Feira ecológica tem promoção do arroz africano
Patrícia Marini
O africano Oryza glaberrima foi a primeira espécie de arroz cultivada no Brasil, trazido pelos escravos. Diferente do arroz asiático, predominante na cozinha nacional, este é avermelhado e praticamente desapareceu do território brasileiro.
Neste sábado, o “arroz vermelho” estará em promoção na Feira dos Agricultores Ecológicos, a mais antiga de Porto Alegre (av. José Bonifácio) trazido pelas comunidades quilombolas do Litoral Sul gaúcho, que escolheram o dia 23 de agosto, data proclamada pela Unesco como o Dia Internacional da Memória do Tráfico de Escravos e da sua Abolição, para divulgar sua produção.
Oryza glaberrima é originário do vale do Rio Níger, na África, e foi introduzido no Brasil por volta de 1600, antes do arroz branco, asiático. As sementes garantiram a subsistência dos africanos nas Américas e simbolizam a resistência cultural dos negros escravizados, que chegaram a ser proibidos de cultivar o grão pela Coroa Portuguesa
O projeto de resgatar o arroz africano teve suas bases lançadas em 2005, resultado de parceria entre a Oscip Guayí, o Núcleo de Economia Alternativa da UFRGS, Federação Quilombola do RS e Petrobras.
O resgate, o cultivo e a disseminação do “arroz quilombola” objetiva gerar renda nas comunidades quilombolas gaúchas, valorizar a cultura africana, oportunizar conhecimentos de práticas de tecnologias ecológicas e promover ações de intercâmbio cultural e comercial com consumidores.
O arroz africano está sendo cultivado em oito comunidades quilombolas do Rio Grande do Sul, nos municípios de Restinga Seca, Palmares do Sul, Mostardas e Tavares.

Deixe uma resposta