Um cenário clean, figurinos arrojados e a interação das cenas com vídeos exclusivos para a peça compõem o espetáculo Extinção: a Impossibilidade Física da Morte na Mente de Alguém Vivo, passo inicial da Cia. Espaço em Branco, um grupo de pesquisa focado no teatro contemporâneo, atento ao que o cinema e as artes plásticas têm para oferecer à cena.
O espetáculo é um conto escatológico. Trata da idéia do fim do homem e do próprio planeta. O enredo abusa de citações pop apontando a face dos tempos modernos: o esquecimento das tradições religiosas, o advento do Prozac como a solução dos problemas e a anestesia das televisões e dos shoppings centers utilizada para qualquer forma de reflexão dolorosa.
Extinção… conta a história da destruição e morte de uma riquíssima família porto-alegrense. A trama inicia com a volta do filho mais velho, jovem e rebelde artista plástico, que chega de um intercâmbio no exterior, portando uma doença incurável e encontra no jardim da mansão uma ossada de um estranho animal.
A partir daí, as máscaras usadas pelos outros membros da família começam a cair. Incesto, traições, compulsão consumista, hipocondria, histeria e a falta total de respeito pelo próximo são os ingredientes deste espetáculo de humor negro, que cumpre sua segunda temporada até 20 de novembro, na Sala Álvaro Moreyra (Érico Veríssimo, 307), sextas, sábados e domingos, às 21h. Quem assina a direção é João Ricardo, que surge de uma nova safra de diretores teatrais.
A Cia. tem a participação de Evelyn Ligocki (troféu Açorianos Revelação 2002), Lisandro Bellotto, Marcos Contreras, Rodrigo Scalari e Sissi Venturin. O diretor explica que o texto – escrito pelo grupo – originou-se a partir de trabalhos de improvisações baseadas em autores contemporâneos. “Além do cinema e das artes visuais, usamos a antropologia como fonte de referência para a concepção do espetáculo”, resume.
O grupo estudou principalmente o antropólogo Joseph Campbell, os dramaturgos Thomas Bernard e Nick Silver, as obras do artista plástico Damien Hirst (que tem entre uma de suas instalações o cadáver de um tubarão imerso em formol em um aquário), além da linguagem do diretor Peter Brook, e de Günther Von Haguens (anatomista alemão que reacendeu as discussões sobre os limites da arte usando corpos humanos “plastinizados” em suas obras).
“O espetáculo está inserido dentro da idéia antropológica do que é uma escatologia (o mito que um povo cria para explicar seu próprio fim). A escatologia cristã é o apocalipse. A extinção para um mundo contemporâneo significa o fim das ideologias, uma forma de explicar o fim do ser humano em uma sociedade de consumo”, resume João Ricardo.
Inspirado no trabalho de Damien Hirst, o grupo fez do cenário de Extinção…um grande aquário, feito de plástico-bolha. “A proposta é criar um universo teatral sem recorrer a artifícios realistas, somente utilizando a expressão física dos atores”, ilustra o diretor.
Extinção: A Impossibilidade Física da Morte na Mente de Alguém Vivo
Onde: Sala Álvaro Moreyra (Érico Veríssimo, 307)
Quando: Sextas, sábados e domingos, às 21h . Até 20 de novembro
Ingressos: R$ 13 e R$ 6 para estudantes e classe artística.
Conto escatológico da Cia Espaço em Branco
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