
Professores do Rio Branco na manifestação de quinta-feira, (09/03), antes de o colégio decidir fechar as portas
(Fotos: Carla Ruas/JÁ)
Carla Ruas
Mais um capítulo da greve dos professores da rede de ensino estadual ocorreu nesta sexta-feira, em Porto Alegre. Pela manhã, um professor grevista que tinha contrato temporário foi demitido. Ele acredita ter sido vítima de uma guerra política, entre o sindicato dos professores e o governo. A Secretaria de Educação afirma que seu contrato era instável, e que ele deveria estar trabalhando.
“Me demitiram porque sou grevista”, afirma Rafael Claros, que até esta sexta-feira, (10/03), pela manhã, era professor de história na Escola Estadual Rio Branco. Ele faz parte do comando de greve do Cpers/Sindicato, e era um dos principais mobilizadores da sua escola.
Rafael acredita que a sua demissão foi estratégica para servir como exemplo aos outros grevistas. “Houve a mobilização de vários professores no Rio Branco, mas a direção é conivente com o governo”, afirma. Cerca de 30% dos educadores do colégio estavam parados, e hoje a direção decidiu suspender as aulas.
Indignado, ele pretende entrar na justiça, e está sendo assessorado pelo Cpers. “Foi uma demissão política. Os grevistas não podem ser ameaçados. Afinal, não vivemos num país democrático?” questiona.
Rafael foi chamado na Primeira CRE (Cordenadoria Regional de Educação) depois que a diretora do Rio Branco, Janie Rangel, entregou à Secretaria de Educação uma lista com os nomes dos professores contratados que não estavam em sala de aula. “Era um contrato emergencial, se ele não saísse agora, sairia de qualquer jeito”, justifica Janie.
Ela explica que desde janeiro a escola está substituindo os professores contratados, que se inscreveram na secretaria para trabalhar como substitutos temporários. Quem entra no lugar são os nomeados, que realizaram concurso público. “Esta foi, inclusive, uma medida solicitada pelo Cpers no inicio do ano”.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Educação divulgou que enquanto a escola estiver aberta, os professores contratados têm que trabalhar. Portanto, eles só podem parar quando forem impossibilitados de entrar na instituição. Este seria um dos motivos da demissão de Rafael.

A presidente do Cpers, Simone Goldschmidt, acredita que a demissão mostra a força da greve
O Cpers promoveu uma coletiva para divulgar o caso. A presidente do sindicato, Simone Goldschmidt, afirmou que esta ação mostra a força do movimento. “Se a mobilização fosse insignificante como estão dizendo, eles não estariam tão preocupados”, diz.
A primeira semana da greve
A greve do magistério já dura oito dias, e até agora não conseguiu mobilizar o governo como os grevistas desejavam. O Estado já disse que a reivindicação por 28% de reajuste e mais 8,69% de aumento concedido a outras categorias de servidores não será atendida por enquanto.
Na quarta-feira, (08/03), O secretário de Educação, José Fortunati, confirmou o posicionamento do governo de que o aumento para os profissionais da educação será concedido somente em maio.

Fortunati: Aumnento só em maio (Foto: Divulgação/JÁ)
“Não podemos ser irresponsáveis e correr o risco de o Tesouro Estadual não conseguir pagar em dia a folha dos trabalhadores da educação, o que já representa 88,5% do orçamento da pasta”, afirma. Enquanto isso, os técnicos da Secretaria da Fazenda estão avaliando o comportamento da economia gaúcha nos meses de março e abril.
Para o Cpers, tem mais de 85 % dos professores em greve no Rio Grande do Sul. A Escola Estadual Rio Branco, que tradicionalmente não pára as suas atividades durante as greves, hoje resolveu suspender as aulas completamente a partir da 5ª série. Segundo a diretora, os alunos estavam sendo prejudicados, porque pagavam passagem até a escola para assistir a poucos períodos de aula.
A Secretaria de Educação, no entanto, divulgou nesta sexta-feira, (10/03), que 80% das escolas estão funcionando normalmente e parcialmente. Segundo este levantamento, de 2834 escolas, apenas 518 teriam parado por completo suas atividades.

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