
Cerro do Jarau, de Beto Souza, abre a mostra no dia 9, às 20h30, na Praça da Matriz. (Foto: Rodrigo Baleia/Divulgação/JÁ)
Naira Hofmeister
Uma mostra de cinema de verão promete cair nas graças do público gaúcho e agradar críticos pela qualidade das produções participantes. Dos 45 títulos em exibição no 2° Festival de Verão RS de Cinema Internacional – de 9 a 16 de fevereiro –, seis películas já foram premiadas em festivais, entre eles, o de Berlim, de Veneza e o BAFTA – da academia britânica de cinema.
Buenos Aires 100 km, que concorreu a Kikitos em 2005, será exibido com a presença do estreante Pablo Jose Meza, que vem sendo consagrado diretor revelação ao longo do último ano. Juliette Binoche, aparece em Cachê, dirigida pelo polêmico Michael Hanek, num suspense que envolve chantagem e família. Entre os premiados, ainda Apenas um Beijo, de Ken Loach; A Grande Viagem, de Ismaël Forroukhi; Um Herói do Nosso Tempo, de Radu Mihaileanu e Meu Amor de Verão, Pawel Pawlikowski.
Além da qualidade da programação, o festival ultrapassa as salas escuras de exibição e se coloca embaixo dos holofotes midiáticos, trazendo para debates e sessões comentadas, personalidade internacionais como o diretor Fernando Trueba, que lança O Milagre de Candeal, rodado na Bahia. O espanhol é vencedor de 25 prêmios Goya – o maior da cinematografia desse país –, recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1993 por Bélle Epóque, que no Brasil recebeu o título de Sedução, e o Urso de Prata no Festival de Berlim nos anos 80.
Participam também das sessões comentadas, os brasileiros Lúcia Murat (Olhar Estrangeiro), Beto Brant (Crime Delicado) e Beto Souza, que, com a exibição pública de Cerro do Jarau, abre a mostra no dia 9, às 20h30, na Praça da Matriz.
Ao lado de Trueba, Pablo Meza e a produtora portuguesa Pandora da Cunha Telles ministram Aulas Magnas, com entrada franca, respectivamente nos dias 11, 14 e 15, no Hotel Sheraton, sempre às 10h. Os workshops do Festival também serão gratuitos. Sobre documentário, quem fala é Guilherme de Castro, que já dirigiu curtas-metragens para a RBS TV e TVE.
As aulas de Roteiro Cinematográfico terão como ministrante o vencedor da categoria no último Festival de Gramado, Pedro Zimmerman, que levou o troféu pelo filme Diário de um Novo Mundo. As inscrições para os eventos paralelos são gratuitas e devem ser feitas antecipadamente na Central do Festival, no andar térreo da Casa de Cultura Mário Quintana, das 14h às 20h, a partir de hoje.
Reflexo do momento vivido pelo cinema nacional, 12 produções em exibição no Festival são brasileiras. Entre eles, um dos mais esperados deve ser Soy Cuba – O Mamute Siberiano, de Vicente Ferraz. O documentário visita a superprodução Soy Cuba, dirigida pelo soviético Mikhail Kalatazov na década der 60, fracasso de público na época e reerguido recentemente pelos diretores americanos Francis Ford Coppola e Martin Scorcese.
Também deve ser atração Olhar Estrangeiro, de Lúcia Murat, que registra o imaginário internacional a respeito do nosso país tropical. A ficção Crime Delicado, de Beto Brant, deve fugir à linha marginal que o diretor mostrou em seus primeiros três lonags-metragens – Os Matadores, Ação entre Amigos e O Invasor –, trazendo uma temática erótica e sem linearidade temporal.
Criadores e criaturas se encontram com o público gaúcho, debatem a mais recente safra de sucesso mundial em Porto Alegre e ainda nas cidades de Guaíba, Barra do Ribeiro, Três Cachoeiras e Torres, com entrada franca, conforme o cronograma abaixo. A programação na capital pode ser consultada no site http://www.pandafilmes.com.br/festival2006/ ou na Central do Festival, na Casa de Cultura Mário Quintana. Os ingressos acompanham o valor cobrado normalmente nas salas participantes do circuito exibidor.
Torres: 11/02, 21h – Buenos Aires 100 km, de Pablo Meza
12/02, 21h – Estamira, de Marcos Prado (documentário)
Três Cachoeiras: 13/02, 21h – Diário de um Novo Mundo, de Paulo Nascimento e o curta- metragem Os Olhos do Pianista
Barra do Ribeiro: 14/02, 21h – Buenos Aires 100 km, de Pablo Meza
Guaíba: 15/02, 21h – Buenos Aires 100 km, de Pablo Meza

Deixe um comentário