Higino Barros
O Comando de Greve do Cpers/Sindicato denunciou na sexta-feira o clima de intimidação, dificuldades e terrorismo psicológico que está sendo feito contra os alunos da rede pública que ocupam escolas estaduais em apoio à greve dos professores.
“As ações repressivas contra os estudantes vão desde ao trancamento dos banheiros dos estabelecimentos, por parte de diretores, até a presença da Brigada Militar, com armas de grosso calibre, em frentes às escolas, criando um ambiente de medo de invasão por partes dos policiais”, explicou a presidente do Cpers, Helenir Schürer. Além de desligar as luzes, trancar portas de banheiros e cozinhas, o alarme que chama para os intervalos de aula e recreio também fica acionado.
A direção do Cpers deseja que o governador tome providências em relação às denúncias feitas pelos estudantes. “É orientação de quem essa pressão emocional e física sobre os alunos? É da Seduc, é do Piratini ou iniciativa pessoal de diretores? Queremos saber quem está por trás disso para buscar sua responsabilização”, afirmou a presidente do Cpers. Segundo ela, há relatos que os diretores receberam ordens para incentivar a desocupação das escolas e interferências de direções das regionais da Secretaria de Educação para criar dificuldades para os estudantes:
Presença da P2
“Em Santo Ângelo, por exemplo, foi solicitada a intervenção do Conselho Tutelar na questão. Ora, o que o Conselho Tutelar tem que intervir numa questão educacional”, indagou Helenir Schür. Foi denunciada também a presença de agentes da P2, da Brigada Militar, nas ocupações para identificar líderes do movimento para posterior criminalização.
Os dirigentes do Cpers negaram que sejam os articuladores das ocupações nas escolas gaúchas, argumentando que essa iniciativa existe desde o final do ano passado em escolas de São Paulo. Para eles, ignorar a capacidade de organização dos estudantes é procurar a explicação mais fácil e que depois dessa ação estudantil, o ensino no Estado nunca mais será o mesmo.
“Estudantes, pais, professores e gestores de Educação, terão novos parâmetros de convivência depois dessa ação dos alunos. Eles estão muito mais críticos. Antes assistiam como observadores a luta dos professores em benefício da Educação. Agora os alunos são protagonistas e possuem sua própria pauta reivindicatórias”, finalizou Helenir.

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