Crise vai estancar distribuição de renda

Parece inevitável, a crise financeira global vai ser o pretexto para frear o tímido movimento de desconcentração de renda que vinha acontecendo no Brasil nos últimos anos.
Com o argumento de que é preciso estar preparado para dias piores, antes mesmo da chegada da crise real, muitas empresas estão obtendo bons acordos com seus trabalhadores, cortando benefícios, reduzindo vantagens, eliminando prêmios, etc.
A justificativa é que se está preservando os empregos, diante da instabilidade. Na verdade, em muitos casos, o empresário está preservando a sua alta rentabilidade cortando ganhos que seus empregados haviam obtido no recente período de crescimento.
A crise não é generalizada, nem atinge igualmente a todos os setores. Alguns até vão ganhar com ela. Mas o arrocho parece ser generalizado e a criatividade parece não ter limites.
Em São Paulo, uma indústria de plásticos fechou com o sindicato um acordo inédito denominado “lay off” . Em vez de demitir 300 operários, a empresa demite “apenas” 91 e os demais ficam com o contrato de trabalho suspenso por cinco meses.
Não é só a empresa privada. O setor público também está fazendo “cortes preventivos” em salários, despesas de custeio e investimentos..
A prefeitura de Porto Alegre também já anunciou cortes para prevenir uma possível queda na arrecadação. Em conseqüência, diversas categorias dos funcionários municipais já saíram às ruas denunciando cortes em benefícios e arrocho salarial.

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