Dilma sobre Opção Braskem: “A Petrobras vai negociar com os dois sócios”

Guilherme Kolling

A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff falou ao JÁ na manhã desta sexta-feira, 17 de fevereiro, antes de deixar o campus da PUCRS, onde acompanhou o presidente Lula no encontro do Conselho Mundial de Igrejas. Ela não quis se pronunciar sobre as negociações de troca de ativos envolvendo Braskem e Petroquisa, que vão definir o futuro controle do Pólo Petroquímico de Triunfo. “Não posso falar de uma negociação em andamento da Petrobras com uma empresa”, justificou.

Questionada se já havia chegado ao seu conhecimento a proposta da Ipiranga à Petroquisa, a ministra respondeu que a posição da Petrobras é clara, vai negociar com os dois sócios. Sobre uma possível mudança de prazo para a definição das negociações entre Braskem e Petroquisa, marcado para 31 de março, ela foi taxativa. “O prazo está definido, não se discute”.

Ipiranga confirma negociações com Petroquisa – 16/02/2006

Elmar Bones, de São Paulo

A Ipiranga rompeu o silêncio que mantinha desde o início a respeito da troca de ativos que está sendo negociada entre a Petrobras e a Braskem e que pode significar um golpe mortal para a empresa petroquímica, com efeitos em todos os negócios do tradicional grupo gaúcho.

O assunto foi levantado na entrevista coletiva que a Ipiranga promoveu ontem em São Paulo para apresentar os resultados de 2005. “O que o senhor pode falar sobre a Opção Braskem”? perguntou o repórter Jefferson Klein, do Jornal do Comércio. Paulo Magalhães, diretor da Ipiranga Petroquímica, começou com uma revelação: disse que desde terça-feira passada o banco Santander participa, indicado pela Ipiranga, do data-room para avaliação dos ativos da Copesul. Até então apenas Petroquisa e a Braskem estavam na avaliação.

André Vieira, do Valor, levantou a questão do prazo: “A Braskem diz que a data de 31 de março será mantida, mas o que se diz no mercado é que os bancos avaliadores estão pedindo prorrogação do prazo. Vai ser mantido o prazo para a opção?”

Magalhães fez um preâmbulo para advertir que não pretendia falar mais sobre o assunto, depois explicou: “Não temos acesso ainda. Esta semana é que indicamos o banco…não posso falar nada sobre isso”. E as negociações com a Petroquisa, o senhor confirma?, insistiu o repórter do JC. Magalhães pareceu contrariado: “Há um ano a Ipiranga decidiu crescer na Petroquímica. É nesse sentido que estamos conversando com a Petroquisa. É sô o que posso dizer. Procuramos e estamos conversando”. O que já está definido? “Está em conversa. Não está decidido. Tivemos esse contato já há algum tempo, é um processo de associação, envolvendo ativos. Queremos um sócio para nos ajudar a crescer”.

Ao final, cercado pelos repórteres que queriam saber mais, Magalhães repetia: “Nothing, nothing”.
A Ipiranga Petroquímica divide com a Braskem o controle da Copesul, a mais rentável empresa do setor petroquímico (cada uma tem 29,4%) e enfrenta uma arrojada investida de seu sócio, que tem como meta estratégica controlar o pólo petroquímico do Sul.

Os resultados

Os quatro diretores das empresas do grupo participaram da entrevista em que a Ipiranga apresentou seu balanço de 2005, nesta quinta-feira, em São Paulo. Leocádio Antunes Filho, da Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, Alfredo Tellechea. da Distribuidora de Produtos de Petróleo Ipiranga, Paulo Magalhães, da Ipiranga Petroquímica e Elizabeth Tellechea, da Refinaria de Petróleo Ipiranga.

Eles pareciam cansados quando chegaram, com meia hora de atraso ao hotel Unique, em São Paulo. “Pelas olheiras, as notícias são ruins”, comentou uma jornalista. Mas os números eram bons, embora não tenham repetido o desempenho de 2004. O endividamento, cuja redução era prioridade, caiu 24%, chegando a um nível que “deixou de preocupar”. O faturamento cresceu 15,5%, alcançando os R$ 28 bilhões, mas o lucro de R$ 518 milhões foi menor do que no ano passado. Em compensação os acionistas foram aquinhoados com uma distribuição recorde de dividendos: R$ 222 milhões.
A Ipiranga Petróleo, que vende combustíveis, e responde por dois terços do faturamento do grupo aumentou em 20% a receita bruta e aumentou suas vendas em 4,2%, quase três vezes a média brasileira, de 1,6%.

A Distribuidora cresce pelo quinto ano consecutivo, chegando a 19,3% do mercado brasileiro de combustíveis (tinha 16,8% em 2000). Seu lucro de R$ 170 milhões é 23% maior do que o do ano passado.

Na Petroquímica o resultado foi considerado “muito bom”, apesar da conjuntura desfavorável. O volume de vendas foi menor, mas o preço compensou. O lucro, de R$ 274 milhões foi bem menor do que os R$ 400 milhões do ano passado, (um ano excepcional para a petroquímica), mas ainda assim respondeu por mais da metade do resultado de toda a companhia. A dívida foi reduzida com a amortização de U$$ 130 milhões de dólares e a empresa ainda tem US$ 150 milhões à sua disposição numa linha de crédito pré-aprovado no IFC (International Finance Corporation).

A Refinaria Ipiranga, em compensação, viveu o pior ano de sua história, por conta do aumento do preço do petróleo e da política de preços da Petrobras no mercado interno. A prioridade foi “minimizar perdas”, com a redução da produção. Já havia reduzido 34% suas atividades em 2004. Em 2005, cortou a produção em 41% e com isso conseguiu reduzir o prejuízo de R$ 39 milhões no ano passado, para R$ 29 milhões este ano.

Sem escala e dependente, futuro da Refinaria Ipiranga é incerto. No ano passado, ficou metade do ano parada, retomou as atividades em dezembro quando o preço do petróleo arrefeceu, e hoje tem garantia de funcionamento até abril, com o petróleo já comprado. Para adiante desta data, vai depender da conjuntura e de decisões governamentais. A empresa recorreu à Secretaria de Direito Econômico, pedindo compatibilidade entre os preços que paga pelo petróleo e o preço dos derivados que produz, mas até agora não teve resposta.

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