
Caminhada dos cristãos foi para mostrar a força da união contra a violência (Fotos: Carla Ruas/JÁ)
Carla Ruas
A Caminhada pela Paz reuniu cerca de 2000 pessoas nesta terça-feira, (21/02), no centro de Porto Alegre. O evento fez parte da 9ª Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas que ocorre na capital. Entre os participantes estava Desmond Tutu, bispo Anglicano sul-africano e vencedor do Prêmio Nobel da Paz. Ele reafirmou a sua posição contra todos os tipos de violência, e ainda sambou ao som de uma escola de samba.
O objetivo da caminhada era aliar os integrantes das igrejas cristãs em um ato que mostrasse a força da união contra a violência. “A paz e a justiça têm que andar juntas. Esta é a marcha pela paz, justiça e esperança, por isso caminhamos unidos”, afirma o representante do Conselho Latino Americano de Igrejas, Reverendo Israel Batista.
Por volta das 21 horas, ao som da bateria da Escola Imperadores do Samba, a multidão subiu a Avenida Borges de Medeiros dançando e cantando “os tanques de guerra serão ninhos dos pássaros que voam pelos céus”. A música é o Samba da luta Pela Paz, escrito por Marcelo Guimarães. O bispo Desmond Tutu sambou junto e mostrou muito bom-humor, apesar do calor e do assédio da imprensa. Para acompanhar os participantes, ele teve que ser escoltado pela Brigada Militar.
Na Esquina Democrática, todos pararam para ouvir a fala poética de Adolfo Pérez Esquivel, militante dos direitos humanos e ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1980. A partir deste momento, a caminhada recomeçou com mantras e frases religiosas.
Na Praça da Matriz, a fala do bispo Desmond Tutu motivou os participantes, que seguravam velas brancas. “O muro de Berlim caiu, a Apartheid caiu, e hoje em Porto Alegre a violência vai cair”, afirmou. Ele enfatizou, ainda, que Deus quer a paz no mundo, e por isso as pessoas têm que destruir suas armas e ser contra as guerras.
“Temos que dizer não à violência contra as mulheres, crianças e o meio-ambiente. Temos que dizer sim à justiça e paz.” O bispo recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1984, pela sua firme posição antiapartheid.

O bispo Desmond Tutu sambou e mostrou muito bom-humor
O foco está na América Latina
Os participantes, representantes das igrejas cristãs de todo o mundo, concentraram-se no Largo Glênio Peres, a partir das 19 horas. Após diversas apresentações artísticas e culturais, houve o ato simbólico da transferência do foco da Assembléia para a América Latina.
O representante da Conferência das Igrejas da Ásia, Dr. Prawate Khid-arn, entregou uma pasta com documentos ao representante da América Latina, Reverendo Batista. “Recebemos os documentos como um símbolo de que continuaremos a busca pela paz”, afirmou Batista.
Em seguida, um grupo local de diálogo inter-religioso protagonizou a benção da luz, enquanto o público ascendia velas. Eles foram então convidados para subir a Avenida Borges de Medeiros, em direção à Praça da Matriz.
A marcha foi uma das atividades da 9ª Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas, que ocorre na PUCRS até quinta-feira (23/02). Para a presidente do Conselho Mundial de Igrejas, Bernice Powell Jackson, a violência é um tema importante hoje para os cristãos. “Nosso mundo ama, ensina e estimula a violência, mas sabemos que este não é o caminho. Somos agentes pela paz e justiça.”

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