Eleições municipais: onde estão as pesquisas?

HIGINO BARROS
Faltando três meses para as eleições municipais, uma pergunta anda no ar: onde estão as pesquisas que, tradicionalmente nos veículos de comunicação, em anos anteriores, iam mostrando a evolução do quadro eleitoral?
Como a Conceição, da canção imortalizada pelo falecido Cauby Peixoto, ninguém sabe, ninguém viu.
Isso não significa que o ambiente da disputa para a prefeitura de Porto Alegre esteja amorfo. Pelo contrário. Ele está em ebulição crescente e com idas e vindas cada vez mais definidoras.
O cenário projetado é o de sempre. No primeiro turno vale quase tudo.
Candidaturas em profusão, algumas para marcar espaço político, outras por vaidade pessoal e umas quatro com possibilidade de passar para o segundo turno, que é o que interessa.
Nos últimos 32 anos, a dualidade entre candidatura identificada com discurso de esquerda e a contrária, fincada em ideais centro-liberal, se dá para dizer assim, prevaleceu na disputa.
Houve quatro anos de Alceu Collares, sucedido por 16 anos do PT e a presença do PMDB e PDT completando 12 anos no final de 2016. Dificilmente o quadro vai mudar.
Cenário na esquerda
Entre todos os candidatos, a deputada estadual Manuela D’Ávila, do PC do B, aparecia como favorita para a prefeitura, nas poucas consultas de voto realizadas nos últimos tempos.
A desistência de Manuela mudou o cenário.
Segundo analistas do cenário eleitoral local, pela esquerda a candidatura de Luciana Genro, do PSOL, passou a ser vista com chances para alcançar o segundo turno.
Seria essa, inclusive, uma das razões para não serem realizadas as pesquisas eleitorais, tão comuns em eleições anteriores.
O custo de uma pesquisa dessa natureza sai por volta de R$ 40 mil. Porque o PSOL então não paga uma pesquisa e divulga? “Para que? Para saber que a Luciana está na frente e tem chances de ir para o segundo turno? Isso será feito na hora adequada” contrapõe um integrante do partido, explicando que o partido não nada em dinheiro.
Se o PSOL passar para o segundo turno já será considerado uma grande vitória, acreditam na agremiação. O estrago no PT seria de grande monta já que o partido esteve no segundo turno nas últimas sete eleições em Porto Alegre.
As chances de Vieira
Já nas hostes dos adversários do voto contra a esquerda, o cenário considerado de candidatos competitivos sinaliza os nomes do atual vice-prefeito Sebastião Melo, do PMDB, e do ex-secretário estadual da Educação, Vieira da Cunha, do PDT.
A candidatura de Vieira rompeu o acordo que estava vigorando nos últimos 11 anos e seis meses na Prefeitura de Porto Alegre, entre PMDB e PDT.
Como Melo aparece muito mal nas consultas de intenção de voto, feitas pelos partidos para consumo interno, o nome do candidato pedetista é encarado como uma possibilidade real de segundo turno.
O que daria uma disputa entre Luciana x Vieira da Cunha.
Como muita água ainda vai passar por baixo do moinho e muitas variantes se concretizarão até o início da campanha eleitoral, tudo que for especulado não passa disso mesmo. Especulação sobre quem vai ocupar a Prefeitura e administrar uma cidade que alterna momentos de céu com os de inferno.
Mas a pergunta que cabe no momento é mesmo essa: onde andam as pesquisas eleitorais sobre a Prefeitura de Porto Alegre?

Comentários

2 respostas para “Eleições municipais: onde estão as pesquisas?”

  1. Avatar de Murilo Jamiel
    Murilo Jamiel

    Quem dera todas as eleições fossem assim. Que tenhamos um governo eleito pela população e não por institutos de pesquisa e veículos de comunicação.

    1. Avatar de frança havaí
      frança havaí

      Exatamente! Luciana Genro, Freixo, Erundina, Edmilson Rodrigues e outras figuras do PSOL tem dado um verdadeiro exemplo de como se faz campanha eleitoral! Eles trazem uma forma de fazer campanha muito moderna e democrática.
      Discordo em muitos assuntos deles, mas eles tem meu total respeito.

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