Higino Barros
Quem frequentou supermercado na noite de quinta-feira, em Porto Alegre, teve uma visão do poder de boatos, nas redes sociais e nos veículos de comunicação, de como age certa parcela da população que proporcionou a ascensão de Michel Temer ao poder e de como estão fragilizadas e vulneráveis as relações entre poder público e sociedade brasileira.
Os estabelecimentos receberam lotação dez vezes superior, em média, do normal de quem, na dúvida, estocou alimentos, gêneros de higiene pessoal e tudo que a imaginação do consumidor acredita que precisa numa hora dessas.
Em algumas seções dos supermercado da rede Zaffari, na avenida Lima e Silva e na rua Fernando Machado, às 18 horas, as prateleiras de pão de sanduíche e assemelhados e outros produtos não perecíveis de imediato estavam vazias.
Filas enormes, com pessoas com carrinhos lotados era o mais comum. Todas as caixas dos dois estabelecimentos estavam em funcionamento, quando, na prática, só ocorre em algumas ocasiões do ano, como Natal e Dia das Mães.
Alguns produtos foram eleitos como prioritários: papel higiênico, carnes, leite, e seus derivados, massas e bolachas, entre outros. Nas redes sociais, os relatos eram o mesmo.
Relatos de estabelecimentos pequenos, médios lotados e grandes com longas filas, falta de alguns produtos e uma impressão de histeria coletiva, legítima ou não, mas de qualquer maneira precipitada.
Hoje, sexta-feira, os funcionários dos supermercados, sem o tumulto da véspera, repunham os estoques, embora com falta de alguns produtos que só voltarão às gôndolas e prateleiras com o desfecho da greve dos caminhoneiros. Os consumidores eram praticamente os dos dias normais.
Os estabelecimentos faturaram bastante e passaram no teste da classe média consumista e assustada com os resultados das ações políticas que apoiaram ou foram protagonistas. Aguarda-se os próximos capítulos de uma novela, real, que não tem data para acabar.
Em dia de boatos, hordas invadem supermercados em Porto Alegre
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