os efeitos no trânsito, que podem afetar o acesso ao Hospital Moinhos de Vento e ao Colégio Bom Conselho.
O movimento Porto Alegre Vive compareceu em peso e deu apoio à causa. Uma das contestações ao empreendimento é o fato de estar numa das áreas especiais de interesse cultural, estabelecidas por decreto, enquanto o governo não envia o projeto de lei para a Câmara. “Trata-se do terreno de um prédio histórico, tombado. Temos que preservar a visibilidade desses imóveis”, justificou a arquiteta Marta Lompa.
O encontro também atraiu políticos, como a vereadora Sofia Cavedon (PT), que disse estar atenta à inconformidade da população para questões do planejamento urbano como áreas especiais de interesse cultural. O deputado estadual Adão Villaverde (PT) foi ao evento na condição de morador da rua.
O secretário municipal do Meio Ambiente, Beto Moesch, interlocutor da noite, explicou que o projeto da OSPA está tramitando entre as secretarias e que está na fase de Licença de Instalação. Ele disse que ainda é possível fazer uma audiência pública já que não há uma decisão final. O complexo da Orquestra Sinfônica já recebeu aprovação no Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU), da Secretaria do Planejamento. O fato foi divulgado como um emblema da agilização dos licenciamentos pela nova administração municipal.
Mas Moesch alerta que a população poderia ter sido avisada, como prevê o Estatuto das Cidades. “Nesse caso em que não é necessário o EIA-Rima, o ideal seria ter feito reuniões com a comunidade antes do EVU, e fazer o Estudo do Impacto de Vizinhança”, apontou.
Para o dia 19 de outubro, quarta-feira, está prevista nova reunião, desta vez no Colégio Bom Conselho e com a presença de secretarias e até do prefeito. A assessoria comunitária da Smam vai organizar o encontro. A expectativa dos moradores é que desta vez o projeto seja apresentado.
Comunidade da rua Gonçalo de Carvalho começa a discutir projeto da Ospa
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