Corrupção é tema da exposição Brasília Céu Inferno, no Gasômetro

A corrupção, que consome grande parte da força de trabalho das autoridades judiciais e policiais brasileiras, também está sendo enfrentada fora dos tribunais e das delegacias. A artista plástica gaúcha Graça Craidy, por exemplo, produziu em seu atelier 22 quadros em que homens contracenam com aves de rapina, em uma alusão à voragem com que corruptos desviaram dinheiro dos cofres públicos.
Imagem 21 - Graça Craidy - bxOs trabalhos (2015, acrílica sobre papel, 96 x 66 cm) integram a exposição Brasília Céu Inferno, que será aberta na quarta-feira (10/08), às 18h30, na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, onde permanece até 4 de setembro. A mostra também apresenta fotos do artista visual, arquiteto e curador Anaurelino Barros Neto. Suas imagens destacam o belo da capital federal.
“Em sua às vezes dolorosa função de tradutora do seu tempo, a arte sangra, alerta, escracha, vomita, acusa”, reflete Graça. Além de denunciar a crise ética brasileira, ela diz que sua arte convida também à reflexão. “O quanto cada um de nós que escolheu, votou, elegeu, relevou, silenciou é cúmplice dessa tragédia ética no Brasil?”, indaga a artista, que diz ter sido movida por uma crescente indignação em razão dos desvios. “As pinturas de Graça são vigorosas e sua paleta de cores representa o inconformismo das pessoas em geral”, avalia Anaurelino, que faz a curadoria da exposição.
Graça acrescenta que buscou catalisar a indignação da sociedade brasileira com os esquemas de corrupção na área pública e privada, representando corruptos e corruptores denunciados pelas investigações ao lado dos mais representativos ícones da rapinagem: corvos, abutres, urubus, harpias, águias, “legítima fauna que por sua própria natureza chafurda no lixo e na carniça”.

As fotos de Anaurelino Barros Neto, que também é curador da exposição, mostram detalhes arquitetônicos de Brasília
As fotos de Anaurelino Barros Neto, que também é curador da exposição, mostram detalhes arquitetônicos de Brasília

Enquanto a arte de Graça estampa o “inferno” mencionado no título da exposição, Anaurelino se encarrega de desvendar o “céu” brasiliense. As fotografias tiradas por ele exploram ângulos inusitados da capital federal relacionados à sacralidade e à arquitetura reconhecida como perfeita tradução da modernidade e do novo belo.
Engajamento
Outro trabalho de Graça na linha do engajamento social é a coleção de pinturas “Até que a morte nos separe”, sobre feminicídio, que em menos de um ano e meio, entre março de 2015 e julho de 2016, foi requisitada para dez exposições em diferentes locais de Porto Alegre, como Palácio da Justiça, Assembleia Legislativa, Justiça Federal e Atelier Livre. A coleção tem servido de elemento estimulador do debate entre especialistas para a solução desse grave problema brasileiro e mundial.
SERVIÇO
O quê: Exposição Brasília Céu Inferno
Abertura: 10 de agosto (quarta-feira), às 18h30h
Visitação: até 4 de setembro, diariamente, das 9 às 18h, exceto às segundas-feiras.
Onde: Usina do Gasômetro, térreo, Centro Histórico de Porto Alegre.
Entrada gratuita
 

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