Dmae não vai à reunião sobre o mau cheiro da água

Actinomiceto é o nome da bactéria que deixou a água com cheiro e gosto ruim em Porto Alegre. A explicação é da professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), microbiologista Sueli Van Der Sand, durante a reunião da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da Câmara de Vereadores, na terça-feira, 12.

Segundo ela, estas bactérias não oferecem riscos à saúde. “Essa alteração pode ter acontecido por causa da baixa quantidade de chuva nos últimos meses, mas isso também é resultado da poluição ambiental. Em todo o mundo a gente tem esse tipo de problema”, declarou.

A presidente da Cosman, vereadora Lourdes Sprenger (PMDB), leu uma avaliação do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), que não enviou nenhum representante à reunião. O texto apresentava três hipóteses como motivo do problema: a poluição, a reação de substâncias e condições de saneamento precárias.

Em 90 dias, foram registradas 1.003 reclamações sobre a qualidade da água na capital.O engenheiro químico da equipe de Vigilância Sanitária da Prefeitura, Rogério Ballestrin, disse que “o Dmae foi questionado pela Prefeitura, mas foi observado que a dosagem de cloro usada no tratamento do líquido permaneceu a mesma. Também foi feito um estudo sobre a toxicidade da água e também não foi constatada alteração”. Segundo Ballestrin,também houve uma alteração nos mananciais. 

Alfredo Ferreira, da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), destacou o desaparelhamento dos órgãos públicos que cuidam do meio ambiente na cidade. “Por um lado, usa-se o Guaíba para lançar dejetos. Por outro, houve falta de chuvas, por isso a maior concentração de poluentes. Mas a poluição, em Porto Alegre, não tem sido mais examinada”, afirmou.

O engenheiro civil do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), Paulo Napoli, compareceu à reunião da Cosman para dizer que a responsabilidade pelo tratamento da água potável na cidade é do Dmae. A Cosmam convidou o Dmae, mas ninguém apareceu. 

O presidente do Movimento Menino Deus Sustentável, Ivo Krauspenhar, disse que a falta de equipamentos e o sucateamento dos órgãos públicos interferem nesse descuido com a água, que vem apresentando cheiro “muito forte” na região do Menino Deus.

Ao final da reunião, foram feitos encaminhamentos ao Ministério Público, que está realizando um inquérito sobre o caso. Também estiveram presentes Sérgio Celia, dermatologista do Hospital São Lucas, e os vereadores Jussara Cony (PCdoB) e Paulo Brum (PTB).

Enquanto isso, a Fepam continua aguardando laudo da análise de amostras da água, que está sendo feita em São Paulo, cujo resultado é esperado para esta semana.

(Com informações da Câmara de Vereadores)

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