Comunidade de Belém Novo debate futuro da Fazenda do Arado

Mais um “Encontro pelo Arado” está marcado para esta quarta (31/8), a partir das 19h30, no CTG Piquete da Amizade (Rua Dr. Carlos Flores, 31), no bairro Belém Novo.
Comunidade, ambientalistas e urbanistas discordam da mudança do regime urbanístico no terreno da Fazendo do Arado, que guarda rico patrimônio histórico, cultural e ambiental.
Foi ali que a zona Rural de Porto Alegre encolheu 5% em outubro do ano passado, dando lugar a projetos imobiliários urbanos de alto padrão.
Até 2015 a Fazenda obedecia a um regimento urbanístico que previa, essencialmente, Zona Rural e Área de Proteção do Ambiente Natural, suportando no máximo 276 economias (casas, edificações etc).
No entanto, a Prefeitura criou um projeto de Lei (PLCE 005/15) que muda o Plano Diretor na área da Fazenda, aprovado pela Câmara de Vereadores em 5 de outubro e sancionado pelo prefeito José Fortunati duas semanas depois, em 20 de novembro.
Surgiu assim a Lei Complementar 780/2015, mudando radicalmente o regime urbano da Fazenda.
A Fazenda espalha-se pelo terreno de 426 hectares, numa área facilmente inundável pelo Guaíba. Grande parte da área é de campos de várzea e banhados entremeados por fragmentos de mata atlântica, típico de ecossistemas de restinga da planície costeira do Rio Grande do Sul.
A Ponta do Arado e o Morro do Arado aparecem também como elementos marcantes da paisagem, com densa vegetação de mata atlântica. Às margens do Guaíba, praias de areia intercaladas com juncais e aguapés formam a orla da Fazenda.
Uma série de empreendimentos imobiliários está sendo planejada ali, incluindo três condomínios fechados da urbanizadora Damha, somando mais de 2 mil casas. Como a fazenda é uma área muito baixa, seria necessário o aterramento de uns 200 (duzentos) hectares, equivalente a 200 campos de futebol.
O movimento ambientalista aponta o empreendimento como insustentável, pois invadiria o espaço natural das águas do Guaíba, além de agredir espécies animais já ameaçadas de extinção.

O território cumpre funções importantes:

  • Planície de inundação das cheias do Guaíba – a área tem capacidade de absorver aproximadamente um bilhão de litros de água (um milhão de metros cúbicos).
  • Purificação das águas da chuva e do Guaíba – a vegetação nativa permite a limpeza natural das águas superficiais.
  • Purificação do ar e menores temperaturas – a transpiração da vegetação nativa reduz a temperatura da região.
  • Refúgio de centenas de espécies de animais, incluindo os peixesjacaré, capivara, lontra, ratão do banhado, ouriço, graxaim, etc;
  • Refúgio e nidificação de mais de 100 espécies de aves – maior parte aves campestres, incluindo aves migratórias protegidas por lei.
  • Refúgio e hábitat de mamíferos ameaçados de extinção:
    • Bugio Ruivo;
    • Gato Maracajá;

O aspecto histórico também é importante: ali foram descobertos sítios arqueológicos de culturas indígenas pré-colombianas.

Coleção de artefatos

Coleção de artefatos

Os sítios foram encontrados na região litorânea da Ponta do Arado e na Ilha Franscico Manuel pela pesquisadora Patrícia Gaulier, da Unespar. Não se conhece a magnitute dessa ocupação indígena, já que as pesquisas arqueológicas foram interrompidas por um longo período.

Além do sítio arqueológico, a Fazenda também apresenta um patrimônio arquitetônico e histórico do século XIX e século XX, incluindo ruínas, sede da fazenda, haras e o emblemático casarão no topo do Morro do Arado, construído pela família Caldas – últimos donos da fazenda a morar lá. Hoje a área pertence à família Ioshpe, .


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