
A exibição, nesta terça (20/03), de sete curtas metragens da cineasta belga Agnès Varda atraiu cerca de 300 pessoas as escadarias do Viaduto Otávio Rocha, centro de Porto Alegre, consagrando o local, especialmente no verão, como espaço alternativo para a exibição de filmes. O evento – que só não foi realizado na semana passada devido à previsão de chuva – concluiu a oitava edição do Festival de verão do RS de cinema internacional, realizado pela produtora gaúcha Panda Filmes.
O ambiente, principalmente em torno do bar Tutti Giorni, era de happy hour, e suarentos espectarores se refrescavam consumindo, non stop, garrafas e mais garrafas de cerveja. Uma festa que se estendia escadaria acima, onde o público, em pé, ocupava toda a calçada e parte da rua Duque de Caxias nas cercanias do hotel Everest.
O menu de títulos – entre Os amantes da ponte Mac Donald, de 1961, e o O leão volátil, de 2003 – mostrou um percurso criativo-evolutivo de mais de 40 anos daquela que, enquanto diretora, é considerada a principal expoente feminina da Nouvelle Vague, e conhecida por longas como Cléo, das 5 a 7, de 1962, e Sem teto nem lei, de 1985.
O crítico Daniel Feix, consultor de programação do Festival e responsável pela escolha dos curtas, revela que – além da excelência, em termos artísticos, destes trabalhos de Varda – foi o ineditismo dos filmes para a maioria das pessoas que o levou a sugerir a mostra, e que a boa recepção do público potencializa a realização de projetos culturais nos principais espaços abertos e históricos da cidade.
Já Tatiana Sager, diretora da Panda Filmes, salienta que o sucesso da mostra de curtas evidencia grandes possibilidades para novas produções de eventos similares, exibindo películas de outros diretores cujos trabalhos também sejam considerados cult, como os de Varda.
Milhares de quilômetros separam o viaduto Otávio Rocha da rua Daguerre, em Paris, onde mora Agnès Varda. Não importa, pois, graças à internet, mensagens enviadas ao site da revista Cahiers du cinéma, tentavam fazer chegar à octogenária e incansável diretora les bonnes nouvelles (as boas novas): um público constituído em sua grande maioria por jovens estudantes lotou um trecho de um viaduto (que começou a ser construído no mesmo ano que ela nasceu, 1928), para assistir alguns dos seus curtas metragens. Ave Varda!
Por Francisco Ribeiro

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